quinta-feira, 16 de maio de 2013

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (73)


Esta foto foi tirada hoje à tarde, às 15h19. Quando saí de casa, a intenção inicial não era fotografar maritacas: um dia desses, indo fotografar o jardim da casa de uma colega de trabalho, passei perto de uma toca de corujas. A intenção era fotografá-las. Mas não deram as caras. 

Como eu tinha algum tempo livre, resolvi dar uma volta pela área, lá no bairro Copacabana. Foi quando escutei as maritacas. A princípio, estavam distantes uma da outra, mas logo se entenderam. Uma das fotos do entendimento é esta.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

(DES)APONTAMENTO 3

O medonho pensamento a seguir me ocorreu há pouco, enquanto eu tomava leite: se o Mário Henrique, o “Caixa” da Itatiaia, trabalhasse em FM, em vez de falar “caixa!”, ele falaria “Ke$ha!”.

(Isso foi atroz. Será que leite causa essas coisas na gente?)

FAZER BEM

Um dia desses escutei uma entrevista que Paul McCartney concedeu, via telefone, para uma rádio de Belo Horizonte. O início do diálogo foi mais ou menos assim:

— Hello, Paul; how are you?
— Hi, I’m terrific.
— I’m terrific too, specially talking to you.

A conversa prosseguiu; Paul falou sobre a turnê que está realizando e sobre sua carreira. De cara, o que me chamou a atenção foi o impecável inglês do locutor.

Essa história é pretexto para que eu fale do privilégio que é presenciar algo benfeito. Assim que o locutor emitiu as primeiras palavras, logo me ocorreu o longo caminho percorrido por ele para que ele chegasse a tamanha excelência ao lidar com uma língua estrangeira, tenha o profissional morado no exterior, estudado no Brasil ou as duas coisas.

Fazer bem demanda esforço, leva tempo, dá trabalho. O regozijo de valorizar detalhes é compensador porque, assim, temos a experiência de saber valorizar e reconhecer a excelência alheia: ter a oportunidade de apreciar a maestria do outro engrandece a alma; estar diante de seu talento enobrece; presenciá-lo, escutá-lo ou decodificá-lo edifica. Quando o talento alheio incomoda, isso pode ser indício de ressentimento ou de inveja. 

A importância dada aos detalhes pode ser encarada como preciosismo por muitos. Esses desavisados às vezes se expressam com mais vigor do que aqueles que percebem as mais de dez mil sutilezas que compõem um trabalho refinado. Mas isso não significa que não haja gente escutando; não quer dizer que não haja gente prestando atenção; não significa que você não tenha, sem saber, feito alguém ascender.

De resto, ainda que você nunca tenha recebido notícia de que seu trabalho tenha feito alguém melhor, isso não é motivo para que você deixe de fazer o que faz; não é razão para que você abandone a busca pelo esmero. Primeiro, porque você pode, por diversas vezes, ter deixado de manifestar o quanto o trabalho de alguém enlevou você; segundo, porque não há como sabermos de que modo nem quando nosso trabalho chega ao outro. Esse outro pode estar a seu lado ou distante, seja no tempo, seja no espaço.

Não há como sabermos nem quando nem como nosso trabalho vai reverberar no outro. Tanto é assim que o locutor lá de Belo Horizonte nem suspeita de que o inglês dele foi uma das inspirações para que eu escrevesse este texto. O que importa é a busca pela excelência, não a preocupação com as consequências disso. Se por um lado o reconhecimento é sempre bom, por outro, não deve ser o motivo condutor das realizações. 

domingo, 12 de maio de 2013

"SOMOS TÃO JOVENS"

“Somos tão jovens” (Brasil, 2013) é uma obra de ficção inspirada na juventude de Renato Manfredini Júnior, o Renato Russo. O diretor é Antonio Carlos da Fontoura. Thiago Mendonça, que interpretou o Luciano, da dupla Zezé di Camargo e Luciano, no filme “Dois filhos de Francisco”, é Renato Russo em “Somos tão jovens”.

Devido a uma birra boba, raramente assisto a cinebiografias. Por causa dessa bobeira, entrei no cinema sem botar muita fé em “Somos tão jovens”. Contudo, logo na abertura, deixei-me levar pelo belo arranjo de “Tempo perdido”, canção de que extraíram o título do filme.

