sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

APONTAMENTO 45

A iminência da morte faz com que repensemos a vida. A rigor, deveríamos repensar a vida todo dia.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

VÔLEI PROFISSIONAL EM PATOS DE MINAS

Ontem, no Patos Tênis Clube (PTC), conferi a partida entre Álvares/Vitória e Sada Cruzeiro Vôlei, válida pela Superliga de vôlei masculino. O jogo começou às 19h e terminou às 20h30.

A equipe Sada Cruzeiro venceu por três sets a zero (25-23, 25-22, 25-15).

No primeiro e no segundo sets, o Álvares/Vitória saiu na frente. Chegou a abrir diferença de cinco pontos em ambas as etapas. Contudo, permitiu a virada tanto no primeiro quanto no segundo set.

Já o terceiro set foi facilmente vencido pelo Sada Cruzeiro.

Depois de manhã, no sábado, novamente no PTC, às 17h, vai ocorrer a partida entre Álvares/Vitória e Tigre/Unisul/Joinville. O jogo também é válido pela Superliga masculina de vôlei.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

ELOQUÊNCIA

Em meio à turba,
sê mais um.
Em silêncio à parte,
faz a diferença.

ENSAIO DE VERÃO

O verão põe saia nas mulheres.
O verão ensaia as mulheres.
O vento assanhado as desensaia.
Privilégio ser plateia.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

APONTAMENTO 45

Tantos textos têm dito o que sou. Prossigo escrevendo os meus. Numa dessas, digo o que você é; numa dessas, digo o que sou.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

APONTAMENTO 44

Auden escreveu que “algumas pessoas são inteligentes demais para se tornarem escritores”. Oscar Wilde é a exceção.

NA PONTA

Enquanto a caneta
desliza sobre o papel,
a história vai sendo escrita.

LETRA DE MÚSICA (2)

Distraído, caminhei até sua casa
Vi plantas, janelas, alvenaria,
fiquei sem te ver
Quando caminho até você,
caminho sem armas

Dos cacos que restaram,
limpo as ruas
Todos os caminhos,
percorro pra me achar
No caminho que leva a você,
achei mais do que eu

Quando você quiser,
escolha um dos caminhos
que levam a mim
O tempo da ignorância
ficou numa esquina do passado
O café vai estar pronto e as portas
só se fecharão depois que você entrar

domingo, 25 de janeiro de 2009

APONTAMENTO 43

Esse negócio de roupa é coisa séria. Mas interessante mesmo é a atuação desse negócio sem roupa.

sábado, 24 de janeiro de 2009

CONVITE

No fundo, cada linha que escrevo é para convidar. Se me lês, vem comigo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

GESTUAL

Da dança que tens, preciso.
O corpo que tens, adoro.
O amor que tens, será meu.

BATUCANDO

Em minha postagem anterior, mencionei o dia musical que tive. Eu não poderia terminá-lo de modo mais perfeito: peguei meus apetrechos de percussão e tive a honra de acompanhar Rejane (vocal), Woodson (bateria eletrônica) e Pedro (violão) num dos bares da cidade.

A rigor, eu seria platéia. Liguei para a Rejane, que estava passando o som no bar, e pedi a ela que dissesse aos responsáveis pela casa para reservarem lugar para mim. Como não havia mais mesas à disposição, a Rejane propôs que eu levasse a percussão e participasse com eles. Fazendo assim, eu teria um assento à disposição... Foi o que ocorreu.

Não bastasse o prazer de acompanhar os três, que já tive a oportunidade de fotografar, a noite contou ainda com a canja de Franco Levine. A voz dele é conhecia por aqui – ele fez uma participação especial na faixa “Todos menos eu”, da banda patense O Gabba. Foi muito bacana quando Rejane e Franco Levine cantaram “One”, do U2.

Meu muito obrigado à Rejane, ao Woodson e ao Pedro. O show era deles. Ao permitirem que eu participasse, concederam-me a oportunidade de fazer uma das coisas de que mais gosto – viver musicalmente as madrugadas.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

DIA MUSICAL

Desde os tempos em que fui cronista em jornais e revistas locais, a música pop tem sido assunto no que escrevo. Não tem sido diferente desde que comecei a lidar com blogues. Assim, digo que tive hoje um dia pop – ou um dia musical. É que decidi ir atrás de canções que procuro há um tempão.

Logo pela manhã, curtindo a Globo FM, do Rio de Janeiro, escutei uma música de que não sabia o nome. Pensei comigo: “Vou prestar atenção na letra, digito no Google alguns trechos dela e pronto”. Na prática, não foi bem assim: eu digitava o que havia escutado e não chegava à letra que eu havia curtido pela rádio.

Não me dando por vencido, decidi então entrar em contato com a equipe da emissora. Ao contrário do que ocorre com a maioria das empresas que colocam e-mail de contato mas não enviam retorno, fui gentil e rapidamente atendido pelo pessoal da rádio.

No e-mail enviado por mim, já à tarde, expliquei que a canção buscada havia sido executada entre 10h30 e 11h, entre os sucessos “À francesa”, da Marina Lima, e “Shiny happy people”, do REM.

Enviei a mensagem às 14h47. Às 15h38, Marcos Camara, programador da rádio, responde: “A música que você solicitou é ‘The story’, com Brandi Carlile”. A ele e à toda a equipe da rádio, parabéns por não fazer do e-mail um inútil canal de contato.

Prosseguindo com o dia musical, no fim da manhã, consegui um CD duplo que é uma coletânea com clássicos do Beto Guedes. Estão lá “Sol de primavera”, “O sal da terra”, “Paisagem da janela” etc. Em especial, eu procurava há um tempão “Vevecos, panelas e canelas” – que está no CD! Juntando tudo, fiz a seguinte seleçãozinha:

● Karnak – Alma não tem cor (foi regravada pelo Zeca Baleiro)
● Nila Branco – Chama
● Renata Arruda – Ninguém vai tirar você de mim
● Renata Arruda – Ouro pra mim
● Beto Guedes – Vevecos, panelas e canelas
● Bee Gees – Living eyes
●Cindy Lauper – Time after time (estou ainda atrás de uma regravação dessa música com o Miles Davis; ficou demais)
● Dire Straits – Your latest trick (versão ao vivo)
● Naomi – How many loves
● Dissidenten – Fata Morgana
● The story – Brandi Carlile

Acima, mencionei o tempo em que escrevi para a imprensa local. Sem querer soar cabotino, tomo a liberdade de comparar um trechinho de “The story” com algo que publiquei há tempos: Feliz aquele que tem histórias para contar – e as conta. Há um trechinho de “The story” que diz: “But these stories don’t mean anything/When you’ve got no one to tell them to” (Mas essas histórias nada significam/Quando não se tem ninguém a quem contá-las).

Gosto do jeito desbragado como Brandi Carlile canta. Foi a primeira coisa que me chamou a atenção. Quando escutei “The story” pela segunda vez, gostei do arranjo. Na terceira, da letra. A canção tem um quê de country misturado com pop (ou vice-versa). Caso você queira conferir clipe e tradução, eis o link. Para conferir crítica (em inglês) basta clicar aqui.

domingo, 18 de janeiro de 2009

MORDIDA CERTEIRA

Em minha postagem intitulada Fotopoema 48 (logo abaixo), escrevi: Onde morrem as aves?/Morrem enquanto voam? Segundo Manoel Almeida, se formos bons de mira, sim. Na resposta que deixei para o comentário do Manoel, mencionei que eu havia pensado mesmo no tiro certeiro quando escrevi o texto. Chegou a passar pela minha cabeça desenvolver a idéia; acabei por descartá-la, por não ter achado o tom adequado.

