Abadia não consegue evitar: sempre que está em um elevador, entrega-se ao devaneio de que um dia a porta se abrirá e ela achará o grande amor de sua vida. Numa dessas vezes, sozinha no elevador, assim que a porta se abriu, levou o maior susto, pois deu de cara com o marido.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
FOTOPOEMA 52
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APONTAMENTO 49
Existem pessoas. O resto são religiões, partidos políticos, times de futebol, países... Essas coisas que andaram inventando por aí.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
FOTOPOEMA 51
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
FOTOPOEMA 50
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domingo, 22 de fevereiro de 2009
A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (47)
Tirei esta foto no dia 28 de abril de 2006. Na época, nenhuma de minhas câmeras estava estragada. Em contrapartida, nenhuma delas caberia no ninho dos pica-paus. Foi então que pedi emprestada uma câmera compacta de meu amigo Manoel Almeida, pois ela caberia no ninho.Enquanto eu fotografava, não era possível ver como estavam ficando as imagens. Uma escada havia sido escorada na árvore; subi, inseri o braço dentro do ninho e tirei umas doze fotos. Duas delas ficaram boas. Caso queira conferir foto de um dos filhotes, já mais crescido, sendo alimentado, gentileza clicar aqui.
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
CONTO 31
Eduardo havia sido casado com Matilde por quinze anos. Ele se casara aos dezoito; ela, aos dezessete. Depois que se separaram, ele esteve solteiro por três anos. Foi quando se casou novamente, dessa vez com Elisabete, que já havia sido sua aluna. Nas gavetas, silêncios, recônditos, sombras e segredos de si mesmo, Eduardo admite vagamente para si – e para mais ninguém – que se casou com a aluna porque ela é a cara de uma outra estudante, para quem ele também já havia lecionado, ainda na juventude.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
LETRA DE MÚSICA (4)
A pior maneira de passar o tempo
é contando cada segundo.
Mas é assim que passo o tempo
enquanto você não vem.
Enquanto você não vem,
um segundo fica longe do outro.
Fico inventando o que fazer.
Semanas e semanas à frente,
e só um segundo acabou de passar...
é contando cada segundo.
Mas é assim que passo o tempo
enquanto você não vem.
Enquanto você não vem,
um segundo fica longe do outro.
Fico inventando o que fazer.
Semanas e semanas à frente,
e só um segundo acabou de passar...
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (46)
Eu ainda lembro quando tive a primeira oportunidade de fotografar um anu-branco. Eu não me recordava de ter visto a espécie anteriormente. Ao ver um exemplar sobre um muro, fiquei louco para fotografar. A imagem ficou horrível.Com a prática, passei a fotografá-los com o respeito que merecem. O equipamento adequado também ajuda. Tanto que a foto acima foi feita no dia (6 de junho de 2006) em que eu estreava minha então nova lente, uma 100-400, mais indicada para fotografar assuntos que estejam longe – caso de aves e pássaros, que geralmente não permitem aproximações.
O registro foi feito num dos bairros afastados da cidade. Cliquei às 10h48. Eu tinha avistado o grupo de anus (são aves extremamente gregárias) e fui me aproximando aos poucos. Não houve como a aproximação ser maior porque havia uma cerca. Ainda assim, pude tirar algumas fotos do pessoal.
Diante da imagem acima, já houve quem me perguntasse se a ave sobre as demais estava se preparando para transar. Não. Eu me lembro de que ela era a que estava mais à direita. Foi quando tomou a decisão de literalmente passar por cima das outras e tranquilamente se acomodar à esquerda delas.
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
APONTAMENTO 48
A tolerância religiosa deveria começar nos religiosos.
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CONTO 30
Trilhando caminho empoeirado, Fabiana arranca de velha árvore um galho seco. A terra é fofa, não vê água há meses. Com o galho, Fabiana imprime no chão: “Eu te amo”. Tira então uma foto da inscrição e a envia para o namorado. Ele, professor, somente a partir de então compreende claro que tudo o que se escreve, é como se sobre a lousa estivesse escrito, seja uma declaração de amor publicada na poeira, palavras digitadas em máquina ou cartão que se envia. Chegado o dia do fim das coisas, tudo será mesmo apagado. Mas é preciso escrever.
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"UMA VERDADE INCONVENIENTE"
Assisti há pouco ao documentário “Uma verdade inconveniente” (An inconvenient truth), lançado em 2006. Trata-se de uma palestra de Al Gore, político americano e um dos ganhadores do prêmio Nobel da Paz em 2007 (o outro ganhador foi o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês).
A direção do documentário é de James Guggenheim. Em boa parte do material, Gore apresenta estudos e estatísticas que compravam a realidade e a gravidade do aquecimento global. O texto e a apresentação, feita por intermédio de eslaides, são extremamente didáticos, claros.
O documentário narra também fatos da biografia de Gore, preocupado com a destruição do ambiente desde os tempos em que era estudante. Quando faz menção à sua atuação política, não deixa de relatar a decepção que foi ser derrotado por Bush. Contudo, Gore diz que foi a partir daí que resolveu se dedicar com afinco a viajar mundo afora com seus eslaides.
Na questão política, não deixa de mencionar o papel dos EUA como um dos grandes poluentes. Também é criticada a decisão americana de não ter assinado o Protocolo de Kyoto. Após dados e mais dados sobre os estragos que estamos causando à natureza, o documentário sugere ações diárias que podem impedir catástrofe ainda maior, conclamando à ação: “Cada um de nós é responsável pelo aquecimento global”.
Além da palestra, o documentário mostra cenas de Gore em outras situações, mas conversando sobre a destruição do ambiente. Algumas dessas cenas são muito artificiais, o que não chega a comprometer a relevância e a seriedade do trabalho. Já no belo fim, em que a Terra é mostrada como um nadica de nada no espaço, Gore divulga seu site.
A direção do documentário é de James Guggenheim. Em boa parte do material, Gore apresenta estudos e estatísticas que compravam a realidade e a gravidade do aquecimento global. O texto e a apresentação, feita por intermédio de eslaides, são extremamente didáticos, claros.
O documentário narra também fatos da biografia de Gore, preocupado com a destruição do ambiente desde os tempos em que era estudante. Quando faz menção à sua atuação política, não deixa de relatar a decepção que foi ser derrotado por Bush. Contudo, Gore diz que foi a partir daí que resolveu se dedicar com afinco a viajar mundo afora com seus eslaides.
Na questão política, não deixa de mencionar o papel dos EUA como um dos grandes poluentes. Também é criticada a decisão americana de não ter assinado o Protocolo de Kyoto. Após dados e mais dados sobre os estragos que estamos causando à natureza, o documentário sugere ações diárias que podem impedir catástrofe ainda maior, conclamando à ação: “Cada um de nós é responsável pelo aquecimento global”.
Além da palestra, o documentário mostra cenas de Gore em outras situações, mas conversando sobre a destruição do ambiente. Algumas dessas cenas são muito artificiais, o que não chega a comprometer a relevância e a seriedade do trabalho. Já no belo fim, em que a Terra é mostrada como um nadica de nada no espaço, Gore divulga seu site.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
SHOW COM INDÚSTRIA BRAZILEIRA
Há pouco, conferi show com a banda Indústria Brazileira, em bar da cidade. O repertório foi composto praticamente de clássicos do pop/rock nacional da década de 80. Como ponto alto, o terem inserido bandas que são geralmente esquecidas nesse tipo de apresentação – como exemplo, menciono o RPM.
A apresentação agradou ao público, que maciçamente lotou o bar – assim tem sido no local, nas tardes de domingo. As músicas eram cantadas pela platéia, em sua maioria nascida depois da década de 80. Isso mostra que o pop/rock da época deixou mesmo seu legado.
Quem mora por aqui há mais tempo e tem o hábito de conferir música ao vivo, deve se lembrar da banda Indústria Brazileira quando tocavam às margens da Lagoa Grande, aqui em Patos de Minas, numa época em que havia música ao vivo por lá.
A formação atual da banda não é a mesma daquela época. Atualmente, a conta com Arílson no vocal, Michael no baixo, Léo na guitarra e William na bateria (no show de hoje, William foi substituído pelo baterista Renato).
Para mais informações, você pode conferir a página deles no Orkut, em que divulgam a agenda de shows, bem como o blogue do pessoal, com fotos da banda.
A apresentação agradou ao público, que maciçamente lotou o bar – assim tem sido no local, nas tardes de domingo. As músicas eram cantadas pela platéia, em sua maioria nascida depois da década de 80. Isso mostra que o pop/rock da época deixou mesmo seu legado.
Quem mora por aqui há mais tempo e tem o hábito de conferir música ao vivo, deve se lembrar da banda Indústria Brazileira quando tocavam às margens da Lagoa Grande, aqui em Patos de Minas, numa época em que havia música ao vivo por lá.
A formação atual da banda não é a mesma daquela época. Atualmente, a conta com Arílson no vocal, Michael no baixo, Léo na guitarra e William na bateria (no show de hoje, William foi substituído pelo baterista Renato).
Para mais informações, você pode conferir a página deles no Orkut, em que divulgam a agenda de shows, bem como o blogue do pessoal, com fotos da banda.
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CRUZEIRO 2x1 ATLÉTICO
Para ler sobre o clássico entre Cruzeiro e Atlético, realizado hoje, gentileza conferir o blogue Come grama!.
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sábado, 14 de fevereiro de 2009
AINDA PAIS E FILHOS
Recentemente, publiquei aqui texto sobre canções que faziam referência à relação entre pais e filhos. Vai parecer insistência de minha parte, mas não posso deixar de mencionar que hoje, visitando uma loja de discos, eu me deparei com o CD “Como nossos pais”.O título logo me chamou a atenção. Breve texto na contracapa informa que o repertório é uma coletânea de canções brasileiras que abordam, sim, o relacionamento entre pais e filhos. Obviamente, não pestanejei: comprei logo o CD.
O texto do encarte e a seleção do repertório ficaram por conta de Rodrigo Faour. As seguintes faixas compõem a coletânea:
● Coisinha do pai (Jorge Aragão/Almir Guineto/Luiz Carlos) – Beth Carvalho
● Papai vadiou (Rody do Jacarezinho/Gaspar do Jacarezinho) – Leci Brandão
● O mundo é um moinho (Cartola) – Cazuza
● Como nossos pais (Belchior) – Elis Regina
● Avôhai (Zé Ramalho) – Zé Ramalho
● Papai, me empresta o carro (Roberto de Carvalho/Rita Lee) – Rita Lee
● Já fui (Marina Lima/Antonio Cícero) – Marina Lima
● Pai (Fábio Jr.) – Fábio Jr.
● Naquela mesa (Sergio Bittencourt) – Nelson Gonçalves
● 14 anos (Paulinho da Viola) – Paulinho da Viola
● Espelho (João Nogueira/Paulo César Pinheiro) – João Nogueira
● De pai pra filha (Martinho da Vila) – Martinho da Vila
● Herança de meu pai (Benício Guimarães) – Jackson do Pandeiro
● Papai sabe-tudo (Leo Jaime/Leandro Verdeal) – Erasmo Carlos
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
APONTAMENTO 47
O amor nos eleva de precários a menos precários.
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FATAL
Os dias tristes de cada um vão chegar.
O rico e o gênio, o preto e a mulher.
O pobre e o tolo, a branca e o homem.
Todos, todos terão seus dias tristes.
A tristeza vem para cada um.
O rico e o gênio, o preto e a mulher.
O pobre e o tolo, a branca e o homem.
Todos, todos terão seus dias tristes.
A tristeza vem para cada um.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
LETRA DE MÚSICA (3)
Aos amores que nada podem, alguns versos, pois
a proximidade de seu amor é precária; a distância é certa.
Os amores que nada podem vivem de dribles e acasos.
Em amores que nada podem, o possível é fugidio;
o impossível, pesado, insistente, doloroso.
Do pouco que se tocam, fazem o muito com que sonham.
Os amores que nada podem conseguem força
no que resta, e o que resta é sempre pouco.
Os amores que nada podem são trágicos e sublimes.
Aos amores que nada podem, uma canção, pois
o cansaço do que não pode ser só não é maior
do que o amor que um dia haveria para existir.
a proximidade de seu amor é precária; a distância é certa.
Os amores que nada podem vivem de dribles e acasos.
Em amores que nada podem, o possível é fugidio;
o impossível, pesado, insistente, doloroso.
Do pouco que se tocam, fazem o muito com que sonham.
Os amores que nada podem conseguem força
no que resta, e o que resta é sempre pouco.
Os amores que nada podem são trágicos e sublimes.
Aos amores que nada podem, uma canção, pois
o cansaço do que não pode ser só não é maior
do que o amor que um dia haveria para existir.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (45)
Tirei esta foto no campus de uma faculdade, aqui em Patos de Minas. Foi preciso ter paciência: a princípio, escutei o pica-pau adulto. Depois, vi a árvore em que ele estava. A seguir, localizei o ninho. Finalmente, percebi que havia filhotes em casa.Eu sabia que mais cedo ou mais tarde o adulto voltaria, certamente trazendo comida para os filhotes, o que de fato ocorreu. Fiquei de plantão e fotografei umas três vindas do adulto. Também tenho fotos dos filhotes dentro do ninho bem como imagens deles espiando o ambiente, próximos à porta da casa.
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ENCOBERTA
Roupa de cama
com cheiro de coisa limpa,
chuva branda no telhado.
Agradeço por este momento:
minha fé é em coberta.
com cheiro de coisa limpa,
chuva branda no telhado.
