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quinta-feira, 22 de abril de 2021

A mais gostosa e iluminadora solidão é a que se tem no banheiro

Sou cantor de banheiro. Apresento-me para multidões, canto melhor do que o Robert Plant, toco guitarra melhor do que o Celso Blues Boy. Vou lavando a alma, enquanto berro o mais desafinado que consigo as canções que vão comigo para o banho: já tenho a coleção musical que curto em cartão de memória que está no telefone. Via “bluetooth”, conecto o telefone à caixa de som; ambos tomam banho comigo. 

O resto é me apresentar em plateias mundo afora. Gosto de deixar, no celular, o programa de execução de música no modo aleatório. Caso surja uma canção que não estou interessado em escutar-berrar-junto, já deixo o telefone posicionado de modo que, mesmo sob a ducha, consigo pular de faixa.

No banho de hoje, o tocador de canções escolheu, minutos depois do início do banho, “Where the streets have no name” — a gravação original (tenho outras versões da canção). Mal o teclado deu sinais de vida, já fiquei doido. Quando veio o baixo, eu já estava contagiando um estádio inteiro. Esgoelei o máximo que pude. Enquanto eu “cantava”, eu me lembrei de um texto que li certa vez na revista The New Yorker, um belo ensaio sobre o U2. Lembro-me de que o crítico fez comentários sobre “Where the streets have no name”.

Terminada a faixa, peguei uma toalha, sequei o rosto e me preparei para a próxima canção do show. O tocador de música logo veio com 

Moro onde não mora ninguém
Onde não passa ninguém
Onde não vive ninguém
É lá onde moro
Que eu me sinto bem
Moro onde moro

De repente, mal tendo começado a emitir o segundo verso da canção, dei-me conta de que há, em termos de letra, possíveis afinidades ou sintonias entre “Where the streets have no name” e “Moro onde não mora ninguém” (sábio tocador de canções). Assim sendo, where the streets have no name, moro onde não mora ninguém. 

domingo, 10 de dezembro de 2017

O engano não é só do Bono

Autorias atribuídas incorretamente passaram a ocorrer com mais furor após os ventos da internet e das redes sociais. Um desses casos é o poema “Instantes”, tido como sendo de Jorge Luis Borges. Eu mesmo tenho um jornal em casa em que o texto é atribuído a Borges. Quando ele não é atribuído a Borges, é atribuído a uma estadunidense de nome Nadine Stair. “Instantes” não é nem de Stair nem de Borges. É de Don Herold, humorista dos Estados Unidos.

A atribuição incorreta dessa autoria já causou episódios curiosos ou divertidos. Num deles, Bono Vox, vocalista do U2, disse, num canal de TV mexicano, antes de ler trechos do poema, que declamaria alguns versos do “poeta chileno Borges”. Há duas informações incorretas na afirmação do Bono: Borges não é chileno, mas argentino.