sábado, 27 de dezembro de 2014

GRUPO CARAMBOLA REALIZA SHOW






































Ontem, em mais uma realização da Improviso Produções, ocorreu, no Espaço Tio Patinhas, em Patos de Minas, o show que celebrou os trinta anos do grupo Carambola, banda de Patos de Minas. Além do show deles, houve, a seguir, música ao vivo com Moisés Carvalho e pista de dança animada pelo DJ Tybabas.

O Carambola é formado por Ângelo Costa, Maurício Castro, Vilmar Carvalho e Marcão Vieira. No show de ontem, foram acompanhados por Dell Luiz (baixo), Adriano Alves (guitarra), Alexandre Bomfim (bateria), Márcia Soares (vocal de apoio) e Bruna Alves (vocal de apoio). Além de canções próprias, a banda executou clássicos da MPB (a versão que fizeram para “Rapte-me, camaleoa”, do Caetano, ficou um barato).

Unindo gerações da música local, a banda O Berço, que recentemente lançou CD com músicas próprias, fez participação especial no show do Carambola. Já escrevi que a cidade vive um belo momento musical; foi bonito presenciar duas gerações de artistas locais se apresentando num mesmo palco.

A plateia, composta essencialmente por pessoas acima dos trinta e cinco, relembrou os tempos do Encontrão Cantar na Praça e do Teatro Telhado, como bem lembrou o Carambola durante o espetáculo. Terminado o show do grupo, houve quem tenha conferido a apresentação do Moisés Carvalho, que é filho do Valdir Carvalho, também músico local, e houve quem se esbaldou na pista de dança, ao som de clássicos do pop/rock. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (80)

Ontem à tarde, saí para fotografar. Tendo passado o aterro sanitário, tomei a estrada que dá acesso à esquerda. Depois de dirigir por uns dois quilômetros, eu me deparei com esta cruz sobre o poste de uma cerca de arame.

Tirei a foto. Logo após, percebi que, pendurados numa árvore, havia o que julguei serem espantalhos de mais ou menos meio metro cada um. Se não eram espantalhos, eram bonecos ou algo assim. Aproximei-me de um portão em busca de ângulo ideal para fotografar os supostos espantalhos. Foi quando me dei conta de que havia um cadela cuidando do lugar.

Embora ela não tenha feito menção de atacar, decidi não correr risco. Assim, não fotografei os espantalhos. Quanto à foto da cruz sobre a cerca, tenho impressão de que ela está tombada devido à ação do vento ou da chuva. No mais, nem preciso dizer que, ao postar a foto, não tenho intenção de ser iconoclasta nem algo que o valha. Seria fácil polemizar, mas polêmicas fáceis, em sua maioria, são desonestas, imaturas ou superficiais. 

APONTAMENTO 229

Led Zeppelin tem peso, tem pegada; é visceral, é primitivo, é animalesco, é bestial, é cru, é básico. Led Zeppelin não é para soar limpo: é para ser sujo. É uma das mais fascinantes sujeiras da arte. Obviamente, uma banda com essas características só pode ser indispensável. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

MENSAGEM DE NATAL

O Natal não precisa
nem de gorro
nem de chaminé.

Preocupa-te mais com
a presença do que
com o presente.

As roupas se desgastaram.
As palavras se cansaram.
Procura por um Natal inédito.

Faz um Natal 
com tua cara,
com tuas cores.

Que haja o rito,
que haja o brinde.
Que teu coração aja. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

EU SOU VOCÊ


É natural que sejamos influenciados pelas coisas com as quais convivemos. Quanto maior a convivência, maior a influência. Num certo sentido, tornamo-nos as pessoas ou as coisas com as quais convivemos. Passamos, por exemplo, a adotar uma palavra que é usada pela pessoa que amamos. Nesse sentido, tornamo-nos, também, os livros com os quais convivemos (essa ideia está, de modo literal, presente em “Fahrenheit 451”, do Ray Bradbury).

A caminho do cemitério, quando meu pai morreu, pela janela do carro, olhei para o mundo. Nada havia mudado: as pessoas continuavam com sua correria, os carros continuavam com suas buzinas. Foi quando me lembrei do poema “Funeral Blues”, do W.H. Auden. No texto, o eu lírico, lamentando a perda de uma pessoa querida, pede que o mundo dê uma pausa em sua continuidade.

Isso de querer que as coisas se importem conosco devido a uma dor que se tem está num trecho de “Ensaios de amor”, do Alain de Botton. Diz o narrador do livro: “Tal recusa de mudança era um lembrete de que o mundo era uma entidade independente que continuaria a funcionar estando eu apaixonado ou não, feliz ou infeliz, vivo ou morto. Eu não podia esperar que o mundo mudasse sua expressão de acordo com o meu humor, nem que os grandes blocos de pedras que formavam as ruas da cidade dessem a mínima para minha história de amor. Embora eles tivessem ficado felizes em acomodar minha felicidade, tinham coisas melhores a fazer do que caírem aos pedaços agora que Chloe tinha ido embora”.

A letra da canção “Virgem”, sucesso na voz da Marina Lima, diz: “As coisas não precisam de você”. Mesmo assim, talvez por um certo egoísmo ou por uma certa vaidade de que padecemos, parece-me inevitável querermos que o mundo reaja, seja como for, a fim de nos ajudar a suportar nossas dores. Ficamos a desejar que o mundo seja solidário conosco, ainda que estejamos, no fundo, cientes de que não há solidariedade, mas solidão.

Acima, mencionei o Auden. Encerrando esta postagem, compartilho linque que contém cena do filme “Quatro casamentos e um funeral” (1994), do diretor Mike Newell. Na sequência, o ator John Hannah, que interpreta Matthew, declama (legenda em português) a elegia “Funeral Blues”. As coisas não precisam de nós nem se importam com nosso destino. Diante disso, componhamos elegias ou canções.

