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quarta-feira, 29 de maio de 2019

O amor musical de Lizandra

Graças a financiamento coletivo, a cantora Lizandra está lançando o EP Guia prático para amar de novo — Parte 1. O trabalho vai estar disponível em todas as plataformas digitais daqui a algumas horas, à meia-noite.

São quatro, as faixas, todas acústicas: “Te Amo Tanto”, “Só por Você”, “Varanda” e “Entardeceu”. Emerge delas a tradição lírico-amorosa da MPB; cenas do cotidiano são o cenário para as afetuosas letras das canções. “Logo de manhã cedinho / Eu paro pra te ver acordar”, diz a letra de “Te Amo Tanto”; já a de “Varanda” tem o seguinte trecho: “Eu largaria tudo por você / Uma rede, uma varanda / Amor simples de viver”.

Tem-se então que Lizandra celebra o amor, o amor do dia a dia, um amor prático, palpável. Um amor que não vem carregado de tintas melancólicas, seja pela delicadeza das interpretações, seja pelas letras em si. Fosse eu definir de modo muito breve o EP de Lizandra, eu diria se tratar de um trabalho terno e delicado. Nas quatro canções, a expressão de uma cantora que se entrega ao pop, com melodias agradavelmente cantáveis, sem deixar de fazer MPB. Longe de querer delimitar e longe de querer esgotar o trabalho da artista num gênero ou num rótulo, Lizandra faz MPB.

O Artur da Távola escreveu, salvo engano, em Do Amor, Ensaio de Enigma, que uma pessoa pronta para o amor é perigosa para qualquer “status quo”. Nesse sentido, Lizandra é muito perigosa, pois se lança mais uma vez em público e ao público para falar de amor ou do amor em forma de canções. Num Brasil em que parte da população, adoecida, orgulha-se da ignorância, Lizandra oferta para nós canções com roupagem simples e que têm a coragem e a rebeldia de cantarem o amor.

Sim, falar de amor é um ato de coragem e um ato de rebeldia num contexto em que coisas como ternura, delicadeza e conhecimento se ausentam. Em tempos assim, falar de amor é compor um libelo; o de Lizandra tem essa audácia de falar de amor em meio a gritos de ódio e atos de desrespeito. Guia prático para amar de novo — Parte 1 é alento por nos lembrar de que há uma humanidade bonita e viável.

Nas quatro faixas, a cantora tem interpretações delicadas, que estão em sintonia com a temática das letras e que evidenciam uma faceta que me soa nova: uma interpretação mais intimista e ao mesmo tempo mais à vontade, em que o lirismo se mistura com uma pitada de terna malícia. Em entrevista que realizei ontem com a cantora e compositora, ela disse estar mais madura como pessoa e como artista do que há cinco anos, quando lançou seu primeiro trabalho musical. Agora, com Guia prático para amar de novo — Parte 1 (em breve, haverá a Parte 2), Lizandra dá mais um passo a fim de mergulhar de vez em sua arte, corajosa para falar de amor, artista para nos tornar melhores. 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Uma história e um vídeo



No dia treze de janeiro de 2008, Edgar, meu irmão, levou um tiro após uma briga de trânsito aqui em Patos de Minas. O que atirou e o que estava dirigindo a moto (ambos não tiraram os capacetes) no momento do disparo nunca foram identificados.

Quando recebi a notícia de que o Edgar havia sido baleado, eu estava em Caldas Novas com amigos. Momentos antes de eu ficar sabendo do ocorrido, eu havia comido muito. Tendo recebido a notícia, meu estômago ficou embrulhado, mas não cheguei a colocar para fora os alimentos.

Eram em torno de 21h quando fiquei sabendo do que havia ocorrido com meu irmão. Após ligações que fiz aqui para Patos, ficou decidido que eu sairia de Caldas Novas no dia seguinte, no primeiro horário de ônibus para Uberlândia. De lá, eu teria carona até Patos. Não consegui dormir naquela noite.

Os primeiros dias são muito difíceis. A gente fica sem saber o que fazer com o corpo de quem, de uma hora para outra, fica paraplégico. A esperança de que a pessoa volte a caminhar causa, no leigo, o temor de manejar o corpo do outro. Logo, logo, contratamos Diego Bueno Guimarães, enfermeiro que ficava aqui em casa durante o dia.

Ao mesmo tempo, eu e amigos passávamos os dias tentando vaga para que o Edgar pudesse ser atendido no Sarah, em Brasília, o que ocorreu pouco mais de um mês depois da briga que causou a paraplegia. Às noites, quando o Diego não estava aqui, eu colocava o relógio para despertar de duas em duas horas, a fim de mudar a posição do corpo do Edgar, para que ele não ficasse com escaras; devido ao tempo passado na cama e à quase imobilidade inicial, a pele pode ter feridas. O Sarah não admite pacientes com escaras.