Antonio Carlos da Fontoura achou o tom ao contar, na visão dele, como o jovem Renato tornar-se-ia o Renato Russo: o filme está cheio de piscadelas para os fãs mais inveterados, sem ao mesmo tempo deixar de elucidar para os não iniciados a trajetória juvenil do vocalista do Legião Urbana.

O filme teve a colaboração de Carmem Manfredini, irmã do Renato (logo no começo, depois que ele cai da bicicleta, ela aparece rapidinho,  socorrendo--o). Ainda no começo, ele, de cama, vítima de epifisiólise, mergulha em leituras, discos e devaneios. Tais mergulhos mostrar-se-iam profícuos no futuro.

Algumas pessoas me disseram que não gostaram do modo como retrataram o primeiro show da Legião, que foi realizado aqui em Patos de Minas, no dia cinco de setembro de 1982. Philippe Seabra, ex-integrante da Plebe Rude, está na pele do prefeito local, que era Dácio Pereira da Fonseca.

As cenas desse primeiro show foram rodadas em Paulínia/SP. Os que não gostaram como Patos foi retratada alegam que a cidade teria sido mostrada de modo caipira e caricato. Contudo, suponho que era essa a impressão que a cidade deveria causar naquele tempo (e talvez ainda cause). As cenas, breves e de enquadramentos fechados, não me incomodaram.

No filme, em companhia do prefeito durante o show, há uma atriz que interpreta, suponho, a Rainha do Milho (concurso de beleza realizado anualmente no mês de aniversário de Patos de Minas) da época — Denise de Oliveira Braz. Contudo, mesmo isso não tendo importância, levando-se em conta que é uma história de ficção, ainda que inspirada num personagem real, preciso confirmar se o prefeito e a Rainha do Milho estiveram presentes no show.

Marcos Bernstein é o responsável pelo roteiro, que teve a consultoria de Carlos Marcelo, autor do livro “Renato Russo — o filho da Revolução”. “Somos tão jovens” tem pitadas de humor e acerta em não endeusar a figura de Renato Russo. Quanto ao contexto, é um barato ver retratados, de um lado, a efervescência dos jovens roqueiros burgueses de Brasília naquela época, e, de outro, o tédio de que padeciam, num país assolado pela ditadura militar. “Somos tão jovens” é verossímil e tem atuação primorosa de Thiago Mendonça.

sábado, 11 de maio de 2013

CONTO 63

Maísa, no fundo, nutria uma dor que ela fingia querer esquecer. Não era uma dor lancinante; Maísa mal se apercebia dela. Por isso mesmo, era suportada e candidamente mantida. Uma dor presente como canção que fica de leve na cabeça enquanto se executa uma tarefa qualquer. Num vinte de julho, sem que Maísa se desse conta, a dor, por fim, foi embora. Não por decisão de Maísa, mas, sim, porque, ela, a dor, quis partir. 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

CONTO 62

Diante do palco em que Paul McCartney estaria em instantes, João Paulo acabou se lembrando do Bruno Gouveia, do Biquíni Cavadão: certa vez Bruno disse em entrevista que ele e a esposa, antes de se conhecerem, estiveram no primeiro show que Paul fez no Brasil. Num devaneio, João Paulo imaginou se sua futura esposa estaria em meio às cinquenta e três mil pessoas que assistiriam ao show, prestes a começar. João Paulo casar-se-ia com Naiara, que curte MPB. E não estava no show do Paul.

terça-feira, 7 de maio de 2013

FOTOPOEMA 313

CENI

Somente ontem vi o quanto Rogério Ceni se adiantara na cobrança de pênalti do Pato: Rogério Cênico. Isso até faz com que eu me lembre daquela canção do Sempre Livre: 

“Mas quando você chega cínico
“Sorrindo e cheio de jogo cênico
“Eu erro o passo
“Perco o compasso”...

