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sexta-feira, 24 de maio de 2013

ASSOVIANDO

Da série cultura inútil (algo em que sou especialista). Algumas músicas com assovio no arranjo:

• Angus Stone — Wooden chair

• The Silencers — Bulletproof heart (pelo menos acho que é um assovio mesmo, mas não me espantaria caso seja um teclado)

• John Lennon — Jealous guy

• Scorpions  Wind of change

• Guns and Roses — Patience

• Maroon 5 — Moves like Jagger

• Bob Sinclair — Love generation

• The Bangles — Walk like an Egyptian

• Bruno Marz — The lazy song

• Mike + the Mechanics - Over my shoulder (contribuição da leitora Chris)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

TRADUÇÃO DE "ONE INCH OF HEAVEN"

Hellen Dirley, a quem agradeço por frequentemente conferir este blogue, escutou a mais recente versão do Caiu na Rede, em que faço comentário sobre a canção “One inch of heaven”, do grupo The Silencers. Ela pediu então a tradução da letra. Tanto o original quanto a tradução, a qual fiz, estão abaixo.

Sempre gostei da canção. Gosto tanto, que usei o trecho “there’s a rock/ in my heart/that can’t be broken” como epígrafe de meu segundo livro, Leve poesia, lançado em 2003.

Vejo a letra como relatando um sentimento que não tem pressa; sentimento de quem já perdeu o ímpeto juvenil, mas que justamente por isso é maduro, convincente. Não há o desajeito da juventude, mas a constatação de algo novo que merece ser vivenciado – não com ingenuidade, mas com sereno entusiasmo.

O próprio arranjo da canção está em sintonia com essa atmosfera terna e madura que vejo. Não há pressa para começar (a introdução é longa), não há pressa para acabar (os mais de sete minutos da música não estão em sintonia com o formato pop das FMs).

A canção fez algum sucesso. Foi trilha sonora de uma novela da Globo, chamada “Vamp”. Eu gostava de tocar “One inch of heaven” no tempo em que trabalhei em rádio. No LP da novela, cortaram metade da canção. Eu pensava que o original tinha os tais três minutos e meio ou quatro das tradicionais canções radiofônicas. Quando escutei a versão integral, o prazer foi, literalmente, maior.

O original da canção é do CD “A night of electric silence”, de 2001. Desse trabalho, a faixa “The real McCoy, parece-me, foi a mais executada.
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The Silencers – One Inch of Heaven (J.O’Neill/Burns)

I was in love with the
Thought of perfection
Yes my world was just a
Skyscraper of dreams
Then I was crushed
To the floor
By a feeling
So strong
So strange
I had to scream
There’s a rock
In my heart
That can’t be broken
Now there’s
One inch of heaven
That is open for me
As I walk down a vacant street
With rain in my eyes
Call across the coal dark water
Waiting to see
Waiting to see
The sunrise

I was the King
Of the cynical line
Nothing was too dark
Or too cruel
Now I believe that there’s
Something worth trying for
Lover since you’ve chosen
This poor fool
There’s a rock in my heart
That can’t be broken
Now there’s one inch of heaven
That is open for me
As I walk down Jamaica Street
With rain in my eyes
Call across the coal dark water
Waiting to see
Waiting to see
The sunrise

Funny how you wake up
And start to see
Something in your eyes
Made a new man of me
Where would I be
Where would I be
There’s a rock in my heart
That can’t be broken
Now there’s one inch of heaven
That is open for me
As I walk down Jamaica Street
With rain in my eyes
Call across the coal dark water
Waiting to see
Waiting to see
The sunrise

Oh you know
There’s just no way of knowing
I’m walking down the street
And I just don’t know
Where I’m going
Out to the river
River flowing to the sea
Big black river
Rolling on out to the sea
Coal dark river
Washing away
Mirror
Mystery river
There’s no reason for me
To go home
There’s no reason for me
To go home
Go home

There’s a rock in my heart
That can’t be broken
Now there’s one inch of heaven
That is open for me

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The Silencers – Um pedacinho do paraíso (J.O’Neill/Burns)

