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sexta-feira, 17 de abril de 2015

EM PÂNICO

Que tecnicamente o Emílio Surita é um baita locutor, até as tarântulas sabem. Acompanhei a carreira dele até à primeira metade da década de noventa. Depois disso, talvez por já estar ficando velho, fui perdendo o interesse em escutar a Jovem Pan FM, uma rádio voltada em essência para o público adolescente.

Ontem, após assistir a um vídeo, fiquei surpreso com a consciência político-social do Emílio Surita. Ao entrevistar a Rachel Sheherazade, que trabalha para a Jovem Pan e para o SBT, Surita revelou uma sensatez que eu desconhecia. Não que eu o julgasse destemperado: é que simplesmente eu não tinha conhecimento do que ele pensa sobre questões como, por exemplo, a redução da maioridade penal.

É sempre bom quando se tem a chance de saber o pensamento, concordando-se ou não com ele, de profissionais que estão em destaques nos grandes meios de comunicação. No caso do Emílio Surita, não deixa de surpreender a moral que ele tem, por ter dito o que disse numa rádio cujas pautas estão em sintonia com as demandas da atual direita no Brasil.


Não raro, mandachuvas são boçais; chega a ser um mérito para o Tutinha, dono da emissora, permitir na rádio dele, num dos programas de maior audiência do rádio brasileiro, um locutor transmitir ideias que não são as do veículo em que ele trabalha. Digo isso partindo do princípio de que ou o Emílio Surita tem carta branca para dizer o que pensa ou não sofrerá retaliação pelo que disse. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O RETRATO DA IMPRENSA

O dono de um jornal grande tem o direito de dar à sua empresa a orientação política que ele bem desejar. Também tem o direito de se manifestar como cidadão em qualquer ato político. O portador do cartaz que ilustra esta postagem é Fernão Lara Mesquita, dono do jornal O Estado de São Paulo. Quem tirou a foto foi o famoso Tutinha, dono da Jovem Pan. Ele publicou a imagem em seu Instagram.

Minha crítica não é contra a participação de Fernão e de Tutinha em ato político. Critico, sim, o modo como tornaram pública a participação que tiveram. Não é preciso dizer o quanto o cartaz é tosco e desrespeitoso. Insisto: não necessariamente na ideia que porta. Pode-se, é claro, discordar da política feita na Venezuela (ou no Brasil). A questão é que os dizeres do cartaz revelam destempero e ódio.

Estas eleições se caracterizaram pela saída do armário de quase todos os meios de comunicação grandes. Abandonaram sutilezas, deixaram escancarado o quanto são despreparados e ressentidos. Ainda bem que não dependemos deles para saber o que está acontecendo. Estão interessados em divulgar os interesses das empresas que detêm, valendo-se, não raro, de um tom vergonhoso.