sábado, 23 de agosto de 2014

EM BERÇO ESPLÊNDIDO

A banda O Berço realizou ontem no Teatro Municipal Leão de Formosa um show poético e terno. Executaram na íntegra as faixas do CD “Alto do Vale”, que está sendo lançado. Hoje, haverá o segundo dia de show.

Houve momentos em que a comoção tomou conta do palco; todavia, não houve pieguice. Além do mais, os integrantes souberam transformar o compreensível nervosismo da estreia e a emoção da conquista que é lançar um CD num show bonito e cheio de energia.



























sexta-feira, 22 de agosto de 2014

EM PALAVRAS

Não existe dia 
em que não aguardo 
palavra tua.
Basta uma.
Quando não há, 
releio-te.
Quando há, 
releio-te.

Dá-me
palavra,
renova
meu idioma. 

À ESQUERDA

ARVORANDO-SE


SINTONIA

São farinha
do mesmo asco.

São farrinha
do mesmo saco. 

MATERIAL

Há uma constelação de livros latentes.
Não gosto de livros não escritos.
Gosto de concretudes: eu me livro. 

QORPO LINGUÍSTICO

Á qem qeira um novo acordo ortográfico, propondo modificasões na última flor do Lásio. A intensão é simplificar a grafia. Asim, por ezemplo, a palavra “exemplo” tornar-se-ia “ezemplo”. Qorpo-Santo estaria ezultante. 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

VEJA SÓ, CONSTANTINO

Nem a Veja deu conta do Rodrigo Constantino, depois de ele publicar que Miriam Leitão deve desculpas ao país; ela disse recentemente que foi torturada pelo regime militar. O paladino vejiano justificou-se, dizendo concordar em parte com o ter sido obrigado a retirar seu texto do “site” da revista.

Constantino alegou: “Poderia causar impressão em alguns de que eram coisas equivalentes a tortura que ela sofreu e o comunismo que ela pregava”. De qualquer modo, o blogueiro da revista escreveu que abordará o assunto “em outra ocasião”. 

Que ironia: logo ele, adepto da cantilena de uma suposta falta de liberdade, de uma ditadura velada, blablablá, foi censurado por seus chefes. Até agora, alegando censura contra ele, Constantino não se insurgiu contra a revista dos Civita. 

SOBRE ASTROS E SONHOS

Hoje, chego à sala dos professores, e a Flaviana, colega de trabalho, conta--me que sonhou que eu estava me casando. A Maíra, outra colega, havia lido, ontem, meu horóscopo. Embarcando no astral, pedi à Maíra que lesse o que os astros estariam decidindo sobre meu destino para hoje. Os corpos celestes, com suas inventivas conjunções, foram inexoráveis: “Mesmo que você queira, não conseguirá ficar sozinho”. Quero me casar na esquina da Doutor Marcolino com a José de Santana. 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

APONTAMENTO 215

Pessoas sensatas e inteligentes não raro deletam a sensatez e a inteligência quando escrevem ou falam sobre política, não importa qual candidato ou qual ideologia estejam defendendo. Isso é ruim, não somente por nada acrescentar a um debate, mas também por depor contra quem profere o destempero.

Escrever coisas como “o candidato Fulano deveria estar no inferno” ou “a candidata Beltrana é mais falsa do que nota de três reais” é infantil e contraproducente. A pessoa fica parecendo aquelas crianças que, ao brigar na escola, lascam um “aposto que sua mãe tem piolho” ou um “seu pai é careca, e o meu não é”.

Embora o descontrole quando a política vem à baila não seja novo, as redes sociais desnudam em profusão esses contrassensos e essas ignorâncias. Todos nós temos impulsos animalescos e imbecis. Parece não haver como impedi-los de virem à tona; o problema é não saber lidar com eles quando vêm. Não é num debate sobre política que deveríamos dar vazão a eles. 

BANDA O BERÇO VAI LANÇAR CD

(Foto: Peruzzo)

O CD “Alto do Vale”, da banda O Berço, abre com uma citação de “Saudades de Matão”, clássico da música caipira. O universo sertanejo também é uma influência no trabalho deles, que integram o rol de artistas que estão fazendo o rico momento da música local atualmente.

Não digo com isso que se trate de um CD de canções caipiras. O Berço é uma daquelas bandas em que as fontes nas quais beberam são facilmente percebidas (pelo menos assim me parece). Se o CD abre com uma citação do cancioneiro caipira, à medida que se escuta o trabalho, influências country, pop, rock ou folk podem ser percebidas.

