quinta-feira, 29 de julho de 2021
Fotopoema
terça-feira, 20 de julho de 2021
O som da palavra
segunda-feira, 19 de julho de 2021
Todo dia
sexta-feira, 16 de julho de 2021
Casca de banana
quarta-feira, 14 de julho de 2021
Desejo
Velha ineficácia
sábado, 10 de julho de 2021
Números
sexta-feira, 9 de julho de 2021
Luz, penumbra, sombra
O “guru” e o “messias”
quarta-feira, 7 de julho de 2021
Reescrevendo
segunda-feira, 5 de julho de 2021
Possível, é...
sexta-feira, 2 de julho de 2021
Quanto vale a "fé"
quinta-feira, 1 de julho de 2021
Wizard
quarta-feira, 30 de junho de 2021
Mãos impuras
Comoção 2
Comoção 1
sábado, 26 de junho de 2021
Nos braços do inimigo
sexta-feira, 25 de junho de 2021
Existe alternativa
terça-feira, 22 de junho de 2021
Êxito
Vacinados contra a covid assistem a show
domingo, 20 de junho de 2021
Meio milhão
Macabro
quinta-feira, 17 de junho de 2021
Voto
Quedas
Uso
segunda-feira, 14 de junho de 2021
Ativismo de “hashtags”
sábado, 12 de junho de 2021
Sobre homens e criaturas dos mares
sexta-feira, 11 de junho de 2021
O primeiro mentiroso
domingo, 6 de junho de 2021
João Inácio
sexta-feira, 4 de junho de 2021
Delírio
segunda-feira, 31 de maio de 2021
Copa América (2)
Rita
Copa América
domingo, 30 de maio de 2021
Quando não ser notícia é bom
domingo, 23 de maio de 2021
Apontamento
Apontamento
sábado, 22 de maio de 2021
“Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”
quinta-feira, 20 de maio de 2021
Apontamento
quinta-feira, 13 de maio de 2021
Diálogo pedagógico (4)
Analclézio
sexta-feira, 7 de maio de 2021
Vanidade
quarta-feira, 5 de maio de 2021
Em Patos de Minas
Diálogo pedagógico (3)
Diálogo pedagógico (2)
segunda-feira, 3 de maio de 2021
Diálogo pedagógico
sábado, 1 de maio de 2021
Guedes
Ovelha
Orquestra de Ouro Preto executa canções do A-Ha
terça-feira, 27 de abril de 2021
Haicai
quinta-feira, 22 de abril de 2021
A mais gostosa e iluminadora solidão é a que se tem no banheiro
De pai para filho
Burocracia
segunda-feira, 19 de abril de 2021
Leda Nagle
sábado, 17 de abril de 2021
Ilha de Vera Cruz
quinta-feira, 1 de abril de 2021
José e Maria
sábado, 20 de março de 2021
Precocidade
sexta-feira, 19 de março de 2021
Zé
quinta-feira, 18 de março de 2021
Trilogia “minha especialidade é matar”
quarta-feira, 17 de março de 2021
Consequências
Visitação
O julgamento
quinta-feira, 11 de março de 2021
Cadê a máscara?
quarta-feira, 10 de março de 2021
Maia
terça-feira, 9 de março de 2021
Entupidos
Fisiológico
sábado, 6 de março de 2021
“Remédios”
quinta-feira, 4 de março de 2021
Sem leme
quarta-feira, 3 de março de 2021
Mais chicotadas por favor
terça-feira, 2 de março de 2021
Carros e cinema
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021
O velho neoliberalismo
Efeitos
sábado, 20 de fevereiro de 2021
Apontamento
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
Outros dois brasileiros
Casa
Instâncias de uma torneira
terça-feira, 16 de fevereiro de 2021
Todos
sábado, 6 de fevereiro de 2021
Ilusão
Os que apoiam o governo genocida têm a ilusão de que a vida deles é importante para o governo genocida.
Dois brasileiros
José ofereceu caixas de ivermectina para Pedro. José garante que não teve covid porque tomou o remédio. Disse ter achado um absurdo o laboratório que fabrica o medicamento ter dito que ele não funciona contra a covid. Pedro concordou. Comprou metade do estoque de José.
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
Lista de compras
— Hoje é dia de compras, tá ok? Lê a lista. Não quero que falte nada.
— Alfafa, chiclete, geleia de mocotó, picolé, sagu, vinho.
— Beleza.
— É pra comprar vacina também?
— Não. Nada de gastar com coisa inútil.
Haicais
Milhões em leite condensado.