CAMPUS DA UFU EM PATOS DE MINAS

A localização definitiva da UFU em Patos de Minas ainda não foi definida. Em novo capítulo da história, foi sugerida a instalação do campus local da universidade num terreno que fica próximo à Escola Agrícola. Minha sugestão é que tal campus seja instalado em Paris. Afinal, por aqui, é comum dizerem: “É Patos ou Paris”...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

POR QUE ME TORNEI UM IMBECIL

Tornei-me um imbecil porque tenho perdido a capacidade de me emocionar. O ápice disso foi no sábado, quatro de maio. Eu estava a poucos passos de um artista que faz parte de minha vida desde a infância. Quando Paul McCartney anunciou oficialmente o fim dos Beatles, em março de 1970, eu não havia nascido ainda (eu nasceria em outubro daquele ano). Mas ele faz parte do lado musical da minha vida.

Ainda é nítido na lembrança eu pedir para meu pai colocar uma das músicas da carreira solo de McCartney. Como eu não sabia falar o nome dela, eu falava mais ou menos assim: “Pai, coloca aquela do ‘rô’, ‘rê’, ‘rô’”. Sim, eu me referia a “Mrs. Vanderbilt”. Ela foi uma das faixas executadas no show realizado por McCartney no Mineirão, em Belo Horizonte.

Também me lembro de um baile a que fui no Ponte de Terra, em Carmo do Paranaíba, na segunda metade da década de 80. O Evandro Fontes, que na época era locutor de rádio por lá, foi quem me convidara para a festa, que contaria com show da banda de baile Phendas. Ao fazer a abertura do evento, o Evandro disse que tocaria uma música; achei estranho, pois não havia nenhum instrumento com ele. Foi quando então retirou uma gaita do paletó e tocou “Let it be”, que, claro, também fez parte do repertório do show em BH.

Lembro-me também de ter escrito à mão, ainda adolescente, várias letras dos Beatles em folhas de caderno. Dentre elas, “Get back”, que McCartney também cantou no Mineirão... Quando ele cantou “Your mother should know”, lembrei-me do Pedro Paulo Niffinegger Silva, um amigo que certa vez me disse que gosta dessa canção.

Lembro-me de meu pai comentar comigo, enquanto ele me levava de bicicleta a algum lugar, quantas vezes o “na na na... Hey, Jude” é repetido na gravação original (ele disse que contara). Obviamente, a canção foi executada durante o show.

Eu poderia escrever todo um texto sobre minhas várias lembranças com o universo dos Beatles. Mas esta crônica é sobre minha incapacidade de ter me emocionado durante o show de McCartney em BH. Eu deveria ter pulado, gritado e chorado, exatamente tal qual fez a adolescente que estava a meu lado, que cantou to-das as letras.

Para não dizer que passei incólume pelo show, fiquei emocionado não devido a uma canção, mas quando ele disse pela primeira vez “trem bão, sô” (ele voltaria a repetir a expressão posteriormente).  Além da emoção que senti, foi engraçado olhar para a cara que ele fez ao dizer a expressão, bem como escutá-la cheia de sotaque.

É estranho: essa minha tola apatia esteve comigo mesmo antes de eu entrar no Mineirão: não houve expectativa, eu não estava vibrante como deveria estar. Terminado o espetáculo, saí sem compartilhar do óbvio entusiasmo no ambiente. Se o show tivesse sido um fiasco, eu teria razão para a indiferença.

Deixei o local preocupado com meu crescente embotamento, por ser algo que vem se insinuando cada vez mais. Para os amigos que perguntaram, acabei dizendo que gostei, para não cortar o barato nem ter de explicar por que não gostei. Se eu tiver a oportunidade de conferir um show dos Rolling Stones, coisa que eu sempre quis, que eu seja ou esteja menos tolo.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

AO TELEFONE (peça teatral em um ato)

Ela — Que saudade...

Ele — Eu só queria te dizer que eu te...

(A ligação cai neste momento: toda história de amor tem começo, meio e Tim.)

TRAJETÓRIA

Ah, aqueles dois.
Vivem mais uma história.
E toda história de amor
tem
começo,
veio
sim. 

FOTOPOEMA 312

IRMÃS GALVÃO

Certa vez, as Irmãs Galvão concederam entrevista para o Jô Soares, quando ele ainda estava no SBT. Conversa vai, conversa vem... Num determinado momento ele pergunta:

— Vocês são casadas?

