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quarta-feira, 22 de julho de 2015

CHOVENDO DINHEIRO

Depois que o comediante Simon Brodkin, na pele de seu personagem Jason Bent, aproximou-se de Sepp Blatter, cartola da Fifa, no início de uma coletiva de imprensa, e jogou dinheiro (falso) sobre Blatter, o ainda presidente da Fifa disse que teriam de limpar o recinto antes de a conferência se iniciar, retirando o “dinheiro” que Brodkin jogara. O chefão da Fifa disse, referindo-se ao que acontecera por causa da atitude do comediante: “Isso nada tem a ver com o futebol”.

A frase de Blatter é apenas protocolar, pois o episódio tem, sim, muito a ver com o futebol. Se posteriormente tiver pensado sobre o assunto e se tiver sido sincero consigo em sua reflexão (do que duvido), Blatter admitirá que a performance de Brodkin levou ao palco o que, em essência, é o futebol.

Simon Brodkin, contundente, levou para o palco o mundo dos que comandam o futebol no mundo. Ao executar seu papel, ele, interpretando, fingindo ser Jason Bent, revelou, exatamente por intermédio desse fingimento, o... fingimento que é a Fifa, o teatro que é a Fifa. Esse é exatamente um dos poderes do teatro, um dos poderes da arte: ao fingir, escancara a realidade, descortina o que somos.

A atitude de Brodkin é circense: nada mais apropriado para o circo macabro que a Fifa se tornou. Ele joga “dinheiro” sobre Blatter: nada mais adequado para quem é o chefe de uma entidade que, em nome ganância, destruiu o espírito de verdadeiro futebol. Brodkin foi moleque, ousado, sagaz. Por essas atitudes, ele, sim, tem a ver com o futebol. Blatter e sequazes engessados é que nada têm a ver com o esporte. 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

APONTAMENTO 256

Ronaldo Fenômeno criticando a CBF. Quando a poeira baixar,  ele volta a ser amiguinho deles. 

quinta-feira, 28 de maio de 2015

(DES)APONTAMENTO 27

CBF tirou da fachada de sua sede o nome de Marín: alegaram que só um amador se deixa pegar do modo como ele se deixou. 

FIFA, CBF, GLOBO...

Depois da prisão de Marín, está sendo cogitada a possibilidade de as investigações revelarem suposta participação da Globo no esquema de corrupção dos dirigentes do futebol mundial. Não sei se sou pessimista ou se sou realista, mas bato o martelo: a gosma não vai nem respingar na Globo. 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O PLACAR DO JOGO

Hoje, o gerenciamento do futebol mundial levou um gol, marcado pela justiça. Isso prova o tipo de profissional que é responsável por esse esporte mundo afora. O jogo ainda não acabou. 

PRISÃO DE MARÍN

O FBI e a polícia suíça prenderam José Maria Marín. Eu nem sabia que eles entendiam de futebol. 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

SETE A UM

Chorei quando o Brasil perdeu para a Itália, na Copa de 82. Nasci em 1970. Eu tinha onze anos quando assisti aos três gols do Paolo Rossi. Na época, eu nada sabia de futebol. De qualquer modo, foi triste assistir àquela derrota. Terminada a partida, eu estava inconsolável.

Depois disso, cresci com a impressão de que eu nunca teria o privilégio de presenciar o Brasil ganhar uma Copa do Mundo. Quando veio o título em 94, vibrei muito. Depois, veio o de 2002. (Eu também pensava que nunca veria o Cruzeiro ser campeão brasileiro. Em 2003, eu estava no Mineirão quando da vitória sobre o Paysandu.)

Não sei o que um garoto que tem hoje onze anos vai pensar sobre o futebol quando tiver quarenta e três, idade que tenho agora. Repito-me: chorei em 82; tenho vívidas lembranças daquele time. A derrota deles foi bonita. À medida que fui crescendo, fui me inteirando das maracutaias no futebol. Fifa e CBF fizeram com que eu fosse me entusiasmando cada vez menos pela seleção.