Agradeço por este momento:
minha fé é em coberta.
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
PAI E FILHA
A baladinha “Changes”, do Black Sabbath, é muito conhecida. Foi também gravada por Kelly Osbourne, filha do Ozzy Osbourne (que foi vocalista do Black Sabbath). Dessa gravação, o paizão dela participa.
A letra original foi levemente modificada, de modo que o tom amoroso e triste deu lugar a um “diálogo” entre pai e filha, na regravação (conferir letra) de Kelly Osbourne.
Curiosamente, Kelly Osbourne também regravou "Papa don't preach", sucesso da Madonna em que a filha adolescente tem de resolver pendenga com o pai: a garota engravidara.
Não sei como é o relacionamento entre Ozzy e Kelly Osbourne. Ainda assim, deve ter sido um baita orgulho para o Ozzy ter tido a oportunidade de cantar com a filha.
Em tempo: o relacionamento às vezes conflituoso entre pais e filhos é bem marcado na música pop. Além das citadas acima, mais alguns exemplos:
● Pais e filhos – Legião Urbana
● Father and son – Cat Stevens
● Como nossos pais – Belchior
● The living years – Mike + The Mechanics
A letra original foi levemente modificada, de modo que o tom amoroso e triste deu lugar a um “diálogo” entre pai e filha, na regravação (conferir letra) de Kelly Osbourne.
Curiosamente, Kelly Osbourne também regravou "Papa don't preach", sucesso da Madonna em que a filha adolescente tem de resolver pendenga com o pai: a garota engravidara.
Não sei como é o relacionamento entre Ozzy e Kelly Osbourne. Ainda assim, deve ter sido um baita orgulho para o Ozzy ter tido a oportunidade de cantar com a filha.
Em tempo: o relacionamento às vezes conflituoso entre pais e filhos é bem marcado na música pop. Além das citadas acima, mais alguns exemplos:
● Pais e filhos – Legião Urbana
● Father and son – Cat Stevens
● Como nossos pais – Belchior
● The living years – Mike + The Mechanics
● Obrigado – O Gabba
● Ovelha negra – Rita Lee
Caso alguém aí saiba de outra(s), sinta-se totalmente à vontade para dizer.
Caso alguém aí saiba de outra(s), sinta-se totalmente à vontade para dizer.
_____
P.S.: graças à gentileza de Gabriela Maria, insiro mais canções cuja temática é o relacionamento entre pais e filhos:
● Perfect - Alanis Morissette
● Winter - Tori Amos
● Pose - Engenheiros do Hawaii
_____
P.S. 2: graças ao Ismael, mais canções para a lista:
● Mother - John Lennon
● Mother - Pink Floyd
_____
P.S. 3: pessoal, eu me lembrei de mais duas: a continuar assim, teremos rapidinho repertório para encher um CD:
● Forever young - Rod Stewart
● My baby - The Pretenders
_____
P. S. 4: Mais uma, também sugerida pela Gabriela Maria:
● Amanhã é 23 - Kid Abelha
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
AQUELES DOIS
Ele, pensando
que ela o acharia
velho demais,
não chegou.
Ela, pensando
que ele a acharia
jovem demais,
não deu bola.
E assim, os dois bobos,
um gostando do outro,
ficaram sem amor.
que ela o acharia
velho demais,
não chegou.
Ela, pensando
que ele a acharia
jovem demais,
não deu bola.
E assim, os dois bobos,
um gostando do outro,
ficaram sem amor.
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NO PALCO DA VIDA
Neste momento, escuto “Paciência”, com o Lenine. O verso “a vida não para” fica em minha cabeça enquanto olho fotos antigas tiradas por mim. É que desde quando comecei a fotografar de modo mais intenso, tive hoje a mais reflexiva experiência. Geralmente, quando reflito sobre a fotografia, penso nela em si; não é comum eu me valer da fotografia para ponderar sobre a condição humana. Hoje, contudo, foi diferente.
No sábado, recebi convite para almoçar na casa de Dionathan, grande amigo. Numa das conversas, ele mencionou um amigo dele que morrera devido a tumor cerebral. Morte rápida. Tinha pouco mais de trinta anos. Era casado. Enquanto Dionathan falava, de repente me veio a impressão de que eu já havia fotografado o amigo dele (que tocava viola) durante show.
Ficou combinado então que eu conferiria se era mesmo o violeiro a pessoa fotografada por mim. Ainda conversando na tarde de sábado, falamos de uma prima do músico que viria a se suicidar muito jovem. Ela também era artista – lembro-me de vê-la cantando; houve uma época em que chegou a se apresentar acompanhada por meu irmão Edgard, que é tecladista.
Olhando as fotos, confirmei que o violeiro mencionado na conversa de sábado é o mesmo das imagens. Houve surpresa, entretanto: a prima do artista também está em duas das fotos. Registrei um evento no Teatro Municipal, aqui em Patos de Minas, no dia 25 de agosto de 2006. Numa das imagens, ela está na platéia. Era um show musical com canções caipiras. Durante o espetáculo, um ator interage e brinca com a platéia. Na outra foto, a jovem dança com ele.
No sábado, recebi convite para almoçar na casa de Dionathan, grande amigo. Numa das conversas, ele mencionou um amigo dele que morrera devido a tumor cerebral. Morte rápida. Tinha pouco mais de trinta anos. Era casado. Enquanto Dionathan falava, de repente me veio a impressão de que eu já havia fotografado o amigo dele (que tocava viola) durante show.
Ficou combinado então que eu conferiria se era mesmo o violeiro a pessoa fotografada por mim. Ainda conversando na tarde de sábado, falamos de uma prima do músico que viria a se suicidar muito jovem. Ela também era artista – lembro-me de vê-la cantando; houve uma época em que chegou a se apresentar acompanhada por meu irmão Edgard, que é tecladista.
Olhando as fotos, confirmei que o violeiro mencionado na conversa de sábado é o mesmo das imagens. Houve surpresa, entretanto: a prima do artista também está em duas das fotos. Registrei um evento no Teatro Municipal, aqui em Patos de Minas, no dia 25 de agosto de 2006. Numa das imagens, ela está na platéia. Era um show musical com canções caipiras. Durante o espetáculo, um ator interage e brinca com a platéia. Na outra foto, a jovem dança com ele.
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APONTAMENTO 46
Almoçando num restaurante, escuto “Silence is golden”, da banda The Tremeloes. De imediato, eu me lembro de quando trabalhei em rádio, pois era uma canção que eu executava com frequência, quando trabalhava à noite. Enquanto o corpo se nutre, a alma se enleva.
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UM TEATRO, UM BAR E MUITA MÚSICA
No fim de semana, assisti a dois shows com músicos patenses: no sábado, conferi show com Rubinho (vocalista da banda O Gabba; voz e violão), Lúcio (baixo) Murilo (guitarra) e Ciro (bateria) no Teatro Municipal. Ontem, domingo, conferi, num bar, show com a banda Vandaluz.
Movie Show foi o nome da apresentação no teatro. De antemão, eu sabia que se tratava de um espetáculo com trilhas de filmes. A surpresa foi que trechos dos filmes de que as trilhas eram retiradas eram projetados no palco. Ou então projetavam-se os clipes, enquanto a banda executava as canções.
A idéia das imagens projetadas foi ótima, pois surpreendeu. Não foi somente um show musical. Detalhes técnicos fáceis de serem corrigidos impediram que o show fosse ainda melhor. A idéia é tão bacana que merece ser realizada novamente.
No fim do show, tocaram “Obrigado”, sucesso da banda O Gabba. De acordo com Rubinho, o grupo vai tocar durante a Festa Nacional do Milho deste ano. O vocalista não confirmou nem data nem local do show.
Já ontem, a banda Vandaluz (Vane Pimentel – voz; Cassim – voz e gaita; Murilo – guitarra; Alan Delay – baixo; e Ciro Nunes – bateria) levou seu (necessário) deboche a um dos bares da cidade num show todo autoral, com faixas do CD "Ascende".
O público lotou o bar e se divertiu com a irreverência e a teatralidade da apresentação. Já próximo ao fim, Vane disse que a grana arrecadada com o show vai ajudá-los na viagem que farão a Cuiabá, a fim de participarem de mais um festival de música independente (os integrantes do Vandaluz foram os organizadores do Festival Marreco de Música Independente, realizado em 21 de dezembro do ano passado).
Movie Show foi o nome da apresentação no teatro. De antemão, eu sabia que se tratava de um espetáculo com trilhas de filmes. A surpresa foi que trechos dos filmes de que as trilhas eram retiradas eram projetados no palco. Ou então projetavam-se os clipes, enquanto a banda executava as canções.
A idéia das imagens projetadas foi ótima, pois surpreendeu. Não foi somente um show musical. Detalhes técnicos fáceis de serem corrigidos impediram que o show fosse ainda melhor. A idéia é tão bacana que merece ser realizada novamente.
No fim do show, tocaram “Obrigado”, sucesso da banda O Gabba. De acordo com Rubinho, o grupo vai tocar durante a Festa Nacional do Milho deste ano. O vocalista não confirmou nem data nem local do show.
Já ontem, a banda Vandaluz (Vane Pimentel – voz; Cassim – voz e gaita; Murilo – guitarra; Alan Delay – baixo; e Ciro Nunes – bateria) levou seu (necessário) deboche a um dos bares da cidade num show todo autoral, com faixas do CD "Ascende".
O público lotou o bar e se divertiu com a irreverência e a teatralidade da apresentação. Já próximo ao fim, Vane disse que a grana arrecadada com o show vai ajudá-los na viagem que farão a Cuiabá, a fim de participarem de mais um festival de música independente (os integrantes do Vandaluz foram os organizadores do Festival Marreco de Música Independente, realizado em 21 de dezembro do ano passado).
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
"VINTE E UM"
Recentemente, assisti novamente a “Quiz Show” (1994). A direção é de Robert Redford, também conhecido como ator. O filme é baseado num livro de Richard N. Goodwin (“Remembering America: a voice from the sixties”) e conta uma história real. O roteiro cinematográfico ficou por conta de Paul Attanasio.
No fim da década de cinquenta, a NBC, grande rede de televisão americana, apresentava o programa Twenty-one, assistido por cinquenta milhões de pessoas. Na atração, dois competidores tinham de responder a perguntas feitas pelo apresentador. O primeiro a completar vinte e um pontos era o vencedor e continuava no programa. Quanto mais continuasse, mais dinheiro faturaria.
Em “Quiz Show”, Dan Enright (David Paymer), um dos produtores do programa, exige de Herbie Stempel (John Turturro) que ele erre de propósito uma das perguntas. A exigência de Enright se devia à pressão feita por um magnata patrocinador do programa – curiosamente, interpretado pelo diretor Martin Scorsese.
A intenção da emissora ao admitir Herbie Stempel no programa era passar a idéia de que os EUA são mesmo o lugar em que todos têm vez. Stempel é espontâneo, falastrão e feio. Ainda com ele curtindo ser celebridade, os produtores do programa, pressionados, saem à caça de outro concorrente.
É quando têm a chance de colocar Charles Van Doren (Ralph Fiennes) no ar: os dentes feios e irregulares de Stempel seriam substituídos pelo bonitão e aristocrático dândi Richard Van Doren, descendente de família de intelectuais e literatos.
Stempel não se cala e procura amparo legal, denunciando que o programa era uma armação. O caso chama a atenção do jovem, idealista e inteligente advogado Richard Goodwin (Rob Morrow), que trabalha para um comitê do Congresso. Goodwin inicia a investigação até chegar a Stempel.
Vejo “Quiz Show” não somente como um incisivo retrato das tramóias e mentiras que assolam meios de comunicação em todos os lugares (o filme já merece ser assistido por isso). Mas ele vai além. Realiza com maestria o retrato da vaidade, principalmente por intermédio do personagem Charles Van Doren.
Nada mais... humano (na falta de adjetivo melhor) do que o comportamento de Van Doren. A despeito da vasta e sólida formação cultural, ele não resiste à bajulação que passa a receber. Torna-se o “queridinho” da mídia e de executivos calhordas. Se por um lado Van Doren se rendeu à velha vaidade, seus algozes não pensaram duas vezes em bani-lo. “O show tem de continuar”.
Na vida real, por longo período, Charles Van Doren guardou silêncio quanto ao ocorrido. Em 2008, publicou relato (em inglês) na revista The New Yorker sobre o que viveu naquela época. Acerca do filme, o intelectual diz ter se aborrecido com o epílogo, que declara que ele não mais lecionou. “Não parei de lecionar”, escreve ele (mas não na universidade em que lecionava antes do escândalo). Diz ainda ter gostado muito da atuação de John Turturro como Herbie Stempel.
Todos queriam levar vantagem. Charles Van Doren e Herbie Stempel se predispuseram a fazer o jogo dos magnatas. Stempel e Van Doren ficaram deslumbrados pelo dinheiro e pelos afagos nos egos. O texto de Van Doren na revista The New Yorker é direto, parece sincero e detalha os meandros pelos quais passou. Encarando o passado, reflete: “O homem que trapaceou em Twenty-one é ainda parte de mim”.
No fim da década de cinquenta, a NBC, grande rede de televisão americana, apresentava o programa Twenty-one, assistido por cinquenta milhões de pessoas. Na atração, dois competidores tinham de responder a perguntas feitas pelo apresentador. O primeiro a completar vinte e um pontos era o vencedor e continuava no programa. Quanto mais continuasse, mais dinheiro faturaria.
