segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

EM COMUM

Alguém caminha por uma rua qualquer. Está vestindo a camisa do time pelo qual torce. Ao dobrar a esquina, depara-se com um estranho que está vestindo a camisa do mesmo time. Ainda que não digam nada, haverá cumplicidade nos olhares; talvez haja discretos sorrisos.

Essa cumplicidade, ainda que não manifestada com veemência, sugere algo do tipo: “Ei, que legal, a gente torce pelo mesmo time”. Só que um desses torcedores, minutos depois, depara-se com alguém que está vestindo a camisa do time rival. Ainda que não eloquente, paira uma animosidade.

As pessoas não sabem ampliar o que têm em comum. O torcedor que veste a camisa de seu time e se depara com alguém vestido com a camisa do rival não tem o senso de pensar “ei, que legal, a gente tem algo em comum, a gente gosta de futebol”. O que era para uni-los acaba os separando.

É claro que isso não vale somente para o futebol. As pessoas se separam por motivos ingênuos e estúpidos. A rigor, não fossem tão obtusas, no encontro entre dois estranhos deveria pairar a ideia “ei, eu sou gente, você é gente; vamos trocar uma ideia?”. Whitman faz falta. 

sábado, 28 de dezembro de 2013

RELÓGIO 2

"MENOS É MAIS"


Em fotografia se diz que “menos é mais”. Isso serve também para a literatura; a densidade não está em se tentar abarcar tudo, mas, sim, em saber esmiuçar uma questão e seus desdobramentos. Em fotografia, o “menos é mais” geralmente se refere à quantidade de equipamento que pode ser levada numa aventura fotográfica.

Um bom exercício fotográfico é um passeio em que se leva apenas uma lente e uma câmera. Pode ser que um determinado assunto fotográfico seria melhor capturado com outra lente que não a que tivermos na câmera. Mas a intenção é mesmo tentar fazer o melhor com o que se tem em mãos. Se um assunto não rende imagem com o equipamento que temos, procura-se outra coisa para fotografar. Trata-se de um exercício de criatividade.

Entretanto, o “menos é mais” é “lei” que também é útil quando se considera o assunto principal na imagem fotográfica. Assim como na literatura, na fotografia, afunilar é mais eficaz do que querer englobar demais. Se há coisas em profusão na imagem fotográfica, o olhar do espectador pode se perder. Cabe ao fotógrafo guiar quem contempla a imagem, evidenciando o assunto principal. 

É claro que esse macete não deve ser camisa de força a tolher o trabalho. Ademais, é preciso considerar o que se fotografa: qualquer rua de qualquer cidade é visualmente poluída. O “menos é mais” é exercício que apura o olhar, incrementa a técnica fotográfica, faz com que o autor da imagem tenha de procurar outra abordagem ao fotografar. A foto desta postagem tem a intenção de ilustrar isso que digo.
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F/8.0
1/2500
ISO 250
“Flash” utilizado
Registro feito hoje às 17h32 

RELÓGIO 1

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

TRÊS ACORDES

Sol
A música é a prova de que 
às vezes vale a pena 
quebrar o silêncio.

Se for para 
não haver silêncio, 
que haja música.

Preenche teus dias 
com música e 
com silêncio. 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

POR INTEIRO

Sem meias palavras, 
sem abreviações, 
sem códigos que 
só os dois sabem ler.
Palavras são
desmembradas,
ficam pela metade,
são sugeridas.
Só o amor, 
robusto e 
esperançoso, 
é indivisível.

Amor não precisa 
sair da porta para fora, 
não precisa ser 
publicado em outdoor.
Amor não precisa de
rede social nem 
de rede nacional.

Ainda assim, 
a palavra amorosa 
quer chegar inteira 
ao coração do outro. 

domingo, 22 de dezembro de 2013

COMO SEMPRE, "AS RELAÇÕES PERIGOSAS"


Que a vida me dê a chance de reler e reler “As relações perigosas”, de Choderlos de Laclos. É fascinante como o livro consegue ser, ao mesmo tempo, um tratado do amor e do desamor. Como numa moeda, ao esmiuçar o amor de um lado, deixa-nos deduzir o desamor do outro; ao detalhar o desamor de um lado, deixa-nos concluir o amor do outro. Amor e desamor em homens, mulheres e jovens.

“As relações perigosas” é um monumento à linguagem, à fina observação do amor e dos estratagemas que podem ser usados por homens e mulheres ao lidar com ele. Um monumento triste, denso, intenso, lancinante. Um monumento que reflete o quanto de amor e de desamor somos capazes de engendrar.

Eu já havia lido uma edição que tem a tradução de Carlos Drummond de Andrade, numa parceria Ediouro/Folha de S.Paulo. A edição que estou lendo agora é uma outra parceria, desse vez entre a Penguin/Companhia das Letras. A tradução é de Dorothée de Bruchard. O tom de Bruchard é menos solene do que o de Drummond: se ela, por exemplo, prefere o “você”, Drummond opta pelo “vós”. 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

FIFTY GIRLS

Lembro-me como se tivesse ocorrido instantes atrás: a pé, estávamos passando sobre a ponte do Rio Paranaíba, aqui em Patos de Minas. Eu devia ter uns oito, nove anos. Foi quando o Edinho, colega de infância, disse que sabia falar “garota” em inglês — e falou!

Fiquei impressionado. Na época, não verbalizei o impacto que tive por causa da situação. Fosse para verbalizar, eu diria algo assim: “Cara, ele tem a minha idade e saber falar ‘menina’ em inglês! Que incrível!”.

Mais tarde, na pré-adolescência, o Edvaldo, que era meu vizinho, disse, casualmente, enquanto brincávamos com uma bola de basquete, que sabia contar até cinquenta em inglês. Novamente, fiquei admirado. Fosse para verbalizar, sairia algo assim: “Ei, como pode alguém saber contar até cinquenta em inglês?!”.

Sempre tive a propensão a encarar as realizações mentais alheias como façanhas. É assim ainda hoje. Em virtude disso, sempre tive o maior fascínio pelos meus professores. Eu ficava abobalhado diante da inteligência deles; minha vontade era a de ser tão brilhante quanto eles.

A leitura dos clássicos, iniciada na adolescência, colaborava para o aumento da minha admiração pelos feitos da inteligência; chamo isso de senso de espanto. Ainda que muita coisa tenha sido deixada para trás, tal senso continua em mim. Um pouco menos ingênuo, mas ainda intenso. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

ATLÉTICO/MG x RAJA CASABLANCA

Li à exaustão que o Bayern era favorito no jogo de ontem. O rival do time alemão era uma equipe chinesa: Guangzhou. A superioridade do Bayern realmente se fez presente em campo.

