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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

"O IMPOSSÍVEL"


Um título chamativo é um ótimo começo. Contudo, o título “O impossível” [The impossible, 2012], do diretor Juan Antonio Bayona, soa estranho.

Digo isso porque o filme conta uma história... possível... Por mais improvável ou incrível que seja, ela ocorreu — o filme é baseado em fato que aconteceu em 2004, na Indonésia.

À parte isso, a produção conta com Naomi Watts e Ewan McGregor. Também no elenco, o garoto Tom Holland.

As primeiras cenas, a despeito do astral de felicidade vivido pela família (que na vida real é espanhola), já têm um clima sinistro, de suspense, quase de terror. E apesar da história narrada, “O impossível” não deixa de mostrar a impotência humana diante das manifestações da natureza.

Outro ponto que me chamou a atenção é o foco no drama de indivíduos. Hoje em dia, por exemplo, quando a gente vê bombas explodindo na TV, não vemos as dores de quem está lá (“a dor da gente não sai no jornal”), como se guerras fossem assépticas.

Toda tragédia tem seus personagens. Ao escolher se focalizar numa família, “O impossível” nos apresenta, sem assepsia, cinco seres humanos lutando pela vida, mas, ao mesmo tempo, não apela para esguichos de sangue gratuitos. 

O filme não ameniza; contudo, não se vale de recursos hiperbólicos ao mostrar o clima doloroso que o permeia. O diretor conseguiu o equilíbrio, bem como uma bela atuação de Naomi Watts.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

LUZ, CÂMERA, PALAVRA

Já comentei neste blogue sobre “Moulin rouge”. Ontem, revi algumas cenas do filme. Há um momento em que Christian, interpretado por Ewan McGregor, começa a cantar para Satine, interpretada por Nicole Kidman, o sucesso “Your song”, do Elton John. Assim que Christian começa a cantar, as luzes da cidade, literalmente, se acendem. Há a sugestão de que o amor ilumina, é luz...

Numa outra cena, Satine canta diante do personagem Duque, interpretado por Richard Roxburgh, trechos da mesma canção do Elton John. Não era para o Duque que ela cantava, mas, sim, para tentar livrar Christian de uma enrascada – o Duque estava interessado nos serviços de Satine, cortesã de luxo do Moulin Rouge, a casa em que ela trabalhava.

Quando Satine termina de cantar, os olhos do Duque, literalmente, se acendem, se iluminam. Novamente, e com um toque de humor, a sugestão de que o amor ilumina, é luz...

Essas cenas me fizeram pensar sobre o modo de dizer as coisas. Seria comum num pedaço de papel algo como “o amor ilumina o mundo” ou “o amor me ilumina”. São imagens já usadas por demais (é claro que não sugiro que imagens assim tenham se tornado impossíveis de serem usadas com criatividade em literatura). Contudo, olhar as coisas sendo iluminadas pelo amor é diferente do que ler “o amor ilumina”.

Obviamente, levo em conta que cinema e literatura são meios de expressão diferentes e que cada um tem seus recursos, peculiaridades e limites. Mas é que revendo as duas cenas, foi curioso observar que aquilo que pode não soar poético num texto, poético pode se tornar se encenado ou representado.