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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Breves notas de leitura

Leitura de ontem: Discografia legionária, de Chris Fuscaldo. Publicado pela editora Leya, o livro tem detalhes técnicos de todos os discos do Legião Urbana e de todos do Renato Russo em carreira solo. Para quem curte como se dão as coisas em estúdio, o livro pormenoriza, mencionando, dentre outras coisas, microfones usados em algumas gravações e a tecnologia utilizada em determinados registros.

(Para o fãs do Legião Urbana, também indico As quatro estações, de Mariano Marovatto. Nele, o autor detalha produção do quarto trabalho lançado pelos legionários. O livro faz parte da série O Livro do Disco, editada pela Cobogó (dessa série, também indico o dedicado a Unknown pleasures, do Joy Division). Nessa série, cada livro se debruça sobre um disco de determinado artista.)
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Leitura de hoje: O lago desconhecido: entre Proust e Freud, publicação da L&PM Editores. A autoria é de Jean-Yves Tadié; a tradução é de Julia da Rosa Simões. No ensaio, num instigante estudo comparativo entre dois dos pilares do século XX, Tadié, profundo estudioso de Proust, traça os paralelos e convergências entre arte e ciência a partir das produções de Proust e de Freud. Leitura que envolve e que inspira.
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Leituras a serem iniciadas: estou aqui com três livros que eu vinha paquerando já há algum tempo, três livros do Jessé Souza: A radiografia do golpe: entenda como e por que você foi enganado, A tolice da inteligência brasileira: o como o país se deixa manipular pela elite e A elite do atraso: da escravidão à lava jato. Os três foram publicados pela editora Leya, que presta um belo serviço ao Brasil publicando o trabalho de Jessé Souza; em breve, resenha.

sábado, 10 de outubro de 2015

PROUST DE QUEIROZ

Às vezes, supomos, quando consideradas separadamente, que duas pessoas se parecem. Quando estão juntas e olhamos para elas, não raramente percebemos que a semelhança não é tão marcante quanto havíamos suposto. De qualquer modo, ontem, quando abri o Suplemento Literário de Minas Gerais (jornal que venho lendo há muitos anos) de maio/junho de 2015 (sempre recebi o jornal com muito atraso), eu me deparei com uma foto grande na página três. Pensei que era o Proust — era o Eça de Queiroz.

Na hora, fiquei espantado com o quanto os dois se parecem — pelo menos de acordo com a impressão que tive nesse momento. Depois, fiquei matutando se eles, de fato, são tão parecidos o quanto eu havia suposto. Poderia ser que eu tenha sido levado a afirmar tal semelhança muito mais em função da estética preto-e-branca e da pose do Eça de Queiroz na foto do Suplemento do que por uma semelhança real entre os dois escritores.

Há pouco, resolvi averiguar. Fui ao Google e procurei por imagens deles. A grande semelhança suposta ontem teve dúvidas diante das imagens dos literatos, embora, de acordo com meu jeito de olhar, a região dos olhos, bem como a expressão deles, parece-me bem semelhante nos autores (o formato do rosto é diferente).

(Imagens: Google) 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

PUBLICAÇÕES

A Piauí de janeiro tem uma tradução, feita por Mario Sergio Conti, daquele famoso trecho do Proust — o episódio da madalena, um bolinho que o narrador toma com chá. A experiência faz com que ele resgate o passado e, por consequência, escreva o texto.

Também na Piauí, um hilariante diário fictício de Dilma Rousseff. André Lara Resende escreve sobre o otimismo. Há ainda uma breve matéria sobre um concurso de cartas de amor que foi realizado em Belo Horizonte.

O jornal Le Monde Diplomatique Brasil deste mês tem um editorial sobre a corrupção no Brasil; um marco. Há texto que pergunta se as chamadas “commodities” [bens em estado bruto, de origem agropecuária ou de extração mineral ou vegetal] são o novo sigilo fiscal dos suíços.