Coincidentemente, há pouco, vi um passarinho morto, na parte de trás aqui de casa, aonde raramente vou. Deve ter sido “obra” do Freud, o cachorro que mora aqui. Geralmente digo que ele é inimigo de tudo o que se move. A ração dele fica perto da porta da cozinha. Por diversas vezes já o vi dando bote nos pardais que por ventura tentam compartilhar do alimento dele. Só que eu ainda não tinha visto o resultado de suas investidas.

Minha mãe, nas limpezas que realiza, comenta com frequência ter encontrado algum pássaro morto no quintal. Invariavelmente, ela atribui ao Freud a autoria da morte (além do mais, se não for ele, haveria algo muito sinistro ocorrendo aqui). Aceitando a idéia de que o passarinho visto atrás da casa foi morto pelo Freud, só não sei se ele perdeu a vida na porta da cozinha e depois foi levado para lá ou se teve o azar de se encontrar com o cachorro onde está o corpo.

sábado, 17 de janeiro de 2009

ATLÉTICO E CRUZEIRO REALIZAM CLÁSSICO

Atlético e Cruzeiro se enfrentaram hoje. Foi o primeiro clássico entre os dois realizado fora do Brasil. Confira detalhes no blogue Come Grama!.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

"A TROCA"

Assim que puder, corra para assistir ao filme “A troca” (Changeling, 2008). Angelina Jolie interpreta Christine Collins, mãe de Walter Collins, que, em 1928, desaparece de casa, depois de a mãe ter saído para trabalhar. A direção é de Clint Eastwood.

Constatado o sumiço do filho, a mãe inicia uma longa e tenaz busca. Em certo momento, um misterioso garoto é levado até ela pela polícia. Assim que o vê, Christine vai logo declarando que a polícia achara o garoto errado. Christine nega que o menino seja o filho dela, mesmo com a afirmação da criança de que ela era, sim, Walter Collins.

Uma tensão crescente vai tomando conta. Mesmo inconformada, Christine leva o garoto para casa. Ela tem certeza de que ele não é o filho dela. Procura a polícia inúmeras vezes, implorando para que a busca por seu filho continuasse. A polícia se nega a prosseguir com os trabalhos e dá o caso por encerrado.

Ainda assim, Christine insiste. Tanto insiste, apesar de já ter sido acusada de ser uma péssima mãe, que acaba sendo confinada a um hospício. A partir desse ponto, sem abandonar o problema inicial, que é o desaparecimento de Walter Collins, o filme toca também noutra delicada questão: o tratamento dispensado a quem era considerado louco.

Logo na abertura, o espectador é avisado: trata-se de uma história real. De fato, somente a realidade conceberia um enredo tão incrível como o de “A troca”. Não consigo imaginar escritor ou roteirista capaz de conceber uma história tão improvável, espantosa, cruel e imprevisível. Da corrupção quase generalizada da polícia, passando por um hospício e por um assassino em série, o filme cavouca feridas e vespeiros o tempo todo.

Parece-me útil comentar o título original – “The changeling”. A palavra changeling, no inglês, tanto pode significar sub-reptícia ou inadvertidamente trocar uma criança por outra quanto, no folclore, troca feita, pelas fadas, de uma criança bela e terna por uma feia, estúpida ou estranha. Por fim, changeling é termo usado na filatelia, significando alteração feita, acidental ou propositadamente, nos tons das cores de um selo por intermédio de processos químicos.

sábado, 10 de janeiro de 2009

"THE BALLAD OF JACK AND ROSE"

Recentemente, assisti a “O mundo de Jack e Rose” (The ballad of Jack and Rose, 2005). Nos papéis principais, Daniel Day-Lewis (Jack Slavin) e Camilla Belle (Rose Slavin). A bela atriz é filha de brasileira com americano; segundo o site IMBD, ela fala bem tanto o inglês quanto o português. Ainda de acordo com o IMDB, Camilla gosta de feijoada. A direção do filme é de Rebecca Miller.

Jack vive numa ilha com sua filha Rose. Ambientalista empedernido, o pai decidira criar a filha longe do mundo capitalista, criando uma espécie de refúgio idílico para os dois. Nesse microcosmo, tudo vai bem até que num certo dia, sem avisar a filha, Jack leva para casa Kathleen (Catherine Keener), sua namorada. Rose se sente traída, enganada.

Complicando ainda mais a convivência, há o despertar sexual de Rose, com dezesseis anos. Pleno de simbolismos e implicações psicanalíticas, principalmente na relação entre pai e filha e na sexualidade de Rose, o sonho de Jack se vê ameaçado também em virtude das presenças dos filhos de sua namorada – Thaddius (Paul Dano) e Rodney (Ryan McDonald). Por fim, há a presença do investidor Martin Rance (Beau Bridges), que quer construir casas próximas à de Jack.

De um lado, Jack com sua utopia; do outro, a pressão para que ele aderisse ao resto do mundo. Por si só, o embate já daria material para um filme, que ainda é temperado pela sexualidade e pelo mundo adolescente. Sem cair na armadilha de intelectualismos ou academicismos, sexo e política pairam durante todo o tempo. Louvável, o trabalho de Rebecca Miller, que é também a roteirista. O que poderia soar como assunto demais para um só filme, é delicada e sobriamente costurado por Miller.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

DOSSIÊ NOVA YORK

Quem já foi locutor de estação FM sabe que às vezes a gente sente falta não é nem da locução em si, mas de anunciar uma canção específica de que gostamos muito. É meu caso com “Ziriguidum Tchan”, do Sá & Guarabyra. A canção é uma de minhas preferidas. Aos sábados à noite, num programa em que eu tocava só MPB e Pop/Rock nacionais, “Ziriguidum Tchan” era frequentemente executada.


Há uns cinco ou seis anos estou sem trabalhar em rádio. Desde que parei, não mais havia escutado a canção. A saudade já era muita; hoje, finalmente, eu a consegui. Estou há um tempão a escutando sem parar. Quando ela termina, eu a escuto de novo. Apesar de muito desafinado, gosto de cantá-la aos berros, o que faço agora, sozinho em casa, enquanto digito.

A canção está num LP (há o CD, lançado pela Eldorado) chamado “Vamos por aí”, que ainda tem “Meu lar é onde estão meus sapatos” e “Estrela natureza” (que chegou a ser trilha sonora de alguma novela). O trabalho é de 1990. Na época, lendo o encarte do disco, surpresa agradável: quem toca guitarra em “Ziriguidum Tchan” é o cantor e compositor Tavito – aquele do sucesso “Rua Ramalhete”.

“Ziriguidum Tchan” é sobre Nova York. Isso me fez lembrar de “A fogueira das vaidades”, de Tom Wolfe, publicado pela Rocco. O prefácio é de Paulo Francis, que escreveu: “Wolfe disse que ninguém mora em Nova York pelo clima ou pela qualidade de vida. (...) Pode-se ir a museus em outras cidades e ouvir música (bem melhor) na Europa. Em Nova York se vive pela ambição de ser número um no que se faz e não se poupa esforços, às vezes com resultados cruéis, para derrubar quem nos tolhe o caminho” (...).

Indico a leitura do livro de Tom Wolfe. “A fogueira das vaidades” foi seu romance de estréia. Estupendo debute. Em 1991, a obra foi transformada em filme homônimo por Hollywood, com Tom Hanks no papel principal. A direção é de Brian de Palma.