Uma delas responde prontamente:

— Não: irmãs... 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

SÃO PAULO 1 x 2 ATLÉTICO

O que é o futebol: o São Paulo, jogando principalmente pela direita, mandava na partida que terminou há instantes, no Morumbi: um acuado e tímido Atlético era bombardeado pelo time paulistano, que perdeu várias oportunidades de gol no primeiro tempo; marcou um.

Aos trinta e quatro minutos, o zagueiro Lúcio, do São Paulo, foi expulso, após falta sobre Bernard. A partir daí, o concentrado e aguerrido São Paulo foi se desfazendo. Aproveitando o momento, o próprio Bernard bateu escanteio e Ronaldinho escorou de cabeça, assinando o empate da equipe mineira.

No começo do segundo tempo, conseguindo ficar com a bola nos pés, talvez por finalmente ter achado alguma calma, o Atlético cadenciou a partida, que no primeiro tempo teve um veloz São Paulo. A tática funcionou: a virada viria aos treze.

Foi um belo jogo. No primeiro tempo, domínio do São Paulo; no segundo, do Atlético, que ainda não perdeu jogando no reformado Independência. Isso enche de otimismo o torcedor preto-e-branco.

UMA PONTE


Ponte sobre o Rio Paranaíba, em Patos de Minas/MG. 

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (72)

A intenção era tirar uma soneca durante o fim da tarde. Quanto me deitei, percebi que o sol, passando pela janela, projetava sombras na parede. Mas antes de passar pela janela, ele passava pelos galhos de algumas árvores que ficam num lote próximo daqui. Achei curioso, o “desenho” que sol, galhos e folhas lançavam sobre a parede. Cancelei a soneca e fiz a foto.

domingo, 28 de abril de 2013

URT 2 x 1 PATROCINENSE


















Num jogo dramático, a URT venceu, de virada, a Patrocinense, em jogo no estádio Zama Maciel, aqui em Patos de Minas. Com o resultado, o time patense está na liderança do módulo dois do campeonato mineiro.

Ainda no primeiro tempo o Patrocinense teve um jogador expulso. Contudo, eficaz, acertara um belo chute aos dez do primeiro tempo; bomba de Paulinho Belém (ele é o jogador que seria expulso). A partir daí, a URT, em insistentes e ineficazes chuveirinhos, era sempre barrada pelas mãos do goleiro do Patrocinense — ele sai muito bem do gol.

Ainda assim, a reação da URT se concretizou no segundo tempo. Leandro Bocão empatou aos vinte e três. A virada viria por intermédio de Martinês, aos trinta. O goleiro da Patrocinense, que tão bem vinha saindo da meta, falhou nesse lance.

Contudo, a partida reservaria lances de emoção, pois embora com um jogador a menos, a equipe de Patrocínio criou oportunidades de gol. Com o resultado, no próximo fim de semana, caso a URT consiga vencer a Patrocinense, lá em Patrocínio (tarefa árdua), a equipe patense estará classificada para a primeira divisão do campeonato mineiro.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

(DES)APONTAMENTO 2

É natural haver falhas no corpo docente e no corpo discente. Mas a política ajudaria muito, formando um corpo decente.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

THE LONELY NIGHT

Um dos maiores privilégios é trabalhar com aquilo de que se gosta. Nesses casos, o trabalho se torna diversão, é como se deixasse de ser trabalho — mesmo sendo. Não há padecimento, não há o contar dos minutos para o fim do expediente; há “apenas” aquilo de que se gosta...

A digressão acima é por conta de um vídeo a que assisti há minutos: é de autoria de Colin Rich. Moby, produtor, DJ, cantor, instrumentista e compositor utilizou as imagens de Rich para “ilustrar” a canção “The lonely night”.

Fico cogitando quantas foram as horas de filmagens para que o vídeo fosse produzido: repare que o ritmo é lento, com imagens de longas exposições, as quais acabam produzindo um belo espetáculo. As longas horas de exposição nos dão uma ideia global da beleza que são os movimentos sutis da natureza.