Em “Quiz Show”, Dan Enright (David Paymer), um dos produtores do programa, exige de Herbie Stempel (John Turturro) que ele erre de propósito uma das perguntas. A exigência de Enright se devia à pressão feita por um magnata patrocinador do programa – curiosamente, interpretado pelo diretor Martin Scorsese.
A intenção da emissora ao admitir Herbie Stempel no programa era passar a idéia de que os EUA são mesmo o lugar em que todos têm vez. Stempel é espontâneo, falastrão e feio. Ainda com ele curtindo ser celebridade, os produtores do programa, pressionados, saem à caça de outro concorrente.
É quando têm a chance de colocar Charles Van Doren (Ralph Fiennes) no ar: os dentes feios e irregulares de Stempel seriam substituídos pelo bonitão e aristocrático dândi Richard Van Doren, descendente de família de intelectuais e literatos.
Stempel não se cala e procura amparo legal, denunciando que o programa era uma armação. O caso chama a atenção do jovem, idealista e inteligente advogado Richard Goodwin (Rob Morrow), que trabalha para um comitê do Congresso. Goodwin inicia a investigação até chegar a Stempel.
Vejo “Quiz Show” não somente como um incisivo retrato das tramóias e mentiras que assolam meios de comunicação em todos os lugares (o filme já merece ser assistido por isso). Mas ele vai além. Realiza com maestria o retrato da vaidade, principalmente por intermédio do personagem Charles Van Doren.
Nada mais... humano (na falta de adjetivo melhor) do que o comportamento de Van Doren. A despeito da vasta e sólida formação cultural, ele não resiste à bajulação que passa a receber. Torna-se o “queridinho” da mídia e de executivos calhordas. Se por um lado Van Doren se rendeu à velha vaidade, seus algozes não pensaram duas vezes em bani-lo. “O show tem de continuar”.
Na vida real, por longo período, Charles Van Doren guardou silêncio quanto ao ocorrido. Em 2008, publicou relato (em inglês) na revista The New Yorker sobre o que viveu naquela época. Acerca do filme, o intelectual diz ter se aborrecido com o epílogo, que declara que ele não mais lecionou. “Não parei de lecionar”, escreve ele (mas não na universidade em que lecionava antes do escândalo). Diz ainda ter gostado muito da atuação de John Turturro como Herbie Stempel.
Todos queriam levar vantagem. Charles Van Doren e Herbie Stempel se predispuseram a fazer o jogo dos magnatas. Stempel e Van Doren ficaram deslumbrados pelo dinheiro e pelos afagos nos egos. O texto de Van Doren na revista The New Yorker é direto, parece sincero e detalha os meandros pelos quais passou. Encarando o passado, reflete: “O homem que trapaceou em Twenty-one é ainda parte de mim”.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
NA PELE
Uma faixa de sol
dribla a cortina
e faz um risco
no rosto dela,
que aceita a carícia.
Driblo a correria
e arrisco alguns
versos para ela,
que aceita a carícia.
dribla a cortina
e faz um risco
no rosto dela,
que aceita a carícia.
Driblo a correria
e arrisco alguns
versos para ela,
que aceita a carícia.
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
AINDA SOBRE PLÁGIOS
Há algum tempo, publiquei neste blogue nota sobre suposto plágio do Coldplay de uma música do Joe Satriani.
Há pouco, li texto do crítico Regis Tadeu sobre plágio. O ponto de partida do articulista foi o fato de o NXZero ter sido acusado de plagiar música do desconhecido grupo Taking Back Sunday. Para mais detalhes, clique aqui.
Há pouco, li texto do crítico Regis Tadeu sobre plágio. O ponto de partida do articulista foi o fato de o NXZero ter sido acusado de plagiar música do desconhecido grupo Taking Back Sunday. Para mais detalhes, clique aqui.
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sábado, 31 de janeiro de 2009
FOTOPOEMA 49
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
APONTAMENTO 45
A iminência da morte faz com que repensemos a vida. A rigor, deveríamos repensar a vida todo dia.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
VÔLEI PROFISSIONAL EM PATOS DE MINAS
Ontem, no Patos Tênis Clube (PTC), conferi a partida entre Álvares/Vitória e Sada Cruzeiro Vôlei, válida pela Superliga de vôlei masculino. O jogo começou às 19h e terminou às 20h30.
A equipe Sada Cruzeiro venceu por três sets a zero (25-23, 25-22, 25-15).
No primeiro e no segundo sets, o Álvares/Vitória saiu na frente. Chegou a abrir diferença de cinco pontos em ambas as etapas. Contudo, permitiu a virada tanto no primeiro quanto no segundo set.
Já o terceiro set foi facilmente vencido pelo Sada Cruzeiro.
Depois de manhã, no sábado, novamente no PTC, às 17h, vai ocorrer a partida entre Álvares/Vitória e Tigre/Unisul/Joinville. O jogo também é válido pela Superliga masculina de vôlei.
A equipe Sada Cruzeiro venceu por três sets a zero (25-23, 25-22, 25-15).
No primeiro e no segundo sets, o Álvares/Vitória saiu na frente. Chegou a abrir diferença de cinco pontos em ambas as etapas. Contudo, permitiu a virada tanto no primeiro quanto no segundo set.
Já o terceiro set foi facilmente vencido pelo Sada Cruzeiro.
Depois de manhã, no sábado, novamente no PTC, às 17h, vai ocorrer a partida entre Álvares/Vitória e Tigre/Unisul/Joinville. O jogo também é válido pela Superliga masculina de vôlei.
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
ELOQUÊNCIA
Em meio à turba,
sê mais um.
Em silêncio à parte,
faz a diferença.
sê mais um.
Em silêncio à parte,
faz a diferença.
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ENSAIO DE VERÃO
O verão põe saia nas mulheres.
O verão ensaia as mulheres.
O vento assanhado as desensaia.
Privilégio ser plateia.
O verão ensaia as mulheres.
O vento assanhado as desensaia.
Privilégio ser plateia.
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
APONTAMENTO 45
Tantos textos têm dito o que sou. Prossigo escrevendo os meus. Numa dessas, digo o que você é; numa dessas, digo o que sou.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
APONTAMENTO 44
Auden escreveu que “algumas pessoas são inteligentes demais para se tornarem escritores”. Oscar Wilde é a exceção.
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NA PONTA
Enquanto a caneta
desliza sobre o papel,
desliza sobre o papel,
a história vai sendo escrita.
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LETRA DE MÚSICA (2)
Distraído, caminhei até sua casa
Vi plantas, janelas, alvenaria,
fiquei sem te ver
Quando caminho até você,
caminho sem armas
Dos cacos que restaram,
limpo as ruas
Todos os caminhos,
percorro pra me achar
No caminho que leva a você,
achei mais do que eu
Quando você quiser,
escolha um dos caminhos
que levam a mim
O tempo da ignorância
ficou numa esquina do passado
O café vai estar pronto e as portas
só se fecharão depois que você entrar
Vi plantas, janelas, alvenaria,
fiquei sem te ver
Quando caminho até você,
caminho sem armas
Dos cacos que restaram,
limpo as ruas
Todos os caminhos,
percorro pra me achar
No caminho que leva a você,
achei mais do que eu
Quando você quiser,
escolha um dos caminhos
que levam a mim
O tempo da ignorância
ficou numa esquina do passado
O café vai estar pronto e as portas
só se fecharão depois que você entrar
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domingo, 25 de janeiro de 2009
APONTAMENTO 43
Esse negócio de roupa é coisa séria. Mas interessante mesmo é a atuação desse negócio sem roupa.
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sábado, 24 de janeiro de 2009
CONVITE
No fundo, cada linha que escrevo é para convidar. Se me lês, vem comigo.
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
GESTUAL
Da dança que tens, preciso.
O corpo que tens, adoro.
O amor que tens, será meu.
O corpo que tens, adoro.
O amor que tens, será meu.
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BATUCANDO
Em minha postagem anterior, mencionei o dia musical que tive. Eu não poderia terminá-lo de modo mais perfeito: peguei meus apetrechos de percussão e tive a honra de acompanhar Rejane (vocal), Woodson (bateria eletrônica) e Pedro (violão) num dos bares da cidade.
A rigor, eu seria platéia. Liguei para a Rejane, que estava passando o som no bar, e pedi a ela que dissesse aos responsáveis pela casa para reservarem lugar para mim. Como não havia mais mesas à disposição, a Rejane propôs que eu levasse a percussão e participasse com eles. Fazendo assim, eu teria um assento à disposição... Foi o que ocorreu.
Não bastasse o prazer de acompanhar os três, que já tive a oportunidade de fotografar, a noite contou ainda com a canja de Franco Levine. A voz dele é conhecia por aqui – ele fez uma participação especial na faixa “Todos menos eu”, da banda patense O Gabba. Foi muito bacana quando Rejane e Franco Levine cantaram “One”, do U2.
Meu muito obrigado à Rejane, ao Woodson e ao Pedro. O show era deles. Ao permitirem que eu participasse, concederam-me a oportunidade de fazer uma das coisas de que mais gosto – viver musicalmente as madrugadas.
A rigor, eu seria platéia. Liguei para a Rejane, que estava passando o som no bar, e pedi a ela que dissesse aos responsáveis pela casa para reservarem lugar para mim. Como não havia mais mesas à disposição, a Rejane propôs que eu levasse a percussão e participasse com eles. Fazendo assim, eu teria um assento à disposição... Foi o que ocorreu.
Não bastasse o prazer de acompanhar os três, que já tive a oportunidade de fotografar, a noite contou ainda com a canja de Franco Levine. A voz dele é conhecia por aqui – ele fez uma participação especial na faixa “Todos menos eu”, da banda patense O Gabba. Foi muito bacana quando Rejane e Franco Levine cantaram “One”, do U2.
Meu muito obrigado à Rejane, ao Woodson e ao Pedro. O show era deles. Ao permitirem que eu participasse, concederam-me a oportunidade de fazer uma das coisas de que mais gosto – viver musicalmente as madrugadas.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
DIA MUSICAL
Desde os tempos em que fui cronista em jornais e revistas locais, a música pop tem sido assunto no que escrevo. Não tem sido diferente desde que comecei a lidar com blogues. Assim, digo que tive hoje um dia pop – ou um dia musical. É que decidi ir atrás de canções que procuro há um tempão.
Logo pela manhã, curtindo a Globo FM, do Rio de Janeiro, escutei uma música de que não sabia o nome. Pensei comigo: “Vou prestar atenção na letra, digito no Google alguns trechos dela e pronto”. Na prática, não foi bem assim: eu digitava o que havia escutado e não chegava à letra que eu havia curtido pela rádio.
Não me dando por vencido, decidi então entrar em contato com a equipe da emissora. Ao contrário do que ocorre com a maioria das empresas que colocam e-mail de contato mas não enviam retorno, fui gentil e rapidamente atendido pelo pessoal da rádio.
No e-mail enviado por mim, já à tarde, expliquei que a canção buscada havia sido executada entre 10h30 e 11h, entre os sucessos “À francesa”, da Marina Lima, e “Shiny happy people”, do REM.
Enviei a mensagem às 14h47. Às 15h38, Marcos Camara, programador da rádio, responde: “A música que você solicitou é ‘The story’, com Brandi Carlile”. A ele e à toda a equipe da rádio, parabéns por não fazer do e-mail um inútil canal de contato.
Prosseguindo com o dia musical, no fim da manhã, consegui um CD duplo que é uma coletânea com clássicos do Beto Guedes. Estão lá “Sol de primavera”, “O sal da terra”, “Paisagem da janela” etc. Em especial, eu procurava há um tempão “Vevecos, panelas e canelas” – que está no CD! Juntando tudo, fiz a seguinte seleçãozinha:
● Karnak – Alma não tem cor (foi regravada pelo Zeca Baleiro)
● Nila Branco – Chama
● Renata Arruda – Ninguém vai tirar você de mim
● Renata Arruda – Ouro pra mim
● Beto Guedes – Vevecos, panelas e canelas
● Bee Gees – Living eyes
●Cindy Lauper – Time after time (estou ainda atrás de uma regravação dessa música com o Miles Davis; ficou demais)
● Dire Straits – Your latest trick (versão ao vivo)
● Naomi – How many loves
● Dissidenten – Fata Morgana
● The story – Brandi Carlile
Acima, mencionei o tempo em que escrevi para a imprensa local. Sem querer soar cabotino, tomo a liberdade de comparar um trechinho de “The story” com algo que publiquei há tempos: Feliz aquele que tem histórias para contar – e as conta. Há um trechinho de “The story” que diz: “But these stories don’t mean anything/When you’ve got no one to tell them to” (Mas essas histórias nada significam/Quando não se tem ninguém a quem contá-las).
Gosto do jeito desbragado como Brandi Carlile canta. Foi a primeira coisa que me chamou a atenção. Quando escutei “The story” pela segunda vez, gostei do arranjo. Na terceira, da letra. A canção tem um quê de country misturado com pop (ou vice-versa). Caso você queira conferir clipe e tradução, eis o link. Para conferir crítica (em inglês) basta clicar aqui.
Logo pela manhã, curtindo a Globo FM, do Rio de Janeiro, escutei uma música de que não sabia o nome. Pensei comigo: “Vou prestar atenção na letra, digito no Google alguns trechos dela e pronto”. Na prática, não foi bem assim: eu digitava o que havia escutado e não chegava à letra que eu havia curtido pela rádio.
Não me dando por vencido, decidi então entrar em contato com a equipe da emissora. Ao contrário do que ocorre com a maioria das empresas que colocam e-mail de contato mas não enviam retorno, fui gentil e rapidamente atendido pelo pessoal da rádio.
