segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (68)


Há pouco, levei o maior susto: prestes a entrar em meu quarto, eu me deparei com o chegado aí da foto. Ele também se assustou, e correu para sob o guarda-roupa. Na tentativa de fazer com que ele voltasse para a casa dele, mexi no móvel.

Nosso amigo então subiu pela parede e se escondeu atrás de um outro móvel; dessa vez, um pequeno. Como havia um lençol sobre ele, bastou eu mexer na peça para que o visitante fosse até a janela, de onde ficou me observando.

Foi então que me ocorreu a possibilidade da foto. Sutilmente deixei o quarto, para não afugentar a criatura; sutilmente voltei. O modelo ainda estava na janela. Permitiu-me quatro fotos e foi embora.

domingo, 5 de agosto de 2012

CONTO 51

 “Decamerão” era o livro. Fernando Borges era quem lia. Ele deixou por um momento as palavras, pois um vizinho, com o som alto, começara a tocar canção muito executada pelo rádio durante a infância de Fernando: “Não são palavras lindas”, cantada pelo Heleno. Inundado de amor, embora ainda não todo ciente disso, o leitor percebeu, de uma vez por todas, a imensidão do que estava sentindo à medida que a canção prosseguia. O lampejo fulminante e definidor que o inundou da certeza e dos tormentos do amor veio ao som do Heleno. Fernando sentiu o coração apertar. Lembrou-se do Zeca Baleiro: “Ando tão à flor da pele / Qualquer beijo de nova / Me faz chorar”. Por fim, deu um leve riso, suspirou e recomeçou a leitura.

FOTOPOEMA 245

terça-feira, 31 de julho de 2012

FOTOPOEMA 242

RETORNO AO RÁDIO

Pessoas, desde ontem, estou fazendo matérias para o Jornal da Manhã, veiculado pela Jovem Pan local, aqui em Patos de Minas. Hoje, pela primeira vez, fui ao ar pela emissora.

O programa pode ser conferido das 7h30 às 8h, de segunda a sexta-feira. Conto com sua audiência.

PARADOXO

Suicidou-se —
tentativa
derradeira
de se salvar
de si mesmo.

VENTANIA

Afoitos, doidos
para existirem,
os ventos de
agosto já dão
o ar da graça
e invadem
o 31 de julho.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

APONTAMENTO 150

Sempre tive fascínio pelas intertextualidades e pela mistura do popular com o erudito. Há pouco, escutando “‘Heroes’”, do David Bowie, lembrei-me de uma frase do Sartre. O trecho da letra de Bowie diz “nós podemos ser heróis por apenas um dia”. A frase do Sartre é esta: “Pode haver tempos mais belos, mas este é nosso”.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

PROMOÇÃO CAIU NA REDE - RESULTADO

No vídeo abaixo, o resultado da promoção realizada por intermédio deste blogue e por intermédio de meu perfil no Facebook.

A todos os que participaram, seja comentando, seja compartilhando, muito obrigado. Os ganhadores, coincidentemente, têm o mesmo nome – Murillo Carvalho e Murilo Galvão.

Mais uma vez, não posso deixar de agradecer a Rusimário Bernardes, que cedeu exemplares de seu livro “Agapantos” para a promoção. O entusiasmo do Rusimário com relação ao que faço é maior do que o meu próprio – o que só aumenta minha gratidão.


APONTAMENTO 149


O Borges escreveu que o sonho de todo escritor é ser esquecido, mas que uma frase ou verso dele fique como parte de um idioma. Aquelas coisas que todo mundo cita e que ninguém sabe de quem é. E se sabe, não conhece o contexto. Glorioso Borges...

Há outras glórias possíveis. Há pouco, eu estava escutando “You weren’t in love”, cantada pelo Mick Fleetwood. Quando a canção chega aos cinquenta segundos e alguma coisa, há uma nota no baixo que é prolongada. É muito, muito bonito.

Poxa, quem deu essa “maldita” nota naquele “maldito” baixo? Não sei. Mas estou eu, numa cidadezinha incrustada no Cerrado de Minas Gerais, a admirar uma “simples” nota num contrabaixo...

