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segunda-feira, 13 de março de 2017

terça-feira, 11 de novembro de 2014

NA EXPECTATIVA

Diante de um soneto de Shakespeare, alguém pode se espantar por alguém gastar catorze linhas para dizer que uma pessoa é bela. Diante da “Ode à alegria”, alguém pode argumentar que são apenas notas musicais. Diante de uma partida de futebol, pode-se argumentar que são apenas vinte e dois seres humanos dando chutes numa bola.

A rigor, não há nada de errado em achar que um texto são apenas linhas, que uma música são apenas notas musicais, que uma partida de futebol trata-se tão-somente de vinte e dois seres humanos tentando fazer uma bola nascer nas redes. Sim, não há nada de errado, só que a vida precisa de doses de desatino. Loucura maior é a sanidade em tempo integral.

Não, não consigo encarar a decisão da Copa do Brasil como apenas duas partidas de futebol. Por mais que eu tente me conter, já me sinto, para dizer pouco, torcendo por algo épico. Vou assistir às partidas na expectativa de quem está diante de algo que pode ser grandioso, belo, inesquecível, retumbante.

As partidas que decidirão o torneio podem ser modorrentas ou truncadas ou feias. Mesmo assim, ainda faltando mais de vinte e quatro horas para o início da decisão, já me sinto privilegiado por ter a oportunidade de presenciar um evento como esse. É claro que posso morrer antes de o jogo começar, mas tomara que não. Tomara que eu esteja vivo. Quero, de algum modo, participar da escrita de mais essa linha da história. 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

UM LUGAR

“Como todo possuidor de uma biblioteca, Aureliano se sabia culpado de não conhecê-la até o fim”. Esse Aureliano não pertence à estirpe dos Buendía, mas à imaginação do Borges. Ademais, não importa se é Macondo, não importa se é um ponto numa casa em Buenos Aires ou se é uma calçada em Joinville. São lugares. E o que há num lugar? “O que há num nome?”. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

APONTAMENTO 171

“O que há num nome?”. O que há na Dublin de Joyce? O que há no sertão de Guimarães Rosa? O que há na Ipiranga e na São João? O que há em Yoknapatawpha? O que há em Macondo? O que há em Coromandel? O que há em você? O que há em mim?... Nada demais em nada disso. É a arte que torna encantado qualquer lugar e encantada qualquer pessoa. Sem ela, não há encanto. Nem em você nem em mim nem em nenhum lugar.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

GENTE COMO A GENTE

Erich Auerbach, crítico literário, propôs em seu “Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental”, a ideia da criaturalidade corpórea para se referir a um procedimento shakespeariano. Essa ideia é simples: se por um lado Shakespeare seguia a tradição da tragédia clássica, por outro, talvez influenciado pela “farra” que era o teatro medieval, o dramaturgo fazia com que seus heróis trágicos passassem por situações vexatórias, engraçadas. Esses momentos fazem com que o herói trágico saia de seu “pedestal” e se torne um qualquer. A diferenciação entre o cômico e o sublime é banida.

Quando leio Tom Wolfe, lembro-me do conceito de Auerbach. Em tempo e local diferentes dos de Shakespeare, Wolfe humaniza ou ridiculariza a figura de quem se dá muita importância. O autor americano insere seus personagens em situações igualmente vexatórias. Em “A fogueira das vaidades”, por exemplo, o personagem ridicularizado ou humanizado é Sherman McCoy, financista da famigerada Wall Street.

McCoy se intitula “o Senhor do Universo”: não tem ainda quarenta anos, mora na cobiçada Avenida Parque, desfila de Mercedes com a amante e consegue ganhar alguns milhões de dólares com um “simples” telefonema. Mas já nas primeiras cenas em que aparece, McCoy é mostrado tão patético quanto todos nós.

sábado, 18 de outubro de 2008

APONTAMENTO 35

Súbito, surge um texto que tem pressa de ser escrito. Apanho pedaço de papel qualquer. Para apoiá-lo, pego uma revista e começo a escrever ligeiro, afoito para jogar no papel as idéias. De repente, leve susto, suspensão; paro de escrever. Da capa da revista, Shakespeare a me decifrar.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

APONTAMENTO 22

Uma teia de intrigas no local de trabalho faz com que amigo meu se lembre de um enredo shakespeariano. Não conhecesse ele o texto de Shakespeare, obviamente não faria a comparação. O vate inglês acaba fazendo com que se compreenda melhor a vida – e vice-versa – e não necessariamente nessa ordem.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

SHAKESPEARE

Na primeira vez em que li “Macbeth”, de Shakespeare, chamou demais minha atenção o quão rápido ficamos sabendo de quem se trata Lady Macbeth logo na primeira fala dela. Bastaria a primeira intervenção da nobre para se ter um amplo e nítido retrato de sua personalidade. Não me lembro de ver na literatura uma personagem tão bem delineada e definida em tão poucas linhas. Com pensamentos voltados para o marido, reflete Lady Macbeth: (...) “Não confio em tua natureza. Está totalmente cheia do leite da ternura humana para que possa escolher o caminho mais curto. Gostarias de ser grande, pois não te falta ambição; mas falta-te o instinto do mal que deve secundá-la. (...) Vem aqui para que eu possa derramar minha coragem em teu ouvido e castigarei com a valentia de minhas palavras todos os obstáculos ao círculo de ouro com que parecem coroar-te o destino” (...).

Criador de personagens densos e convincentes, Shakespeare faz com que, páginas depois, a mesma Lady Macbeth nos dê o seguinte “conselho”: “Todas as coisas irremediáveis deveriam ser esquecidas”. (A tradução das citações é de F. Carlos de Almeida Cunha Medeiros e Oscar Mendes.)