Antes mesmo de meu irmão ir para Brasília, eu disse a ele que a partir do instante em que ele havia levado o tiro, a vida dele poderia ser encarada de dois modos: que ela havia acabado ou que ela havia renascido. É claro que eu torcia pela última alternativa, embora sem saber o que fazer para que ela existisse de fato no espírito do Edgar.

Na época, argumentei com ele que o mesmo capricho o qual fizera com que a bala o deixasse paraplégico poderia ter atingido um órgão vital. É uma questão de centímetros. Anos depois de ele ter levado o tiro, perguntei para o Edgar se ele achava que tinha valido a pena sair vivo daquela briga de trânsito. Ele respondeu: “Cê tá é louco: claro que sim!”.

Mas nada do que eu ou os amigos disséssemos não teria efeito se não fosse a atitude do Edgar em relação ao ocorrido e à vida como um todo. Dez anos depois do triste episódio, ele continua trabalhando, continua produtivo. Tanto é assim que está gravando um CD com músicas de autoria dele. A alternativa do renascimento tanto prevaleceu que o próprio Edgar diz que ele faz aniversário em duas datas: no dia em que nasceu e no dia em que levou o tiro.

Quando comentou comigo que gravaria um CD, propus a meu irmão fazermos um clipe que mostrasse o dia a dia dele. Ele topou. O clipe que mostra o cotidiano dele não é o desta postagem, embora já tenhamos filmado parte desse vídeo. O clipe desta postagem não deixa de mostrar uma parte do que o Edgar faz em seu dia a dia, mas a proposta foi desde o começo criar um clima mais intimista, devido ao astral da música.

Gravamos no Teatro Municipal Leão de Formosa, na tarde do dia dois de fevereiro de 2018. As pessoas a quem temos de agradecer por terem ajudado a realizar o projeto estão nos créditos; é o primeiro clipe que realizo. Para as tomadas estáticas, usei tripé. Para as tomadas em que há movimento, usei um trilho apoiado sobre duas cadeiras, que por sua vez estavam apoiadas sobre uma mesa, que por sua vez era carregada pelo palco do teatro. Em apenas uma das tomadas, a câmera estava sobre o piano. A fim de não danificá-lo, em vez de ela ficar sobre o trilho, eu a coloquei sobre uma toalha e puxei o tecido, imitando o movimento que o trilho possibilita.

Para os registros, usei uma Canon EOS 70D e duas lentes: uma delas (para a maioria das tomadas), uma Canon 50mm F/1.4; para duas ou três tomadas, uma Canon 18-135mm F/3.5-5.6. Em ambas as lentes, usei sempre a abertura máxima, variando ISO e velocidade conforme a luz.

domingo, 11 de junho de 2017

Devaneio pop

“Blue skies”, com a banda Noah and the Whale, e “Anabela”, com Renato Braz, são duas das canções mais tristes que já escutei. “Beautiful Sunday”, com Daniel Boone, uma das mais felizes. 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

DELICADA MÚSICA

O contato inicial que tive com a cantora Lizandra ocorreu na edição do Fermap, Festival Regional de Música do Alto Paranaíba, realizado, salvo engano, em 2012, aqui em Patos de Minas. Na ocasião, Lizandra se apresentou, cantando e tocando violão, ao lado da irmã Andressa Nunes, percussionista.

Desde então, tenho visto Lizandra se apresentar nos bares locais, num repertório que contempla, em grande parte, clássicos da MPB e do pop/rock nacional. Ultimamente, eu a vi interpretando também algo do pop internacional, como a cantora Lorde e o grupo Talking Heads.

Lizandra cursa Engenharia eletrônica e de telecomunicação na Universidade Federal de Uberlândia, no campus de Patos de Minas. Paralelamente aos estudos e às apresentações em bares e restaurantes, ela ia aos poucos revelando a verve de compositora. Temos agora a oportunidade para conferir o que ela tem feito: no dia 15 de agosto, às 20h, no Teatro Municipal Leão de Formosa, Lizandra lança EP que leva seu nome.

Fosse eu me valer de apenas uma palavra para definir o que ela faz, tanto nas apresentações ao vivo quanto em seu trabalho de compositora, eu usaria o adjetivo “delicado”. Delicadeza na voz, delicadeza nas interpretações.

Se “Sofia”, a faixa de abertura, tem pegada pop/rock, “Samba para você voltar”, a terceira do trabalho, rende tributo ao gênero musical que está presente no título da canção. O trabalho da cantora é intimista e lírico. 