Que fique um verso, que fique uma frase, que fique uma nota, que fique um gesto, que fique um olhar, que fique um instante, que fique um beijo, que fique uma piada, que fique uma transa, que fique uma canção. Fracasso é não deixar nada – mas até sem querer a gente acaba deixando alguma coisa...

APONTAMENTO 148

É incrível o quanto as coisas não precisam da gente.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

CAIU NA REDE - CENTÉSIMA EDIÇÃO


Pessoas, está no ar a centésima edição do Caiu na Rede. Como já anunciado na edição 99, há uma promoção ocorrendo. Para mais detalhes, basta clicar aí à direita e escutar a atração.

Valeu.


domingo, 22 de julho de 2012

LETRA DE MÚSICA (31)

Deste amontoado de coisas que eu tenho sido fica 
a certeza de que tudo o que sou existe para te amar.
Já nem me importo com o que sou ou com o que deixei
de ter, pois existe em mim a capacidade de te amar.
Pergunto menos, vivo mais e tenho vontade de criar.
Eu sou a partilha e o desejo, a vontade e o despertar.
Cada verso, cada pedaço de rua, cada rosto e nuvem.
Vida possível: a beleza em mim enxerga a beleza lá fora.
Beleza possível: a vida em mim enxerga a beleza lá fora.
O velho e antigo amor de tantos outros é também nosso.
Nós somos aquele velho querer renovado de um pelo outro.
Fiquei velho antes do tempo, mas estou pronto para ti.

sábado, 21 de julho de 2012

ATLÉTICO/MG DERROTA O SPORT

Milton Neves, que sabe se promover como poucos, já disse que a torcida do Atlético/MG é a mais argentina das torcidas brasileiras, referindo-se ao fervor dos atleticanos e fazendo média com eles.

Esses “argentinos” estão felizes: o Atlético perdeu uma partida e empatou outra. O resto foram vitórias, não raramente com belos gols, como foi o caso de agora há pouco, quando o time de Belo Horizonte, jogando fora, derrotou o Sport.

Saudosa de títulos expressivos e sedenta por uma bela campanha num grande torneio, a torcida atleticana está em lua-de-mel com o time, que continua seguido de perto pelo Vasco, que há pouco derrotou o Santos em São Januário.

O que permanece incerto é se o time de Cuca vai manter o nível; afinal, pouco mais de vinte e cinco por cento do campeonato foi disputado. O torneio tem ainda, até o momento, como favorito, além do Vasco, o Fluminense, que também tem feito uma boa campanha. 

O Cruzeiro, por sua vez, que não tem figurado, até agora, entre os candidatos ao título, embora já tenha estado entre os quatro primeiros colocados, joga amanhã, contra o Flamengo, em Belo Horizonte. O jogo é às 16h.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

CAIU NA REDE (99)

Pessoas, no ar, mais uma edição do Caiu na Rede. E há promoção: para mais detalhes sobre como participar, basta dar “play” abaixo ou logo aí à direita.

Caso queira participar via Facebook, gentileza clicar aqui.

Valeu.


quarta-feira, 18 de julho de 2012

APONTAMENTO 147


O brilhante “As relações perigosas”, do Choderlos de Laclos, é uma espécie de inventário da devassidão. Mas é curioso: os estratagemas de que se valem os personagens em suas conquistas podem muito bem ser úteis para propósitos não-malévolos, amorosos de fato. Há todo um manual de sedução, digamos assim. No livro, os personagens seduzem para não amar, mas essa mesma sedução pode estar a serviço do amor.

domingo, 15 de julho de 2012

"CRASH"

Ontem, assisti novamente ao filme “Crash”, que eu já havia conferido quando foi lançado. Como frequentemente comento filmes que não são lançamentos, mantenho a “tradição” nesta postagem.

“Crash – no limite” (Crash, EUA, 2004), do diretor Paul Haggis, é um filme pouco verossímil. Os encontros e as situações por que passam os personagens soam, no mais das vezes, forçados e artificiais.

