segunda-feira, 14 de agosto de 2017
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
O marqueteiro do Acre
Os meios de comunicação criaram para Bruno Borges o estranho epíteto de “o menino do Acre”. Quando li a expressão pela primeira vez, pensei se tratar de uma criança. Ao ler, há mais ou menos cinco meses, matéria sobre Bruno, logo fiquei sabendo que ele tem vinte e cinco anos. Achei a alcunha de “menino” inapropriada para uma pessoa dessa idade.
Diante da matéria, pensei em duas possibilidades: ou Bruno era louco ou se tratava de alguma armação toscamente fantasiada de misticismo. Quando de seu “desaparecimento”, cogitou-se a possibilidade de ele estar morto. Na época, pensando na agonia da família dele, torci para que o “menino” estivesse vivo. Está. Voltou hoje para casa.
Segundo texto veiculado no G1, o livro de Bruno Borges, lançado pela editora Arte e Vida, intitulado “TAC: Teoria da Absorção do Conhecimento”, é muito ruim. Cauê Muraro, autor da resenha da obra de Bruno publicada no G1, escreveu: “Ele tem aversão a sexo, gula e crase. Faz zero questão de parecer modesto (cita a si mesmo, inclusive)”. Parece que os revisores da Arte e Vida quiseram manter o texto dele imaculado. Ao longo do texto, Muraro menciona outros escorregões gramaticais de Bruno Borges. Não bastassem questões técnico-gramaticais, ainda de acordo com o texto publicado no G1, fazer sentido não é grande preocupação de Bruno.
O livro dele está vendendo bem, segundo o que a mídia tem divulgado. Em maio deste ano, Marcelo Ferreira, de vinte e dois anos, amigo de Bruno, foi detido pela polícia por crime de falso testemunho. Na casa de Marcelo, havia dois contratos. Um deles era sobre porcentagem de lucros com a venda dos livros de Bruno. Outro envolvido seria Bruno Gaiote, em cuja casa havia móveis do quarto de Bruno Borges. Ninguém está preso.
Se encarado com olhar estritamente financista, o plano de Bruno Borges é perfeito. Ele conseguiu visibilidade nacional, conseguiu despertar curiosidade para um livro que nem havia sido lançado e tem conseguido, de acordo com os meios de comunicação, fazer com que seu livro venda bem. Num prisma estritamente marqueteiro, Bruno Borges é um sucesso.
Não há nada de errado em estratégias de marketing. Além do mais, Bruno não é o primeiro a se valer de um engodo para ganhar dinheiro. Todavia, sem querer soar ingênuo, há uma questão ética que deve ser levada em conta. Ele posa de místico, quando na verdade é um excelente estrategista de marketing. A questão que se impõe: é preciso enganar para vender?
Investir na credulidade, no medo, na burrice, em produtos de fácil consumo e em pseudomistérios não é garantia de êxito, mas, levando-se em conta somente critérios monetários, pode ser um belo começo. Bruno sabe disso. Poder-se-ia alegar que o azar é de quem acredita em balelas de falsos religiosos, de pseudomísticos ou de gurus da autoajuda, gastando dinheiro com produtos desse teor. Mesmo havendo muita gente que acredita nesse filão, isso não anula a questão ética de que os produtores desse mesmo filão sabem que vendem uma mentira, lucram com um embuste.
O caso de Bruno será debatido nos cursos de publicidade e propaganda. Não consigo levar em conta unicamente o caráter lucrativo da empreitada dele. Todo mundo sabe que dinheiro é bom e que cada um se vale do que é capaz para consegui-lo. Bruno deu-se bem ao contar com as crendices de quem o considera místico ou com os delírios dos que acreditaram que ele teria sido abduzido. No futuro, quando ninguém mais falar dele nem dos livros dele, haverá outros crédulos e outros Brunos fomentando um mercado em que sempre há tapeadores e iludidos. Em qualquer época, existem espertalhões com a manha da TAD: Teoria da Absorção do Dinheiro.
Água e espelho
A água cristalina me reflete;
é mais fugidia do que eu.
O espelho cristalino me reflete;
sou mais fugidio do que ele.
A água cristalina me reflete
enquanto se move.
O espelho cristalino me reflete
enquanto me movo.
A água se move:
meu reflexo é difuso.
O espelho é estático:
eu sou difuso.
A imobilidade do espelho,
o movimento da água.
Refletido em ambos,
escorro pelo tempo.