Também me chamou a atenção o tom otimista das letras de Lizandra. Ainda que falando de amor ausente, a ideia é positiva. O trecho “fazendo samba torto e direito / Pra não deixar de acreditar na vida” dá bem uma ideia do otimismo que perpassa o EP. Lizandra, ouvinte e executante de MPB, oferta--nos, com seu disco, suas cálidas composições. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

BOBAGEM



Pessoas, eis a canção “Bobagem”, uma parceria entre mim e a Lizandra.

O primeiro contato que tive com o trabalho dela foi num festival de músicas inéditas realizado aqui em Patos de Minas. Na ocasião, ela estava acompanhada pela irmã, Andressa.

Depois, eu e a Lizandra passamos a manter contato via internet. Certa vez, tive a oportunidade de conferir apresentação dela e do Xande (Alexandre Soares) num bar local. Ele, guitarra; ela, voz e violão. Trocamos algumas palavras, mas nada dissemos sobre uma possível parceria musical.

Um dia desses, propus a ela, na maior cara de pau, que tentássemos compor algo. Ela topou na hora. Enviei a letra e ela a musicou. O áudio está nesta postagem, bem como a letra.

Para mim, foi um privilégio ter algo meu musicado por ela. A você, Lizandra, muito obrigado pela oportunidade. Valeu muito.

sábado, 9 de junho de 2012

PAULINHO PEDRA AZUL EM PATOS DE MINAS

Já devo ter escrito neste blogue que é difícil imaginar um privilégio maior do que ver alguém, na maturidade artística e profissional, exercer seu talento. Nesse sentido, foi um privilégio e uma honra conferir o show de Paulinho Pedra Azul, ontem (08/06), no Balaio de Cultura, no Parque de Exposições, em Patos de Minas.

Paulinho está na estrada há 30 anos, conforme ele mesmo ressaltou durante o espetáculo. Ao som da MPB, com suas serestas, xotes e lirismo, o cantor deu ao show um tom intimista e caseiro, lembrando-se das vezes nas quais esteve em Patos de Minas anteriormente. Falou de almoços em casa de amigos, dos encontros, do pessoal da cidade que confere seus shows quando ele se apresenta em Brasília...

Relembrou também causos de trinta anos de carreira, contou piadas e conduziu com experiência e sabedoria o espetáculo. O público se deliciou, cantando juntos os clássicos do cantor (que também tem livros publicados) e de outros mestres da MPB.

Infelizmente, fico devendo os nomes dos dois músicos que acompanharam o cantor durante o show: um pianista e um percussionista. À parte isso, Paulinho Pedra Azul está cantando como nunca; o timbre está mais grave, mais encorpado, a voz me pareceu mais potente.

Foi uma noite emocionante, regada a boa música, com a plateia diante de um artista maduro, bem-humorado, acessível. Ao término, ele não somente agradeceu por estar aqui bem como disse estar sempre à disposição para voltar sempre que houver convite.

Que haja. Que ele volte. Que eu esteja lá. E que bom que o Sindicato Rural tenha investido na ideia de construir no Parque de Exposições um espaço como o Balaio. Com exceção de Paulinho Pedra Azul, que disse se considerar como se fosse daqui, em virtude das amizades que fez e das vezes em que esteve em Patos de Minas, o Balaio é feito por artistas locais. Em contrapartida, não tem havido o tom ingenuamente bairrista que poderia ocorrer. Que o Balaio se faça presente no futuro.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

domingo, 29 de novembro de 2009

ROBERTA SÁ



Há pouco, assisti pelo Canal Brasil a um show da cantora Roberta Sá, que só agora conheci. O show é o DVD “Pra se ter alegria”, gravado ao vivo no Rio de Janeiro em abril deste ano.

Quando liguei a TV, a faixa "Alô, fevereiro" estava bem no comecinho. Mal a percussão começara, pensei: "Taí: gostei". Terminada a faixa, eu já sabia que eu teria de assistir ao espetáculo por completo, pois, de uma vez só, o carisma e a bela voz da cantora, além da força da banda, já haviam me fisgado.

E gostei demais mesmo de imediato. A presença que ela tem no palco é ao mesmo tempo sutil e expressiva – ou talvez essa expressividade resida exatamente na sutileza. Os gestos dela são comedidos, mas não deixam de ser poderosos. Ela canta, dança, samba – tudo com graciosidade e extrema beleza.

O vestido bem longo que ela usava deixava a impressão de que ela estivesse na verdade deslizando pelo palco enquanto caminhava – o que, afinal, está mais do que em sintonia com a sutileza do espetáculo. Já quando Pedro Luís entra no palco, o vestido bate na altura dos joelhos (Pedro Luís e ela são casados). Algumas canções depois ela já usa uma camisa com mangas compridas. Todas as roupas, bem como o palco, têm o vermelho como tom predominante.