Encerrando a digressão, fico a imaginar o prazer que deve ter sido para Colin Rich criar o vídeo. Quanto à canção, ainda que você não goste dela, não deixe de se deliciar com as belas, requintadas e poéticas imagens do filme.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

SOBRE CORES E LATIDOS

Desculpem-me por voltar à questão do verbo “latir”: é que já postei que, para esse verbo, existe a forma “eu lato”. Contudo, não há, segundo a norma culta, “eu coloro”.

Eu posso latir — mas não posso colorir...

terça-feira, 9 de abril de 2013

SOBRE CACHORROS E HOMENS

Hoje, descobri que o verbo “latir” pode ser conjugado na primeira pessoa do presente do indicativo. Ou seja: pode-se dizer “eu lato”. Latamos, pois. 

domingo, 7 de abril de 2013

OLVIDO

No fim,
para o que sou
e para todos,
serei apenas oblívio.

APONTAMENTO 180

Algumas coisas são importantes. Com elas, devemos ser criativos.

CIRCUNLÓQUIO

Para que chamemos de encontro,
não nos contentamos com o mesmo agora.
Bastasse o mesmo agora,
estamos agora no mesmo planeta
ou na mesma cidade.

Chamamos de encontro
o mesmo aqui.

Vem aqui...

GERMINAL

Uma ideia brotou.
Se você lê isto,
não a deixei na gaiola...

quinta-feira, 4 de abril de 2013

(DES)APONTAMENTO 1

Jogando futebol, Higuita, ex-goleiro colombiano, era macondiano. 

APONTAMENTO 179

Algumas pessoas fazem bem para a alma. A beleza faz bem para a alma. As pessoas que fazem bem para a alma são belas.

APONTAMENTO 178

Uma foto, digamos, pode ser um convite à reflexão, o que é, em última instância, um convite à filosofia. Uma foto, digamos, pode ser um convite à poesia, o que é, em última instância, um convite à beleza. 

APONTAMENTO 177

Ser universal é extrair algo do meio em que estamos, seja ele qual for, não importa onde estejamos. Algo que fale a todos os homens, não importa onde estejam, embora nem todos saberão reconhecer a universalidade.

terça-feira, 2 de abril de 2013

ROUPAGEM

O legal mesmo 
de se arrumar 
para uma pessoa 
é ser desarrumado 
por ela depois... 

Acabei de me 
arrumar para você...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

sábado, 30 de março de 2013

VAIDADE

Esse tem a vaidade do corpo.
Aquele, a do intelecto.
Aquele outro, a do
corpo e a do intelecto.
Este não tem vaidade —
deixou a vida há pouco.

quinta-feira, 28 de março de 2013

CONTO 61

Teodoro ficaria desolado se Úrsula um dia chegasse e pensasse não haver ninguém em casa. Para que assim não fosse, ele, à noite, estando em casa, deixava a luz da varanda acesa. Assim foi durante cinco anos, dois meses e dezoito dias. Um dia, rendeu-se: foi quando Úrsula foi até a casa dele. Tudo escuro. Ela, então, acendeu a voz.

terça-feira, 26 de março de 2013

PAPA FRANCISCO

A postura aparentemente simpática e humilde do papa tem sido elogiada até por não católicos, apesar de ter sido divulgado que o padre teve proximidade com a ditadura argentina. Mas ainda é cedo para se julgar o trabalho dele.

À parte isso, os que o têm elogiado destacam o que parece ser um despojamento do pontífice: ele foi filmado aproximando-se de fiéis na Praça São Pedro; divulgou-se que, por enquanto, quer permanecer em residência simples; jardineiros e faxineiros do Vaticano assistiram a missa celebrada por ele.

Não li ninguém dizendo que a abordagem de Francisco pudesse ser, digamos, populista (se alguém disse isso, não tomei conhecimento). Partindo-se do pensamento de que ele não está fazendo um teatrinho ao se aproximar do povo ou ao passar a impressão de ter um estilo menos pomposo do que seus antecessores, ele estaria “simplesmente” fazendo o que se espera de um papa...

Dito de outra maneira, sempre levando-se em conta que as atitudes dele não são movidas por uma espécie de politicamente correto católico, Francisco estaria, quem sabe, tentando exercer um apostolado mais próximo daquilo que o catolicismo prega em palavras: uma vida simples, despojada.