As participações especiais dão o tom do ecletismo de que O Berço é capaz: Luiz Salgado (que faz o que a crítica chama de música regional), Leoni (ex-integrante do Kid Abelha e do Heróis da Resistência — hoje segue carreira solo) e Raphael Evangelista, um dos integrantes do duo Finlândia (além de Raphael, Mauricio Candussi, que é argentino, faz parte da dupla), também embalam O Berço.

Há algo de irônico, de quase histriônico no trabalho da banda, como se não levassem a música muito a sério; deixam a impressão de que estão brincando, divertindo-se — o que é ótimo! É sempre bom quando as pessoas decidem brincar com o talento que têm. Essa atitude “descompromissada” é permeada por canções melodiosas e por belos vocais, numa sonoridade que não deixa, por vezes, de remeter à década de 70.

“Alto do Vale” convence pelo senso de humor e por, aparentemente, não estar preocupado com uma grande mensagem, com grandes pretensões, por assim dizer. Há a música, há a diversão. É como se O Berço não estivesse preocupado em deixar um legado — ao mesmo tempo em que, inevitavelmente, deixa-o.

Reserve para si cinquenta e dois minutos e trinta e três segundos, que é o tempo de duração do CD. Reserve também a sexta ou o sábado (ou a sexta e o sábado), dias 22 e 23/08, quando O Berço vai lançar o CD no Teatro Municipal Leão de Formosa, aqui em Patos de Minas, às 20h30, tanto na sexta quanto no sábado. No alto do vale a gente vai curtir música e se divertir. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

APONTAMENTO 214

No mundo, tal como ele é, inteligência e gentileza são ousadias. A gentileza é uma arma poderosa; a inteligência é uma arma poderosa. Nem todo mundo percebe essas coisas. Mas isso não é pretexto para que abdiquemos, seja da inteligência, seja da gentileza. 

APONTAMENTO 213

Pode-se amar o trabalho de uma pessoa sem que a pessoa em si seja amada. Por outro lado, amar o trabalho de uma pessoa pode fazer com que passemos a amar a pessoa que o produziu. Por fim, amar uma pessoa é por extensão amar o trabalho dela. 

APONTAMENTO 212

Não se ama a pessoa pelo fato de ela ser bonita (ainda que ela seja). Mesmo assim, o que amamos se torna bonito. É uma beleza diferente da que vemos naquilo que não amamos. A beleza amorosa não é estética. Ao mesmo tempo, atribui àquilo que amamos uma beleza que só a arte sabe traduzir. 

DE OLHO

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

CAMPOS "ELÍSIOS"

“O Brasil é o país da piada pronta”. Falta de compaixão torna-se sinônimo de piada. Estupidez torna-se sinônimo de piada. Maldade torna-se sinônimo de piada. 

ROGER, O "INTELIGENTE" (2)

A mais recente “pérola” do Roger, do Ultraje a Rigor, foi escrever, no Twitter: “Minha família não foi perseguida pela ditadura. Porque não estava fazendo merda”. A postagem era endereçada a Marcelo Rubens Paiva, que participara da Flip e lamentara o fato de pessoas como o Roger terem se convertido ao conservadorismo.

Já escrevi sobre a fama de inteligente que Roger tinha. Num tempo em que não havia redes sociais, essa fama era mantida porque não se tinha acesso ao que o roqueiro pensa nem ao modo como ele se expressa. Hoje, sabe-se que a inteligência dele é um mito.

Fosse ele comedido, a suposta inteligência a ele atribuída até poderia se manter. No mais, essa história me faz lembrar de um conselho atribuído ao Mark Twain: “É melhor ficar de boca calada e deixar as pessoas pensarem que você é bobo do que abri-la e acabar com toda a dúvida”. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

PALAVRA POR PALAVRA

Ainda que não sejam sobre ti, 
minhas palavras são tuas.
Ainda que não sobre ti, 
cada palavra minha fica
a desejar tua leitura. 