Também à exaustão li que o Atlético/MG era favorito diante do Raja Casablanca. Entretanto, na prática, o que se viu foram duas equipes parelhas. Não houve, em campo, a tão propalada superioridade atleticana.

Levando-se em conta estritamente a partida disputada há pouco, não vejo como vexame a derrota do Atlético. Nem penso que o Atlético tenha entrado de salto alto. Depois de sofrer o primeiro gol, o time concedeu diversas oportunidades para que o Raja Casablanca marcasse em contra-ataques. 

A defesa do Atlético vacilou. Num desses vacilos, o juiz marcou pênalti (em minha opinião, não houve) de Réver a favor da equipe marroquina; cobrança convertida. Num último contra-ataque, Vivien Mabide fez o terceiro gol de seu time.

O próprio Mabide dissera: “Eu já enfrentei Messi. Se já enfrentei Messi, como vou temer Ronaldinho? Ele não é mais aquele Ronaldinho que jogava no Barcelona. É só nome”. 

“O que há num nome?”. Nada. Foi Ronaldinho quem marcou o gol do Atlético. Não pelo nome que tem, mas por saber cobrar falta muito bem. Num bom jogo, a equipe mineira encerra a temporada em 2013, deixando para uma próxima o sonho do título mundial. 

sábado, 14 de dezembro de 2013

SINTONIA FINA — EDIÇÃO 23


Que tal um programa para a tarde de sábado?...

No ar, mais um edição do Sintonia Fina, programa musical.
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Jessé – Solidão de amigos
Lorde – 400 lux
Raimundos – I saw you saying that you say that you saw
Rod Stewart and Jeff Beck – People, get ready
Raul Seixas – O trem das 7
Glass Tiger – Diamond Sun
Titãs – Eu não aguento
Playing for Change – Gimme shelter 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

NÃO SE VÁÁÁÁ

Fui a uma papelaria agora há pouco. Havia um rádio ligado no ambiente. A estação de AM estava executando “Não se vá”, com Jane e Herondy. A canção fez tanto sucesso, mas tanto sucesso, que a impressão com que fiquei na época era a de que “Não se vá” nunca deixaria de fazer sucesso (somente hoje descobri que "Não se vá" é versão de "Tu T'En Vas", canção francesa). Só voltei a ter essa sensação, que até acho meio engraçada, quando o Michael Jackson lançou “Thriller”. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

FOTOPOEMA 340

AZUL

Um sol do tamanho 
do céu se abre. 
Um céu do tamanho 
do sol me agiganta. 

FALTA DE GRAÇA 2

Lembro-me de uma entrevista em que o Chico Anysio disse não haver diferentes tipos de humor; alegou ele haver apenas o humor. Isso nunca me saiu da cabeça; de tempos em tempos, a declaração dele voltava à minha lembrança. No fundo, quando vi o genial Chyco dar a declaração, eu me perguntei: “Será que não haverá mesmo diferentes tipos de humor?”.

Entendo que em essência o fio condutor é o mesmo: o humor quer levar ao sorriso ou ao riso. Se encarado assim, o humor é mesmo um só. Mesmo assim, não me parece desarrazoado falar em vertentes do humor, por assim dizer. A graça pode estar em gestos, em paródias, em palavras, em imagens, em desenhos, em pinturas...

À parte o gênero de que o humor esteja se valendo, acredito que há diferentes nuances dele. Para muita gente, a graça pode estar na desventura do outro. Sinto muito, mas não consigo enxergar graça em quem se vale do recurso para tentar produzir algo divertido. Pode-se muito bem ser engraçado sem que para isso um cego tenha de ser achincalhado pela cegueira que tem.

Tentei, tentei mesmo achar graça em gente como Rafinha Bastos e Danilo Gentili. Cheguei a supor que pudesse estar havendo em mim um defeito a impedir que eu encarasse as coisas de um modo mais leve e menos turrão. Mas, ao mesmo tempo, eu percebia que eu continuava rindo de mim, das bobagens das pessoas de meu convívio e das bobagens de humoristas. Era um alento perceber que eu não havia perdido a capacidade de achar graça.

Para mim, o que Rafinha Bastos e Danilo Gentili fazem quando tentam ser engraçados não é humor. Além do mais, quando não estão fazendo humor, deixam claro o tipo de gente que são. Gentili, “debatendo” com uma internauta no Twitter, escreveu: “Chupadora de rol* de genocida e corrupto detected. Quem quiser deixa-la [sic] molhadinha basta assassinar alguem” [sic]. 

A resposta de Gentili se deveu a um comentário da internauta: “O Jô Soares é de direita, mas é respeitado, pois tem conhecimento (leitura). Agora, esse Danilo Gentili cita a Forbes. Ridículo”. Gentili, por fim, “filosofa” sobre o que pode ser feito no ano que vem: “A conclusão é que o que falta mesmo é um pau bem grande no c* de todo mundo. Reflitam sobre isso. Esse é o desafio pra 2014: mais pau no c* de todo mundo”.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

RETRATO FALADO: ENTREVISTA COM ONESIL FIO


No ar, mais uma edição do Retrato Falado, programa de entrevistas.

Meu convidado é Onesio Fio, que promove cavalgadas beneficentes. O Retrato Falado vai ao pelo Canal 5 da Net, operadora de TV por assinatura, aqui em Patos de Minas. 

DISLEXIA 2

Cada um se arma.
Vão para a guerra.
Começa o duelo.
A torcida fibra.
No país do futebol,
a pola agita a rede. 

KILLER JOE


Continuo mantendo a tradição pessoal de assistir a filmes muito tempo depois de terem sido lançados. Assim foi recentemente com “Killer Joe – matador de aluguel” [Killer Joe, EUA, 2011]. O filme é dirigido por William Friedkin, bastante conhecido por “O exorcista”, clássico de 1973.

O filme é baseado em peça homônima, escrita por Tracy Letts. Para o elenco, Friedkin escalou Matthew McConaughey (Killer Joe Cooper), Emile Hirsch (Chris Smith), Juno Temple (Dottie Smith), Thomas Haden Church (Ansel Smith) e Gina Gershon (Sharla Smith).

Endividado por causa de drogas, Chris vê na morte da mãe um jeito de ele descolar a grana, pois a morte dela implicaria pagamento de seguro. Joe é então contratado para matar a mãe de Chris. O assassino, contudo, ao conhecer Dottie, a irmã de Chris, exige que ela seja a garantia em caso de calote de Chris.

Não é somente a temática que lembra a de “Fargo”, filme dirigido pelos Coen em 1996. Tanto um quanto o outro têm em comum um jeito de narrar, que é o dizer as coisas mais escabrosas, sórdidas ou surreais como se algo trivial estivesse sendo enunciado. O truque não é novo nem em narrativas cinematográficas nem literárias, mas sempre funciona. Junte-se a isso um belo toque de humor macabro.

