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sexta-feira, 17 de julho de 2015

HUMOR E AMOR

Terminei de ler há instantes o ensaio “Hamlet e Dom Quixote”, escrito por Ivan Turguêniev, autor do romance “Pais e filhos”. O ensaio é uma das coisas mais belas e sensatas que já li. Num dos trechos, segundo tradução de Rubens Figueiredo, lê-se: “Dom Quixote é ridículo... mas, no riso, existe uma força reconciliadora e reparadora — e se não sem motivo que dizem ‘o que faz rir é bem servido’, pode-se acrescentar que aquele de quem se riu já foi perdoado, e está mesmo prestes a ser amado”.

A associação entre o riso e o amor me remeteu a W.H. Auden. O livro “A mão do artista”, publicado pela Siciliano, reúne ensaios de Auden; num deles, intitulado “Notas sobre o cômico”, o poeta escreveu, segundo tradução de José Roberto O’Shea: “Não encontro um denominador comum entre as pessoas de que gosto ou que admiro, mas entre as que amo: todas me fazem rir”. 

sexta-feira, 27 de março de 2015

APONTAMENTO 241

O humor está a serviço de algo. Pode estar a serviço de si mesmo. Mesmo estando sempre a serviço de algo, ele pode prestar desserviço; ele presta desserviço quando tripudia de características físicas ou de desventuras. Uma coisa é fazer humor com a atuação profissional do Nestor Cerveró; outra bem diferente é a tentativa de soar engraçado às custas da aparência dele. Sempre tive comigo que o humor dependente das características físicas ou das tragédias fosse indício de falta de criatividade.

A Cynara Menezes foi incisiva (ela grafa tudo com minúsculas em alguns textos) ao escrever que “é grande a tentação de fazer ‘graça’ com o defeito físico do nestor cerveró. quem resiste a ela tem caráter. quem não resiste não tem. simples”. Eu nunca havia associado esse tipo de humor a falta de caráter. Sendo ou não falta de caráter, o humor é nobre demais para não ser inteligente. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

FALTA DE GRAÇA 2

Lembro-me de uma entrevista em que o Chico Anysio disse não haver diferentes tipos de humor; alegou ele haver apenas o humor. Isso nunca me saiu da cabeça; de tempos em tempos, a declaração dele voltava à minha lembrança. No fundo, quando vi o genial Chyco dar a declaração, eu me perguntei: “Será que não haverá mesmo diferentes tipos de humor?”.

Entendo que em essência o fio condutor é o mesmo: o humor quer levar ao sorriso ou ao riso. Se encarado assim, o humor é mesmo um só. Mesmo assim, não me parece desarrazoado falar em vertentes do humor, por assim dizer. A graça pode estar em gestos, em paródias, em palavras, em imagens, em desenhos, em pinturas...

À parte o gênero de que o humor esteja se valendo, acredito que há diferentes nuances dele. Para muita gente, a graça pode estar na desventura do outro. Sinto muito, mas não consigo enxergar graça em quem se vale do recurso para tentar produzir algo divertido. Pode-se muito bem ser engraçado sem que para isso um cego tenha de ser achincalhado pela cegueira que tem.

Tentei, tentei mesmo achar graça em gente como Rafinha Bastos e Danilo Gentili. Cheguei a supor que pudesse estar havendo em mim um defeito a impedir que eu encarasse as coisas de um modo mais leve e menos turrão. Mas, ao mesmo tempo, eu percebia que eu continuava rindo de mim, das bobagens das pessoas de meu convívio e das bobagens de humoristas. Era um alento perceber que eu não havia perdido a capacidade de achar graça.

Para mim, o que Rafinha Bastos e Danilo Gentili fazem quando tentam ser engraçados não é humor. Além do mais, quando não estão fazendo humor, deixam claro o tipo de gente que são. Gentili, “debatendo” com uma internauta no Twitter, escreveu: “Chupadora de rol* de genocida e corrupto detected. Quem quiser deixa-la [sic] molhadinha basta assassinar alguem” [sic]. 

A resposta de Gentili se deveu a um comentário da internauta: “O Jô Soares é de direita, mas é respeitado, pois tem conhecimento (leitura). Agora, esse Danilo Gentili cita a Forbes. Ridículo”. Gentili, por fim, “filosofa” sobre o que pode ser feito no ano que vem: “A conclusão é que o que falta mesmo é um pau bem grande no c* de todo mundo. Reflitam sobre isso. Esse é o desafio pra 2014: mais pau no c* de todo mundo”.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

FALTA DE GRAÇA

Há diferentes tipos de humor. O humor de TV Pirata é diferente do humor de Zorra Total. Nesse caso, poder-se-ia argumentar que são tipos de humor diferentes por pertencerem a épocas diferentes, o que não deixa de ser verdade, pois, é natural, épocas diferentes vão gerar diferentes tipos de humor.

Contudo, a mesma época pode abarcar diferentes tipos de humor. Rafinha Bastos e Luis Fernando Verissimo ilustram isso. No que não acho a menor graça, é num humor que se vale da ridicularização do outro na tentativa de ser engraçado. Se por um lado tenho asco do politicamente correto, por outro, não vejo a menor graça em palhaços que precisam achincalhar o próximo na tentativa de serem engraçados. 

Ainda bem que há facilmente à disposição outros tipos de humor: os textos e cartuns da Piauí podem ser comprados em banca ou conferidos na internet; o mesmo vale para os textos e tirinhas do Verissimo; filmes do Woody Allen ou livros do Machado de Assis estão por aí; charges do Manoel Almeida estão no Patos Hoje; o legado do Millôr é divulgado aqui no Facebook. O humor pode ser ácido, crítico e sagaz, sem contudo diminuir quem não deu motivo para zombaria.