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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Sob o signo da inteligência

O essencial W. H. Auden, numa de suas tiradas, escreveu num de seus ensaios que “algumas pessoas são inteligentes demais para se tornarem escritores”. Quando leio ou releio Wisława Szymborska (1923-2012), expressões como “que inteligência espantosa” sempre me ocorrem. A impressão que ela me passa é a de que tem uma inteligência inesgotável, por mais generalizado ou impreciso que algo assim possa soar.

Com a tradução de Regina Przybycien, a piauí deste setembro publicou alguns breves textos da autora polonesa. São eles respostas dadas por Szymborska a leitores que queriam seus textos publicados numa revista para a qual a escritora trabalhava. As respostas de Szymborska revelam mais uma vez brilhantismo e humor.

Um exemplo: “Não, não temos manuais de escrita de romances. Parece que nos Estados Unidos se publicam coisas assim, mas nos permitimos duvidar de seu valor, isso porque o autor que conhecesse uma receita infalível para o sucesso literário preferiria ele próprio se valer dela em vez de ganhar a vida escrevendo manuais. Simples, não é? Simples”.

Outro: “A falta de talento literário não é nenhuma desgraça. Pode acontecer a pessoas inteligentes, esclarecidas, nobres e extremamente talentosas em outras áreas. Quando dizemos que um texto é pobre, não pretendemos ofender ninguém nem lhe tirar a fé no sentido da existência. Mas, de fato, nem sempre proferimos o nosso julgamento com uma cortesia chinesa. Ah, os chineses. Esses sabiam, em tempos idos, antes da Revolução Cultural, responder aos poetas pouco afortunados. A resposta era mais ou menos assim: ‘Os seus poemas superam tudo que já foi e que ainda será escrito. Se fossem publicados, sob sua luz ofuscante empalideceria toda a literatura, e os outros autores que dela se ocupam sentiriam dolorosamente o seu próprio nada...’”.

O humor e a inteligência de Wisława Szymborska me deixam com vontade de ter sido amigo dela, ou de, pelo menos, ter tido a oportunidade de conviver com ela. Ao interagir com pessoas, ela era tão adorável quanto é no que escreveu? Nunca terei resposta para isso, mas a pergunta me ocorre. Algumas pessoas são inteligentes demais. 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Não me pediram para ler

Lendo o saboroso “Nonrequired reading”, da poeta Wisława Szymborska (1923-2012), que era polonesa. Não há edição do livro em português; a versão em inglês ficou por conta de Clare Cavanagh. 

Em “Nonrequired reading”, a autora escreve sobre livros que não estiveram em listas dos mais vendidos, obras que não pertencem à literatura de imaginação. Assim, há resenhas sobre livro de como consertar coisas em casa, sobre aves e pássaros da Polônia, sobre cães, sobre dois arqueólogos dos EUA...

O mais curioso nas breves resenhas que Szymborska escreve é que ela quase não fala dos livros que está, em teoria, resenhando. Em vez de falar sobre ela, a obra, a poeta embarca em saborosas, leves e bem-humoradas divagações. Sem cabotinice, acaba revelando mais de si do que dos trabalhos que (não) comenta. 

A sagacidade e o talento para enxergar questões triviais a partir de um ângulo inusitado estão presentes nos textos de “Nonrequired reading”. Também neles a sofisticada simplicidade pela qual Szymborska se tornou conhecida.

Sou um entusiasta da autora; em conversas com amigos, eu a menciono com frequência, já escrevi alguns textos sobre a obra dela. É uma pessoa que eu queria ter conhecido pessoalmente. Eu tentaria ser amigo dela. Ela me deixa com a impressão de que eu me sentiria à vontade para propor a ela a gente tomar uns chopes e jogar conversa fora. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Sob o signo do espanto

Meus amigos sabem do amor que tenho por Wisława Szymborska (1923-2012), poeta da Polônia. Minha convivência com ela se iniciou quando li uma versão em inglês do poema “Vietnã”. Abaixo, tradução dele feita por Regina Przybycien:

Mulher, como você se chama? — Não sei.
Quando você nasceu, de onde você vem? — Não sei.
Para que cavou uma toca na terra? — Não sei.
Desde quando está aqui escondida? — Não sei.
Por que mordeu o meu dedo anular? — Não sei.
Não sabe que não vamos te fazer nenhum mal? — Não sei.
De que lado você está? — Não sei.
É a guerra, você tem que escolher. — Não sei.
Tua aldeia ainda existe? — Não sei.
Esses são teus filhos? — São. (1)

Diante de texto tão poderoso, só me restava ir atrás de tudo o que eu achasse da autora, o que passei a fazer. Nessa época, ela ainda não havia sido publicada no Brasil. A solução foi procurar edições em inglês. Li “Sounds, Feelings, Thoughts”, uma coletânea. Posteriormente, a Companhia das Letras publicaria “Poemas”, também coletânea; recentemente, a mesma editora lançou “Um amor feliz”, outra coletânea de Szymborska. Foi o livro que recebi ontem. (A tradução dos dois livros de Szymborska publicados pela Companhia das Letras é de Regina Przybycien.)

Terminei a leitura de “Um amor feliz” há pouco. Nos textos, a delicadeza, a inteligência, o humor, a metafísica, o espanto. Aliás, o espanto é moeda corrente dentre os poetas quando falam de poesia. Esse espanto é um maravilhamento diante do mundo, um estranhamento quanto ao que somos e ao que nos rodeia, um olhar que descortina riquezas escondidas atrás de lugares-comuns, uma atitude não saturada pelo cotidiano.

O último texto de “Um amor feliz” é o discurso proferido por Wisława Szymborska durante cerimônia na qual recebeu o Nobel, em 1996. Diz a autora: 

“O que quer que ainda pensemos sobre este mundo — ele é espantoso (...). Na linguagem da poesia, na qual se pesa cada palavra, nada é comum ou normal. Nenhuma pedra e sobre ela nenhuma nuvem. Nenhum dia e depois dele nenhuma noite. E acima de tudo nenhuma existência do que quer que seja neste mundo.

“Pelo visto os poetas sempre vão ter muito que fazer” (2).

A partir desse espanto, a poeta construiu uma poesia espirituosa, cheia de engenho. No poema “Desatenção”, tem-se: “Ontem me comportei mal no universo. / Vivi o dia inteiro sem indagar nada, / sem estranhar nada” (3). Das delicadezas do cotidiano (há poema sobre seres que só podem ser enxergados graças a microscópios) aos grandes eventos históricos (há poema a partir de uma fotografia tirada no 11 de Setembro), Szymborska nos delicia com a força da ternura, a perspicácia do humor fino e a argúcia de uma poderosa inteligência.
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(1) SZYMBORSKA, Wisława. Poemas. Seleção, tradução e prefácio de Regina Przybycien. São Paulo. Companhia das Letras. 2011. Pág. 39.
(2) SZYMBORSKA, Wisława. Um amor feliz. Seleção, tradução e prefácio de Regina Przybycien. 1ª ed. São Paulo. Companhia das Letras. 2016. Pág. 327.
(3) Idem. Pág. 255. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

"MEDIANERAS"

É muito bom quando filmes ou livros continuam existindo dentro da gente depois de conferidos. Há filmes ou livros que nos deixam com saudade. Já estou com saudade de “Medianeras” (2011), do diretor Gustavo Taretto; o roteiro é dele também. No elenco, Javier Drolas (Martín) e Pilar López de Ayala (Mariana).

O filme é um delicado e reflexivo retrato do que são as relações (amorosas) no mundo de hoje. Na execução, Taretto fez com que Buenos Aires se tornasse, por assim dizer, personagem do filme. Mostra-se a relação do homem com as grandes cidades. Cada pessoa acaba sendo mais uma em meio às multidões. Em outras palavras: a solidão de cada um em meio aos aglomerados. 

Se a cidade é cenário, também é cenário a clausura de cada um. Pessoas fechadas em apartamentos e fechadas em si mesmas — mas que procuram gente, ainda que diante de um teclado de computador. Procurar gente é também um modo de querer ser achado. 