No e-mail enviado por mim, já à tarde, expliquei que a canção buscada havia sido executada entre 10h30 e 11h, entre os sucessos “À francesa”, da Marina Lima, e “Shiny happy people”, do REM.
Enviei a mensagem às 14h47. Às 15h38, Marcos Camara, programador da rádio, responde: “A música que você solicitou é ‘The story’, com Brandi Carlile”. A ele e à toda a equipe da rádio, parabéns por não fazer do e-mail um inútil canal de contato.
Prosseguindo com o dia musical, no fim da manhã, consegui um CD duplo que é uma coletânea com clássicos do Beto Guedes. Estão lá “Sol de primavera”, “O sal da terra”, “Paisagem da janela” etc. Em especial, eu procurava há um tempão “Vevecos, panelas e canelas” – que está no CD! Juntando tudo, fiz a seguinte seleçãozinha:
● Karnak – Alma não tem cor (foi regravada pelo Zeca Baleiro)
● Nila Branco – Chama
● Renata Arruda – Ninguém vai tirar você de mim
● Renata Arruda – Ouro pra mim
● Beto Guedes – Vevecos, panelas e canelas
● Bee Gees – Living eyes
●Cindy Lauper – Time after time (estou ainda atrás de uma regravação dessa música com o Miles Davis; ficou demais)
● Dire Straits – Your latest trick (versão ao vivo)
● Naomi – How many loves
● Dissidenten – Fata Morgana
● The story – Brandi Carlile
Acima, mencionei o tempo em que escrevi para a imprensa local. Sem querer soar cabotino, tomo a liberdade de comparar um trechinho de “The story” com algo que publiquei há tempos: Feliz aquele que tem histórias para contar – e as conta. Há um trechinho de “The story” que diz: “But these stories don’t mean anything/When you’ve got no one to tell them to” (Mas essas histórias nada significam/Quando não se tem ninguém a quem contá-las).
Gosto do jeito desbragado como Brandi Carlile canta. Foi a primeira coisa que me chamou a atenção. Quando escutei “The story” pela segunda vez, gostei do arranjo. Na terceira, da letra. A canção tem um quê de country misturado com pop (ou vice-versa). Caso você queira conferir clipe e tradução, eis o link. Para conferir crítica (em inglês) basta clicar aqui.
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domingo, 18 de janeiro de 2009
MORDIDA CERTEIRA
Em minha postagem intitulada Fotopoema 48 (logo abaixo), escrevi: Onde morrem as aves?/Morrem enquanto voam? Segundo Manoel Almeida, se formos bons de mira, sim. Na resposta que deixei para o comentário do Manoel, mencionei que eu havia pensado mesmo no tiro certeiro quando escrevi o texto. Chegou a passar pela minha cabeça desenvolver a idéia; acabei por descartá-la, por não ter achado o tom adequado.
Coincidentemente, há pouco, vi um passarinho morto, na parte de trás aqui de casa, aonde raramente vou. Deve ter sido “obra” do Freud, o cachorro que mora aqui. Geralmente digo que ele é inimigo de tudo o que se move. A ração dele fica perto da porta da cozinha. Por diversas vezes já o vi dando bote nos pardais que por ventura tentam compartilhar do alimento dele. Só que eu ainda não tinha visto o resultado de suas investidas.
Minha mãe, nas limpezas que realiza, comenta com frequência ter encontrado algum pássaro morto no quintal. Invariavelmente, ela atribui ao Freud a autoria da morte (além do mais, se não for ele, haveria algo muito sinistro ocorrendo aqui). Aceitando a idéia de que o passarinho visto atrás da casa foi morto pelo Freud, só não sei se ele perdeu a vida na porta da cozinha e depois foi levado para lá ou se teve o azar de se encontrar com o cachorro onde está o corpo.
Coincidentemente, há pouco, vi um passarinho morto, na parte de trás aqui de casa, aonde raramente vou. Deve ter sido “obra” do Freud, o cachorro que mora aqui. Geralmente digo que ele é inimigo de tudo o que se move. A ração dele fica perto da porta da cozinha. Por diversas vezes já o vi dando bote nos pardais que por ventura tentam compartilhar do alimento dele. Só que eu ainda não tinha visto o resultado de suas investidas.
Minha mãe, nas limpezas que realiza, comenta com frequência ter encontrado algum pássaro morto no quintal. Invariavelmente, ela atribui ao Freud a autoria da morte (além do mais, se não for ele, haveria algo muito sinistro ocorrendo aqui). Aceitando a idéia de que o passarinho visto atrás da casa foi morto pelo Freud, só não sei se ele perdeu a vida na porta da cozinha e depois foi levado para lá ou se teve o azar de se encontrar com o cachorro onde está o corpo.
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sábado, 17 de janeiro de 2009
ATLÉTICO E CRUZEIRO REALIZAM CLÁSSICO
Atlético e Cruzeiro se enfrentaram hoje. Foi o primeiro clássico entre os dois realizado fora do Brasil. Confira detalhes no blogue Come Grama!.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
FOTOPOEMA 48
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FOTOPOEMA 47
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FOTOPOEMA 46
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FOTOPOEMA 45
(Como estou sem câmera fotográfica, meu muito obrigado a Lilian Regina, que me emprestou uma para que eu fizesse a foto.)
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
"A TROCA"
Assim que puder, corra para assistir ao filme “A troca” (Changeling, 2008). Angelina Jolie interpreta Christine Collins, mãe de Walter Collins, que, em 1928, desaparece de casa, depois de a mãe ter saído para trabalhar. A direção é de Clint Eastwood.
Constatado o sumiço do filho, a mãe inicia uma longa e tenaz busca. Em certo momento, um misterioso garoto é levado até ela pela polícia. Assim que o vê, Christine vai logo declarando que a polícia achara o garoto errado. Christine nega que o menino seja o filho dela, mesmo com a afirmação da criança de que ela era, sim, Walter Collins.
Uma tensão crescente vai tomando conta. Mesmo inconformada, Christine leva o garoto para casa. Ela tem certeza de que ele não é o filho dela. Procura a polícia inúmeras vezes, implorando para que a busca por seu filho continuasse. A polícia se nega a prosseguir com os trabalhos e dá o caso por encerrado.
Ainda assim, Christine insiste. Tanto insiste, apesar de já ter sido acusada de ser uma péssima mãe, que acaba sendo confinada a um hospício. A partir desse ponto, sem abandonar o problema inicial, que é o desaparecimento de Walter Collins, o filme toca também noutra delicada questão: o tratamento dispensado a quem era considerado louco.
Logo na abertura, o espectador é avisado: trata-se de uma história real. De fato, somente a realidade conceberia um enredo tão incrível como o de “A troca”. Não consigo imaginar escritor ou roteirista capaz de conceber uma história tão improvável, espantosa, cruel e imprevisível. Da corrupção quase generalizada da polícia, passando por um hospício e por um assassino em série, o filme cavouca feridas e vespeiros o tempo todo.
Parece-me útil comentar o título original – “The changeling”. A palavra changeling, no inglês, tanto pode significar sub-reptícia ou inadvertidamente trocar uma criança por outra quanto, no folclore, troca feita, pelas fadas, de uma criança bela e terna por uma feia, estúpida ou estranha. Por fim, changeling é termo usado na filatelia, significando alteração feita, acidental ou propositadamente, nos tons das cores de um selo por intermédio de processos químicos.
Constatado o sumiço do filho, a mãe inicia uma longa e tenaz busca. Em certo momento, um misterioso garoto é levado até ela pela polícia. Assim que o vê, Christine vai logo declarando que a polícia achara o garoto errado. Christine nega que o menino seja o filho dela, mesmo com a afirmação da criança de que ela era, sim, Walter Collins.
Uma tensão crescente vai tomando conta. Mesmo inconformada, Christine leva o garoto para casa. Ela tem certeza de que ele não é o filho dela. Procura a polícia inúmeras vezes, implorando para que a busca por seu filho continuasse. A polícia se nega a prosseguir com os trabalhos e dá o caso por encerrado.
Ainda assim, Christine insiste. Tanto insiste, apesar de já ter sido acusada de ser uma péssima mãe, que acaba sendo confinada a um hospício. A partir desse ponto, sem abandonar o problema inicial, que é o desaparecimento de Walter Collins, o filme toca também noutra delicada questão: o tratamento dispensado a quem era considerado louco.
Logo na abertura, o espectador é avisado: trata-se de uma história real. De fato, somente a realidade conceberia um enredo tão incrível como o de “A troca”. Não consigo imaginar escritor ou roteirista capaz de conceber uma história tão improvável, espantosa, cruel e imprevisível. Da corrupção quase generalizada da polícia, passando por um hospício e por um assassino em série, o filme cavouca feridas e vespeiros o tempo todo.
Parece-me útil comentar o título original – “The changeling”. A palavra changeling, no inglês, tanto pode significar sub-reptícia ou inadvertidamente trocar uma criança por outra quanto, no folclore, troca feita, pelas fadas, de uma criança bela e terna por uma feia, estúpida ou estranha. Por fim, changeling é termo usado na filatelia, significando alteração feita, acidental ou propositadamente, nos tons das cores de um selo por intermédio de processos químicos.
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sábado, 10 de janeiro de 2009
"THE BALLAD OF JACK AND ROSE"
Recentemente, assisti a “O mundo de Jack e Rose” (The ballad of Jack and Rose, 2005). Nos papéis principais, Daniel Day-Lewis (Jack Slavin) e Camilla Belle (Rose Slavin). A bela atriz é filha de brasileira com americano; segundo o site IMBD, ela fala bem tanto o inglês quanto o português. Ainda de acordo com o IMDB, Camilla gosta de feijoada. A direção do filme é de Rebecca Miller.
Jack vive numa ilha com sua filha Rose. Ambientalista empedernido, o pai decidira criar a filha longe do mundo capitalista, criando uma espécie de refúgio idílico para os dois. Nesse microcosmo, tudo vai bem até que num certo dia, sem avisar a filha, Jack leva para casa Kathleen (Catherine Keener), sua namorada. Rose se sente traída, enganada.
Complicando ainda mais a convivência, há o despertar sexual de Rose, com dezesseis anos. Pleno de simbolismos e implicações psicanalíticas, principalmente na relação entre pai e filha e na sexualidade de Rose, o sonho de Jack se vê ameaçado também em virtude das presenças dos filhos de sua namorada – Thaddius (Paul Dano) e Rodney (Ryan McDonald). Por fim, há a presença do investidor Martin Rance (Beau Bridges), que quer construir casas próximas à de Jack.
De um lado, Jack com sua utopia; do outro, a pressão para que ele aderisse ao resto do mundo. Por si só, o embate já daria material para um filme, que ainda é temperado pela sexualidade e pelo mundo adolescente. Sem cair na armadilha de intelectualismos ou academicismos, sexo e política pairam durante todo o tempo. Louvável, o trabalho de Rebecca Miller, que é também a roteirista. O que poderia soar como assunto demais para um só filme, é delicada e sobriamente costurado por Miller.
Jack vive numa ilha com sua filha Rose. Ambientalista empedernido, o pai decidira criar a filha longe do mundo capitalista, criando uma espécie de refúgio idílico para os dois. Nesse microcosmo, tudo vai bem até que num certo dia, sem avisar a filha, Jack leva para casa Kathleen (Catherine Keener), sua namorada. Rose se sente traída, enganada.
Complicando ainda mais a convivência, há o despertar sexual de Rose, com dezesseis anos. Pleno de simbolismos e implicações psicanalíticas, principalmente na relação entre pai e filha e na sexualidade de Rose, o sonho de Jack se vê ameaçado também em virtude das presenças dos filhos de sua namorada – Thaddius (Paul Dano) e Rodney (Ryan McDonald). Por fim, há a presença do investidor Martin Rance (Beau Bridges), que quer construir casas próximas à de Jack.
De um lado, Jack com sua utopia; do outro, a pressão para que ele aderisse ao resto do mundo. Por si só, o embate já daria material para um filme, que ainda é temperado pela sexualidade e pelo mundo adolescente. Sem cair na armadilha de intelectualismos ou academicismos, sexo e política pairam durante todo o tempo. Louvável, o trabalho de Rebecca Miller, que é também a roteirista. O que poderia soar como assunto demais para um só filme, é delicada e sobriamente costurado por Miller.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
DOSSIÊ NOVA YORK
Quem já foi locutor de estação FM sabe que às vezes a gente sente falta não é nem da locução em si, mas de anunciar uma canção específica de que gostamos muito. É meu caso com “Ziriguidum Tchan”, do Sá & Guarabyra. A canção é uma de minhas preferidas. Aos sábados à noite, num programa em que eu tocava só MPB e Pop/Rock nacionais, “Ziriguidum Tchan” era frequentemente executada.

Há uns cinco ou seis anos estou sem trabalhar em rádio. Desde que parei, não mais havia escutado a canção. A saudade já era muita; hoje, finalmente, eu a consegui. Estou há um tempão a escutando sem parar. Quando ela termina, eu a escuto de novo. Apesar de muito desafinado, gosto de cantá-la aos berros, o que faço agora, sozinho em casa, enquanto digito.
A canção está num LP (há o CD, lançado pela Eldorado) chamado “Vamos por aí”, que ainda tem “Meu lar é onde estão meus sapatos” e “Estrela natureza” (que chegou a ser trilha sonora de alguma novela). O trabalho é de 1990. Na época, lendo o encarte do disco, surpresa agradável: quem toca guitarra em “Ziriguidum Tchan” é o cantor e compositor Tavito – aquele do sucesso “Rua Ramalhete”.