"PARKOUR"

Ontem, no estacionamento do campus do IFTM — Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia —, em Patos de Minas, às 20h30, ocorreu uma apresentação da modalidade conhecida como “parkour”. Segundo verbete da Wikipédia, “‘parkour’ (por vezes abreviado como PK) ou ‘l'art du déplacement’ (arte do deslocamento) é uma atividade cujo princípio é mover-se de um ponto a outro o mais rápido e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo. Criado para ajudar a superar obstáculos de qualquer natureza no ambiente circundante — desde galhos e pedras até grades e paredes de concreto —, pode ser praticado em áreas rurais e urbanas. Homens que praticam ‘parkour’ são reconhecidos como ‘traceurs’, e mulheres, como ‘traceuses’”.




























WILLIAMS

Where did
Robin
fly to?...

Where is 
Robin 
singing now?... 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

ALTA COSTURA

A natureza 
prepara para si 
roupa nova: 
tesourinhas 
já riscam e cortam 
o tecido azul do céu. 

domingo, 10 de agosto de 2014

DESFOLHADA

PERIGEU (2)

Segundo o Houaiss, esta é a definição de perigeu: “Ponto da órbita de um astro ou satélite em torno da Terra, no qual ele se encontra mais próximo de nosso planeta”. Hoje, a Lua estava logo ali. Eu não poderia não fotografá-la.

Eu estava às margens da BR 352; saindo de Patos de Minas, a uns cem metros depois do trevo com a BR 365, no caminho que vai para Lagoa Formosa. Dirigindo a moto, eu ia olhando para o horizonte, pois eu havia lido que a Lua, no Rio de Janeiro, nasceria às 17h40.

Tirei a foto às 18h16. Procurando pela Lua no horizonte, eu estava olhando em outra direção, mais para a minha esquerda. Quando olhei para a direita, o satélite já havia se despedido da linha do horizonte. Tivesse eu sido mais atento, pode ser que eu tivesse fotografado a Lua desde os primeiros instantes em que ela despontou.
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Ficha técnica

Câmera: Canon EOS 60D
Lente: Canon EF 100-400mm F/4.5-5.6L IS USM

Extensão focal: 400 milímetros
F/5.6
1/50
ISO 1000 

DIGRESSÕES DURANTE UM INTER x GRÊMIO

Internacional e Grêmio estão jogando (a partida está no intervalo). Felipão está no comando do Grêmio. Agora, não consigo evitar: sempre que vejo Felipão, eu me lembro dos sete a um. Esse estigma parece-me tão inabalável... A impressão que tenho é a de que ele é que vai ficar, ainda que o técnico volte a ser vitorioso.

Felipe, o “Grande”, acabou fazendo com que eu me lembrasse do Parreira. No meio do futebol, não consigo me lembrar de um sujeito tão sem carisma quanto ele. Tento levar em conta que ele era o técnico da seleção campeã da Copa 1994, mas essa estratégia não funciona. O que ficam são o ar “blasé”, a declaração de que a CBF é o Brasil que dá certo e a leitura que Parreira fez da carta da dona Lúcia. 

SÓ DEZ POR CENTO?!

Raul Seixas, em “Ouro de tolo”, canta que só usamos dez por cento de nossa capacidade mental. Essa ideia também está presente em “Lucy”, filme estrelado por Scarlett Johansson e por Morgan Freeman (o diretor é Luc Besson).

Lembro-me de ter lido, há muitos anos (talvez na Superinteressante), que essa história de usarmos apenas dez por centro do cérebro é um mito. Amy Reichelt, em breve artigo no IFLS (I Fucking Love Science), traça a origem desse mito e explica por que não há como afirmar que noventa por cento de nosso cérebro permanece inativo. 

sábado, 9 de agosto de 2014

SINTONIA FINA — EDIÇÃO 27


Que tal um programa para este sábado à noite?... Acima, basta dar “play” e escutar o Sintonia Fina, atração musical.

SELEÇÃO MUSICAL

The Offspring – Why don’t you get a job
Nando Reis – Frevo mulher
John Lennon – Jealous guy
Tiê – Desculpe o auê
Broken Bells – Holding on for life
Cláudio Nucci – Acontecências
Eros Ramazzotti – Cose della vitta
Kiko Zambianchi – Quadro vivo 

FUTEBOL E MÚSICA

Assistindo agora ao jogo Criciúma x Cruzeiro, foi possível escutar, há pouco, os torcedores da equipe de Santa Catarina cantando uma versão em português de “Why don’t you get a job” (que é um barato), da banda The Offspring. Fiquei curioso para saber duas coisas: como a canção se tornou cântico da torcida e o que diz a letra que bolaram para a versão — os barulhos captados pela transmissão não me permitiram filtrar as palavras do que era cantado. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

CANIBALISMO

Mordi a língua:
tive de engolir
palavra por palavra. 

