sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ATO FALHO

Numa turma de ensino médio, apliquei prova sobre as cantigas medievais. Na primeira questão, havia uma cantiga. A seguir, caberia aos alunos comentar e justificar se o texto era uma cantiga de amor, de amigo ou de escárnio.

Num sugestivo e sintomático ato falho, uma das alunas iniciou assim a resposta dela: “Trata-se de uma cantiga de amor. Afinal, o eu lírico é masculindo”...

FOTOPOEMA 20 / HAICAI 4


AUMENTATIVO

De “b”, bão.
De “c”, cão.
De “ch”, chão.
De “d”, dão.
De “g”, gão.
De “h”, hão.
De “m”, mão.
De “n”, não.
De “p”, pão.
De “s”, são.
De “t”, tão.
De “v”, vão.

De aço, ação.
De ado, Adão.
De apaga, apagão.
De ave, avião.
De baio, baião.
De bala, balão.
De bis, bisão.
De borda, bordão.
De bota, botão.
De bote, botão.
De boto, botão.
De brando, Brandão.
De brasa, brasão.
De caixa, caixão.
De calça, calção.
De caldeira, caldeirão.
De caminho, caminhão.
De canastra, canastrão.
De canha, canhão.
De canto, cantão.
De capa, capão.
De casara, casarão.
De chave, chavão.
De cintura, cinturão.
De colcha, colchão.
De corda, cordão.
De conversa, conversão.
De diverso, diversão.
De draga, dragão.
De escala, escalão.
De extenso, extensão.
De ferro, ferrão.
De forma, formão.
De fogo, fogão.
De gabo, Gabão.
De galo, galão.
De gama, gamão.
De gesto, gestão.
De giba, gibão.
De leite, leitão.
De leito, leitão.
De liça, lição.
De macaco, macacão.
De meio, meião.
De mel, melão.
De moço, moção.
De orelha, orelhão.
De Pã, pão.
De paga, pagão.
De palavra, palavrão.
De porta, portão.
De preciso, precisão.
De roupa, roupão.
De sal, salão.
De Sena, Senão.
De seno, senão.
De ser, serão.
De será, serão.
De sere, serão.
De sertã, sertão.
De soluço, solução.
De tala, talão.
De tenda, tendão.
De vaga, vagão.
De vara, varão.
De verso, versão.
De vila, vilão.
De time, timão.
De tez, tesão.
De torre, torrão.
De zanga, zangão.

De Ana, anão.
De Clara, clarão.
De Elisa, elisão.
De Irma, irmão.
De Lea, leão.
De Leila, leilão. 
De Mila, Milão. 
De Rita, ritão.

De Gabo, Gabão.
De Salma, salmão.

De sentimento,
coração.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (34)

Acho um barato fotografar lagartos, principalmente por causa das poses que ofertam.

Esta foto foi uma das imagens conseguidas quando eu já estava voltando para casa. Ainda com o equipamento montado e dirigindo a moto, eu estava prestando atenção no ambiente, em busca de mais uma oportunidade. Foi quando vi o lagarto acima.

Geralmente, são ariscos. Já ciente disso, fui, paulatinamente, aproximando-me. Pude tirar umas sete fotos.

Imagem feita em primeiro de maio de 2007.

CONTO 12

Almir bebe todos os dias. Começou a beber quando tinha dezesseis anos. Hoje, tem trinta e nove. Ele diz entender muito bem o personagem Ben Sanderson, interpretado por Nicolas Cage” no filme “Despedida em Las Vegas”. A diferença básica, segundo Almir, é que ele não tem sua Sera, interpretada por Elisabeth Shue; o ponto em comum, diz, é que vai acabar como Ben. Se argumentam com Almir que ele pode mudar isso, ele diz que não quer – e que não teria capacidade, se quisesse. Para aqueles que tentam ajudá-lo, diz para não se preocuparem, acrescentando que morrerá lenta e liquidamente.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

APONTAMENTO 22

Uma teia de intrigas no local de trabalho faz com que amigo meu se lembre de um enredo shakespeariano. Não conhecesse ele o texto de Shakespeare, obviamente não faria a comparação. O vate inglês acaba fazendo com que se compreenda melhor a vida – e vice-versa – e não necessariamente nessa ordem.

HAICAI 4

Futebol de garoto.
Garrincha vai, vem.
O gênio é torto.

HAICAI 3

Aquosa jornada.
Ele peleja, labuta.
Quase nada.

EXCELENTE!

Freqüentemente nos queixamos, com muita razão, da precariedade e da burocracia dos serviços públicos. São na maioria das vezes ineficazes, pachorrentos e nos tratam como se estivéssemos atrapalhando a existência dos funcionários, como se fôssemos um incômodo para o bem-estar deles, que, a rigor, são mantidos por nós, por intermédio dos impostos e taxas que pagamos.

Mas, um dia desses, tendo saído logo pela manhã, a fim de resolver pendengas burocráticas, tive de ir a um desses serviços públicos. Já cheguei armado e fazendo cara de quem deixa bem claro que estar ali não era nada bom. Como sempre, fila, mas não demorei a ser entendido. Não tive nem tempo de começar a pensar na vida e no que devo fazer para que tudo seja diferente. Eu já estava com a senha de atendimento em mãos; em menos de dois minutos eu seria chamado.

Quem me atendeu foi um senhor. Já calejado e ciente de que a burocracia impede o bom senso na maioria das vezes, após corresponder ao “bom dia” do funcionário, fui logo adiantando que talvez eu não estivesse no lugar certo para resolver o problema com as faturas. Mas o atendente, após me perguntar de que conta se tratava, foi logo dizendo que eu estava no lugar certo.

Revendo-o agora, creio que deve ter uns cinqüenta anos. O sorriso com que me recebeu era cordial mas não era exagerado. Por isso mesmo, convenceu. Entreguei-lhe os comprovantes de pagamento de contas que estavam atrasadas e ele começou a digitar. Digitava e olhava para a tela, digitava e olhava para a tela. Eu tentava ler em seu rosto algum problema, alguma irregularidade com os comprovantes. Mas ele continuava digitando. Num dado momento, perguntou-me alguma informação técnica sobre minha mãe, pois os documentos estavam no nome dela. Como eu havia pedido a ele segunda via de um documento, ele me disse que tal segunda via não seria necessária, pois a conta já havia sido paga. E mais: acrescentou que uma outra conta, paga momentos antes, também há havia sido quitada. Por fim, esclareceu que eu não precisava me preocupar, pois o dinheiro seria restituído por intermédio de créditos (acho que foi essa a palavra que ele usou).

Enquanto o senhor digitava, reparei que, sobre o balcão, havia um mecanismo vertical, de uns quinze centímetros, que parecia proporcionar ao cliente a possibilidade de opinar sobre o atendimento que tivera. Havia quatro ou cinco botões, um de cada cor. Sob cada botão, havia uma palavra. Elas iam de uma gradação que começa com (salvo engano) “excelente” e vai até (salvo engano) “péssimo”. Deduzi que o dispositivo estava ali para que pudéssemos de fato avaliar o modo como havíamos sido tratados, como havia sido o serviço etc. Por dois ou três instantes, senti-me tentado a apertar o botão “excelente”, mas não o fiz por temer que talvez essa não fosse a utilidade do mecanismo. Também por dois ou três instantes, pensei em perguntar a serventia da maquininha, o que não fiz.