A canção está num LP (há o CD, lançado pela Eldorado) chamado “Vamos por aí”, que ainda tem “Meu lar é onde estão meus sapatos” e “Estrela natureza” (que chegou a ser trilha sonora de alguma novela). O trabalho é de 1990. Na época, lendo o encarte do disco, surpresa agradável: quem toca guitarra em “Ziriguidum Tchan” é o cantor e compositor Tavito – aquele do sucesso “Rua Ramalhete”.

“Ziriguidum Tchan” é sobre Nova York. Isso me fez lembrar de “A fogueira das vaidades”, de Tom Wolfe, publicado pela Rocco. O prefácio é de Paulo Francis, que escreveu: “Wolfe disse que ninguém mora em Nova York pelo clima ou pela qualidade de vida. (...) Pode-se ir a museus em outras cidades e ouvir música (bem melhor) na Europa. Em Nova York se vive pela ambição de ser número um no que se faz e não se poupa esforços, às vezes com resultados cruéis, para derrubar quem nos tolhe o caminho” (...).
Indico a leitura do livro de Tom Wolfe. “A fogueira das vaidades” foi seu romance de estréia. Estupendo debute. Em 1991, a obra foi transformada em filme homônimo por Hollywood, com Tom Hanks no papel principal. A direção é de Brian de Palma.
A foto a seguir é de Thomas Hoepker, da agência Magnum, tirada no histórico 11 de setembro de 2001. Na imagem de Hoepker, enquanto as torres gêmeas deixam escapar espessa fumaça, o primeiro plano mostra um grupo de jovens conversando. Discute-se muito se a foto revela inércia, atitude alienada ou incapacidade de comoção. Sabedor da polêmica que o registro causaria, Hoepker somente o divulgaria em 2005. Abaixo da foto, a letra de “Ziriguidum tchan”.
Indico a leitura do livro de Tom Wolfe. “A fogueira das vaidades” foi seu romance de estréia. Estupendo debute. Em 1991, a obra foi transformada em filme homônimo por Hollywood, com Tom Hanks no papel principal. A direção é de Brian de Palma.
A foto a seguir é de Thomas Hoepker, da agência Magnum, tirada no histórico 11 de setembro de 2001. Na imagem de Hoepker, enquanto as torres gêmeas deixam escapar espessa fumaça, o primeiro plano mostra um grupo de jovens conversando. Discute-se muito se a foto revela inércia, atitude alienada ou incapacidade de comoção. Sabedor da polêmica que o registro causaria, Hoepker somente o divulgaria em 2005. Abaixo da foto, a letra de “Ziriguidum tchan”.
Nova York é aliTão perto daqui
O piloto sorri
Lá se vai o avião
Eles são o que rola
Eles fazem a moda
Nova York é mais perto
Que o sertão
Nova York é ali
Tão perto daqui
Oito horas de vôo
E ilusão
Nós pisamos na bola
Eles ganham em dólar
Nova York é mais perto
Que o sertão
Crack, rap, hip-hop, rock
Walk, don't walk now
Ziriguidum tchan
Se a viagem nos faz
Brasileiros demais
Cucarachas gerais
Na multidão
Essa ilha sem paz
Não se importa jamais
Nova York é mais perto
Que o sertão
Escondidos no fundo
Do umbigo do mundo
Joe nunca se encontra
Com João
Eles não se interessam
Eles não se conversam
Nova York é mais perto
Que o sertão
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
NA MORADA
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009
POESIA INFANTIL
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sábado, 3 de janeiro de 2009
CONTAGEM
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
JOE SATRIANI x COLDPLAY
Recentemente, o guitarrista Joe Satriani acusou o Coldplay de ter plagiado trechos de “If I could fly” no sucesso “Viva la vida”. A banda, em respeitoso comunicado, disse que “Viva la vida” não tem influências de “If I could fly”.
Enquanto a polêmica não se resolve, uma versão remixada de “Viva la vida” está disponível para download no site oficial do Coldplay. É uma espécie de presente de fim de ano para os fãs da banda.
Procurei pela internet leis sobre plágio. Há muita discussão e pouca precisão. Caso algum advogado por aí tenha algo exato a dizer sobre isso, sinta-se à vontade. Abaixo, trechinhos de “If I could fly”, do Satriani, e de “Viva la vida”, do Coldplay, para que você mesmo “julgue” o suposto plágio.
Enquanto a polêmica não se resolve, uma versão remixada de “Viva la vida” está disponível para download no site oficial do Coldplay. É uma espécie de presente de fim de ano para os fãs da banda.
Procurei pela internet leis sobre plágio. Há muita discussão e pouca precisão. Caso algum advogado por aí tenha algo exato a dizer sobre isso, sinta-se à vontade. Abaixo, trechinhos de “If I could fly”, do Satriani, e de “Viva la vida”, do Coldplay, para que você mesmo “julgue” o suposto plágio.
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sábado, 27 de dezembro de 2008
FOTOPOEMA 44
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
PARA ELA, QUE NÃO ME LERÁ
Hoje à tarde, estive num supermercado. Quando já ia saindo, esperei alguns segundos pela chegada do elevador que dá acesso ao estacionamento. Havia muita gente aguardando. O lugar estava lotado, devido à véspera de Natal.
Chegado o elevador, foi aquela correria para entrar. Quando as portas se fecharam e o bólido começou a descer, escutei o que me pareceu ser o pai de uma criança de uns dez anos comentando com ela que no mundo de hoje não se pode ser educado. “É chegar empurrando e pronto”, disse o homem.
A criança escutou de cabeça baixa, não sei se devido à timidez por estar cercada de gente estranha. Abertas as portas, nós nos debandamos. O “conselho” do adulto ficou reverberando em minha cabeça. Quando eu já estava perto de minha moto, o pai, que viera na mesma direção tomada por mim, repetiu para a garota: “De nada adianta ser educado”.
Minha cara garota, esse que deve ser seu pai é adulto. Nós, os adultos, vamos nos embrutecendo à medida que envelhecemos. É verdade que o mundo trata mal. Contudo, não siga o que seu pai lhe disse no elevador. Gentileza não é sinônimo de ser bobo. Ser gentil requer muito mais força do que ser rude. Gentileza é força, garota. Seja forte.
Chegado o elevador, foi aquela correria para entrar. Quando as portas se fecharam e o bólido começou a descer, escutei o que me pareceu ser o pai de uma criança de uns dez anos comentando com ela que no mundo de hoje não se pode ser educado. “É chegar empurrando e pronto”, disse o homem.
A criança escutou de cabeça baixa, não sei se devido à timidez por estar cercada de gente estranha. Abertas as portas, nós nos debandamos. O “conselho” do adulto ficou reverberando em minha cabeça. Quando eu já estava perto de minha moto, o pai, que viera na mesma direção tomada por mim, repetiu para a garota: “De nada adianta ser educado”.
Minha cara garota, esse que deve ser seu pai é adulto. Nós, os adultos, vamos nos embrutecendo à medida que envelhecemos. É verdade que o mundo trata mal. Contudo, não siga o que seu pai lhe disse no elevador. Gentileza não é sinônimo de ser bobo. Ser gentil requer muito mais força do que ser rude. Gentileza é força, garota. Seja forte.
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A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (44)
Esta imagem é mais uma daquelas fotos que são conseguidas quando não se espera mais nada ou pouca coisa. Foi tirada no Parque do Mocambo, aqui em Patos de Minas. Uma determinada área do parque tem uma pequena mata fechada. Nela, há trilhos pelos quais se pode percorrer o lugar. A tarde estava no fim. Decidi então deixar a mata e vir embora. Enquanto caminhava pelos trilhos, vi a borboleta acima.Como já era fim de tarde, praticamente não havia sol na mata. Eu teria de usar o flash, o que de fato ocorreu. Ainda assim, eu não estava muito otimista quanto à captura, pois a lente que eu usava é própria para assuntos que estejam a longa distância – é a lente que uso para fotografar aves e pássaros. Para a foto da borboleta, o ideal seria uma lente macro. Ainda assim, arrisquei. Afastei-me um pouco, caso contrário o foco não poderia ser feito, e disparei. Pude tirar três fotos.
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
FOTOPOEMA 43
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DUO
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
UM ALÔ
Hoje, fui levado a me lembrar de meu primeiro emprego. Eu tinha uns dez ou onze anos. Lembrando-me desse tempo, eu me lembrei de que a primeira vez em que falei ao telefone foi lá onde trabalhei nessa época, pois ainda não havia telefone aqui em casa.
O aparelho tocou e não havia ninguém por perto. Entrei em pânico, pois eu teria de atender. Nem me lembro se falei o nome da empresa ou um desajeitado alô. Quando a pessoa do outro lado começou a conversar, eu me embaralhei. Eu berrava que não estava entendo nada. A pessoa, por sua vez, com calma e paciência, tentava fazer com que eu entendesse a mensagem. Por fim, desistiu e desligou.
Voltei a trabalhar preocupado. Poderia ser alguma ligação importante. Talvez, o pedido de algum cliente... Assim que meu chefe voltou, disse que foi ele quem havia ligado. Gelei. Contudo, ele pareceu ter, sim, achado graça da situação. Enquanto comentava que havia sido ele quem ligara, estava sorrindo.
Naturalmente, ele foi meu primeiro patrão. Trabalhei para ele até mais ou menos os dezesseis anos, com algumas pausas. Compreensivo, sempre me liberava, sem queixas, para que eu pudesse freqüentar aulas de inglês. Hoje, por volta de 14h, fiquei sabendo que ele havia se suicidado no fim da tarde de ontem.
O aparelho tocou e não havia ninguém por perto. Entrei em pânico, pois eu teria de atender. Nem me lembro se falei o nome da empresa ou um desajeitado alô. Quando a pessoa do outro lado começou a conversar, eu me embaralhei. Eu berrava que não estava entendo nada. A pessoa, por sua vez, com calma e paciência, tentava fazer com que eu entendesse a mensagem. Por fim, desistiu e desligou.
Voltei a trabalhar preocupado. Poderia ser alguma ligação importante. Talvez, o pedido de algum cliente... Assim que meu chefe voltou, disse que foi ele quem havia ligado. Gelei. Contudo, ele pareceu ter, sim, achado graça da situação. Enquanto comentava que havia sido ele quem ligara, estava sorrindo.
Naturalmente, ele foi meu primeiro patrão. Trabalhei para ele até mais ou menos os dezesseis anos, com algumas pausas. Compreensivo, sempre me liberava, sem queixas, para que eu pudesse freqüentar aulas de inglês. Hoje, por volta de 14h, fiquei sabendo que ele havia se suicidado no fim da tarde de ontem.
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FESTIVAL MARRECO DE MÚSICA INDEPENDENTE
Conferi e apresentei ontem o Festival Marreco de Música Independente. O evento ocorreu no Galpão do Produtor, ao lado da rodoviária, tendo começado por volta de 14h30 e terminado por volta de 22h30. A organização foi da Peleja Criação Cultural.
Como parte da programação, houve do dia 15 ao dia 20/12 oficinas sobre música, consumismo e improvisação corporal. Também ocorreu oficina sobre como divulgar música independente em tempos de internet.
Janela Verde, de Patos de Minas, foi a banda que abriu o festival. O grupo tem baladas vigorosas e um pé no passado – com direito a órgão modelo SM44 na terceira música. A esse apelo antigo, visível também no figuro, juntou-se o peso da segunda parte do show.
A seguir, apresentou-se a banda Radiotape, de Belo Horizonte. Não fazem questão de esconder as influências do pop/rock inglês de meados da década de 90 para cá. O som da banda é pop e dançante. Mesmo quando decidem soar mais pesados, não abrem mão das agradáveis melodias.
O terceiro grupo a se apresentar foi a Banda 4, de Sabará. Vieram a Patos de Minas com uma proposta sui generis: apresentar música instrumental. O trabalho tem um clima soturno e, por vezes, pesado. Os arranjos e os climas criados pela banda lembram os momentos psicodélicos do rock progressivo.
A banda Seu Juvenal, de Uberaba, que veio a seguir, não poupou: apresentou um som cru, nervoso, agressivo. Letras com preocupações sociais eram cantadas de modo visceral pelo vocalista. Fizeram o deleite da galera que curte um rock mais rápido, direto e pesado.
Também de Uberaba, veio a banda Acidogroove, com seu ótimo som melodioso e levemente melancólico. A despeito dessa leve melancolia, têm um som pop – não no sentido pejorativo do termo, não no sentido de um pop bobo e artificial.
O antepenúltimo grupo a se apresentar foi o Barabizunga, de Patos de Minas. É um barato o quanto deixam claras as misturas que compõem o som da banda: samba, baião, pop e/ou rock. Tudo isso com o senso de humor de quem deixa, felizmente, a impressão de querer se divertir fazendo música.
Também de Patos de Minas, a banda Vandaluz levou ao palco seu show histriônico, teatral e mordaz. Irônicos e irreverentes, não poupam nem religiões nem ricos nem pobres. Poesias são declamadas, a indiferença é massacrada. Os fãs cantaram as músicas do CD “Ascende”.
A banda que encerrou o festival foi o Porcas Borboletas, de Uberlândia. Também têm o senso de humor como forte característica do trabalho. Ironia e teatralidade perfazem o som do grupo. Só para se ter uma idéia: passaram o som, voltaram para o hotel em que estavam e aguardaram que eu os chamasse para o show. Atravessaram correndo a rua, subiram no palco e começaram a tocar.
