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terça-feira, 12 de abril de 2016

"Vou na valsa"

Ao mesmo tempo, eu estava escutando “Paciência”, do Lenine, e lendo “Fogo pálido”, do Vladimir Nabokov. Enquanto Lenine cantava “enquanto o tempo / Acelera e pede pressa / Eu me recuso, faço hora / Vou na valsa / A vida é tão rara”, passei os olhos sobre o seguinte trecho de “Fogo pálido”: “Quando a vida caminha mais lentamente, a gente repara nas coisas secundárias” (tradução de Jorio Dauster e de Sérgio Duarte).

A vida é rara. Vamos levando um arremedo de vida, cheia do que parece ser civilizado, correto; vamos nos tornando especialistas em eficácia, cumprindo prazos para um monte de besteiras travestidas de inteligência; besteiras assépticas, falsamente sagazes. Nesse cenário, vale o paradoxo de que as coisas secundárias (resgatando a expressão de Nabokov) é que nos libertam da tirania cheia de horários bobos que o cotidiano nos impõe.

Nessas digressões, acabei me lembrando de um texto do poeta Alberto da Cunha Melo. Eis um trecho: “De quando em quando faltaremos / a algum compromisso na Terra, / e atravessaremos os córregos / cheios de areia, após as chuvas. // Se alguma súbita alegria / retardar o nosso regresso, / um inesperado companheiro / marcará o nosso cartão”. Corramos menos, reparemos em coisas secundárias.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

NO PALCO DA VIDA

Neste momento, escuto “Paciência”, com o Lenine. O verso “a vida não para” fica em minha cabeça enquanto olho fotos antigas tiradas por mim. É que desde quando comecei a fotografar de modo mais intenso, tive hoje a mais reflexiva experiência. Geralmente, quando reflito sobre a fotografia, penso nela em si; não é comum eu me valer da fotografia para ponderar sobre a condição humana. Hoje, contudo, foi diferente.

No sábado, recebi convite para almoçar na casa de Dionathan, grande amigo. Numa das conversas, ele mencionou um amigo dele que morrera devido a tumor cerebral. Morte rápida. Tinha pouco mais de trinta anos. Era casado. Enquanto Dionathan falava, de repente me veio a impressão de que eu já havia fotografado o amigo dele (que tocava viola) durante show.

Ficou combinado então que eu conferiria se era mesmo o violeiro a pessoa fotografada por mim. Ainda conversando na tarde de sábado, falamos de uma prima do músico que viria a se suicidar muito jovem. Ela também era artista – lembro-me de vê-la cantando; houve uma época em que chegou a se apresentar acompanhada por meu irmão Edgard, que é tecladista.

Olhando as fotos, confirmei que o violeiro mencionado na conversa de sábado é o mesmo das imagens. Houve surpresa, entretanto: a prima do artista também está em duas das fotos. Registrei um evento no Teatro Municipal, aqui em Patos de Minas, no dia 25 de agosto de 2006. Numa das imagens, ela está na platéia. Era um show musical com canções caipiras. Durante o espetáculo, um ator interage e brinca com a platéia. Na outra foto, a jovem dança com ele.