Gritou que era pouco.
_____
Na lista, alfafa.
O ruminante engole.
A milícia se safa.
Haicai lácteo
Não adianta chorar sobre
o leite condensado.
Camuflagem
Dos que defendem torturadores, ditadores e viciados em leite condensado, os mais sórdidos não são os que se declaram a favor de torturas e de ditaduras; esses são sórdidos, mas pior do que eles são os que posam de civilizados, de amantes do belo e da(s) humanidade(s), camuflando o que de fato são: endossadores de genocidas.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2021
“Impeachment” e diferenciações
Não é somente sobre aqueles que não sabem diferenciar um camelo de um dromedário que o chefe do executivo federal tem influência. Ele tem influência também sobre quem acredita em cloroquina no tratamento contra covid-19, quem acredita que ele é um ungido, um enviado que é bom demais para estar pisando solos tão mundanos, pois o pastor ou o padre assim disseram, quem acredita que ele é competente e trabalhador, quem acredita que não houve corrupção durante a ditadura militar ou quem acredita que a corrupção acabou de dois anos para cá...
Não bastassem os milhões acima, há outros milhões: os que agem de má-fé, os que são a favor de que não haja alíquotas de importação para armas e defendem impostos sobre livros, os que se julgam cientes por lerem a Veja, os que acreditam em qualquer coisa que for dita pela tal da chamada grande mídia, os que enxergam sagacidade em seres como Alexandre Garcia, os que defendem “espiões” embutidos em vacinas, os que querem torturas e ditadores, os que admiram Luciano Hang, os que são adeptos do tribalismo masculino, os que não se importam com o que está ocorrendo em Manaus, os que desdenham do isolamento social...
A chamada grande mídia finge faniquito quando o mandatário berra a ignorância dele (o que ele tem berrado há décadas). Essa mesma grande mídia convence milhões de que ela nada tem a ver com a tragédia que é ter colaborado para que esteja no poder um cara sem o menor senso de algo que soe como espírito público, civilidade ou empatia. Para piorar, em meio à classe política, há muitos deles lucrando, seja de modo literal, seja de modo figurado, com o estado das coisas como estão. A parcela dos hipócritas que se fingem arrependidos (hipócritas porque o próprio chefe do executivo federal divulga há tempos a crueldade e a preferência por dizimações) é pequena e não está a fim de exercer pressão sobre políticos. Pelo que escrevi até agora e por questões que eu nem saberia anunciar, não vai haver o “impeachment” presidencial.
Por fim, é preciso escrever com justeza. Nem todo mundo que não sabe diferenciar o camelo do dromedário, o rato do camundongo, o coelho da lebre, o jacaré do crocodilo, o vírus da bactéria, a guitarra do contrabaixo, o coentro da salsa, a Winona Ryder (em qualquer filme) da Keira Knightley (em Desejo e reparação), o Brasília do Variant votou no defensor de torturadores. Muita gente não sabe diferenciar nada disso, mas não ignorou a obviedade escancarada pelo próprio defensor de genocídios e por tantos outros que desde que surgiu para a cena política, o político que diz ter histórico de atleta já gritava ser o que tem sido. Quem nega isso não sabe diferenciar um burro de um presidente.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
O ar não é para todos
Nada novo vindo de um chefe de Estado que continua (e continuará) não se importando com a vida alheia. Ele mesmo vive defendendo torturadores e ditadores. Se o outro morre sob tortura ou sem ar, isso é irrelevante para quem a vida desse outro é inútil. Muitos votantes concordam com o votado, pois, ainda que alguns deles posem de sofisticados e de defensores do próximo e da natureza como um todo (são os mais cínicos), endossaram, por intermédio do voto, alguém que, há décadas, tem deixado claro que já era o que tem sido — um sujeito para o qual o outro é um mal a ser eliminado. Insisto, repito, reitero, reescrevo: o que tem vindo do chefe de Estado não surpreende. Só um hipócrita, um imbecil ou um adepto de torturas e afins poderia alegar ter suposto que seria diferente: quem sempre defendeu a violência não vai se tornar de repente um estadista preocupado com o destino do outro. Asfixiado, o país vai morrendo. Todavia, sejamos justos: o governo federal não é o único a defender a crueldade. Ele tem adeptos. Os corresponsáveis pela debacle podem estar num gabinete político, numa mansão ou numa mercearia (este, contando os trocados, verificando se o dinheiro vai ser o bastante para comprar o arroz).
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
Sangue meu
O índio sou eu.
Eu sou o índio.
