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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Cruzeiro, Flamengo, Tito e uma dama

Antes da partida que decidiu a final da Copa do Brasil, há pouco, no Mineirão, havia a dúvida se Raniel começaria a partida ou se Arrascaeta começaria. Aos quatro minutos do primeiro tempo, Raniel, contundido, deixou o campo chorando; Arrascaeta entrou em campo no lugar do jovem Raniel. Pouco tempo depois, aos seis minutos, Guerrero, cobrando falta, acertou o travessão do goleiro Fábio; a bola foi para fora.

Aos catorze minutos, foi a vez de Thiago Neves perder chance de gol dentro da grande área. Eu não saberia dizer se faltou talento ou se faltou calma (ou os dois) no momento do chute. Enquanto isso, o Cruzeiro, talvez devido à tensão, fazia mais faltas do que o Flamengo. Erros simples ocorriam tanto num time quanto no outro.

Não deve mesmo ser fácil jogar uma decisão desse tamanho. Por mais que se treine, por mais que haja preparação física e psicológica, a carga de tensão e de adrenalina, suponho, é muito grande. Eu mesmo, por muito menos, em situações prosaicas, corriqueiras, fico com a voz trêmula e com vontade de estar aqui em casa, colocando uma pipoca no micro-ondas ou lendo as aventuras da elusiva dama Chatterley.

Diferentemente do meu nervosismo, que nunca passa, a impressão com que fico é a de que o nervosismo dos jogadores, lá pelos vinte minutos do primeiro tempo, já foi embora. É a partir daí que se pode ter uma noção mais clara do que os times podem apresentar. Cruzeiro e Flamengo apresentaram o tal do equilíbrio, a despeito de chance perdida pelo cruzeirense Arrascaeta, que não conseguiu dominar a bola dentro da área, aos trinta e cinco do primeiro tempo. Aos trinta e oito, Berrío, do Flamengo, errou o alvo, chutando de fora da área.

Não há muito o que dizer sobre o primeiro tempo. Se por um lado não foi um jogo ruim, por outro, não foi memorável. Mas não foi monótono a ponto de eu deixar de assistir à partida e ir para o quintal brincar com o Tito, meu cachorro, que manifestava medo sempre que algum fogo de artifício espipocava como pipoca em panela ou em micro-ondas.

Mal começado o segundo tempo, pareceu que o jogo seria menos truncado, mais espontâneo, menos estudado. Foi isso mesmo o que ocorreu. Ainda que não tenha havido grandes chances de gol de nenhum dos times, pelo menos a partida não ficou tão presa a esquemas táticos. Muito se falou do Muralha, codinome mais do que apropriado para um goleiro, embora muitos achem não ser essa uma alcunha adequada para o goleiro do Flamengo. Aos trinta e três do segundo tempo, ele rebateu uma bola de modo incorreto, possibilitando a Arrascaeta a chance de marcar. Ele não conseguiu. Aos quarenta e dois, Fábio fez bela defesa depois de chute de Guerrero.

Ambos os times apresentaram futebol equilibradamente mediano. Não importa com quem o título tivesse ficado, teria havido mérito igual. Nos pênaltis, o Cruzeiro venceu. Como o jogo terminou, hora de renovar a água para o Tito. Depois, voltar para a dama Chatterley. E esse Mellors, hum, não sei, não... 

domingo, 2 de julho de 2017

Atlético vence o Cruzeiro no Independência

Sempre digo que uma partida de futebol é uma bela metáfora do que é a vida, por mais sem graça que seja a partida. Mesmo em casos assim, qualquer jogo de futebol é um microcosmo do que é a vida, das circunstâncias dela. Reflexo da vida, futebol é movimento, imprevisibilidade, feiura, beleza, emoção.

Há pouco, no Independência, em Belo Horizonte, Atlético e Cruzeiro realizaram um bom jogo de futebol, principalmente no primeiro tempo. A primeira metade da primeira metade da partida foi dominada pelo Cruzeiro; pouco a pouco, o Atlético caiu nos eixos, a ponto de terminar o primeiro tempo já em vantagem, mesmo tendo começado perdendo.

O destaque do jogo foi Casares, não só pelo belo gol marcado em cobrança de falta. Já Fred fez o que desde tempos sabe fazer muito bem: gols (fez dois hoje). O de cabeça, após receber cruzamento de Casares.

Foi um típico atlético versus Cruzeiro. Houve momentos truncados, discussões, provocações. Mesmo o segundo tempo não tendo sido tão bom quanto o primeiro, o jogo, no todo, foi muito bom. A despeito dos três gols que levou, dos quais não teve culpa, Fábio, mais uma vez, teve bela atuação.

Com a vitória, o Atlético não somente ultrapassou o Cruzeiro na tabela, mas galgou vários degraus em relação à posição em que estava antes do início da rodada. Da parte do Cruzeiro, o técnico Mano Menezes precisa dar um jeito na zaga, que continua levando muitos gols. Foi assim no jogo do meio da semana contra o Palmeiras, foi assim hoje; tem sido assim.

É curioso: mesmo não tendo obtido sucesso, o Cruzeiro tem sido coprotagonista de belas partidas. Recentemente, foi assim contra o Grêmio (pelo campeonato brasileiro) e contra o Palmeiras (pela Copa do Brasil); hoje, foi assim contra o Atlético. É claro que o torcedor cruzeirense trocaria os empates contra aqueles e a derrota contra este por vitórias, ainda que em partidas ruins. Mas esse é outro dado não somente do futebol, mas da vida: um belo todo nem sempre implica vitória. Por outro lado, se o time não ganha em partidas assim, ganha quem gosta de futebol.