Em breve, vou lançar meu nono livro. Para detalhes, é só clicar aqui.
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sexta-feira, 2 de setembro de 2022
Novo livro vindo aí
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
Outros dois brasileiros
— Não vou tomar a vacina.
— Nem eu. Fiquei sabendo que ela é parte de um plano dos comunistas pra dominar o mundo.
— Sim, e o pastor lá da igreja disse que a vacina tem um chipe que faz as pessoas perderem a fé.
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sábado, 6 de fevereiro de 2021
Dois brasileiros
José ofereceu caixas de ivermectina para Pedro. José garante que não teve covid porque tomou o remédio. Disse ter achado um absurdo o laboratório que fabrica o medicamento ter dito que ele não funciona contra a covid. Pedro concordou. Comprou metade do estoque de José.
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quinta-feira, 23 de agosto de 2018
Um celular e um corpete
Os cidadãos de Patópolis estavam indignados contra os políticos. A situação no país era periclitante. Ana Maria inflou o peito, olhou-se no espelho, saiu do banheiro, apagou as luzes da casa e foi para o coreto da cidade, que ficava numa ampla e arborizada praça. Joaquim Santos, o homem mais rico da cidade, discursou. Pedro Matias, o mais pobre, discursou. Na pequena multidão, cartazes contra os políticos podiam ser vistos. Ana Maria erguia acima da cabeça um desses cartazes; nele, os dizeres “Chega de corrupção!”. As letras vermelhas haviam sido escritas em caixa alta.
Era um domingo à noite. Na manhã do dia seguinte, Ana Maria foi para Passarópolis, onde estudava. Ela aproveitou os quarenta minutos da viagem para fazer as contas de quanto tinha para receber dos alunos da outra turma. Nos cálculos de Ana Maria, o dinheiro daria para ela comprar um novo modelo de celular e um corpete. Terminadas as contas, conferiu os arquivos que enviara, por intermédio de aplicativo de mensagens, para os alunos. Eram fotos que ela tirou de uma prova que havia feito três dias antes. Como a professora geralmente aplicava a mesma prova nas duas turmas, sempre havia ávidos compradores dos arquivos de Ana Maria.
Ela havia criado um grupo de vinte e duas pessoas em aplicativo para celular. Nas mensagens que trocavam, acertavam os valores da transação. Ana Maria sabia que uma vez passadas as fotos para os alunos, os arquivos poderiam ser enviados para outros estudantes, o que ela levava em conta na hora de definir quanto cobraria pelas fotos.
Enquanto o ônibus se movia, Ana Maria estava contente, já se imaginando com o celular e o corpete novos. No sábado seguinte, data em que os cidadãos haviam marcado outra manifestação contra os políticos, Ana Maria, em vez de compor outro cartaz, fotografou os protestos com um celular novinho, deliciando-se com os recursos do aparelho e com a textura do corpete.
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domingo, 22 de abril de 2018
O conto de Lucas
Quaquá, uma cidade que fica no exoplaneta 2405, tem políticos e empresários que barraram o florescimento de uma universidade pública no local. Nesse longínquo tempo, um cidadão chamado Lucas Bridge protestou contra a falta de espírito público desses empresários e políticos, criou petições, acionou o ministério público. Os que impediram a universidade, donos de Quaquá, riram tanto de Lucas que as gargalhadas puderam ser ouvidas lá na Terra.
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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
O conto de Tadeu
Tadeu acordou de madrugada. O mundo era um mar de escuro e de silêncio. Tadeu estava intranquilo. Como sempre, para não atrapalhar o sono da esposa e dos filhos, mal respirava, mal se mexia na cama. Mesmo assim, naquele dia, temeu que sua consciência pesada acordasse todo o Universo.
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quarta-feira, 22 de novembro de 2017
O conto de Arnaldo
Arnaldo não se dedicava a longas ações porque tinha medo de morrer durante a execução de uma delas. Morreu enquanto estava digitando um haicai.
