sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ENSAIO (4)

Sempre gostei de fotografar teatro. Abaixo, algumas fotos.





























UBIQUIDADE

O belo pode ser simples – 
nem toda simplicidade é bela.
O belo pode ser complicado –
nem toda complicação é bela.

Não basta ser simples para ser belo.
Não basta ser complicado para ser belo.
A erudição pode ser bela.
O folclore pode ser belo.

A preta é bela.
A loira é bela.
Belo é o número.
Bela é a palavra.

Aqui ou aí, o belo – 
beleza que não sei definir.
Quando você passa, 
sei o que é o belo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

DICIONÁRIO (24)

paço. Nada como um após o outro.

APONTAMENTO 119

Sempre gostei sobremaneira de canções executadas por corais. É que, além da música em si, num coral há várias pessoas voltadas para um só fim. Essa ideia de várias pessoas se voltarem para um objetivo sempre me atraiu. Nesse sentido, não fosse a tolice de alguns torcedores, os estádios de futebol poderiam ser um belo espetáculo.

Quando não há estupidez, um estádio de futebol também proporciona a energia de vários seres que se voltam para um fim. Se uma pessoa torce para o Zebra Vermelha e a outra torce para o Frango Verde, isso deveria ser motivo de empatia, não de burrice. Quando os dois torcedores se encontrassem, poderia pairar algo como “eu gosto de futebol, você gosta de futebol; isso é apenas uma das coisas que nos une”.

Mas bem sabemos que não é assim. Somente me permiti um devaneio utópico por lamentar o fato de que poderia haver concordância em vez de ignorância.

O pensamento da unicidade também me ocorre quando, num show, as vozes cantam determinada canção. Não bastasse a consagração que isso é para um artista, é algo que reafirma de modo forte a possível sintonia.

A ideia de haver comunhão tanto me atrai, que estendo o conceito. É que, a rigor, somos os mesmos e estamos todos aqui numa mesma viagem, a que damos o nome de vida.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CONTO 44

Bastava que Luís Flávio mexesse na tranca do portão para que Teo, o cachorro, ficasse louco: começava a pular e ia correndo para o portão. Para Teo, barulho no portão significava hora do passeio, ver gente nova... Mas o cachorro envelheceu, ficou doente. Luís Flávio aprendeu para o resto da vida o que é perder o entusiasmo quando, ao mexer no portão, viu que Teo pesarosamente levantou a cabeça e voltou a descansar o corpo fenecido.

sábado, 8 de outubro de 2011

CAIU NA REDE (80)

Pessoas, está no ar a edição 80 do programa Caiu na Rede.

domingo, 2 de outubro de 2011

CAIU NA REDE (79)

Pessoas, está no ar a edição 79 do Caiu na Rede. Para escutar, é só dar “play” aí no alto, à direita, onde está escrito “dê ‘play’ e escute o Caiu na Rede”.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

FOTOPOEMA 195

STEVIE WONDERFUL

Pela TV, acabei de assistir ao show de Stevie Wonder no Rock in Rio. De “Garota de Ipanema”, cantada em inglês por uma das cantoras do vocal de apoio e em português pela plateia (Wonder ainda arriscou as primeiras palavras de “Você abusou”, que o público tratou de completar) à participação de Janelle Monáe (que mais cedo se apresentara no festival), o show foi estupendo. Logo no início do espetáculo, só para se ter uma ideia, Wonder deitou-se no chão enquanto tocava teclado.

Um grande artista, um grande show. O repertório havia sido divulgado antes da apresentação, mas houve improviso – “Garota de Ipanema” e “Você abusou” não constavam da lista de canções a serem executadas; em “Overjoyed”, já feita a introdução, ele pediu à banda que aguardasse, e executou boa parte do sucesso sozinho, ao piano.

Talento, improvisação, carisma e um time de músicos à altura de Stevie Wonder. A alma agradece.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

SUSAN BOYLE

Quando li pela primeira vez o nome de Susan Boyle na tela do computador, não me interessei, por achar que se tratava de mais uma dessas inúmeras bobagens divulgadas diariamente nos grandes portais de internete.

Contudo, há mais ou menos um mês, enquanto eu procurava algum texto para uma aula de inglês, eu me deparei com um trecho no sítio do jornal The Guardian que me chamou a atenção: “A Susan Boyle é feia? Ou nós é que somos?”.

Atraído pela frase, li o texto (escrito por Tanya Gold), de que gostei. Mas somente ontem é que conferi o vídeo que tornou Susan Boyle conhecida. Mesmo já ciente da história, por ter lido o artigo veiculado em The Guardian, foi emocionante ter assistido à apresentação dela no “Britain’s Got Talent”, programa exibido por uma TV na Grã-Bretanha.