A foto a seguir é de Thomas Hoepker, da agência Magnum, tirada no histórico 11 de setembro de 2001. Na imagem de Hoepker, enquanto as torres gêmeas deixam escapar espessa fumaça, o primeiro plano mostra um grupo de jovens conversando. Discute-se muito se a foto revela inércia, atitude alienada ou incapacidade de comoção. Sabedor da polêmica que o registro causaria, Hoepker somente o divulgaria em 2005. Abaixo da foto, a letra de “Ziriguidum tchan”.
Nova York é ali
Tão perto daqui
O piloto sorri
Lá se vai o avião

Eles são o que rola
Eles fazem a moda
Nova York é mais perto
Que o sertão

Nova York é ali
Tão perto daqui
Oito horas de vôo
E ilusão

Nós pisamos na bola
Eles ganham em dólar
Nova York é mais perto
Que o sertão

Crack, rap, hip-hop, rock
Walk, don't walk now
Ziriguidum tchan

Se a viagem nos faz
Brasileiros demais
Cucarachas gerais
Na multidão

Essa ilha sem paz
Não se importa jamais
Nova York é mais perto
Que o sertão

Escondidos no fundo
Do umbigo do mundo
Joe nunca se encontra
Com João

Eles não se interessam
Eles não se conversam
Nova York é mais perto
Que o sertão

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

JOE SATRIANI x COLDPLAY

Recentemente, o guitarrista Joe Satriani acusou o Coldplay de ter plagiado trechos de “If I could fly” no sucesso “Viva la vida”. A banda, em respeitoso comunicado, disse que “Viva la vida” não tem influências de “If I could fly”.

Enquanto a polêmica não se resolve, uma versão remixada de “Viva la vida” está disponível para download no site oficial do Coldplay. É uma espécie de presente de fim de ano para os fãs da banda.

Procurei pela internet leis sobre plágio. Há muita discussão e pouca precisão. Caso algum advogado por aí tenha algo exato a dizer sobre isso, sinta-se à vontade. Abaixo, trechinhos de “If I could fly”, do Satriani, e de “Viva la vida”, do Coldplay, para que você mesmo “julgue” o suposto plágio.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

PARA ELA, QUE NÃO ME LERÁ

Hoje à tarde, estive num supermercado. Quando já ia saindo, esperei alguns segundos pela chegada do elevador que dá acesso ao estacionamento. Havia muita gente aguardando. O lugar estava lotado, devido à véspera de Natal.

Chegado o elevador, foi aquela correria para entrar. Quando as portas se fecharam e o bólido começou a descer, escutei o que me pareceu ser o pai de uma criança de uns dez anos comentando com ela que no mundo de hoje não se pode ser educado. “É chegar empurrando e pronto”, disse o homem.

A criança escutou de cabeça baixa, não sei se devido à timidez por estar cercada de gente estranha. Abertas as portas, nós nos debandamos. O “conselho” do adulto ficou reverberando em minha cabeça. Quando eu já estava perto de minha moto, o pai, que viera na mesma direção tomada por mim, repetiu para a garota: “De nada adianta ser educado”.

Minha cara garota, esse que deve ser seu pai é adulto. Nós, os adultos, vamos nos embrutecendo à medida que envelhecemos. É verdade que o mundo trata mal. Contudo, não siga o que seu pai lhe disse no elevador. Gentileza não é sinônimo de ser bobo. Ser gentil requer muito mais força do que ser rude. Gentileza é força, garota. Seja forte.

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (44)

Esta imagem é mais uma daquelas fotos que são conseguidas quando não se espera mais nada ou pouca coisa. Foi tirada no Parque do Mocambo, aqui em Patos de Minas. Uma determinada área do parque tem uma pequena mata fechada. Nela, há trilhos pelos quais se pode percorrer o lugar. A tarde estava no fim. Decidi então deixar a mata e vir embora. Enquanto caminhava pelos trilhos, vi a borboleta acima.

Como já era fim de tarde, praticamente não havia sol na mata. Eu teria de usar o flash, o que de fato ocorreu. Ainda assim, eu não estava muito otimista quanto à captura, pois a lente que eu usava é própria para assuntos que estejam a longa distância – é a lente que uso para fotografar aves e pássaros. Para a foto da borboleta, o ideal seria uma lente macro. Ainda assim, arrisquei. Afastei-me um pouco, caso contrário o foco não poderia ser feito, e disparei. Pude tirar três fotos.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

UM ALÔ

Hoje, fui levado a me lembrar de meu primeiro emprego. Eu tinha uns dez ou onze anos. Lembrando-me desse tempo, eu me lembrei de que a primeira vez em que falei ao telefone foi lá onde trabalhei nessa época, pois ainda não havia telefone aqui em casa.

O aparelho tocou e não havia ninguém por perto. Entrei em pânico, pois eu teria de atender. Nem me lembro se falei o nome da empresa ou um desajeitado alô. Quando a pessoa do outro lado começou a conversar, eu me embaralhei. Eu berrava que não estava entendo nada. A pessoa, por sua vez, com calma e paciência, tentava fazer com que eu entendesse a mensagem. Por fim, desistiu e desligou.

Voltei a trabalhar preocupado. Poderia ser alguma ligação importante. Talvez, o pedido de algum cliente... Assim que meu chefe voltou, disse que foi ele quem havia ligado. Gelei. Contudo, ele pareceu ter, sim, achado graça da situação. Enquanto comentava que havia sido ele quem ligara, estava sorrindo.

Naturalmente, ele foi meu primeiro patrão. Trabalhei para ele até mais ou menos os dezesseis anos, com algumas pausas. Compreensivo, sempre me liberava, sem queixas, para que eu pudesse freqüentar aulas de inglês. Hoje, por volta de 14h, fiquei sabendo que ele havia se suicidado no fim da tarde de ontem.

FESTIVAL MARRECO DE MÚSICA INDEPENDENTE

Conferi e apresentei ontem o Festival Marreco de Música Independente. O evento ocorreu no Galpão do Produtor, ao lado da rodoviária, tendo começado por volta de 14h30 e terminado por volta de 22h30. A organização foi da Peleja Criação Cultural.

Como parte da programação, houve do dia 15 ao dia 20/12 oficinas sobre música, consumismo e improvisação corporal. Também ocorreu oficina sobre como divulgar música independente em tempos de internet.

Janela Verde, de Patos de Minas, foi a banda que abriu o festival. O grupo tem baladas vigorosas e um pé no passado – com direito a órgão modelo SM44 na terceira música. A esse apelo antigo, visível também no figuro, juntou-se o peso da segunda parte do show.

A seguir, apresentou-se a banda Radiotape, de Belo Horizonte. Não fazem questão de esconder as influências do pop/rock inglês de meados da década de 90 para cá. O som da banda é pop e dançante. Mesmo quando decidem soar mais pesados, não abrem mão das agradáveis melodias.

O terceiro grupo a se apresentar foi a Banda 4, de Sabará. Vieram a Patos de Minas com uma proposta sui generis: apresentar música instrumental. O trabalho tem um clima soturno e, por vezes, pesado. Os arranjos e os climas criados pela banda lembram os momentos psicodélicos do rock progressivo.

A banda Seu Juvenal, de Uberaba, que veio a seguir, não poupou: apresentou um som cru, nervoso, agressivo. Letras com preocupações sociais eram cantadas de modo visceral pelo vocalista. Fizeram o deleite da galera que curte um rock mais rápido, direto e pesado.

Também de Uberaba, veio a banda Acidogroove, com seu ótimo som melodioso e levemente melancólico. A despeito dessa leve melancolia, têm um som pop – não no sentido pejorativo do termo, não no sentido de um pop bobo e artificial.