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segunda-feira, 7 de agosto de 2017
Fome e vírgula
Ela escreveu para ele: “Vem comer, amor. Vem comer amor”. Ele respondeu: “A ausência de vírgula na segunda frase indica que vou comer amor porque a lasanha foi feita com amor ou indica que vou comer amor porque vou comer você?”. Ela respondeu: “Com vírgula ou sem, comendo com amor, coma o que quiser”.
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domingo, 4 de junho de 2017
A mulher mais linda do planeta
A princípio, Sérgio sentiu regozijo ao receber convite da universidade em que estudara; realizaria uma conferência. Depois de terminar a graduação em biologia, deixou Montes Altos, onde nascera e havia sido criado; foi para o Rio de Janeiro. Lá, fez mestrado, doutorado, pós-doutorado. Quando voltava à cidade natal, não visitava a instituição em que havia se formado. Quando o avião embarcou, com destino a Montes Altos, Sérgio estava contente de voltar à cidade, dessa vez por uma razão acadêmica.
Quando já estava em terra firme, o ânimo do embarque arrefecera. Embora a viagem tenha durado pouco mais de uma hora, Sérgio estava entediado. No saguão de desembarque, a irmã esperava por ele. Na casa dela, ele descansou durante o dia todo. Em torno de 18h, no carro da irmã, deu a partida, começou a dirigir.
Segundo instruções que havia recebido, quando chegasse ao centro universitário, bastaria dizer o nome dele, acrescentando que estaria lá para uma conferência. Mesmo tendo feito assim, o funcionário da entrada não conseguia achar o nome de Sérgio numa folha presa em prancheta. O funcionário lia os nomes, relia, lia de novo, mas não achava o nome de Sérgio. Enquanto isso, uma fila de carros foi se formando na entrada. Olhando pelo retrovisor, Sérgio sentiu-se irritado. Também irritado, um motorista buzinou. O funcionário da entrada soltou um palavrão em voz baixa. Pegou um telefone, trocou algumas palavras com alguém e deu a Sérgio as instruções de como ele poderia chegar ao local em que teria de estar.
Tendo ficado muitos anos sem visitar o centro universitário, os parentes de Sérgio com frequência comentavam com ele que as instalações do lugar haviam sido aumentadas, o que de fato vinha ocorrendo. Havia mais prédios, o estacionamento estava bem maior. Mesmo assim, não foi fácil achar vaga. Tendo achado, antes de ir para a sala em que seria realizada a conferência, Sérgio decidiu comprar suco de laranja e algo para comer. Quando estava prestes a se sentar, percebeu Atalaia, um ex-professor, indo em sua direção. Os dois se cumprimentaram com animação. Enquanto trocavam palavras, Sérgio olhou para o lado; levou um baque.
Caminhando na direção dele, a mulher mais linda do planeta. Sérgio tentou manter a naturalidade, procurou se manter concentrado no que dizia o ex-professor dele. Todavia, a visão da mulher o atordoara. Os dois se olharam num átimo. Sérgio supôs nos lábios dela um sorriso de Monalisa. Depois de pegar um refrigerante e um salgado, ela sentou-se à mesa que ficava perto de onde Sérgio e Atalaia se encontravam. Os dois se sentaram próximos à garota. Sérgio conseguiu estar de frente para ela.
Mesmo dividido entre a atenção que dava para Atalaia e os olhares fugazes e tímidos que dirigia para a garota, Sérgio sentiu-se revigorado. Olhar para ela acendia nele uma chama que ele nem julgava ainda existir. Diante dele, uma linda mulher. A certeza da beleza, a possibilidade da aventura, o chamado para a sensualidade. Ele tentava ser o mais discreto possível, pois não queria que o ex-professor percebesse os olhares que dava para a garota de tempos em tempos.
Sérgio sabia que ela sabia que estava sendo admirada. Ela conseguia fingir espontaneidade. Tinha gestos comedidos; de vez em quando, um leve passar de mãos nos cabelos lisos. Por três vezes, olhou de relance para Sérgio, certificando-se de que estava mesmo sendo observada. Ele, por sua vez, devaneava. Que curso ela fazia? No futuro, seria médica? advogada? Teria entre vinte e dois e vinte e seis anos?