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quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Ao leite
Toda vasilha, panela, caçarola, vasilhame ou continentes similares vêm com um acurado detector de distração. O dispositivo é acionado para que o leite fervido inunde o fogão.
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Nosso futebolzinho
Deve-se olhar para as eliminações de Atlético e de Palmeiras na Libertadores, ontem, num panorama maior. Num menor, nenhuma das duas equipes é forte. Tanto é assim que foram eliminadas por times pequenos. No panorama maior, Atlético e Palmeiras são reflexo do ruim futebol brasileiro.
O Corinthians tem sido exceção caso o comparemos com as demais equipes do Brasil. A seleção, treinada por Tite, passou a ter bons resultados nas eliminatórias para a Copa do ano que vem. Todavia, Corinthians e seleção brasileira não são o bastante para que não se enxergue o amadorismo de nosso futebol, que, ademais, é reflexo do que somos.
Basta acompanhar qualquer uma das rodadas do campeonato nacional para se perceber em campo o horrendo jeitinho brasileiro, a falta de criatividade e a ausência de ousadia. O mundo inteiro já percebeu que talento, por si, não é o bastante. O que o futebol daqui tem é só um pouco de talento.
O esquemão CBF/Globo está falido há tempos. A derrota para a Alemanha na Copa de 2014 evidenciou essa falência. Como é fácil perceber, o futebol nos gramados é tão incompetente e não profissional quanto as maracutaias de cartolas e de empresários. Não é ficando de joelhos que se resolve uma estrutura viciada e vergonhosa.
terça-feira, 8 de agosto de 2017
Apontamento 366
Na produção de conhecimento, não raro, todo um edifício é construído quando um simples cômodo bastaria. (Não custa lembrar que há longos edifícios em que cada cômodo é imprescindível.)
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segunda-feira, 7 de agosto de 2017
Haicai 52
Com amor, sem alarde.
Sendo assim, eu convido:
vem fazer amor à tarde.
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Haicai 51
Hoje foi dia de façanha.
Com zelo e com gosto,
fiz a primeira lasanha.
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Fome e vírgula
Ela escreveu para ele: “Vem comer, amor. Vem comer amor”. Ele respondeu: “A ausência de vírgula na segunda frase indica que vou comer amor porque a lasanha foi feita com amor ou indica que vou comer amor porque vou comer você?”. Ela respondeu: “Com vírgula ou sem, comendo com amor, coma o que quiser”.
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sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Inscrição na Bienal confirmada
Conforme postagem que fiz recentemente, vai haver sessão de autógrafos de meu mais recente livro, Amor de Palavra, na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, no dia sete de setembro, às 13h. Minha inscrição no evento foi confirmada há pouco.
Para quem ainda não adquiriu o livro, ele está à venda nos seguintes locais:
• Livraria Nobel, no Pátio Central Shopping
• RR — Renato Representações, no prédio da Rádio Clube
• A Musical. Rua José de Santana 436 (Centro)
Há também exemplares do Dislexias, meu livro anterior.
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
Corinthians vence mais uma
Eficácia. Essa é a palavra que define o time do Corinthians, que parece ter decidido que nunca mais vai perder. Ainda que não apresente um futebol que possa ser chamado de bonito, a absurda eficiência do time paulistano fez mais uma vítima há pouco, no Mineirão — o Atlético/MG.
Rodada após rodada, jogo após jogo, há meses todos estão se perguntando quando o Corinthians vai perder; o time não perde. Hoje, no Mineirão, a despeito do incentivo da aguerrida torcida atleticana, o líder do campeonato venceu mais uma vez, mesmo tendo chutado menos a gol, o que comprova a capacidade de decisão do time e a excelente fase do goleiro Cássio.
A eficácia do Corinthians está ligada ao entrosamento e à disciplina tática. Jogando com calma, ciente de suas deficiências e consciente de seus pontos fortes, o time, treinado por Fábio Carille, tem tudo para ser o campeão do torneio. A última rodada do primeiro turno será no fim de semana; é cedo para vaticinar que o campeonato já é do Corinthians. Todavia, se a equipe mantiver o equilíbrio fatal que tem mostrado até aqui, dificilmente não será o campeão brasileiro deste ano.
Segundo o divulgado pelo Premiere, durante a transmissão da partida, o Atlético/MG teria tomado a decisão de jogar no Mineirão em busca de “mudança de ares”. O Corinthians não deu a mínima para os ares da Pampulha, fazendo com que o time de BH perdesse mais uma em casa.