O samba é a tônica do show. Os arranjos são impecáveis e a banda é de uma competência absoluta. Há clássicos da MPB, como “Pelas tabelas”, de Chico Buarque, e canções de Pedro Luís e Carlos Rennó, compositores que figuram entre os prediletos de Roberta Sá.

O Caiu na Rede que vai ao ar na quarta-feira que vem já está gravado, mas em breve pretendo executar a cantora no programa.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

GRUPO TREM DAS GERAIS EM PATOS DE MINAS

No fim de semana, tive o privilégio de conferir novamente, aqui em Patos de Minas, mais um show com o Trem das Gerais.

Os integrantes são de Araguari e pertencem à mesma família. Adolfo (voz/violão) e Vânia (voz/percussão) são casados. João Paulo (tambores) e Pedro (violão/viola) são os filhos do casal e completam a banda. No show do fim de semana, também esteve presente o baixista Márcio Bonesso.

Antes de formar o Trem das Gerais, Adolfo já havia trabalhado na noite com música, bem como já havia se dedicado à fabricação de instrumentos musicais (os tambores que seu filho utiliza nos shows foram fabricados por Adolfo).

O grupo já lançou dois CDs: “Cantos gerais (2003) e “Embornal de cantoria” (2006). Ambos estão esgotados. Nos registros, interpretam canções próprias e de outros compositores. Há a intenção de se lançar o CD “Nos trilhos de Minas”, que, segundo Adolfo, será um trabalho mais autoral.

O Trem das Gerais executa com poeticidade e rica simplicidade clássicos da música popular brasileira (em especial, da música mineira). Mas no repertório não estão presentes apenas o lirismo e a rica tradição poética disso que podemos chamar de mineiridade. Há momentos em que o show se torna decididamente dançante. Impossível mesmo ficar parado. Tanto que no show do fim de semana houve casal que se rendeu e fez dos poucos espaços livres uma pista de dança.

Abaixo, um documentário de 15 minutos que apresenta um resumo da trajetória do Trem das Gerais. O registro é de 2006, e a direção é de Marcel Naves.


domingo, 19 de julho de 2009

DIA DE BONGÔ (2)

Ontem, tive novamente o privilégio de acompanhar Pablo Marques e Marina Morais em mais um show num dos bares da cidade. Agradeço aos dois pela oportunidade.

Abaixo, trecho da apresentação. A canção é “Não vá embora”, sucesso da Marisa Monte. A composição é dela e de Arnaldo Antunes. Também abaixo a letra da canção.



E no meio de tanta gente eu encontrei você
Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio
E eu que pensava que não ia me apaixonar
Nunca mais na vida

Eu podia ficar feio só perdido
Mas com você eu fico muito mais bonito
Mais esperto
E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais

Eu podia estar sofrendo caído por aí
Mas com você eu fico muito mais feliz
Mais desperto
Eu podia estar agora sem você
Mas eu não quero, não quero

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais

terça-feira, 7 de julho de 2009

ANABELA

Consegui recentemente uma das canções mais tristes que já escutei – “Anabela”, cantada por Renato Braz. Triste e sensual. A composição é de Mário Gil e Paulo César Pinheiro. É triste, mas como é bela.

Não sei se há algum outro registro da canção (caso alguém aí saiba, gentileza me dizer). Penso que o fato de eu achar a obra extremamente triste se deve não somente à letra, mas também ao arranjo.

Há no Youtube registros informais de Renato Braz cantando “Anabela”, com arranjo ligeiramente diferente do original. Ainda assim, é possível ter uma ideia do que estou falando. Caso se interesse, confira um deles aqui. Já para escutar um trechinho do original, clique aqui.

"Anabela" está no CD “Renato Braz”, lançado em 1996. Abaixo, a letra da canção.
_____

No porto de Vila Velha
Vi Anabela chegar
Olho de chama de vela
Cabelo de velejar
Pele de fruta cabocla
Com a boca de cambucá
Seios de agulha de bússola
Na trilha do meu olhar

Fui ancorando nela
Naquela ponta de mar

No pano do meu veleiro
Veio Anabela deitar
Vento eriçava o meu pelo
Queimava em mim seu olhar
Seu corpo de tempestade
Rodou meu corpo no ar
Com mãos de rodamoinho
Fez o meu barco afundar

Eu que pensei que fazia
Daquele ventre meu cais
Só percebi meu naufrágio
Quando era tarde demais
Vi Anabela partindo
Pra não voltar nunca mais

quarta-feira, 3 de junho de 2009

ADRIANA CALCANHOTO E RENATO RUSSO

Fui até o Youtube a fim de assistir a uma gravação feita ao vivo de "Andrea Doria", do Legião. Antes mesmo de conferir o vídeo, dei uma olhada nas demais opções. Uma delas dava conta de Adriana Calcanhoto e Renato Russo cantando “Esquadros”, canção de que sempre fui fã. Muito curioso, cliquei logo para assistir. Afinal, era a chance de conferir, juntos, dois artistas que admiro demais – o vídeo está logo abaixo.