Abaixo, com legenda em português, o texto do Auden, declamado no filme.

Lívio Soares de Medeiros
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W.H. Auden — Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message “He is Dead”.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good. 

POR LAS CALLES

Sei que é ser cara de pau escrever um texto num idioma que não se domina. Dando provas de que sou cara de pau, arrisco meu primeiro (e, por certo, o último) texto em espanhol. Muito obrigado à professora Márcia Xavier, do IFTM Patos de Minas, pela revisão do texto.
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Tú haces tu camino.
Tu paso liviano es dadivoso.
Las calles están felices: 
tú caminas por ellas. 

domingo, 21 de dezembro de 2014

"ENSAIOS DE AMOR"

Penso num Einstein, que aos vinte e seis publicou sua Teoria da Relatividade. Ou num Melville, que também aos vinte e seis, publicou seu “Moby Dick”. Ou num Rimbaud, que, ainda adolescente, já era poeta feito. Desde sexta-feira (19/12), tenho pensando em Alain de Botton, que, aos vinte e três, publicou “Ensaios de amor” (Botton está com quarenta e cinco).

Se você acredita no amor, leia “Ensaios de amor”; se você não acredita, leia. Se você gosta de chocolate com setenta por cento de cacau, leia “Ensaios de amor”; se gosta de chocolate com mais de setenta por cento de cacau, leia; se gosta de chocolate com menos de setenta por cento de cacau, leia. Espanta-me como alguém que tinha na época vinte e três anos escreveu um livro tão primoroso sobre o amor.

A edição que li foi publicada pela L&PM Pocket; a tradução é de Fábio Fernandes. Terminado o primeiro capítulo, na página 15, coisa demais já havia acontecido na história, a ponto de eu me perguntar: “Ei, o que mais há para contar?”. Nas primeiras páginas, o livro já continha humor, filosofia e lirismo. Logo no começo da leitura, eu já estava dando gargalhadas, estava refletindo, estava diante da poesia.

A convivência com o texto fluía tão agradável que antes mesmo de terminar a última página eu já estava louco para escrever esta resenha. À medida que eu ia lendo, eu ficava inebriado com, para me valer de uma expressão do advogado Manoel Almeida, a mão solta do autor. Penso no quanto De Botton se divertiu escrevendo “Ensaios de amor”.

Trata-se de um livro de praticamente dois personagens — o narrador e Chloe. Durante um voo, eles se conhecem. O resto você já sabe: eles se apaixonam, passam a viver juntos. O que você não sabe, caso não tenha lido o livro, é claro, é o monumento que Alain de Botton ergueu ao narrar o amor dos personagens.

“Ensaios de amor” é elegante, engraçado, poético, reflexivo. O amor, com suas dores, alegrias, dúvidas e risadas é descrito em capítulos breves; cada parágrafo de cada capítulo é enumerado, como se cada parágrafo fosse, por assim dizer, um apontamento. Tudo vale para que o narrador dê conta de traduzir o amor: filosofia, literatura, sociologia. O livro é um romance, mas é um tratado; é um tratado, mas é um romance.

É engraçado e é erudito: está cheio de piscadelas literárias; numa delas, por exemplo, num passeio que fazem à Espanha, Chloe passa mal. Ela é atendida por um médico chamado Saavedra.

O livro trata o amor de modo honesto. Não foge de suas agruras, de seus destemperos, de seus desatinos, de suas tristezas, de suas dores. Ao mesmo tempo, não se esquece dos pequenos grandes momentos que só o amor é capaz de propiciar. É um livro humano, densamente humano e... amoroso.

Numa feliz coincidência, li boa parte do livro ontem, dia do aniversário de Alain de Botton (só fiquei sabendo do aniversário dele ontem à noite, em pesquisa na internet). Tendo comprado a obra anteontem, anteontem mesmo iniciei a leitura; deliciei-me com ela ontem e terminei de lê-la em torno de 1h deste domingo. Foi uma surpresa receber um presente tão magistral. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

APONTAMENTO 228

Falar demais não significa ser eloquente. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ, BILL CLINTON, FIDEL CASTRO

Quando Fidel Castro e Bill Clinton ocupavam o poder, Gabriel García Márquez, que era amigo de ambos, disse que a situação entre EUA e Cuba poderia ser melhorada caso os dois comandantes se encontrassem pessoalmente. Não tenho notícia se tal conversa efetivamente ocorreu. À parte isso, García Márquez declarou que os dois entender-se-iam caso conversassem face a face.

A convivência do escritor colombiano com poderosos (em especial com Fidel) era comumente criticada. Havia quem sugerisse que Márquez, nascido em Aracataca, pequena cidade na Colômbia, era apenas um adulto deslumbrado com o poder. Fascinado ou não pelo poder, o escritor atuou informalmente como uma espécie de diplomata, não somente na relação entre EUA e Cuba.

García Márquez não viveu para testemunhar o anúncio de Obama, feito nesta semana. Bill Clinton, em entrevista concedida dias após a morte do escritor, disse que Márquez lhe pedira, enquanto Clinton era presidente, que o embargo a Cuba tivesse fim. Em entrevista, o ex-presidente americano declarou que acreditava desfazer o bloqueio contra Cuba em seu segundo mandato. 

CRONOLOGIA DE UM ÊXTASE

Gosto de músicas e de canções com crescendos. Neste instante, o exemplo que me ocorre é “Talking out of turn”, da banda The Moody Blues. Refiro-me a crescendos a título de pretexto para falar mais uma vez de “Breakthrough”, do Tony Anderson, sobre quem escrevi em postagem de ontem.

