Fred não teve a menor culpa pelo vexame que foi a copa do mundo disputada pela seleção brasileira aqui no Brasil em 2014. As piadas sobre ele, veiculadas, principalmente, depois do fiasco da seleção, não eram justas. Prestes a encerrar a carreira como jogador de futebol, Fred protagonizou hoje, no Maracanã, há pouco, momentos inspiradores, emocionantes. Futebol é sobre o que ocorreu hoje com o Fred, é sobre o que ele causou. O resto são babaquices que inventaram e vão continuar inventando para estragar a beleza e a humanidade das coisas.
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sábado, 2 de julho de 2022
quarta-feira, 16 de março de 2022
Prime Video x Netflix
Em 2001, o Vasco, em tese, sem receber dinheiro, estampou, nas camisas dos jogadores, numa peleja contra o São Caetano, o logotipo do SBT, na intenção de provocar a Globo, que transmitiu o jogo. Foi muito divertido assistir à partida. Enquanto digito estas palavras, o Tuntum está jogando contra o Cruzeiro pela Copa do Brasil. O jogo está sendo transmitido pela Prime Video. Na camisa do Tuntum, o logotipo da Netflix. Que o patrocínio tenha rendido uma grana legal para o Tuntum.
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quinta-feira, 11 de novembro de 2021
Atlético (quase) campeão
Quando o Atlético/MG contratou o Hulk, pensei: “Estão jogando dinheiro fora”. Não jogaram. O jogador é um dos destaques do time, que é cheio de destaques. No que diz respeito ao futebol em campo, as decisões têm sido acertadas. Não sei dizer sobre as finanças e os negócios do clube. Será que amanhã o Atlético será o Cruzeiro de hoje? Não sei. Torço para que não seja, pois esse seria um fiasco não somente para o futebol mineiro, mas para o futebol nacional. Quanto maior o número de times fortes, melhor para o esporte.
Da década de 70 para cá, a única vez em que o Atlético venceu o campeonato brasileiro foi em 1971. Uma das consequências disso é que a maioria da torcida atleticana nunca testemunhou o alvinegro conquistar esse título. O torcedor do time só não se sentirá plenamente satisfeito porque o Atlético não venceu o Flamengo há dias, lá no Maracanã, e porque o Cruzeiro, em tese, assim parece, não vai cair para a série C. Isso não quer dizer que parte da torcida atleticana não se regozije com a continuidade do Cruzeiro na série B. O futebol é como a vida, é a vida em movimento; assim como há na vida, no futebol há Schadenfreude.
De fato, o Atlético não é o campeão brasileiro deste ano. Tem tudo para ser, mas não é. Há jornalistas que andam dizendo que essa recusa em confirmar o time como o campeão brasileiro deste ano é coisa de mineiro, que seria, por natureza, ressabiado, comedido, desconfiado. Nada disso. Boa parte do que dizem sobre o mineiro e sobre o que é a mineiridade é um mito ou um estereótipo. Nem este nem aquele se sustentam diante do que há em meio às montanhas do estado. (Não mineiros dirão que escrever assim é coisa de mineiro.)
O torcedor atleticano não bate o martelo, declarando o time como campeão brasileiro, simplesmente porque esse torcedor seria muito burro se assim declarasse. Uma coisa é o time ser favorito para a conquista do torneio, uma coisa é ter uma das melhores equipes do Brasil, uma coisa é conquistar pontos mesmo quando a equipe não joga bem; outra coisa é não mais poder ser alcançado por nenhum dos adversários. O galo não conta com o ovo da galinha, no que está certo. Seria no mínimo precipitado já se declarar o campeão da peleja.
O efeito psicológico sobre o time, caso o título não venha, pode ser devastador. Em anos anteriores, depois de 1971, o clube esteve com as mãos perto da taça de campeão. Não é novidade disputarem esse título. A novidade é que desde 2003, quando a disputa do torneio passou a ser por pontos corridos, nunca foi tão grande a possibilidade de o Atlético ser o primeiro colocado.
Torcedores imbecis, há deles em todos os times do mundo, assim como há, em todos os times do mundo, torcedores inteligentes. Dito isso, reconheça-se que a torcida do Atlético merece o título que está muito perto de ser conquistado. O Cuca, que não prima por jogos de palavras, disse, todavia, antes da partida de ontem, contra o Corinthians, que era para o torcedor ir para o Mineirão não para torcer, mas para trabalhar.
A torcida foi e trabalhou; a torcida do Atlético trabalha muito. Neste 2021, sendo o time campeão brasileiro, o grito vitorioso, suspeito, embora sem saber se o torcedor atleticano concorda comigo, será mais catártico do que o grito de quando a equipe ganhou a Libertadores.
segunda-feira, 31 de maio de 2021
Copa América (2)
Propostas para compras de vacinas contra a covid são recusadas durante meses. Realização da Copa América é acatada de imediato. Enquanto isso, muitos dos que ainda vão morrer de covid estão apoiando Bolsonaro. A ideia é haver torcida na final da Copa América. É que o vírus não mata a classe média que se veste com a camisa da seleção brasileira.
