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sábado, 5 de fevereiro de 2022

Você está no Tinder?

Felicity Morris é a diretora do documentário O Golpista do Tinder (2022). O enredo já é clássico: mulheres ingênuas caem na lábia de quem finge amá-las, na intenção de obter delas o dinheiro que elas (não) têm. O nome do sujeito é Shimon Hayut. 

Esperto, vai logo dizendo amar as conquistas recentes, ao mesmo tempo em que mostra para elas um modo de vida milionário, com viagens quase diárias em jatinhos particulares, carrões caríssimos, roupas de grife, comida cara e hotéis com piscinas privadas nos quartos. Espertalhão, maneja com esmero as mentiras em redes sociais. Geralmente, o golpe começa no Tinder. 

A ingenuidade das mulheres que foram vítimas do golpista está não em terem acreditado no amor que Shimon Hayut diz sentir e, marota e convincentemente, expressa: a ingenuidade delas está em, após muito pouco tempo, começarem a dar dinheiro para ele e assim continuarem mesmo depois de, por diversas vezes, nada terem recebido como pagamento. Com o dinheiro que ia extorquindo de uma, ele pagava farra para outra(s). 

O mundo embrutece. É louvável quando há pessoas que não perderam a boa-fé. Todavia, quando a boa-fé vem temperada com ingenuidade, a pessoa pode se tornar vítima de salafrários. Sem calçados de proteção, não se recomenda andar em terreno infestado por víboras.

Hayut é esperto. Sabe manipular emoções, corações; conhece a alma feminina. Por isso, tem a manha de, sobretudo, como mentir para as mulheres. As mentiras que ele conta são inverossímeis, atrapalhadas, fantásticas, mas é precisamente de algo fantástico e mirabolante que ele precisa para fazer com que as mulheres deem a ele a grana delas. Ele tem ciência do paradoxo: se a mentira for simples, não convence. Ele tem clara noção de que, para convencer, a mentira tem de ser fantasiosa, tem de ter um enredo. Com outras palavras: Hayut cria uma história, uma ficção, o que prova o poder do ato de contar uma história, o poder da ficção elaborada com maestria.

Hayut domina seu ofício. Sabe que o mundo está cheio de pessoas boas — mas crédulas demais. Uma das entrevistadas, já no fim do documentário, diz que apesar de estar ainda devendo dinheiro a bancos por causa do golpe aplicado pelo espertalhão, ainda acredita no amor. Isso é ótimo. Mas que ela se lembre de um famoso cobrador de impostos, que menciono sem gota de proselitismo, a quem se atribui esta frase: “Sede prudentes como as serpentes e sem malícia como as pombas”. 

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Documentário sobre Gabriel García Márquez

Assisti ontem ao terno documentário Gabo: a Criação de Gabriel García Márquez [Gabo: the magic of reality], do diretor Justin Webster. A produção, disponível na Netflix, é de 2015, realizada, portanto, um ano depois da morte do autor colombiano.

Amigos e parentes de García Márquez dão depoimentos sobre a vida e a obra do escritor, destacando as facetas da vida dele. Mesmo para leitores e conhecedores da vida de Gabo, como ele era conhecido pelos amigos, o documentário vale a pena, principalmente pelos trechos de entrevista que há com o próprio autor.

Para os que querem adentrar no universo de García Márquez, o documentário enfoca os pilares tanto da obra quanto da vida do criador de O Outono do Patriarca. O episódio do rompimento com Vargas Llosa não é mencionado, mas a amizade de García Márquez com Fidel Castro, que tanto debate gerou, é abordada.

No todo, um belo e feliz tributo a um autor que parece ter tido uma vida bela. Por mais piegas que possa parecer, a impressão que tenho de García Márquez é a de que ele foi uma pessoa feliz. Gabo: a Criação de Gabriel García Márquez faz justiça a isso.