A Alfa, também deste janeiro, tem um perfil de Nelson Piquet. Na edição, uma bela matéria e um belo ensaio fotográfico com a cantora Céu. Indico finalmente o texto sobre Daniel Day-Lewis.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

BLEFE (3)

O sentido mais apurado de Proust era o olfato.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

EM BUSCA DE PROUST

Terminei de ler recentemente “Senhor Proust – lembranças recolhidas por Georges Belmont”, de Céleste Albaret, publicado pela Novo Século. Céleste Albaret foi governanta na casa do escritor durante os oito últimos anos de vida de Proust. O livro é a transcrição de entrevistas da senhora Albaret a Georges Belmont, que assina a introdução. Segundo Belmont, foram setenta horas de entrevistas.

É natural que a longa e diária convivência da senhora Albaret com Proust gerasse proximidade e amizade. O testemunho dela traz à tona as miudezas de que Proust era feito (miudezas de que, afinal, todos nós somos feitos).

Há também relatos do dândi Proust na aristocracia parisiense da época. Freqüentador e agudo observador desse mundo, Proust tinha acesso à vanguarda do que então estava sendo produzido. O trecho abaixo dá uma idéia (a tradução do livro é de Cordelia Magalhães):

“Por exemplo, lembro-me de que, uma noite, o príncipe Antoine Bibesco, que se tinha a par de tudo, passou para levá-lo a um desses jantares, com a idéia de fazê-lo se encontrar com o pintor Picasso, sobre o qual se começava a falar (...). Às duas horas da manhã, eles foram, todos os três, ver as telas de Picasso no seu ateliê. Sr. Proust me fez o relato quando voltou:

“– É um pintor espanhol que começou a fazer o que se chama de cubismo.

“Ele me descreveu um pouco sobre o que as pinturas pareciam. E comentei que isso deveria fazer os museus de bobos. Ele riu e disse:

“– Devo reconhecer que não compreendi grande coisa.

“Visivelmente, ele não ligou. Jamais voltou a falar sobre essa pintura. Dizem também que jantou com o escritor James Joyce, junto com outras pessoas; isso não o impressionou – ele nem pronunciou esse nome”.

A senhora Albaret também comenta o mal-estar criado depois que o escritor André Gide recusou originais de Proust. Céleste Albaret deixa clara a antipatia que ela tinha por Gide, ao dizer que ele tinha um ar de “falso monge”. Gide retratar-se-ia por ter recusado os originais de Proust.

A recusa é compreensível. Proust, é bem sabido, não foi o único escritor que se tornaria famoso depois de ter sido rechaçado em tentativas anteriores. O problema é que, segundo a senhora Albaret, Proust assegurava que Gide nem chegou a ler os originais. Primeiro, por considerar que o autor de “No caminho de Swann” não passaria de um “dândi socialite”; segundo, por uma razão prosaica: o pacote em que estava o livro não teria sequer sido aberto porque um funcionário de Proust, Nicolas, tinha, segundo a senhora Albaret, “uma verdadeira arte dos nós, com um estilo muito particular e muito inimitável. E isso, para o Sr. Proust, sempre foi a prova irrefutável de que o pacote do seu manuscrito jamais foi aberto, nem por André Gide nem por ninguém na Nouvelle Revue Française”. Proust disse ter visto o pacote antes e depois, e afirmou que ele voltara intacto, com o mesmo nó de Nicolas. Para Proust, seria impossível alguém refazer o nó de seu funcionário, ainda mais no mesmo lugar. A senhora Albaret conclui: “Sr. Proust se divertia muito com toda a história”.

domingo, 21 de setembro de 2008

NA BANCA DE REVISTAS

Hoje, por volta de 13h15, tive experiência proustiana: desde criança, freqüento bancas de revistas. Tenho em casa o acervo que acabei juntando ao longo dos anos. Mais cedo, ao entrar em uma banca a que nunca tinha ido, senti o cheiro dos papéis, mistura de diferentes publicações produzindo uma gostosa sensação. Assim que entrei, o cheiro veio forte. Um cheiro onipresente, gostoso, encorpado o bastante para me conduzir a um passado saudoso. Talvez, o que tornava tão espesso o cheiro fosse o fato de que o recinto era pequeno e havia centenas e centenas de revistas.

No fundo, sou o mesmo. O garoto que aguardava ansiosamente a chegada das revistas está no adulto que aguarda ansioso a vinda das publicações e que entrou mais cedo numa banca. O que mudou, é que o adulto (nem sempre) lida melhor com os pensamentos, impulsos e sentimentos infantis. Em essência, não mudei. O regozijo na banca, quem o sentiu foi o garoto.