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quarta-feira, 31 de março de 2010

"INTO IT" DE EDWARD POMERANTZ


Já comentei aqui sobre “Caught”, do diretor Robert M. Young. Os leitores deste blogue e todos os meus amigos sabem que gostei demais do filme. Tanto que pedi o livro no qual o filme é baseado. A obra, cujo título é “Into it”, foi escrita por Edward Pomerantz. Ele é também o roteirista do filme. Salvo engano, não há edição em português do livro.

Embora pedido há muito tempo, faz somente alguns dias que o livro chegou. Como é curto e tem uma linguagem fácil, eu o li em dois dias. Pomerantz não inventa firulas, não se mete a manejar manjados truques literários. De tão direto que narra, é como se, por assim dizer, ele não quisesse fazer literatura. Vejo isso como mérito.

Contudo, os personagens no livro não têm a mesma densidade e complexidade que têm no filme. E isso me pareceu curioso, já que Pomerantz é o autor do livro e do roteiro do filme. Como assisti ao filme antes de ler o livro, levei para este uma série de expectativas, mesmo já tendo em mente o velho pensamento de que livros ruins geralmente dão filmes bons e vice-versa.

“Into it” não é um livro ruim. Ainda assim, senti muita falta da riqueza e das nuances que o filme apresenta. Na segunda metade do enredo, livro e filme são bastante distintos, embora o fio condutor e os personagens sejam os mesmos. Só que o filme faz com que conheçamos melhor os personagens, que sintamos melhor os dramas por que estão passando, apesar da aparência tranquila.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

"CAUGHT"

Um dia desses, graças a meu amigo Rusimário Bernardes (para acessar a página de seu livro “Agapantos”, gentileza clicar aqui), que descolou o filme para mim, assisti novamente a “Caught” (curiosamente, se bem entendi, o filme tem dois nomes no Brasil – “Desejo” e “Aprisionados”). A direção é de Robert M. Young; foi lançado em 1996.

Em sua rotina, Joe (Edward James Olmos) acorda em torno de 4h e vai trabalhar. Ele é dono de uma peixaria. Depois de madrugar para comprar os peixes, vai para o local de trabalho, onde é ajudado por Betty (a bela e sensualíssima Maria Conchita Alonso), sua esposa, que chega ao trabalho quando Joe já deu início à organização da peixaria para mais um dia.

Betty está cansada dessa rotina. Não gosta de lidar com peixes, está entediada e quer que o marido venda o imóvel da peixaria, assim como outros comerciantes da área estavam fazendo – empresários em Nova York, onde se passa a história, estão pagando muito dinheiro pelos imóveis da disputada região. Joe, contudo, recusa-se à venda.

Essa rotina é quebrada quando o jovem Nick (Arie Verveen), fugindo da polícia depois de um contratempo com outro andarilho, entra de repente na peixaria e pede ajuda ao casal, dizendo estar faminto. Joe recusa ajuda, mas acaba cedendo aos pedidos da mulher, que não somente faz com que o marido contrate Nick, mas também convence Joe a levar o jovem para a moradia do casal, onde ele passa a ocupar o quarto que é de Danny (Steven Schub), filho de Joe e Betty. Danny está em Los Angeles tentando a carreira de comediante na TV.

O triângulo amoroso toma lugar. À medida que Joe vai ensinando a Nick os truques do trabalho e passa a ver no jovem um amigo que injetara quebra de monotonia na vida dele e de Betty, ela e Nick vão se entregando a um tórrido romance. A situação se complica quando um fracassado (e patético) Danny volta para casa, levando consigo a namorada (Bitty Schram) e o bebê do casal.

O filme é maduro e muito bem conduzido. Um dos pontos altos são as cenas de amor extremamente sensuais entre Nick e Betty. E sem falsos moralismos, “Caught” aborda temas como o amor de uma mulher por um homem mais jovem, o adultério e a rotina de um casamento cheio de cansaço; há sonhos estilhaçados, fracassos revelados – o sonho americano tem seu lado feio. O roteiro percorre vielas difíceis, mas se sai vitorioso quando o destino dos personagens se define.

As cenas de abertura e encerramento, em que peixes são usados como metáfora – alguns se safam da rede e outros são agarrados (caught) – me remetem a uma frase do Einstein de que gosto demais: “O que sabe o peixe sobre a água em que nada a vida inteira?”.

O filme é baseado no romance (já estou correndo atrás para adquirir) “Into it”, de Edward Pomerantz, que é também o roteirista.