Por natureza, trilhas sonoras criam um clima, uma atmosfera. Ainda assim, podem ser escutadas à parte, descontextualizadas dos filmes ou dos documentários para os quais são produzidas. Não conheço “Finding home”, o documentário para o qual “Breakthrough” foi composta; mesmo assim, tenho escutado, sem parar, a música.

Ela começa com um teclado sutil; aos dezessete segundos, vem a primeira nota de um piano (ou de um outro teclado). O teclado inicial continua fazendo o fundo, já dando um certo corpo ao clima. Aos cinquenta e cinco segundos temos o primeiro vocal (masculino). Com um minuto e catorze, um violão se junta ao arranjo; com um e trinta e quatro, vozes (femininas).

Com dois minutos e doze segundos, a bateria chega com peso; ao mesmo tempo, os violoncelos. Aos dois e vinte, o primeiro ataque do baterista. A essa altura, o som já é robusto, tem peso. O crescendo vai se aproximando do auge, que, aos dois e cinquenta, já pulsa forte nas veias. É quando corpo e mente se entregam numa explosão de prazer.

Alucinados e plenos de energia, usufruem dele; saciados, gozam do tempo que resta para que a música termine. Aos três e quarenta e oito, tem início o diminuendo. Corpo e mente descansam, pois não suportariam se o astral durasse demais. Quatro minutos e cinquenta e dois segundos depois, o êxtase está consumado. 

APONTAMENTO 227

De vez em quando, sinto uma saudade desgraçada de muitas coisas e de muitas gentes e de muitos lugares. Em ocasiões assim, tenho saudade de tudo e de todos. Vontade de jamais me despedir nem de nada nem de ninguém. Dezembros me trazem essas saudades. São tantas e tão fortes, que até me esqueço de que janeiro está à porta. Volto-me para mim, volto-me para o passado. A saudade vai se ampliando, até o ponto em que tudo o que sou é uma saudade movente. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

TONY ANDERSON


A primeira vez em que escutei esta música foi num vídeo institucional de um restaurante local. Mal havia ela começado, eu me arrepiei. Mal tendo ela começado, eu já sabia que teria, de todos os modos, de descobrir o nome da música.

Como não há letra, tive de me valer do Shazam para descobrir o nome. Foi então que surgiram os caracteres: “Tony Anderson — Breakthrough”. A partir daí, o procedimento foi o usual: buscar informações sobre Tony Anderson, pesquisar o contexto em que “Breakthrough” está e tudo o mais.

A faixa é trilha sonora de um documentário chamado “Finding home”, sobre as vidas de três garotas que foram resgatadas da exploração sexual no Camboja. Anderson, que em sua página discorre sobre seu trabalho, comenta a feitura da trilha de “Finding home” neste “link”. 

Deve haver uns três dias em que estou escutando a música o dia todo quase sem parar. Depois que ela termina, eu a escuto outra vez; depois, outra vez (enquanto digito estas palavras, eu a escuto)... Paralelamente, tenho navegado pela página de Tony Anderson, de cujos textos e de cuja música me tornei fã. 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

OBRAS-PRIMAS

Escutas a canção.
É tal o arranjo,
tal o tom, que,
em melódico momento,
uma obra-prima
escuta a outra.

Meu corpo se embala.
Entre as estocadas dele 
e os gemidos teus,
ele segue o ritmo de
duas obras-primas. 

DEMOGRAFIA

Anita mora em Patos de Minas.
Quer se mudar para Uberlândia.

Paulo mora em Uberlândia.
Quer se mudar para Belo Horizonte.

Ana Cláudia mora em Belo Horizonte.
Quer se mudar para o Rio de Janeiro.

Alan mora no Rio de Janeiro.
Quer se mudar para São Paulo.

Sara mora em São Paulo.
Quer se mudar para Nova Iorque.

Tiago mora em Nova Iorque.
Quer voltar para Concórdia do Pará.

Gabriela mora em Concórdia do Pará.
É feliz onde mora. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

ELEVAÇÕES

HAICAI 32

Pirilampo, vaga-lume.
Vago lume, facho sutil.
Luz em baixo volume. 

ATO

O que há num sonho?
O que a noite concebe o dia realiza?
Ou é a própria noite que se cuida 
do que ela mesma engendra?

Sonhos não vêm com hora marcada.
Mas sonho não é ato.
Este se faz num tempo e num lugar.
Sonho precisa de investidas.

A que horas sairemos?... 

FOTOPOEMA 362

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

CASA DOS CONTOS

Nunca mais se verão.
Caminhos distintos, distantes.
A vida os uniu num breve encontro.
Foi um só, foi único; não haverá outro.
Ficou uma foto — também única.
O momento foi celebrado. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

AMBIENTE

A vestal pode 
estar na boate.
A maldade pode 
estar no convento. 

VERBO E CARNE

Digo um monte de coisas.
Invento assunto, faço perguntas.
Até arrisco uma piada, um trocadilho.
Tantas e tantas palavras.
Tudo para desconversar o que
eu deveria dizer o tempo todo.
Assunto demais para silenciar
o que em mim é grandiloquente.
A mesma boca que fala o trivial
é a que deseja um beijo forte.
É muita palavra tentando abafar
o que, em chama, o coração quer. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

APONTAMENTO 226

As coisas são inefáveis. Mas é preciso escrever como se não fossem. 