Pode-se argumentar que esse despojamento papal seria uma das estratégias da igreja católica na tentativa de se estancar a debandada de fiéis que tem ocorrido. Se for esse o caso, ainda assim tal estratégia não deixa de ser acertada. Obviamente, não é o bastante: em julho, estrategicamente, o papa estará no Rio de Janeiro, na Jornada Mundial da Juventude.

segunda-feira, 25 de março de 2013

COSMOPOLITA

Minha terra é meu material.
Piso o mesmo chão há décadas.
Sei que há beleza lá fora,
mas a beleza que visito é aqui.
Cosmopolita sem viagens, 
paro, observo, olho em torno.
Quero tornar universal o agora.
Se a beleza não salta aos olhos,
a gente olha de novo e a inventa.

sábado, 16 de março de 2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

FOTOGRAFIA E ÁGUA

A ideia de que a fotografia “congela” um instante que não mais se repetirá é clichê — mas que não deixa de ser rico. A rigor, nenhum instante jamais se repetirá: o futuro é feito de inexoráveis ineditismos.

Entretanto, sempre que fotografo a água, é como se o caráter único de cada instante fosse ainda mais retumbante. É como se eu percebesse tal ineditismo com mais vivacidade quando “congelo” o movimento dela. Num átimo anterior, a “escultura” feita por ela era uma; num átimo posterior, estaria modificada. A unicidade desta “escultura” é o que fica, registrada na imagem...

Tirei essas fotos quando vi que um cano se rompera, na Olegário Maciel, de modo que a água jorrava com profusão. Passando pelo local depois de ter saído do trabalho, corri aqui em casa e peguei a câmera. Ao voltar para lá, o jorro prosseguia. Antes de chegarem para consertar o vazamento, pude tirar umas dez fotos.




terça-feira, 5 de março de 2013

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

FOTOGRAFIA: EQUIPAMENTO NÃO É TUDO — MAS AJUDA


Eu já escrevi que a sensibilidade e o olhar são mais importantes do que o equipamento quando se trata de fotografar. Mas seria bobagem dizer que o equipamento não ajuda. A fim de ilustrar a questão, imagine estas duas situações: uma pessoa com um baita equipamento, e que não tenha o tino para fotografar; uma outra pessoa com um equipamento inferior, mas que tenha o talento para a fotografia.

Dependendo do que forem fotografar, aquele com o equipamento inferior terá uma foto “melhor” (digito entre aspas porque “melhor” pode ser questão de preferência). Em contrapartida, dependendo do que forem fotografar, só um equipamento apropriado permitiria a feitura da imagem. Num mundo ideal, o talento e o equipamento estarão juntos. Mas o mundo nem sempre é um lugar ideal...

Quando a fotografia é um “hobby” e a pessoa é iniciante, é natural que ela se pergunte qual a melhor lente, qual a melhor câmera... Só depois a gente aprende que não há a melhor lente nem a melhor câmera: depende do que se vai fotografar, depende do que se quer com a fotografia. Só que quando somos iniciantes, ainda não desenvolvemos preferências, gostos... Ainda não educamos nosso olhar para um determinado tipo de fotografia.

Caso se trate de alguém que queira começar profissionalmente na fotografia, é natural que essa pessoa já compre um equipamento que permita a ela fazer o tipo de foto com que ela pretende lucrar. Mas e no caso daquele que pretender ter a fotografia como “hobby”?...

Busque a informação. Não somente pela internet: converse com fotógrafos, pergunte. Quando a pessoa é iniciante e me pede opinião, geralmente indico uma das compactas que há no mercado. Para o iniciante, a vantagem delas é permitir a ele ter uma ideia do que é fazer uma série diversificada de fotos: o macro delas é muito bom (a que uso, por exemplo, permite que, literalmente, encostemos a lente no assunto a ser fotografado) e a extensão focal da lente é longa o bastante para se fotografar, por exemplo, aves.

Ora, se o macro é excelente e a extensão focal é longa o bastante, tem-se, pois, a impressão de que as compactas reuniriam tudo aquilo de que alguém precisaria para fazer quase qualquer tipo de foto. A resposta é: sim e não...