Britain’s Got Talent” é uma daquelas atrações sádicas em que jurados pagos para serem empafiados detonam quem não se apresenta bem. Quando Boyle entrou no coliseu, houve risos, escárnio e reprovação no ambiente.

Ela foi espontânea, foi sincera, aberta. Foi sem armadura, portando um quê de inocência, de ingenuidade. Pareceu não ter ressentimento algum contra a plateia, que a recebera com ar zombeteiro. Boyle fez o que sempre quis fazer – cantar. Ela passou por complicações durante o nascimento. As sequelas a teriam deixado com um leve dano cerebral. A despeito disso, sempre quis ser cantora profissional. 

Mesmo sem querer, Boyle desestruturou a pasmaceira. No espetáculo tolamente midiático por que somos assolados, ela deu uma porrada no maldoso, deletério e perigoso circo criado por imprensa e meios de comunicação.

A turba fez pilhéria quando Boyle chegou ao palco. Mas turbas se esbaldam em rir do que não tem graça. E ainda que tivesse, é bom que nos lembremos de Melville, que, em seu monumental “Moby Dick”, escreveu: “O homem que tenha alguma coisa de abundantemente risível a seu propósito, estai certos, há nele mais do que supondes” (tradução de Pericles Eugênio da Silva Ramos).

Susan Boyle é linda. Feios somos nós.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

CONCRETO

Na pedra se escreve.
Com pedra se escreve.

Mas será 
a pedra
morte ou 
ausência de vida?

Quem souber,
que atire a primeira...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

APONTAMENTO 119

É mais fácil sobreviver ao fracasso, à vitória ou à pachorra?...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

CAIU NA REDE (78)

Pessoas, está no ar a edição 78 do Caiu na RedePara escutar, é só dar “play” aí no alto, à direita, onde está escrito “dê ‘play’ e escute o Caiu na Rede”.

Valeu.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

DICIONÁRIO (23)

paciência. É salutar perdê-la de vez em quando.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

EM VIDA


A morte chega em cima da hora? 
Chega antes?
Chega depois?

A morte se atrasa?
Se adianta?
É sempre pontual?

A gente convida a morte sem saber que a estamos convidando?
A morte é a penetra da festa?
Ou é a anfitriã?...

Por que aos gatos são dadas sete vidas?
Quando a vida está por um fio a morte está por um triz?
Quantas vezes morro?

Por que você me matou?
Por que você não me matou?
Onde mora a morte?

Morte vem de dentro?
Vem de fora?
Escolhe ou é escolhida?

A morte é que seduz o suicida?
Qual a cor da morte?
Quanto pesa?

Há redenção na morte?
Existe morte estúpida?
A luz daqui acende a de lá?

Morte é auge ou anticlímax?
Continuidade ou interrupção?
Fracasso ou rio?

Será a morte um ponto final?
Ou um ponto de exclamação?
Ou a morte prefere as reticências?...

É uma vida diferente?
A gente se lembra da vida?
É o outro lado da moeda?

Morte é sono ou comunhão?
Descanso ou mais um passo?
Voo ou pedra?

Morte é certeza?
É ferida que dói e não se sente?
O que pergunta é a vida.

domingo, 11 de setembro de 2011

CAIU NA REDE (77)

Pessoas, está no ar mais uma edição do programa Caiu na Rede. O entrevistado desta edição é o arquiteto Rogério Pina, que falou sobre música, literatura, arquitetura, cinema...

Somente depois de terminada a gravação, é que nos demos conta de que poderíamos ter falado também de futebol e de Billie Holiday. Rogério Pina é fã da cantora, de quem quase nada falamos, embora ela tenha sido uma das escolhidas na seleção musical do arquiteto, que também curte futebol.

Mas já que há conversas as quais não foram registradas, isso é motivo para que Rogério volte ao programa, para que falemos de música, HQs, futebol, Billie Holliday e outras artes.

Para baixar o programa, gentileza clicar aqui.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

CURSO DE FOTOGRAFIA BÁSICA

Pessoas, em breve, vou ministrar mais um curso de fotografia básica. Caso tenham interesse em participar, gentileza enviarem e-mail para contato@liviosoares.com .

sábado, 3 de setembro de 2011

CAIU NA REDE (76)

Pessoas, está no ar a edição 76 do programa Caiu na Rede. O entrevistado desta edição é Luís André Nepomuceno, que lança no próximo 10 de setembro (ver convite em postagem abaixo) o livro “Histórias abandonadas”.