No término do atendimento, o funcionário virou o monitor do computador para mim e me mostrou a prova de que duas das contas já haviam sido pagas. Trocamos algumas palavras e fui embora. No caminho de volta para casa, fiquei remoendo meu vacilo, meu pestanejar: eu deveria ter perguntado a utilidade do equipamento. Caso servisse para o que eu tinha pensado que servia, eu poderia ter opinado sobre o atendimento que recebi. Nem tanto pela repartição, mas pelo tato daquele funcionário. Voltei para casa com a sensação de que eu perdera a oportunidade de exercer algo de bom em mim.

HAICAI 2

Manhã à mão.
Sol busca o céu.
Glorioso sertão.

DA PAZ

A paz é um céu
bem escuro
pontuado
por estrelas.
A paz é escura
e silenciosa.

APONTAMENTO 21

A mais curta das viagens, desde que não se queira fazê-la, torna-se a mais longa.

CONTO 11

Marcos havia sido o tipo literato até os quarenta anos. Estava sempre bem-informado e praticando os idiomas que aprendera – inglês, francês e espanhol. No exato dia em que completou quarenta anos, desistiu do mundo das letras (de vez em quando escrevia alguns versos). Na juventude, chegara a publicar por conta própria um livro de poemas chamado “Caminhos do olhar”. Depois que abandonou o mundo da literatura, passou a se dedicar à criação de coelhos. A seguir, entusiasmou-se pela música. Logo após, pela filatelia. Mesmo antes das letras já havia sido interessado em basquete, chegando a jogar no time principal da cidade. Hoje em dia, tem se dedicado ao direito. Fez vestibular e foi aprovado, mas já está cogitando a idéia de abandonar o curso e se dedicar à etologia. A intenção é se concentrar no estudo das formigas.

CONTO 10

O grande sonho de Cátia era ser modelo. O desejo de freqüentar as passarelas, ser fotografada, gravar comerciais, dar entrevistas, ser famosa, ganhar dinheiro e estar em outdoors começou a acabar quando ela completou dezesseis anos. Foi nesse instante que, inexoravelmente, passou a engordar. A princípio, ainda teve alguma esperança de voltar a ter o corpo esguio e o andar leve. Depois, percebeu que seriam em vão as esperanças, as dietas e as ginásticas. Nunca parou de engordar. Hoje, muito veladamente, sente uma pontinha de inveja quando vê cenas de um desfile ou fotos de alguma modelo. Nada grave: já que não há como jogar fora o peso do corpo, Cátia jogou longe o peso das gordas preocupações.

"HOW DO YOU DO"

Mais cedo (3/9/2008), tive de ir ao dentista. Como eu ainda não havia sido paciente do profissional, ele tratou ao máximo de me acalmar, nos momentos que antecederam os trabalhos; o que nem seria necessário, pois não me preocupo com esse tipo de intervenção.

Enquanto dente e gengiva eram cavoucados, bem baixinho, quase imperceptíveis, ao fundo, pude ouvir solos de flauta. Não conheci o artista. Mas eu estava mesmo é com a canção “How do you do”, do Roxette, na cabeça. Eu nem gosto muito dessa canção, mas ficou em minha cabeça, desde que a escutei, ontem, numa rádio.

APONTAMENTO 20

É muito fácil ser otimista quando se é ignorante. Mas nem todo otimista é ignorante.

APONTAMENTO 19

No sonho, a verdade. Na leitura, a ponte para o sonho.

FOTOPOEMA 19


POP POEM

Be “Close to me”
and be The Cure.

CONTO 9

Joaquim conheceu Andréia. Os dois se casaram e foram morar no fundo da casa de Estevão e Isoleta, pais de Andréia. Chegou um ponto em que Joaquim não estava mais suportando a falta de privacidade, os palpites da sogra, a falta de educação do sogro e os latidos agudos de Bidu, o cachorro de Estevão. Numa discussão, os sogros de Joaquim jogaram na cara dele que ele pegava o boi de morar lá, pois não pagava aluguel nem criava vergonha na cara e construía uma casa. Joaquim disse para a esposa que iria embora; perguntou-lhe se ela iria com ele. Diante do vacilo dela, o marido não disse mais nada: fez as malas e partiu. Até hoje, os familiares de Andréia lamentam a ausência de Bidu, que acabou seguindo Joaquim no dia da partida.

FOTOPOEMA 18


LETRA DE MÚSICA (CANÇÃO DESAJEITADA)

Você tem um jeito...
Essa coisa imprecisa que
ao mesmo tempo é tudo.
Seu jeito é você toda.

Seu caminhar, respirar...
Cabelos, roupas, gestos...
Fico sem jeito, mas olhar é preciso.

Sua voz, humor e gentileza.
Um quê de criança na mulher feita.
Finjo levar jeito e componho uma canção.
Oferta de um cético que de repente acorda:
o amor me pegou de jeito.

CONTO 8

O dia de seu casamento havia chegado, e Margarida não estava certa se deveria mesmo se casar com Amauri. Horas antes da cerimônia, não sabia se fugia para Lagamar ou se entrava na igreja. Por fim, decidiu ir embora – vinte e dois anos e três filhos depois de casada.

O IDH DA CHINA

Ontem (16/8/2008), sábado, eu estava num bar conferindo música ao vivo. Numa das vezes em que fui ao banheiro, chegou até mim trechinho de conversa mantida entre um casal. Olhei para o lado. Pela aparência dele, julguei que tem uns 55; ela, uns 50. Mas sou péssimo em atribuir idade. De qualquer modo, apesar da olhadela, tive a impressão de que não eram um casal estabelecido; fiquei com a sensação de que ele a estava cortejando, de que aquela era a primeira vez em que saíam juntos.

Achei um barato o trecho da conversa que chegou até mim. Momentos antes de entrar no banheiro, ele conversava sobre o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da China. E como eu já compusera toda uma situação na mente, atribuindo aos dois um clima de paquera, que nem sei se de fato havia, fiquei pensando nos caminhos que uma conversa pode tomar no momento em que há uma tentativa de conquista.

Embora ela conversasse quando saí do banheiro, não pude escutar nenhuma palavra. A música ao vivo continuava agradável. Pouco depois de o músico terminar, vi o casal saindo.

De mãos dadas.

ASSANHAMENTO

Quero um corpo
amoroso e safado
para que eu seja
safado e amoroso.
Dê-me teu corpo
e seja amorosa e safada,
para que eu seja
safado, amoroso e teu.

RELAÇÃO

Da palavra,
posso vir a ser
senhor e escravo.

Senhor,
se fizer dela
o que quiser.