SINTONIA FINA — EDIÇÃO 29


No ar, mais uma edição do Sintonia Fina, programa musical. A atração pode ser escutada a qualquer hora — basta dar “play”. Abaixo, a seleção musical desta edição.
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Meghan Trainor — All about that bass
Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto — La belle de jour / Girassol
Nando Reis e Marisa Monte — Pra quem não vem
Paloma Faith — Only love can hurt like this
Plebe Rude — Até quando esperar (ao vivo)
O Berço — White winter hymnal
O Berço — Leoa 
Pitty — Serpente
Robbie Williams — Go gentle 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ENTRE OURO PRETO E MARIANA

As imagens desta postagem foram feitas no caminho entre Ouro Preto e Mariana. Não havia nada que eu pudesse usar como escala para que se pudesse ter um parâmetro do tamanho da queda d’água. Houvesse, por exemplo, uma pessoa na foto, poder-se-ia ter uma noção de grandeza; seria possível conceber, se não com exatidão, mas com uma noção mais ampla, a distância percorrida pelas águas desde quando começam a cair. Ainda assim, fiquemos com a imprecisão deste comentário: é uma cachoeira grande.



IMAGEM E SOM

O trem me move.
Comovido, escuto, olho.
Mariana me recebe.
Sem sair do lugar, viajo.
Vou ficando, vou morando,
querendo namorar no
vagão dos sentidos. 

HORA DO LANCHE


APONTAMENTO 225

O talento é que escolhe. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

ENTRE OS ESTUDOS E AS TENTAÇÕES

Mais cedo, corri os olhos sobre um trecho de “O povo brasileiro”, de Darcy Ribeiro, que estou lendo. Uma passagem, além de divertida, é reveladora do que somos.

Diz o autor: “Êxito discreto se alcançou na importação de trombadinhas de Lisboa para conviverem com os indiozinhos nos colégios jesuíticos. Em 1550, chegaram à Bahia um bando descrito como feito de ‘moços perdidos, ladrões e maus, que aqui chamam patifes’. Para São Vicente, foram dez ou doze no mesmo ano. Com eles é que os jesuítas esperavam civilizar os curumins, e fazê-los, em aulas conjuntas, aprender gramática latina. Tarefa difícil, como se pôde ver em pouco tempo, quando esses pixotes, assediados pelas índias, não resistiram à tentação, fugindo com elas”.

É: há ocasiões em que o latim não tem vez. 

VERSO

Toda folha tem verso.
Nem toda tem poesia. 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ELA

Numa  passagem de “O retrato de Dorian Gray”, Wilde diz que “as mulheres têm instintos maravilhosamente primitivos”. Tais instintos já as tornariam incríveis. Só que, além deles, há uma delicadeza que é delas. Só delas. Um instinto bestial aliado a uma delicadeza espontânea: não há como resistir. 

FRIDAY

Fique calmo e back Friday. 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

GOTA A GOTA

Em Patos de Minas, só não chove mais do que em Macondo. Por enquanto. 

ATLÉTICO CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL

A honra de estar em campo. A honra de estar no estádio. A honra de assistir a um evento desses pela TV. A honra de torcer para o Atlético ou para o Cruzeiro. Era essa a sensação que eu tinha antes do início da partida entre as duas equipes, ontem, no Mineirão. Na prática, o que se viu foi um jogo bem menor do que as expectativas por ele nutridas.

Tais expectativas se justificavam: foi a primeira decisão de título nacional entre Cruzeiro e Atlético. A final da Copa do Brasil entre os dois times mineiros coroa a boa fase que os dois têm vivido desde o ano passado. Entretanto, quem não acompanha de perto o futebol e tenha, ainda que por curiosidade, assistido ao jogo de ontem, presenciou uma disputa sem graça, devido à atuação apática do Cruzeiro. Para o torcedor atleticano, isso é indiferente.

À parte o anticlímax em que a disputa de ontem acabou se tornando, o Atlético foi imensamente superior ao time do Cruzeiro, que quase não ameaçou a meta de Victor. Tivesse a atuação do Cruzeiro sido um pouco pior, o goleiro teria assistido de camarote à vitória atleticana. O título da Copa do Brasil ficou com o time que fez por merecê-la.

No ano que vem, Atlético e Cruzeiro, que, neste 2014, foram os dois campeões dos dois maiores torneios do futebol nacional, estarão na Libertadores. Numa Copa do Brasil com tempero mineiro, o Atlético, com raça e talento, cantou de galo, ontem, no Mineirão. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

NÓS

Sou
o indígena,
o africano,
o português.

Sou
moreno,
preto,
branco.

“Sou o que sou”.
Sou meu pai.
Sou minha mãe.
Sou meus antepassados.

Todos somos todos,
não é, Whitman?
Todos são todos,
não é, Pessoa? 

PELO AR

ANTES DE A BOLA ROLAR

Há alguns dias, o Santos jogou pela primeira vez no estádio do Corinthians. Horas antes do jogo, algum funcionário do Corinthians postou no Twitter uma mensagem em que dava boas-vindas ao time do Santos. O cordial gesto foi de modo igualmente cortês respondido, também via Twitter, por um funcionário do Peixe.

Tais gentilezas são raras no futebol, seja por parte de torcedores, seja por parte de empresários do futebol. Dirigentes tanto de Atlético quanto de Cruzeiro vêm se espezinhando desde quando ficou definido que os dois times estariam na final da Copa do Brasil. Torcedores há que tomam as dores; a partir daí, transformam em violência decisões tomadas em gabinetes de cartolas. 

DEU NA CNN

Aqui no Brasil, é popular o coro de “o povo não é bobo; abaixo a Rede Globo”. Lá nos EUA, a população tem se revoltado contra a cobertura da CNN em Ferguson. Só que o “mantra” dos americanos para atacar a poderosa emissora não tem rimas a ofertar; a abordagem deles tem sido mais... direta ou menos eufemística: têm-se valido de um “singelo” “f*ck CNN”. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

"HISTÓRIAS DE AMOR"

“Histórias de amor” (Liberal arts), de 2012, segue a linhagem de filmes que são simples em tudo. Isso, por si, não faz com que um filme seja bom nem com que ele seja ruim. A questão não é a simplicidade em si, mas o que se faz com ela. “Histórias de amor” é um filme saboroso.