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Tiago vestiu a camisa da seleção brasileira.
Depois, foi a um bar.
Entre amigos, torceu, gritou,
compartilhou covid.
Dias depois, assistindo à
seleção pela TV,
com futebol, sem vacina,
em leito de hospital,
morreu no exato momento
de gol da seleção oponente.
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quinta-feira, 24 de outubro de 2019
Flamengo dá uma surra no Grêmio
A instituição Grêmio, os torcedores do time e os atletas que estiveram há pouco em campo no Maracanã não merecem o que ocorreu hoje no estádio; o Portaluppi, com a empáfia dele, sim. A goleada do Flamengo deixou claro, mais uma vez, o atraso dos técnicos brasileiros em relação aos estrangeiros. Técnicos, ex-técnicos, jogadores e ex-jogadores do futebol jogado por aqui, num deletério corporativismo, têm distribuído farpas, alegando que o brasileiro tem a mania de valorizar o que vem de fora em detrimento do que há aqui, numa referência indireta aos elogios que têm sido feitos para Jorge Jesus.
De fato, isso é da natureza de parte dos brasileiros, que preferem deglutir qualquer gororoba que venha de fora em vez de dar valor às coisas boas que temos. Todavia, no caso específico do futebol, no todo, não temos bons técnicos. No geral, os que temos servem para o futebolzinho praticado aqui; não sobrevivem a vinte minutos nas grandes competições, não sobrevivem a dois jogos contra um técnico estrangeiro (refiro-me, neste último caso, ao Grêmio de há pouco, que enfrentou o Flamengo, com seu técnico português).
Não é preciso entender de futebol para se constatar que o Grêmio foi esmagado no jogo de hoje no Maracanã. Jorge Jesus, ainda que sem querer, esfregou na cara do ludopédio brasileiro o quanto somos incompetentes para produzir um futebol respeitável e profissional. O jeitinho, a falta de profissionalismo e a cabotinice foram pisoteados na partida que terminou há pouco.
Suspeito de que o River Plate será o campeão da Libertadores; à parte isso, Jorge Jesus é a prova de que cartolas e técnicos brasileiros estão aquém do futebol mundial. Mesmo sem ganhar a Libertadores, Jorge Jesus é a grande lição que o futebol brasileiro seguirá não aprendendo. O Grêmio foi pequeno, foi a cara do futebol aqui jogado. A instituição Grêmio é imensa; o atual técnico deles sentiu na pele que pueris jogos de palavras, vaidade e presunção não ganham partidas.
Tivesse o futebol brasileiro alguma humildade, estivessem os que gerem esse esporte a fim de aprenderem algo, isso já teria sido feito depois do 7 a 1 lá no Mineirão, na Copa de 2014; a goleada não serviu para nada, pois o futebol daqui continuou sofrível. Hoje, tivemos mais uma lição de que chega o dia em que amadorismo e arrogância são moídos. O futebol daqui seguirá iludido e dizendo para si mesmo que é bom, enquanto leva goleadas, sejam elas dadas por técnicos estrangeiros, sejam dadas por jogadores do exterior.
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domingo, 19 de maio de 2019
A renovação não virá
O Atlético Mineiro fez um péssimo negócio quando demitiu Thiago Larghi e contratou Levir Culpi. Não tendo ele feito trabalho bom na recente passagem pelo clube, foi demitido; no lugar dele, a equipe contratou Rodrigo Santana, enquanto o time partia em busca de novo técnico; flertou-se com Rogério Ceni; as negociações não foram para frente.
O técnico Jorge Jesus assistiu no estádio Independência ao jogo entre Atlético e Flamengo, ontem, o que foi o bastante para que se cogitasse que o português possa ser contratado pelo time de BH. Todavia, Rodrigo Santana (que já treinou a URT) tem feito um belo trabalho no Atlético, que está, com doze pontos, a apenas um do líder Palmeiras. Impossível prever, mas pode ser que em vez de efetivar um técnico que tem feito um belo trabalho, o Atlético se dê mal, investindo num técnico conhecido mas que pode não dar certo no clube, o que seria, em poucos meses, uma reedição do que ocorreu quando Larghi foi demitido e Culpi foi contratado.
Os chamados técnicos de grife, também conhecidos como medalhões, não têm mostrado desempenho à altura do nome ou da fama que têm. Mesmo Felipão, cuja equipe lidera o campeonato brasileiro, é criticado por não propor nada novo, por insistir num esquema de jogo anacrônico, mesmo a equipe sendo a líder do torneio.
Mano Menezes, outro dos técnicos graúdos, é questionado, estando no Cruzeiro há tempos e mesmo tendo conquistado títulos na equipe. Os que cobram mais de Mano alegam que, com o elenco que ele tem em mãos, era para o Cruzeiro estar jogando um futebol bem melhor do que o praticado atualmente. O campeonato brasileiro está no começo, de modo que não é hora ainda de ligar o sinal de alerta quanto à performance da equipe no que diz respeito a rebaixamento. Todavia, caso o time não avance na Libertadores, em que terá parada duríssima, contra o River Plate, e caso empenho e desempenho no campeonato brasileiro continuem ruins como estão, o trabalho de Mano talvez passe a ser questionado até por aqueles que ainda concordam com o que ele tem feito.