Escravo,
caso sem ela
não consiga viver.

APONTAMENTO 18

Polemizar é muito mais fácil do que ser simples.

APONTAMENTO 17

Minha melhor ficção não está no papel. Minha melhor ficção sou eu.

CORPOS DO AMOR

De fato,
o coração dispara.
Mas não se iluda:
da cabeça aos pés,
tudo é a língua do amor,
tudo são músculos do amor.
Tudo é corpo amoroso.

FOTOPOEMA 17


A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (33)

O que me levou à fotografia de aves e pássaros foram as aves de rapina. Sempre gostei delas. A partir do momento em que decidi levar fotografia mais a sério, logo veio o desejo de fotografá-las.

A foto acima é mais uma feita lá no bairro Copacabana. Mais uma feita na última rua do bairro, a que fica mais perto do Rio Paranaíba. Eu estava em minha moto; equipamento fotográfico pendurado no corpo e pronto para o disparo. Em velocidade bem reduzida, eu prosseguia, prestando bastante atenção nos arredores, a fim de flagrar alguma imagem. Súbito, à minha esquerda, avisto este gavião-carcará. Assim que parei a moto, ele já se alarmou. Com movimentos lentos, sutis e pacientes, tirei o capacete, peguei a câmera e disparei. Pude fazer duas fotos.

PALAVRA E MELODIA

Gosto demais quando as barreiras que separam o erudito do popular são derrubadas. Sempre me senti atraído pela tentativa de se fazer uma amálgama dos dois. Em mim, isso é tão forte, que chego a pensar que se algum dia eu tivesse de arriscar uma definição para o que é a arte, eu partiria desse princípio de fusão entre o que é considerado popular e o que é considerado erudito.

Canções e literatura sempre me atraíram. O John Lennon disse que quando começou a escrever letras, tentava imitar o Bob Dylan. Nessa tentativa, Lennon se esforçava por escrever letras complicadas cujo sentido permanecesse latente. Com o passar do tempo, mudou a abordagem e passou a escrever textos mais simples, mais diretos, com menos metáforas – “Imagine” é um exemplo dessa fase menos rebuscada. Contudo, Lennon reiterava que tentava escrever letras que pudessem ser também lidas, letras que funcionassem como um poema.

A música pop tem letras que são poemas. O que é pop não tem de necessariamente produzir textos que possam ser considerados peças literárias, mas isso não impede que a literariedade esteja presente no que é pop.

Penso em “The Unforgiven”, do Metallica. Com muita freqüência, eu me lembro de um dos trechos da letra. Diz o seguinte (tradução liviana):

What I’ve felt
What I’ve known
Never shined through what I’ve shown

(O que senti
O que conheci
Nunca brilhou por intermédio do que mostrei)

O trecho não precisa ser cantado para “funcionar”.

Neste momento, escuto algumas canções. Uma delas, “Misread”, do Kings of Convenience. Um trecho da letra foi o que me levou a escrever o texto que você está lendo agora. Diz o trecho (novamente, tradução liviana):

How come no one told me
All throughout history
The loneliest people
Were the ones who always spoke the truth
The ones who made a difference
By withstanding the indifference

(Por que ninguém me disse
Que por toda a história
Os mais solitários
Foram os que sempre falaram a verdade
Os que fizeram a diferença
Resistindo à indiferença)

A MPB é pródiga em letras-poemas. De Pixinguinha a Lulu Santos, há fartura. E assim, “a porta do mundo é aberta/Minha alma desperta/Buscando a canção”.

LIVRES

Caminham juntos, os dois.
Não sabem para onde
nem para quê.
Inimigos, somente os que
eles mesmos inventam.
Superam todos.
Sem laços,
sem saudades,
não se voltam
para as pegadas
que imprimem,
não concebem futuro.
Plenos do presente
e inconscientes de si,
não sabem,
mas são felizes.

BREU

A luz pode ser trágica.
Enquanto isso,
a escuridão me pacifica.

POEMA

Gradação(1)

Fascinante,
a história de teu corpo,
quando ele vai
do coração que dispara
ao grito que goza.
(1) Há uma versão diferente deste poema lida em liviosoares.com.

APONTAMENTO 16

Palavras não são tudo, mas viver é menos pesado e triste quando transformo as coisas em palavras.

INEXORÁVEL

Mesmo
no esquife,
tudo se esquiva.

FANTASIA

Amor,
minha fantasia é
também geográfica.
Tanto que
está no mapa;
tem longitude e
(l)atitude:
eu e você,
emaranhados,
em camas de
Lençóis Maranhenses.

SILÊNCIOS

Tenho de me segurar.
Se não me policio,
vou à tua casa,
escalo as muralhas,
trago-te comigo.
Por fora, sou calma e senso;
por dentro, furor e desejo.
Para não invadir teu espaço,
edifiquei redoma.
Daqui de dentro,
a esperança (vã?)
de que estou
no silêncio teu.

APONTAMENTO 15

Renato Russo no palco: um ator que cantava.

SITE

Rusimário Bernardes reformulou seu portal na internet.

Além do talento para escrever, ele também faz páginas para a internet. Eu me lembro de que certa vez, conversando com ele, comentei que eu tinha o interesse de ter um site; então perguntei quem poderia fazer a página para mim. Ele disse: “Eu”. Isso já deve ter uns três anos. Desde então, temos trabalhado juntos, o que muito me agrada, pois ele soube traduzir muito bem o que eu tinha em mente.

Aqueles que conhecem o carismático Rusimário também sabem que entre seus inúmeros dons está o da amizade.

Para conferir o portal dele, acesse
www.nhardes.com .

FOTOPOEMA 16


SOFISMA?

O Brasil
nasceu na Bahia.
Eu nasci no Brasil.
Logo, sou baiano.

DIA DE BONGÔ

Hoje (26/7/2008), comecei o dia surrando meu combalido e empoeirado bongô. Comecei a escutar algumas canções, entusiasmei-me e me desenferrujei.

Acompanhei as seguintes canções:

“Ventura highway” – America (Essa, preciso treinar.)
“A estrada” – Cidade Negra
“Hope of deliverance” – Paul McCartney
“À noite sonhei contigo” – Paula Toller
“When a man is wrong” – Seal (Essa, com a pandeirola.)
“Só pra te mostrar” – Daniela Mercury – participação de Herbert Vianna
“Misread” – Kings of Convenience (Nessa, embananei no meio.)
“All around the world” – Lisa Stansfield e Barry White (Essa, pensei que não ficaria legal, mas gostei.)
“Lady” – Mojo (Essa tem um andamento mais rápido; por eu estar fora de forma, passei apertado.)
“In your eyes” – Peter Gabriel
“Esse seu jeito sexy de ser” – Sempre Livre
“A horse with no name” – America (Essa, toquei duas vezes; a primeira, ficou muito ruim; a segunda, um pouco pior.)

Fiquei devendo nas duas do America que compuseram o repertório. Mas foi legal. De alma lavada, sigamos.