O antepenúltimo grupo a se apresentar foi o Barabizunga, de Patos de Minas. É um barato o quanto deixam claras as misturas que compõem o som da banda: samba, baião, pop e/ou rock. Tudo isso com o senso de humor de quem deixa, felizmente, a impressão de querer se divertir fazendo música.

Também de Patos de Minas, a banda Vandaluz levou ao palco seu show histriônico, teatral e mordaz. Irônicos e irreverentes, não poupam nem religiões nem ricos nem pobres. Poesias são declamadas, a indiferença é massacrada. Os fãs cantaram as músicas do CD “Ascende”.

A banda que encerrou o festival foi o Porcas Borboletas, de Uberlândia. Também têm o senso de humor como forte característica do trabalho. Ironia e teatralidade perfazem o som do grupo. Só para se ter uma idéia: passaram o som, voltaram para o hotel em que estavam e aguardaram que eu os chamasse para o show. Atravessaram correndo a rua, subiram no palco e começaram a tocar.

Terminada a apresentação deles, um monte de gente foi para o palco, a fim de celebrar a festa que se encerrava. Integrantes de várias bandas, o pessoal da organização e outros presentes finalizaram o vitorioso festival.

Acompanhei o evento em cima do palco. Pude ver de perto a animação e a garra com que o pessoal das bandas tocou. Chegavam entusiasmados e tocavam com vontade, mesmo quando o público ainda era pequeno, na primeira hora do evento.

Também gostei das várias vertentes apresentadas pelas bandas. Por fim, é sempre bom presenciar que o cenário independente tem produzido muito, revelando bandas ousadas e com ótima qualidade.

Aos organizadores, parabéns pela iniciativa. Organizar qualquer evento não é fácil. Organizar um evento voltado para a música independente é mais difícil ainda. Que essa tenha sido a primeira edição do Festival Marreco de Música Independente.

sábado, 20 de dezembro de 2008

TIANASTÁCIA EM PATOS DE MINAS

Conferi show com a banda Tianastácia, nesta madrugada, aqui em Patos de Minas. Não posso deixar de falar, a princípio, sobre a desrespeitosa e infame fila para que se pudesse entrar. Fiquei uma hora e quarenta e cinco minutos aguardando – depois que a casa havia, oficialmente, aberto as portas. Um desrespeito. Não vale a conversa de que havia muita gente querendo entrar. Já estive em eventos muito maiores em que a espera foi bem menor. Não há pretexto que justifique a afronta durante a entrada.

Uma vez começado o espetáculo, de onde eu estava, ou seja, bem de frente para o palco, na parte central, eu mal escutava a voz. Um fotógrafo que estava cobrindo o evento me disse, após o show, que de onde ele estava (não sei onde era), só escutou o baixo. Num dado momento, fui ao banheiro. Curiosamente, bem à esquerda do palco, o som me pareceu melhor.

Verdade é que boa parte do público não estava preocupada com isso. Enquanto eu aguardava na ridícula fila, só para dar um exemplo, pude escutar comentários e mais comentários sobre roupas, sapatos, acessórios, carros e demais balacobacos de que se valiam Fulano, Fulana, Beltrano, Beltrano, Sicrano e Sicrana.

Durante o show, cuja platéia, na maioria, era de adolescentes, pouca importava se o som estava bom ou se no palco estava o Tianastácia. A maioria estava lá para ver coleguinhas de escola e reparar nos outros e outras.

Digo, sem contar vantagem, que eu estava lá para assistir a um show de rock. Só isso. A banda fez a parte dela. O som, contudo, deixou muito a desejar. Nos momentos em que o grupo conversava com a platéia, era praticamente impossível entender o que era falado. Torço para que o retorno para os músicos estivesse bom.

A presença no palco do João de Deus, que é de Patos de Minas e tocou guitarra e teclado, deu um tempero bacana ao show. Embora, oficialmente, não sendo um dos integrantes da banda, João foi constantemente lembrado e homenageado durante a apresentação.

Pontos negativos da noite: a estúpida fila para a entrada e o som durante o show. Pontos altos: gente saindo pelo ladrão, o que é sempre bom num show de rock, e a performance do grupo. Acertaram até nas “covers”. Uma delas, “Balada do louco”, clássico dos Mutantes. Durante um hora e meia, o Tianastácia entregou um show animado e profissional.

Houve quem reclamou do fato de o show ter começado às duas da madrugada. Não sei a que horas a apresentação estava marcada para começar. Assim, pouco me importaria se o show começasse às duas ou às três. O que não pode haver é uma entrada tão demorada quanto a que houve.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

CALENDÁRIO 2009 COM FOTOS TIRADAS POR MIM

Se você quiser receber, de graça, o calendário 2009 com fotos tiradas por mim, bastar entrar em contato. Caso você tenha meu e-mail, sinta-se à vontade para solicitar o material. Caso não, peça por este blogue e eu envio o calendário para seu e-mail (que não será divulgado aqui).

As reproduções podem ser até o tamanho 13x18. Se você quiser um tamanho maior, diga e envio.

Abaixo, uma amostra do que é o trabalho.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

AMANDO NA CHUVA*

Quando a chuva cai sobre nós, ela se apaixona.
Provo seu corpo, você sente meu gosto.
Gota a gota, a gente se bebe.
_____

* O texto acima foi escrito originalmente por mim em inglês. A tradução "liviana" fez com que uma nuança ou outra se perdesse. A versão original está em Imagetexts.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

CONTO 29

Saindo de casa, assim que botou o pé na calçada, avistou a morena bonita se aproximando. Decidiu inventar o que fazer até que ela passasse. Enquanto ela passava, ele olhou oblíqua e dissimuladamente, tentando não ser deselegante. Ela passou e ele continuou olhando, na certeza de que valera a pena demais ter esperado. Saindo para o trabalho, soube que poderia tranquilamente esperá-la todos os dias, pois não a amava.

APONTAMENTO 42

É preciso cuidar do encontro, pois o reencontro virá. Penso agora na jovem que me procura e diz querer minha ajuda porque tem escrito alguns textos. É a história que se repete. Tantas e tantas vezes já procurei professores (e ainda procuro) para que lessem originais meus. Cuidaram do encontro quando os procurei; hoje, somos amigos.

Por si só, acho bacana esse intercâmbio de textos. No caso da aluna que tem me procurado, há o alento de saber que uma garota de catorze ou quinze anos (não sei ao certo) tem se mostrado interessada em escrever. Já arriscou alguns textos, que estão num blog criado por ela – que ainda não ousou divulgá-lo para mais pessoas.

Quando comecei a mostrar meus escritos para os professores, não havia a praticidade dos blogs ou dos e-mails ou de um texto que pudesse ser digitado. Muitos foram datilografados. Anteriormente, noutros tantos, tentei caprichar na caligrafia. O que vale é que a essência da história é a mesma. A tecnologia como ferramenta para que a aventura, que se repete, recomece.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

APONTAMENTO 41

“Cheiro de goiaba” é um livro de entrevistas com García Márquez. Nele, o autor colombiano responde a perguntas de Plinio Apuleyo Mendoza. Em determinado trecho, Mendoza pergunta a García Márquez que personagem literário ele gostaria de ter criado. Resposta: o Conde Drácula, de Bram Stoker.

Nunca me perguntaram que personagem eu gostaria de ter criado. Certamente, devido ao fato de que nunca criei um. Dos que tenho acompanhado, há um que eu queria que fosse criação minha: Humbert Humbert, o narrador de “Lolita”, de Vladimir Nabokov.