Porte, elegância, pele morena. Enquanto esteve perto dela, Sérgio se esqueceu do tédio que vinha sentindo durante o dia. Ela estava lendo uma apostila; de vez em quando, conferia brevemente o celular, dava um sorriso leve. Sérgio se imaginou beijando aquela boca perfeita. Quando Atalaia se despediu dele, num vislumbre, Sérgio cogitou inventar um pretexto imbecil a fim de conversar com a garota, pensamento que logo abandonou. Inventando o que fazer, demorou uma eternidade para vestir o casaco, que deixara sobre a mesa, enquanto conversava com Atalaia. Sentia-se como um jovem. Achou graça de seu arroubo, ao pensar que estava perto da mulher mais linda do planeta.
Em seu bolso, o telefone vibrou. Ele pegou o aparelho, leu a mensagem. Era da esposa, que ficara no Rio de Janeiro. Ele lamentou, mais uma vez, não ter a coragem de se separar dela, que, no texto enviado para ele, dizia que Téo, o filho deles, havia parado de tossir. Sérgio enviou beijos para o filho. Sentiu vontade de olhar uma última vez para a garota. Não olhando, foi realizar conferência sobre o cerrado mineiro.
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sábado, 22 de abril de 2017
Conto 93
Amaral sentia desconforto quando estava em algum restaurante e percebia que gerentes ou donos tratavam com má educação os funcionários. Quando isso acontecia, ele não mais voltava ao lugar. De tanto se deparar com superiores ríspidos nos locais a que ia, Amaral decidiu abrir seu próprio restaurante, na intenção de praticar um relacionamento gentil no trato com a equipe de trabalho. Hoje em dia, cinco meses depois de inaugurado o restaurante, trata os funcionários com grosseria.
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segunda-feira, 13 de março de 2017
Conto 92
José Augusto ouvira dizer que as mulheres, quando interessadas no tamanho do pênis, reparam no pé ou no sapato, devido à história de que o tamanho do pé denunciaria o tamanho do pênis: se o pé é grande, grande é o pênis. Foi só saber disso que José Augusto passou a usar sapatos com números maiores do que o que ele usava. Quando Maria Augusta viu o pênis de José Augusto, parou de pegar no pé dele.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Conto 91
Manhã. A chuva caía suave. Os dois estavam num sítio pequeno, nas proximidades da cidade. Mesmo perto do perímetro urbano, a pequena casa era rústica, não tinha os recursos tecnológicos da modernidade. Os móveis eram antigos. O casal estava sobre velha e forte cama. Ana Clara se deitou de bruços, abriu-se. Pediu a Josué que fizesse bem forte. Deitado sobre as costas dela, quanto mais forte ele fazia, mais forte ela pedia a ele para fazer. Ele segurou com robustez as mãos dela. Continuaram com vigor. Ao terminarem, ele saiu do quarto e foi buscar café. O casal estava mais quente e mais crepitante que as ardentes achas da fornalha.
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
Conto 90
No afã de transarem, Abigail e Lucas entraram correndo na casa dele. Mal acenderam a luz da sala, foram para o quarto, onde, a princípio, ficaram no escuro. Estavam loucos e prontos para estripulias. Foi quando Lucas perdeu por um segundo a noção espacial. Ao ajeitar o corpo, bateu a testa na afiada quina da cabeceira da cama. Proferiu imprecações, amaldiçoou deuses. O galo somente não ficou pior graças ao gelo que Abigail aplicou. Foi quando ela sentiu muita vontade de cuidar de Lucas. Quis abraçá-lo, fazer com que ele ficasse bem. Ao não fazer amor com Lucas pela primeira vez, Abigail começava a amá-lo.