Vanderlei Luxemburgo, após hiato longe do futebol como técnico, estreou hoje no Vasco, que, em São Januário, empatou com o Avaí — 1 a 1. Luxemburgo é outro medalhão que há tempos, não só pelo tempo que ficou longe dos campos, não propõe nada novo. Tem a chance agora, no comando do Vasco. Será mais do mesmo ou vai apresentar alguma ousadia? Lembremos que o elenco do Vasco está longe de elencos poderosos, como os do Flamengo, do Grêmio ou do Cruzeiro.
Poder-se-ia argumentar que por isso mesmo seria difícil para Luxemburgo ousar, pois o elenco não daria ao técnico possibilidade de inovações. Todavia, a nova geração de técnicos tem o nome de Fernando Diniz, que está no Fluminense; mesmo tendo Ganso no elenco, o time não é estrelado como o de outras equipes brasileiras. Diniz não pode ser acusado de não buscar novos caminhos para o futebol praticado no Brasil. Sem elenco badalado, tem mostrado ímpeto e exibido um jeito de jogar que pode não agradar aos defensores do futebol proposto pelos medalhões, mas que é um alento na pasmaceira do futebol nacional. Não creio que os medalhões vão apresentar algo novo. Restaria torcer para que os dirigentes investissem em novos e ousados fôlegos. Mas duvido de que isso vá ocorrer.
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segunda-feira, 13 de maio de 2019
Pequeno é quem votou; pequena é a Globo
A Globo, ao entregar a Sidão, goleiro do Vasco, o “prêmio” de “melhor” jogador da partida realizada ontem, contra o Santos, tentou fazer novamente o que a emissora insiste em realizar: entretenimento em vez de jornalismo. Só que no caso da entrega do “prêmio”, não houve entretenimento, ainda que ruim, mas sarcasmo, ironia e desrespeito contra um profissional. Se alguém jogar mal, que seja criticado, que seja cobrado, mas partir para uma zombaria impensada e cruel é história bem diferente de exercer uma crítica que pode até ajudar o profissional a melhorar.
O goleiro do Vasco foi submetido a uma humilhação. Segundo o que li, os profissionais da emissora que estavam no estádio trabalhando durante a partida teriam sido contra a entrega do “prêmio”. A ordem para que ele fosse dado a Sidão teria partido de algum diretor de esporte, cujo nome não consegui apurar.
O que não tem sido dito até então é o quanto é preciso criticar o comportamento do torcedor, dos que escolheram Sidão como o “melhor” da partida, levando-se em conta que a votação tenha de fato sido como a Globo anuncia, ou seja, por intermédio de escolha dos internautas. Não se mencionou que as pessoas, não somente no futebol, não têm senso o bastante para separar o que é gracejo ou humor inteligente do que é ofensa e desrespeito contra alguém que estava exercendo sua profissão.
O que os torcedores fizeram é a expressão de uma sociedade que não tem pudor de achincalhar alguém que estava trabalhando. Não satisfeita com o achincalhamento, ficou colada na tela da TV para conferir ao vivo a materialização de uma atitude pequena, atroz, levada a cabo por uma emissora que nunca se preocupou em tratar o futebol com abordagem jornalística, fazendo, em vez disso, um espetáculo acrítico e dedicado a uma turba mais preocupada em ver sangue do que sensatez. A Globo deve ser — e foi — criticada pelo que fez com o Sidão, mas não pode ser acusada de não ser reflexo de parte dos que a assistem. Ela não deveria abonar a burrice e a maldade de parte dos telespectadores; entretanto, a história do canal é a prova de que respeito nunca foi moeda corrente nas ondas globais.
Neste ano, a Globo não transmite na totalidade, via Premiere, nem jogos do Palmeiras nem do Athletico Paranaense no campeonato brasileiro. Isso não quer dizer que o império esteja abalado (além do mais, no ano que vem, a emissora pode recuperar direitos de transmissão dessas duas equipes no torneio), mas que os times percebam que há alternativas fora das galhofas sem graça da Globo. Do que ainda não sabemos, é se as galhofas dos concorrentes serão tão cretinas quanto as da emissora carioca.
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sábado, 20 de abril de 2019
Cruzeiro é campeão mineiro
No dia dez de abril, o Atlético/MG, jogando fora de casa pela Libertadores, tomou quatro gols; no mesmo dia, o Cruzeiro, em casa, também jogando pela Libertadores, fez quatro gols. Depois disso, no Atlético, Levir Culpi foi demitido. O próximo compromisso dos times seria a decisão do campeonato mineiro. O momento do Atlético, complicado na Libertadores, deixou otimistas alguns cruzeirenses e deixou apreensivos alguns atleticanos para a decisão do mineiro.