P.S.: Depois de lidar com alguns afazeres, voltei para o bongô e ainda batuquei ao som de duas canções do Zé Ramalho: “Garoto de aluguel” (versão acústica) e “Beira-mar”.

OFERTA

Para as mangas, mangueira.
Para as maçãs, macieira.
Para o amor, amoreira.

O MISTÉRIO

Queres um quê
de mistério?
Sê simples.

SINESTESIA

Meu silêncio
e o silêncio
de minha casa
têm a cor
do crepúsculo.

APONTAMENTO 14

Se fosse para contar sobre os que foram embora, eu teria um bom número de histórias, mas quero é contar sobre os poucos que ficaram.

FOTOPOEMA 15


CONTO 7

Juras

Tudo começou muito bem. Nos planos, seriam felizes, aumentariam o amor, aumentariam o patrimônio. Este aumentou, mas aquele diminuiu até acabar. O casal está agora às turras, principalmente quando a briga é por dinheiro. Vivem trocando juros de amor.

FOTOPOEMA 14


A HISTÓRIA POR TRÁS DA(S) FOTO(S) (32)

A natureza não é feita somente de idílicos ocasos ou bucólicas paisagens. Uma olhadela um pouco mais atenta já vai revelar o muito de sangue que há na diária e incessante luta pela sobrevivência. Por intermédio de cândidos passarinhos ou de opulentos gaviões, passando por humanos cheios de empáfia, tenho presenciado, desde quando comecei a fotografar a natureza, cenas de sangue e morte.

Às vezes, essa luta pela sobrevivência gera momentos um tanto engraçados. A tesourinha, por exemplo, é turrona e metida a valente: persegue adversários bem maiores do que ela. Já vi tesourinha afugentando tucano e gavião – o bem-te-vi também é assim. (Ainda quero conseguir uma foto de bem-te-vi ou de tesourinha perseguindo tucano.)

As imagens acima ilustram dois momentos em que uma tesourinha botava pra correr um gavião-carrapateiro, que momentos antes estava pousado num fio. Mesmo quando já estavam bem mais longe, não podendo ser mais fotografados, o assédio continuou, e em dose dupla, pois súbito surgiria uma outra tesourinha para dificultar a vida do gavião.

Eu estava no bairro Copacabana quanto tirei as fotos.

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (31)

Desde pequeno, sempre tive o maior fascínio por urubus. Creio que isso teve início na época em que eu lia histórias em quadrinhos. Com freqüência, eu conferia as aventuras do Homem-Aranha, que tinha um inimigo chamado Abutre. Era meu vilão predileto.

Além do mais, a sensação que tenho é a de que antigamente havia mais urubus. Pode ser uma impressão incorreta; afinal, a infância é hiperbólica... Ou talvez haja de fato menos urubus hoje, pois de lá para cá destruímos muito da natureza. À parte isso, era um barato observar os urubus lá longe. Eu ficava impressionado com o quanto voavam alto.

O tempo passou e comecei a fotografar. Quando me decidi a realizar fotografias de pássaros e aves, rapidinho passei a procurar os urubus. Uma das fotos, postei no
TrekNature. Paul Bratescu, um dos integrantes do site (conhecido lá como AnimalExplorer), ressaltou o trabalho de limpeza que os urubus realizam. Gostei muito do comentário dele. Eu, que já gostava de urubus por causa de memórias dos tempos da infância, passei a gostar ainda mais depois do comentário do fotógrafo. Uns olham para a imagem de urubus na carniça e dizem que a cena é nojenta; outros, que os urubus estão realizando um trabalho de limpeza. São dois modos de verbalizar uma só coisa. Na ocasião, cheguei a pensar no poder que as palavras têm. Mas isso é uma outra história...

A foto acima foi tirada no bairro Copacabana, aqui em Patos de Minas.

FOTOPOEMA 13


SHOW DE BOLA

Agora há pouco (18/7/2008), estive conferindo show com o Mistura Fina e Wilmar Carvalho (voz e guitarra), num dos restaurantes da cidade. No repertório, clássicos do cantor e compositor Djavan.

O Mistura Fina tem como integrantes César Braga (piano digital), Castor (bateria) e Ivan Rosa (baixo). O trio tem mantido um trabalho à parte, já tendo se apresentado em bares e restaurantes, com música instrumental. Paralelamente, já realizaram com Wilmar Carvalho shows no Teatro Municipal Leão de Formosa, ocasiões em que apresentaram canções de Caetano Veloso.

A apresentação de há pouco teve um breve intervalo, de modo que o show foi divido em duas partes.

O que mais me chamou a atenção na história toda é que o espetáculo não teve cara de cover do Djavan. Pérolas como “Faltando um pedaço” (em belíssimo arranjo), “Lilás”, “Meu bem querer” e “Pétala” compuseram o repertório, mas foram executadas à moda do quarteto. Para se ter uma idéia, “Sorri” teve “pegada” jazzística. O efeito disso foi bacana. Ao mesmo tempo em que nós, platéia, estávamos escutando Djavan, havia um toque pessoal por parte de cada um dos integrantes da banda. Em conversa com eles depois do show, Castor disse que já são experientes o bastante para darem o toque personalizado no que estão tocando.

Terminada a apresentação com as canções do Djavan, o trio Mistura Fina ainda tocou por mais alguns minutos.

É intenção do quarteto continuar tocando junto.

Logo mais, apresentam-se novamente, no mesmo local. A noite de sexta está garantida.

FOTOPOEMA 12


FOTOPOEMA 11


PREFERÊNCIA

Teus cabelos?
Prefiro
quando estão
debelados
e desajustados.

FOTOPOEMA 10


FEROMÔNIO

Amo-te
por gostar
de teu cheiro
ou gosto
de teu cheiro
por te amar?

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (30)

Como de praxe, nesse sábado (12/7), fui conferir música ao vivo num dos restaurantes da cidade. Estavam se apresentando Woodson (bateria eletrônica), Pedro (violão) e Rejane (voz).

A cantora havia me ligado para que eu fizesse algumas fotos da apresentação. Enquanto a música rolava, vi que a sombra do braço do violão, produzida por uma luz amarela atrás dos artistas, proporcionaria uma foto.

No intervalo de uma música para outra, pedi ao Pedro que posicionasse o braço do violão de modo que eu pudesse fotografar a sombra, que se projetava no chão.

SEM PALAVRAS

Mais cedo (9/7/2008), num dos bares da cidade, conferi show com o grupo Mistura Fina, que executa música instrumental. Os integrantes são Ivanir Rosa (baixo), Castor (bateria) e César Braga (piano digital). No repertório, clássicos do jazz, do samba e da MPB em geral. De Creedence Clearwater Revival, passando por Tom Jobim e Jorge Benjor, o repertório é executado com técnica e curtição pelos três experientes músicos.