Em 1992, tive o privilégio de assistir a um show do Legião em Uberlândia. Cheguei à cidade ainda de manhã, para comprar o ingresso. Garantida a entrada, fui até um dos grandes hoteis da cidade para perguntar se a banda ficaria hospedada lá. Ficariam num outro. Fui até esse outro e perguntei a que horas chegariam.

Como o pessoal da recepção disse que não sabia, fiquei aguardando. Fui até uma papelaria em frente ao hotel e comprei papel e caneta, com a intenção de conseguir um autógrafo. O Legião chegaria umas quatro horas depois.

Assim que entraram, um segurança barrou o acesso dos fãs. Ficamos esperando, enquanto Renato assinava papeis na recepção. Um garoto de uns 12 anos passou por baixo do segurança. Se fosse trazer o garoto de volta, os demais fãs entraríamos...

Da entrada, pude ver Russo autografando os discos do garoto. Depois que terminou de autografá-los, o cantor veio até nós, que ficamos abobalhados de verdade, sem saber o que dizer. Ele então tomou a iniciativa:

– Oi, gente.

Aí, foi aquela loucura: todos queriam autógrafo.

Chegada minha vez, perguntei para ele:

– Renato, você se lembra de ter tocado em Patos de Minas?

Ele, frágil e baixo, olhou para cima, fazendo cara de surpreso, e me perguntou:

– Lembro. Cê tava no show?!

– Não. Na época eu tinha onze anos.

– Pô... Tô ficando velho...

Saí feliz do hotel por ter conseguido pegar um autógrafo. Sobre o show, escrevi na época. Caso queira, confira no site liviosoares.com.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

BATUCANDO

Em minha postagem anterior, mencionei o dia musical que tive. Eu não poderia terminá-lo de modo mais perfeito: peguei meus apetrechos de percussão e tive a honra de acompanhar Rejane (vocal), Woodson (bateria eletrônica) e Pedro (violão) num dos bares da cidade.

A rigor, eu seria platéia. Liguei para a Rejane, que estava passando o som no bar, e pedi a ela que dissesse aos responsáveis pela casa para reservarem lugar para mim. Como não havia mais mesas à disposição, a Rejane propôs que eu levasse a percussão e participasse com eles. Fazendo assim, eu teria um assento à disposição... Foi o que ocorreu.

Não bastasse o prazer de acompanhar os três, que já tive a oportunidade de fotografar, a noite contou ainda com a canja de Franco Levine. A voz dele é conhecia por aqui – ele fez uma participação especial na faixa “Todos menos eu”, da banda patense O Gabba. Foi muito bacana quando Rejane e Franco Levine cantaram “One”, do U2.

Meu muito obrigado à Rejane, ao Woodson e ao Pedro. O show era deles. Ao permitirem que eu participasse, concederam-me a oportunidade de fazer uma das coisas de que mais gosto – viver musicalmente as madrugadas.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

DIA MUSICAL

Desde os tempos em que fui cronista em jornais e revistas locais, a música pop tem sido assunto no que escrevo. Não tem sido diferente desde que comecei a lidar com blogues. Assim, digo que tive hoje um dia pop – ou um dia musical. É que decidi ir atrás de canções que procuro há um tempão.

Logo pela manhã, curtindo a Globo FM, do Rio de Janeiro, escutei uma música de que não sabia o nome. Pensei comigo: “Vou prestar atenção na letra, digito no Google alguns trechos dela e pronto”. Na prática, não foi bem assim: eu digitava o que havia escutado e não chegava à letra que eu havia curtido pela rádio.

Não me dando por vencido, decidi então entrar em contato com a equipe da emissora. Ao contrário do que ocorre com a maioria das empresas que colocam e-mail de contato mas não enviam retorno, fui gentil e rapidamente atendido pelo pessoal da rádio.

No e-mail enviado por mim, já à tarde, expliquei que a canção buscada havia sido executada entre 10h30 e 11h, entre os sucessos “À francesa”, da Marina Lima, e “Shiny happy people”, do REM.