Sessão de autógrafos no Rio de Janeiro
No mês que vem, no dia sete de setembro, vai haver sessão de autógrafos de meu livro Amor de Palavra na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Será às 13h.
Bora pro Rio?...
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Desinência -m
Até,
atém.
Até,
atêm.
Bê,
bem.
Cê,
cem.
Ene,
Enem.
Mi,
mim.
Ri,
rim.
Se,
sem
Sê,
sem.
Si,
sim.
Só,
som.
Te,
tem.
Tê,
têm.
Vê,
vêm.
Vi,
vim.
Ame.
Fim.
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Culinária
É o primeiro
dia do mês.
Tempere
a gosto.
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Sentindo na pele
O deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) tatuou o nome de Temer no ombro. Estão dizendo que a tatuagem seria daquelas que saem rapidinho, muito comuns em praias. O político declarou que a tatuagem é permanente; segundo o InfoMoney, declarou ainda que fará outra, essa com os dizeres “Temer, o único estadista do Brasil”. O hiperbólico “único” está em sintonia com o que Wladimir Costa disse sobre a tatuagem já feita: “Cada um com suas paixões”. Estava certo quem disse que o amor é coisa de pele.
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domingo, 30 de julho de 2017
A história por trás da foto (107)
Hoje pela manhã, fui acordado por estas duas maritacas,
quando pousaram na antena de TV que fica no quintal do vizinho. A princípio,
pensei que logo fossem embora. Durante algum tempo, ainda deitado na cama,
fiquei escutando o que diziam uma para a outra.
Curioso para saber como eram as criaturas que diziam aquelas
palavras, abri a janela do quarto. As maritacas me olharam, continuaram
conversando. Fechei a janela, voltei para a cama. O bate-papo delas prosseguiu
animado.
Enquanto conversavam, eu ficava pensando se haveria tempo de
eu fotografá-las. Em vez de pensar, eu deveria logo ter ido pegar a câmera. Ao pegá-la,
eu teria de retirar a lente que estava nela e de nela acoplar a lente própria
para registros de aves e de pássaros.
Como o diálogo das maritacas seguia animado, eu
me levantei, peguei a câmera, troquei a lente e fui para o quintal, fingindo
displicência, a fim de não espantá-las. Pode ser que esse cuidado nem tivesse
sido necessário; queriam é ser fotografadas. Tanto que, antes de voarem,
agradeceram-me.
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Com gosto
Gostou; passou a se envolver.
Envolveu-se; passou a gostar.
Pode se envolver e gostar;
pode gostar e se envolver.
Gosta (de si) quando há gosto.
Quando há envolvimento, gosta (de si).
Gosto e envolvimento;
envolvimento e gosto.
Gostando, fica envolvente;
envolvendo-se, torna-se gostosa.
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sábado, 29 de julho de 2017
A história por trás da foto (106)
Ontem, graças aos amigos Roney, Vicente e Clarindo, que trabalham no mesmo lugar em que eu, pude fotografar pela primeira vez um filhote de urubu. Roney é que sabia onde o ninho está. Prestativo, me levou até o local, que fica ao lado de onde trabalho.
Quando nós quatro chegamos lá, o que suponho ser a mãe (pai?), que estava por perto, deixou o ninho, que fica no chão, e voou para uma árvore próxima. De lá, ficou nos olhando. Depois, eu a fotografei durante seu voo. Nesta postagem, duas fotos do filhote e duas da mãe (ou do pai).
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quinta-feira, 27 de julho de 2017
Fotopoema 408
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quarta-feira, 26 de julho de 2017
Releituras
A releitura é o desejo de que o livro tivesse continuado. Ela ensina que certos livros não terminam, que sempre podemos ser inéditos para nós mesmos.
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“Caderno de Poesias”
Certas leituras fazem com que eu faça sentido, com que eu faça sentindo. Foi assim com a leitura de “Caderno de Poesias”, coletânea de textos escolhidos pela cantora Maria Bethânia. Além do livro, há um DVD, em que os textos selecionados por Bethânia são ora declamados ora cantados por ela. Livro e DVD, que não são vendidos separadamente, foram lançados em 2015 pela editora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Tudo é bonito no trabalho. O livro tem diagramação sóbria e artística. Além dos textos, há reproduções de trabalhos realizados por artistas plásticos brasileiros; pinturas, gravuras ou desenhos dialogam com os textos escolhidos por Bethânia. Não bastasse esse diálogo intertextual entre diferentes linguagens, há ainda um diálogo de textos escritos com outros textos escritos, pois a cantora une diferentes autores num só registro declamado.