O primeiro jogo da final foi no domingo passado. Embora o Atlético tenha perdido por dois a um lá no Mineirão, o time já não foi a bagunça que vinha sendo com o Levir Culpi. Sob o comando de Rodrigo Santana, técnico que entrou no lugar de Levir, o Atlético já deu mostras, na primeira partida da decisão do campeonato mineiro, de que o time havia, por assim dizer, renovado-se.
Aos cinco minutos da decisão de hoje, Ricardo Oliveira acertou o travessão do Cruzeiro; aos onze, Ígor Rabelo, em lance contra o próprio gol, acertou o travessão do goleiro Vítor. Aos vinte e nove, o Atlético, merecidamente, já que vinha jogando melhor, marcou: após defesa de Fábio em chute de Ricardo Oliveira, Elias, de cabeça, fez o gol.
Após o intervalo, o Atlético continuou jogando melhor. Percebi no Cruzeiro uma certa apatia, como se o time não estivesse com vontade de jogar, como se demonstrasse pouco interesse pela partida. Mesmo assim, aos trinta e quatro, Fred, cobrando pênalti, que foi marcado após análise de vídeo pelo árbitro, marcou. A Raposa segue invicta na temporada.
Fosse eu torcedor do Atlético, estaria otimista quanto ao futuro, a despeito da situação ruim do time na Libertadores. A equipe errou feio ao demitir Thiago Larghi e ao contratar Levir Culpi. Agora, tenta corrigir a lambança, investindo em Rodrigo Santana, que é promissor. Do lado do Cruzeiro, o torcedor, embora campeão hoje, se for sincero, saberá que o time tem de jogar melhor do que o que jogou hoje se quiser ir longe na Libertadores ou se quiser fazer um belo campeonato brasileiro.
terça-feira, 26 de março de 2019
“Performando” sinapses desequilibrantes
Sempre que o assunto é o vocabulário de alguém, eu me lembro de uma frase do Proust, a qual vivo citando: “Todos chamam de claras as ideias que estão num mesmo grau de confusão que as suas”. Recentemente, eu me lembrei da irônica máxima por causa do palavrório de que o Tite tem se valido.
Sebastião Lazaroni foi técnico da seleção brasileira. Também se aventurou num português menos futebolístico; ele usou expressões como “galgar parâmetros”, “lastro físico” e “losango flutuante”. A gororoba verbal não resultou em sucesso com a seleção.
Que me consta, Lazaroni não é modelo para Tite, que, mesmo assim, soltou expressões do tipo “sinapses no último terço”, “extremos desequilibrantes” e “performar o resultado”; por certo, o técnico deve ter escutado “performar” em palestra de algum empreendedor, pois os chamados palestrantes empreendedores adoram importar anglicismos, que não raro denotam desconhecimento do português.
No caso do Tite, a despeito da vitória no amistoso de hoje, anglicismos e expressões técnicas passam a impressão que são usados como tentativa, ainda que inconsciente, de camuflar o óbvio: o futebolzinho mixuruca que a seleção tem jogado. Mais cedo, não acompanhei a coletiva do técnico, de modo que não sei como ele performou; não sei se achou que os extremos desequilibrantes jogaram bem ou se ficou satisfeito com as sinapses. Sei que foi mais um joguinho da seleção.
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sábado, 9 de março de 2019
Da recusa em atacar
Não sou torcedor nem do Vasco nem do Flamengo, que jogaram há pouco no Maracanã. Houve empate por 1 a 1. O jogo foi movimentado, o Vasco empatou aos noventa e cinco minutos de jogo.
Já nos acréscimos, aos noventa e dois minutos, em contra-ataque, o Flamengo quase fez dois a zero. Na conclusão da jogada, houve escanteio. O Flamengo, em vez de jogar a bola na área ou tentar, de algum modo, atacar, no momento de bater escanteio, tentou chutar a bola sobre defensor vascaíno; em vez disso, houve tiro de meta para o Vasco.
Podem duvidar do que vou escrever, mas no momento em que houve esse lance, pensei comigo: “Ridículo, um time se recusar a atacar, ainda que esteja perto do fim. O Vasco ainda pode fazer um gol, o que seria merecido, devido à recusa do Flamengo em atacar”. O Vasco, então, cobrou o tiro de meta, atacou e teve pênalti a seu favor. Maxi López bateu e empatou a partida.
O lance do Flamengo foi um retrato do que é futebol brasileiro, em que boa parte dos times considerados grandes se recusa a atacar, ainda que esteja empatando. A despeito de Vasco e Flamengo terem feito um jogo cheio de oportunidade para gols, coisa rara no futebol brasileiro, os lances dos acréscimos ilustram bem a indolência, o comodismo e a pobreza técnica do futebol nacional.
Repito: futebol nacional. A maioria das equipes tidas como grandes do futebol aqui jogado tem uma abordagem pobre, sem criatividade, sem ousadia. Menciono a partida terminada há pouco no Maracanã por ser o jogo a que assisti e por ter eu pensado que o Flamengo poderia ser punido por decidir não atacar quando teve o escanteio a seu favor.