Enviei a mensagem às 14h47. Às 15h38, Marcos Camara, programador da rádio, responde: “A música que você solicitou é ‘The story’, com Brandi Carlile”. A ele e à toda a equipe da rádio, parabéns por não fazer do e-mail um inútil canal de contato.

Prosseguindo com o dia musical, no fim da manhã, consegui um CD duplo que é uma coletânea com clássicos do Beto Guedes. Estão lá “Sol de primavera”, “O sal da terra”, “Paisagem da janela” etc. Em especial, eu procurava há um tempão “Vevecos, panelas e canelas” – que está no CD! Juntando tudo, fiz a seguinte seleçãozinha:

● Karnak – Alma não tem cor (foi regravada pelo Zeca Baleiro)
● Nila Branco – Chama
● Renata Arruda – Ninguém vai tirar você de mim
● Renata Arruda – Ouro pra mim
● Beto Guedes – Vevecos, panelas e canelas
● Bee Gees – Living eyes
●Cindy Lauper – Time after time (estou ainda atrás de uma regravação dessa música com o Miles Davis; ficou demais)
● Dire Straits – Your latest trick (versão ao vivo)
● Naomi – How many loves
● Dissidenten – Fata Morgana
● The story – Brandi Carlile

Acima, mencionei o tempo em que escrevi para a imprensa local. Sem querer soar cabotino, tomo a liberdade de comparar um trechinho de “The story” com algo que publiquei há tempos: Feliz aquele que tem histórias para contar – e as conta. Há um trechinho de “The story” que diz: “But these stories don’t mean anything/When you’ve got no one to tell them to” (Mas essas histórias nada significam/Quando não se tem ninguém a quem contá-las).

Gosto do jeito desbragado como Brandi Carlile canta. Foi a primeira coisa que me chamou a atenção. Quando escutei “The story” pela segunda vez, gostei do arranjo. Na terceira, da letra. A canção tem um quê de country misturado com pop (ou vice-versa). Caso você queira conferir clipe e tradução, eis o link. Para conferir crítica (em inglês) basta clicar aqui.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

DOSSIÊ NOVA YORK

Quem já foi locutor de estação FM sabe que às vezes a gente sente falta não é nem da locução em si, mas de anunciar uma canção específica de que gostamos muito. É meu caso com “Ziriguidum Tchan”, do Sá & Guarabyra. A canção é uma de minhas preferidas. Aos sábados à noite, num programa em que eu tocava só MPB e Pop/Rock nacionais, “Ziriguidum Tchan” era frequentemente executada.


Há uns cinco ou seis anos estou sem trabalhar em rádio. Desde que parei, não mais havia escutado a canção. A saudade já era muita; hoje, finalmente, eu a consegui. Estou há um tempão a escutando sem parar. Quando ela termina, eu a escuto de novo. Apesar de muito desafinado, gosto de cantá-la aos berros, o que faço agora, sozinho em casa, enquanto digito.

A canção está num LP (há o CD, lançado pela Eldorado) chamado “Vamos por aí”, que ainda tem “Meu lar é onde estão meus sapatos” e “Estrela natureza” (que chegou a ser trilha sonora de alguma novela). O trabalho é de 1990. Na época, lendo o encarte do disco, surpresa agradável: quem toca guitarra em “Ziriguidum Tchan” é o cantor e compositor Tavito – aquele do sucesso “Rua Ramalhete”.

“Ziriguidum Tchan” é sobre Nova York. Isso me fez lembrar de “A fogueira das vaidades”, de Tom Wolfe, publicado pela Rocco. O prefácio é de Paulo Francis, que escreveu: “Wolfe disse que ninguém mora em Nova York pelo clima ou pela qualidade de vida. (...) Pode-se ir a museus em outras cidades e ouvir música (bem melhor) na Europa. Em Nova York se vive pela ambição de ser número um no que se faz e não se poupa esforços, às vezes com resultados cruéis, para derrubar quem nos tolhe o caminho” (...).

Indico a leitura do livro de Tom Wolfe. “A fogueira das vaidades” foi seu romance de estréia. Estupendo debute. Em 1991, a obra foi transformada em filme homônimo por Hollywood, com Tom Hanks no papel principal. A direção é de Brian de Palma.