Na versão do título em português, como é usual, escolheram algo que em teoria tenha apelo, que em teoria atraia. O título original é nome de curso oferecido nas universidades americanas. É algo parecido com o curso de Letras aqui no Brasil.

Josh Radnor é diretor, roteirista e ator principal de “Histórias de amor”. Ele interpreta Jesse Fisher, morador de Nova York que volta a uma cidade do interior para conferir a festa de aposentadoria de ex-professor que tivera na faculdade.

É quando Fisher conhece Zibby (Elizabeth Olsen). “Conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer”. À medida que o tempo vai passando, Fisher sente que está se apaixonando por Zibby, sendo correspondido no sentimento que ele passa a nutrir.

Só que para Fisher há uma complicação: ele tem trinta e seis anos ou algo assim; ela tem dezenove ou algo assim. Ele não consegue deixar de encarar a diferença de idade como obstáculo a algo que possa haver entre os dois; a cena em que ele pega lápis e papel para calcular a idade que um e outro teriam ao longo do tempo é hilariante.

Paralelamente, acompanhamos a convivência de Fisher com Peter Hoberg (Richard Jenkins), o ex-professor dele, e com Judith Fairfield (Allison Janney), ex-professora dele. Há ainda encontros com Dean (John Magaro) e com Nat (Zac Efron). Em Nova York, os diálogos são com Ana (Elizabeth Reaser), que trabalha numa livraria.

Este é um dos pontos muito legais no filme: a convivência com livros. Fisher é leitor incansável. São várias as cenas em que ele tem nas mãos algum livro. Com Zibby, ele conversa sobre livros (acabam se desentendendo numa discussão sobre uma dessas histórias juvenis sobre vampiros). Também com Ana, na qual ele mal reparava, ele acaba descobrindo a possibilidade de se falar sobre livros.

“Histórias de amor” não quer redimir a humanidade nem passar aos espectadores alguma verdade quintessencial. Não opta pelo drama nem por um humor desbragado. Sem ser pesado, convida à reflexão; sem ser comédia pastelão, faz rir. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

GAROTO DE 4 ANOS FAZ SUCESSO COM CARTA ESCRITA PARA COLEGA DE ESCOLA

Nos EUA, um garoto de quatro anos escreveu uma carta para uma garota da escola; ela tem a mesma idade dele. O texto é uma pérola literária. Segundo a mãe de Bennet, o autor da missiva, ele teve a ideia quando diante da mãe, que estava enviando um e-mail. Perguntado pela mãe sobre para quem ele gostaria de enviar uma carta, Bennet disse: “Para Baily, é claro”. Diz a carta:

“Baily,

“Você poderia por favor vir à minha casa? Vamos brincar juntos. Eu acho que você é bonita como um cavalo ou como uma joaninha. Não tenho certeza de qual. Você poderia vir à minha casa e comer malvas comigo. Eu amo você e perdi um dente na noite passada. Acho que eu gostaria de fazer um truque de mágica para você e depois deixaria você me ver batalhar contra robôs.

Com amor,
Bennet”.

O garoto tem câncer. Segundo a mãe, Bennet foi diagnosticado com a doença aos seis meses. Ainda de acordo com ela, ele fará em breve uma das últimas sessões de quimioterapia. A festa de cinco anos de Bennet será temática — cavaleiros e princesas. Segundo a mãe, ele já sabe que Baily irá vestida como princesa... 

domingo, 23 de novembro de 2014

CRUZEIRO É CAMPEÃO BRASILEIRO

Antes que haja “celeuma” desnecessária: sou cruzeirense. Considero o Cruzeiro tricampeão brasileiro. Exatamente: desconsidero aquele título da década de 60. Também me é tranquilo considerar o Atlético o primeiro campeão brasileiro, em 71. Isso, para mim, é circunstancial, não decisivo. Daqui a cinquenta anos, o São Paulo, por exemplo, pode ter dez títulos do campeonato brasileiro. Isso, para mim, é tão circunstancial quanto um copo de cerveja degustado num boteco.

Embora cruzeirense, não tenho “drama” em assumir o Atlético como o primeiro campeão brasileiro. Também não tenho “drama” em admirar times memoráveis que conferi: o Flamengo de começo da década de 80, o Palmeiras de meados da década de 90, o Corinthians de fim da década de 90...

Em minha cabeça, o Cruzeiro é tricampeão brasileiro. Isso não vale nem mais nem menos do que um time que é campeão uma única vez ou do que um time que é campeão cinco vezes. O Cruzeiro é campeão hoje. Hoje, pois, é dia de festa para quem é cruzeirense. Simples assim.

Também pelas circunstâncias, na quarta-feira, há uma decisão contra o Atlético. Repito: antes que haja “celeuma”, considero o Atlético como sendo favorito. Isso não quer dizer que eu esteja torcendo pelo Atlético. Isso só quer dizer que o Atlético é favorito. E é. Se o Cruzeiro ganhar, obviamente, ficarei contente.