Há, por assim dizer, uma hipérbole de circunstâncias “provando” a cada instante que ninguém é bom ou mau o tempo todo, que julgar alguém é algo muito complicado, que o bem e o mal são relativos e que as circunstâncias podem nos obrigar a fazer o que não gostaríamos de.

O enredo deixa claro seguidas vezes que não há ninguém totalmente bom ou totalmente mau. Somos, todos, capazes da mais nobre bondade e da mais cruel vileza – depende da situação. É aquela história de que somos nós e somos nossas circunstâncias.

O problema do filme é justamente a profusão de circunstâncias, de personagens, de encontros, de coincidências e de situações. Tal excesso é o que retira da obra a verossimilhança. Não que isso estrague a película ou faça dela algo deplorável. Longe disso. Gosto muito de “Crash” .

Ademais, esse proposital excesso a que me refiro é julgamento de valor. Essa suposta inverossimilhança não nos impede da reflexão sobre o que somos capazes de fazer em determinados contextos, nesta coisa difícil, melindrosa e recalcitrante que é a vida. 

sábado, 14 de julho de 2012

CURSO DE FOTOGRAFIA

Pessoas, vou ministrar mais um curso de fotografia. Para mais informações, gentileza entrar em contato.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

DICIONÁRIO (31)

média. Não só matemáticos fazem.

SHOW TIME MACHINE NO TEATRO MUNICIPAL

O que é, o que é?... Um excelente baterista deixa uma das baquetas cair assim que começa a sentar o sarrafo na bateria...

... É um... apuro técnico...

Vá lá... Releve o trocadilho tétrico... É que Cleanto Braz, baterista local, deixou cair uma das baquetas, mal começado o show Time Machine, realizado ontem no Teatro Municipal, aqui em Patos de Minas.

Experiente e profissional, é óbvio que havia uma outra baqueta a postos em lugar estratégico, bem do lado do baterista, que deu um leve sorriso quando a rebelde baqueta escapuliu da mão dele e foi parar bem em frente ao bumbo.

Time Machine foi realizado ontem pela segunda vez. A exemplo da primeira, a ideia é trazer para a frente do palco o trabalho do baterista. Durante o show de ontem, o próprio Cleanto comentou que é comum a gente conferir shows de guitarristas, de tecladistas, de baixistas...

De fato, é incomum conferirmos shows de bateristas. Aqui em Patos, isso ainda não havia sido feito. E já que se tratava de show de um baterista, ela, a bateria, foi posicionada no mesmo alinhamento dos demais instrumentos.

Tarimbados e talentosos músicos da cena local participaram do espetáculo, que teve no repertório de Yes a Bon Jovi, de MPB a blues. Tudo cuidadosamente executado. Enquanto as músicas ocorriam, um telão no fundo do palco exibia imagens que “interagiam” com o show.

A princípio, uma certa tensão é natural. Embora tudo fosse executado com precisão, percebia-se um certo nervosismo por parte dos músicos. Contudo, logo, logo a apresentação assumiria um clima de amigos que estão reunidos e fazendo um som que curtem. O rigor técnico das execuções não tirou o clima de emoção e celebração entre amigos à medida que o espetáculo prosseguia.

Cleanto, que advoga enquanto não toca bateria, dedicou o show a João de Deus, que foi o vocalista da banda Makaloba, que teve em sua formação músicos cuja origem é Patos de Minas. Time Machine, com repertório excelente, foi uma bela homenagem a João de Deus, que se vivo estivesse, ao palco teria subido.

terça-feira, 10 de julho de 2012

CAIU NA REDE (98)

Pessoas, está no ar mais uma edição do Caiu na Rede. Valeu.

domingo, 8 de julho de 2012

ENSAIO (7)

Desde quando fiquei sabendo dos girassóis que estão numa das margens da BR 365, aqui próximo a Patos de Minas, logo tive a vontade de ir até lá fotografá-los – o que fiz ontem. Levei um cabo, para conectar o “flash” à câmera.