FOTOPOEMA 356

LUÍS ANDRÉ NEPOMUCENO INTERPRETA TEXTO DE MINHA AUTORIA


De tempos em tempos, Luís André Nepomuceno vem aqui para casa a fim de gravar alguns textos literários. São momentos de risadas e de literatura, o que já é motivo o bastante para que as gravações ocorram.

Professor e escritor, Luís André ainda tem a verve de ator, o que, ademais, é comum na família dele. Nesta postagem, ele interpreta Proposta, texto de minha autoria. Basta dar “play” acima para que você escute o poema.
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PROPOSTA

Texto: Lívio Soares de Medeiros
Interpretação: Luís André Nepomuceno

Casa comigo.
Casa comigo num aquário. 
Ou então debaixo de uma árvore – ou sobre ela. 
Casa comigo: pode ser na rua, 
num túnel ou num estádio. 
Numa capela ou numa mansão. 
Ou dentro de um carro. 
Quem sabe na roça?... 
Ou numa grande cidade?... 
Casa comigo. 
Casa comigo todos os dias. 
Casa comigo agora. 
Casa comigo numa praça ou num canto. 
Num riacho ou num restaurante. 
Casa comigo de manhã, de madrugada 
ou às quinze para as quatro.
Casa comigo.
Não precisa contar para o padre – conte comigo.
Casa comigo e depois, se preciso, a gente conta.
A gente conta e casa depois.
A gente casa quantas vezes for preciso.
Casa comigo, vestida de noiva ou de vestido.
De tênis ou de salto.
No escuro ou na ribalta.
Casa comigo. 

DICIONÁRIO LIVIANO DE INGLÊS (2)

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

CORRE LÁ FORA!

Em “A gente precisa ver o luar”, Gilberto Gil escreveu: “O luar / Do luar não há mais nada a dizer / A não ser / Que a gente precisa ver o luar // Que a gente precisa ver para crer / Diz o dito popular / Uma vez que é feito só para ser visto / Se a gente não vê, não há”.

Os céus de agosto, aqui na região, são formidáveis. Na letra do Gil, basta trocar a expressão “o luar” pela expressão “céu azul”. Logo após, não vacila: corre lá para fora e olha para cima. Afinal, “se a gente não vê, não há”. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

ESPAÇOS

O espaço virtual não tem graça sem você.
O espaço real não tem graça sem você.
Sem você, caibo, mas não me encaixo. 

DICIONÁRIO LIVIANO DE INGLÊS (1)








terça-feira, 5 de agosto de 2014

DELICADA MÚSICA

O contato inicial que tive com a cantora Lizandra ocorreu na edição do Fermap, Festival Regional de Música do Alto Paranaíba, realizado, salvo engano, em 2012, aqui em Patos de Minas. Na ocasião, Lizandra se apresentou, cantando e tocando violão, ao lado da irmã Andressa Nunes, percussionista.

Desde então, tenho visto Lizandra se apresentar nos bares locais, num repertório que contempla, em grande parte, clássicos da MPB e do pop/rock nacional. Ultimamente, eu a vi interpretando também algo do pop internacional, como a cantora Lorde e o grupo Talking Heads.

Lizandra cursa Engenharia eletrônica e de telecomunicação na Universidade Federal de Uberlândia, no campus de Patos de Minas. Paralelamente aos estudos e às apresentações em bares e restaurantes, ela ia aos poucos revelando a verve de compositora. Temos agora a oportunidade para conferir o que ela tem feito: no dia 15 de agosto, às 20h, no Teatro Municipal Leão de Formosa, Lizandra lança EP que leva seu nome.

Fosse eu me valer de apenas uma palavra para definir o que ela faz, tanto nas apresentações ao vivo quanto em seu trabalho de compositora, eu usaria o adjetivo “delicado”. Delicadeza na voz, delicadeza nas interpretações.

Se “Sofia”, a faixa de abertura, tem pegada pop/rock, “Samba para você voltar”, a terceira do trabalho, rende tributo ao gênero musical que está presente no título da canção. O trabalho da cantora é intimista e lírico. 

Também me chamou a atenção o tom otimista das letras de Lizandra. Ainda que falando de amor ausente, a ideia é positiva. O trecho “fazendo samba torto e direito / Pra não deixar de acreditar na vida” dá bem uma ideia do otimismo que perpassa o EP. Lizandra, ouvinte e executante de MPB, oferta--nos, com seu disco, suas cálidas composições. 