Independentemente de quem seja o vencedor na quarta, terá sido um ano de ouro para o futebol mineiro, pois, não importa o resultado, já estão em Minas os dois grandes títulos nacionais. De minha parte, digo: vou ali saborear uma lasca de queijo; se houver uma goiabada, melhor ainda. 

sábado, 22 de novembro de 2014

CONTO 72

João Batista escutara num bar que o som de todas as palavras que pronunciamos viaja pelo Universo afora, podendo, assim, ser captado em alguma galáxia por aí. Ele ficou terrificado. Num esboço de razão, cogitou pesquisar a cientificidade do postulado. Tal sensatez, contudo, foi só uma pálida vontade. Já saindo do bar, João sentia profunda vergonha ao imaginar que as coisas ditas por ele ao longo de sua existência poderiam ser escutadas por alguma criatura em algum rincão do Universo. Peremptório, viveu o resto de seus cinco mil oitocentos e quarenta e quatro dias sem pronunciar uma palavra. 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

FADADO A FINGIR

Como é que é?! Eu não deveria escrever por ter tomado algumas cervejas?! Eu deveria escrever por ter tomado algumas cervejas. Nem de mais. Nem de menos. Pelo menos para mim. Estou no ponto. E quando a gente está no ponto a gente quer sexo ou quer mais uma ou quer música. Ou quer tudo ao mesmo tempo.

Não terei sexo por estar em casa sozinho. A geladeira tem cervejas; escuto música. Tenho dois terços do que tornaria minha madrugada perfeita. Não é mau negócio. Claro, poderia ser melhor... Você sabe: a gente sempre quer mais. Querer mais não é ruim. Eu quero mais. Neste momento, querer mais seria ter uma mulher aqui. Não há. O lado bom é que me sinto feliz com as músicas e com as cervejas. Sim: seria melhor se houvesse uma mulher agora; todavia, não está ruim sem mulher aqui.

Posso, com razão, concluir que, neste momento, eu me basto. Ei, isso não é pouco! Pelo menos não me parece ser pouco. Ah, quer saber?... Ainda que seja pouco, eu me basto. Isso pode ser ilusão, pode ser efeito do álcool, pode ser engano. Sim, pode. Sim, ode. Eu só quero dizer que estou em paz comigo. Eu só quero dizer que eu me basto. Eu só queria dizer que se você estivesse dançando e pulando na sala comigo, seria uma farra.

Você não está. Eu pulo sozinho. Ao som de “Time to pretend”. Finjo que estou introspectivo diante de uma multidão. A gente finge o tempo todo. Alguns fingimentos são agradáveis; os desagradáveis são aquelas máscaras que a gente põe o dia inteiro a fim de ficarmos suportáveis para colegas de trabalho. Não há nenhum colega de trabalho aqui. Posso pular e dançar.

Um corpo é melhor com música. Eu sou melhor de madrugada. Enquanto isso, melodias corporais e movimentos musicais preenchem a casa. Em minha imaginação, estou num palco. Eu e a multidão, um som. O clima é de comunhão. Nisso, uma fresta de luz passa pela janela e pousa sobre a escrivaninha. O Sol acordou. Vou dormir. 

CRUZEIRO DERROTA O GRÊMIO

O Grêmio em ascendência; o Cruzeiro em queda. O primeiro tempo do jogo contra o Grêmio foi o resultado disso. O time gaúcho venceu a primeira etapa por um a zero; além disso, acertou uma bola na trave. Após bater no poste, a pelota correu rente à linha do gol. De fato, não entrou.

Um número é sintoma da atuação ruim do Cruzeiro no primeiro tempo — o time finalizou apenas uma vez. Na segunda etapa, voltou jogando melhor do que o que havia jogado nos primeiros quarenta e cinco minutos. Conseguindo equilibrar a peleja, passou a finalizar, a ter posse de bola.

Depois de ter descolado o empate, quase se viu em desvantagem mais uma vez. Próximo à pequena área, Barcos chutou; Fábio defendeu. Pouco depois desse lance, o Cruzeiro virou a partida, num contra-ataque. O time soube manter a vantagem. Por causa disso, no fim de semana, se vencer o Goiás, será o campeão brasileiro de 2014.

Muito se tem falado no cansaço de Cruzeiro, que, em comparação com o ano passado, de fato jogou mais. Eu não saberia dizer até que ponto o cansaço é o culpado da queda no desempenho da Raposa. Na quarta-feira da semana que vem, o jogo é contra o Atlético, na decisão da Copa do Brasil. Cansado ou não, o Cruzeiro, se quiser abocanhar o título, tem de ganhar por uma diferença de três gols. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

"GO GENTLE"

Há um quê de inocência; há muito de ternura; há quem se importe. Há uma canção: “Go gentle”, com o Robbie Williams. 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

FOTOPOEMA 361

O VOO 447

A Piauí de novembro traz um colossal texto de William Langewiesche a respeito da queda do voo 447 da Air France sobre a escuridão do Atlântico, em maio de 2009; a tradução é de Jorio Dauster. Langewiesche é a confirmação de que o jornalismo não está somente no fato em si, mas, também, num texto primoroso.

Os quatro minutos e vinte segundos que se passaram entre o surgimento do problema no avião e o momento em que a aeronave se espatifou no oceano são narrados de modo brilhante por Langewiesche, que se vale dos diálogos preservados na caixa-preta. Além disso, um histórico da aviação civil é feito na matéria.

A dramaticidade do evento já era conhecida ou suposta. Ao detalhar, na medida do possível, o que ocorreu na cabine do Airbus A330 naquele dia, Langewiesche mostra dominar o talento dos grandes escritores: o de, em meio a um acontecimento, evidenciar a complexidade desta coisa que é ser humano. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (79)

Tirei esta foto no dia seis de outubro de 2004. Usei uma Canon Powershot A300, a primeira câmera digital que tive. O equipamento tinha 3.2 megapixels; era limitado, mas essas “amarras” acabaram fazendo com que eu tivesse de, na medida do possível, driblá-las. Isso acaba ensinando muito.