Para quem não tem interesse em produzir registros profissionais, as compactas são mais do que o bastante. Além do mais, algumas delas têm a opção de se tirar fotos em RAW, que é superior ao JPEG. Se for adquirir uma compacta, prefira uma que fotografe em RAW, e que tenha a opção de fotografar no manual.

Entretanto, elas geralmente têm uma qualidade ótica inferior, foco mais lento (o que deixa o fotógrafo na mão quando ele precisa de rapidez), muito “ruído” quando o ISO está alto e uma extensa lista de detalhes que não comentarei aqui, por não ser a intenção do texto. Mas repito: se seu objetivo não for produzir imagens de nível profissional, as compactas são uma bela aquisição. Com sensibilidade e conhecimento técnico, belas imagens podem ser produzidas com tais câmeras.

Contudo, se o seu desejo é produzir imagens de nível profissional, ainda que como “hobby”, uma semiprofissional (ou mesmo uma profissional) é a melhor compra. A desvantagem delas é que temos de comprar uma série de itens para que extraiamos delas tudo o que elas podem oferecer: lentes, “flash”, cabo disparador, cabo para o “flash”...

Com as semiprofissionais ou superiores (ambas conhecidas como DSLR), há a possibilidade de se trocar a lente. Assim, nesse caso, não existe uma lente “melhor”: existem lentes adequadas para determinado assunto: para a fotografia de assuntos menores (insetos, detalhes das coisas), uma lente macro; para a fotografia de aves e assuntos distantes, uma lente de longa extensão focal; para a fotografia de eventos, uma lente que tenha ao mesmo tempo uma grande angular legal e uma extensão focal razoável... (Assim, no caso das DSLR, é bom que a pessoa tenha em mente que tipo de foto ela pretende fazer em sua maioria. Se ela ainda não sabe, seria bom começar com uma compacta.)

Caso se decida por fotos de aves, por exemplo, o próximo passo é escolher que lente cabe em seu orçamento. As DSLR têm custo mais elevado, e há ainda os acessórios que podem ser acoplados nelas. A não ser que você tenha a grana para comprar tudo de uma vez, muitas vezes a solução é ir adquirindo os produtos aos poucos. Se a grana é curta, pesquise uma DSLR que caiba no bolso e uma lente que atenderia ao tipo de foto que você pensa em fazer.

Se me perguntassem, eu diria que fotografar com uma DSLR é muito melhor do que fotografar com uma compacta. Mas repito — sem querer “iludir”: é possível fazer imagens louváveis com uma compacta. Digo sem empáfia tola: há fotos minhas à venda em banco de imagens que foram tiradas com uma compacta.

A título de curiosidade, decidi inserir estas duas fotos nesta postagem: uma delas foi tirada com uma compacta; a outra, com uma DSLR. A intenção é mostrar que não há diferença de qualidade gritante. A grande diferença, a gente a sente no ato de fotografar.

Que este texto tenha sido útil. Tentei não soar técnico demais; espero ter conseguido isso, bem como espero ter sido claro. Em caso de dúvida, sinta-se à vontade para entrar em contato. Valeu.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

FOTOPOEMA 308

ÁGUAS

Sou muito repetitivo. Exatamente por isso, repito: a água é um grande assunto para a fotografia.

Há alguns dias, postei fotos em que há água corrente; são imagens de longa exposição. Conforme comentei, a intenção era causar o que chamam de efeito “leitoso” na água; esse efeito é também chamado de “véu de noiva” — em especial quando se trata de foto de cachoeira.

A técnica não é o mais importante na fotografia. Entretanto, ela é útil para que o fotógrafo possa concretizar aquilo que é sua intenção. A técnica permite a realização do que a sensibilidade ou o pensamento pretendem. O equipamento também ajuda (mas isso é assunto para outra postagem).

Estas fotos foram feitas hoje, um pouco antes das 17h, enquanto chovia por aqui. Minha intenção era “congelar” o movimento da água da chuva que batia na beirada do telhado. Para isso, é necessário usar o que em fotografia se chama de velocidade alta.