“Medianeras” faz uma terna e delicada reflexão sobre as relações virtuais em que, se, por um lado, há comunicação, por outro, cada um está em seu próprio lugar, diante de seu próprio monitor, digitando sua solidão. Comunica-se com o mundo, é verdade, mas não há o encontro físico.

Como toda obra artística primorosa, “Medianeras” possibilita desdobramentos. São elementos do enredo a função social da arquitetura, a despersonalização que as metrópoles ou as multidões causam, o paradoxo da solidão humana num mundo que possibilita, graças à tecnologia, o contato com o antípoda. Com ar despretensioso, o filme diverte e convida à reflexão.

Os percursos de Martín e Mariana acabaram me remetendo ao belo poema “Amor à primeira vista”, da autora polonesa Wisława Szymborska. Certa vez, quando escrevi sobre o filme “O voo”, também inseri o poema de Szymborska em meu comentário. Pela segunda vez, uma produção cinematográfica me remete ao texto dela, que transcrevo a seguir. A tradução é de Regina Przybycien.
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Amor à primeira vista — Wisława Szymborska

Ambos estão certos 
de que uma paixão súbita os uniu. 
É bela essa certeza, 
mas é ainda mais bela a incerteza.

Acham que por não terem se encontrado antes 
nunca havia se passado nada entre eles. 
Mas e as ruas, escadas, corredores 
nos quais há muito talvez se tenham cruzado?

Queria lhes perguntar, 
se não se lembram — 
numa porta giratória talvez 
algum dia face a face? 
um “desculpe” em meio à multidão? 
uma voz que diz “é engano” ao telefone? — 
mas conheço a resposta. 
Não, não se lembram.

Muito os espantaria saber 
que já faz tempo 
o acaso brincava com eles.

Ainda não de todo preparado 
para se transformar no seu destino 
juntava-os e os separava 
barrava-lhes o caminho 
e abafando o riso 
sumia de cena.

Houve marcas, sinais, 
que importa se ilegíveis. 
Quem sabe três anos atrás 
ou terça-feira passada 
uma certa folhinha voou 
de um ombro ao outro? 
Algo foi perdido e recolhido. 
Quem sabe se não uma bola 
nos arbustos da infância?

Houve maçanetas e campainhas 
onde a seu tempo 
um toque se sobrepunha ao outro. 
As malas lado a lado no bagageiro. 
Quem sabe numa note o mesmo sonho 
que logo ao despertar se esvaneceu.

Porque afinal cada começo 
é só continuação 
e o livro dos eventos 
está sempre aberto no meio. 

sábado, 8 de março de 2014

"O VOO"


Eu me surpreendi com a densidade e com as implicações de “O voo” [Flight, 2012], do diretor Robert Zemeckis. O roteiro é de John Gatins. Comecei a assisti-lo sem saber quem era o diretor; pensei que se tratava de mais um daqueles filmes que lidam com catástrofes quando um avião cai.

Não é o caso de “O voo”. Se, de fato, há a queda de uma aeronave, isso é somente pretexto para que questões como o alcoolismo e o papel do direito num processo judicial sejam abordadas. Julgar é muito, muito difícil; isso paira o tempo todo.

O filme é estrelado por Denzel Washington. Prestem atenção no quanto ele está impecável no papel de William “Whip” Whitaker, piloto da aviação civil. Nos momentos em que está tenso, há trejeitos e tiques que se repetem e que se intensificam nas cenas finais. Washington convence como alcoólatra que se nega a assumir o vício.

Interessante é que Whitaker é um daqueles personagens que nos fazem torcer por ele, mesmo estando nós cientes de suas graves irresponsabilidades. É que reconhecemos o genial profissional que ele é, ao mesmo tempo em que logo sacamos que sua empáfia é sintoma de quem finge saber lidar com o alcoolismo.