Que personagem literário você gostaria de ter criado?

domingo, 7 de dezembro de 2008

NOTÍCIA

Pessoas, tenho um novo blog, dedicado ao futebol (sic). Caso queiram conferir, gentileza acessar Come grama!.

Grato.

FOTOPOEMA 41

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

FESTIVAL MARRECO

No dia 21 de dezembro vai ser realizado em Patos de Minas o Festival Marreco de Música Independente. O evento começa às 14h, no Galpão do Produtor, ao lado da rodoviária. A entrada é franca.

As seletivas já foram feitas, de modo que a programação está definida.

As seguintes bandas vão participar: Janela Verde, Radiotape, Banda 4, Seu Juvenal, Acidogroove, Barabizunga, Vandaluz e Porcas Borboletas.

Não bastasse o festival em si, que já é uma louvável e necessária realização, oficinas, palestras e debates vão ocorrer. Para mais informações, não deixe de acessar o blog do evento: Festival Marreco.

Desde já, parabéns ao Coletivo Peleja, patenses que organizam a maratona musical. Arregimentar um festival de música independente não é fácil. Cada um, com seu desprendimento e entusiasmo, quer inserir a cidade na cena independente. Todo sucesso para eles.

domingo, 30 de novembro de 2008

A DANÇARINA

A arte que ela tem mora no corpo dela.
A arte dela é o movimento dela.
Quem a vê quieta, nem imagina
que a arte é o que nos dança.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

"O PRESIDENTE NEGRO"

Terminei de ler ontem “O presidente negro”, romance de Monteiro Lobato. O livro defende a eugenia, alegando a supremacia da etnia branca.

Vladimir Nabokov disse certa vez que definitivamente não concordava com o comportamento de seu personagem Humbert, sujeito de meia-idade que se envolve com Lolita, uma ninfeta. Não conheço a biografia de Lobato, de modo que seria um tanto inconseqüente de minha parte ir logo misturando homem e obra. Ainda assim, é digno de nota que o próprio Lobato escreveu: “O Brasil, filho de pais inferiores… destituídos desses caracteres fortíssimos que imprimem… um cunho inconfundível em certos indivíduos, como acontece com o alemão, com o inglês, cresceu tristemente… dando como resultado um tipo imprestável, incapaz de continuar a se desenvolver sem o concurso vivificador do sangue de alguma raça original”. [Aqui, link para que você confira de onde extraí a citação.] Marcia Camargos e Vladimir Sacchetta, autores do prefácio de “O presidente negro”, mencionam a longa correspondência mantida entre Lobato e Renato Kehl, defensor de teorias de purificação étnica. Este chegou a prefaciar um livro de Lobato.

Camargos e Sacchetta preferem não se alongar sobre o suposto racismo de Monteiro Lobato. Afirmam que “O presidente negro” revela “as profundas contradições da sociedade norte-americana” do começo do século XX.

A obra foi publicada primeiramente em 1926, de setembro a outubro, no jornal carioca A Manhã. Na ocasião, saiu com o título de “O choque”. Duas décadas depois receberia o título que tem hoje.

Ayrton Lobo é o narrador da história. Após sofrer um acidente em seu Ford então recentemente adquirido, Lobo é ajudado pelo professor Benson. O senhor o leva para casa, onde Lobo tem contato com Jane, filha única de Benson.

Desnecessário dizer que Lobo logo se apaixona por Jane. Benson, por sua vez, permite a aproximação. Decidido estava o professor a revelar sua grande invenção, o porviroscópio – máquina que permitia a visualização do futuro até o ano de 3527. Benson, para assombro de Lobo, vai detalhando como funciona a máquina. Ainda envolvido com os relatos, morre. Jane naturalmente assume a continuidade do que o pai começara, em entrevistas semanais que passou a ter com Ayrton Lobo. Este, por sua vez, vai cada vez se apaixonando mais por ela.

A história que Jane escolhe narrar em detalhes se passa nos EUA, no ano de 2228, quando um negro é eleito para a presidência do país. Em “O presidente negro”, os EUA do século XXIII são “a feliz zona que desde o início atraiu os elementos mais eugênicos das melhores raças européias”. Na ótica do livro, o atraso de gente como o brasileiro, por exemplo, deve-se à mistura de raças: “O amor matou no Brasil a possibilidade de uma suprema expressão biológica. O ódio criou na América a glória do eugenismo humano”.

A sociedade de que trata a obra é divida em homens brancos, feministas radicais brancas e homens e mulheres negros. Brancos e feministas se surpreendem quando um candidato negro decide concorrer ao cargo de presidente. A briga das feministas contra os homens brancos acaba dividindo os votos da etnia branca, o que propicia a eleição de Jim Roy, o candidato dos negros. No texto de Lobato, os negros do futuro haviam se submetido a um processo pelo qual suas peles haviam sido clareadas. A despeito desse clareamento, não são, em essência, brancos. A eleição de Jim Roy fará com que o definitivo e fatal golpe eugênico seja aplicado contra os negros.

Ayrton Lobo é um personagem ingênuo, funcionário da firma Sá, Pato & Cia. Embora seja o narrador da história, a notícia que recebemos do futuro nos é dada por intermédio, a princípio, do professor Benson; depois, por Jane. Tanto filha quanto pai são sofisticados, requintados. Pouco antes de morrer, Benson destruíra o porviroscópio, temendo o estrago que a invenção poderia causar se em mãos erradas. O futuro que Jane vai descortinando para Lobo faz parte de sua memória, do que ela observou enquanto teve à disposição a máquina do pai.

O leitor não ri do que apresenta o livro. Não é, por exemplo, como um “Viagens de Gulliver”. O narrador de Swift, ao relatar ingenuamente suas histórias, faz com que nós, leitores, achemos graça do que nos conta o narrador. Não há ironia em “O presidente negro”. Com calma, inteligência e feminilidade, Jane vai conduzindo Lobo, que passa a admirar o futuro eugênico, passando a desprezar o presente limitado e aquém. O narrador Lobo reproduz as palavras de Jane, sempre conscienciosa e certa do que diz. Fossem de Lobo as palavras, talvez o efeito pudesse ser similar ao que sentimos quando lemos o que nos conta Gulliver. Jane, sobre os EUA, declara: “Onde há força vital da raça branca senão lá? Já a origem do americano entusiasma”. Jane não é nem ingênua nem risível. O livro de Monteiro Lobato não está mofando do racismo, mas o endossando. Lamentável.

“O presidente negro” foi relançado recentemente a toque de caixa, quando Barack Obama ainda disputava com Hillary Clinton uma vaga democrata nas eleições presidenciais norte-americanas. Sem saber do que se tratava, gulliverianamente comprei o livro, pensando que ele era uma espécie de ataque contra o racismo...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

FOTOPOEMA 37

A SEPARAÇÃO

Já assisti a “Separados pelo casamento” (The Break-Up), do diretor Peyton Reed, diversas vezes. Foi veiculado como sendo comédia. Não penso ser o caso. Em minha opinião, o filme é um baita drama – com boa dose de humor, por paradoxal que isso possa parecer. As doses de humor do filme não me parecem fazer dele uma comédia, ao mesmo tempo em que lhe conferem verossimilhança e familiaridade. Ademais, bah, a vida mistura drama e humor.