Na “foto 1” (cada foto tem seu número sobre ela), usei a velocidade de 1/3200. Isso significa 1 segundo dividido por 3.200. Tente imaginar o intervalo de um segundo dividido por 3.200. Esse tempo ínfimo foi a “duração” da “foto 1”; foi o tempo que a luz teve para chegar ao sensor da câmera.

Como a “duração” da imagem foi mínima, usei, nas três imagens, um “flash” acoplado ao equipamento para compensar a pouca luz; o dia estava nublado e eu estava dentro de casa, próximo à janela da cozinha, quando tirei as fotos. Além do mais, a luz do “flash” também ajuda a “congelar” o movimento. Por fim, a pouca luz se devia também à velocidade alta.

Antes mesmo de realizar as fotos, eu tinha em mente o que fazer. Os registros já haviam sido concebidos em pensamento antes de o obturador ser apertado. É nesse sentido que a técnica é uma aliada, embora dela não devamos ser escravos. A sensibilidade, o olhar e o nosso modo de enxergar o mundo, as coisas, as pessoas e a nós mesmos é mais importante.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

BOBAGEM



Pessoas, eis a canção “Bobagem”, uma parceria entre mim e a Lizandra.

O primeiro contato que tive com o trabalho dela foi num festival de músicas inéditas realizado aqui em Patos de Minas. Na ocasião, ela estava acompanhada pela irmã, Andressa.

Depois, eu e a Lizandra passamos a manter contato via internet. Certa vez, tive a oportunidade de conferir apresentação dela e do Xande (Alexandre Soares) num bar local. Ele, guitarra; ela, voz e violão. Trocamos algumas palavras, mas nada dissemos sobre uma possível parceria musical.

Um dia desses, propus a ela, na maior cara de pau, que tentássemos compor algo. Ela topou na hora. Enviei a letra e ela a musicou. O áudio está nesta postagem, bem como a letra.

Para mim, foi um privilégio ter algo meu musicado por ela. A você, Lizandra, muito obrigado pela oportunidade. Valeu muito.

LETRA DE MÚSICA (36)

Uma canção não é só a história que ela conta.
Numa canção pode haver a nossa história,
a história deles e a história de tantos outros.
Numa canção, eu canto e danço a nossa história.
Uma canção é memória, é som e sonho.
Não foi feita para nós, mas nossa se tornou porque
nela compusemos lembranças, desejos e acordes.
É nossa porque criamos algo nosso em nossa trilha.

WALT WHITMAN

Qualquer aspecto negativo pode ser tema para a arte. O livro “As relações perigosas” depõe contra o gênero humano, ao revelar a sordidez de que somos capazes; nem por isso deixa de ser uma obra magistral. Em contrapartida, a alegria ou qualquer outro aspecto positivo também é material para a arte.

Gosto muito daquela ideia do Whitman de agregar a humanidade. Aquela ideia de que não importa quem você seja ou de onde você venha, você é gente como eu. Não importa sua grana, não importa a cor de sua pele, não importa seu emprego, não importa se nunca vi você. Paira em Whitman algo assim: somos gente; quem sabe a gente pode trocar uma ideia?... É a literatura da ideal sintonia entre nós, apesar da falta de sintonia a imperar em toda parte.

Se por um lado há algo de genuinamente estadunidense na obra do poeta, por outro, há um tom universal que conclama a uma unidade e a nos vermos, todos nós, como integrantes de um só povo ou de uma só espécie, compartilhando uma jornada. A ideia é simples, e na pena do poeta, emocionante e nobre.

MAMORÉ x URT

Ontem, tive a oportunidade, pela primeira vez, de fotografar uma partida de futebol à beira do gramado. Eu não tinha nem ideia da dimensão exata do gol, acostumado a assistir aos jogos nas arquibancadas. E foi muito bom acompanhar os bastidores da partida mais de perto. Levei minha câmera. Além dela, uma que me foi emprestada pelo Jhereh, a quem devo agradecer muito. Ele também deixou comigo uma lente 500mm e uma olho de peixe. Valeu demais, Jhereh. Por fim, agradeço demais também ao fotógrafo José Olímpio, pela assessoria dentro do estádio. A partida foi realizada em Patos de Minas/MG.