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domingo, 25 de maio de 2014

"SECRETÁRIA"

Mary Gaitskill é a autora de “Bad behavior” (que eu saiba, sem edição em português), livro de contos; um deles, “Secretary”, foi transformado em filme homônimo. A película é de 2002; dirigida por Steven Shainberg, é estrelada por James Spader e Maggie Gyllenhaal. O roteiro é de Shainberg e de Erin Cressida Wilson. O título em português do filme é tradução literal de “Secretary” .

Gaitskill concedeu entrevista para a revista Elle em 2013, ano em que se comemoraram os vinte e cinco anos de lançamento de “Bad behavior”. Na ocasião, disse que o filme de Shainberg é a versão “Uma linda mulher” do conto “Secretary”.

Primeiro, assisti ao filme; depois, li a entrevista com Gaitskill; posteriormente, pedi o livro. Hoje, li o conto em que o filme de Shainberg se baseia. Quando li o comentário dela de que o filme era a versão “Uma linda mulher” do conto, pensei que era pela razão de o filme suavizar o sadomasoquismo, presente no trabalho de Shainberg e no conto de Gaitskill.

Tendo acabado há pouco de ler o conto, entendo o motivo pelo qual a escritora considera o filme uma versão suavizada de seu texto. “Secretária”, o filme, acaba sendo uma história de amor; o conto, não. Se considerado apenas o aspecto do sadomasoquismo, tal prática sexual é mais intensa no filme do que no conto.

A história de Gaitskill tem dezesseis páginas. Antes mesmo de a ler, fiquei curioso para saber de que desdobramentos os roteiristas teriam se valido para realizar todo um filme a partir de uma breve história. A leitura do conto termina por esclarecer que o filme tem “apenas” a seguinte moldura do conto: a secretária de um advogado acaba sentindo na pele (literalmente) o comportamento sádico de seu chefe.

No filme, os destinos do advogado e da secretária são diferentes dos destinos a eles atribuídos no livro. Ainda assim, isso não faz com que o trabalho de Shainberg seja algo ruim. Ademais, o tratamento que direção e roteiro deram ao filme faz com que o sadomasoquismo não impeça o amor. Os dois podem coexistir, podem se complementar.

Li há algum tempo que vão transformar em filme a trilogia de E.L. James. O personagem criado por ela tem o nome de Grey. Este é também o nome do advogado sádico no filme “Secretária”. Não sei dizer se a escritora inspirou-se no filme de Steven Shainberg para criar o Christian Grey dela. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

"UMA LINDA MULHER" E O CRAQUE

“Uma linda mulher” [Pretty woman], do diretor Garry Marshall, estrelado por Julia Roberts e Richard Gere, é de 1990. Contudo, somente nesta semana é que o assisti. Para minha surpresa, há uma referência ao craque (a droga) durante o filme: eu pensava que o craque havia começado a ser consumido bem mais recentemente.

Se ele é mencionado num filme de 1990, isso quer dizer que é conhecido e consumido, numa estimativa comedida, há vinte e três anos nos Estados Unidos, pelo menos nos grandes centros — a história contada em “Uma linda mulher” se passa principalmente em Los Angeles. Contudo, eu não saberia dizer quando o craque começou a ser consumido no Brasil.

A nota lúdica é que à medida que eu ia assistindo ao filme foi-se confirmando em mim a impressão de que Edward Lewis, o personagem interpretado por Richard Gere, é uma espécie de Christian Grey... abrandado. Mas já que “Uma linda mulher” veio antes, talvez o mais correto seja dizer que Christian Grey é uma espécie de Edward Lewis... “recrudescido”...