Certo dia, Gary Grobowski (Vince Vaughn) e Brooke Meyers (Jennifer Aniston), casados e prestes a receber integrantes das famílias de ambos, começam a discutir porque ele chegara em casa com três limões – em vez dos doze pedidos por ela. Brooke quer a ajuda e a compreensão dele, pois muita coisa teria de ser feita na cozinha; Gary alega que trabalhou duro o dia todo. A discussão é interrompida com a chegada dos familiares. Embora o casal quase protagonize uma cena durante o jantar, em virtude de uma mesa de sinuca que Gary gostaria de ter no apartamento, terminam a refeição sem maiores solavancos. Quando as famílias vão embora o quebra-pau começa pra valer. Gary e Brooke se ofendem. Tem início a partir daí um cabo-de-guerra; vão tornando a vida a dois cada vez mais insuportável. A separação, já anunciada no título, vem de fato.

Gary e Brooke se querem. “Apenas” erraram no relacionamento. Da parte dela, faltou clareza ao dizer o que esperava de Gary; da parte dele, faltou abrir mão do egoísmo. À medida que o filme prossegue, aumentam as ofensas e a infantilidade de ambos, num joguinho bobo pra ver quem consegue magoar mais o outro. Conhecendo-se bem, sabem o que fazer a fim de que a ofensa seja incisiva.

O clima pesado e tenso não afugenta, contudo, o humor. A cena em que Richard (John Michael Higgins), irmão de Brooke, canta um trecho de “Owner of a lonely heart”, do Yes, é um barato. Há ainda cenas comoventes – sem pieguice: quando Brooke pede demissão a Marilyn Dean (Judy Davis), sua patroa e dona de uma galeria de arte, Marilyn, a despeito de toda a empáfia que faz questão de ostentar, dá a Brooke uma prova de amizade, confiança e compreensão, dizendo, em belas e poucas palavras, que as portas da galeria continuarão sempre abertas.

Quando digo que acho a Jennifer Aniston bonita, muita gente diz que não vê nada demais nela. Quando digo que a considero uma ótima atriz, já me perguntaram se eu estava brincando. Não estava – além de achá-la muito bonita, eu a considero mesmo uma ótima atriz. Não consigo imaginar uma outra pessoa na pele de Brooke Meyers.

Caso você alugue o DVD, não deixe de assistir, nos extras, a um fim alternativo para o filme...

domingo, 16 de novembro de 2008

"O OBSERVADOR NO ESCRITÓRIO"

Terminei de reler “O observador no escritório”, livro de notas e apontamentos de Carlos Drummond de Andrade.

As notas são datadas. Vão de 15 de maio de 1943 a 18 de setembro de 1977. Nelas, emerge o funcionário público às voltas com seu trabalho burocrático, duvidoso quanto a seu papel político: “Sou um animal político ou apenas gostaria de ser? (...) Como posso convencer a outros, se não me convenço a mim mesmo? Se a inexorabilidade, a malícia, a crueza, o oportunismo da ação política me desagradam, eu, no fundo, quero ser um intelectual político sem experimentar as impurezas da ação política?”.

Aqui e ali, alude o poeta a fatos corriqueiros, desde o comportamento de um gato, louco para saciar seu apetite sexual, a conversas com os grandes intelectuais e artistas do Rio de Janeiro de então. Há momentos engraçados, reflexivos, tristes... Amigos, impressões, arranjos de bastidores para disputa de vaga na Academia Brasileira de Letras, morte de amigos...

O registro de um tempo pelo olhar do poeta. Em meio às notas, o que emergiu para mim (talvez injustamente) foi um Drummond um tanto misantropo. Ele própria cita, sem comentar, opinião de Lúcio Cardoso, numa entrevista:

“– Qual o maior poema que leu em sua vida?
“– “’Os bens e o sangue’”, desse raro exemplar de falta de calor humano que se chama Carlos Drummond de Andrade”.

Num outro trecho, Drummond diz que um verso de Mário de Sá-Carneiro parece definir o poeta de Itabira: “Fartam-me até as coisas que não tive”.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

APONTAMENTO 40

Sabe... Às vezes é melhor mesmo que eu não saiba mesmo de toda a beleza que há por aí. Seu eu soubesse, sei que não suportaria.

RETÓRICA

Tudo deveria acabar numa obra de arte.
Ou começar numa obra de arte.
Ou ser uma obra de arte.

Hora de me calar.
Nem sei definir
se me silencio feliz
ou se me silencio triste.
Sei que a única obra de arte
que produzi foi o silêncio de agora.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

CAMINHO DE SANGUE

Todo esse sangue bombardeado.
Todo esse sangue inocente.
Todo esse sangue poluído.
Todo esse sangue perverso.

Não no chão, mas nas veias,
deveriam estar todos
esses sangues correndo.

“DECAMERÃO – O SANTO MILAGREIRO”

Ontem, a partir de 19h15, no Teatro Municipal Leão de Formosa, aqui em Patos de Minas, ocorreu o espetáculo teatral “Decamerão – o santo milagreiro”.

A peça é uma adaptação da primeira das cem histórias que compõem o livro “Decamerão”, de Giovanni Boccaccio (1313-1375). A direção foi de Consuelo Nepomuceno (Unipam), coordenadora do grupo Tupam (Teatro Universitário de Patos de Minas).

A história de Boccaccio narra o ocorrido com o senhor Ciappelletto. Em tom de galhofa e prestes a morrer, ele decide se “confessar” a um bondoso frade. Tendo sido cafajeste a vida toda (“era o pior homem que viera à luz, em qualquer época” – tradução de Torrieri Guimarães), o próprio Ciappelletto argumenta, no leito de morte, que uma ofensa a mais, numa vida tão plena delas, não fará nenhuma diferença. Para o frade, narra pecadilhos infantis, ninharias, a despeito da vida nada virtuosa que levara.

Impressionado com o suposto caráter elevado de Ciappelletto, o frade cuida rápido de dizer a todos que tão nobre conduta durante toda uma vida só podia indicar santidade. Dá a “boa nova” a seus colegas, que contam para outros, que contam para outros. Ciappelletto é enterrado com honrarias, é sepultado como santo. Rapidamente, fiéis passam a procurar o túmulo do “santo” em busca de milagres, numa amarga ironia de Boccaccio.

A peça contou ainda com música, sob o comando do professor de música e percussionista Castor. Após o espetáculo, o professor Luís André Nepomuceno, coordenador do curso de Letras do Unipam, contextualizou Boccaccio e sua obra numa Idade Média que assistia então ao surgimento do Humanismo. Infelizmente, devido a compromisso de trabalho, não pude acompanhar toda a fala do professor. Entretanto, ele próprio me disse posteriormente que houve uma interação proveitosa, a partir do momento em que o público se sentiu à vontade para opinar e fazer perguntas.

“No teatro, mudar uma peça de maneira radical muitas vezes é – por mais contraditório que possa parecer – a melhor maneira de ser fiel a um dramaturgo”. Esse trecho é de Gabriela Mellão, em crítica sobre montagem da peça “O Quarto”, de Harold Pinter, sob a direção de Roberto Alvim. Gabriela Mellão ressalta que as liberdades de Roberto Alvim, paradoxalmente, não deturparam o trabalho de Harold Pinter.

Comento isso pelo seguinte: o “Decamerão” não é texto escrito originalmente para o teatro. Ainda assim, o grupo Tupam foi feliz na adaptação que fez. As liberdades (sem radicalismos) tomadas quanto ao original e quanto a recursos cênicos mantiveram o saboroso humor de Boccaccio. Aqueles que têm familiaridade com o "Decamerão" reconhecem de imediato a atmosfera da história de Ciappelletto, a despeito das mudanças. Ao mesmo tempo, o espectador não deixa de presenciar a corrosiva ironia. Em suma: a trupe acertou no tom.