É claro que o Flamengo poderia levar gol ainda que tivesse tentado atacar quando da cobrança do escanteio. Mas isso é cogitação. O que não é: tomando a decisão de não atacar, ao propor enrolar no campo de ataque, o rubro-negro levou o gol de empate. Nada mais típico do pouco criativo e pouco combativo futebol brasileiro.
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quinta-feira, 27 de setembro de 2018
Política e futebol
Tentar separação radical entre futebol e política seria negar o uso que governos nacionais e internacionais já fizeram do esporte, bem como negar a atuação politizada de estrelas do futebol. A democracia corintiana, cujo rosto mais conhecido era Sócrates, é só um exemplo da imbricação entre os conteúdos esportivo e político.
Recentemente, desde quando torcidas em estádios começaram a manifestar ameaçadora burrice, alguns clubes tornaram público que discordam de atitudes beligerantes ou preconceituosas, mostrando mais uma vez que há momentos nos quais futebol e política se misturam. As ilustrações desta postagem, disponíveis no Twitter do brilhante Mauro Cezar, exibem alguns dos clubes que se posicionaram contra a intransigência.
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terça-feira, 31 de julho de 2018
Garoto-propaganda afiado
Do ponto de vista estritamente comercial, o anúncio da Gillette estrelado por Neymar é um sucesso. Ainda sob a ótica marqueteira, investir num texto piegas foi a decisão certa, pois a pieguice comove muitos. O tom é de se buscar uma simbiose entre o "herói" e o público. Se os dois estiverem em sintonia, o "herói" erguer-se-á.
Esse é o astral da estratégia. Todavia, nessa vida tão multifacetada, nem tudo é dinheiro. O comercial soa falso não só pela abordagem melosa, mas porque o jogador não caiu num sentido metafórico. As quedas dele em campo, não importa se fingidas, não importa se inevitáveis, compõem o que faz parte da profissão dele: todo jogador de futebol cai. Ao querer transformar as quedas em campo de Neymar em metáfora que simbolizaria o erguer de quem estava arrasado, a peça publicitária parte da premissa de que houve derrocada do jogador fora (e dentro) de campo, o que não ocorreu. Tanto é assim que num evento ocorrido recentemente em São Paulo, o pai do jogador disse que a carreira do filho continuaria sendo gerenciada como vinha sendo. O comercial da Gillette prova que o pai do atleta falou a verdade.
Neymar não é um derrotado, não caiu, não ruiu. Mesmo nunca tendo sido eleito o melhor do mundo (numa premiação em que um sujeito como o ex-técnico Parreira vota) nem nunca tendo ganhado uma Copa do mundo (título que ele ainda pode conquistar), Neymar é um profissional bem-sucedido. O comercial da Gillette é só a mais recente prova disso.
Tudo na produção foi pensado para causar empatia. Em muitos, causou e vai causar. Só que a pieguice destrói o potencial, a eficácia e o efeito de um texto. Claro que o apelo fácil à comoção era um dos objetivos do comercial. Reitero: foram bem-sucedidos. Mas a ideia de fragilidade e de humanidade veiculada num anúncio publicitário não me comove. Neymar continua sendo um eficiente garoto-propaganda e não é ainda o garoto-futebol que mídia e anunciantes insistem em dizer que ele é.
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sábado, 7 de julho de 2018
Reflexo em campo
É natural que muitos se perguntem o que estava errado quando o Brasil é eliminado de uma Copa do mundo. O torneio de seleções passado, realizado aqui, deixou gritante um traço que não é somente do jogador de futebol brasileiro, mas do brasileiro como um todo: falta de preparo psicológico. Pode haver essa falta de preparo em qualquer idade e em qualquer profissão, e quando se está diante de uma situação drástica ou decisiva, o despreparo desestrutura o indivíduo.
Em 2014, na Copa realizada aqui, a imagem de um Thiago Silva combalido e sentado na bola ilustra a fragilidade psicológica daquele time (e também a deste de 2018). Há momentos na vida em que é preciso haver lastro para que se esteja apto a suportar eventuais grandes desafios. Qualquer um com um pouco de imaginação é capaz de imaginar a gigantesca pressão que há sobre um jogador que disputa uma partida decisiva numa Copa do Mundo. No caso do Brasil, esse jogador não tem na Confederação Brasileira de Futebol uma empresa que se preocupa com o esporte que gerencia. Não bastasse, há o traço sociológico do oba-oba, do improviso, do jeitinho, da ideia de que basta o talento para se ser bem-sucedido em momentos cruciais.
Não faria sentido subestimar o talento, não levá-lo em conta. Só que mesmo em esportes coletivos, o talento, por si, não consegue resolver tudo. E mesmo o talentoso ou mesmo o gênio (o que é algo muito, muito raro), se não tiverem o mínimo de maturidade para lidar com seus talentos (ainda que não haja tal maturidade em outros aspectos da vida), não poderão exercer suas capacidades em plenitude. Mesmo a genialidade requer um mínimo de disciplina.
