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sábado, 19 de abril de 2014

"UM RETRATO DE MULHER"


Eu nunca quis ser iconoclasta. Ainda que eu quisesse, sei que não levo jeito para isso. Além do mais, como escrevo por gosto, e não por dever, prefiro me dedicar a discorrer sobre aquilo que curto. Mesmo assim, digo: não gosto de “Metropolis” (1927), do diretor Fritz Lang. É aquela velha conversa: sei da importância do filme... mas...

Todavia, alguns dias atrás, assisti a “Um retrato de mulher” (The woman in the window, 1944), também de Fritz Lang. O roteiro é de Nunnally Johnson. A produção é baseada no livro “Once Off Guard”, de J.H. Wallis. Gostei demais do filme.

No enredo, o professor Richard Wanley (Edward G. Robinson) observa, com desvelo, o retrato de uma mulher numa vitrine. Logo após, ele se diverte com amigos num restaurante; ao sair, depara-se com Alice Reed (Joan Bennett), que é a mulher do retrato. Os dois iniciam conversa. Wanley acaba indo ao apartamento dela.

É quando a encrenca tem início. O amante de Reed entra no apartamento e tenta matar Wanley; na contenda, o amante é que acaba sendo morto, com a ajuda de Reed. Ela e o professor se livram do corpo. Para piorar a situação, o perspicaz detetive responsável pelo caso é um dos grandes amigos de Wanley.

Ele é professor, não é criminoso. A polícia logo tem uma série de elementos que podem elucidar o caso. Não bastasse o aperto por que já passam Wanley e Reed, entra em cena Heidt (Dan Duryea), que há meses vinha seguindo o amante de Reed e sabe haver algo muito errado no desaparecimento dele; Heidt começa a chantagear Reed.

A despeito do emaranhado que fisga Wanley e Reed, “Um retrato de mulher” não é um filme pesado. Se por um lado nos compadecemos do desajeitamento dos cúmplices no crime, por outro, não deixamos de achar graça deles. A sequência final quebra o tom; o humor do filme, que até então vinha sendo velado, torna-se deliciosamente escancarado.