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sábado, 21 de janeiro de 2017
Conto 89
Há dois anos, Jana estava se prometendo iniciar uma fase de leituras sobre filosofias do oriente. Enquanto seguia sem abrir página alguma, frequentava as aulas de Josué, que era dado a práticas que dizia serem orientais. Ele atraía vários pupilos. Jana, por sua vez, quase achou estranho ao ficar sabendo que seu guru era desonesto com os funcionários que tinha e que não dava a menor atenção para a mãe dele, que morava num asilo.
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domingo, 16 de outubro de 2016
Conto 88
De sua casa, Baltazar podia escutar as badaladas do sino da igreja marcando as horas. Em noites insones, ele gostava de contá-las. Numa noite assim, contou dez. Uma hora depois, onze. Quando veio a meia-noite, Baltazar contou as doze badaladas. Só que um segundo depois veio outra; logo após, outra e outra e outras. O sino já havia martelado onze mil, trezentas e setenta e quatro badaladas. Baltazar seguia contando. Quando o Sol nasceu, o sino continuava no ritmo. Baltazar, acordado, perdera a conta e a razão.
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segunda-feira, 3 de outubro de 2016
A lenda de Corações Celestiais
Era uma vez uma pequena aldeia chamada Corações Celestiais. Ela tinha dois caciques. O nome de um era Zápite. O nome do outro era Zápete. Muitos antes de os dois nascerem, as famílias deles já disputavam o comando daquelas terras amplas, férteis e longínquas. Depois de milênios de querelas, os dois caciques, herdeiros de uma sangrenta tradição, selaram acordo de paz. Por todos os rincões daquelas intermináveis pradarias, houve júbilo, durante o qual cada líder enviou para a choupana do outro encomiásticos sinais de fumaça, que, de tão nobres, mais se pareciam com nuvens. Nesse tempo distante, a morte do curandeiro do lugar ocorreu enquanto os caciques ainda trocavam cantos de louvor. Como era tradição milenar, o corpo do curandeiro seria queimado e ofertado aos deuses. Durante a cerimônia, um índio de sete anos perguntou à sua mãe, com medo dos caciques, se eles começariam a brigar, pois o pequeno tinha visto que os dois gigantes líderes não olhavam para a cara um do outro enquanto as chamas consumiam a carne do curandeiro.
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sábado, 10 de setembro de 2016
Conto 87
Certa vez, sentindo desconforto nas costas, Tadeu pediu a Maria das Dores, com quem era casado, que fizesse massagem nele. Gostou. A seguir, pediu a ela que se deitasse de bruços sobre ele. Gostou. Continuando deitado, pediu à esposa que caminhasse sobre as costas dele. Gostou. Hoje em dia, sempre se regozija quando Maria das Dores o pisa.
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quinta-feira, 5 de maio de 2016
Conto 86
Iara e Jean estavam conversando sobre sexo. Ela disse que ele decepcionar-se-ia quando fizessem amor. Ele argumentou ser pouco provável que isso ocorresse. Valeu-se de vivências pregressas para reforçar a cantada: “Geralmente, se não gosto do beijo, não gosto do sexo; quase sempre é assim. Mas sempre que gostei do beijo, gostei do sexo. E você já deve estar cansada de eu dizer que sou louco por seu beijo”. Iara riu de leve e disse adorar o beijo dele. Fizeram amor; nenhum gostou.
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quarta-feira, 13 de abril de 2016
Conto 85
Ernesto amanheceu; foi informado, via celular, num treze de abril, que se comemorava nessa ocasião o dia do beijo. Amuado, pensou consigo: “Ah, mais uma data inventada pelo comércio”. Antes mesmo de sair da cama, ocorreu-lhe uma ideia. Pegou o telefone; escreveu: “Sou informado de que hoje é o dia do beijo. Eu não sabia da existência de um dia dedicado a ele. De qualquer modo, para mim, a data não faz sentido, pois teus lábios não estão por perto”. Tendo acabado de digitar, deletou a mensagem.
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segunda-feira, 21 de março de 2016
Trilha sonora
— Amor, vem rápido!
— Acabei de entrar no carro.
— Óh, hoje eu tô mais pra rock do que pra árias.
— Já tô escutando Led Zeppelin.
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