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quarta-feira, 9 de julho de 2014

SETE A UM

Chorei quando o Brasil perdeu para a Itália, na Copa de 82. Nasci em 1970. Eu tinha onze anos quando assisti aos três gols do Paolo Rossi. Na época, eu nada sabia de futebol. De qualquer modo, foi triste assistir àquela derrota. Terminada a partida, eu estava inconsolável.

Depois disso, cresci com a impressão de que eu nunca teria o privilégio de presenciar o Brasil ganhar uma Copa do Mundo. Quando veio o título em 94, vibrei muito. Depois, veio o de 2002. (Eu também pensava que nunca veria o Cruzeiro ser campeão brasileiro. Em 2003, eu estava no Mineirão quando da vitória sobre o Paysandu.)

Não sei o que um garoto que tem hoje onze anos vai pensar sobre o futebol quando tiver quarenta e três, idade que tenho agora. Repito-me: chorei em 82; tenho vívidas lembranças daquele time. A derrota deles foi bonita. À medida que fui crescendo, fui me inteirando das maracutaias no futebol. Fifa e CBF fizeram com que eu fosse me entusiasmando cada vez menos pela seleção.

Tanto foi assim que houve certa apatia tanto na derrota de 98 quanto na vitória de 2002. Neste 2014, no jogo de ontem, não houve apatia: fiquei pensando no fio histórico que levou à derrota no Mineirão. Todo mundo sabe que a seleção estava jogando mal; ainda assim, como estava avançando no torneio, ficava no torcedor a expectativa, ainda que pálida, por algum título.

O que ocorreu ontem é consequência do que a CBF causou ao futebol brasileiro. É a prova de que não há talento que resista à má gerência feita pela cartolagem. A derrota para a Alemanha não anula o talento que o jogador brasileiro tem. Todavia, sempre chega o momento em que não há espaço para o improviso. O esporte e a vida como um todo provam que o talento por si nada assegura.

Falar de Felipão ou de Fred é ser imediatista, mesmo tendo eles e outros sido ridículos. A seleção brasileira desta Copa é resultado da má condução do futebol brasileiro há décadas. Lembro-me de ter lido, salvo engano, em 2007, matéria numa revista em que fizeram breves perfis de brasileiros que se destacavam em suas áreas. Ricardo Teixeira era mencionado no texto da revista. 

Já nessa época, a atuação de Teixeira na CBF era contestada. Segundo a revista, mesmo assim, Teixeira não poderia deixar de ser visto como um vitorioso, pois era comandante do futebol que tem cinco Copas na história.

O erro da matéria é que o futebol brasileiro é pentacampeão não por causa de gente como Ricardo Teixeira, mas apesar de gente como Ricardo Teixeira. O futebol brasileiro é pentacampeão não por causa de pessoas como João Havelange, mas apesar dele e dos acólitos dele.

Uma derrota como a do Mineirão evidencia o modelo doente da CBF, que tem a Rede Globo como parceira e divulgadora. A emissora, travestida de falso patriotismo, sempre esteve ao lado da entidade que manda no futebol brasileiro. A emissora é acrítica, asséptica, prejudicial. Globo e CBF têm como objetivo único o lucro. Uma das mercadorias de que se valem tem vinte e dois atletas em campo.

Episódio como o ocorrido em Belo Horizonte deveria servir para que o futebol brasileiro fosse reformulado. O vexame no Mineirão é a consequência, é o auge de desmandos vergonhosos, desonestos, estritamente financistas, sem planejamento. O futebol brasileiro poderia ser outro desde ontem. Mas a CBF não vai deixar. Nem a Globo.

É claro que não há como eu saber o que se passou pelas cabeças dos alemães quando já haviam construído a goleada. A impressão com que fiquei foi a de que, em nome de uma certa nobreza ou de um certo espírito esportivo, pegaram leve no segundo tempo. Reagiram com brilho tanto no campo quanto fora dele, durante as entrevistas.

Não sei como o futebol alemão é gerenciado. Do que sei, é que temos muito a aprender, não somente com os alemães, mas com aqueles que colocam em campo um futebol que é pensado muito antes de o árbitro soar o apito para que comece a partida. Algumas derrotas são vexaminosas. A de ontem, no Mineirão, foi. Vexaminosa e merecida.

Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil, antes do jogo contra a Colômbia, escrevera que à parte o que a seleção brasileira alcançasse na Copa, o torneio já mostrava a derrota do futebol nacional. Sim, a derrota de ontem não foi a derrota de um time: ontem, toda a ganância, toda a desonestidade e todo o mau planejamento fracassaram.