UMA DECLARAÇÃO DE AMOR

Mangas? Dispenso-as. Nos morangos, não vejo a sensualidade a eles atribuída. As maçãs são gostosas. De mexericas e laranjas, faço questão. Todavia, não adianta: tenho veneração por uma que é gorda, feia e ruim de carregar. O tempo passa, mas a veneração que tenho pelas melancias é a mesma de outros tempos.

Há pouco, eu estava me chafurdando numa. Foi quando tive a ideia para este texto. Só que antes da suculenta delícia, há a casca. Para mim, é uma peleja ter de descascar, seja o que for, por eu ser muito desajeitado em manejar facas. Sempre fico impressionado quando vou comprar uma melancia, e o atendente, em segundos, consegue cortar a fruta, num entalhe perfeito.

Há pouco, saboreei, de olhos fechados, cada fatia. Concentrando-me no prazer em si (no prazer em mim?), fui comendo e comendo. O estômago já estava cheio. Mesmo assim, eu não conseguia parar de fatiar mais um pedaço, mais um pedaço, mais um pedaço... Como pode algo ser tão gostoso?!

Aqui em casa, quando tenho de lidar com elas, sempre apronto uma bagunça: o corte fica torto, os pedaços saem desengonçados. Ainda assim, asseguro, o prazer de saborear melancia é para mim uma epifania, é a possibilidade de acesso a um mundo de delícias não terrenas. Não deixo de ser mortal; entretanto, torno-me um mortal conhecedor de regiões que nada lembram nossa condição passageira e limitada. Degustar melancia é um momento de elevação. 

CURSO DE FOTOGRAFIA

Pessoas, vem aí mais um curso. Caso se interessem, gentileza deixar mensagem, que não será publicada.
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Professor: Lívio Soares de Medeiros
Número de aulas: 5
Duração de cada aula: 1 hora e 30 minutos
Datas: 12, 13, 14, 15 e 19 de agosto
Horário das aulas: 19h30 às 21h
Equipamento necessário: qualquer um que fotografe

Tópicos abordados:
— Tipos de equipamento (câmeras e lentes)
— O treino do olhar
— O uso criativo da velocidade em fotografia
— O uso criativo da abertura em fotografia
— O uso do ISO
— Compondo a imagem fotográfica (o assunto principal na fotografia; a regra dos terços) 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

MUSICALIDADE

Acorda!
Mimimi
não faz
acorde. 

PROCURA

Um dia, acharei o verso definitivo.
O verso acima prova que não foi dessa vez. 

TARDE DA NOITE

Terça-feira.
Quatro e vinte e três da madrugada.
Se eu não quisesse
pensar em você,
seria insônia. 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

ATERRISSAGEM

Eu sempre me perguntava para onde iam os tucanos. Hoje, sei que pousam em Cláudio. 

CANTOR E COMPOSITOR PIÊIT LANÇA SEU TRABALHO NO DIA 15

Um dos artistas que compõem o cenário local na área da música é Piêit. Seu EP, intitulado “Demasiado”, vai ser lançado no dia quinze de agosto no Teatro Municipal Leão de Formosa (nas redes sociais, parte do trabalho já havia sido divulgada). A cantora Lizandra vai lançar o EP dela no mesmo dia, também no teatro (sobre ela, comentarei em outra resenha).

O trabalho de Piêit tem oito faixas. Duas delas constam como bônus; estas são canções gravadas pela banda Jackdown, de que Piêit era integrante. Dado a questionamentos e a letras reflexivas, não seria exagero dizer que “Demasiado” tem um viés existencialista.

O vocal de Piêit ora é suave, ora é “agressivo”. Usa a região grave ao cantar, embora não raro se valha do falsete em suas interpretações. As faixas criam um clima, uma atmosfera em que se vislumbra aqui ou ali uma pitada de rock progressivo. Ou então uma gradação que começa suave e termina intensa; a canção que dá título ao trabalho é um bom exemplo disso.

A despeito do viés existencialista a que me referi acima, o EP abre com “Acredito na vida”, que tem, como o título já deixa entrever, letra otimista; a pegada é pop-rock. Em contrapartida, “Deep up”, que vem logo a seguir e é cantada em inglês, num astral melancólico, quebra o tom otimista de abertura. “Deep up” tem temática amorosa; o mesmo vale para “I’m not crazy”, também cantada em inglês.

