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quinta-feira, 27 de junho de 2019

Rihanna de Azevedo

“É ela! É ela! — murmurei tremendo”.
“You can stand under my umbrella, ella, ella”…
“E o eco ao longe suspirou — é ela!”... “Ella, ella”... 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A ghost story

Se por acaso você cogitar não assistir ao filme A ghost story (2017) por achar que o enredo remete a Ghost — do outro lado da vida (1990), esqueça isso. Também não deixe de assistir ao filme por achar que um fantasma representado por uma pessoa coberta por um lençol é algo muito infantil ou inverossímil para ser conferido. Por fim, se você não gosta de filmes de terror, leve em conta que A ghost story não é um filme de terror e que qualquer gênero tem obras-primas.

O filme não tem pressa e subverte regras clássicas de composição dos quadros cinematográficos. Acostumados do modo como estamos aos cortes frenéticos da maioria das produções atuais, o diretor David Lowery, também o autor do roteiro, propõe longas tomadas com a câmera estática.

O filme é estrelado por Casey Affleck e Rooney Mara. C (interpretado por Casey Affleck) morre em acidente de carro. M (interpretada por Rooney Mara) fica sozinha na casa deles. Pouco depois de deixar o hospital a que havia sido chamada para fazer o reconhecimento do corpo de C, M vai embora; instantes depois, C se levanta e sai caminhando, coberto pelo lençol que estava sobre seu corpo no hospital.

O fantasma de C vai parar na casa que era compartilhada por ele e por M, onde ela passa a morar sozinha. A partir daí, A ghost story se torna uma bela e poética reflexão sobre a inexorabilidade da passagem do tempo e sobre a destrutibilidade de tudo o que edificamos. Com relação ao espaço que ocupamos, o acesso ao que houve e o conhecimento do que haverá não anulam a destruição cabal. Num eufemismo, dir-se-ia que a transformação é que vem, não a destruição. 

Pode-se assistir ao filme de David Lowery como uma alegoria da dificuldade que temos em nos desapegar daqueles com quem um dia convivemos ou daquilo que um dia esteve em nossas mãos. Num limbo melancólico, o fantasma de C não se conforma com a dissolvência do que um dia foi o espaço dele, mas que foi e será o espaço de outros.

Pode ser que chegue o instante em que não haverá o espaço de ninguém. Numa dimensão cósmica, pode ser que não restará nem memória nem átomo do que fomos ou dos lugares que ocupamos ou das coisas que tivemos em mãos. Diante da duração e da extensão do Universo, nossas vidas são ínfimas. Não bastasse, um vento macondiano poderá aniquilar qualquer possibilidade de permanência de qualquer coisa. Mas isso não é pretexto para que deixemos de assistir a filmes como A ghost story. Que se reserve tempo e espaço para o trabalho de David Lowery. 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

"Down em mim"

É muito bom quando há a preocupação com soar bonito; não raro, isso está nos detalhes. Eu estava escutando "Deu pra ti", com Kleiton e Kledir. Na segunda vez em que se canta "quando eu ando assim meio down", o vocal de apoio fica repetindo "down, down, down"... É muito bonito. A busca do belo já é uma beleza em si. 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

“A gente não quer só comida”

Chego a um restaurante para almoçar. Uma mulher me olha com certa insistência. Fico sem saber o que fazer. Ela toma a iniciativa:

— Você não está se lembrando de mim...

— De fato, não estou. De onde a gente se conhece?

— Morei perto da sua casa, ali na Duque de Caxias. Você ainda mora lá?

— Sim, moro.

— Pois é, morei por lá. A gente já brincou muito.

Eu estava sem jeito, por não ter a menor lembrança dela. Por fim, antes de se afastar, ela arrematou:

— Você mudou muito: ficou bonito... 

domingo, 11 de junho de 2017

Que maravilha!

Ainda não assisti ao filme “Mulher Maravilha”. Esperando Gadot. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Apontamento 351

A classe média pensa que não estar na senzala é o mesmo que ser dona da casa-grande. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Os Pessoas e eu

Ser o que se é em cada minúcia.
Aprender com os outros, ser os outros,
sem deixar de ser o que se é.
Ser os outros ao modo do que se é.
Ser quem se é à maneira do que se é.
Assim sendo, tentando escrever à
Fernando Pessoa, escrevo a meu modo. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

domingo, 19 de junho de 2016

"Chove lá fora"

Até hoje, não sei se chove mais em “Cem anos de solidão”, do García Márquez, ou em “Blade Runner”, do Ridley Scott. 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

GODOT

Godot é a espera que mora
em todos nós. 
Em vão, esperamos. 
Esperamos em não, 
aguardando um “sim”
infrutífero que não virá.
Enquanto isso, 
plantemos uma árvore. 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

PARA CARLOS

João atira pérolas aos porcos sabendo serem pérolas.
Teresa atira pérolas aos porcos supondo serem pedras.
Raimundo atira pedras aos porcos supondo serem pérolas.
Maria atira pedras aos porcos sabendo serem pedras.

Joaquim se matou por não ter conseguido transformar pedras em pérolas.
Lili e J. Pinto Fernandes criam porcos. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

CONTO 83

Maciel sempre relê “As relações perigosas”. Desde a primeira leitura, marca com chave, o sinal adotado na matemática, os trechos de que gosta. A cada releitura, novas marcações. Veio o tempo em que não sobrara nenhuma linha ou nenhum trecho sem chave. Há pouco, Maciel começou a ler o livro outra vez. Já inseriu o primeiro colchete. 

sábado, 19 de dezembro de 2015

HERÁCLITO

No limiar, esquecido de todo mistério,
refugiou-se em silêncio líquido e espesso,
mergulhando hábil nas águas do rio.
Do outro lado, acolhido pela margem,
voltou, mergulhado em todo mistério. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

QUÍMICA

W.H. Auden, no livro “A mão do artista”, em ensaio intitulado “Ler”, escreveu, de acordo com tradução de José Roberto O’Shea, que “há pessoas que são inteligentes demais para se tornarem escritores”. Já Oscar Wilde, logo no comecinho de “O retrato de Dorian Gray, escreveu, segundo tradução de Oscar Mendes, que toda arte é completamente inútil”. Por fim, Ivan Turguêniev, por intermédio do personagem Bazárov, no romance “Pais e filhos”, conforme tradução de Rubens Figueiredo, escreveu: “Um químico honesto é vinte vezes mais útil do que qualquer poeta”. Preciso estudar química. 

terça-feira, 14 de julho de 2015

(DES)APONTAMENTO 31

Em Fortaleza, jegues passearam pelo aeroporto: o realismo mágico voa alto. 

domingo, 14 de junho de 2015

SEDENTO

“Mais do mesmo”: eles visitam essa torneira com frequência. Se a câmera está por perto, faço a foto.