Era minha intenção brincar com a luz, e o cabo seria útil por permitir ao “flash” não ficar acoplado ao corpo da câmera. Assim, quando bem próximo dos assuntos que fotografei, com uma das mãos eu segurava a câmera; com a outra, eu segurava o “flash”, posicionando-o em diferentes ângulos em relação ao assunto fotografado, ora disparando mais luz, ora menos, manejando a luminosidade a bel-prazer.

As fotos foram tiradas entre 15h28 e 16h26. Enquanto eu fotografava os girassóis, consegui dois “bônus”: um deles, um inseto; o outro, uma seriema. À medida que eu ia fotografando pude perceber que as vozes delas estavam se aproximando. Já indo embora, decidi pegar o carro e seguir em direção ao vozerio. Como já as fotografei anteriormente, sei que são ariscas.

Dirigindo por uma estrada vicinal, vislumbrei um casal delas sobre uma cerca. Diminuí a velocidade e fui me aproximando. Uma logo desceu de onde estava e sumiu em meio à vegetação. A que permaneceu já mostrava sinais de inquietação. Praticamente a 10 quilômetros por hora, fui me aproximando com o carro e consegui posicioná-lo de modo que seria possível fazer a foto do interior do veículo. Já tendo garantido pelo menos uma imagem, tentei me aproximar mais. A seriema, então, foi embora – sem nem se despedir...


















  

quarta-feira, 4 de julho de 2012

ENSAIO (6)

Segundo Jorge Luis Borges, o escritor passa a vida inteira escrevendo o mesmo livro. Revirando velhos arquivos fotográficos, percebo que o fotógrafo passa a vida toda fotografando a mesma imagem. 

No revirar velhas imagens, acabei me deparando com algumas feitas com a primeira câmera digital que comprei, em 2004. Bastou dar uma olhada em algumas fotos para que eu me desse conta de que elas têm mesmas temática e abordagem das imagens que eu produziria. 

Este pequeno ensaio é, pois, um resgate de meus primórdios, mesmo tendo eu já começado na fotografia depois de velho. 

Não sou religioso. Ainda assim, quando comecei a fotografar, eu ia muito à Igreja dos Capuchinhos, que é um belo cenário. As fotos abaixo foram tiradas lá.







FOTOPOEMA 237

segunda-feira, 2 de julho de 2012

RELATIVIDADE

Foi há muito,
mas é como se
estivesse agora.

domingo, 1 de julho de 2012

ESPANHA FATURA MAIS UM TÍTULO

A Espanha, com seus toques de bola rápidos e curtos, confirmou sua supremacia no futebol atual, tornando-se campeã da Eurocopa, torneio conquistado por ela em 2008.

O futebol praticado pela Espanha (e pelo Barcelona) de alguns anos para cá vai entrar para a história do futebol mundial, assim como entraram, por exemplo, a Laranja mecânica em 74 e o Brasil em 82. Daqui a dois anos, a Fúria, como é conhecida a equipe espanhola, estará por aqui, na Copa de 2014.

A Espanha é a primeira seleção europeia a conquistar em sequência a Eurocopa, a Copa do Mundo e a Eurocopa novamente. Não é preciso dizer que é uma das favoritas na próxima Copa.

terça-feira, 26 de junho de 2012

segunda-feira, 25 de junho de 2012

POR GENTILEZA

Teria sido trágico se a Rio +20 tivesse tido retrocessos como consequência. Em contrapartida, não houve avanços. Pontos previamente discutidos há vinte anos, na Eco 92, foram reafirmados.

Um artigo publicado no New York Times no dia 18 de junho afirma que a ausência de governantes como Obama e Cameron ocorreu porque eles e outros líderes estão mais ocupados em tentar resolver problemas de seus próprios países. O texto finaliza dizendo que a chamada comunidade internacional precisa aprender a não realizar uma grande conferência global nos anos em que houver eleições presidenciais nos EUA.

O recado é simples, como se dissessem: “Não contem conosco, os EUA, em tempos de eleições para presidente. Para nós, nossas eleições são mais importantes do que o que possa estar sendo discutido mundo afora”.

Levando-se em conta que os EUA são um dos grandes poluidores, o texto do New York Times é cheio de empáfia. Contudo, tem uma faceta que merece ser levada em conta – a de que, antes de se começar a discutir questões globais, é preciso abordar os problemas locais.