Em conversa que mantive com eles depois da apresentação, disseram que têm a intenção de continuar com os shows. Além de realizarem o trabalho com música instrumental, é plano deles se juntarem a cantores e apresentarem mais uma faceta de seu trabalho. Já há apresentações agendadas com o cantor e músico Wilmar Carvalho. Nos dois primeiros shows por vir, vão apresentar músicas de Djavan (com Wilmar Carvalho, já se apresentaram no Teatro Municipal Leão de Formosa, em shows com clássicos de Caetano Veloso). Virão ainda apresentações com canções do Legião Urbana.

Os três são professores do Conservatório Municipal, onde se pode entrar em contato com eles.

CROMO 6

Mais uma de minhas fotos feitas com câmera analógica; mais uma da série feita com cromos.

Tirei a foto no Parque do Mocambo. Quando cheguei ao local, um dos vigias do parque, assim que me viu com equipamento fotográfico, fez gesto para que eu me aproximasse com vagar e silêncio de um lugar apontado por ele. Lá chegando, avistei o mico acima a alguns metros. Quando perguntei ao vigia o motivo de o animal estar ferido, foi-me dito que por certo havia sido alguma briga envolvendo os integrantes do bando a que o mico pertencia. Ou então, alguma pedrada...

Nas proximidades, havia um abrigo. O vigia foi até lá e pegou um pedaço de pão. Em seguida, aproximou-se do mico. Este reteve o pão mas não foi embora; talvez, na esperança de ganhar mais um pedaço. Enquanto ele se alimentava, pude tirar várias fotos.

APONTAMENTO 13

O astrônomo lê nas estrelinhas.

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (29)

Eu me lembro de que no dia em que tirei esta foto (23 de julho de 2005), lamentei não ter, na época, uma objetiva de alcance maior, pois havia alguns urubus se alimentando ao longe, num pasto. Havia uma cerca, que não pulei. A noite estava prestes a chegar. Sem a possibilidade de fotografar de perto as aves, ainda assim, não vim embora. Permaneci nas proximidades, procurando mais alguma possível imagem. Foi então que percebi que, saciados, os urubus iam para uma árvore. Meio sem expectativa, tirei uma foto da árvore em que estavam e vim embora. Eu havia até me esquecido desta foto; ontem, mexendo em velhos arquivos, ela surgiu.

FOTOPOEMA 9




FOTOPOEMA 8


APONTAMENTO 12

Algo em mim muda a todo momento. Algo em mim permanece o mesmo a cada instante.

"VIAGENS PROFUNDAS", DE ROSE GONÇALVES

Hoje (1/7/2008), recebi correspondência que me deixou muito contente – foi-me enviado o livro “Viagens profundas”, de Rose Gonçalves.

Rose mora atualmente em Lavras/MG. Enquanto esteve em Patos de Minas, exerceu seu belo talento, dando aulas de canto e se apresentando em bares e restaurantes da cidade. Foi a partir de um encontro num bar que passamos a ter mais contato.

Rose tem passado por problemas de saúde. Em Lavras, conta com o apoio e a ajuda da família. Mas o bacana na história toda é que ela não larga mesmo mão de se agarrar à vida. A mais nova prova disso é o livro lançado por ela recentemente.

A obra reúne poemas escritos pela cantora. Foi publicado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, do Rio de Janeiro.

Rose, que já conferia voz e sentimento a versos alheios, decidiu conferir palavras e páginas a seus próprios sentimentos, à sua própria voz. Que a viagem esteja apenas começando.

APONTAMENTO 11

A zebra é simetricamente pedrês.

APONTAMENTO 10

Fiquei esperando uma verdade súbita, mas isso não há. O que há é o devagarinho de cada instante.

MAIS NOVIDADE EM MEU SITE

Caras pessoas, agora, em meu site, há também textos em inglês lidos por mim. São letras de música pop e trechos de autores estrangeiros que curto. Caso queiram conferir, gentileza acessar liviosoares.com.

APONTAMENTO 9

Agora há pouco (29/6/2008, 1h12), estive dando uma olhada em algumas fotos que tenho tirado desde quando passei a me dedicar de modo mais intenso à fotografia. Sem pedantismo, digo que achei muito bom olhar as imagens. Não por elas em si, mas pelo que fiz em nome da paixão pelo ato de fotografar. Pegar o equipamento, pegar a moto e sair à caça de imagens. Cada foto, uma história. Por fim, regozijei-me, pois gostei da história que construí. (Se isso soa a vaidadezinha boba, relevem.)

A vida é precária; precária é a história que tenho feito. Mas é uma história que, por instantes, muito me agradou. Envolvi-me com textos e com imagens. Tudo mesmo para que eu me envolvesse com a vida.

NOVIDADE EM MEU SITE

Pessoas, agora, em meu site, há a leitura que faço de alguns textos meus. Caso queiram conferir, gentileza acessar liviosoares.com.
Valeu.

APONTAMENTO 8

Não sei bem se a literatura faz com que eu me aproxime de mim ou se faz com que eu me afaste de mim. O fato é que sem literatura viver seria muito mais perigoso ainda.

À MANEIRA ORIENTAL 2

Nem
a esquerda
nem a direita.
Quando muito,
à esquerda
ou à direita.
Mas já que
o caminho
é um, não há
à direita
ou à esquerda.
Não há
nem direita
nem esquerda.
Há apenas
o caminho.

À MANEIRA ORIENTAL

Se queres ser dono
da verdade,
sê dono
de nada.

A HISTÓRIA POR TRÁS DA(S) FOTO(S) (28)

Conforme combinado na postagem anterior, eis as fotos de um porco-espinho.

Eu estava no bairro Copacabana. Era o dia trinta de dezembro de 2006. Tempo nublado. O Rio Paranaíba estava cheio. Por causa disso, animais que geralmente ficavam do outro lado do rio vieram para o lado de cá ou se viram obrigados a êxodo temporário, por causa da enchente.

Parece-me ser o que ocorreu com o amigo acima. O curioso é que ao vê-lo no alto de uma árvore, pensei se tratar de um ninho qualquer, embora um ninho bem grande. Contudo, chegando mais perto, vi que era um animal que eu nunca tinha visto. Comecei a fotografar. O barulho de obturador o acordou, mas ele não fez nem menção de sair do lugar em que estava. Enquanto eu fotografava, uma viatura da Polícia Militar, patrulhando a área, parou. Havia dois ou três policiais no carro; desceram e me perguntaram o que eu estava fotografando. Quando lhes mostrei o porco-espinho, um deles se aproximou da árvore em que o animal estava e mexeu nos galhos. O porco-espinho então saiu de onde estivera até então e foi para outra árvore; uma das imagens acima registra o momento em que ele se movimentava.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (27)

Foto tirada perto do colégio Polivalente. Vou muito por aqueles lados em busca de imagens. Gaviões, anus-pretos e anus-brancos são freqüentadores assíduos da área. Lagartos podem ser vistos também. E foi por lá que consegui fotos de um porco-espinho. Em breve, eu a postarei.

Na foto acima, havia um bando de anus-pretos numa cerca. São aves com forte instinto gregário (o mesmo vale para o anu-branco); onde há um, há outros.