Whitaker acaba conhecendo Nicole, interpretada por Kelly Reilly. Nicole é dependente de drogas. O encontro que haverá entre os dois é sugerido numa sequência tensa: Nicole está em terra, numa maca, depois de ter consumido droga pesada; Whitaker está pilotando um avião, que está prestes a cair.

É uma cena rápida, que me remete ao poema “Amor à primeira vista”, da poeta polonesa Wisława Szymborska. No poema, há a sugestão de que o primeiro encontro entre um casal já estava sendo tramado antes que ocorresse. Não sei se Zemeckis, o diretor, ou se Gatins, o roteirista, tinham o poema em mente ao compor a cena. À parte isso, ela faz lembrar o texto de Szymborska: a arte imita a arte.

Outro ponto alto do filme é a trilha sonora, regada a clássicos do pop/rock, em especial The Rolling Stones. Se Whitaker está curtindo alguma canção, ou se o figuraça Harling Mays, interpretado por John Goodman, entra em cena, esteja certo de que isso é garantia de boa música. Repare que próximo ao fim da película, em sequência gravada num elevador, “With a little help from my friends”, dos Beatles, é apropriadamente executada, em breve e sutil solo de piano.

Às vezes, julgamos uma pessoa por um gesto, por um delito. Julgar é complicado. Se por um lado Whitaker tem habilidade rara ao pilotar, por outro, é consumido pelo vício. E se o vício e o talento estiverem num mesmo instante?... Por fim, abaixo, a transcrição do poema que mencionei, de Wisława Szymborska. A tradução é de Regina Przybycien.
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Amor à primeira vista — Wisława Szymborska

Ambos estão certos 
de que uma paixão súbita os uniu. 
É bela essa certeza, 
mas é ainda mais bela a incerteza.

Acham que por não terem se encontrado antes 
nunca havia se passado nada entre eles. 
Mas e as ruas, escadas, corredores 
nos quais há muito talvez se tenham cruzado?

Queria lhes perguntar, 
se não se lembram — 
numa porta giratória talvez 
algum dia face a face? 
um “desculpe” em meio à multidão? 
uma voz que diz “é engano” ao telefone? — 
mas conheço a resposta. 
Não, não se lembram.

Muito os espantaria saber 
que já faz tempo 
o acaso brincava com eles.

Ainda não de todo preparado 
para se transformar no seu destino 
juntava-os e os separava 
barrava-lhes o caminho 
e abafando o riso 
sumia de cena.

Houve marcas, sinais, 
que importa se ilegíveis. 
Quem sabe três anos atrás 
ou terça-feira passada 
uma certa folhinha voou 
de um ombro ao outro? 
Algo foi perdido e recolhido. 
Quem sabe se não uma bola 
nos arbustos da infância?

Houve maçanetas e campainhas 
onde a seu tempo 
um toque se sobrepunha ao outro. 
As malas lado a lado no bagageiro. 
Quem sabe numa note o mesmo sonho 
que logo ao despertar se esvaneceu.

Porque afinal cada começo 
é só continuação 
e o livro dos eventos 
está sempre aberto no meio. 

terça-feira, 29 de maio de 2012

SOBRE WISŁAWA SZYMBORSKA

Abaixo, vídeo que gravei para um programa de TV local. É sobre a escritora polonesa Wisława Szymborska, que morreu no dia primeiro de fevereiro deste ano.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

MORRE WISŁAWA SZYMBORSKA

Meus amigos e as pessoas que frequentam este blogue sabem do apreço que tenho pela poeta polonesa Wisława Szymborska. Somente hoje, enquanto eu percorria a página cultural do jornal El País, é que fiquei sabendo que Szymborska morreu ontem (primeiro de fevereiro), aos 88 anos.

Perdemos uma escritora lúcida, com elegantes senso de humor e ironia. Seus poemas são curtos, sua obra inteira de poesia cabe num livro não muito volumoso. Ela prima pela qualidade.