Tanto foi assim que houve certa apatia tanto na derrota de 98 quanto na vitória de 2002. Neste 2014, no jogo de ontem, não houve apatia: fiquei pensando no fio histórico que levou à derrota no Mineirão. Todo mundo sabe que a seleção estava jogando mal; ainda assim, como estava avançando no torneio, ficava no torcedor a expectativa, ainda que pálida, por algum título.

O que ocorreu ontem é consequência do que a CBF causou ao futebol brasileiro. É a prova de que não há talento que resista à má gerência feita pela cartolagem. A derrota para a Alemanha não anula o talento que o jogador brasileiro tem. Todavia, sempre chega o momento em que não há espaço para o improviso. O esporte e a vida como um todo provam que o talento por si nada assegura.

Falar de Felipão ou de Fred é ser imediatista, mesmo tendo eles e outros sido ridículos. A seleção brasileira desta Copa é resultado da má condução do futebol brasileiro há décadas. Lembro-me de ter lido, salvo engano, em 2007, matéria numa revista em que fizeram breves perfis de brasileiros que se destacavam em suas áreas. Ricardo Teixeira era mencionado no texto da revista. 

Já nessa época, a atuação de Teixeira na CBF era contestada. Segundo a revista, mesmo assim, Teixeira não poderia deixar de ser visto como um vitorioso, pois era comandante do futebol que tem cinco Copas na história.

O erro da matéria é que o futebol brasileiro é pentacampeão não por causa de gente como Ricardo Teixeira, mas apesar de gente como Ricardo Teixeira. O futebol brasileiro é pentacampeão não por causa de pessoas como João Havelange, mas apesar dele e dos acólitos dele.

Uma derrota como a do Mineirão evidencia o modelo doente da CBF, que tem a Rede Globo como parceira e divulgadora. A emissora, travestida de falso patriotismo, sempre esteve ao lado da entidade que manda no futebol brasileiro. A emissora é acrítica, asséptica, prejudicial. Globo e CBF têm como objetivo único o lucro. Uma das mercadorias de que se valem tem vinte e dois atletas em campo.

Episódio como o ocorrido em Belo Horizonte deveria servir para que o futebol brasileiro fosse reformulado. O vexame no Mineirão é a consequência, é o auge de desmandos vergonhosos, desonestos, estritamente financistas, sem planejamento. O futebol brasileiro poderia ser outro desde ontem. Mas a CBF não vai deixar. Nem a Globo.

É claro que não há como eu saber o que se passou pelas cabeças dos alemães quando já haviam construído a goleada. A impressão com que fiquei foi a de que, em nome de uma certa nobreza ou de um certo espírito esportivo, pegaram leve no segundo tempo. Reagiram com brilho tanto no campo quanto fora dele, durante as entrevistas.

Não sei como o futebol alemão é gerenciado. Do que sei, é que temos muito a aprender, não somente com os alemães, mas com aqueles que colocam em campo um futebol que é pensado muito antes de o árbitro soar o apito para que comece a partida. Algumas derrotas são vexaminosas. A de ontem, no Mineirão, foi. Vexaminosa e merecida.

Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil, antes do jogo contra a Colômbia, escrevera que à parte o que a seleção brasileira alcançasse na Copa, o torneio já mostrava a derrota do futebol nacional. Sim, a derrota de ontem não foi a derrota de um time: ontem, toda a ganância, toda a desonestidade e todo o mau planejamento fracassaram.

Simon Kuper, do Financial Times, escreveu, antes do jogo de ontem, referindo-se ao astral do povo do Brasil, que “deveríamos engarrafar o sentimento brasileiro e reutilizá-lo na Copa da Rússia, em 2018, e no Qatar, em 2022”. Uma pena que a CBF e a Globo não estão dispostas a engarrafar um compromisso real com o futebol e trazer um comprometimento assim para cá. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A COPA É DELES

Nizan Guanaes, em forjado, interesseiro e marqueteiro ufanismo, menciona Abilio Diniz no texto “Enchendo a bola do Brasil”, publicado pela Folha de S.Paulo. Guanaes diz concordar com Diniz; de acordo com aquele, ambos são da opinião de que realizar protestos durante a Copa seria um papelão. Guanaes, publicitário que é, escreve em seu texto o “mantra” “a Copa é nossa”.