A foto a seguir é de Thomas Hoepker, da agência Magnum, tirada no histórico 11 de setembro de 2001. Na imagem de Hoepker, enquanto as torres gêmeas deixam escapar espessa fumaça, o primeiro plano mostra um grupo de jovens conversando. Discute-se muito se a foto revela inércia, atitude alienada ou incapacidade de comoção. Sabedor da polêmica que o registro causaria, Hoepker somente o divulgaria em 2005. Abaixo da foto, a letra de “Ziriguidum tchan”.
Nova York é ali
Tão perto daqui
O piloto sorri
Lá se vai o avião

Eles são o que rola
Eles fazem a moda
Nova York é mais perto
Que o sertão

Nova York é ali
Tão perto daqui
Oito horas de vôo
E ilusão

Nós pisamos na bola
Eles ganham em dólar
Nova York é mais perto
Que o sertão

Crack, rap, hip-hop, rock
Walk, don't walk now
Ziriguidum tchan

Se a viagem nos faz
Brasileiros demais
Cucarachas gerais
Na multidão

Essa ilha sem paz
Não se importa jamais
Nova York é mais perto
Que o sertão

Escondidos no fundo
Do umbigo do mundo
Joe nunca se encontra
Com João

Eles não se interessam
Eles não se conversam
Nova York é mais perto
Que o sertão

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

PALAVRA E MELODIA

Gosto demais quando as barreiras que separam o erudito do popular são derrubadas. Sempre me senti atraído pela tentativa de se fazer uma amálgama dos dois. Em mim, isso é tão forte, que chego a pensar que se algum dia eu tivesse de arriscar uma definição para o que é a arte, eu partiria desse princípio de fusão entre o que é considerado popular e o que é considerado erudito.

Canções e literatura sempre me atraíram. O John Lennon disse que quando começou a escrever letras, tentava imitar o Bob Dylan. Nessa tentativa, Lennon se esforçava por escrever letras complicadas cujo sentido permanecesse latente. Com o passar do tempo, mudou a abordagem e passou a escrever textos mais simples, mais diretos, com menos metáforas – “Imagine” é um exemplo dessa fase menos rebuscada. Contudo, Lennon reiterava que tentava escrever letras que pudessem ser também lidas, letras que funcionassem como um poema.

A música pop tem letras que são poemas. O que é pop não tem de necessariamente produzir textos que possam ser considerados peças literárias, mas isso não impede que a literariedade esteja presente no que é pop.

Penso em “The Unforgiven”, do Metallica. Com muita freqüência, eu me lembro de um dos trechos da letra. Diz o seguinte (tradução liviana):

What I’ve felt
What I’ve known
Never shined through what I’ve shown

(O que senti
O que conheci
Nunca brilhou por intermédio do que mostrei)

O trecho não precisa ser cantado para “funcionar”.

Neste momento, escuto algumas canções. Uma delas, “Misread”, do Kings of Convenience. Um trecho da letra foi o que me levou a escrever o texto que você está lendo agora. Diz o trecho (novamente, tradução liviana):

How come no one told me
All throughout history
The loneliest people
Were the ones who always spoke the truth
The ones who made a difference
By withstanding the indifference

(Por que ninguém me disse
Que por toda a história
Os mais solitários
Foram os que sempre falaram a verdade
Os que fizeram a diferença
Resistindo à indiferença)

A MPB é pródiga em letras-poemas. De Pixinguinha a Lulu Santos, há fartura. E assim, “a porta do mundo é aberta/Minha alma desperta/Buscando a canção”.

DIA DE BONGÔ

Hoje (26/7/2008), comecei o dia surrando meu combalido e empoeirado bongô. Comecei a escutar algumas canções, entusiasmei-me e me desenferrujei.

Acompanhei as seguintes canções:

“Ventura highway” – America (Essa, preciso treinar.)
“A estrada” – Cidade Negra
“Hope of deliverance” – Paul McCartney
“À noite sonhei contigo” – Paula Toller
“When a man is wrong” – Seal (Essa, com a pandeirola.)
“Só pra te mostrar” – Daniela Mercury – participação de Herbert Vianna
“Misread” – Kings of Convenience (Nessa, embananei no meio.)
“All around the world” – Lisa Stansfield e Barry White (Essa, pensei que não ficaria legal, mas gostei.)
“Lady” – Mojo (Essa tem um andamento mais rápido; por eu estar fora de forma, passei apertado.)
“In your eyes” – Peter Gabriel
“Esse seu jeito sexy de ser” – Sempre Livre
“A horse with no name” – America (Essa, toquei duas vezes; a primeira, ficou muito ruim; a segunda, um pouco pior.)

Fiquei devendo nas duas do America que compuseram o repertório. Mas foi legal. De alma lavada, sigamos.

P.S.: Depois de lidar com alguns afazeres, voltei para o bongô e ainda batuquei ao som de duas canções do Zé Ramalho: “Garoto de aluguel” (versão acústica) e “Beira-mar”.

SHOW DE BOLA

Agora há pouco (18/7/2008), estive conferindo show com o Mistura Fina e Wilmar Carvalho (voz e guitarra), num dos restaurantes da cidade. No repertório, clássicos do cantor e compositor Djavan.