Não há inocentes em “Killer Joe”; nem mesmo Dottie. Ao mesmo tempo, todos são vítimas. Num enredo que não julga nem analisa o comportamento dos personagens, eles mesmos não estão preocupados, seja em se entenderem, seja em entenderem o contexto em que estão.

A direção de Friedkin é impecável. Parte do sucesso está em algo que soa óbvio mas que nem sempre é fácil: extrair o melhor dos atores. Pelo menos é essa a sensação com que se fica. A sequência em que Joe pede a Dottie (a qual tem, ao mesmo tempo, um ar pueril e sensual) que ponha o vestido é uma aula de cinema, em que paixões e pulsões vêm à tona. 

domingo, 8 de dezembro de 2013

FORA DE CAMPO, FUTEBOLZINHO

Os estádios para a Copa do Mundo em 2014 estão custando mais do que o programado; eu e você estamos pagando a conta. No Itaquerão, no dia 27 de novembro, Fabio Luiz Pereira, 42 anos, e Ronaldo Oliveira Santos, 44 anos, morreram, depois de um acidente em que uma peça se soltou de um guindaste.

Eu já disse anteriormente que sou contra a realização da Copa do Mundo aqui. Quanto mais a data do início do torneio se aproxima, mais contra vou me tornando. No fim das contas, sei que a Copa será realizada. Isso, contudo, não anula a questão de que não estamos prontos para grandes eventos, pois não sabemos lidar nem com nossos pequenos problemas.

Hoje, em Joinville/SC, houve briga entre os torcedores do Atlético e do Vasco, quando o time carioca já estava sendo derrotado pelo Atlético/PR por um a zero. Torcedores foram levados para um hospital da cidade (não correm risco de morte). Depois, integrantes da torcida do Atlético/PR brigaram entre si.

A briga em Joinville de um toque melancólico ao fim do torneio. Para o futebol carioca, a temporada foi terrível: Fluminense e Vasco foram rebaixados. Já o futebol mineiro teve seu melhor ano na história, com o Atlético campeão da Libertadores e o Cruzeiro campeão brasileiro. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

APONTAMENTO 190

A fome se regozija com o que a abastança dispensa. 

"COMPRE! COMPRE! COMPRE!"

Há muitos anos li uma frase que dizia algo mais ou menos assim: “Algumas roupas nos dão uma sensação de paz tão grande que nenhuma religião consegue nos proporcionar”. Não me lembro de quem é a frase, as palavras podem não ser exatamente essas, mas a essência dela está no que cito de memória.

Deixo de lado a questão específica da sensação de paz, referindo-me agora ao que um determinado produto pode causar: a ideia de que basta tê-lo para se tornar uma pessoa descolada. A publicidade e a propaganda são eficazes, pois cai-se na armadilha, compra-se a ilusão, seja ela materializada num telefone, seja num televisor.

Um produto dá a ilusão de que se é descolado. Ilusão que passa rápido. Daí a ânsia de se adquirir um outro, pois não se quer ficar fora da comunidade dita globalizada e descolada. Compra-se e fica-se com a sensação de que estamos em sintonia com os demais, frequentando uma comunidade de gente sedutora e inteligente. 

Não comprar é estar fora do jogo, é anular a sensação de pertencimento a uma coletividade contemporânea, feliz e cosmopolita. Nessa “lógica”, o modelo de produto lançado ontem é obsoleto hoje; o que importa é ser descolado agora. Miragem e ilusão a nos prometer um oásis criativo e maduro, num mundo em que atraímos os outros porque compramos. O celular faz o monge. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

SINTONIA FINA — EDIÇÃO 22


Seleção musical

Moby – The perfect life
Bruno Fontoura – Despertar
Fun – Carry on
A Cor do Som – Abri a porta
Kings of Leon – Beautiful war
Zeca Baleiro – Babylon
Abba – I do, I do, I do, I do, I do
Zé Ramalho – Garoto de aluguel 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

APONTAMENTO 189

O mundo é histriônico, não tem sensibilidade para sintonizar quem não é. Num insano afã por barulho, nessa busca inescrupulosa por uns trocadinhos e alguns minutos de fama, muitos discretos formidáveis, em meio ao vozerio, nem são notados. Os sutis, captados por poucos, são negligenciados pela maioria. O mundo, ansioso por gritaria, quer pessoas espetaculosas, mas não tem a inteligência para perceber espetaculares silêncios e sutilezas. 

domingo, 1 de dezembro de 2013

VASCO OU FLUMINENSE

O Cruzeiro foi uma mãe para o Bahia, que, após a vitória de hoje no Mineirão, livrou-se do rebaixamento, o que acho ótimo. O próprio Cruzeiro já havia sido uma mãe para o Vasco, perdendo para a equipe carioca. O problema é que o Vasco parece estar sem pai nem mãe; a equipe segue na zona de rebaixamento, mesmo tendo vencido o rebaixado Náutico.

O Fluminense também está na zona de rebaixamento. Na última rodada, joga contra o Bahia. Não tivesse o time do nordeste vencido o Cruzeiro no Mineirão, o jogo do fim de semana que vem poderia ser ainda mais dificultoso para o Fluminense. Já o Vasco, na última rodada, enfrenta o Atlético/PR, que ainda disputa vaga na Libertadores.

Já é certo que Fluminense ou Vasco cairá. Pode acontecer ainda de os dois caírem, o que configuraria um ano deplorável para o futebol carioca, mesmo com o Flamengo tendo vencido a Copa do Brasil. Alguns dos que desejam a queda do Fluminense usam o argumento de que o tricolor já foi favorecido em duas viradas de mesa. Para esses torcedores, estaria na hora de o Flu sentir o gosto da segunda divisão.

(As histórias de viradas de mesa refletem os esquemas condenáveis do futebol brasileiro. Caso queira se informar sobre algumas delas, confira este “link”: http://blogdobirner.virgula.uol.com.br/2008/03/28/os-times-beneficiados-pelas-viradas-de-mesa/) 

(DES)APONTAMENTO 5

Estou acompanhando o jogo do Cruzeiro pela TV. Parece haver um helicóptero sobrevoando o Mineirão. Acho que não é o da família Perrella, a qual deve estar passando o domingo em branco. 

sábado, 30 de novembro de 2013

MANHÃ

A gente não sabe do que um dia é capaz.
Acorda cedo.
O dia rende, a gente tece um dedo de prosa.
Os galos não pegam o canto de outros galos?
A gente tece essa manhã também.
Senta aí, a água tá no fogo.
Daqui a pouco tem café.
Tem biscoito.
Aceita mais? 