Não avisto para breve no horizonte uma mudança em nosso famoso jeitinho: o futebol aqui praticado vai continuar sendo comandado pela incompetência da CBF e a ideia (que não corresponde aos fatos atuais) de que somos o melhor futebol do mundo vai continuar sendo bombardeada nas mídias e incentivada por internautas “anômimos” e por ex-jogadores, “parças” que, em redes sociais, repetem chavões que nada acrescentam para a melhoria do futebol, dentro ou fora do campo.
No esporte individual, é possível ao atleta fugir do que é a moeda corrente em seu país de origem. No caso do esporte coletivo, é mais difícil, pois é pouco provável que a maioria dos jogadores de uma equipe tenham a percepção de que há como ser divertido ou espirituoso sem cair no descompromisso ou na crença de que basta o talento para se resolver as coisas.
Numa atmosfera assim, em que a entidade que comanda o futebol nacional é gerenciada por quem nem deve saber o que é uma bola e num país em que disciplina e seriedade são características consideradas caretas, é espantoso o futebol nacional ter tido as conquistas que já teve. Se, como um povo, assumíssemos nossos defeitos e se nos comprometêssemos a assumir que autocomplacência imatura não faz ninguém crescer, isso poderia criar uma onda que chegaria aos gramados. Mas o que chega a eles é o nosso despreparo e nossa falta de disciplina e de seriedade. Poderíamos ser mais, dentro e fora de campo.
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terça-feira, 3 de julho de 2018
Oito de julho de 2014
O brasileiro tem vontade de gostar do Brasil, ele quer gostar do Brasil, o que, evidentemente, é ótimo. O lado ruim da questão é que no afã de gostar do país em que nasceu ou em que vive, muitos se apegam a ilusões que não são a essência do que é ser ou edificar uma nação.
Desde quando comecei a lidar com internete, tenho falado sobre futebol, esporte que julgo épico, conforme o que já escrevi. Dito isso, reafirmo que não sou antifutebol. Do que não gosto, é saber que a beleza desse esporte, quando jogado em alto nível, está nas mãos de pessoas que estão se lixando para o esporte do Brasil.
O jeito de alguém torcer é reflexo do que esse alguém é em outros aspectos da vida. Se ele não se preocupa em se informar (sobre o futebol), contentando-se apenas em torcer, isso acaba criando uma cultura que nada acrescenta para ele nem para o esporte. Zoar é uma coisa; levar a sério certas mentiras contadas sobre o futebol praticado aqui é outra.
Depois da eliminação da Alemanha na Copa 2018, ex-jogadores e torcedores brasileiros divulgaram em suas postagens que a organização do futebol alemão nada tem para ensinar para o brasileiro. Disseram platitudes usuais tais como “só o Brasil tem cinco estrelas”, “é preciso respeitar o futebol brasileiro”... Ironizaram o jeito alemão de tratar o futebol deles. Declarações assim somente reafirmam o lado ruim do jeitinho brasileiro.
Quanto à Alemanha, o fato de ela ter sido eliminada na primeira fase desta Copa de 2018 não apaga o vexame do Brasil em 2014, lá em Belo Horizonte. Dizer que a organização da Alemanha não tenha valido a pena por ela ter sido eliminada na primeira fase desta Copa é se esquecer da tunda de 7 a 1 que o Brasil levou.
É justamente o que parte da mídia prega, o esquecimento do avassalador 7 a 1. Fosse haver alguma responsabilidade por parte dessa mídia que prega o olvido ou prega a ausência de informação por parte de torcedores que querem amenizar a derrota do time brasileiro aqui no Brasil, o 7 a 1 não deveria ser esquecido, mas, sim, usado para se aprender alguma coisa.
Todavia, isso não vai ocorrer. A imagem de que somos o país do futebol é mais forte do que qualquer vontade de estudar, de aprender, de ler ou de assumir que a organização de nosso futebol, mancomunado com os barões da mídia, é de um amadorismo que atravanca o progresso desse esporte por aqui. Fia-se no talento, no improviso, no jeitinho; prefere-se ignorar os fracassos. Mas isso não é novo. O jeito de parte do brasileiro e de parte da mídia lidar com o futebol é o mesmo quando se trata de outras questões importantes.
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Tite o Osório
Muito tem sido dito sobre a entrevista do Osório, técnico do México, após a derrota para o Brasil pela Copa. Não entendo o trecho “futebol é para homens”, falado por Osório, como machista. Entendo, no caso dessa entrevista dele, “futebol é para homens” como sendo igual a futebol não é para moleques, não é para meninos mimados. Estando eu correto ou estando eu errado em minha interpretação, não estou errado ao dizer que a crítica do Osório foi contra o Neymar.
Osório argumentou ainda que o jogador brasileiro é um mau exemplo, em função de uma teatralidade desonesta, antiesportiva. Logo, logo, foi resgatada uma entrevista do Tite, concedida em 2012, em que ele critica Neymar pela teatralidade antiesportiva do jogador, quando Tite era o técnico do Corinthians, e Neymar era jogador do Santos. A entrevista de Tite em 2012 e a de Osório depois da derrota para o Brasil nesta Copa têm algo em comum: ambos disseram que Neymar é um mau exemplo.