Quando tentei uma maior aproximação, a maioria deles voou. Já os dois acima tinham coisa melhor para fazer.

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (26)

Em 13 de outubro de 2007, fotografei um casamento. A festa foi num sítio nas proximidades de Patos de Minas.

Quando chegaram ao local da festa, fizeram algumas fotos perto da piscina. Numa das poses, decidi fotografar apenas o reflexo deles no azul da piscina. Com a foto no computador, apenas a girei.

APONTAMENTO 7

A humanidade é perdida e desnorteada – qualquer coisa que tenha cara de verdade a convence.

FOTOPOEMA 7




A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (25)

Numa foto ideal, o tamanduá estaria num fundo que oferecesse mais contraste. A tentativa nesta foto foi de mostrar todo o corpo do animal.

Para mais detalhes sobre o registro, gentileza conferir postagem anterior.

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (24)

Em julho de 2006, estando em férias, decidi ir a São Roque de Minas, pequena cidade que fica ao pé da Serra da Canastra. A intenção era fotografar o tamanduá e, se possível, o lobo-guará.

Assim que cheguei ao hotel, decepção: o guia contratado por mim simplesmente havia me dado o bolo. Eu havia perguntado se era necessário pagar antecipadamente. Ele dissera que não. A proprietária do hotel me disse que ele havia subido a Serra com um grupo de turistas: um grupo é mais lucrativo do que um único turista.

Para chegar até São Roque, fui de carona com o Adriano, amigo que hoje leciona para a Federal de Tocantins. Diante do fiasco, a princípio, cogitei ir de imediato com o Adriano para Alfenas, para onde eu iria somente na semana seguinte, depois do “safári” na Serra da Canastra. Contudo, após conversas, eu e o Adriano decidimos subir a Serra no carro dele; iríamos embora no outro dia pela manhã.

O caminho é sinuoso, o morro é grande. Há muita poeira. De acordo com o combinado, eu pagaria para que o carro fosse lavado assim que chegássemos a Alfenas. Era um fim de tarde. Subíamos a Serra; eu, sem muita esperança; estava ainda nervoso devido à irresponsabilidade do guia. Ainda na subida, consegui fotografar um gavião-carrapateiro em cima de um boi. Continuamos subindo. A noite não demoraria a chegar. No caminho, encontramos dois alemães. Tinham equipamentos sofisticados. A intenção deles era observar o tamanduá. Conversei com eles, que disseram não ter avistado nenhum. Adriano e eu prosseguimos Serra acima. Como eu não via nem tamanduá nem lobo-guará, eu aproveitava para fotografar a flora do lugar. Já num ponto bem alto, decidimos voltar. Na descida, à nossa direita, do meio do mato, surgiu uma jovem. Perguntamos se ela estava indo para São Roque. Ela disse que sim; oferecemos carona e ela topou. Antes que ela entrasse no carro, perguntei-lhe se ela tinha visto algum tamanduá por perto. Ela me disse que havia um a uns duzentos metros de onde estávamos. Fiquei doido! Era a minha chance!

Fui logo indo na direção apontada por ela, que estava cheia de admoestações. Disse que havia muita cobra na área. Além disso, pediu-me para não estressar (foi o termo que ela usou) o animal. Ela é bióloga; na ocasião, parece ter se arrependido de ter me dito que havia tamanduá por perto, pois ficou o tempo todo falando das cobras e me pedindo para não estressar o bicho. Quando o vi, comecei a fotografar. O sol já estava quase indo embora; eu não teria muito tempo. Tirei umas dez fotos. Depois, descemos a serra; quando mostrei as fotos do tamanduá, ainda no monitor da câmera, para a bióloga, ela me pareceu menos arrependida de ter me mostrado onde ele estava.

Não fosse por ela, eu não conseguiria avistar o tamanduá. Além do mato, que estava alto, o animal é da cor desse mesmo mato. Tanto é que as imagens não ficaram muito boas, pois ele se confunde com o fundo. Ainda assim, eis uma das fotos dessa criatura, que acho formidável.

FOTOPOEMA 6


FOTOPOEMA 5


A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (23)

Tirei esta foto no dia 7 de setembro de 2007. Apesar do feriado, eu havia tomado a decisão de me levantar cedo para tirar fotos. Em especial, fotos de árvores – o que de fato ocorreu.

Era um dia bonito e ensolarado. Nuvens esparsas e temperatura agradável completavam o astral da ocasião.

A foto foi tirada na estrada que liga Boassara a Patos de Minas. Eu já estava há horas fotografando árvores. Eram 12h31 quando cliquei.

NAS ONDAS DO RÁDIO

Já escrevi neste blog sobre dois grandes radialistas – Henrique do Valle e Julinho Mazzei.

Cresci escutando rádio. Lembro-me de escutar demais a Rádio Clube AM, a Clube FM, a Princesa (Lagoa Formosa), a Itatiaia (Belo Horizonte) a Globo (tanto a do Rio de Janeiro quanto a de São Paulo)...

Cresci escutando essas e tantas outras emissoras por causa de meu pai, que ficava o tempo todo com o rádio ligado. Em minha adolescência, acompanhei também a Rádio Mundial, do Rio de Janeiro – hoje, a CBN (foi na Mundial em que trabalhou o locutor Big Boy, no fim da década de 60; caso queira escutar o genial locutor, vá até o YouTube). Também me lembro do tempo em que o Fausto Silva (o Faustão, do Domingão) apresentava o Balancê, na Excelsior. Das FMs de São Paulo, escutei muito a Transamérica, a Jovem Pan, a Nova e a Mix. Ainda as escuto, mas com menos freqüência.

No rádio local, sempre que posso, escuto o Adriano, que trabalha na
Clube FM. Ele tem dois horários na emissora: de 11h às 13h e de 20h às 23h. Adriano tem uma respeitável cultura pop, o que é ideal para o tipo de emissora em que trabalha. Devido a essa cultura pop, brinda os ouvintes com informações sobre os artistas que rolam na programação da rádio. Um tipo de locução inteligente e agradável.

APONTAMENTO 6

Apesar de tanto conviver comigo, tenho demorado demais para me tornar quem sou.

APONTAMENTO 5

Queixa de um religioso: “Hoje em dia, nas celebrações, não escuto nem um pio”.

FOTOPOEMA 4


FOTOPOEMA 3


FOTOPOEMA 2


CLÉVERSON LIMA

Há pouco (14/6/2008), eu estava assistindo a mais uma apresentação de Cléverson Lima, que toca nos bares e restaurantes da cidade.

Na primeira vez em que o vi tocar, foi na Opus 3, antiga boate que houve aqui em Patos de Minas. Logo me chamou a atenção a desenvoltura que ele tinha no palco.

A partir daí, passei a assistir com freqüência às apresentações do Cléverson. Algumas, antológicas, como numa em que, entusiasmado, ele colocou o violão no chão, solou enquanto quis e voltou a tocar do modo usual. Isso foi num sábado; na segunda, quando comentei com ele que havia gostado da performance, ele sorriu e disse que a “brincadeira” lhe custaria caro: o violão empenara e outro teria de ser comprado. E rápido, pois ele teria show no fim de semana seguinte.