O outro sou eu.
O preto é o outro.
O preto sou eu.
Eu sou o preto.
O outro sou eu.
Meu sangue da África,
meu sangue da floresta,
vermelho como
sangue do preto,
vermelho como
sangue do índio.
sábado, 2 de janeiro de 2021
Praia Grande
— Não há plano de vacinação, há pessoas morrendo... E o que o comandante faz?
— Nada.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
Recado para 2021
mas, 2021, não conte com um Lívio diferente.
Eu sei, é tentador a gente se empanturrar de álcool e
de resoluções em 31 de dezembro.
Somos mais estrondosos do que os fogos,
tão artificiais quanto.
As resoluções do réveillon
acordam de ressaca,
não chegam a dois de janeiro.
2021, não espere um Lívio diferente.
Seguirei sendo antiburocracia e
com preguiça de ir a supermercado.
Continuarei lendo e brincando com meu cachorro.
Sua pandemia, 2020, não causou novidade em mim.
Sigo o velho que sempre fui,
sem fé na humanidade, sem fé.
Sei, 2021, que você trará
as mesmas babaquices do 2020,
que não as inventou.
Eu e você, 2021,
herdaremos a estupidez dos séculos,
a violência dos milênios e
a burrice dos que defendem bolsonaros.
Seguirei sendo o velho corpo cansado,
o antigo comodismo congênito,
os mesmos pretextos criativos.
Que você chegue, 2021,
mas não espere nada de mim.
Eu não espero nada de você.
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
Sobre a natureza
nem que está chovendo agora.
Ela não está interessada no destino de João
nem na tristeza de Paulo.
Se Tereza está feliz
ou se Jânio ganhou na loteria,
isso não importa.
Artur sobreviveu à covid-19;
Maria Clara morreu por causa dela.
O câncer levou Ana,
mas poupou Tiago.
A enchente levou a casa de Hermes
e a seca fez o corpo do menino Anderson secar.
A natureza não sabe que ontem foi domingo.
Ela não descansou.
Suas cachoeiras,
que não estavam aqui ontem,
não estarão amanhã.
As belas paisagens não são belas para nós.
A natureza não fez as estrelas para nosso regozijo.
O Sol que nos banha não sabe que Zé da Silva deve ao banco.
O balé da revoada de estorninhos não é para me agradar.
Fora de nós, a natureza não adjetiva, não abstrai, não compõe.
A natureza é.
quarta-feira, 11 de novembro de 2020
O país dos maricas
Presidente, algumas perguntas a partir do uso que você fez de “maricas”...
Os 160 mil que, até agora, morreram por causa da covid-19 eram maricas? Ou alguns deles morreram porque quiseram ser mais machos do que os demais?
Maricas é quem não votou em você? É quem não votou em você e morreu de covid-19? É quem votou em você e morreu de covid-19? Quem não votou em você e não morreu de covid-19 é maricas? Ou maricas é quem usa máscara? É quem não quer transmitir a covid-19?
Você disse que “todos nós vamos morrer um dia”. Isso quer dizer que não temos razão para tomarmos precauções quanto à covid-19 devido ao fato de que “vamos morrer um dia?”. Esse mesmo “raciocínio” vale para outros contágios ou para outras doenças? Ou isso somente vale quando o assunto for a covid-19? Caso sim, por quê?
O mesmo vale, por exemplo, quando o assunto é o câncer? “Todos nós vamos morrer um dia”; logo, não devemos tratar o câncer nem devemos tomar cuidado com ele? Nem com a leptospirose? E quanto a possíveis facadas? Devemos deixar de ser maricas e não procurarmos um hospital caso levemos uma facada? Ou o “todos nós vamos morrer um dia” só é válido quando se trata da covid-19? Caso sim, por quê?
Você foi examinado por um médico quando teve covid-19. Isso é ser maricas? Ou maricas são os que procuram médico e, ainda assim, morrem? Quem não procura médico em caso de covid-19 provou não ser um maricas?
O que é, exatamente, ser um maricas? É quem não quer morrer devido à covid-19? É quem toma cuidados para tentar não morrer em breve? É quem toma cuidado para não matar os demais? O presidente de um país que deixa a população desse país sem ministro da saúde durante meses numa pandemia é um maricas? Ou isso é sinal de macheza?
Para que eu entenda sua “ideia”: o João tem covid-19 e a transmite para José, que morre de covid-19, transmitida por João. Quem é o maricas?... É o João?... Caso sim, por quê?... Caso não, por que não?... É o José?... Caso sim, por quê?... Caso não, por que não?... São os dois? Caso sim, por quê?... Caso não, por que não?...