APONTAMENTO 188

Diante de algumas obras de arte a impressão com que se fica é a de que é óbvio que deveriam existir. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

APONTAMENTO 187

A arte existe para elevar a alma, para nos tirar de nossa existência precária, difícil e limitada. É arte é um vislumbre de paraíso, uma possibilidade de ascese, um modo de nos tornarmos menos contingentes, mais duradouros, mais sonhadores, mais humanos, mais inteligentes, mais próximos de nosso semelhante, menos normaizinhos. A arte é para unir, é para nos fazer acreditar, mesmo se não houver solução. A arte é um jeito de a gente ficar bonito, um jeito de enxergar a beleza e a viabilidade deste mundo tão desconsertado, um jeito de a gente inventar uma comunhão e sair por aí... 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

OS AZARÕES

A noite de ontem foi de três azarões: do Flamengo, do Atlético/PR e da Ponte Preta. A classificação da Macaca, na partida dessa quarta, para a final da Sul-Americana não surpreendeu, pois ela havia vencido o São Paulo por 3 a 1 no Morumbi. O título do Flamengo também não surpreendeu, pois o Urubu podia até empatar por 0 a 0. Mesmo derrotado, o Furacão nem esperava chegar aonde já chegou, sendo que pode ainda conseguir vaga na Libertadores via Campeonato Brasileiro.

Os três times são azarões, pois não se apostava neles quando o ano começou. No Flamengo, depois que Mano Menezes pulou fora, as perspectivas ficaram ainda piores. Jayme de Almeida, funcionário do clube, assumiu e ajudou o rubro-negro carioca na conquista de ontem. Por um salário bem menor do que o do Mano, suponho.

Pelos padrões insanos do futebol, a Ponte Preta não é um time caro. Ainda levando-se em conta esses padrões, o Cruzeiro também não é. Pode ser que a Ponte não vença a Sul-Americana, mas o time nunca havia disputado um torneio internacional; no primeiro que disputa, vai à decisão. O Cruzeiro já é o campeão brasileiro.

É tentador dizer que exemplos como o da Ponte Preta e do Cruzeiro provam não ser preciso um elenco caríssimo para se ter êxito no futebol. É evidente que essas equipes estão provando ser possível ir longe sem orçamentos doidões. Todavia, não se pode afirmar que orçamentos comedidos sejam a causa do sucesso da Ponte Preta e do Cruzeiro. Ademais, no Campeonato Brasileiro, a Ponte está prestes a ser rebaixada.

Se por um lado, é coerente afirmar que, no futebol deste 2013, o segredo do êxito não esteve em orçamentos estratosféricos, por outro, não há como garantir que times caros não voltarão a ter êxito. A ideia de um time que tenha folha de pagamento sensata (sempre levando-se em conta os padrões do futebol) e que mordisque conquistas é bonita. Eu acharia muito bom se assim prosseguisse. Mas não se pode a partir daí afirmar que a causa do sucesso seja o orçamento menor em relação às equipes caras. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

DISLEXIA

A face da Lua 
de que mais gosto 
é a rua cheia.

É quando saio 
a caminhar. 
Paço a paço, 
sigo sem prece 
o meu trajeto.

Que eu compartilhe a luz, 
mesmo saber quem eu sol. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

INSÔNIA

Estava sem um pingo de sono.
Aproveitou para colocar os pingos nos ii.
Dormiu sem executar a tarefa. 

JÚLIO BAPTISTA SOBRE O IMBRÓGLIO VASCO x CRUZEIRO

Divulguei aqui minha desconfiança quanto à lisura do placar do jogo entre Vasco e Cruzeiro, no sábado. Hoje, Júlio Baptista deu sua versão dos fatos. É quase minha obrigação divulgá-la — o que faço abaixo.

Pode-se argumentar que o jogador mente em sua declaração. Sei que isso é possível, mas prefiro acreditar que ele tenha escrito a verdade. Assim sendo, estive errado em minha impressão sobre possível maracutaia para que o Vasco vencesse a partida.

Abaixo, o comunicado do jogador, tal qual divulgado por ele.
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“Olá Pessoal,

“Estou muito triste com o fato divulgado pela imprensa no dia ontem. Pegaram um trecho de uma conversa minha durante o jogo contra o Vasco dando a entender que estávamos entregando o jogo... Incrível!!! É um absurdo!!!! Por isso, gostaria de pedir um momento de vocês para poder explicar os fatos da maneira e forma como realmente aconteceram. Assistam o vídeo da partida e vão entender que se divulga não é legal comigo e muito menos com o Cruzeiro, Tri-Campeão Brasileiro!

“Saí muito cedo do Brasil para jogar na Europa e sou muito agradecido a Deus por desde sempre ter conseguido estar nos melhores times do planeta como: São Paulo, Arsenal, Roma, Real Madrid, Sevilha, Málaga e agora no Cruzeiro o melhor time do campeonato Brasileiro e do Brasil na atualidade.

“Minha vida, assim como a vida de todos vocês não é fácil. Tive e tenho de lutar muito de onde eu saí para atingir a excelência em minha profissão e com muita humildade conseguir um lugar de destaque. Abdiquei de muitas coisas em minha vida e sempre soube que para dar uma vida melhor à minha família e atingir os objetivos não teria outra forma; não existe mágica! Pesquisem o meu passado... Nunca fui envolvido em nenhuma polemica que pudesse ferir o meu caráter, honra e ética. O único caminho utilizado sempre foi trabalhar, trabalhar e trabalhar muito, respeitar a torcida, clube e saber esperar com muita fé e determinação o meu momento.

“Vivo hoje um momento que qualquer jogador do mundo gostaria de viver. Voltar ao Brasil, ser recebido com o carinho que a torcida do Cruzeiro me recebeu e abraçou! Com toda sinceridade não esperava tamanha sintonia com o torcedor do Cruzeiro que é incrível!! Uma torcida que joga junto com a gente e sempre incentiva nos dando muita força.

“Já tive momentos difíceis em minha vida que tive de superar com muita força de vontade. Mas nenhum foi triste como este, pois acima de tudo envolve uma exposição de valores pessoais, filosofia de vida, que sempre vou Lutar para que sejam preservados com Ética, Respeito ao trabalho, Respeito à Minha Família, Seriedade, Foco, Caráter, Lealdade e Justiça! Pensem, como eu poderia chegar em casa olhar minha esposa e filha se isso que falam fosse verdade???