Fosse eu tirar a foto hoje, eu tentaria uma composição diferente, um pouco mais fechada, de modo que não fosse possível vislumbrar nem onde os registros começam nem onde terminam. Essa técnica sugere continuidade, multiplicação, infinitudes... À parte isso, eis a composição original. 

domingo, 16 de novembro de 2014

APONTAMENTO 223

O cosmopolitismo não se define pelo critério geográfico: alguém em Eunápolis pode ser cosmopolita; alguém em Berlim pode não ser. 

FOTOPOEMA 360

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

CHOVE

Chove.
Não chove.

Não chove.
Chove.

Caminhando,
volta do trabalho.

Num não chove,
ficou toda molhada. 

À PORTA

Bem aqui, agora,
eu me debato:
“Se à porta bato,
vou levar um fora?”.

Amor em brasa,
ergo a voz,
jorra a foz:
“Oh de casa”. 

PAPAL

O papa é rock: convidou Patti Smith para cantar no concerto de Natal do Vaticano. 

BATERISTA CLEANTO BRAZ REALIZA O SHOW TIME MACHINE

O baterista Cleanto Braz muito já contribuiu e muito ainda contribui para a música local. Basta lembrar que ele era o baterista da banda O Gabba, responsável pelo excelente CD “Alerta”, lançado de modo oficial em uma apresentação que ocorreu no dia 12 de julho de 2002. Todavia, mesmo antes de ser parte da banda, o baterista já atuava em Patos de Minas.

Ontem (13/11), Cleanto reapresentou em restaurante local o show Time Machine, que já havia sido realizado no Teatro Municipal Leão de Formosa em 2011 e em 2012. Quando da realização de Time Machine no espaço teatral, a primeira coisa que chamava a atenção era a bateria, que não estava no fundo do palco, mas, sim, em primeiro plano, na linha de frente.

Não bastasse isso, achei pouco usual o modo como o show foi conduzido por Cleanto: é que no dia a dia eu estava acostumado com um Cleanto reservado e que pouco falava de si ou de seu trabalho. No show do teatro, contudo, o baterista fez um show com um toque de pessoalidade (sem cair nem em pieguice nem em cabotinismo). O baterista falou de sua trajetória, contou histórias e entregou um showzaço.

No show de ontem, além do baterista, estavam no palco o guitarrista Márcio Lopes e o baixista Dell Luiz. Outros músicos e cantores locais fizeram participações especiais, fazendo com que a noite se transformasse numa espécie de festa da música. A exemplo do que já ocorrera no teatro, Cleanto trouxe à tona a pessoalidade ao espetáculo. Houve um momento, por exemplo, em que ele fez uma declaração para a Luma, que é uma das filhas do baterista.

Na apresentação de ontem, um vídeo de abertura apresentava a Clara, a outra filha dele, ainda bebê, fazendo percussão nas próprias pernas, imitando a cadência do pai. O barato do vídeo é o quanto ela estava se divertindo ao imitar as batucadas do pai, que ontem se divertiu e nos divertiu, em mais um show com muita técnica e talento. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

(DES)APONTAMENTO 14

Amanhã à tarde, a seleção brasileira vai jogar contra a Turquia. O jogo principal será mais tarde, às 22h, entre Atlético e Cruzeiro. 

NA EXPECTATIVA

Diante de um soneto de Shakespeare, alguém pode se espantar por alguém gastar catorze linhas para dizer que uma pessoa é bela. Diante da “Ode à alegria”, alguém pode argumentar que são apenas notas musicais. Diante de uma partida de futebol, pode-se argumentar que são apenas vinte e dois seres humanos dando chutes numa bola.

A rigor, não há nada de errado em achar que um texto são apenas linhas, que uma música são apenas notas musicais, que uma partida de futebol trata-se tão-somente de vinte e dois seres humanos tentando fazer uma bola nascer nas redes. Sim, não há nada de errado, só que a vida precisa de doses de desatino. Loucura maior é a sanidade em tempo integral.

Não, não consigo encarar a decisão da Copa do Brasil como apenas duas partidas de futebol. Por mais que eu tente me conter, já me sinto, para dizer pouco, torcendo por algo épico. Vou assistir às partidas na expectativa de quem está diante de algo que pode ser grandioso, belo, inesquecível, retumbante.

As partidas que decidirão o torneio podem ser modorrentas ou truncadas ou feias. Mesmo assim, ainda faltando mais de vinte e quatro horas para o início da decisão, já me sinto privilegiado por ter a oportunidade de presenciar um evento como esse. É claro que posso morrer antes de o jogo começar, mas tomara que não. Tomara que eu esteja vivo. Quero, de algum modo, participar da escrita de mais essa linha da história. 

domingo, 9 de novembro de 2014

SINTONIA FINA — EDIÇÃO 28


No ar, mais uma edição do Sintonia Fina, programa musical apresentado por mim.

SELEÇÃO MUSICAL

Mr. Probz — Waves
Capital Inicial — Melhor do que ontem
George Ezra — Budapest
Otto — Filha 
Ozark Henry — I’m your sacrifice
Engenheiros do Hawaii — Somos quem podemos ser
Chris Rea — Driving home for Christmas
O Berço — Leoa 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

"IMPEACHMENT" DE ATLÉTICO E DE CRUZEIRO É COGITADO

(Ao modo de The Piauí Herald)

Rio de Janeiro — Executivos da Globo e da CBF, inconsoláveis com a classificação de Atlético e de Cruzeiro para a final da Copa do Brasil, vão pedir a recontagem dos gols. Especialistas das duas empresas, segundo o apurado pela redação, estão, neste momento, dedicando-se a analisar cada lance das duas partidas de ontem à noite.