Mesmo que os EUA não estejam dispostos a arredar o pé quanto à poluição que realizam, mesmo que sejam acusados, com razão, de hipocrisia e soberba (não somente quanto à questão ambiental), nós, brasileiros, temos problemas demais a serem resolvidos em nossa própria casa.

Cuidemos dela. No geral, não aprendemos nem a dizer “por favor”, “com licença” ou “desculpe-me”. Se por um lado temos em comum com todos os demais uma selvageria latente e possível, há, por outro, uma gentileza igualmente latente e possível que nem foi ainda exercida por nós como um todo.

Não é intenção minha dizer aquelas bobagens como a de que a civilização de verdade está lá fora ou a de que não passaríamos de imitação de civilidade. Besteira isso, pois a selvageria não é atributo de ricos ou de pobres, mas do homem. Países ditos cultos e civilizados também praticam atrocidades.

Não começamos nem o básico. A gentileza não é solução final para nada e não deixa ninguém rico financeiramente. Mas estamos tão distantes de algo que se pareça com uma Nação que nem aprendemos ainda a tratar com alguma cortesia os nossos convívios.

domingo, 24 de junho de 2012

A RAPOSA E O GALO

Um desavisado que estivesse ciente do resultado do Campeonato Brasileiro do ano passado e que viesse a se informar somente agora sobre o andamento do torneio deste ano, levaria um susto: os dois primeiros colocados são de Minas, e entre os quatro últimos há três times de São Paulo.

Claro que isso não necessariamente reflete o que será a tônica do campeonato. A Libertadores já terminou para o Santos e está prestes a terminar para o Corinthians. O mesmo vale para o Palmeiras, que logo, logo encerra participação na Copa do Brasil. Passarão brevemente a disputar com afinco o Campeonato Brasileiro, que completa hoje sua sexta rodada (são trinta e oito no total).

Curto futebol também para trocar uma ideia saudável com outras pessoas que o curtem, não para me envolver em discussões tolas ou brincadeiras sem graça. Assim, digo que é bom para Minas (e para o futebol brasileiro como um todo) que Atlético e Cruzeiro entrem na disputa pelo topo da tabela.

Por mais que seja de interesse de alguns meios de comunicação o monopólio Rio-São Paulo, para o Brasil é bom que os times mineiros se tornem competitivos, o que não tem ocorrido nos últimos anos. Num quadro ideal, os times do nordeste também entrariam na briga.

O certame é longo e está no começo. Até dezembro, muito jogador pode ir embora, equipes terão ascensão e declínio, a tabela passará por mudanças diversas. Mesmo assim, que Atlético e Cruzeiro consigam, depois de longo e tedioso hiato no futebol das Gerais, estar entre os que terão feito um belo Campeonato Brasileiro em 2012.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

APONTAMENTO 144

Prova de que estou mesmo ficando velho (ou do quanto minha mãe não aparenta ter a idade que tem): há pouco, uma senhora chamou lá fora, procurando pela minha mãe, que não mora aqui. Queriam entregar para ela um convite para um evento beneficente ou algo assim. Recebi recomendações fortes para entregar o convite para ela. Já indo embora, a senhora perguntou: “O senhor é o esposo dela?”.

WAGNER MOURA EM TRIBUTO À LEGIÃO URBANA

Quando fiquei sabendo que o ator  Wagner Moura  participaria  de um show--tributo ao Legião Urbana, ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, logo pensei que Moura fosse também um cantor de mão cheia, além do estupendo ator que é.

Ele não é um grande cantor. Nas mais de duas horas de show, o que se vê é um emocionado Wagner Moura se comportando e cantando como um fã – não como um profissional que domina as manhas do palco e do canto.

Frases como “essa é, talvez, a noite mais emocionante de toda a minha vida” ou “essa banda mudou a minha vida” evidenciam a intensidade da admiração que Moura tem pelo Legião. Também por ele não ser um bom cantor, a iniciativa foi taxada de caça-níqueis. Não fiquei com a impressão de que o ator estivesse naquele palco por dinheiro.