A Copa não é minha. É de gente como ele, Guanaes, que é publicitário, e que está lucrando muito com o torneio. A Copa é de gente como ele e de gente como o pessoal da Fifa. A Copa não é minha; é deles. O que é meu, se tanto, será o protesto. Não coletivo, não nas ruas, mas em um texto ou outro. 

sábado, 4 de janeiro de 2014

OS VERSOS DE PELÉ

“Espero que o Brasil abrace a oportunidade que lhe foi dada com a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. Queremos mostrar ao mundo nossos lados positivos: amor à vida, nosso espírito e um belo país. Incidentes como os que aconteceram na Copa das Confederações, quando um evento esportivo foi atrapalhado por protestos políticos, não deveriam ser permitidos de novo”.

A declaração acima é de Pelé; foi dada à revista da Fifa. Na mesma entrevista ele disse que o Chile é um dos favoritos para ser o campeão da Copa do Mundo no Brasil (sic). Sobre a brincadeira de que Pelé seria pé-frio, em 2013 uma campanha publicitária na Colômbia pedia que Pelé não mais apontasse o time colombiano como favorito; quando isso ocorreu, em 1994, a Colômbia foi eliminada na primeira fase.

Pelé foi cooptado pelos que mandam no futebol. Não sei se ele recebe por isso. Recebendo ou não, tem sido lamentável quando ele dá entrevista. O Romário, que hoje é deputado federal e já foi jogador, disse que “Pelé não tem consciência nenhuma do que está acontecendo no País”. Se não tem mesmo, isso seria mais um motivo para que ele, Pelé, ficasse calado quando o assunto fosse questões políticas e sociais.

O que levaria Pelé a ficar do lado de gente que está na Fifa e na CBF? Prefiro acreditar que ele não seja títere dos caciques que imperam no futebol; prefiro acreditar que ele não seja ingênuo a ponto de realmente acreditar que Fifa e CBF fazem bem para o País. Do que não faço ideia, é do que o levaria a dar declarações tão... sem senso de realidade. Será o dinheiro o que o leva a estar do lado das entidades que comandam o futebol? Será a vaidade?... Será que ele acha que proferir as bravatas de que é capaz significa ser patriota? Novamente, Romário: “O Pelé, calado, é um poeta”. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

ROMÁRIO x RONALDO

O jogador Ronaldo, que recebeu o epíteto de Fenômeno, criticou Romário, alegando que falta patriotismo a este, que recebeu a alcunha de Baixinho. Fora de campo, a atuação profissional daquele, até agora, não tem estado... à altura deste.

Ronaldo alega que não está levando grana por estar envolvido com aquele povo da CBF e da Fifa; o ex-jogador faz parte do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014. De acordo com Ronaldo, o fenomenal Baixinho não estaria vendo a oportunidade de crescimento para o Brasil.

Ainda que Ronaldo não esteja levando um centavo e mesmo que seu patriotismo seja genuíno, o jogador poderia, contudo, receber a pecha de pacóvio, tanto no patriotismo que diz ter quanto no apoio àquele pessoal da CBF, Fifa e Cia LTDA.

Ronaldo e Romário foram craques em campo. Fora dos gramados, todavia, Ronaldo tem pisado na bola, por se envolver com os asseclas que comandam o futebol mundo afora. Já Romário, até agora, tem tido palavra sensata e crítica contra os desmandos, intromissões e estádios superfaturados da senhora CBF e da dona Fifa.

