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domingo, 26 de outubro de 2014

DILMA REELEITA

Globo, Veja, Jovem Pan, Uol, jornal Estado de Minas, jornal Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Tim... Ainda não conseguiram. Dilma (cujo nome uso como metonímia) ganhou a eleição contra todos eles. Isso é ótimo, não somente pela vitória da presidente em si, mas também por ser mais uma prova (a exemplo do que ocorreu em 2010) de que, embora sejam muito poderosos, esses meios de comunicação não tiveram, nem em 2010 nem em 2014, o poder avassalador que já tiveram (esse poderio pode ser recuperado).

Como já previsto antes de a campanha política começar, foram eleições que transformaram redes sociais em guerra virtual. O clima de intolerância e de ranço, que até então era velado ou era menos expressivo, deu as caras na internet e nas ruas, provando que milhões não querem debater, mas reproduzir e continuar exercendo preconceitos seculares.

Detratores do PT, seja por má-fé, seja por ignorância, têm os argumentos: quando não é a corrupção, que existe nos dois partidos, vêm com aquela história de implantação de ditadura, de comunismo, de Cuba. Enquanto seguem com essa monocórdica balela, o governo petista é eleito democraticamente pela quarta vez.

Se comparado com o de 2010, o clima de recrudescimento aumentou neste 2014. Imprensa e meios de comunicação interesseiros e rancorosos estão mais vorazes do que nunca. Proclamada a vitória da petista, já começaram os ataques. Há várias empresas de “informação” semelhantes às que mencionei acima. Fiquemos atentos a elas todas e continuemos buscando outras possibilidades de informação.

A internet trouxe mais opções quando se tem o interesse em saber o que tem ocorrido. Qualquer pessoa pode informar ou opinar (o que é ótimo). Isso deixa a veiculação de conteúdos muito pulverizada. Parece-me que justamente essa pulverização é que faz com que Globos, Vejas e que tais ainda sejam influentes: não há como o cidadão, considerado individualmente, ser mais poderoso do que as tentáculos das empresas que citei.

Mas o Brasil não é feito só de Globos, Vejas e congêneres. Existem Fórum, Carta Capital, Pragmatismo Político, Dilma Bolada, Jeferson Monteiro, Luis Nassif, Viomundo, Cynara Menezes, Pablo Villaça... São cidadãos e empresas que simbolizam um Brasil que é bonito, corajoso, lúcido, talentoso, inteligente e bem-humorado. 

Não se incomodam em ver negros na universidade, não se incomodam quando o jardineiro compra um bom carro, não se incomodam quando a empregada doméstica usa um sapato que tem o mesmo preço do sapato usado pela patroa. Não estão a serviço dos próprios umbigos. São a favor do Brasil. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O RETRATO DA IMPRENSA

O dono de um jornal grande tem o direito de dar à sua empresa a orientação política que ele bem desejar. Também tem o direito de se manifestar como cidadão em qualquer ato político. O portador do cartaz que ilustra esta postagem é Fernão Lara Mesquita, dono do jornal O Estado de São Paulo. Quem tirou a foto foi o famoso Tutinha, dono da Jovem Pan. Ele publicou a imagem em seu Instagram.

Minha crítica não é contra a participação de Fernão e de Tutinha em ato político. Critico, sim, o modo como tornaram pública a participação que tiveram. Não é preciso dizer o quanto o cartaz é tosco e desrespeitoso. Insisto: não necessariamente na ideia que porta. Pode-se, é claro, discordar da política feita na Venezuela (ou no Brasil). A questão é que os dizeres do cartaz revelam destempero e ódio.

Estas eleições se caracterizaram pela saída do armário de quase todos os meios de comunicação grandes. Abandonaram sutilezas, deixaram escancarado o quanto são despreparados e ressentidos. Ainda bem que não dependemos deles para saber o que está acontecendo. Estão interessados em divulgar os interesses das empresas que detêm, valendo-se, não raro, de um tom vergonhoso.