Terminada a apresentação deles, um monte de gente foi para o palco, a fim de celebrar a festa que se encerrava. Integrantes de várias bandas, o pessoal da organização e outros presentes finalizaram o vitorioso festival.
Acompanhei o evento em cima do palco. Pude ver de perto a animação e a garra com que o pessoal das bandas tocou. Chegavam entusiasmados e tocavam com vontade, mesmo quando o público ainda era pequeno, na primeira hora do evento.
Também gostei das várias vertentes apresentadas pelas bandas. Por fim, é sempre bom presenciar que o cenário independente tem produzido muito, revelando bandas ousadas e com ótima qualidade.
Aos organizadores, parabéns pela iniciativa. Organizar qualquer evento não é fácil. Organizar um evento voltado para a música independente é mais difícil ainda. Que essa tenha sido a primeira edição do Festival Marreco de Música Independente.
Como parte da programação, houve do dia 15 ao dia 20/12 oficinas sobre música, consumismo e improvisação corporal. Também ocorreu oficina sobre como divulgar música independente em tempos de internet.
Janela Verde, de Patos de Minas, foi a banda que abriu o festival. O grupo tem baladas vigorosas e um pé no passado – com direito a órgão modelo SM44 na terceira música. A esse apelo antigo, visível também no figuro, juntou-se o peso da segunda parte do show.
A seguir, apresentou-se a banda Radiotape, de Belo Horizonte. Não fazem questão de esconder as influências do pop/rock inglês de meados da década de 90 para cá. O som da banda é pop e dançante. Mesmo quando decidem soar mais pesados, não abrem mão das agradáveis melodias.
O terceiro grupo a se apresentar foi a Banda 4, de Sabará. Vieram a Patos de Minas com uma proposta sui generis: apresentar música instrumental. O trabalho tem um clima soturno e, por vezes, pesado. Os arranjos e os climas criados pela banda lembram os momentos psicodélicos do rock progressivo.
A banda Seu Juvenal, de Uberaba, que veio a seguir, não poupou: apresentou um som cru, nervoso, agressivo. Letras com preocupações sociais eram cantadas de modo visceral pelo vocalista. Fizeram o deleite da galera que curte um rock mais rápido, direto e pesado.
Também de Uberaba, veio a banda Acidogroove, com seu ótimo som melodioso e levemente melancólico. A despeito dessa leve melancolia, têm um som pop – não no sentido pejorativo do termo, não no sentido de um pop bobo e artificial.
O antepenúltimo grupo a se apresentar foi o Barabizunga, de Patos de Minas. É um barato o quanto deixam claras as misturas que compõem o som da banda: samba, baião, pop e/ou rock. Tudo isso com o senso de humor de quem deixa, felizmente, a impressão de querer se divertir fazendo música.
Também de Patos de Minas, a banda Vandaluz levou ao palco seu show histriônico, teatral e mordaz. Irônicos e irreverentes, não poupam nem religiões nem ricos nem pobres. Poesias são declamadas, a indiferença é massacrada. Os fãs cantaram as músicas do CD “Ascende”.
A banda que encerrou o festival foi o Porcas Borboletas, de Uberlândia. Também têm o senso de humor como forte característica do trabalho. Ironia e teatralidade perfazem o som do grupo. Só para se ter uma idéia: passaram o som, voltaram para o hotel em que estavam e aguardaram que eu os chamasse para o show. Atravessaram correndo a rua, subiram no palco e começaram a tocar.
Terminada a apresentação deles, um monte de gente foi para o palco, a fim de celebrar a festa que se encerrava. Integrantes de várias bandas, o pessoal da organização e outros presentes finalizaram o vitorioso festival.
Acompanhei o evento em cima do palco. Pude ver de perto a animação e a garra com que o pessoal das bandas tocou. Chegavam entusiasmados e tocavam com vontade, mesmo quando o público ainda era pequeno, na primeira hora do evento.
Também gostei das várias vertentes apresentadas pelas bandas. Por fim, é sempre bom presenciar que o cenário independente tem produzido muito, revelando bandas ousadas e com ótima qualidade.
Aos organizadores, parabéns pela iniciativa. Organizar qualquer evento não é fácil. Organizar um evento voltado para a música independente é mais difícil ainda. Que essa tenha sido a primeira edição do Festival Marreco de Música Independente.
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sábado, 20 de dezembro de 2008
TIANASTÁCIA EM PATOS DE MINAS
Conferi show com a banda Tianastácia, nesta madrugada, aqui em Patos de Minas. Não posso deixar de falar, a princípio, sobre a desrespeitosa e infame fila para que se pudesse entrar. Fiquei uma hora e quarenta e cinco minutos aguardando – depois que a casa havia, oficialmente, aberto as portas. Um desrespeito. Não vale a conversa de que havia muita gente querendo entrar. Já estive em eventos muito maiores em que a espera foi bem menor. Não há pretexto que justifique a afronta durante a entrada.
Uma vez começado o espetáculo, de onde eu estava, ou seja, bem de frente para o palco, na parte central, eu mal escutava a voz. Um fotógrafo que estava cobrindo o evento me disse, após o show, que de onde ele estava (não sei onde era), só escutou o baixo. Num dado momento, fui ao banheiro. Curiosamente, bem à esquerda do palco, o som me pareceu melhor.
Verdade é que boa parte do público não estava preocupada com isso. Enquanto eu aguardava na ridícula fila, só para dar um exemplo, pude escutar comentários e mais comentários sobre roupas, sapatos, acessórios, carros e demais balacobacos de que se valiam Fulano, Fulana, Beltrano, Beltrano, Sicrano e Sicrana.
Durante o show, cuja platéia, na maioria, era de adolescentes, pouca importava se o som estava bom ou se no palco estava o Tianastácia. A maioria estava lá para ver coleguinhas de escola e reparar nos outros e outras.
Digo, sem contar vantagem, que eu estava lá para assistir a um show de rock. Só isso. A banda fez a parte dela. O som, contudo, deixou muito a desejar. Nos momentos em que o grupo conversava com a platéia, era praticamente impossível entender o que era falado. Torço para que o retorno para os músicos estivesse bom.
A presença no palco do João de Deus, que é de Patos de Minas e tocou guitarra e teclado, deu um tempero bacana ao show. Embora, oficialmente, não sendo um dos integrantes da banda, João foi constantemente lembrado e homenageado durante a apresentação.
Pontos negativos da noite: a estúpida fila para a entrada e o som durante o show. Pontos altos: gente saindo pelo ladrão, o que é sempre bom num show de rock, e a performance do grupo. Acertaram até nas “covers”. Uma delas, “Balada do louco”, clássico dos Mutantes. Durante um hora e meia, o Tianastácia entregou um show animado e profissional.
Houve quem reclamou do fato de o show ter começado às duas da madrugada. Não sei a que horas a apresentação estava marcada para começar. Assim, pouco me importaria se o show começasse às duas ou às três. O que não pode haver é uma entrada tão demorada quanto a que houve.
Uma vez começado o espetáculo, de onde eu estava, ou seja, bem de frente para o palco, na parte central, eu mal escutava a voz. Um fotógrafo que estava cobrindo o evento me disse, após o show, que de onde ele estava (não sei onde era), só escutou o baixo. Num dado momento, fui ao banheiro. Curiosamente, bem à esquerda do palco, o som me pareceu melhor.
Verdade é que boa parte do público não estava preocupada com isso. Enquanto eu aguardava na ridícula fila, só para dar um exemplo, pude escutar comentários e mais comentários sobre roupas, sapatos, acessórios, carros e demais balacobacos de que se valiam Fulano, Fulana, Beltrano, Beltrano, Sicrano e Sicrana.
Durante o show, cuja platéia, na maioria, era de adolescentes, pouca importava se o som estava bom ou se no palco estava o Tianastácia. A maioria estava lá para ver coleguinhas de escola e reparar nos outros e outras.
Digo, sem contar vantagem, que eu estava lá para assistir a um show de rock. Só isso. A banda fez a parte dela. O som, contudo, deixou muito a desejar. Nos momentos em que o grupo conversava com a platéia, era praticamente impossível entender o que era falado. Torço para que o retorno para os músicos estivesse bom.
A presença no palco do João de Deus, que é de Patos de Minas e tocou guitarra e teclado, deu um tempero bacana ao show. Embora, oficialmente, não sendo um dos integrantes da banda, João foi constantemente lembrado e homenageado durante a apresentação.
Pontos negativos da noite: a estúpida fila para a entrada e o som durante o show. Pontos altos: gente saindo pelo ladrão, o que é sempre bom num show de rock, e a performance do grupo. Acertaram até nas “covers”. Uma delas, “Balada do louco”, clássico dos Mutantes. Durante um hora e meia, o Tianastácia entregou um show animado e profissional.
Houve quem reclamou do fato de o show ter começado às duas da madrugada. Não sei a que horas a apresentação estava marcada para começar. Assim, pouco me importaria se o show começasse às duas ou às três. O que não pode haver é uma entrada tão demorada quanto a que houve.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
CALENDÁRIO 2009 COM FOTOS TIRADAS POR MIM
Se você quiser receber, de graça, o calendário 2009 com fotos tiradas por mim, bastar entrar em contato. Caso você tenha meu e-mail, sinta-se à vontade para solicitar o material. Caso não, peça por este blogue e eu envio o calendário para seu e-mail (que não será divulgado aqui).
As reproduções podem ser até o tamanho 13x18. Se você quiser um tamanho maior, diga e envio.
Abaixo, uma amostra do que é o trabalho.
As reproduções podem ser até o tamanho 13x18. Se você quiser um tamanho maior, diga e envio.
Abaixo, uma amostra do que é o trabalho.
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
TEMPO DE AMAR
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008
FOTOPOEMA 42
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
AMANDO NA CHUVA*
Quando a chuva cai sobre nós, ela se apaixona.
Provo seu corpo, você sente meu gosto.
Gota a gota, a gente se bebe.
_____
* O texto acima foi escrito originalmente por mim em inglês. A tradução "liviana" fez com que uma nuança ou outra se perdesse. A versão original está em Imagetexts.
Provo seu corpo, você sente meu gosto.
Gota a gota, a gente se bebe.
_____
* O texto acima foi escrito originalmente por mim em inglês. A tradução "liviana" fez com que uma nuança ou outra se perdesse. A versão original está em Imagetexts.
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008
CONTO 29
Saindo de casa, assim que botou o pé na calçada, avistou a morena bonita se aproximando. Decidiu inventar o que fazer até que ela passasse. Enquanto ela passava, ele olhou oblíqua e dissimuladamente, tentando não ser deselegante. Ela passou e ele continuou olhando, na certeza de que valera a pena demais ter esperado. Saindo para o trabalho, soube que poderia tranquilamente esperá-la todos os dias, pois não a amava.
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APONTAMENTO 42
É preciso cuidar do encontro, pois o reencontro virá. Penso agora na jovem que me procura e diz querer minha ajuda porque tem escrito alguns textos. É a história que se repete. Tantas e tantas vezes já procurei professores (e ainda procuro) para que lessem originais meus. Cuidaram do encontro quando os procurei; hoje, somos amigos.
Por si só, acho bacana esse intercâmbio de textos. No caso da aluna que tem me procurado, há o alento de saber que uma garota de catorze ou quinze anos (não sei ao certo) tem se mostrado interessada em escrever. Já arriscou alguns textos, que estão num blog criado por ela – que ainda não ousou divulgá-lo para mais pessoas.
Quando comecei a mostrar meus escritos para os professores, não havia a praticidade dos blogs ou dos e-mails ou de um texto que pudesse ser digitado. Muitos foram datilografados. Anteriormente, noutros tantos, tentei caprichar na caligrafia. O que vale é que a essência da história é a mesma. A tecnologia como ferramenta para que a aventura, que se repete, recomece.
Por si só, acho bacana esse intercâmbio de textos. No caso da aluna que tem me procurado, há o alento de saber que uma garota de catorze ou quinze anos (não sei ao certo) tem se mostrado interessada em escrever. Já arriscou alguns textos, que estão num blog criado por ela – que ainda não ousou divulgá-lo para mais pessoas.
Quando comecei a mostrar meus escritos para os professores, não havia a praticidade dos blogs ou dos e-mails ou de um texto que pudesse ser digitado. Muitos foram datilografados. Anteriormente, noutros tantos, tentei caprichar na caligrafia. O que vale é que a essência da história é a mesma. A tecnologia como ferramenta para que a aventura, que se repete, recomece.
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
APONTAMENTO 41
“Cheiro de goiaba” é um livro de entrevistas com García Márquez. Nele, o autor colombiano responde a perguntas de Plinio Apuleyo Mendoza. Em determinado trecho, Mendoza pergunta a García Márquez que personagem literário ele gostaria de ter criado. Resposta: o Conde Drácula, de Bram Stoker.Nunca me perguntaram que personagem eu gostaria de ter criado. Certamente, devido ao fato de que nunca criei um. Dos que tenho acompanhado, há um que eu queria que fosse criação minha: Humbert Humbert, o narrador de “Lolita”, de Vladimir Nabokov.
Que personagem literário você gostaria de ter criado?
domingo, 7 de dezembro de 2008
NOTÍCIA
Pessoas, tenho um novo blog, dedicado ao futebol (sic). Caso queiram conferir, gentileza acessar Come grama!.
Grato.
Grato.