Lembro-me do primeiro poema dela que li. A partir daí, eu me interessei. De imediato, eu quis saber mais da autora. Abaixo, o poema, na tradução de Regina Przybycien.
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Wisława Szymborska - Vietnã

Mulher, como você se chama? – Não sei.
Quando você nasceu, de onde você vem? – Não sei.
Para que cavou um toca na terra? – Não sei.
Desde quando está aqui escondida? – Não sei.
Por que mordeu o meu dedo anular? – Não sei.
Não sabe que não vamos te fazer nenhum mal? – Não sei.
De que lado você está? – Não sei.
É a guerra, você tem que escolher. – Não sei.
Tua aldeia ainda existe? – Não sei.
Esses são teus filhos? – São.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

WISŁAWA SZYMBORSKA EM PORTUGUÊS


Meus amigos sabem da admiração que tenho pela escritora polonesa Wisława Szymborska. Neste blogue, já a mencionei numa das postagens do Caiu na Rede, bem como já li poema dela na atração.

Recentemente, a Companhia das Letras lançou coletânea com poemas de Szymborska, praticamente inédita em português. Eles dão uma bela ideia do quanto ela é espirituosa, irônica e plena de senso de humor; ela é lúdica e filosófica. O livro tem tradução, seleção e prefácio de Regina Przybycien.

A capa do livro é um barato à parte (caso queira vê-la ampliada, clique na imagem acima). Os patrulheiros do (chato) politicamente correto certamente não vão gostar. A foto é de Joanna Helander. (Na xícara, será que se trata de café? O relógio marca meio-dia e vinte e dois. Ou seria meia-noite e vinte e dois? A luz que incide sobre o braço que segura o cigarro faz com que eu pense em meio-dia e vinte e dois. Ao fundo, livros numa estante.)

Szymborska foi Nobel de Literatura em 1996. Foi nessa época que li o primeiro texto dela – “Vietnã”. A partir desse poema, passei a nutrir interesse pela autora. Li alguns poemas na internete, no próprio sítio da Fundação Nobel. Pedi uma coletânea em inglês, intitulada “Sounds, Feelings, Thoughts”. Boa parte desses textos estão na seleção de Regina Przybycien.

A obra de Szymborska é curta. Przybycien diz em seu prefácio que a polonesa publicou “algumas centenas de poemas” em doze pequenos livros. Há também dois livros de crônicas. Contudo, a poesia dela tem aquela densidade dos textos curtos. A simplicidade deles não significa deixar de lado os famosos grandes temas. Sempre com inteligência, com argúcia, com engenho; o espírito puro, o wit.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

NOVA EDIÇÃO DO CAIU NA REDE

Pessoas, a edição 65 do Caiu na Rede está no ar. Para escutar, basta dar “play” aí no alto, à direita, onde está escrito “dê ‘play’ e escute o Caiu na Rede”.

Mesmo ciente de que todos nós temos um profundo conhecimento de polonês, no programa, leio, em inglês, texto da autora polonesa Wisława Szymborska. O poema se chama “The three oddest words”.

Abaixo, quatro versões do texto: a original, a versão em inglês, a tradução que fiz e uma versão do poema musicada por Fernando Tordo. Minha tradução é “torta”, pois se baseou na versão em inglês, de S. Baranczak e C. Cavanagh.

Szymborska foi Nobel de Literatura em 1996. Para mais informações sobre a autora, clique aqui.
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Trzy słowa najdziwniejsze – Wisława Szymborska

Kiedy wymawiam słowo Przyszłść,
pierwsza sylaba odchodzi już do przeszłości.

Kiedy wymawiam słowo Cisza,
niszczę ją.

Kiedy wymawiam słowo Nic,
stwarzam coś, co nie mieści się w żadnym niebycie.
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The Three Oddest Words

When I pronounce the word Future,
the first syllable already belongs to the past.

When I pronounce the word Silence,
I destroy it.

When I pronounce the word Nothing, 
I make something no non-being can hold.
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As três palavras mais estranhas

Quando eu pronuncio a palavra Futuro
a primeira sílaba já pertence ao passado.

Quando eu pronuncio a palavra Silêncio,
eu o destruo.

Quando eu pronuncio a palavra Nada,
eu crio algo que nenhum não-ser consegue abarcar.
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