É inevitável a gente escutar o trabalho de alguém e tentar “rastrear” as influências recebidas pelo artista. Piêit parece ter bebido na vertente reflexiva do pop-rock. Na letra de “Maré de pé” há a pergunta: “Por que estou esmorecendo?”. A pergunta dá bem o tom intimista do EP; os arranjos das canções fazem jus a esse intimismo.

Em sua carreira musical, Piêit tem sido presença no cenário independente da música brasileira. O cantor e compositor já participou de festivais Brasil afora (em Patos de Minas, já participou do Festival Marreco). No dia quinze, Piêit vai escrever, ao vivo, mais uma página de sua música. 

O CENÁRIO DA MÚSICA LOCAL

A popularização da tecnologia influenciou também o modo de se fazer música. Há trinta ou quarenta anos, um artista que morasse em Patos de Minas teria muita dificuldade em registrar seu trabalho musical. Se quisesse uma qualidade melhor, ver-se-ia obrigado a gravar fora da cidade.

Hoje, é possível fazer o registro por aqui. Além do mais, e novamente graças à tecnologia, o intercâmbio de informações e o acesso a novidades e ao passado é bem mais fácil. O resultado desse contexto é que muita gente, em muitos lugares, tem produzido. A cena local não é diferente.

A internet é uma baita ferramenta de divulgação. Entretanto, o artista, no mais das vezes, continua atrelado a um esquema de divulgação que passa por gravadoras, rádios e TVs para que seu trabalho reverbere em escala maior. Para quem não é conhecido, a divulgação via internet, salvo exceções esporádicas, é pulverizada: um escuta daqui, outro escuta dali, mas não há, de modo efetivo, um alcance que leve a turnês lucrativas ou a execuções em rádios. Mesmo com a internet, o esquemão gravadora/rádio/TV ainda impera.

Em contrapartida, se o artista se vê contente em realizar seu trabalho de modo independente, sem intenções de arrebanhar turbas, o cenário que se tem hoje é perfeito. O acesso a tecnologias é fácil e o custo de gravação em estúdios é viável. Essa conjunção tem feito com que mais artistas gravem seus trabalhos musicais.

O que Patos de Minas tem de melhor não são seus políticos provincianos, os dois grupos que há décadas se revezam no poder. O que a cidade tem de melhor são seu povo e seus artistas. Musicalmente, a cidade tem vivido um belo momento.

Há uma leva de gente jovem e criativa que tem se valido das facilidades proporcionadas pela tecnologia para criarem trabalhos autorais, criativos, contemporâneos e cosmopolitas. Sintonizados e talentosos, esse pessoal tem sido os protagonistas de uma bela página da música que tem sido feita na cidade.

Aqui e ali, é possível detectar as influências de que alguns deles se valem. Contudo, essas influências são diluídas, mesclam-se e formam trabalhos que têm identidade e brilho próprios. Não bastasse isso, os artistas não estão preocupados em soar, por assim, patenses, o que faz com que acabem fugindo de um bairrismo pueril. Não se trata, contudo, de negar quem se é; trata-se, sim, de ser artista, de procurar uma linguagem que seja pessoal e musical. 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

PROFECIA

Minhas palavras chegam até ti.
Tuas palavras chegam até mim.
Nossas bocas ainda estarão 
juntas numa só ideia. 

CAMINHOS

A gente vai caminhando.
A gente vai fazendo o caminho.

Além de passear 
pela minha cabeça, 
por onde você anda? 

terça-feira, 29 de julho de 2014

(DES)APONTAMENTO 8

Se eu me tornasse um disc jockey, meu nome artístico seria DJ Salinger. 

NO CAMPO DE CENTEIO

Holden Caulfield é um peregrino. Sente ascos passageiros por aqueles com quem encontra em sua jornada. Sua misantropia é aparente. Ao mesmo tempo em que reprova aqueles com quem vai interagindo, ele não consegue ficar sem gente. Está sempre ligando para alguém, sempre pensando em procurar alguém. Está perdido. Na tentativa de manter de pé o confuso edifício de si mesmo, não consegue manejar a solidão. Holden Caulfield é dependente dos outros. É sensível, tem pendores artísticos. Fica-se com a impressão de que será um grande homem. 

É engraçado. A gente nunca deveria ler nada. Mal acaba de ler, a gente começa a sentir saudade de todo mundo.