FOTOPOEMA 41
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
FOTOPOEMA 40
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
FOTOPOEMA 39
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008
FESTIVAL MARRECO
No dia 21 de dezembro vai ser realizado em Patos de Minas o Festival Marreco de Música Independente. O evento começa às 14h, no Galpão do Produtor, ao lado da rodoviária. A entrada é franca.
As seletivas já foram feitas, de modo que a programação está definida.
As seguintes bandas vão participar: Janela Verde, Radiotape, Banda 4, Seu Juvenal, Acidogroove, Barabizunga, Vandaluz e Porcas Borboletas.
Não bastasse o festival em si, que já é uma louvável e necessária realização, oficinas, palestras e debates vão ocorrer. Para mais informações, não deixe de acessar o blog do evento: Festival Marreco.
Desde já, parabéns ao Coletivo Peleja, patenses que organizam a maratona musical. Arregimentar um festival de música independente não é fácil. Cada um, com seu desprendimento e entusiasmo, quer inserir a cidade na cena independente. Todo sucesso para eles.
As seletivas já foram feitas, de modo que a programação está definida.
As seguintes bandas vão participar: Janela Verde, Radiotape, Banda 4, Seu Juvenal, Acidogroove, Barabizunga, Vandaluz e Porcas Borboletas.
Não bastasse o festival em si, que já é uma louvável e necessária realização, oficinas, palestras e debates vão ocorrer. Para mais informações, não deixe de acessar o blog do evento: Festival Marreco.
Desde já, parabéns ao Coletivo Peleja, patenses que organizam a maratona musical. Arregimentar um festival de música independente não é fácil. Cada um, com seu desprendimento e entusiasmo, quer inserir a cidade na cena independente. Todo sucesso para eles.
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domingo, 30 de novembro de 2008
A DANÇARINA
A arte que ela tem mora no corpo dela.
A arte dela é o movimento dela.
Quem a vê quieta, nem imagina
que a arte é o que nos dança.
A arte dela é o movimento dela.
Quem a vê quieta, nem imagina
que a arte é o que nos dança.
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
FOTOPOEMA 38
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008
"O PRESIDENTE NEGRO"
Terminei de ler ontem “O presidente negro”, romance de Monteiro Lobato. O livro defende a eugenia, alegando a supremacia da etnia branca.Vladimir Nabokov disse certa vez que definitivamente não concordava com o comportamento de seu personagem Humbert, sujeito de meia-idade que se envolve com Lolita, uma ninfeta. Não conheço a biografia de Lobato, de modo que seria um tanto inconseqüente de minha parte ir logo misturando homem e obra. Ainda assim, é digno de nota que o próprio Lobato escreveu: “O Brasil, filho de pais inferiores… destituídos desses caracteres fortíssimos que imprimem… um cunho inconfundível em certos indivíduos, como acontece com o alemão, com o inglês, cresceu tristemente… dando como resultado um tipo imprestável, incapaz de continuar a se desenvolver sem o concurso vivificador do sangue de alguma raça original”. [Aqui, link para que você confira de onde extraí a citação.] Marcia Camargos e Vladimir Sacchetta, autores do prefácio de “O presidente negro”, mencionam a longa correspondência mantida entre Lobato e Renato Kehl, defensor de teorias de purificação étnica. Este chegou a prefaciar um livro de Lobato.
Camargos e Sacchetta preferem não se alongar sobre o suposto racismo de Monteiro Lobato. Afirmam que “O presidente negro” revela “as profundas contradições da sociedade norte-americana” do começo do século XX.
A obra foi publicada primeiramente em 1926, de setembro a outubro, no jornal carioca A Manhã. Na ocasião, saiu com o título de “O choque”. Duas décadas depois receberia o título que tem hoje.
Ayrton Lobo é o narrador da história. Após sofrer um acidente em seu Ford então recentemente adquirido, Lobo é ajudado pelo professor Benson. O senhor o leva para casa, onde Lobo tem contato com Jane, filha única de Benson.
Desnecessário dizer que Lobo logo se apaixona por Jane. Benson, por sua vez, permite a aproximação. Decidido estava o professor a revelar sua grande invenção, o porviroscópio – máquina que permitia a visualização do futuro até o ano de 3527. Benson, para assombro de Lobo, vai detalhando como funciona a máquina. Ainda envolvido com os relatos, morre. Jane naturalmente assume a continuidade do que o pai começara, em entrevistas semanais que passou a ter com Ayrton Lobo. Este, por sua vez, vai cada vez se apaixonando mais por ela.
A história que Jane escolhe narrar em detalhes se passa nos EUA, no ano de 2228, quando um negro é eleito para a presidência do país. Em “O presidente negro”, os EUA do século XXIII são “a feliz zona que desde o início atraiu os elementos mais eugênicos das melhores raças européias”. Na ótica do livro, o atraso de gente como o brasileiro, por exemplo, deve-se à mistura de raças: “O amor matou no Brasil a possibilidade de uma suprema expressão biológica. O ódio criou na América a glória do eugenismo humano”.
A sociedade de que trata a obra é divida em homens brancos, feministas radicais brancas e homens e mulheres negros. Brancos e feministas se surpreendem quando um candidato negro decide concorrer ao cargo de presidente. A briga das feministas contra os homens brancos acaba dividindo os votos da etnia branca, o que propicia a eleição de Jim Roy, o candidato dos negros. No texto de Lobato, os negros do futuro haviam se submetido a um processo pelo qual suas peles haviam sido clareadas. A despeito desse clareamento, não são, em essência, brancos. A eleição de Jim Roy fará com que o definitivo e fatal golpe eugênico seja aplicado contra os negros.
Ayrton Lobo é um personagem ingênuo, funcionário da firma Sá, Pato & Cia. Embora seja o narrador da história, a notícia que recebemos do futuro nos é dada por intermédio, a princípio, do professor Benson; depois, por Jane. Tanto filha quanto pai são sofisticados, requintados. Pouco antes de morrer, Benson destruíra o porviroscópio, temendo o estrago que a invenção poderia causar se em mãos erradas. O futuro que Jane vai descortinando para Lobo faz parte de sua memória, do que ela observou enquanto teve à disposição a máquina do pai.
O leitor não ri do que apresenta o livro. Não é, por exemplo, como um “Viagens de Gulliver”. O narrador de Swift, ao relatar ingenuamente suas histórias, faz com que nós, leitores, achemos graça do que nos conta o narrador. Não há ironia em “O presidente negro”. Com calma, inteligência e feminilidade, Jane vai conduzindo Lobo, que passa a admirar o futuro eugênico, passando a desprezar o presente limitado e aquém. O narrador Lobo reproduz as palavras de Jane, sempre conscienciosa e certa do que diz. Fossem de Lobo as palavras, talvez o efeito pudesse ser similar ao que sentimos quando lemos o que nos conta Gulliver. Jane, sobre os EUA, declara: “Onde há força vital da raça branca senão lá? Já a origem do americano entusiasma”. Jane não é nem ingênua nem risível. O livro de Monteiro Lobato não está mofando do racismo, mas o endossando. Lamentável.
“O presidente negro” foi relançado recentemente a toque de caixa, quando Barack Obama ainda disputava com Hillary Clinton uma vaga democrata nas eleições presidenciais norte-americanas. Sem saber do que se tratava, gulliverianamente comprei o livro, pensando que ele era uma espécie de ataque contra o racismo...
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
FOTOPOEMA 37
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A SEPARAÇÃO
Já assisti a “Separados pelo casamento” (The Break-Up), do diretor Peyton Reed, diversas vezes. Foi veiculado como sendo comédia. Não penso ser o caso. Em minha opinião, o filme é um baita drama – com boa dose de humor, por paradoxal que isso possa parecer. As doses de humor do filme não me parecem fazer dele uma comédia, ao mesmo tempo em que lhe conferem verossimilhança e familiaridade. Ademais, bah, a vida mistura drama e humor.
Certo dia, Gary Grobowski (Vince Vaughn) e Brooke Meyers (Jennifer Aniston), casados e prestes a receber integrantes das famílias de ambos, começam a discutir porque ele chegara em casa com três limões – em vez dos doze pedidos por ela. Brooke quer a ajuda e a compreensão dele, pois muita coisa teria de ser feita na cozinha; Gary alega que trabalhou duro o dia todo. A discussão é interrompida com a chegada dos familiares. Embora o casal quase protagonize uma cena durante o jantar, em virtude de uma mesa de sinuca que Gary gostaria de ter no apartamento, terminam a refeição sem maiores solavancos. Quando as famílias vão embora o quebra-pau começa pra valer. Gary e Brooke se ofendem. Tem início a partir daí um cabo-de-guerra; vão tornando a vida a dois cada vez mais insuportável. A separação, já anunciada no título, vem de fato.
Gary e Brooke se querem. “Apenas” erraram no relacionamento. Da parte dela, faltou clareza ao dizer o que esperava de Gary; da parte dele, faltou abrir mão do egoísmo. À medida que o filme prossegue, aumentam as ofensas e a infantilidade de ambos, num joguinho bobo pra ver quem consegue magoar mais o outro. Conhecendo-se bem, sabem o que fazer a fim de que a ofensa seja incisiva.
O clima pesado e tenso não afugenta, contudo, o humor. A cena em que Richard (John Michael Higgins), irmão de Brooke, canta um trecho de “Owner of a lonely heart”, do Yes, é um barato. Há ainda cenas comoventes – sem pieguice: quando Brooke pede demissão a Marilyn Dean (Judy Davis), sua patroa e dona de uma galeria de arte, Marilyn, a despeito de toda a empáfia que faz questão de ostentar, dá a Brooke uma prova de amizade, confiança e compreensão, dizendo, em belas e poucas palavras, que as portas da galeria continuarão sempre abertas.
Quando digo que acho a Jennifer Aniston bonita, muita gente diz que não vê nada demais nela. Quando digo que a considero uma ótima atriz, já me perguntaram se eu estava brincando. Não estava – além de achá-la muito bonita, eu a considero mesmo uma ótima atriz. Não consigo imaginar uma outra pessoa na pele de Brooke Meyers.
Caso você alugue o DVD, não deixe de assistir, nos extras, a um fim alternativo para o filme...
Certo dia, Gary Grobowski (Vince Vaughn) e Brooke Meyers (Jennifer Aniston), casados e prestes a receber integrantes das famílias de ambos, começam a discutir porque ele chegara em casa com três limões – em vez dos doze pedidos por ela. Brooke quer a ajuda e a compreensão dele, pois muita coisa teria de ser feita na cozinha; Gary alega que trabalhou duro o dia todo. A discussão é interrompida com a chegada dos familiares. Embora o casal quase protagonize uma cena durante o jantar, em virtude de uma mesa de sinuca que Gary gostaria de ter no apartamento, terminam a refeição sem maiores solavancos. Quando as famílias vão embora o quebra-pau começa pra valer. Gary e Brooke se ofendem. Tem início a partir daí um cabo-de-guerra; vão tornando a vida a dois cada vez mais insuportável. A separação, já anunciada no título, vem de fato.
Gary e Brooke se querem. “Apenas” erraram no relacionamento. Da parte dela, faltou clareza ao dizer o que esperava de Gary; da parte dele, faltou abrir mão do egoísmo. À medida que o filme prossegue, aumentam as ofensas e a infantilidade de ambos, num joguinho bobo pra ver quem consegue magoar mais o outro. Conhecendo-se bem, sabem o que fazer a fim de que a ofensa seja incisiva.
O clima pesado e tenso não afugenta, contudo, o humor. A cena em que Richard (John Michael Higgins), irmão de Brooke, canta um trecho de “Owner of a lonely heart”, do Yes, é um barato. Há ainda cenas comoventes – sem pieguice: quando Brooke pede demissão a Marilyn Dean (Judy Davis), sua patroa e dona de uma galeria de arte, Marilyn, a despeito de toda a empáfia que faz questão de ostentar, dá a Brooke uma prova de amizade, confiança e compreensão, dizendo, em belas e poucas palavras, que as portas da galeria continuarão sempre abertas.
Quando digo que acho a Jennifer Aniston bonita, muita gente diz que não vê nada demais nela. Quando digo que a considero uma ótima atriz, já me perguntaram se eu estava brincando. Não estava – além de achá-la muito bonita, eu a considero mesmo uma ótima atriz. Não consigo imaginar uma outra pessoa na pele de Brooke Meyers.
Caso você alugue o DVD, não deixe de assistir, nos extras, a um fim alternativo para o filme...
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
FOTOPOEMA 36
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terça-feira, 18 de novembro de 2008
FOTOPOEMA 35
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008
A VINICIUS DE MORAES (2)
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A VINICIUS DE MORAES
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domingo, 16 de novembro de 2008
"O OBSERVADOR NO ESCRITÓRIO"
Terminei de reler “O observador no escritório”, livro de notas e apontamentos de Carlos Drummond de Andrade.As notas são datadas. Vão de 15 de maio de 1943 a 18 de setembro de 1977. Nelas, emerge o funcionário público às voltas com seu trabalho burocrático, duvidoso quanto a seu papel político: “Sou um animal político ou apenas gostaria de ser? (...) Como posso convencer a outros, se não me convenço a mim mesmo? Se a inexorabilidade, a malícia, a crueza, o oportunismo da ação política me desagradam, eu, no fundo, quero ser um intelectual político sem experimentar as impurezas da ação política?”.
Aqui e ali, alude o poeta a fatos corriqueiros, desde o comportamento de um gato, louco para saciar seu apetite sexual, a conversas com os grandes intelectuais e artistas do Rio de Janeiro de então. Há momentos engraçados, reflexivos, tristes... Amigos, impressões, arranjos de bastidores para disputa de vaga na Academia Brasileira de Letras, morte de amigos...
