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quarta-feira, 23 de março de 2016

"Espanglês"

Só recentemente assisti a “Espanglês” (Spanglish, 2004), do diretor James L. Brooks, que também é o roteirista do filme, o qual é leve, divertido. Todavia não deixa de ser reflexivo e de carregar uma nota de tristeza ante as decisões que a vida nos leva a tomar.

A belíssima Paz Vega interpreta Flor Moreno. Ela deixa o México e vai para os EUA com a filha Cristina, interpretada por Shelbie Bruce. Flor acaba indo trabalhar na casa de John Clasky (Adam Sandler), casado com Deborah Clasky (Téa Leoni). Com Flor, posteriormente, vai a filha dela. John e Deborah têm como filhos um casal de crianças. Também vive com eles a mãe de Deborah, Evelyn, interpretada por Cloris Leachman.

Flor não fala nada de inglês, o que acaba gerando situações divertidas, em função da convivência que ela precisa ter com a família. Antes que ela começasse a tentar aprender o idioma, era auxiliada pela filha, que era a intérprete entre Flor e a família Clasky.

A despeito das neuroses de Deborah e da paciência de John em tentar lidar com elas, o que me chamou a atenção foi mesmo a delicada relação que vai se formando entre John e Flor. Em meio às piadas, tiradas e situações cômicas do roteiro, o que impede “Espanglês” de ser “simplesmente” uma comediazinha romântica são a atuação de Paz Vega e o desfecho do filme.

Há momentos em que Flor olha para John de um modo muito apaixonado e terno, ao mesmo tempo em que se esforça para não deixar transparecer o que sente por ele; essas cenas são o ponto alto do filme. Em determinado ponto, John a leva para o restaurante dele (ele é “chef”), quando o estabelecimento já está fechado. Numa bela metáfora que expressa o estar dividido entre o sonho e a realidade, os pés de Flor se recusam, inicialmente, a tocar o chão, enquanto ela e John estão acomodados num dos móveis do restaurante.

Quando o filme já está quase terminando, é Deborah quem diz a Flor uma frase muito forte. Algo assim: “Eu vivi inteiramente para mim mesma; você vive inteiramente para sua filha. Nós duas estamos erradas”. “Espanglês” é uma daquelas produções que misturam peso e leveza; ou um daqueles filmes em que a leveza não impede que haja reflexões acerca das decisões que somos “obrigados” a tomar.

Para terminar, permitam-me um comentário pessoal sobre Paz Vega: que mulher sensual! Ela me lembrou Nimrat Kaur, que interpreta Ila no filme “The lunchbox”, que também já comentei. Tanto Paz Vega em “Espanglês” quanto Nimrat Kaur em “The lunchbox” vestem figurinos simples mas, que, se observados, não deixam de sugerir a sensualidade das atrizes. 

domingo, 14 de junho de 2015

"VAGÃO"

Eu me emociono quando a simplicidade se transforma em arte. Quando em arte é transformada, a simplicidade tem, paradoxalmente, o poder de mostrar o quanto a vida pode ser complicada. É um paradoxo triste e bonito. O drama da vida pode estar em qualquer um, em qualquer lugar.

De nossas vidas, até que ponto somos autores, até que ponto somos escritos? Escolhemos ou somos escolhidos? Ou há uma mistura dos dois? Qual o papel do acaso? Qual nosso papel? Somos todos os autores dessa história ou somos personagens? Se personagens, quem está nos escrevendo?

Essas ideias esparsas me ocorreram enquanto eu assistia a “The lunchbox” [“Dabba”, 2013], do diretor Ritesh Batra, também autor do roteiro. Salvo engano, o filme não tem título em português, o que é uma pena. Se tivesse, e se tivesse havido tradução literal, o filme chamar-se-ia, segundo pesquisa que fiz (não sei se correta), “Vagão” (tradução de “Dabba”); em inglês, recebeu o título de “The lunchbox (“A Marmita”).

O sistema de entregas de marmitas na gigantesca Bombaim é conhecido como sendo um dos mais eficientes do mundo. Todavia, “The lunchbox” conta a história de uma entrega incorreta. Saajan Fernandes (interpretado por Irrfan Khan), certo dia, recebe seu almoço no escritório. Mas a refeição era para ter ido para o marido de Ila (interpretada por Nimrat Kaur). Ila mesma preparara a comida, numa tentativa de reaquecer seu casamento, que ia mal.

A partir daí, Ila e Saajan começam a se corresponder; as cartas ou os bilhetes eram acondicionados nas marmitas. Sem se conhecerem pessoalmente, eles, contudo, passam a saber um do outro por intermédio das correspondências. Num toque de humor do roteiro, os dois chegam a “brigar”, como se fossem namorados. Também engraçada é a participação de Auntie — voz de Bharati Achrekar. É que de Auntie, somente temos acesso à voz. Os diálogos entre ela e Ila conferem leveza ao filme.

“The lunchbox” é poético, lírico; é um filme sobre encontros e sobre desencontros; uma história feita de coincidências e do que parece prestes a acontecer. É um daqueles raros filmes construídos a partir de uma densa simplicidade, a partir de ricos detalhes. “The lunchbox” tem o poder de tornar melhor quem o assiste. E se você gosta de cozinhar, delicie-se.