As canções que toca, Cléverson as sabe de cor. Há pelo uns doze anos o vejo se apresentando nas noites da cidade. Nesses doze anos, jamais houve uma noite em que ele não tocou uma canção que eu nunca o tinha visto tocar. É impressionante a imensa quantidade de canções que ele sabe. Há pouco, por exemplo, ele tocou “Everybody wants to rule the world”, clássico do Tears for Fears. Eu nem sabia que ele sabia essa canção. Também executou duas novas canções da Banda 365. Na década de 80, esse grupo fez sucesso com “São Paulo”. O Clérverson, atualizado, já havia me dito que estavam de volta. Ainda sem ter escutado o CD dos caras, já tive contato com duas das canções, por intermédio do show a que assisti há pouco.

Ele vive de música, e faz com que vivamos melhor. Em meu segundo livro, “Algo de sempre”, publicado em 2003, há um poema em que menciono o artista da noite. Abaixo, reproduzo o texto.

Interativo

A poesia salvará Adélia Prado.
O que me salva é o talento.
Sou melhor perto do talento,
seja da Adélia ou do Cléverson Lima,
que toca em bares.
Nada da insignificância minha existe
quando tenho talentos diante de mim.
Sou eu, mas pleno de talento.
Sou quem sois – o que dá uma boa idéia
de minha enorme grandiosidade.

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (22)

De vez em quando me perguntam se já fui atacado por algum animal em minhas incursões fotográficas. Não.

A única vez em que isso quase ocorreu foi quando tentei fotografar um filhote de quero-quero – na foto acima, um espécime adulto. Eu tinha visto o filhote se esconder atrás de alguns arbustos; fui em direção. Quando estava já chegando perto, levei um susto, pois um dos pais havia passado pertinho de mim, num vôo irado. Quanto mais eu tentava achar o filhote – o que não consegui –, mais a família dele vinha em minha direção. Nas primeiras investidas, tentei me proteger com o próprio equipamento fotográfico, já que eu estava usando uma lente grande. Mas percebi que não seria necessário. As aves atacavam até o ponto em que estavam a mais ou menos um metro e meio de mim; chegando nesse limite, não colidiam; preferiam mudar a direção do vôo. Tentei tirar uma foto de uma delas vindo em minha direção, mas não consegui.

CROMO 5

Quero dedicar esta foto a meus amigos Manoel Almeida e Rusimário Bernardes.

Manoel, você comentou que um pôr-do-sol nunca se repete. É precisamente isso uma das coisas que me fascinam na fotografia – afinal, nada se repete.

Rusimário, você comentou na imagem do pôr-do-sol anterior que se tratava de um milagre da natureza. O que posso dizer é que é um privilégio registrar momentos assim. Fico muito feliz quando presencio e fotografo esses espetáculos da natureza.

No fundo, fotografo para “dizer” às pessoas: “Gente, isso aconteceu um dia”. É por aí.

Mais uma das fotos feitas com cromo. Tirada segundos após a foto do pôr-do-sol postada anteriormente. Na anterior, usei a grande angular da lente, uma 28-135; nesta, a lente estava em 135.

JULINHO MAZZEI

Ontem (11/6/2008), escrevi sobre o locutor Henrique do Valle. Continuei “fuçando” e cheguei até outro ícone do FM no Brasil – Julinho Mazzei, que, a exemplo de Henrique do Valle, também mora nos EUA. Mazzei marcou época no rádio FM, tendo trabalhado nas grandes emissoras do país. Trabalhou também numa FM em Nova York.

Além de locutor, é produtor para rádio e televisão. Não bastassem essas múltiplas funções, é fotógrafo. Para conferir mais sobre o multifacetado artista, acesse o blog dele:
Julinho Mazzei.

POWER TRACKS IS ON THE AIR

Sempre gostei de sair pra rua no fim de semana. Contudo, na primeira metade da década de 90, quando era sábado à noite, eu não saía de casa sem antes escutar o Transamérica Power Tracks, apresentado por Henrique do Valle. Posteriormente, o programa seria transmitido pela Jovem Pan e finalmente pela Metropolitana. A seguir, do Valle voltaria para os Estados Unidos, onde mora.

O locutor tem uma trajetória curiosa: foi atleta – praticava saltos ornamentais. Deixou as piscinas e se tornou um respeitado e prestigiado locutor.

Ele continua envolvido com o Power Tracks, que pode ser escutado pela Band FM, aos sábados e domingos, às 19h. Se você não tem parabólica para sintonizar a emissora, pode também acompanhar pela internet no link
Power Tracks (agora mesmo (11/6/2008, 15h35) estou escutando o programa que foi ao ar no sábado). De quebra, a atração pode ser baixada para seu iPod ou iPhone.

Para você que não conhece o programa, Henrique do Valle apresenta, além dos lançamentos da música pop internacional, notícias e fofocas do meio artístico. Pra quem curte programação jovem ou uma bela locução, Power Tracks é a pedida.

"URBANA LEGIO OMNIA VINCIT"

Hoje (10/6/2008), fiz algo que passei minha adolescência inteira fazendo: escutei Legião Urbana – o CD “Dois”.

A bem da verdade, a vontade era de escutar “‘Índios’”. Aproveitei e escutei o CD completo.

Sempre gostei de poesia e de rock; o Legião veio como que unindo as duas coisas. As letras do Renato Russo traduzem bem o universo juvenil. Para quem (meu caso) era adolescente na época, perfeito.

Renato sabia dessa sua habilidade em se comunicar com os jovens. Tinha ele as manhas do mercado fonográfico e sabia delas se valer. O Legião era para ser sucesso – e foi. Também senhor do palco, Russo provocava catarses durantes os shows.

Procurei por um autógrafo que peguei de Renato Russo, em Uberlândia, num dos shows que o Legião fez por lá. Procurei mas não achei. Caso o ache, escrevo sobre a história do autógrafo por aqui.

CROMO 4

Mais uma foto do céu feita com cromo.

Pelas nuvens que mostram, gosto muito dos céus que vão de maio a agosto.

Eu já estava voltando para casa, após fotografar algumas corujas, quando olhei para as nuvens acima. Nem pestanejei – tirei o equipamento da mochila e registrei.

MEUS OITO ANOS

Quem é da geração de 70 tirou foto similar. Esta foi tirada no dia 28 de outubro de 1978. Eu havia completado 8 anos em 18 de outubro.

Dei de cara com a foto revirando velhas pastas que tenho arquivadas.

Abaixo, a famosa estrofe do poema de Casimiro de Abreu:

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais.

CROMO 3

Mais uma da série tirada com cromo.

Eu estava chegando em casa quando reparei no céu. Corri então para um lugar apropriado (em frente à Escola Frei Leopoldo, aqui em Patos de Minas) e tirei a foto.

Registro feito em maio deste ano (2008).

