terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

MAS QUE BÓSNIA!

A maior prova de que torço pelo Brasil é que achei muito bom o time brasileiro jogar hoje (28/2) uma partidinha medíocre contra a Bósnia. Há muito que a seleção é o esquemão da CBF, que por sua vez é o esquemão de Ricardo Teixeira. Como sou contra Teixeira e sou a favor do Brasil, torço para que o esquemão do cartola se dê mal. Pode parecer um paradoxo, mas, como cidadão, torcer para o Brasil implica torcer para que a chamada seleção brasileira (que na verdade é a seleção da CBF) se dê mal.

O Brasil já perdeu uma Copa no Maracanã. Que perca outra. Com gol de Messi. Sim, de Messi. Isso seria o fim perfeito para as ingerências, desmandos e maracutaias de Teixeira. Seria a consequência merecida e radical de décadas de irresponsabilidade e jogos de interesse de Teixeira e asseclas. O improviso não resolve situações em que devem estar em campo o planejamento e a paixão. Aquilo que jogou hoje lá na Suíça não tem uma coisa nem outra.

Gosto muito de futebol. Mas, antes disso, gosto de meu País, sem bairrismos tolos. Por querer o bem de meu País, o que é a rigor querer o bem para a gente do País, é que sou contra a realização da Copa aqui. Que o esquema bolado por Teixeira seja um fiasco no torneio. Ainda que ele não esteja mais na CBF quando da realização do Mundial, estarão por lá seus vassalos. Se Teixeira e quadrilha saírem vitoriosos em 2014, os derrotados, mais uma vez, seremos nós.

FOTOPOEMA 230

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SECRETARIAT

Logo na abertura do filme Secretariat (EUA, 2010), do diretor Randall Wallace, torci o nariz, quando vi que era uma produção da Disney: pensei que assistiria a algo piegas e politicamente correto demais, mesmo ciente de que o filme se baseia numa história real.

Se por um lado o filme tem o bom-mocismo da Disney, por outro, havia uma grande história para ser contada, e o filme não fez feio ao contá-la. Além do mais, a produção confirma que os americanos têm, há muito, o domínio de como contar as belas histórias que o esporte pode gerar.

Secretariat foi um cavalo que nasceu no dia trinta de março de 1970. Morreu no dia 4 de outubro de 1989. Deram-lhe uma injeção letal para livrá-lo de uma doença que lhe causava dores no casco.

Na era da televisão, Secretariat foi o primeiro cavalo a ganhar a chamada tríplice coroa no turfe americano. Tornou-se tão popular nos EUA que foi capa das revistas Time, Newsweek e Sports Illustrated. Seu recorde de dois minutos e vinte e quatro segundos para correr uma milha e meia ainda não foi superado (uma milha equivale a 1,61 quilômetro) no tipo de pista em que ele então competiu. A corrida foi em 1973.

O elenco de Secretariat é de primeira: Diane Lane faz Penny Chenery, a dona do cavalo, um dos bens herdados após a morte do pai; John Malkovich faz Lucien Laurin, o treinador; e Otto Thorwarth, Ronnie Turcotte, o jóquei.

No dia 13 de julho de 1978 a carreira de Turcotte terminaria, depois que ele se acidentou numa corrida (ele não montava Secretariat na ocasião). Devido à queda, ficou paraplégico. Vive com as quatro filhas e a esposa. Laurin morreu em 2000; Chenery é viva. 

Para mais informações, há o sítio secretariat.com. No Youtube, há entrevistas  e o vídeo da lendária corrida de 1973. Ron Flatter, da ESPN, num belo texto, foi preciso ao relatar o poder de Secretariat e a distância que o separava do oponente: “Era tão grande, que até a mais extensa grande-angular da CBS (...) mal podia mostrar Secretariat e o segundo colocado, Twice A Prince, num mesmo quadro”.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

LUIZ SALGADO GRAVANDO SEU TERCEIRO CD

Luiz Salgado, já entrevistado no Caiu na Rede, está gravando seu terceiro CD, “Navegantes”, em parceria com a Escola Navegantes, de Uberlândia. No repertório, músicas infantis.

A seguir, uma mostra do que será o CD, a faixa “Mundaréu no papel”. A ficha técnica é:

Luiz Salgado: violão e voz
Carlin de Almeida:voz
Lilian Fulô: percussão
Piano e bateria: Lucas Roza
Baixo: Xande Tannús
Sanfona: Christiano Rodrigues

APONTAMENTO 130

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

PARA NILDA REGINA

Sempre tive o privilégio de ter tido, desde o primário, excelentes professores. Assim foi até a faculdade. Assim tem sido. Sempre tive fascínio por professores. A inteligência deles me espantava. O encantamento por eles não diminui.

Não digo que foi isso o que tenha me levado a ser um professor. Eu não pensava em lecionar. Foi algo que ocorreu em função das circunstâncias: aos onze anos, comecei a estudar numa escola de inglês. Quando a Doris Coury, a dona da escola, disse que eu ainda daria aulas para ela, não levei a sério (meu pai levou). Aos dezessete, comecei de fato a lecionar na escola.

Para quem até então havia trabalhado numa fábrica de farinha e numa padaria, a perspectiva de começar a dar aulas numa escola de inglês era animadora – em função do melhor salário. Também me animei porque eu teria de ir a Carmo do Paranaíba duas vezes por semana para lecionar. Eu não conhecia a cidade até então.

Joyce teria dito: “Nunca conheci um chato”. Digo que nunca fui a um lugar ruim. Em Carmo do Paranaíba, não foi diferente. Ademais, foi lá que comecei algo que eu desejava desde os treze ou quatorze anos: trabalhar numa estação de rádio. Graças ao Evandro Fontes, que na época era locutor em Carmo, comecei no rádio.