“Peço que assistam o vídeo novamente e o que vão ver é que, infelizmente, o Cruzeiro já vinha perdendo o jogo de 2 a 0 e aos4:38 minutos do segundo tempo em um escanteio onde talvez eu ou um companheiro poderíamos fazer um gol no Vasco e o Cris, utiliza de sua experiência de anos a frente de grandes clubes para fazer comigo, uma espécie de guerra psicológica (muito comum no futebol) dizendo para eu "Amaciar". Como estava muito focado falei duro com ele para ir lá e "Fazer um Gol, P...." (desculpem o palavrão, mas dentro de campo não tem como). Tenho um grande clube a defender que é Tri-Campeão Brasileiro, uma história de vida a honrar, uma linda família para criar e passar adiante valores de caráter e ordem moral (minha verdadeira base do que realmente considero como legado). Disse que estava muito triste, por isso. Pois estou trabalhando e isso pra mim é sagrado!!

“O Cruzeiro, não levou nenhum gol no segundo tempo e após este fato. Na verdade fizemos dois gols, sendo um anulado. Por isso, não faz sentido nada do está que sendo, infelizmente, divulgado! Como pode??

“Estou triste... Tal sentimento, infeliz, vem acompanhado de uma forte impotência, pois estão falando muito principalmente na internet sobre o fato; e não posso ir a cada um e explicar olho no olho. Por isso, gostaria solicitar a cumplicidade de vcs para divulgar a verdade.

“Leio aqui na rede várias frases de incentivo e quero contar com o Apoio de Vocês para superar com a devida honra uma tamanha injustiça!” 

domingo, 24 de novembro de 2013

ATÉ VOCÊ

“Com globo.com, até você fica diferente”. Sem o “até” a frase seria: “Com globo.com, você fica diferente”. Ficaria mais simpático. O “até” deixa margem para coisas do tipo “com globo.com, até você, que é tão igual a todo o resto e desinteressante, fica diferente”.

A ideia sendo vendida é essa mesma, ou seja, a ideia de que bastaria ter globo.com para que a pessoa se destacasse das demais do rebanho. Contudo, parece-me, não era intenção dos criadores da campanha serem tão explícitos, a ponto de dizerem que somos de fato um bando de desinteressantes num rebanho sem graça. Ou era? 

DESAFINADO

Quando 
há sol aqui,
canto lá. 

ARMAÇÃO ENTRE CRUZEIRO E VASCO?

Júlio Baptista, do Cruzeiro, e Cris, do Vasco, deram versões parecidas para a cena em que Baptista diz para Cris: “Faz logo outro gol, p...; faz logo outro”, quando o Vasco já estava vencendo a partida por dois a zero. Segundo os dois, Baptista disse o que disse pelo fato de eles estarem discutindo: depois de Cris, supostamente, ter pedido ao Cruzeiro para amaciar, Baptista retrucou (também supostamente), desafiando o Vasco a fazer mais um.

Quando li que os dois haviam dado versão parecida para a história, eu me dei por satisfeito. Todavia, ao ver o lance, fiquei em dúvida: Baptista fala duas vezes “faz logo outro”. Minha desconfiança é gerada não pela repetição das frases: enquanto as diz, ele olha, furtivo, para os lados, como se estivesse certificando-se de que sua fala não seria percebida por ninguém.

É claro que não tenho como provar que Baptista tenha tido a intenção de ser literal no que disse, bem como não tenho como saber se ele disse o que disse em tom de desafio, de provocação. Contudo, a impressão com que fiquei, e posso estar errado nisso, é que ele não estava, por assim dizer, desafiando o Vasco.

Sempre duvidei de teorias das conspirações, sejam elas quais forem. Isso, contudo, não me impede de saber que o futebol está cheio de armações. Essa pode ter sido mais uma. Nós, torcedores, não temos acesso a bastidores e a possíveis negociatas. Para mim, ficou a dúvida, ficou a nódoa na campanha do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro. 

Do modo como as coisas são, não torcer demais é salutar. Tudo isso me faz lembrar do Eurico Miranda, que foi presidente do Vasco; ele disse que pretende voltar ao cargo. Recentemente, em entrevista, Miranda declarou que o Vasco está ameaçado de rebaixamento devido ao profissionalismo do clube. Teriam Cruzeiro e Vasco seguido o “conselho” de Miranda no partida de ontem? 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

COMEÇANDO BEM

Certa vez, o Millôr Fernandes escreveu uma crônica em que ele reuniu as primeiras frases de grandes clássicos da literatura. O Gabriel García Márquez já disse em entrevistas que, para ele, a primeira frase de um romance é muito importante. Ele mesmo disse ter passado por um grande impacto quando leu a primeira frase de “A metamorfose”, do Kafka. Gosto muito da primeira frase do “Ana Karênina”.

Não me lembro de ter curtido tanto o começo de um livro quanto curti as frases iniciais de “O andar do bêbado”, de Leonard Mlodinow, com que ainda estou às voltas. De leitura saborosa, a obra é sobre a presença do acaso e do aleatório em nossas vidas. 

Do livro, cito não somente a primeira frase, mas as três primeiras, segundo tradução de Diego Alfaro: “Alguns anos atrás, um homem ganhou na loteria nacional espanhola com um bilhete que terminava com o número 48. Orgulhoso por seu ‘feito’, ele revelou a teoria que o levou à fortuna. ‘Sonhei com o número 7 por 7 noites consecutivas’, disse, ‘e 7 vezes 7 é 48’”. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

PERSONAGEM

Basta uma palavra tua 
para que teu dia 
alegre o meu.
Dá-me teu livro.

Quero entrar em teu enredo, 
ser teu personagem, 
construir, 
com palavras tuas, 
a minha história. 

PELA JANELA

Eu estava com o Nivaldo, meu irmão. Fomos a um lugar onde, segundo ele, haveria a possibilidade de fotografar veados. Eles não apareceram. Já vindo embora, ainda numa estrada de terra, pedi ao meu irmão que acelerasse o carro. Abri a janela, baixei a velocidade na câmera e fiz a foto.
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terça-feira, 19 de novembro de 2013

RETRATO FALADO: ENTREVISTA COM LUCIO NUNES

No ar, mais uma edição do Retrato Falado, programa de entrevistas.

Meu convidado é Lucio Nunes, cantor e músico. O Retrato Falado vai ao pelo Canal 5 da Net, operadora de TV por assinatura, aqui em Patos de Minas.

O EXEMPLO DO PAPA FRANCISCO

Acabei de ler que o papa, na Praça São Pedro, abraçou um homem cujo rosto é desfigurado por uma doença. O papa também beijou o rosto desse homem, Vinicio Riva, que, segundo a matéria, leva uma vida reclusa por causa de uma doença chamada neurofibromatose. Riva disse que sentiu apenas amor ao ter o rosto acariciado pelo religioso. 

O gesto do pontífice é bonito e revelador de um profundo senso de humanidade; quando digo isso, levo em conta o homem, não o cargo exercido por ele. As imagens são belas, inspiradoras. Além do mais, ao longo da história, muito do que fizeram do cristianismo está longe do que ele deveria ser na prática. Não gosto de proselitismos nem sigo as doutrinas católicas, mas o exemplo de Francisco abarca e materializa o que me parece ser a essência do cristianismo.

