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sábado, 11 de junho de 2016

Marília Gabriela no Facebook

Há pessoas que imprimem charme e elegância em tudo o que fazem. A rigor, há pessoas que são charme e elegância. Às vezes, charme, elegância e sensualidade. Essas coisas que ou se tem ou não se tem. É em vão de um momento para outro a pessoa dizer para si mesma “a partir de agora tenho sensualidade”, “a partir de agora sou uma pessoa carismática”. Não que eu duvide do poder do ser humano em modificar a si mesmo; esse poder existe.

Em contrapartida, há coisas que são naturais, natas, espontâneas; coisas que fluem, sem que a pessoa tenha de premeditar como será o próximo gesto, que inflexão dará à voz. Quando a pessoa tenta criar em si algo que não está, pelo menos, latente nela, o esforço é descomunal, a graça e a espontaneidade vão embora, o labor se torna penoso, cansativo. Melhorar aquilo em que temos facilidade já é trabalhoso o bastante. Em vez de passar o tempo tentando burilar o que é recalcitrante, mais prazeroso e compensador é lapidar o que em nós flui.

Tudo isso é para dizer que a Marília Gabriela é uma dessas pessoas que exalam charme, elegância e sensualidade em tudo o que fazem. É uma dessas pessoas que não erram no tom, seja pelo profissionalismo que têm, seja pelo talento imenso. Com a página dela aqui no Facebook não seria diferente. Tudo tem a “cara” dela, a elegância se mostra no cuidado com a estética, com as palavras.

Hoje em dia, isso não está ligado só a dinheiro. Se a pessoa não tem esse cuidado, se não tem esse capricho, não há nem dinheiro nem profusão de recursos técnicos que resolvam desinteresse, desleixo, falta de esmero ou de talento. Com um equipamento razoável são possíveis produções de extremo bom gosto. A popularização da tecnologia ampliou a possibilidade de produções caprichadas que podem ser feitas mesmo quando não se está nos grandes centros.

Se por um lado é verdade que uma pessoa como Marília Gabriela tem acesso aos melhores recursos e aos melhores profissionais, por outro, nada disso reverberaria no que ela exibe não fosse algo de sofisticado, bonito e talentoso que ela tem em si, mesmo antes de ter tido acesso a recursos tecnológicos. A página dela no Facebook é esta. 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

ENTREVISTA COM O PADRE FÁBIO DE MELO

Não é preciso ser gênio para saber que as crenças podem levar as pessoas a atos bem distantes do que poderia se supor como bem-aventurança, paz ou algo parecido. Em nome de alguma coisa que dizem ser divina, barbáries foram e são realizadas, tanto no ocidente quanto no oriente.

O elogio que farei nesta postagem não tem a intenção de fazer proselitismo. O objetivo é apenas ressaltar que a religião causa em alguns o que deveria causar em todos os que se dizem religiosos: a ponderação, o amor pelo conhecimento, a sensatez. Foi a impressão que tive quando, ontem, assisti a uma entrevista concedida pelo padre Fábio de Melo a Marília Gabriela.

Eu sabia que ele é padre e sabia que ele havia gravado uma participação no CD “Na medida do impossível”, da Fernanda Takai, cantando “Amar como Jesus amou”. Essas eram as únicas coisas que eu sabia dele. Ontem, assistindo ao Marília Gabriela Entrevista, conferi um sujeito que estava, é claro, defendendo os interesses católicos, mas fazendo isso com ponderação e com bom senso.

Quando perguntado, por exemplo, sobre a laicidade do Estado, ele disse ser a favor dela. Argumentou: ainda que o Estado venha, por exemplo, a legalizar o aborto, o papel dele como padre e o papel da instituição que ele representa é o de ser contra a prática. Num outro trecho da entrevista, fez questão de dizer que muito do que a igreja dele prega é voltado para os fiéis católicos, não para os que professam outra crença. Também não descartou a possibilidade de o catolicismo vir a tentar maior representatividade na Câmara dos Deputados.

Carismático, talentoso, relativamente jovem (quarenta e quatro anos). É cantor, escritor, compositor; está presente nas redes sociais. Em seu trabalho como cantor, interage com artistas que são conhecidos não por alguma ligação com o catolicismo — casos, por exemplo, de Elba Ramalho e de Zeca Pagodinho. A igreja católica não dá ponto sem nó.