Trabalhar em rádio foi algo com que sonhei. Dar aulas foi algo que aconteceu sem que eu planejasse. Por um bom tempo, exerci as duas atividades. Hoje, apenas leciono, embora, para matar saudade do rádio, gravo mais ou menos semanalmente, o Caiu na Rede, programa musical que apresento em meu blogue.

Tive professores geniais. Uma das quais não me esqueço é a Nilda Regina, que lecionava português no Polivalente, onde estudei da quinta série ao quarto ano do segundo grau (curso técnico em Edificações). Nilda era famosa entre os alunos pela beleza, pelo porte, pela elegância e por ser a esposa do diretor, o Fernando. Não me lembro por quanto tempo ela foi minha professora, mas há duas aulas dela de que nunca me esqueci – sendo que numa delas eu não estava presente...

Acho que foi no primeiro ano do antigo segundo grau (hoje chamado de ensino médio). Não sei se era para um dever de casa da Nilda ou de uma outra pessoa. Do que me lembro, é de ter desenhado, numa cartolina, um triângulo. Dentro dele, esbocei o mapa do Brasil. O título que dei para a patuscada foi Triângulo das Bermudas. Para arrematar, escrevi um ingênuo poema em que eu dizia que se o Brasil estava ruim, a culpa não era de minha geração, mas das que tinham vindo anteriormente.

Tudo não passava de simploriedade e arroubo juvenil. No dia em que o cartaz foi exposto, não fui à aula (não me lembro do motivo da ausência). Posteriormente, o Aldo Fernandes, que na época era meu colega de sala, disse que a Nilda, depois de ler o que eu havia feito, comentou que a geração dela havia, sim, tentado fazer do Brasil um país melhor. Segundo o Aldo, ela chegou a mencionar a juventude dela durante o período militar. Essa é umas das aulas da Nilda de que nunca me esqueci.

A outra aula dela que nunca esqueço (nessa eu estava presente) foi uma em que, no começo do horário, a Nilda afixou no quadro dois cartazes: num deles havia pelo menos o trecho inicial de “Luz do sol”, do Caetano: “Luz do sol / Que a folha traga e traduz / Em verde novo / Em folha, em graça / Em vida, em força, em luz” (não me lembro se havia a letra toda no cartaz).

No outro, havia um esquema em que era mostrado o processo químico da fotossíntese; havia uma explicação de como essa ocorria, com setas que partiam do Sol até chegar à Terra, passando pelas plantas e por tudo o que compõe o ciclo da fotossíntese. A Nilda comentou algo do tipo: os dois cartazes eram dois discursos diferentes que abordavam o mesmo fenômeno.

Desde criança, eu sempre tivera deslumbramento pela versatilidade, por tudo o que é eclético. Depois de adulto, obviamente eu entenderia que, infelizmente, nossa época, tão inexoravelmente dada a especialidades, não nos permite exercer com igual dedicação o ecletismo que possamos ter, mas tal pensamento nunca me abandou. Mesmo hoje, a diversidade de afazeres me atrai.

A Nilda resumiu naqueles dois cartazes o que era meu pensamento, mesmo não sendo eu capaz de, na época, compreendê-lo com exatidão ou verbalizá-lo. Os dois cartazes que ela afixou no quadro eram a junção de arte e ciência, que eram (e, confesso, ainda são) o meu ideal. Enquanto ela ia falando, eu me maravilhava.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

CAIU NA REDE (92)


Pessoas, está no ar a edição 92 do Caiu na Rede.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

FOTOPOEMA 221

OUVIDO RUIM (2)

Anteriormente, já mencionei que tenho o ouvido ruim. Agora, mais uma para a série das letras escutadas incorretamente: há pouco, voltando do trabalho, liguei o rádio do carro. Pouco depois, o locutor anunciou “Seguindo no trem azul”, aquele sucesso do Roupa Nova.

Mesmo conhecendo bem a canção, decidi prestar atenção na letra, sem saber o real motivo de eu ter tomado essa atitude. Enquanto escutava, eu me dei conta de que até hoje eu entendia incorretamente o que é cantado.

No trecho “luar do meu sertão / Seguindo no trem azul” eu entendia no ar do meu sertão / Seguindo no trem azul. Pouco depois, o trecho “até nascer o sol / Seguindo no trem azul”. Até há pouco, eu pensava que era até na sedução / Seguindo  no trem azul...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

MORRE WISŁAWA SZYMBORSKA

Meus amigos e as pessoas que frequentam este blogue sabem do apreço que tenho pela poeta polonesa Wisława Szymborska. Somente hoje, enquanto eu percorria a página cultural do jornal El País, é que fiquei sabendo que Szymborska morreu ontem (primeiro de fevereiro), aos 88 anos.

Perdemos uma escritora lúcida, com elegantes senso de humor e ironia. Seus poemas são curtos, sua obra inteira de poesia cabe num livro não muito volumoso. Ela prima pela qualidade.

Lembro-me do primeiro poema dela que li. A partir daí, eu me interessei. De imediato, eu quis saber mais da autora. Abaixo, o poema, na tradução de Regina Przybycien.
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Wisława Szymborska - Vietnã

Mulher, como você se chama? – Não sei.
Quando você nasceu, de onde você vem? – Não sei.
Para que cavou um toca na terra? – Não sei.
Desde quando está aqui escondida? – Não sei.
Por que mordeu o meu dedo anular? – Não sei.
Não sabe que não vamos te fazer nenhum mal? – Não sei.
De que lado você está? – Não sei.
É a guerra, você tem que escolher. – Não sei.
Tua aldeia ainda existe? – Não sei.
Esses são teus filhos? – São.