O show contou com a participação de Andy Gill, guitarrista da banda inglesa Gang of Four, de que Renato Russo era fã. Com Gill tocando guitarra no palco (e com Moura fora dele), Dado Villa-Lobos cantou “Damaged goods”, do repertório do Gang of Four; durante a canção, citaram “Love will tear us apart”, do Joy Division. No baixo, o também convidado Bi Ribeiro, dos Paralamas.

Se por um lado Wagner Moura não convence como  cantor,  por outro  tem--se o entusiasmo de um fã que estava num palco, ao lado de Bonfá e  Villa--Lobos, apresentando-se para milhares de pessoas, as quais cantavam em uníssono as canções que mudaram a vida de Moura.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

CAIU NA REDE (97)

Pessoas, está no ar mais uma edição do Caiu na Rede. Valeu.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

CAIU NA REDE (96)

Pessoas, finalmente está no ar mais uma edição do Caiu na Rede. Durante o programa, explico por que tenho demorado a postar a atração. Espero que gostem.

domingo, 10 de junho de 2012

A REDENÇÃO E O EXORCISMO DO CAPITAL

Dinho Ouro-Preto, o vocalista do Capital Inicial, disse ontem (09/06), em show realizado em Patos de Minas, que não é supersticioso, mas que sua esposa é. Depois que Dinho havia caído do palco, no dia 31 de outubro de 2009, num show aqui mesmo, a esposa dele procurou uma cartomante, que alertou: não era para Dinho voltar mais a Patos de Minas.

Ele desobedeceu à “ordem”, voltou e fez o melhor show a que já assisti do Capital Inicial. Dinho estava visivelmente emocionado e agradecido. Conversou com o público, aplaudiu a plateia e não se cansou de agradecer. Logo na abertura, fez referência à queda que quase o matou, num show realizado no Paiolão do Parque de Exposições.

Foi tocante ver o vocalista, a todo momento, não se cansando de agradecer. Ele aplaudia reiteradamente o público e deixava a nítida sensação de que queria ofertar mais para aqueles que cantavam com ele os sucessos da banda. Já sem camisa sobre o palco, agradeceu mais, não se esquecendo de fazer menção ao médico que o atendeu em caráter de emergência quando da queda do palco aqui na cidade. Segundo o vocalista, ele foi salvo por esse médico.

Foi um show bonito. Sem cair em pieguice, Dinho se entregou, esticou o show, agitou, interagiu e colocou a multidão para pular, cantar e extravasar. Que beleza!... Já nos últimos instantes do espetáculo, depois de ter cantado “Por enquanto”, do Legião, Dinho ainda citou “Smoke on the water”, clássico do Deep Purple, já devidamente exorcizado e de alma lavada, numa redenção que foi um tributo à vida.

Abaixo, algumas fotos que fiz durante o show.










sábado, 9 de junho de 2012

AOS PÉS DO GÊNIO

Não bastasse o bolão que o Messi joga, é incrível o quanto ele não é afetado. Não há gracinhas, dancinhas, gracejos, maneirismos. Ele pega a bola, avança em direção ao gol e pronto. Passa a ideia de concentração, de seriedade, de profissionalismo. Que beleza!... A beleza e alegria dele está nos lances, nos gols, não em sambinhas e climas de descontração tão decantados no futebol daqui. 

Messi desestabiliza o esquema Globo de puxa-saquismo e interesses espúrios, que muitos desavisados chamam de patriotismo. O Sportv, emissora por intermédio da qual acompanhei o jogo entre Argentina e Brasil, logo encerrou a transmissão. É que se fosse para continuar com ela, o assunto teria de, obrigatoriamente, ser o Messi, e a Globo (dona do Sportv) não faria isso. Ela preferiria ressaltar as dancinhas e os cortes de cabelos dos jogadores da seleção brasileira.

