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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Professor Luís André Nepomuceno ministrará curso

Vem aí mais um curso de extensão ministrado pelo professor Luís André Nepomuceno — O Decameron de Giovanni Boccaccio. Vai ser nos dias 4 e 18 de junho. Não é preciso ser aluno do Unipam para participar. Bora nessa?

domingo, 24 de abril de 2016

As histórias que se contam

Em “Os contos de Cantuária”, do Chaucer, peregrinos, enquanto caminham, contam histórias; no “Decamerão”, do Boccaccio, dez pessoas, fugindo da peste negra, refugiam-se em local ermo, onde decidem que cada um contará dez histórias; em “Noite na taverna”, do Álvares de Azevedo, um grupo de ébrios decide contar histórias que estão nos moldes do que pregava o Romantismo. E você, que histórias conta para os que estão com você? 

domingo, 5 de agosto de 2012

CONTO 51

 “Decamerão” era o livro. Fernando Borges era quem lia. Ele deixou por um momento as palavras, pois um vizinho, com o som alto, começara a tocar canção muito executada pelo rádio durante a infância de Fernando: “Não são palavras lindas”, cantada pelo Heleno. Inundado de amor, embora ainda não todo ciente disso, o leitor percebeu, de uma vez por todas, a imensidão do que estava sentindo à medida que a canção prosseguia. O lampejo fulminante e definidor que o inundou da certeza e dos tormentos do amor veio ao som do Heleno. Fernando sentiu o coração apertar. Lembrou-se do Zeca Baleiro: “Ando tão à flor da pele / Qualquer beijo de nova / Me faz chorar”. Por fim, deu um leve riso, suspirou e recomeçou a leitura.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

“DECAMERÃO – O SANTO MILAGREIRO”

Ontem, a partir de 19h15, no Teatro Municipal Leão de Formosa, aqui em Patos de Minas, ocorreu o espetáculo teatral “Decamerão – o santo milagreiro”.

A peça é uma adaptação da primeira das cem histórias que compõem o livro “Decamerão”, de Giovanni Boccaccio (1313-1375). A direção foi de Consuelo Nepomuceno (Unipam), coordenadora do grupo Tupam (Teatro Universitário de Patos de Minas).

A história de Boccaccio narra o ocorrido com o senhor Ciappelletto. Em tom de galhofa e prestes a morrer, ele decide se “confessar” a um bondoso frade. Tendo sido cafajeste a vida toda (“era o pior homem que viera à luz, em qualquer época” – tradução de Torrieri Guimarães), o próprio Ciappelletto argumenta, no leito de morte, que uma ofensa a mais, numa vida tão plena delas, não fará nenhuma diferença. Para o frade, narra pecadilhos infantis, ninharias, a despeito da vida nada virtuosa que levara.

Impressionado com o suposto caráter elevado de Ciappelletto, o frade cuida rápido de dizer a todos que tão nobre conduta durante toda uma vida só podia indicar santidade. Dá a “boa nova” a seus colegas, que contam para outros, que contam para outros. Ciappelletto é enterrado com honrarias, é sepultado como santo. Rapidamente, fiéis passam a procurar o túmulo do “santo” em busca de milagres, numa amarga ironia de Boccaccio.

A peça contou ainda com música, sob o comando do professor de música e percussionista Castor. Após o espetáculo, o professor Luís André Nepomuceno, coordenador do curso de Letras do Unipam, contextualizou Boccaccio e sua obra numa Idade Média que assistia então ao surgimento do Humanismo. Infelizmente, devido a compromisso de trabalho, não pude acompanhar toda a fala do professor. Entretanto, ele próprio me disse posteriormente que houve uma interação proveitosa, a partir do momento em que o público se sentiu à vontade para opinar e fazer perguntas.

“No teatro, mudar uma peça de maneira radical muitas vezes é – por mais contraditório que possa parecer – a melhor maneira de ser fiel a um dramaturgo”. Esse trecho é de Gabriela Mellão, em crítica sobre montagem da peça “O Quarto”, de Harold Pinter, sob a direção de Roberto Alvim. Gabriela Mellão ressalta que as liberdades de Roberto Alvim, paradoxalmente, não deturparam o trabalho de Harold Pinter.

Comento isso pelo seguinte: o “Decamerão” não é texto escrito originalmente para o teatro. Ainda assim, o grupo Tupam foi feliz na adaptação que fez. As liberdades (sem radicalismos) tomadas quanto ao original e quanto a recursos cênicos mantiveram o saboroso humor de Boccaccio. Aqueles que têm familiaridade com o "Decamerão" reconhecem de imediato a atmosfera da história de Ciappelletto, a despeito das mudanças. Ao mesmo tempo, o espectador não deixa de presenciar a corrosiva ironia. Em suma: a trupe acertou no tom.

Não sei se há a intenção de se reapresentar a peça. Caso isso ocorra, esteja lá. E em tempo: é um espetáculo que eu gostaria de fotografar.