Para conferir a matéria e as fotos, clique aqui

COMERCIAL COM VAN DAMME

[Se você ainda não assistiu ao vídeo incorporado nesta postagem, assista-o antes de ler o texto abaixo.]

Comentários no Youtube dão conta de que havia rede de proteção entre os caminhões (o que não tira o mérito da realização), ou de que o filme teria sido feito com os veículos se locomovendo para frente, e não em marcha a ré, como parecem estar: na edição, teriam rodado o filme ao contrário, para dar a impressão de que o ator belga Jean-Claude Van Damme faz a abertura, quando, na verdade, de acordo com os que acham que o filme foi rodado ao contrário, as pernas teriam sido fechadas. Houve quem disse, também nos comentários do Youtube, que isso seria igualmente notável, alegando que o movimento de ter as pernas unidas exigiria de Van Damme mais força física ainda do que a necessária para abri-las.

Os que advogam que os caminhões estavam realmente em marcha a ré dizem que os motoristas conferem os retrovisores o tempo todo. Isso, entretanto, não prova que eles estavam de fato realizando movimento de recuo. Poderiam estar indo para a frente, com a cabeça virada para os retrovisores, mas, de esguelha, olhando para frente. Se estavam na verdade dando marcha a ré, o feito deles é admirável.

À parte quaisquer truques de edição que possam ter sido usados, é inegável o impacto que o vídeo causa. Quando o assisti pela primeira vez, não tive a impressão de algum truque de edição (mas estou ciente de que várias artimanhas podem ter sido utilizadas). Fiquei, sim, impressionado com as façanhas do ator e dos motoristas, sem falar do “susto” que levamos quando nos damos conta de que os caminhões estão em marcha a ré (ou pelo menos aparentam estar).

À parte racionalizações bobas, o barato é curtir o vídeo, que é um baita acerto dos marqueteiros contratados pela Volvo. Eu me envolvi, tendo-o assistido diversas vezes, reparando em vários detalhes. Há um astral de filmes de ação (a presença de Van Damme, é claro, intensifica isso). A sintonia e a interação entre motoristas (com seus auxiliares) e ator são impecáveis, passando a energia de um bonito trabalho em equipe; segundos que comportam anos de treinos e de experiência, a despeito de toda a tecnologia dos caminhões — o que o anúncio, afinal, quer vender. Fico pensando ainda no time dos bastidores, realizando, suponho, comunicações via rádio com os condutores e os seus ajudantes.

O enquadramento escolhido é uma aula de composição: no começo, o horizonte, com o topo dos caminhões praticamente no mesmo alinhamento em que ele está, ocupa um pouco mais de dois terços do quadro, com o Sol à esquerda, também seguindo a regra dos terços. Nos últimos dez segundos, tem-se uma relação especular em relação aos momentos iniciais. O horizonte, então, passa a ocupar o terço inferior do quadro, com o Sol à direita.

A canção de fundo é “Only time”, cantada pela Enya. Em comentários postados no Youtube, houve quem reclamou da escolha. A trilha não me incomodou, mesmo eu não sendo um fã da cantora. O diretor do comercial é Andreas Nilsson. Segundo a ficha técnica, a peça foi realizada na Espanha, no momento em que o Sol estava nascendo. Ainda de acordo com o divulgado, o filme foi rodado numa só tomada.

domingo, 17 de novembro de 2013

CAÇA AOS BRUXOS?

José Genoino, com capa, entregou-se para a polícia; Henrique Pizzolato, sem capa, voou para a Itália. Fosse ficção, pareceria inverossímil: a realidade é criativa. Na Ilha de Vera Cruz, uns lamentam a prisão dos “mensaleiros”, enquanto outros fazem festa. O que, com o passar do tempo, pode vir a ser lamentável é constatarmos que houve uma caça às bruxas contra o PT, deixando-se de lado os esquemas-mensalões do DEM e do PSDB.

P.S.: Informações sobre a capa podem ser obtidas aqui

sábado, 16 de novembro de 2013

O SUCESSO

Não há como sabermos se há lei, regra ou segredo para o sucesso. Muita gente com mérito teve sucesso. Muita gente sem mérito teve sucesso. Muita gente com mérito não teve sucesso. Muita gente sem mérito não teve sucesso. 

Depois de ler qualquer um dos milhares de livros que garantem levar você ao sucesso, você poderá alcançá-lo. Ou não. E ainda que o alcance, não há como saber se foi, de fato, por ler o livro e seguir o que ele recomenda. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O REGADOR


Mais uma antiga: tirei esta foto em vinte de janeiro de 2006. Não era o caso, mas achei haver no regador sobre a grama uma sensação de abandono, por assim dizer. Tirada a foto, não achei que ela passasse a ideia de abandono.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

BOM SENSO EM CAMPO

Já escrevi anteriormente sobre um sonho que tenho: o dia em que os torcedores, cansados de todos os desmandos da Globo, da CBF e da Fifa, decidam não ir ao estádio. Imagine um clássico decisivo entre, por exemplo, Flamengo e Corinthians em que os torcedores não compareçam. Ou então deixem de ir a uma partida importante da seleção brasileira.

Sei que isso é utópico, mas na rodada de ontem do Campeonato Brasileiro houve algo emocionante: na partida entre São Paulo e Flamengo, no Novelli Júnior, os jogadores de ambos os times entraram em campo com uma faixa em que se lia: “Amigos da CBF: e o bom senso?”

Havia sido combinado que após dado o apito para o início da partida, os jogadores ficariam de braços cruzados por um minuto. Foi quando o árbitro Alício Pena Júnior ameaçou dar cartão amarelo para os vinte e dois atletas. No centro de campo, os jogadores argumentaram com o árbitro, sem sucesso.

Numa sacada brilhante, decidiram então que, após o apito, eles ficariam, por um minuto, “apenas” tocando a bola de um campo para outro — o que foi feito. Afinal, nesse caso, não haveria como o árbitro punir os jogadores, pois a bola estava sendo tocada, e o atleta tem a prerrogativa de tocar a bola como queira.

A cena é emblemática, bonita, inspiradora. Na Globo e no Sportv, os locutores explicaram o que é o movimento Bom Senso F.C., empreendido por alguns jogadores da primeira divisão do futebol nacional. Dentre outras reivindicações, pedem reformulação do calendário do futebol brasileiro, comandado pela Globo.

Outra bonita reação foi a do pessoal da ESPN. A emissora, sem meias-palavras, apoia o movimento. Ontem, no Bate Bola, Rodrigo Rodrigues, Gustavo Hofman, Alexandre Oliveira e Paulo Calçade cruzaram os braços depois de terminado o programa. Mais tarde, no Sportscenter, em texto narrado por Paulo Soares, a emissora dizia apoiar o movimento. O próprio Paulo Soares cruzara os braços na bancada do programa.