Messi é genial não porque é objetivo, mas também por isso. Pode ser que seja insuportável como pessoa (não estou dizendo que seja), mas em campo é exemplo de profissionalismo, discrição e competência. Em sua eficiência assustadora, estraga, sem querer, “simplesmente” fazendo o que sabe fazer, a estratégia da Confederação Globo de Futebol. Na partida encerrada há pouco, fez três gols, dos quais um foi, para variar, uma obra-prima.

PAULINHO PEDRA AZUL EM PATOS DE MINAS

Já devo ter escrito neste blogue que é difícil imaginar um privilégio maior do que ver alguém, na maturidade artística e profissional, exercer seu talento. Nesse sentido, foi um privilégio e uma honra conferir o show de Paulinho Pedra Azul, ontem (08/06), no Balaio de Cultura, no Parque de Exposições, em Patos de Minas.

Paulinho está na estrada há 30 anos, conforme ele mesmo ressaltou durante o espetáculo. Ao som da MPB, com suas serestas, xotes e lirismo, o cantor deu ao show um tom intimista e caseiro, lembrando-se das vezes nas quais esteve em Patos de Minas anteriormente. Falou de almoços em casa de amigos, dos encontros, do pessoal da cidade que confere seus shows quando ele se apresenta em Brasília...

Relembrou também causos de trinta anos de carreira, contou piadas e conduziu com experiência e sabedoria o espetáculo. O público se deliciou, cantando juntos os clássicos do cantor (que também tem livros publicados) e de outros mestres da MPB.

Infelizmente, fico devendo os nomes dos dois músicos que acompanharam o cantor durante o show: um pianista e um percussionista. À parte isso, Paulinho Pedra Azul está cantando como nunca; o timbre está mais grave, mais encorpado, a voz me pareceu mais potente.

Foi uma noite emocionante, regada a boa música, com a plateia diante de um artista maduro, bem-humorado, acessível. Ao término, ele não somente agradeceu por estar aqui bem como disse estar sempre à disposição para voltar sempre que houver convite.

Que haja. Que ele volte. Que eu esteja lá. E que bom que o Sindicato Rural tenha investido na ideia de construir no Parque de Exposições um espaço como o Balaio. Com exceção de Paulinho Pedra Azul, que disse se considerar como se fosse daqui, em virtude das amizades que fez e das vezes em que esteve em Patos de Minas, o Balaio é feito por artistas locais. Em contrapartida, não tem havido o tom ingenuamente bairrista que poderia ocorrer. Que o Balaio se faça presente no futuro.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

BATALHA

Este vídeo já havia sido publicado neste blogue. Contudo, não sei por que foi retirado pelos administradores. Assim, eu o publico novamente, na esperança de que, desta vez, ele permaneça.

terça-feira, 5 de junho de 2012

A ÁRVORE DA VIDA


De acordo com a biologia, seria preciso que alguma molécula se replicasse para que a vida, com seu processo evolucionário, tivesse início. A água é a catalisadora dessa replicação. Em outras palavras: sem a água, não haveria a vida tal qual a concebemos. Esse consenso existe nas diversas teorias biológicas que dizem respeito à origem da vida.

Ela, a água, permeia “A árvore da vida” (The tree of life), produção de 2011 dirigida por Terrence Malick. Tem-se água no começo, no meio e no fim da película. Numa paráfrase, o filme poderia ser assim resumido: Pois tu és água e à água tornarás.

O filme não retrata apenas a trajetória de uma família americana de meados do século XX. Ao mesmo tempo em que a saga familiar vai se desdobrando, acompanhamos, paralelamente, o desdobramento do Universo. Sim: paralelamente. É como se houvesse uma espécie de documentário que ocorre em paralelo à história da família, cujo pai tirânico e intransigente é interpretado por Brad Pitt.

O senhor O’Brien, interpretado por Pitt, esmaga, com sua autoridade, a vida dos filhos, que buscam conforto na doçura da mãe, a senhora O’Brien, interpretada por Jessica Chastain. A convivência em família tem uma atmosfera falsamente branda. À medida que o filme vai avançando a gente vai descobrindo a tensão a que os filhos dos O’Brien são submetidos por causa da rigidez contraprodutiva do pai.