O Mistura Fina tem como integrantes César Braga (piano digital), Castor (bateria) e Ivan Rosa (baixo). O trio tem mantido um trabalho à parte, já tendo se apresentado em bares e restaurantes, com música instrumental. Paralelamente, já realizaram com Wilmar Carvalho shows no Teatro Municipal Leão de Formosa, ocasiões em que apresentaram canções de Caetano Veloso.

A apresentação de há pouco teve um breve intervalo, de modo que o show foi divido em duas partes.

O que mais me chamou a atenção na história toda é que o espetáculo não teve cara de cover do Djavan. Pérolas como “Faltando um pedaço” (em belíssimo arranjo), “Lilás”, “Meu bem querer” e “Pétala” compuseram o repertório, mas foram executadas à moda do quarteto. Para se ter uma idéia, “Sorri” teve “pegada” jazzística. O efeito disso foi bacana. Ao mesmo tempo em que nós, platéia, estávamos escutando Djavan, havia um toque pessoal por parte de cada um dos integrantes da banda. Em conversa com eles depois do show, Castor disse que já são experientes o bastante para darem o toque personalizado no que estão tocando.

Terminada a apresentação com as canções do Djavan, o trio Mistura Fina ainda tocou por mais alguns minutos.

É intenção do quarteto continuar tocando junto.

Logo mais, apresentam-se novamente, no mesmo local. A noite de sexta está garantida.

SEM PALAVRAS

Mais cedo (9/7/2008), num dos bares da cidade, conferi show com o grupo Mistura Fina, que executa música instrumental. Os integrantes são Ivanir Rosa (baixo), Castor (bateria) e César Braga (piano digital). No repertório, clássicos do jazz, do samba e da MPB em geral. De Creedence Clearwater Revival, passando por Tom Jobim e Jorge Benjor, o repertório é executado com técnica e curtição pelos três experientes músicos.

Em conversa que mantive com eles depois da apresentação, disseram que têm a intenção de continuar com os shows. Além de realizarem o trabalho com música instrumental, é plano deles se juntarem a cantores e apresentarem mais uma faceta de seu trabalho. Já há apresentações agendadas com o cantor e músico Wilmar Carvalho. Nos dois primeiros shows por vir, vão apresentar músicas de Djavan (com Wilmar Carvalho, já se apresentaram no Teatro Municipal Leão de Formosa, em shows com clássicos de Caetano Veloso). Virão ainda apresentações com canções do Legião Urbana.

Os três são professores do Conservatório Municipal, onde se pode entrar em contato com eles.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

CLÉVERSON LIMA

Há pouco (14/6/2008), eu estava assistindo a mais uma apresentação de Cléverson Lima, que toca nos bares e restaurantes da cidade.

Na primeira vez em que o vi tocar, foi na Opus 3, antiga boate que houve aqui em Patos de Minas. Logo me chamou a atenção a desenvoltura que ele tinha no palco.

A partir daí, passei a assistir com freqüência às apresentações do Cléverson. Algumas, antológicas, como numa em que, entusiasmado, ele colocou o violão no chão, solou enquanto quis e voltou a tocar do modo usual. Isso foi num sábado; na segunda, quando comentei com ele que havia gostado da performance, ele sorriu e disse que a “brincadeira” lhe custaria caro: o violão empenara e outro teria de ser comprado. E rápido, pois ele teria show no fim de semana seguinte.

As canções que toca, Cléverson as sabe de cor. Há pelo uns doze anos o vejo se apresentando nas noites da cidade. Nesses doze anos, jamais houve uma noite em que ele não tocou uma canção que eu nunca o tinha visto tocar. É impressionante a imensa quantidade de canções que ele sabe. Há pouco, por exemplo, ele tocou “Everybody wants to rule the world”, clássico do Tears for Fears. Eu nem sabia que ele sabia essa canção. Também executou duas novas canções da Banda 365. Na década de 80, esse grupo fez sucesso com “São Paulo”. O Clérverson, atualizado, já havia me dito que estavam de volta. Ainda sem ter escutado o CD dos caras, já tive contato com duas das canções, por intermédio do show a que assisti há pouco.

Ele vive de música, e faz com que vivamos melhor. Em meu segundo livro, “Algo de sempre”, publicado em 2003, há um poema em que menciono o artista da noite. Abaixo, reproduzo o texto.

Interativo

A poesia salvará Adélia Prado.
O que me salva é o talento.
Sou melhor perto do talento,
seja da Adélia ou do Cléverson Lima,
que toca em bares.
Nada da insignificância minha existe
quando tenho talentos diante de mim.
Sou eu, mas pleno de talento.
Sou quem sois – o que dá uma boa idéia
de minha enorme grandiosidade.