Tanto Tite quanto Osório escancararam a condição humana. Numa análise ideal, Tite deveria condenar Neymar publicamente (o que ele, Tite, fez em 2012) pela teatralidade do jogador durante esta Copa. Só que agora Tite é técnico do Neymar. Em conversas particulares, o técnico até pode ter chamado a atenção do jogador (não se sabe se isso ocorre(u)), mas, em público, não quer causar um possível mal-estar no time.
Ao defender Neymar agora, durante a Copa, o técnico conferiu dois pesos para a mesma medida, para o mesmo comportamento, para o mesmo jogador. Ao defender Neymar, Tite, no mínimo, foi contraditório. Boa parte da imprensa e dos meios de comunicação parece estar com medo de dizer isso, pois, no todo, o técnico tem sido incensado, bajulado.
Ele foi contraditório, mas exigir dele que não fosse seria esperar demais de um ser humano. Pode-se argumentar, com razão, que no futebol os técnicos quase nunca admitem que erraram ou que determinado jogador deles é desleal ou tem comportamento antiesportivo. A questão é que essa falta de ímpeto ou de coragem ou de sinceridade não se dá somente no universo do futebol. O ser humano, no dia a dia, muito raramente tem a... ousadia de assumir publicamente questões melindrosas ou contraditórias.
As coletivas do Tite são enfadonhas, estudadas demais, delicadinhas em excesso. Não bastasse, há uma parte dos repórteres que o poupam de questionamentos incisivos, mesmo sendo eles necessários. À parte isso, ainda que ele não ganhe esta Copa nem outra qualquer no futuro, Tite já é um sujeito vitorioso na profissão de técnico.
A entrevista em que ele defende Neymar quanto a algo que ele mesmo, Tite, já havia criticado o jogador merece reprovação. Mesmo assim, em situações assim, levo em conta que coragem, rebeldia, ousadia e honestidade não são predicados comuns em nós, não importa a profissão. Isso não elimina a contradição de Tite, mas revela que ele é tão humano quanto eu e quanto você.
sexta-feira, 15 de junho de 2018
De português para português
Cristiano Ronaldo fez três gols. A equipe dele dava sinais de que não resistiria à espanhola, que, a despeito da mudança de técnico de última hora, mostrou o jogo pelo qual ela é conhecida, com muito toque de bola, ficando com ela a maioria do tempo.
Portugal não vai ganhar a Copa do Mundo. Mesmo assim, o torneio mostrou, mais uma vez, que o célebre português é um craque. O que ele fez hoje foi um feito. A atuação dele acabou me remetendo a outro português, que cito:
“Em perigos e guerras esforçados,
“Mais do que prometia a força humana,
“E entre gente remota edificaram
“Novo Reino, que tanto sublimaram”.
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quarta-feira, 6 de junho de 2018
Que o Brasil não ganhe a Copa do mundo
Os tentáculos da Globo e os grandes anunciantes fazem de conta que patriotismo e patriotada são a mesma coisa. Em anúncios piegas, ora enaltecem glórias passadas do futebol nacional ora colocam Tite em cena. A competência dele no futebol pode levar a seleção da CBF a ganhar a Copa. Se isso ocorrer, mídia e grandes empresas investirão mais ainda no pseudopatriotismo que propalam.
A Globo, que prima por moldar a realidade do país à feição de seu projeto maquiado de brasilidade, tem todo interesse em que o Brasil seja campeão na Rússia, o que seria perfeito na tentativa de se criar uma onda “patriota” que seguiria omitindo os esquemas escusos da CBF, o 7 a 1 e os problemas que assolam o futebol nacional. Um deles, o calendário e os horários estúpidos, exigidos pela própria família Marinho.
O título do Brasil seria perfeito para a Globo e para seus poderosos anunciantes. Precisamente pela influência que têm, soprariam sobre o país um bafo de pseudoufanismo e de falsa autoestima. Como são muito poderosos, convenceriam muitos de que somos o tal do país do futebol, embora não sejamos.
Para eles, que sabem realizar muito bem a mistura entre futebol e política, é boa a ideia de a população supor que, mesmo no governo Temer, ainda somos um país possível, viável. O hexacampeonato seria um afago, uma suspensão do peso do cotidiano. Um olhar um pouco mais cuidadoso, todavia, descortina o nosso futebol chinfrim e a caricatura de país que nos tornamos. Ganhar uma Copa não é atestado de que por trás do título há uma nação.
Não há dúvida de que o futebol pode ser algo mágico, bonito, emocionante. Qualquer pelada entre amigos pode conter elementos épicos ou grandiosos. Podendo o futebol ser tão elevado, o que lamento não é a existência dele em si, mas ele ter se tornado ferramenta política e dispositivo de manipulação nas mãos de empresas como Globo, como seus anunciantes e como a CBF, organizações que não têm o menor interesse no bem do Brasil nem no do futebol aqui praticado.
