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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A Época do cinismo

A revista Época tentou fazer um mea-culpa, dizendo ser contra o fim da democracia. Dentre outras coisas, escreveu a revista: “As democracias eram solapadas no passado por golpes militares, revoluções, incêndios e tumultos. Desmoronavam em meio à guerra e à peste. (...) As democracias não morrem mais assim, como bem argumentam os cientistas políticos americanos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt. Na maioria dos casos modernos, as democracias são corroídas lentamente, em passos pouco visíveis”. Nem tão pouco visíveis assim. A Época faz parte das organizações Globo, e a Globo, não podemos nos esquecer, já apoiou dois golpes: o militar de 1964 e o institucional de 2016.

Prossegue a revista: “É preciso dizer um altissonante ‘não’ àqueles que querem romper as regras do jogo democrático, que negam a legitimidade dos oponentes, que cultivam a intolerância ou encorajam a violência, aqueles que admitem a restrição — mínima que seja — às liberdades civis. Basta do arbítrio que já macula o passado!”.

A desfaçatez da revista é a mesma com que outros representantes da imprensa e dos meios de comunicação têm agido. Veja, IstoÉ, Jovem Pan, Rede Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, dentre outros, inflamaram manifestantes cheios de anacronismos históricos e de desinformação, que, não raro, vestiam a camisa de uma empresa, a CBF, cujo ex-presidente não pode sair do país sob risco de ser preso por causa de corrupção. Revistas, rádios e TVs agiram com irresponsabilidade, abandonaram o jornalismo e agora não sabem o que fazer com os filhotinhos que criaram, pois não esperavam que a prole fosse escolher o caminho truculento.

Para uma parte da imprensa e dos meios de comunicação, readotar uma política neoliberal era o plano. Não contavam com a assunção descarada de gente que apoia tortura, assassinato, gente de “bem” que quando regurgita “bandido bom é bandido morto” não pensa num Geddel, por exemplo. Uma publicação como a Época dizer que “é preciso dizer um altissonante ‘não’ àqueles (...) que cultivam a intolerância ou encorajam a violência” é tão cínico quanto um torturador dizer que preza pela integridade física dos que mutila. 

sábado, 17 de junho de 2017

A Época de Joesley Batista

Se a Globo quiser, Temer deve ficar até o fim de 2018. A questão é que a emissora parece, desde a delação de Joesley Batista, não querer. A mais recente cartada do “jornalismo” da família Marinho contra Temer é a entrevista que Batista concedeu à Época, que pertence ao império da Globo. A manchete da capa reproduz declaração do delator: “Temer é o chefe da quadrilha mais poderosa do Brasil”.

O fato de a Globo ter apoiado Temer e de agora, aparentemente, estar contra ele não é de surpreender. O que fico me perguntando é se, de fato, já estava arquitetado, seja por quem for, com apoio da Globo (ou pela própria Globo), que Temer seria uma “transição”, seja para o que for. Tendo sido ou tendo não sido arquitetado que Temer seria um mal necessário para essa “transição”, o que a Globo apoiará no ano que vem, quando, em tese, haverá eleição para presidente? Não importa quem ela apoie, a Globo não é digna de confiança. Sempre é preciso desconfiar das intenções dela.

Ainda que a emissora de fato queira a queda do presidente que ela apoiava até bem recentemente, manobras permitidas por lei vão renovando o fôlego do governo, que, se cair, assim me parece, não cairá nos próximos meses. Nesse quadro, tenho dois “vaticínios”: Temer fica até o fim de 2018 e Aécio Neves não será preso. 

domingo, 4 de outubro de 2015

IMPRENSANDO

Veja como isto é revelador de uma época: a imprensa se denuncia pelo que não cunha.