À boca miúda, o que está sendo ventilado pelos ares-condicionados tanto da CBF quanto da Globo é que duas possibilidades são consideradas após a recontagem dos gols: a realização de novas partidas ou mesmo o “impeachment” de Atlético e de Cruzeiro, para que nenhum deles volte a importunar a parceria Globo/CBF.

Executivos das duas empresas temem que em breve uma ditadura mineira, capitaneada por Fidel Castro, seja implantada no Brasil. Segundo eles, Castro castraria o acesso de clubes fora do eixo BH/Betim/Contagem a grandes decisões. 

Torcedores sentidos promovem amanhã, em São Paulo, manifestação pública. O mote é “Abaixo o pão de queijo! Viva a marmelada!”. Lobão confirmou presença; já Bolsonaro (o filho) disse que, se for, desta vez não irá armado. 

CRUZEIRO E ATLÉTICO VÃO DECIDIR A COPA DO BRASIL

Em teoria, a missão do Cruzeiro, time para o qual torço, era mais fácil do que a do Atlético. Em campo, o Atlético confirmou uma tradição que ele mesmo parece ter inventado: a de, em jogos de ida e volta, conseguir superar uma desvantagem de dois a zero (há dias, a vítima foi o Corinthians). Foi mais uma belíssima vitória do Atlético.

O Cruzeiro empatou; está, pois, na final, pois vencera o primeiro jogo por um a zero (gol marcado na casa do adversário é critério de desempate de acordo com o regulamento do torneio). O esboço de uma final entre Cruzeiro e Flamengo não se confirmou.

Melhor para o futebol mineiro, que mantém a ótima fase do ano passado, quando o Atlético foi o campeão da Libertadores e o Cruzeiro foi o campeão brasileiro. Será uma final inédita na Copa do Brasil. Os deuses do futebol já estão reunidos em concílio. 

domingo, 2 de novembro de 2014

(DES)APONTAMENTO 13

Desisto. A vida é ingrata, zomba de nossos esforços. Desisto, desisto, desisto: mesmo com todo cuidado, mesmo com todo esmero, mesmo com toda dedicação, todo estudo e todo preparo, todas as vezes em que tento fazer ovos cozidos, a casca de pelo menos um se trinca durante a fervura. 

sábado, 1 de novembro de 2014

CONTO 71

Thomas sempre achara uma bobagem pedir à sua esposa que se mantivesse magra ou que deixasse os cabelos longos ou que usasse roupas elegantes... Como se achava feio, não se sentia à vontade para pedir à esposa que se embelezasse. Também sempre achara um tanto bobo os homens se jactarem de seus membros na hora do amor. O argumento de Thomas era o de que na maioria do tempo as maquininhas dos homens não são túrgidas, mas flácidas. Na opinião dele, não há sentido em alguém se pavonear de algo que é, na maioria do tempo, decadente e tristonho. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

COPA DE MINAS?

Esboça-se um final de Copa do Brasil entre Cruzeiro e Flamengo. Mas um esboço não é desenho pronto; não há nada que impeça, por exemplo, uma final entre Santos e Atlético. O torcedor do galo ainda tem recente na memória a classificação contra o Corinthians. A despeito do desenho que se insinua, o de uma final entre Cruzeiro e Flamengo, prefiro uma decisão entre Cruzeiro e Atlético. 

O (GRANDE) PRÍNCIPE

1
É sabido, Niccolo:
tu te tornas eternamente
responsável por aquilo que lês.
2
É sabido, Antoine:
tu te tornas eternamente
responsável por aquilo que ativas. 

HAICAI TECNOLÓGICO

Vi no Youtube.
Súbito, saquei:
maktub. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

TRIBUTO A VICENTE E LOURDES

Nos dias 27 e 28 de setembro, tive o privilégio de registrar as celebrações de 100 anos do senhor Vicente Nepomuceno, de 88 anos da senhora Lourdes Nepomuceno e de 70 anos de casados deles. Ainda que com atraso, minha homenagem para os dois. 

FLAMBOAIÃS

Hoje pela manhã, estive na Escola Estadual Deiró Eunápio Borges, divulgando o processo seletivo do Instituto Federal de Ciência, Tecnologia e Educação do Triângulo Mineiro (IFTM) para o ano que vem. No caminho, passando pela avenida Afonso Queiroz, impossível não reparar nos flamboaiãs. Hoje à tarde, fui até lá, onde tirei as fotos deste álbum.








APONTAMENTO 222

Por favor, relevem a repetição, mas volto ao Borges. Ele escreveu que o pai dele era um homem inteligente; logo, gentil. Borges escreveu sobre um homem, mas tomo a liberdade de estender o critério para o coletivo. A confirmação da gentileza como sintoma de inteligência, eu sempre a tive no nordeste, onde já estive oito vezes. Caso se leve em conta o critério borgiano, os nordestinos são geniais. Não só por isso, preciso voltar à região. 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

FOTOPOEMA 359

ENQUANTO ISSO, EM PATOS DE MINAS...

A atleticana Dilma venceu o cruzeirense Aécio em Patos de Minas nos dois turnos das eleições. No primeiro turno, ela obtivera 34.225; ele, 31.834. Na votação de ontem, o patense votou assim, segundo o divulgado pelo Patos Hoje: Dilma obteve 40.254 votos; Aécio, 39.149.

Apesar da vitória de Dilma aqui em Patos de Minas no primeiro turno, pensei que ela não ganharia na cidade no segundo. Pimentel já obtivera a maioria dos votos dos patenses na eleição para governador. O que não há como saber é se isso é circunstancial ou se é sinal de mudança no modo local de votar, uma vez que o PT geralmente não vencia por aqui.