O registro de um tempo pelo olhar do poeta. Em meio às notas, o que emergiu para mim (talvez injustamente) foi um Drummond um tanto misantropo. Ele própria cita, sem comentar, opinião de Lúcio Cardoso, numa entrevista:
“– Qual o maior poema que leu em sua vida?
“– “’Os bens e o sangue’”, desse raro exemplar de falta de calor humano que se chama Carlos Drummond de Andrade”.
Num outro trecho, Drummond diz que um verso de Mário de Sá-Carneiro parece definir o poeta de Itabira: “Fartam-me até as coisas que não tive”.
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
APONTAMENTO 40
Sabe... Às vezes é melhor mesmo que eu não saiba mesmo de toda a beleza que há por aí. Seu eu soubesse, sei que não suportaria.
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RETÓRICA
Tudo deveria acabar numa obra de arte.
Ou começar numa obra de arte.
Ou ser uma obra de arte.
Hora de me calar.
Nem sei definir
se me silencio feliz
ou se me silencio triste.
Sei que a única obra de arte
que produzi foi o silêncio de agora.
Ou começar numa obra de arte.
Ou ser uma obra de arte.
Hora de me calar.
Nem sei definir
se me silencio feliz
ou se me silencio triste.
Sei que a única obra de arte
que produzi foi o silêncio de agora.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
CAMINHO DE SANGUE
Todo esse sangue bombardeado.
Todo esse sangue inocente.
Todo esse sangue poluído.
Todo esse sangue perverso.
Não no chão, mas nas veias,
deveriam estar todos
Todo esse sangue inocente.
Todo esse sangue poluído.
Todo esse sangue perverso.
Não no chão, mas nas veias,
deveriam estar todos
esses sangues correndo.
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“DECAMERÃO – O SANTO MILAGREIRO”
Ontem, a partir de 19h15, no Teatro Municipal Leão de Formosa, aqui em Patos de Minas, ocorreu o espetáculo teatral “Decamerão – o santo milagreiro”.
A peça é uma adaptação da primeira das cem histórias que compõem o livro “Decamerão”, de Giovanni Boccaccio (1313-1375). A direção foi de Consuelo Nepomuceno (Unipam), coordenadora do grupo Tupam (Teatro Universitário de Patos de Minas).
A história de Boccaccio narra o ocorrido com o senhor Ciappelletto. Em tom de galhofa e prestes a morrer, ele decide se “confessar” a um bondoso frade. Tendo sido cafajeste a vida toda (“era o pior homem que viera à luz, em qualquer época” – tradução de Torrieri Guimarães), o próprio Ciappelletto argumenta, no leito de morte, que uma ofensa a mais, numa vida tão plena delas, não fará nenhuma diferença. Para o frade, narra pecadilhos infantis, ninharias, a despeito da vida nada virtuosa que levara.
Impressionado com o suposto caráter elevado de Ciappelletto, o frade cuida rápido de dizer a todos que tão nobre conduta durante toda uma vida só podia indicar santidade. Dá a “boa nova” a seus colegas, que contam para outros, que contam para outros. Ciappelletto é enterrado com honrarias, é sepultado como santo. Rapidamente, fiéis passam a procurar o túmulo do “santo” em busca de milagres, numa amarga ironia de Boccaccio.
A peça contou ainda com música, sob o comando do professor de música e percussionista Castor. Após o espetáculo, o professor Luís André Nepomuceno, coordenador do curso de Letras do Unipam, contextualizou Boccaccio e sua obra numa Idade Média que assistia então ao surgimento do Humanismo. Infelizmente, devido a compromisso de trabalho, não pude acompanhar toda a fala do professor. Entretanto, ele próprio me disse posteriormente que houve uma interação proveitosa, a partir do momento em que o público se sentiu à vontade para opinar e fazer perguntas.
“No teatro, mudar uma peça de maneira radical muitas vezes é – por mais contraditório que possa parecer – a melhor maneira de ser fiel a um dramaturgo”. Esse trecho é de Gabriela Mellão, em crítica sobre montagem da peça “O Quarto”, de Harold Pinter, sob a direção de Roberto Alvim. Gabriela Mellão ressalta que as liberdades de Roberto Alvim, paradoxalmente, não deturparam o trabalho de Harold Pinter.
Comento isso pelo seguinte: o “Decamerão” não é texto escrito originalmente para o teatro. Ainda assim, o grupo Tupam foi feliz na adaptação que fez. As liberdades (sem radicalismos) tomadas quanto ao original e quanto a recursos cênicos mantiveram o saboroso humor de Boccaccio. Aqueles que têm familiaridade com o "Decamerão" reconhecem de imediato a atmosfera da história de Ciappelletto, a despeito das mudanças. Ao mesmo tempo, o espectador não deixa de presenciar a corrosiva ironia. Em suma: a trupe acertou no tom.
Não sei se há a intenção de se reapresentar a peça. Caso isso ocorra, esteja lá. E em tempo: é um espetáculo que eu gostaria de fotografar.
A peça é uma adaptação da primeira das cem histórias que compõem o livro “Decamerão”, de Giovanni Boccaccio (1313-1375). A direção foi de Consuelo Nepomuceno (Unipam), coordenadora do grupo Tupam (Teatro Universitário de Patos de Minas).
A história de Boccaccio narra o ocorrido com o senhor Ciappelletto. Em tom de galhofa e prestes a morrer, ele decide se “confessar” a um bondoso frade. Tendo sido cafajeste a vida toda (“era o pior homem que viera à luz, em qualquer época” – tradução de Torrieri Guimarães), o próprio Ciappelletto argumenta, no leito de morte, que uma ofensa a mais, numa vida tão plena delas, não fará nenhuma diferença. Para o frade, narra pecadilhos infantis, ninharias, a despeito da vida nada virtuosa que levara.
Impressionado com o suposto caráter elevado de Ciappelletto, o frade cuida rápido de dizer a todos que tão nobre conduta durante toda uma vida só podia indicar santidade. Dá a “boa nova” a seus colegas, que contam para outros, que contam para outros. Ciappelletto é enterrado com honrarias, é sepultado como santo. Rapidamente, fiéis passam a procurar o túmulo do “santo” em busca de milagres, numa amarga ironia de Boccaccio.
A peça contou ainda com música, sob o comando do professor de música e percussionista Castor. Após o espetáculo, o professor Luís André Nepomuceno, coordenador do curso de Letras do Unipam, contextualizou Boccaccio e sua obra numa Idade Média que assistia então ao surgimento do Humanismo. Infelizmente, devido a compromisso de trabalho, não pude acompanhar toda a fala do professor. Entretanto, ele próprio me disse posteriormente que houve uma interação proveitosa, a partir do momento em que o público se sentiu à vontade para opinar e fazer perguntas.
“No teatro, mudar uma peça de maneira radical muitas vezes é – por mais contraditório que possa parecer – a melhor maneira de ser fiel a um dramaturgo”. Esse trecho é de Gabriela Mellão, em crítica sobre montagem da peça “O Quarto”, de Harold Pinter, sob a direção de Roberto Alvim. Gabriela Mellão ressalta que as liberdades de Roberto Alvim, paradoxalmente, não deturparam o trabalho de Harold Pinter.
Comento isso pelo seguinte: o “Decamerão” não é texto escrito originalmente para o teatro. Ainda assim, o grupo Tupam foi feliz na adaptação que fez. As liberdades (sem radicalismos) tomadas quanto ao original e quanto a recursos cênicos mantiveram o saboroso humor de Boccaccio. Aqueles que têm familiaridade com o "Decamerão" reconhecem de imediato a atmosfera da história de Ciappelletto, a despeito das mudanças. Ao mesmo tempo, o espectador não deixa de presenciar a corrosiva ironia. Em suma: a trupe acertou no tom.
Não sei se há a intenção de se reapresentar a peça. Caso isso ocorra, esteja lá. E em tempo: é um espetáculo que eu gostaria de fotografar.
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008
DONA ISOLETA
Adão, quarenta e dois anos, comprou a passagem. O ônibus embarcaria às 22h15. Sua poltrona era a de número quatro. No veículo, Arlete, uma jovem de vinte e cinco, estava sentada na três – com os pés na quatro. Adão colocou sua mala no compartimento acima das poltronas e olhou para a jovem. Ela deu um levíssimo sorriso, arredou os pés e Adão se sentou.
Segundos depois, Arlete se levanta e passa para o outro lado do corredor do ônibus, ocupando a poltrona de número um – com os pés sobre a dois. Adão pensou que logo ela teria de voltar para o lugar dela, pois ele tinha quase certeza de que o passageiro da poltrona um estava prestes a surgir. É que no guichê Adão chegara a pedir a poltrona três e depois a um. Ambas já haviam sido vendidas.
Minutos depois, duas mulheres entram no ônibus. Uma delas, Ana Maria, de trinta e sete, carregava Clara, bebê de três anos. A outra, Isoleta, de setenta e dois, uma pequena sacola vermelha. Ana Maria foi para a parte de trás do ônibus. Isoleta havia comprado passagem para a poltrona um, que estava ocupada por Arlete.
Antes de se sentar, a senhora olhou para as poltronas um e três. Leu pausadamente para si mesma: "Pol-tro-na um". Quando a jovem já ia se levantar a fim de voltar para seu lugar, Isoleta conversou com Adão:
– Se você não se importar, eu queria ficar na sua poltrona. Fico enjoada se viajar no canto.
Adão achou estranho esse negócio de ficar enjoada somente quando se viaja no canto. Contudo, ficou sem jeito de dizer não; cedeu o lugar para a senhora. Enquanto mexiam os corpos no pequeno espaço, Isoleta quase caiu. Justificou-se:
– Às vezes caio; é por causa da minha coluna.
Isoleta se alojou na poltrona quatro. Só que Adão teria de ir para o lugar destinado a ela, que era a poltrona um, onde estava Arlete. Esta esboçou novamente o leve sorriso de há pouco. Tirou os pés da poltrona dois e se encolheu no canto. Adão ocupou a dois. Se alguém chegasse para ocupá-la, Adão teria de ir para a três, o que não ocorreu. Arlete não voltaria para a três, seu lugar de origem. Minutos depois, a viagem teria início.
Durante o percurso, Isoleta, pequena que é, deitou-se sobre as duas poltronas, com a cabeça virada para a janela; dormiu e roncou. De vez em quando, num sacolejo maior, um de seus pés chegava a esbarrar na perna de Adão, esticada para fora, ocupando parte do corredor. Incomodado pelo ronco de Isoleta, Adão não dormiu nada durante a viagem de sete horas.
No desembarque, enquanto se afastava do ônibus, Adão pôde ouvir Isoleta, toda risonha, comentar com Ana Maria:
– Inventei uma balela qualquer pros dois que estavam lá na frente; acabei ficando com duas poltronas só pra mim...
Segundos depois, Arlete se levanta e passa para o outro lado do corredor do ônibus, ocupando a poltrona de número um – com os pés sobre a dois. Adão pensou que logo ela teria de voltar para o lugar dela, pois ele tinha quase certeza de que o passageiro da poltrona um estava prestes a surgir. É que no guichê Adão chegara a pedir a poltrona três e depois a um. Ambas já haviam sido vendidas.
Minutos depois, duas mulheres entram no ônibus. Uma delas, Ana Maria, de trinta e sete, carregava Clara, bebê de três anos. A outra, Isoleta, de setenta e dois, uma pequena sacola vermelha. Ana Maria foi para a parte de trás do ônibus. Isoleta havia comprado passagem para a poltrona um, que estava ocupada por Arlete.
Antes de se sentar, a senhora olhou para as poltronas um e três. Leu pausadamente para si mesma: "Pol-tro-na um". Quando a jovem já ia se levantar a fim de voltar para seu lugar, Isoleta conversou com Adão:
– Se você não se importar, eu queria ficar na sua poltrona. Fico enjoada se viajar no canto.
Adão achou estranho esse negócio de ficar enjoada somente quando se viaja no canto. Contudo, ficou sem jeito de dizer não; cedeu o lugar para a senhora. Enquanto mexiam os corpos no pequeno espaço, Isoleta quase caiu. Justificou-se:
– Às vezes caio; é por causa da minha coluna.
Isoleta se alojou na poltrona quatro. Só que Adão teria de ir para o lugar destinado a ela, que era a poltrona um, onde estava Arlete. Esta esboçou novamente o leve sorriso de há pouco. Tirou os pés da poltrona dois e se encolheu no canto. Adão ocupou a dois. Se alguém chegasse para ocupá-la, Adão teria de ir para a três, o que não ocorreu. Arlete não voltaria para a três, seu lugar de origem. Minutos depois, a viagem teria início.
Durante o percurso, Isoleta, pequena que é, deitou-se sobre as duas poltronas, com a cabeça virada para a janela; dormiu e roncou. De vez em quando, num sacolejo maior, um de seus pés chegava a esbarrar na perna de Adão, esticada para fora, ocupando parte do corredor. Incomodado pelo ronco de Isoleta, Adão não dormiu nada durante a viagem de sete horas.
No desembarque, enquanto se afastava do ônibus, Adão pôde ouvir Isoleta, toda risonha, comentar com Ana Maria:
– Inventei uma balela qualquer pros dois que estavam lá na frente; acabei ficando com duas poltronas só pra mim...
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UNÍSSONO
Num coral é assim:
cada um em seu canto.
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sexta-feira, 7 de novembro de 2008
A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (43)
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