quinta-feira, 31 de março de 2022
A educação após Bolsonaro
domingo, 1 de novembro de 2020
A Finlândia não é aqui
Desde que foi veiculado, faz sucesso um vídeo, que dura algo em torno de vinte minutos, sobre o sistema educacional na Finlândia. É uma produção da Globo. Com frequência, esse vídeo é usado como argumento quando se quer elogiar a educação recebida pelos finlandeses e criticar a recebida pelos brasileiros.
É preciso ponderar a partir do que é dito no vídeo. É que sempre fico reticente quando há a tentativa de comparação entre a educação na Finlândia e a educação no Brasil. A primeira razão pela qual fico reticente é óbvia: o contexto finlandês é diferente do contexto brasileiro.
É dito no breve documentário que a Finlândia é o país mais feliz do mundo. À parte o fato de eu achar que felicidade é um conceito difícil de ser medido, pois o parâmetro de um pode ser diferente do parâmetro de outro, chamou minha atenção o seguinte: eles são um dos países menos desiguais do mundo.
Permitam-me um raciocínio simplório, mas necessário: o vídeo permite a fácil dedução de que menos desigualdade e felicidade estão conectadas. Mantendo o raciocínio simplório: igualdade e felicidade estão conectadas. Para nós, o problema começa na desigualdade. O Brasil é um país edificado sobre a desigualdade, que pode ser conferida em qualquer esquina do país.
Isso, por si, já é uma questão melindrosa. Mas a coisa fica pior: não há empenho de toda a sociedade para que as desigualdades sejam amenizadas ou dizimadas. O Brasil é um país em que quando se fala em ensino gratuito para todo mundo, há quem diga que não é obrigação governamental ofertar educação para todos. Segundo o vídeo, na Finlândia, “todas as crianças estão em escolas públicas” e “todo mundo tem as mesmas oportunidades”. Vou reescrever a frase: “Todo mundo tem as mesmas oportunidades”. Também é dito no trabalho da Globo que na Finlândia a educação é gratuita até o término do ensino superior.
Acho estranho o que, com frequência, ocorre no Brasil: exalta-se a igualdade no exterior, mas se deplora a busca dela por aqui, onde há quem queira insistir na ideia de que o sujeito nascido na periferia de São Paulo tem as mesmas oportunidades de um nascido no Morumbi, e que se os projetos daquele não se concretizaram, a culpa é dele, que seria preguiçoso, indolente, burro. É dito no vídeo: “Você não precisa vir de família rica para se tornar alguém”. Lá, isso é possível porque há igualdade.
Tudo, contudo, fica pior: há uma cena do vídeo em que se mostra uma professora ensinando o processo de formação da Terra. Aqui no Brasil, congressos têm sido realizados para se afirmar que o planeta é plano, indivíduos têm negado princípios básicos da ciência. Estou sugerindo com isso que não cabe à escola fazer algo?
Não. Com isso, estou defendendo a ideia de que comparações entre países devem ser feitas com cautela, e que o ensino tem limites, principalmente se inserido em contexto desfavorável, caso do Brasil. A escola, ao mesmo tempo em que pode influenciar a sociedade, por ela é influenciada. Seria muita pretensão afirmar, no caso brasileiro, que a escola, sozinha, realizará a melhora.
No Brasil, a profissão de professor é desvalorizada, o que, segundo o vídeo, não ocorre na Finlândia. O professor, no Brasil, é visto, por alguns setores da sociedade, como um proscrito, um coordenador de badernas. Não bastasse, os professores, na Ilha de Vera Cruz, são enterrados sob um escombro de burocracia e de vigilância. Reitero: não sugiro desistência, mas ponderações quando insistem em querer aplicar o modelo educacional finlandês no Brasil.
Certa vez, perguntaram para o García Márquez se o artista tem de ser ou de estar triste para produzir. A resposta dele: “Escrevo melhor de barriga cheia”. O Brasil tem uma multidão de estudantes que não têm o que comer; estuda-se melhor de barriga cheia. É dito no vídeo que a Finlândia teve guerra civil e fome. Superaram ambas. Vamos superar a fome no Brasil? Vamos ter uma sociedade composta por oportunidades iguais? Não tenho respostas.
Qual a importância em se conhecer a realidade educacional da Finlândia? Uma das importâncias é o saber em si, o estar informado. Outra importância: a ciência de que há um país como a Finlândia inspira a utopia, tal qual a concebe o Eduardo Galeano (1). Vídeos como esse, assim concebo, não são para que imitemos as engrenagens da Finlândia ou de outro país, nem para que tentemos implantar o sistema educacional deles aqui, mas para que saibamos que uma sociedade igualitária pode ser feliz. Seremos?