Depois de terminada a partida contra o Flamengo, Rogério Ceni criticou a Rede Globo. De modo fleumático, as críticas de Ceni foram rebatidas por Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esportes. A emissora já havia também sido publicamente criticada pelo craque Alex, do Coritiba (“link” aqui:).

É alentador presenciar gente como Ceni e Alex criticando o esquema Globo/CBF. O calendário do futebol brasileiro é infame; além disso, partidas às 22h são um desrespeito aos torcedores, que se tornam reféns dos ditames da CBF e da Globo. Daí o meu sonho, o de os torcedores se cansarem de toda essa patuscada e se recusarem a ir aos estádios.

A nota triste da madrugada ficou por conta da imbecilidade de alguns torcedores do Cruzeiro, que saquearam lojas, incendiaram motos e depredaram loja do Atlético em Belo Horizonte. Foi a “comemoração” deles. Ridículo. Também por causa de gente assim o futebol não melhora. 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

CLUBE ATLÉTICO CRUZEIRO


O Atlético/MG é campeão da Libertadores e o Cruzeiro é campeão brasileiro. Isso é motivo de festa. Foi o melhor ano do futebol mineiro no que diz respeito a títulos das duas maiores equipes de Minas Gerais. Isso, sem mencionar que o Atlético ainda tem o mundial de clubes para disputar. 

Não é segredo para ninguém que, em função da audiência e da grana, os meios de comunicação do Rio e de São Paulo prefeririam que Flamengo e Corinthians estivessem na posição em que estão Atlético e Cruzeiro hoje. Embora aleguem tratar igualmente os clubes, fica nítido que TVs, rádios, jornais e “sites” do Rio e de São Paulo têm nas equipes desses estados sua menina dos olhos, devido a faturamento e a audiência. Para “sorte” deles, o Flamengo briga por título nacional na Copa do Brasil. 

Num cenário ideal, as regiões norte, nordeste e centro-oeste também entrariam com mais frequência e de modo mais incisivo na busca por títulos, seja no Campeonato Brasileiro, na Copa do Brasil, na Libertadores. Devido a razões históricas e econômicas, isso não ocorre, mas é sempre bonito quando o futebol de outros estados balança a rede e as estruturas. 

 Ao Cruzeiro, parabéns pelo título. Jogando na Bahia, contra o Vitória, a Raposa foi para o vestiário sem que o título estivesse de fato confirmado. Agora, no segundo tempo, que começa já, já, o time de Minas Gerais vai entrar em campo como o campeão brasileiro de 2013. 

O INSETO

Minúsculo inseto sobe pela parede.
Não faz a menor ideia do que é o Universo.
Nem eu. 

TESSITURA

FLORES EM VOCÊ

PIRADO

Você me acende.
Você me ascende.

Você me move.
Você me comove.

Você me leva.
Você me enleva.

Você me inspira.
Você me pira. 

DE REPENTE

As coisas não acontecem de repente.
De repente, a gente se depara com elas,
mas já estavam sendo germinadas, 
estavam se insinuando, 
sendo boladas.

De repente, houve o Universo?
Depois dele, nada foi de repente. 

APONTAMENTO 186

Quando se tem a vontade de aprender, o outro ensina até sem querer. 

DESFILE


Foto que tirei em vinte e quatro de junho de 2007. Usei uma câmera compacta que tive, uma Canon Powershot Pro1. Era complicadíssimo valer-se dos recursos que ela tinha. A vantagem é que depois de domá-la, ficou um tanto fácil lidar com as demais câmeras que tenho manejado. 

DA SENSUALIDADE

A pessoa que tem sensualidade é sensual até no silêncio. Ou principalmente nele.

A pessoa sensual não precisa estar sem roupa. A sensualidade flui, esteja a pessoa em roupas de frio, esteja em trajes de praia.

A sensualidade está na voz, no jeito de olhar, no modo de chegar... Sobretudo, a sensualidade é espontânea. Não adianta tomar a decisão de ser sensual. A sensualidade não está — ela é.

A sensualidade é congênita. Pode ser incrementada, adornada, lapidada, sofisticada. Todavia, não basta tomar a decisão de ser sensual para sensual se tornar. Tentativa de sensualidade não é sensualidade.

A sensualidade é sutil; na busca por ela, muitos caem em afetação. Roupas não deixam ninguém sensual; elas intensificam a sensualidade que, entretanto, emana com naturalidade.

Sensualidade nada tem a ver com gente magra ou com gente gorda. Há pessoas que são magras, têm corpos talhados em academia e não têm nada de sensual; há gente que é gorda e exala sensualidade.

Cátia pode achar que em Jorge a barba é sensual; já Luana pode não resistir a Tiago quando ele faz a barba. Guilherme pode achar que a boca de Lara é a coisa mais sensual que há, enquanto Henrique fica louco com o jeito de caminhar de Carmem. 

É difícil definir a sensualidade; mais fácil é exemplificá-la. Ela é imprecisa, quase etérea, caso se queira verbalizá-la. Ao mesmo tempo, é encarnada, material, incitante.

A boa notícia é que não há quem seja unanimemente sensual. Alessandra pode ser sensual para Pedro e sem graça para João. José pode não causar nada no olhar de Natália e ser muito sensual para Betânia.

A sensualidade pode estar em qualquer um. Ela pode estar nos olhos de quem contempla. 

ALELUIA!

Aleluia serelepe
faz a festa
em volta
da lâmpada.
Instantes depois,
perde as asas.

A aleluia
agora é chão.
Mas não se
debate contra
a força da gravidade
nem se revolta
contra o peso
da vida. 

REFLEXO

FOTOPOEMA 338

terça-feira, 12 de novembro de 2013

ENTREVISTA COM ADAMAR GOMES

Abaixo, entrevisto Adamar Gomes para o Canal 5, emissora de TV por assinatura que transmite pela NET. A entrevista foi ao ar na semana passada.

O entrevistado fala sobre os tempos em que foi baterista de uma banda, conta histórias sobre futebol e, claro, relata sua trajetória no rádio local, aqui em Patos de Minas. Adamar Gomes comenta também sobre seus planos.

domingo, 10 de novembro de 2013

CRUZEIRO 3 x 0 GRÊMIO

Há pouco, no Mineirão, a situação foi curiosa: o grito de “é campeão” foi entoado, mas, oficialmente, o Cruzeiro ainda não é o campeão brasileiro de 2013. O próximo jogo, contra o Vitória, é fora de casa. Depois, a Raposa joga em Uberlândia. Fica um quê de anticlímax na vitória do Cruzeiro sobre o Grêmio. 