Quase não há diálogos. As vozes sussurradas que escutamos deixam escapar dúvidas, revoltas, súplicas, orações, desejos reprimidos: são solilóquios. Há uma cena em que um dos filhos de O’Brien observa o pai, que está debaixo de um carro, consertando alguma falha mecânica. O carro está apoiado sobre o macaco. Jack, um dos filhos, roga a Deus para que o pai seja morto.

O espectador pode até se envolver com a tensão reinante na família O’Brien. Mas o contar da história do Universo que, repito, ocorre ao mesmo tempo em que ocorre o drama dos O’Brien, é o outro lado da moeda no enredo. Os medos, incongruências e fraquezas da família não a impede de ser integrante da úmida trama que engendrara a vida e todas as suas manifestações.

Um "close" ali e outro aqui sugerem que essas manifestações podem estar numa família à beira da derrocada, numa borboleta ou num filete de capim que roçamos enquanto caminhamos. A água envolve a vida, seja ela uma árvore que lança seus galhos em direção ao céu ou um dinossauro diante de fragilizada presa (ainda que no filme o dinossauro apresente traços muito... compassivos).

Não espere da película uma ordem cronológica ou algo como o passado, o presente e o futuro. Há o agora, o “tudo ao mesmo tempo agora”. O mesmíssimo chão que pisamos pode ter sido percorrido há milênios por outra criatura. No cinema, basta um simples corte para que se sugira um breve lapso de tempo entre a pegada de um dinossauro e nossas pegadas. 

Ademais, para a natureza, o que são milhares de anos?... Mil anos são um longo tempo numa escala humana. Na escala da natureza ou do Universo, são, se tanto, alguns milésimos...

Do organismo mais primitivo à forma de vida mais complexa, somos todos feitos de uma só coisa, compartilhamos da mesma origem e iremos por fim partilhar de um mesmo redentor e aquoso destino. Já escrevera o Melville: “A meditação e a água estão ligadas para sempre”.

Foi um trabalho que não me arrebatou – seduziu a razão, mas não a emoção. O apelo foi mais racional do que emotivo. Não que haja frieza em “A árvore da vida” – houve em mim. É como se o “documentário” sobre o Universo tivesse me seduzido mais do que o drama dos personagens, ainda que o filme tenha mostrado que esse Universo está também em nós – e nós, nele.

sábado, 2 de junho de 2012

APONTAMENTO 142

Escutar a guitarra de Stanley Jordan é fenomenal. Mas a gente leva o maior susto quando descobre que ele só tem dois braços.

OUTROS BRILHOS

Nem tudo
o que seduz
é ouro.

ASTROLOGIA

Nem tudo
o que reluz
é touro.

terça-feira, 29 de maio de 2012

SOBRE WISŁAWA SZYMBORSKA

Abaixo, vídeo que gravei para um programa de TV local. É sobre a escritora polonesa Wisława Szymborska, que morreu no dia primeiro de fevereiro deste ano.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

SHOW DA BANDA VANDALUZ

O show da banda Vandaluz, segundo disseram no palco ontem, aqui em Patos de Minas, ainda está sendo formatado. Contudo, o formato já alcançado deixa uma clara ideia do quanto o espetáculo pode ser ainda melhor.

O show é contestador, mas não há a ingênua contestação juvenil, que muitas vezes não passa de rebeldia imatura. Há uma consciência aguda de que este mundo é um “sistema de erros”, há uma vontade de mudar a burrice que reina, mas conseguiram transmitir essa ideia de um modo musical, teatral e maduro.

Velhos problemas como fome e guerra eram projetados no telão enquanto a banda ia mostrando seu repertório, incluindo canções ainda não oficialmente lançadas; entre algumas canções, breves poemas eram declamados. Muito bem-vinda, a ironia contra falsos religiosos que se locupletam aproveitando-se da credulidade simplória de muitos fiéis.

Meu ouvido é muito ruim. Apesar disso, tive a impressão de que o som poderia estar melhor: talvez, um pouco mais alto e com um pouco mais de peso. Ainda assim, um show imprescindível, que mostra o bom momento vivido pela banda e pela música local. Para mais informações sobre o Vandaluz, clique aqui.