Simon Kuper, do Financial Times, escreveu, antes do jogo de ontem, referindo-se ao astral do povo do Brasil, que “deveríamos engarrafar o sentimento brasileiro e reutilizá-lo na Copa da Rússia, em 2018, e no Qatar, em 2022”. Uma pena que a CBF e a Globo não estão dispostas a engarrafar um compromisso real com o futebol e trazer um comprometimento assim para cá. 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

PELÉ E RONALDO NUM MESMO TIME

Desde o anúncio da Copa aqui no Brasil, primeiro, foi Pelé, que vem dizendo bravatas reveladoras de quem está mal-informado ou está interessado no próprio bolso (ou as duas coisas). Mais recentemente, Ronaldo, que tem destilado bravatas de quem está interessado no próprio bolso ou está mal-informado (ou as duas coisas). 

Em 2009, Ronaldo disse que não se relacionaria com Ricardo Teixeira; na ocasião, o ex-jogador disse que Teixeira era uma pessoa de “duplo caráter”. Já em 2012, Ronaldo, referindo-se a Teixeira, disse: “Ele é meu amigo e estou com ele no que precisar”. Depois, Teixeira ver-se-ia obrigado a renunciar à CBF.

Obviamente, não é minha intenção neste texto fazer um daqueles rançosos discursos de quem é contra as pessoas ganharem dinheiro. A riqueza deles não me incomoda, e não vejo problema caso queiram aumentar a fortuna que já têm. O que desaprovo são os esquemas de que se valem. Por fim, nem todo jogador é um Tostão, que soube tratar bem a bola e sabe tratar bem a inteligência do leitor. 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

CLÃ

Neta de João Havelange, filha de Ricardo Teixeira. A moça vem de estirpe “nobre”. O que tinha para ser dito já foi, Joana. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

MAS QUE BÓSNIA!

A maior prova de que torço pelo Brasil é que achei muito bom o time brasileiro jogar hoje (28/2) uma partidinha medíocre contra a Bósnia. Há muito que a seleção é o esquemão da CBF, que por sua vez é o esquemão de Ricardo Teixeira. Como sou contra Teixeira e sou a favor do Brasil, torço para que o esquemão do cartola se dê mal. Pode parecer um paradoxo, mas, como cidadão, torcer para o Brasil implica torcer para que a chamada seleção brasileira (que na verdade é a seleção da CBF) se dê mal.

O Brasil já perdeu uma Copa no Maracanã. Que perca outra. Com gol de Messi. Sim, de Messi. Isso seria o fim perfeito para as ingerências, desmandos e maracutaias de Teixeira. Seria a consequência merecida e radical de décadas de irresponsabilidade e jogos de interesse de Teixeira e asseclas. O improviso não resolve situações em que devem estar em campo o planejamento e a paixão. Aquilo que jogou hoje lá na Suíça não tem uma coisa nem outra.

Gosto muito de futebol. Mas, antes disso, gosto de meu País, sem bairrismos tolos. Por querer o bem de meu País, o que é a rigor querer o bem para a gente do País, é que sou contra a realização da Copa aqui. Que o esquema bolado por Teixeira seja um fiasco no torneio. Ainda que ele não esteja mais na CBF quando da realização do Mundial, estarão por lá seus vassalos. Se Teixeira e quadrilha saírem vitoriosos em 2014, os derrotados, mais uma vez, seremos nós.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

GOL DE ROMÁRIO

Não tenho meios de dizer se Romário (PSB-RJ), craque do futebol brasileiro, é um político honesto. Passa a impressão de que é. À parte isso, foi ótimo saber que ele não poupou Ricardo Teixeira, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), e Jerôme Valcke, secretário-geral da Fifa, ao abordá-los em encontro para discussão da Lei Geral para a Copa do Mundo de 2014.

Teixeira é desafeto de Romário. Ao colocar contra a parede o comandante do futebol brasileiro, não é possível saber até que ponto Romário estava motivado por causas estritamente pessoais ou até que ponto estava efetivamente defendo o interesse público. À parte isso, se encantoou Teixeira, deve ter sido por estar plenamente convicto de que este não tem cartas na manga que possam descreditar a imagem de Romário.

Não estou aqui fazendo uma espécie de propaganda política para o deputado, e ainda que estivesse, tal propaganda seria inócua. Contudo, a atuação de Romário foi a que todo político genuíno deveria ter em tais situações, partindo-se do simples princípio de que, a rigor, o político está ali para defender o povo, não para, às custas desse mesmo povo, locupletar-se.