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(1) Há um texto do Eduardo Galeano em que ele se vale da seguinte imagem para ilustrar o que é o caráter utópico: a utopia é querer chegar à linha o horizonte; chega-se. Lá chegando, enxerga-se outra linha do horizonte, que deve, então, ser buscada; chega-se a ela. Lá chegando...
quinta-feira, 15 de outubro de 2020
15/10
quinta-feira, 15 de março de 2018
O que a escola faz
domingo, 11 de março de 2018
O que a escola faz
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
A duração do conhecimento
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Docentes, discentes e outros entes
sábado, 21 de outubro de 2017
O que ficará para o filho?
O pai do menino, Ignacio Bárcena, postou no Twitter uma foto do exercício com as respostas do filho; junto à imagem, Bárcena escreveu: “Aquí va un ejercicio de mates de mi hijo (7 años). Yo creo que quien no lo ha entendido bien es el profe.@RaquelMartos”.
Os desdobramentos disso já foram bem divulgados. Como ocorre nessas ocasiões, as opiniões “pedagógicas” e as hipérboles surgem como filhotes de coelho. O cineasta Juan José Campanella escreveu postagem em defesa do filho de Bárcena: “Es un genio tu hijo. Escribió literalmente los números ‘siguientes’, jaja”.
No fundo, acho que Campanella fez uma brincadeira ao dizer que o menino era gênio. Mas não custa dizer que o fato de o garoto ter respondido do modo como respondeu não o torna genial. A resposta dele, claro, é só consequência do modo como as crianças interpretam as coisas. Como já esperado sempre que algo similar ocorre, há toda a cantilena sobre o papel da escola e dos professores.
Não se falou, contudo, sobre a atitude do pai em tornar pública a discordância dele, expondo, de modo desnecessário, a professora; ela não foi autora de um crime. Como pai, é óbvio que ele tem o direito de discordar da correção de algum exercício feita pela professora. A falta de tato dele está em dizer publicamente que quem não entendeu bem foi ela. Que o pai do garoto tentasse resolver isso com ela. Sugerir em público que a professora errou é infantil. Questionar é diferente de expor.
Sei que há professores obtusos; talvez o pai do menino tenha tentado argumentar com a professora, defendo as respostas dadas pelo filho dele. Nesse ambiente que imagino agora, pode ser que Bárcena tenha decidido tornar públicas as respostas do filho dele por causa de hipotética recusa da professora em acatar as respostas do menino. Ainda que isso tenha ocorrido, isso não anula a infantilidade dele ao exibir o que a profissional fez. (Será que ele, pessoalmente, já elogiou alguma professora do filho dele?)
Isso são cogitações, pois não achei nenhuma matéria sobre os bastidores do imbróglio. Contudo, mesmo num cenário assim, caberia ao pai não a deselegância ao dar publicidade ao ocorrido, mas procurar resolver a situação com a colaboração de outros profissionais da escola. Lamentável: em redes sociais não se diferencia o público do privado. Nesse episódio, ficará algo para o filho? Caso sim, que seja o benéfico questionamento do pai, e não o modo como ele tratou o caso.
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P.S.: depois e publicar o texto, li, há pouco, mea-culpa de Ignacio Bárcena: “Para que conste, mi hijo piensa así gracias a profes como el que tiene y los que tuvo, que fomentan cada día su creatividad”.
segunda-feira, 27 de março de 2017
Poemas de minha autoria em prova da UFU
domingo, 19 de fevereiro de 2017
Pressa
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Os institutos federais e o Enem
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
EMPREENDER COM EMOÇÃO
sábado, 5 de dezembro de 2015
APONTAMENTO 295
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quarta-feira, 15 de outubro de 2014
APONTAMENTO 221
APONTAMENTO 220
sábado, 11 de outubro de 2014
PARA ZILMA
Fui aluno dela na Escola Estadual Frei Leopoldo. Salvo engano, agora se trata de uma escola municipal. Na época, o Frei Leopoldo ficava na rua Minas Gerais, esquina com avenida Brasil. Hoje, na edificação que fica bem na esquina, há um comércio; sobre este, morada residencial. Na edificação cuja entrada fica na Minas Gerais, há uma creche.





