Luís André, que já havia concedido, via e-mail, entrevista para este blogue, é professor, ensaísta e escritor. “Histórias abandonadas” é seu quarto livro de ficção.

Agradeço demais ao Luís André pela entrevista e pela predisposição em gravar o Caiu na Rede, no que foi uma divertida e agradável tarde de sábado.

Para baixar a entrevista, clique aqui.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

APONTAMENTO 118

O otimista acha que o mundo tem jeito; o louco quer dar jeito no mundo.

LUÍS ANDRÉ NEPOMUCENO LANÇA LIVRO NO PRÓXIMO DIA 10

Pessoas, abaixo, convite para o lançamento do livro “Histórias abandonadas”, de Luís André Nepomuceno, que já concedeu entrevista para este blogue.

Brevemente, Luís André Nepomuceno será entrevistado no Caiu na Rede – embora ele ainda não saiba disso...


sábado, 27 de agosto de 2011

CAIU NA REDE (75)

Pessoas, a edição 75 do Caiu na Rede está no ar.

FELICIDADE

Felicidade
em pó,
em frascos.

Felicidade
líquida,
cheirosa.

Felicidade
sobre rodas
ou num avião.

Felicidade
financiada,
emprestada.

Felicidade
aparente,
bem-vestida.

Felicidade
no shopping,
no banco.

Felicidade
que supomos
no outro.

Felicidade
que maquia
toda a cara.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CAIU NA REDE NO BLOGUE SEM ROTEIRO

Pessoas, a partir de agora, o Caiu na Rede pode também ser escutado no blogue Sem Roteiro, de Marina Mundim.

Marina foi minha aluna no curso de Letras. Na época, eu já mantinha o Liviano, e frequentemente eu pedia aos alunos que conferissem o blogue.

Estou praticamente certo de que não conferiam. Se conferiam, não deixavam comentários. Como eu não sabia se conferiam, fiquei surpreso quando a Marina entrou em contato dizendo que havia iniciado um blogue.

A ela, muito obrigado por veicular o Caiu na Rede, que pode ser conferido também nos blogues da Bruna e do Pablo.

domingo, 21 de agosto de 2011

CAIU NA REDE (74)

Pessoas, a edição 74 do Caiu na Rede está no ar. Para escutar, é só dar “play” aí no alto, à direita, onde está escrito “dê ‘play’ e escute o Caiu na Rede”.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

ENSAIO (3)

No dia 16 de julho de 2006, estive em São Tomé das Letras/MG. A cidade fica na Serra da Mantiqueira, a 1444 metros do nível do mar. A vista que se tem quando se está lá é muito bonita.

Abaixo, algumas fotos que tirei no local. Aproveito para dedicar este pequeno ensaio a meu amigo Adriano Rodrigues. Graças a ele, que mesmo já conhecendo a cidade me levou até lá, tive a oportunidade de conhecer o lugar.












quarta-feira, 17 de agosto de 2011

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ENSAIO (2)

Abaixo, Bárbara, minha sobrinha. No fim de semana, fizemos algumas fotos, num clima divertido. Quando já estávamos saindo para fazer as imagens, ela se lembrou da guitarra.

Estas fotos compõem o segundo ensaio que publico neste blogue. Para conferir o primeiro, gentileza clicar aqui.











CAIU NA REDE (73)

Pessoas, a edição 73 do Caiu na Rede está no ar. Para escutar, é só dar “play” aí no alto, à direita, onde está escrito “dê ‘play’ e escute o Caiu na Rede”.

NECESSIDADE

Se a palavra me abandonar, 
apelo para a sedução. 
Se ela insistir em ir embora, 
então eu a pego no laço, 
puxo pelos cabelos, 
imponho obediência. 

Se for preciso, delicadeza.
Se necessário, força.
Ou uma força delicada.
Ou uma delicadeza forte.

Posso me valer
de simpatia,
de imposições,
de truques,
de sinceridade:
sem palavra, 
eu não sou. 

QUASE

Entre o nada 
e o tudo eu 
me tornei o quase. 
Sou quase nada, 
quase tudo. 
Entendo de quase. 

Nada sei, 
tudo quis. 
Meu nome é Quase. 

Nem norte nem sul. 
Nem chique nem brega. 
Nem certo nem errado. 
Sou feito de quase. 

Quase matéria. 
Quase espírito. 
Aprendi a ser quase. 

Quase mi, 
quase sol, 
quase lá, 
quase si... 
Que dó... 

Quasar é meu verbo.