Romário perguntou a Teixeira sobre acordo na Justiça suíça; a questão envolvia dirigentes da Fifa que teriam recebido suborno e posteriormente devolvido o dinheiro para que seus nomes não fossem divulgados. Romário disparou: “Se o senhor for um deles, renuncia à presidência da CBF?”. Teixeira não respondeu, socorrido por Renan Filho (PMDB-AL), para quem havia a necessidade de falarem somente da Lei Geral para a Copa.

Para Valcke, perguntou: “Como ter como parceiro uma pessoa tão suspeita?”. E continuou acuando o funcionário da Fifa: “Tenho uma carta do seu presidente, Joseph Blatter, que chama o senhor de chantagista”. Valcke disse que “não entrariam [supostamente ele e Teixeira] em uma discussão com um ídolo do futebol como Romário”, segundo o UOL.

Por colegas, Romário foi acusado de tumultuar a sessão. Essa atitude me soou a puxa-saquismo, subserviência e interesses particulares sendo defendidos. Mas o deputado Romário não poupou os pares: “Eu sou novo aqui e não quero citar ninguém. Mas eu não recebo dinheiro de Fifa, CBF nem da AmBev. Só quero dizer isso”.

Romário está simplesmente cumprindo com sua obrigação. Mas em função dos terríveis descaso e omissão de boa parte dos políticos, é preciso, vejam só, lembrar que de vez em quando algum deles ainda cumpre seu papel, que é o de fazer justiça aos votos que tiveram.

domingo, 31 de julho de 2011

GOVERNO E CBF

É salutar e revelador saber como o mesmo fato é noticiado, manipulado e mostrado por diferentes fontes. Hoje, no sítio da CBF, há a manchete “Ricardo Teixeira e presidente Dilma Rousseff”. Abaixo da manchete e acima de uma foto, está escrito: “Presidente da CBF se reuniu com a presidente Dilma Rousseff antes do Sorteio Preliminar da Copa do Mundo de 2014”. No texto da notícia, diz ainda a CBF: “A presidente da República Dilma Rousseff tomou a iniciativa do encontro com o presidente da FIFA Joseph Blatter e o presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo da FIFA Ricardo Teixeira”.

O UOL deu a seguinte manchete: “Com Ricardo Teixeira vetado, Dilma recebe celebridades e jogadores no camarote”. Na matéria, o portal escreveu: “De acordo com o estafe de Dilma Rousseff, a presidente teve um relacionamento apenas protocolar com Ricardo Teixeira no sorteio das eliminatórias da Copa de 2014. A informação é que o dirigente não foi recebido na área reservada a ela na Marina da Glória. E que, portanto, os dois não conversaram reservadamente nem se reuniram”.

O sítio da presidência traz duas fotos por demais sintomáticas – e que confirmam o divulgado no UOL. Escreveu esse portal: “Por sua vez, o www.presidencia.gov.br mostra o mesmo momento apresentado pela confederação em duas fotos. Na imagem mais aberta, além do quarteto, aparecem várias autoridades. Fica claro se tratar de uma solenidade formal em que Blatter entregou uma flâmula da Fifa.

“Foi na chegada dela à marina. Há também a mesma foto com uma edição que corta Ricardo Teixeira”.

Abaixo, foto divulgada pela CBF:


A seguir, foto divulgada pela presidência:


Por fim, outra imagem divulgada pela presidência:


As fotos corroboram a ideia de que Ricardo Teixeira quis passar a impressão de que tudo está bem entre ele e o governo federal. Este, por sua vez, não quis associar a imagem de Rousseff à de Teixeira, ainda que dinheiro público, com o aval do governo, esteja sendo usado nas obras para a Copa.

Não que eu confie totalmente no UOL ou na página do governo, mas, nesse caso, a versão menos confiável me parece ser mesmo a Teixeira – o que, a rigor, não surpreende.

(Quanto aos créditos das fotos, o sítio da CBF, como pode ser verificado acima, atribui a autoria da foto a Ricardo Stuckert. Já a página da presidência atribui as imagens a Roberto Stuckert Filho. Não sei se houve um engano por parte da CBF ou se havia no evento dois fotógrafos com a mesma assinatura.)

Finalmente, vale o registro de que, segundo o blogue de Juca Kfouri, até o Jornal Nacional noticiou uma manifestação de 700 pessoas contra a administração de Ricardo Teixeira. Não assisti à matéria na Globo, mas se ela chegou a noticiar algo contra Teixeira, pode ser que o cacique da CBF fraqueje. Afinal, foi ele mesmo quem disse que só passaria a se preocupar com o dizem contra ele quando isso fosse noticiado no Jornal Nacional...