Se o Brasil ganhar a Copa, vão dizer que o orgulho de ser brasileiro foi resgatado. Jamais vão admitir que é melhor ter um péssimo futebol mas um país decente. A euforia da conquista caso o hexa venha será inflada. O sucesso será garantido, pois eles têm ao seu lado o pessoal que vestiu a camisa da CBF e fez passeata alegando cidadania de 2013 para cá.
O que vai curar este país doente não é a conquista de um torneio esportivo. Eu gostaria muito que o futebol não fosse usado como instrumento para tapear incautos ou para enriquecer espertalhões, pois ele é maior do que Globo, CBF, patrocinadores e paneleiros. O futebol não deveria ser usado usado como paliativo contra as dores de um país que não consegue se fazer.
Se o Brasil ganhar a Copa, vão dizer que o orgulho de ser brasileiro foi resgatado. Jamais vão admitir que é melhor ter um péssimo futebol mas um país decente. A euforia da conquista caso o hexa venha será inflada. O sucesso será garantido, pois eles têm ao seu lado o pessoal que vestiu a camisa da CBF e fez passeata alegando cidadania de 2013 para cá.
O que vai curar este país doente não é a conquista de um torneio esportivo. Eu gostaria muito que o futebol não fosse usado como instrumento para tapear incautos ou para enriquecer espertalhões, pois ele é maior do que Globo, CBF, patrocinadores e paneleiros. O futebol não deveria ser usado usado como paliativo contra as dores de um país que não consegue se fazer.
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sábado, 26 de maio de 2018
Karius e nós
Os erros de Karius foram imensos. Quando falhas dessa natureza ocorrem, diminuem a distância entre um grande jogo e a pelada do fim de semana no campo da várzea mais próxima. Pela natureza da profissão e por terem chegado ao ponto em que chegaram, os erros de atletas em grandes equipes são vistos por milhões, bem como as consequências dos fracassos deles. Mesmo assim, o que aconteceu mais cedo com o Karius aproxima não somente o grande time da equipe de amigos que disputa um torneio amador, mas aproxima todos nós uns dos outros, pois falhas como a do goleiro do Liverpool atestam o quão grandes podem ser os tropeços de qualquer humano, ocorram eles diante de milhões ou na intimidade de um quarto escuro. Karius, ao vivo, provou mais uma vez o que há de mais frágil e essencial em todos nós.
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terça-feira, 1 de maio de 2018
Por que não escuto Galvão Bueno
Nem Galvão Bueno nem a Globo precisam de minha audiência. Não sou um dos “milhões de uns”, na expressão de atual campanha publicitária da emissora. Isso não me impede de dizer que Galvão Bueno é o que há de pior no jeito de a Rede Globo fazer as coisas. Não bastasse a chatice imensa, ele encarna o que de mais podre há na emissora: a pauta acrítica, o puxa-saquismo, a patriotada do canal da família Marinho; bastam alguns segundos do Bem, Amigos!, atração comandada pelo locutor no Sportv, para que essas coisas sejam percebidas. Por isso mesmo, não assisto ao programa. A favor de si, Galvão Bueno tem a voz, que é excelente, mas tem contra si algo lamentável em quem está num meio de comunicação — a burrice. Ele é espertalhão, mas a esperteza por si não define em totalidade o que é ser inteligente.
Para piorar, julga-se carismático; quando tenta ser engraçado, presenciamos algo constrangedor. Ele, como porta-voz mor do que a Globo faz contra o futebol brasileiro, reveste sua atuação com uma pseudobrasilidade nada interessada no real crescimento do futebol praticado aqui. Ainda bem que há muitos anos tenho opções para não acompanhar as transmissões conduzidas por ele. A última partida ao vivo que conferi narrada por Galvão Bueno foi a final da Copa do Mundo de 1994. Tempos depois, eu conferiria, não ao vivo, a história contada por ele no jogo em que a Alemanha goleou o time da CBF por 7 a 1. No dia, não escutei o locutor, mas meses depois fiz questão de acompanhar a reação dele diante do fiasco da equipe da Confederação Brasileira de Futebol, fiasco do qual a emissora que ele nojentamente defende também tem culpa.
Galvão Bueno epitoma o que a Rede Globo tem de pior. Parte dos demais profissionais do canal, sem se mostrarem partidários interesseiramente ensandecidos da ca(u)sa, seguem a linha editorial ditada pelos chefes, conforme o que acompanho, principalmente, no Sportv. Mas seguir as diretrizes dos chefes não é o bastante para Galvão Bueno. Seja por ser descaradamente teatral seja por ser fervorosamente genuíno (ou as duas coisas), o locutor é a expressão mais literal e figuradamente escandalosa da superficialidade com que a Globo trata todas as coisas importantes. É espantoso o quanto ele incorpora a futilidade do canal. Galvão Bueno é um desserviço para a comunicação, para o futebol, para o Brasil. É o que há de mais pernicioso quando um empregado decide ser vassalo de seus chefes e de tudo o que fizeram e fazem contra o país.
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