De acordo com você, a pandemia foi “superdimensionada”. Já há 160 mil mortos. O que seria não “superdimensionar”? Seu critério é numérico? Tive apenas uma pessoa morrido, isso não importaria? (Se o critério for seu, sou levado a crer que não. Afinal, quando o exército matou, fuzilando, você declarou que “o exército não matou ninguém”. Isso é regra sua que tem validade somente para os outros? Ou ela tem validade para você?)
Cinco milhões já foram infectados pela covid-19. São maricas? Ou maricas são apenas os 160 mil que já morreram? Maricas é quem não teve covid-19 e tem medo de ter? É quem deseja que haja vacina?
O que é, com exatidão, um maricas? É um covarde? Um fraco? Caso sim, o que é um fraco para você? Ser maricas é não querer morrer? Ou é não querer morrer devido à covid-19?
Referindo-se aos que buscam os mortos pelo regime militar, você endossou cartaz com os dizeres “quem procura osso é cachorro”. Agora, você usou o termo “urubuzada”. “Animalesco”, você. Todavia, urubus se alimentam de carniça; assim fazendo, realizam trabalho de limpeza. A vida é assim mesmo: uns limpam, outros sujam; uns se alimentam do que já morreu; outros matam.
sábado, 7 de novembro de 2020
A ilha Brasil
“A visão de Trump tem um lastro em uma longa tradição intelectual e sentimental que vai de Ésquilo a Oswald Spengler, e mostra o nacionalismo como indissociável do Ocidente. Em seu centro, está não uma doutrina econômica e política, mas o anseio por Deus, o Deus que age na história. Não se trata tampouco de uma proposta de expansionismo ocidental, mas de um pan-nacionalismo. O Brasil precisa refletir e decidir se faz parte desse Ocidente”.
Essas palavras foram escritas pelo atual ministro das relações exteriores, em texto intitulado “Trump e o Ocidente”. Escreveu ainda o ministro: “Esse Deus pelo qual os ocidentais anseiam ou deveriam ansiar, o Deus de Trump, não é o Deus-consciência-cósmica, ainda vagamente admitido em alguns rincões da cultura dominante. Nada disso. É o Deus que age na história, transcendente e imanente ao mesmo tempo”.
Não somente por essas palavras, a revista norte-americana Jacobin, em fevereiro de 2019, deu ao ministro das relações exteriores do Brasil a alcunha de o pior diplomata do mundo. A imprensa e os meios de comunicação daqui, desde quando a vitória de Joe Biden começou a se esboçar, têm cogitado sobre o que pode vir a ser a diplomacia brasileira a partir de agora.
Enquanto isso, em seu quintal, os estadunidenses têm de lidar com um perdedor que, pelo menos até agora, não apresentou prova alguma das fraudes que ele diz ter havido. (Em nosso quintal, Aécio Neves pode ser elencado como tendo tido o mesmo comportamento, que, aliás, é discutido no imprescindível Como as democracias morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt. Para eles, um dos indícios de ausência de espírito democrático por parte de alguns políticos é o fato de eles se empenharem em fazer com que as instituições sejam desacreditadas ou com que sejam demolidas.)
A tônica do que a imprensa e os meios de comunicação têm dito é a de que o governo federal terá de mudar sua postura diplomática, sob pena de ficar à parte no cenário internacional. Celso Amorim deu declaração ao UOL, afirmando que “Bolsonaro vai ter que mudar muito. Se ele tentar fazer o que tem feito até agora, que é invocar uma falsa noção de soberania, uma grande parte da elite brasileira que está tendo tolerância com ele até agora deixará de tê-la. Se tem uma coisa que a elite brasileira não suporta é brigar com os Estados Unidos”.
Sim, uma parte da elite brasileira é baba-ovo dos EUA, o que também ocorre com o chefe do executivo federal em relação a Trump. Depois de ler o que Celso Amorim declarou, pensei: essa parte da elite brasileira que se presta a ser capacho dos EUA não mudará os valores excludentes, antiéticos e antiecológicos do trumpismo, que, no governo federal, têm fiéis.
Não consigo enxergar ninguém nesse governo a fim de fazer o que eles até agora não fizeram: diplomacia. Devido a insanidades como a de que “o Deus de Trump” é “transcendente e imanente”, só consigo pensar num Brasil (mais) isolado e (mais) vexaminoso diplomaticamente. Que eu esteja enganado.