O gostoso mesmo seria se o Atlético/PR não tivesse vencido o São Paulo. Tivesse isso ocorrido, o Cruzeiro já poderia ser oficialmente decretado o vencedor do torneio. Se, oficialmente, o título não veio hoje, o Cruzeiro pode se orgulhar de ser o primeiro time a ganhar o campeonato brasileiro vencendo todos os oponentes, ora no turno, ora no returno. Isso jamais havia ocorrido. Éverton Ribeiro foi o craque do campeonato.

Hoje, quem jogou demais foi o goleiro Fábio. Se por um lado o Cruzeiro teve mais volume de jogo, por outro, o Grêmio criou oportunidades de marcar. O gol gremista somente não ocorreu devido às belas defesas de Fábio, que consolida, de uma vez, com esse título, o fato de ser ídolo cruzeirense.

A partida de hoje foi chocha, embora o segundo tempo tenha sido melhor do que o primeiro. A primeira metade do jogo foi muito truncada, por causa também das inúmeras faltas que ocorriam em curtos intervalos. Borges, Willian e Ricardo Goulart fizeram os gols.

Outro acerto do time foi a contratação de Marcelo Oliveira. Comedido nas respostas e não passando a atmosfera de empáfia quando fala de seu trabalho, o técnico, com seu modo sensato, é o vencedor do torneio. Lembro-me de uma declaração dele no começo do ano, em que ele disse que não queria ser pré-julgado pelo que já fizera, mas julgado pelo que faria. Ele fez muito. 

sábado, 9 de novembro de 2013

DEBATE POLÍTICO

Hoje pela manhã, participei de um debate sobre política. Murillo Carvalho foi quem me convidou para o evento. Alunos do curso de direito (Murillo é um deles) participam dos debates, que estão sendo realizados semanalmente.

Na ocasião, Murillo me pediu para que eu postasse os “links” de meu blogue em que há textos sobre política. Ei-los abaixo:

http://liviosoares.blogspot.com.br/2013/10/politica-0-x-0-futebol.html

http://liviosoares.blogspot.com.br/2013/06/o-individual-e-o-coletivo.html

http://liviosoares.blogspot.com.br/2012/10/politica-e-liberdade-de-expressao.html

http://liviosoares.blogspot.com.br/2012/08/animal-politico.html 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

ROMÁRIO x RONALDO

O jogador Ronaldo, que recebeu o epíteto de Fenômeno, criticou Romário, alegando que falta patriotismo a este, que recebeu a alcunha de Baixinho. Fora de campo, a atuação profissional daquele, até agora, não tem estado... à altura deste.

Ronaldo alega que não está levando grana por estar envolvido com aquele povo da CBF e da Fifa; o ex-jogador faz parte do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014. De acordo com Ronaldo, o fenomenal Baixinho não estaria vendo a oportunidade de crescimento para o Brasil.

Ainda que Ronaldo não esteja levando um centavo e mesmo que seu patriotismo seja genuíno, o jogador poderia, contudo, receber a pecha de pacóvio, tanto no patriotismo que diz ter quanto no apoio àquele pessoal da CBF, Fifa e Cia LTDA.

Ronaldo e Romário foram craques em campo. Fora dos gramados, todavia, Ronaldo tem pisado na bola, por se envolver com os asseclas que comandam o futebol mundo afora. Já Romário, até agora, tem tido palavra sensata e crítica contra os desmandos, intromissões e estádios superfaturados da senhora CBF e da dona Fifa.

Ronaldo pode não estar sendo sincero ao dizer que tem feito o trabalho no Comitê Organizador da Copa devido ao patriotismo que tem. Mas, se estiver, tem companhia, pois há muita gente como ele; muitos confundem apoio ingênuo e desinformado com patriotismo. Não se dão conta de que na crítica ou na reprimenda pode haver mais patriotismo do que no oba-oba pueril. 

APONTAMENTO 185

Quando se tem a vontade de aprender, o outro ensina até sem querer. 

DE REPENTE

As coisas não acontecem de repente.
De repente, a gente se depara com elas,
mas já estavam sendo germinadas, 
estavam se insinuando, 
sendo boladas.

De repente, houve o Universo?
Depois dele, nada foi de repente. 

domingo, 3 de novembro de 2013

HAICAI 31

No futebol, é rapace.
Atrai a bola, que nele gruda.
No futebol, não erra passe. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

BOLAS MURCHAS

Alguns técnicos do primeiro escalão do futebol brasileiro são ríspidos, mal-educados e despreparados para lidar com a imprensa. Claro que a imprensa também tem profissionais sem preparo e mal-educada. Mas isso não justifica a atitude asquerosa de alguns técnicos.

Querem ganhar no grito quando não têm argumento para lidar com perguntas sensatas, e sensatez não é o mesmo que desrespeito, nem é falta de ética. Quando há pergunta que fuja da bajulação, ou os técnicos se esquivam, indo, literalmente, embora, ou se valem de bravatas incongruentes.

Ontem, foi a vez de Felipe Scolari dar seu showzinho. O episódio ocorreu no momento em que, durante a coletiva, foi abordada a decisão do atleta Diego Costa, nascido em Sergipe; ele vestirá a camisa da seleção espanhola.

Quando o repórter Sérgio Rangel, da Folha de S.Paulo, argumentou com Scolari que ele já havia treinado a seleção de Portugal, o técnico, truculento, tergiversou e não respondeu à pergunta do repórter, que indagara ao técnico qual a diferença entre o caso dele, Scolari, e o de Diego Costa.

O técnico disse que a pergunta era “ridícula” e que havia uma “desconexão total” entre o fato de ele ter sido técnico da seleção portuguesa e o fato de Diego Costa decidir jogar pela seleção espanhola. Tivesse tido uma atitude que não fosse a do prepotente, Scolari poderia ter aproveitado o momento para assumir que estava incorrendo, no mínimo, em paradoxo.

Mas, pensando bem, estou querendo demais ao exigir tato e humildade de gente como Leão (embora muitos não o considerem mais como pertencente ao primeiro escalão de técnicos), Muricy, Luxemburgo e Scolari. A competência que têm como treinadores não desemboca no trato que têm com outros profissionais.

Quanto ao jogador Diego Costa, cabe a ele decidir por que seleção vai atuar. E se as razões forem financeiras, não há o menor problema nisso. Assim como não há o menor problema em Scolari e Parreira terem sido técnicos de seleções estrangeiras.

Lembro-me até hoje da dupla Diego (que não é o Costa) e Robinho, ambos naquele time do Santos, dizendo, no calor de uma conquista, que jamais deixariam de jogar no Peixe. Não agiram incorretamente ao decidirem pescar noutros rios.