Eu estava apaixonado pela
Ideia da perfeição
Sim, meu mundo era simplesmente um
Arranha-céu de sonhos
Então fui esmagado
No chão
Por um sentimento
Tão forte
Tão estranho
Que tive de gritar
Há uma rocha
Em meu coração
Que não pode ser quebrada
Agora, há
Um pedacinho do paraíso
Que está aberto pra mim
Enquanto desço uma rua deserta
Com chuva em meus olhos
Chamo através da água bem escura
Esperando pra ver
Esperando pra ver
O nascer do Sol

Eu era o rei
Da atitude cínica
Nada era negro demais
Ou cruel demais
Agora, acredito que há
Algo que vale a pena tentar
Amante desde que você escolheu
Este pobre tolo
Há uma rocha em meu coração
Que não pode ser quebrada
Agora, há um pedacinho do paraíso
Que está aberto pra mim
Enquanto desço a Rua Jamaica
Com chuva em meus olhos
Chamo através da água bem escura
Esperando pra ver
Esperando pra ver
O nascer do Sol

Engraçado como você acorda
E começa a ver
Algo em seus olhos
Fez um novo homem de mim
Onde eu estaria?
Onde eu estaria?
Há uma rocha em meu coração
Que não pode ser quebrada
Agora há um pedacinho do paraíso
Que está aberto pra mim
Enquanto desço a Rua Jamaica
Com chuva em meus olhos
Chamo através da água escura
Esperando pra ver
Esperando pra ver
O nascer do Sol

Você sabe
Simplesmente não há como saber
Estou descendo a rua
E simplesmente não sei
Pra onde estou indo
Rio afora
Rio correndo pro mar
Grande rio negro
Correndo pro mar
Rio bem escuro
Levando embora
Espelho
Rio mistério
Não há razão pra que eu
Vá pra casa
Não há razão pra que eu
Vá pra casa
Vá pra casa

Há uma rocha em meu coração
Que não pode ser quebrada
Agora, há um pedacinho do paraíso
Que está aberto pra mim

quinta-feira, 7 de maio de 2009

UM PEDACINHO DO PARAÍSO

Recentemente, Manoel Almeida lançou o blogue Epitaphius. Em conversa que mantive com Manoel há tempos, ele me perguntou qual seria meu epitáfio. Eu disse na ocasião que seria uma frase do Leonardo da Vinci: “Quanto mais se conhece, mais se aprecia”. Contudo, uma inteligente e espirituosa aluna que tive há muito tempo me disse que o dela seria: “Dei sossego”. Gostei tanto que pedi a ela a autorização para que eu usasse essa frase no meu. A autorização foi concedida.

Mas toda essa história é para falar da frase do Leonardo da Vinci e de uma canção. Se a máxima do renascentista será ou não meu epitáfio, ainda não sei. O que sei, é que sempre que começo a me dedicar a seja o que for, a frase me ocorre. Neste momento, escuto por intermédio de fone de ouvido a canção “One inch of heaven”, do grupo The Silencers. A epígrafe de meu livro Algo de sempre é extraída de um dos versos da letra: “There’s a rock in my heart that can’t be broken”.

A canção é sobre um sujeito que na maturidade se flagra amando. É madrugada e ele caminha por uma rua deserta, a Rua Jamaica. Chove. Por perto, há um rio. De repente, ele se vê um novo homem, ele se pega amando. O amanhecer não vai demorar. Ele caminha e reflete sobre o quanto as coisas podem vir inesperadamente. Ele vai caminhando, o rio por perto flui, fluem os pensamentos, fluem as reflexões...

Enquanto digito estas palavras, presto atenção no arranjo da canção. Meu ouvido para a música sempre foi uma lástima. Tanto que somente agora, por intermédio do fone, percebo no arranjo sutilezas até então desconhecidas por mim. Se tiver a chance de escutar, preste atenção num teclado que faz a marcação junto com a caixa da bateria. Há também um teclado que somente agora consegui escutar e que faz a base enquanto o vocalista canta. Esse teclado pode ser escutado bem ao fundo, sutil, discreto, bonito. (Preste bastante atenção quando o vocalista começar a cantar.)

A música é longa, não tem pressa (dura mais de sete minutos). O andamento não é rápido. Tudo isso combina com o sentimento do eu lírico, sujeito velhaco e cínico (“eu era o rei do verso cínico”), mas que numa madrugada, enquanto caminha sob a chuva perto de um rio, pega-se, ainda na escuridão da madrugada, amando.

Quer saber? “Quanto mais se conhece, mais se aprecia”.