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domingo, 24 de novembro de 2013

ATÉ VOCÊ

“Com globo.com, até você fica diferente”. Sem o “até” a frase seria: “Com globo.com, você fica diferente”. Ficaria mais simpático. O “até” deixa margem para coisas do tipo “com globo.com, até você, que é tão igual a todo o resto e desinteressante, fica diferente”.

A ideia sendo vendida é essa mesma, ou seja, a ideia de que bastaria ter globo.com para que a pessoa se destacasse das demais do rebanho. Contudo, parece-me, não era intenção dos criadores da campanha serem tão explícitos, a ponto de dizerem que somos de fato um bando de desinteressantes num rebanho sem graça. Ou era? 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

COMERCIAL COM VAN DAMME

[Se você ainda não assistiu ao vídeo incorporado nesta postagem, assista-o antes de ler o texto abaixo.]

Comentários no Youtube dão conta de que havia rede de proteção entre os caminhões (o que não tira o mérito da realização), ou de que o filme teria sido feito com os veículos se locomovendo para frente, e não em marcha a ré, como parecem estar: na edição, teriam rodado o filme ao contrário, para dar a impressão de que o ator belga Jean-Claude Van Damme faz a abertura, quando, na verdade, de acordo com os que acham que o filme foi rodado ao contrário, as pernas teriam sido fechadas. Houve quem disse, também nos comentários do Youtube, que isso seria igualmente notável, alegando que o movimento de ter as pernas unidas exigiria de Van Damme mais força física ainda do que a necessária para abri-las.

Os que advogam que os caminhões estavam realmente em marcha a ré dizem que os motoristas conferem os retrovisores o tempo todo. Isso, entretanto, não prova que eles estavam de fato realizando movimento de recuo. Poderiam estar indo para a frente, com a cabeça virada para os retrovisores, mas, de esguelha, olhando para frente. Se estavam na verdade dando marcha a ré, o feito deles é admirável.

À parte quaisquer truques de edição que possam ter sido usados, é inegável o impacto que o vídeo causa. Quando o assisti pela primeira vez, não tive a impressão de algum truque de edição (mas estou ciente de que várias artimanhas podem ter sido utilizadas). Fiquei, sim, impressionado com as façanhas do ator e dos motoristas, sem falar do “susto” que levamos quando nos damos conta de que os caminhões estão em marcha a ré (ou pelo menos aparentam estar).

À parte racionalizações bobas, o barato é curtir o vídeo, que é um baita acerto dos marqueteiros contratados pela Volvo. Eu me envolvi, tendo-o assistido diversas vezes, reparando em vários detalhes. Há um astral de filmes de ação (a presença de Van Damme, é claro, intensifica isso). A sintonia e a interação entre motoristas (com seus auxiliares) e ator são impecáveis, passando a energia de um bonito trabalho em equipe; segundos que comportam anos de treinos e de experiência, a despeito de toda a tecnologia dos caminhões — o que o anúncio, afinal, quer vender. Fico pensando ainda no time dos bastidores, realizando, suponho, comunicações via rádio com os condutores e os seus ajudantes.

O enquadramento escolhido é uma aula de composição: no começo, o horizonte, com o topo dos caminhões praticamente no mesmo alinhamento em que ele está, ocupa um pouco mais de dois terços do quadro, com o Sol à esquerda, também seguindo a regra dos terços. Nos últimos dez segundos, tem-se uma relação especular em relação aos momentos iniciais. O horizonte, então, passa a ocupar o terço inferior do quadro, com o Sol à direita.

A canção de fundo é “Only time”, cantada pela Enya. Em comentários postados no Youtube, houve quem reclamou da escolha. A trilha não me incomodou, mesmo eu não sendo um fã da cantora. O diretor do comercial é Andreas Nilsson. Segundo a ficha técnica, a peça foi realizada na Espanha, no momento em que o Sol estava nascendo. Ainda de acordo com o divulgado, o filme foi rodado numa só tomada.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

"C'MON, CRAZY PEOPLE!"

Hoje foi dia de me lembrar demais da Rádio Mundial, do Rio de Janeiro, que escutei assiduamente na década de 80.

A Mundial não existe mais – hoje, é a CBN (Central Brasileira de Notícias), que tem afiliadas espalhadas pelo Brasil.

Eu me lembrei da Mundial porque consegui uma canção que escutava demais pela emissora – “Duel”, do grupo Propaganda. Consegui a versão longa, com seus dois minutos e dois segundos de introdução.

No começo, apenas teclado e bateria; depois do primeiro minuto, entra o baixo e uma discreta intervenção de guitarra; teclado e bateria continuam.

Como era bom escutar a Mundial e os sucessos da época. A primeira vez em que escutei “Papa don’t preach”, da Madonna, foi pela Mundial. A primeira vez em que escutei “The finest”, com SOS Band, foi também pela Mundial.

Na época, eu tinha aula às 7h. Antes de ir, ficava escutando a Mundial. Depois, à noite, a partir das 20h, Mundial outra vez. Só desligava quando o sono batia.

Foi lá que trabalhou o lendário Big Boy, na década de 60. Como nasci em 1970, não tive o privilégio de escutar o Big Boy enquanto ele esteve na Mundial. Mas na adolescência, eu já tinha a voz dele gravada em fita cassete (você que é jovem, pergunte para seus avós o que é isso).

O Big Boy esteve aqui em Patos de Minas. Meu pai já havia comentado isso comigo. Assim que comecei a trabalhar em rádio, uma das primeiras coisas que procurei saber foi sobre a passagem do Big Boy por aqui. José Afonso e Edson Geraldo (que morreu em setembro do ano passado) tiveram contato com ele.

José Afonso conversou informalmente com o astro da Mundial; já Edson Geraldo o entrevistou para a Rádio Clube. No Youtube, há material sobre o Big boy (caso se interesse, procure por Big Boy e/ou Rádio Mundial).

Nada como uma tarde saudosista. O Guimarães Rosa escreveu que “toda saudade é uma espécie de velhice”. Mas até a velhice pode ser embalada por música.