CROMO 2

Costumo dizer que a seriema é uma ave perfeita: tem porte, elegância e senso de humor – quem já escutou as “gargalhadas” delas no Cerrado sabe do que estou falando. Esta é a segunda imagem da série de fotografias feitas com cromo que publico.

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (21)

Já comentei neste blog que não é fácil fotografar beija-flores enquanto estão voando, e que é bem mais fácil enquadrá-los quando pousam.

Contudo, com o beija-flor acima, as coisas foram muito fáceis, o que não é comum em fotos de aves e pássaros. Minha intenção não era nem fotografar aves e pássaros, mas, sim, insetos. Tanto é que eu estava usando uma lente macro na câmera – essas lentes são próprias para se fotografar insetos e assuntos pequenos em geral; é necessário chegar o vidro da lente a centímetros do assunto para se fotografar. Contudo, eles, os insetos, não davam as caras. Veio então este beija-flor. Permitiu-me chegar tão perto que usei a lente macro para o registro. Passo a passo, fui me aproximando. Ele parecia não se incomodar. Quando eu já estava perto o bastante, comecei a fotografar. Pensei que o barulho do obturador da câmera fosse espantá-lo, o que não ocorreu. Quando me dei por satisfeito com as fotos de corpo inteiro, tentei me aproximar mais ainda. Afinal, não nos esqueçamos, eu estava com uma lente macro. Se ele me permitisse uma aproximação maior, eu poderia, quem sabe, fotografar somente a região acima do pescoço. Mas aí eu já estava querendo demais. Nosso amigo bateu asas. Desde então, acho que não o vi mais.

APONTAMENTO 4

As circunstâncias existem para que as transformemos em arte.

CROMO 1


Pessoas, tive hoje (7/6/2008) uma experiência típica do interior e de quando a fotografia era somente analógica. É que também fotografo com equipamento analógico, e recentemente enviei para Belo Horizonte mais de uma dezena de cromos (ou slides) para serem revelados e digitalizados. Aqui em Patos de Minas não se revelam cromos. Fiquei por mais de uma semana na expectativa para saber como haviam ficado as imagens. Hoje, fui apanhá-las e voltei para casa correndo, a fim de conferir o resultado. Digo que gostei muito.

A grande parte de meu acervo fotográfico é em formato digital. Contudo, sempre gostei de coisas antigas, velhas. Também por isso gosto da fotografia analógica. Mas o que me leva mesmo a me dedicar a ela é o desejo de me aproximar dos mestres. Não na certeza de que estou produzindo um trabalho acachapante e estrondoso, mas na vontade de vivenciar experiências similares às que vivenciaram. Tudo isso não deixa também de ser uma espécie de tributo a eles, ao passado, à fotografia como um todo. Afinal, a essência do ato de fotografar, seja com cromo ou com digital, é uma só – desde que a pessoa goste mesmo de fotografia. Com outras palavras: o mesmo cuidado que tenho ao fotografar com cromo, tenho ao fotografar com digital. Neste espaço, não vou teorizar sobre as vantagens e desvantagens de cada processo (pelo menos não agora).

A partir de hoje pretendo compartilhar com vocês algumas das centenas de imagens que tenho em cromos. A série a que dou início hoje vai se chamar... Cromo. Sempre que uma imagem postada aqui tiver como origem o formato analógico, direi.

A foto acima inicia a série não por acaso. Quem me conhece ou quem acompanha meu trabalho fotográfico sabe que tenho fascínio pelo gavião-carcará. É uma das aves que mais fotografo. Ademais, também tenho fascínio pelo Cerrado. Esta imagem, assim me parece, une a “secura” do Cerrado e a imponência do carcará.

O registro foi feito num fim de tarde ensolarada. Não marquei a data. Eu estava no aterro sanitário. Mesmo envolvido com sua comida (ou talvez por causa disso), o gavião permitiu uma bela aproximação, o que não é muito comum no caso dos carcarás.

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (20)

Tirei esta foto com uma daquelas digitais compactas que têm o que chamam de monitor articulado. A vantagem é que com esse tipo de monitor a câmera pode ficar bem rente ao chão, sem que o fotógrafo tenha de necessariamente se deitar. Além do mais, ainda que se deite, os olhos não ficam completamente rentes ao chão.

Não fosse o monitor articulado, esta foto não teria este ângulo. É que a câmera estava apoiada no chão. Virei a lente em direção ao céu e fotografei.

Registro feito no Parque Municipal do Mocambo, no dia 12 de maio de 2005, às 14h39. Eli Vieira, estudante de biologia na UnB e responsável pelo Tetrapharmakos in Vitro
me disse que o Cerrado, bioma da região do Alto Paranaíba, tem a maior variedade de insetos de planeta. (Em tempo: esta imagem “superou” a foto dos quatro filhotes de coruja postada neste blog. É que a foto acima é por enquanto (6/6/2008) a foto mais antiga a ser exibida aqui.)

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (19)

Fotografar estes “danadinhos” durante o vôo não é tarefa fácil. Na mesma hora em que estão num lugar, não estão mais. Quando parecem se cansar, aí fica fácil. Pousam num galho qualquer e ficam por minutos e minutos. Permitem até que nos aproximemos.

É comum perder várias fotos quando os tentamos fotografar durante seu rápido vôo. Mas a peleja vale a pena.

Esta foto foi tirada no dia 31 de outubro de 2006, às 14h49.

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (18)

Num mundo perfeito, haveria um esplendoroso céu azul como fundo nesta foto. Mas bem sabemos que o mundo não é um lugar perfeito. Assim, eis a foto, mesmo sem o céu azul que tanto lhe cairia bem.

A espécie retratada é o famoso gavião-carcará. É uma das aves que mais gosto de fotografar.

A imagem acima foi feita no aterro sanitário. Há um tempão eu vinha tentando uma imagem assim. Eu já sabia que no começo das manhãs e no fim das tardes eles se perseguem. Uma bióloga me disse que se trata de ritual de acasalamento. Não era essa a impressão que eu tinha. É que essas perseguições aéreas ocorrem quando um dos gaviões consegue algo para comer e sai voando. Logo após um outro vai atrás. Quando alcança, faz com que o primeiro perca seu naco de comida – no bico de um dos gaviões acima há algo que era para ter sido comido.

De qualquer modo, sendo acasalamento ou espírito beligerante, a intenção minha era flagrar dois (ou mais) gaviões durante esses vôos.

Imagem feita no dia primeiro de abril de 2006, às 17h09.

FOTOPOEMA 1


CULTURA NA CULTURA

Rusimário Bernardes, um dos integrantes do Marrecos Paturebas, é também poeta. Alguns de seus textos, ele os assina como Mário Nhardes.

Textos de Rusimário Bernardes podem ser lidos
aqui.

Rusimário, em seu pseudônimo Mário Nhardes, já teve um de seus poemas divulgados na TV Cultura, no Provocações, de Antônio Abujamra. Caso queira escutar, gentileza clicar
aqui.