Não sei se há a intenção de se reapresentar a peça. Caso isso ocorra, esteja lá. E em tempo: é um espetáculo que eu gostaria de fotografar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

DONA ISOLETA

Adão, quarenta e dois anos, comprou a passagem. O ônibus embarcaria às 22h15. Sua poltrona era a de número quatro. No veículo, Arlete, uma jovem de vinte e cinco, estava sentada na três – com os pés na quatro. Adão colocou sua mala no compartimento acima das poltronas e olhou para a jovem. Ela deu um levíssimo sorriso, arredou os pés e Adão se sentou.

Segundos depois, Arlete se levanta e passa para o outro lado do corredor do ônibus, ocupando a poltrona de número um – com os pés sobre a dois. Adão pensou que logo ela teria de voltar para o lugar dela, pois ele tinha quase certeza de que o passageiro da poltrona um estava prestes a surgir. É que no guichê Adão chegara a pedir a poltrona três e depois a um. Ambas já haviam sido vendidas.

Minutos depois, duas mulheres entram no ônibus. Uma delas, Ana Maria, de trinta e sete, carregava Clara, bebê de três anos. A outra, Isoleta, de setenta e dois, uma pequena sacola vermelha. Ana Maria foi para a parte de trás do ônibus. Isoleta havia comprado passagem para a poltrona um, que estava ocupada por Arlete.

Antes de se sentar, a senhora olhou para as poltronas um e três. Leu pausadamente para si mesma: "Pol-tro-na um". Quando a jovem já ia se levantar a fim de voltar para seu lugar, Isoleta conversou com Adão:

– Se você não se importar, eu queria ficar na sua poltrona. Fico enjoada se viajar no canto.

Adão achou estranho esse negócio de ficar enjoada somente quando se viaja no canto. Contudo, ficou sem jeito de dizer não; cedeu o lugar para a senhora. Enquanto mexiam os corpos no pequeno espaço, Isoleta quase caiu. Justificou-se:

– Às vezes caio; é por causa da minha coluna.

Isoleta se alojou na poltrona quatro. Só que Adão teria de ir para o lugar destinado a ela, que era a poltrona um, onde estava Arlete. Esta esboçou novamente o leve sorriso de há pouco. Tirou os pés da poltrona dois e se encolheu no canto. Adão ocupou a dois. Se alguém chegasse para ocupá-la, Adão teria de ir para a três, o que não ocorreu. Arlete não voltaria para a três, seu lugar de origem. Minutos depois, a viagem teria início.

Durante o percurso, Isoleta, pequena que é, deitou-se sobre as duas poltronas, com a cabeça virada para a janela; dormiu e roncou. De vez em quando, num sacolejo maior, um de seus pés chegava a esbarrar na perna de Adão, esticada para fora, ocupando parte do corredor. Incomodado pelo ronco de Isoleta, Adão não dormiu nada durante a viagem de sete horas.

No desembarque, enquanto se afastava do ônibus, Adão pôde ouvir Isoleta, toda risonha, comentar com Ana Maria:

– Inventei uma balela qualquer pros dois que estavam lá na frente; acabei ficando com duas poltronas só pra mim...

UNÍSSONO

Num coral é assim:
cada um em seu canto.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (42)

No último dia 29 ministrei minha primeira aula de fotografia. É que Ivanilda, uma amiga, e dois alunos meus de inglês e literatura, Breno e Marcela, estiveram comigo às margens da Lagoa Grande, aqui em Patos de Minas, para fotografar e ter algumas dicas teóricas.

Falei brevemente sobre abertura, velocidade e composição. Depois, colocaram a mão na massa. Olhei as fotos e sugeri algumas mudanças, principalmente de enquadramento. A seguir, fotografaram mais.

Apesar do calor intenso, foi uma tarde muito agradável. Foi um prazer conversar sobre fotografia e ensinar os princípios básicos dessa fascinante atividade. Além de agradecer à Ivanilda, ao Breno e à Marcela pela oportunidade, agradeço também ao fotógrafo Jhereh, que me emprestou a câmera dele – a minha está estragada.

A foto acima foi uma das que tirei.

HAICAI 13

O professor ensina.
A aluna aprende, olha.
Amorosa sina.

APONTAMENTO 39

Minha mãe é o mundo. O universo é meu pai. Não passo de um interiorano com mentalidade cosmopolita. O que já é melhor do que ser um morador de um grande centro com mente bitolada.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

ELEIÇÕES NOS EUA

Hoje à tarde assisti a imagens que mostravam celebrações ocorridas no planeta por causa da vitória de Obama.

Os vídeos o mostravam sendo ovacionado. Claro que muita dessa alegria era pelo fato de Bush estar saindo; contudo, em vez de ataques a Bush, o que vi foram loas a Obama. Pode até ser que os elogios a Obama tenham sido um modo tergiversado de atacar Bush. Contudo, o que me pareceu foi que houve mesmo um entusiasmo imenso quanto ao candidato recentemente eleito.

O próprio Obama empunhou a bandeira da chamada “mudança”, uma das palavras mais usadas por ele em seus discursos. As manifestações ao redor do mundo pareciam ser o reflexo da crença nessa mudança; todos se mostraram aliviados por se verem livres do desastrado Bush.

Se as festas ocorreram para celebrar a saída de Bush, ótimo. Se não, ainda é cedo, cedo demais. O apito final está longe de soar para Obama. Já o final para Bush soou tarde demais; talvez nem devesse ter havido o inicial. As imagens a que assisti me deixaram com a impressão de haver uma confiança extrema em Obama. Pode ser que a festa termine mal. Ou que talvez as imagens sejam apenas rompantes de quem não agüentava mais ver a cara do Bush.

Torço muito para que Obama realize um bom trabalho. Quando ele terminar, que as comemorações vindouras sejam para celebrar seu legado.

A JOÃO GILBERTO

A THE ROLLING STONES


A JANIS JOPLIN


terça-feira, 4 de novembro de 2008

A HITCHCOCK

APONTAMENTO 38

Amanheço pleno de madrugada. O amplo alvorecer me deixa pleno de imensidão. Cato nos restos da noite que ainda pairam no leste o equinócio, o equilíbrio. Em vez da paz do sono, escolho a correria das ruas. Quando a consciência pesa, a gente acha que todo mundo sabe, só de olhar para nós. O povo que passa por mim vê a consciência tranqüila? Será que todo mundo está vendo que carrego a madrugada?

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DESENHO 2

Na adolescência, interessei-me pelo Renascimento; interessando-me pelo Renascimento, tornei-me interessado em Leonardo da Vinci; interessando-me por Da Vinci, rabisquei os traços acima. O desenho original está num livro chamado “O pensamento vivo de Leonardo da Vinci”; em meados da década de 80, a coleção O Pensamento Vivo, publicada pela Martin Claret, era vendida em bancas de revista. Cheguei a ter a coleção quase completa. Os livros tinham a intenção de sintetizar e popularizar as idéias de ícones do conhecimento em diversas áreas. Foram um bom incentivo para que depois eu conhecesse mais sobre alguns deles. Fiz o desenho no dia 31 de março de 1986.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

CALOR

Tanto o calor,
que derreteu o vento.
O calor levou embora
o sopro de esperança
e fez arder o último suspiro.

Tudo foi rachado.
Até a secura dos homens
comportou-se como
manteiga derretida.


terça-feira, 28 de outubro de 2008

JOGO

Tenho-te em carne
e em espírito.
Tenho-te subjugada
e rainha, escrava e senhora.
És minha dona, e a ti ordeno.
Nesse jogo poderoso,
quando te mando,
tu me tens.