Ronaldo pode não estar sendo sincero ao dizer que tem feito o trabalho no Comitê Organizador da Copa devido ao patriotismo que tem. Mas, se estiver, tem companhia, pois há muita gente como ele; muitos confundem apoio ingênuo e desinformado com patriotismo. Não se dão conta de que na crítica ou na reprimenda pode haver mais patriotismo do que no oba-oba pueril. 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

GOL DE ROMÁRIO

Não tenho meios de dizer se Romário (PSB-RJ), craque do futebol brasileiro, é um político honesto. Passa a impressão de que é. À parte isso, foi ótimo saber que ele não poupou Ricardo Teixeira, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), e Jerôme Valcke, secretário-geral da Fifa, ao abordá-los em encontro para discussão da Lei Geral para a Copa do Mundo de 2014.

Teixeira é desafeto de Romário. Ao colocar contra a parede o comandante do futebol brasileiro, não é possível saber até que ponto Romário estava motivado por causas estritamente pessoais ou até que ponto estava efetivamente defendo o interesse público. À parte isso, se encantoou Teixeira, deve ter sido por estar plenamente convicto de que este não tem cartas na manga que possam descreditar a imagem de Romário.

Não estou aqui fazendo uma espécie de propaganda política para o deputado, e ainda que estivesse, tal propaganda seria inócua. Contudo, a atuação de Romário foi a que todo político genuíno deveria ter em tais situações, partindo-se do simples princípio de que, a rigor, o político está ali para defender o povo, não para, às custas desse mesmo povo, locupletar-se.

Romário perguntou a Teixeira sobre acordo na Justiça suíça; a questão envolvia dirigentes da Fifa que teriam recebido suborno e posteriormente devolvido o dinheiro para que seus nomes não fossem divulgados. Romário disparou: “Se o senhor for um deles, renuncia à presidência da CBF?”. Teixeira não respondeu, socorrido por Renan Filho (PMDB-AL), para quem havia a necessidade de falarem somente da Lei Geral para a Copa.

Para Valcke, perguntou: “Como ter como parceiro uma pessoa tão suspeita?”. E continuou acuando o funcionário da Fifa: “Tenho uma carta do seu presidente, Joseph Blatter, que chama o senhor de chantagista”. Valcke disse que “não entrariam [supostamente ele e Teixeira] em uma discussão com um ídolo do futebol como Romário”, segundo o UOL.

Por colegas, Romário foi acusado de tumultuar a sessão. Essa atitude me soou a puxa-saquismo, subserviência e interesses particulares sendo defendidos. Mas o deputado Romário não poupou os pares: “Eu sou novo aqui e não quero citar ninguém. Mas eu não recebo dinheiro de Fifa, CBF nem da AmBev. Só quero dizer isso”.

Romário está simplesmente cumprindo com sua obrigação. Mas em função dos terríveis descaso e omissão de boa parte dos políticos, é preciso, vejam só, lembrar que de vez em quando algum deles ainda cumpre seu papel, que é o de fazer justiça aos votos que tiveram.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

ELAS EXISTEM

Jogos como o de ontem entre Santos e Flamengo são tão bons que a gente até se esquece de que coisas como Fifa e CBF existem. Mas que elas existem, elas existem.

quinta-feira, 3 de março de 2011

BOLA MURCHA

Já escutei nos meios de comunicação que a Fifa não deixa que se insira um chip na bola porque isso acabaria com o ingrediente emoção no futebol.

O chip terminaria com com aquelas discussões sobre se a bola passou totalmente ou não pela linha do gol. Não sei se o argumento da Fifa é esse mesmo, mas, se for, é um argumento bobo.

O futebol é emocionante não porque, de vez em quando, fica-se em dúvida se a bola entrou. Isso é exceção. O saber com certeza se uma bola entrou não eliminaria as defesas incríveis nem os golaços nem as bolas na trave nem os lances fabulosos nem as catimbas nem as zebras loucas.

O futebol não perderia sua dimensão humana por causa do chip. Ele eliminaria um pedaço da conversa no botequim, mas não acabaria com as demais outras e inúmeras possibilidades e metáforas que o futebol pode oferecer. Por fim, o chip traria um senso de justiça ou de mérito, ao dizimar dúvida se houve gol ou não.