HORA DE VIVER

É madrugada. Irineu cria seu mundo. De dia, faz o que não gosta. Faz porque precisa sobreviver. De noite, inventa o que gosta. São 3h10. Ele precisa se deitar. Daqui a pouco, é hora de não viver.

LEITURAS

Leio à noite.
Logo,
leio a noite.

A LÚCIO COSTA


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

ALTOS E BAIXOS

Hoje, na sarjeta.
Amanhã, na capa da revista de negócios.
Tudo útil – com ilusões também se aprende.

ÓRION

Órion era um gato preto. Acreditava que era na verdade uma daquelas majestosas panteras negras. Viveu as quatro últimas de suas sete longas vidas acreditando nisso e agindo como se assim fosse. Ele não sonhava em ser uma pantera – ele tinha certeza de que era uma. Por fim, sem mais vidas à disposição, morreu de verdade. Aqueles que o conheceram dizem que, para um gato, Órion fez coisas espantosas.

domingo, 26 de outubro de 2008

GRUPO AMARANTO EM PATOS DE MINAS

Hoje, mais cedo, entre 20h15 e 21h05, assisti a um belo show na Praça do Fórum, aqui em Patos de Minas, com o grupo Amaranto.

Estão em turnê por cidades de Minas Gerais. Uberaba, Patos de Minas, Ituiutaba, Uberlândia, Nova Serrana e Pará de Minas são as cidades que estão recebendo o Amaranto.

O grupo é formado por Flávia da Cunha Ferraz Guedes, Marina da Cunha Ferraz e Lúcia da Cunha Ferraz. Em Belo Horizonte, as três irmãs cresceram em ambiente musical.

Turnê Três Pontes – Amaranto para crianças de todas as idades é um delicado e envolvente show para crianças. O palco é simples: um pano preto ao fundo. Sobre este, panos retangulares e floridos. Nos arranjos, as três afinadíssimas irmãs tocam violão e flauta; são também responsáveis pela sutil e bela percussão. Também no palco, o baixista Tiago Godoy, autor de algumas das canções que fazem parte do espetáculo.

Caso se interesse, vá até o Youtube, digite "Amaranto" e confira trechos de apresentações do grupo.

GOTEIRA


APONTAMENTO 38

De vez em quando, eu me esqueço de que existe um negócio chamado Youtube. Na madrugada que passou, após conferir música ao vivo num dos bares da cidade, cheguei aqui e fui conferir alguns vídeos lá, após conversa com Érico, que toca violão e canta; ele também estava conferindo a música ao vivo no bar; chegou a dar uma breve canja.

Conferi os seguintes vídeos:

• Carole King – City Streets (clipe e versão ao vivo)
• Bruce Springsteen – Tougher than the rest (versão ao vivo)
• Waysted – Heaven tonight (clipe e versão ao vivo)
• Alphaville – Forever young (Uma de minhas preferidas na época; nunca havia assistido ao clipe.)
• Falco – Rock me Amadeus – versão original e versão remixada (Idem.)

A tecnologia está naturalmente associada a novidades; por outro lado, um dos grandes baratos dela é a possibilidade de acesso ao passado que ela permite.

APONTAMENTO 37

O paradão do domingo aumenta o calorão de todos os dias.

sábado, 25 de outubro de 2008

A OSCAR NIEMEYER

DESENHO 1

A juventude é cheia de ímpetos. Alguns deles, vistos à distância, soam engraçados. Um de meus rompantes juvenis foi o de tentar ser desenhista (sic). Hoje, mexendo em velhos papéis, eu me deparei com dois cadernos de desenhos. Na época, o grande sonho era desenhar utilizando pena de bico fino e tinta nanquim. Fiz a encomenda numa das lojas da cidade e fiquei aguardando. Durante semanas e semanas, fui até a loja, sempre com a mesma pergunta: “Chegou?”. A resposta era sempre a mesma: “Não”. Por fim, desisti. E quem não tem pena de bico fino desenha com lápis comum; foi o que fiz na época.

O desenho acima é uma das conseqüências dos rompantes juvenis. A ilustração estava numa velha revista que encontrei em antigo local de trabalho, enquanto o ambiente passava por limpeza. Eu tinha uns 12 anos. A ilustração fazia parte de uma matéria intitulada “Gênios idiotas”, sobre aquelas pessoas que realizam complexos cálculos matemáticos rapidamente, mas são incapazes de efetuar cálculos simples. Devo ter essa revista em algum lugar aqui em casa. A linha editorial dela era o que posteriormente eu conferiria na Superinteressante, ainda na década de 80. Fascinado pela matéria sobre os “gênios idiotas” e querendo ser desenhista, é claro que mal esperei chegar em casa para copiar a meu modo a ilustração. Caso eu ache a revista, publico o nome do autor do desenho original.

Digitalizei a imagem, cujo original já está amarelecido; em programa de edição de fotos, escureci as linhas. Não houve outros retoques. Fiz o desenho no dia 23 de fevereiro de 1986.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A FREUD

CONTO 27

Quando Sofia escutou Fábio dizer “o amor é isto mesmo – as miudezas que fazemos por amor, que confere significado especial àquilo que, sem ele, seria apenas mais um gesto banal. As coisas em si não têm encanto. Passam a ter quando enxergadas por um olhar amoroso. O estar numa lanchonete tomando um suco torna-se pleno de sentido. A rigor, uma lanchonete como qualquer outra. Por ter o lugar alguma (ainda que mínima) ligação com a pessoa amada, torna-se especial. Assim o amor faz com tudo: vai estabelecendo e ampliando as relações, os elos, até o ponto em que uma pulga, uma cadeia montanhosa ou um filme faz com que nos lembremos da pessoa amada”, ela olhou para ele com um olhar deliciosamente maroto e disse: “Isso é lindo; quero anotar depois, mas o que quero agora é que você me beije”.

A CAMÕES


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

CINEMA BRASILEIRO NA CNN

A CNN Internacional, rede de televisão que transmite notícias para o mundo todo, tem um programa chamado “The Screening Room”. A idéia é mostrar o que cineastas de toda parte têm feito. O programa de hoje focalizou o cinema que tem retratado as favelas no Rio de Janeiro. A atração está disponível na página da CNN.

Não se trata de dor-de-cotovelo, mas literatura e cinema brasileiros têm feito da violência urbana a temática a ser tratada. Obviamente, não há como ignorá-la. Além do mais, se essa temática tem garantido audiência e vigor ao cinema nacional, é compreensível que cineastas, produtores e patrocinadores a busquem.

Além da temática da violência urbana ou dos bailes funk no Rio de Janeiro, eu gostaria de ver no circuito de cinemas comerciais mais aspectos dos outros Brasis. Somos mais, muito mais do que a violência no Rio ou os bailes funk (nada contra os bailes). A violência não está só no Rio. Está também nos rincões. Além do mais, há outras temáticas que poderiam ser tratadas de modo rentável. Parece-me excessiva a insistência em fazer de bailes funk ou da violência urbana o ganha-pão do cinema nacional. O Brasil não é somente isso. Que o sucesso do cinema feito por aqui não seja passageiro. É claro que desejo que ele continue tendo cada vez mais êxito, assim como desejo ir ao cinema ou ligar a televisão e assistir a mais facetas do Brasil.

CONTO 26

Betânia, casada com João, e Amanda, casada com Luís, têm dois pontos em comum. O primeiro: não são correspondidas no fervoroso e devotado amor que sentem. O segundo: amam a mesma pessoa – Márcia.

A BORGES




A NERUDA