Não somente a estética do livro é apurada. O DVD, gravado em Diamantina/MG, tem, além da beleza do canto de Bethânia, a imensa habilidade dela na arte da declamação. Dizendo de outro modo, Bethânia é também atriz. Há uma comovente beleza tanto no livro quanto no DVD, uma sofisticação que nada tem de afetada. No registro em DVD, Bethânia foi acompanhada por um percussionista e por um violonista.
Um bom livro sempre nos torna belos e lúcidos. Hoje, apreciei o livro e o DVD. Estou lucidamente belo. Ou belamente lúcido. Não bastasse a confluência de artes que há em “Caderno de Poesias”, o trabalho é uma aula de história, a história do Brasil ou a de traços do caráter do brasileiro, a partir do olhar artístico, seja de letristas, de escritores, de artistas plásticos. O que emerge do caderno de poesia que Bethânia nos oferta é um Brasil talentoso, rico, multifacetado, eclético.
Todavia, não há ingenuidades. A exaltação do país em “Caderno de Poesias” não diz respeito a pseudoufanismos, a patriotadas. Os problemas sociais do Brasil convivem, no livro e no DVD, tanto em textos quanto em trabalhos plásticos, com o amor, a saudade, a reflexão sobre o que somos, a política, a exaltação da natureza e a preocupação ecológica. O que surge é uma parte do que somos, de nosso caráter, de nossa arte.
Para Bethânia, não há hierarquia de gêneros nem separação entre o erudito e o popular. Na força de sua declamação, há Patativa do Assaré e Fernando Pessoa, Fausto Fawcett e Guimarães Rosa. O talento de Bethânia faz com que o poder do texto, não importa se sua matriz tenha sido um livro ou um disco, venha à tona, numa interpretação contida, mas comovente e poderosa.
“Caderno de Poesia” é alento, alívio, tributo ao que o espírito humano pode criar. Um show de brasilidade, de confluências artísticas, de espírito gregário. É incrível o quanto o trabalho é, ao mesmo tempo, visceralmente brasileiro e cosmopolita.
domingo, 23 de julho de 2017
Noturno
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sábado, 22 de julho de 2017
HDR (3)
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quinta-feira, 20 de julho de 2017
Gerenciamento de pessoal
Rádio CBN e portal Yahoo informaram hoje que a prefeitura de São Paulo, encabeçada por João Doria, contratou empresa para acordar, na madrugada de quarta-feira (19/07), moradores de rua com água fria. Quando foram acordados, a temperatura estava em torno de oito graus; a sensação térmica era de haver mais frio.
Esse é o decantado “gestor” Doria.
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Fotopoema 407
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terça-feira, 18 de julho de 2017
Marcus Vinitius da Cruz de Melo Moraes
Sou muito ruim para me lembrar de datas. Tenho um amigo que é capaz de se lembrar de como foi, por exemplo, o ano de 1992 na vida dele. Eu não me lembro nem de como foi minha semana passada (sic). De qualquer modo, houve um ano de que não me esqueço. Para ser mais preciso, houve um mês que não esqueço. O ano é o de 1980; julho é o mês.
Sou de um tempo em que não íamos para a escola mal tendo saído da barriga da mãe. Hoje em dia, qualquer criança com dois dias de vida já frequenta bancos escolares há tempos, faz aula de xadrez, de idiomas e de karatê. Eu somente soube o que era um banco de escola quando eu tinha sete anos. Nesse tempo, não havia aulas em julho, e quando o fim do ano ia se aproximando, o ano letivo se encerrava. A impressão que eu tinha era a de que ficávamos décadas sem voltarmos para a escola. Eu chegava a sentir saudade do ambiente escolar.
Não me lembro do que eu estava fazendo naquele julho de 1980. Todavia, lembro-me especificamente de uma ocasião. Uma olhadela na internet me diz que essa ocasião ocorreu em nove de julho de 1980. Assim que fiquei sabendo do fato, lamentei demais estar em férias, pois eu queria muito contar para a professora, dona Vitória, e para os colegas de sala a informação de que eu havia tomado conhecimento.
Assim foi. Passei o resto das férias de julho de 1980 contando os dias que faltavam para que eu tivesse a oportunidade de compartilhar com a professora e com os colegas o que foi, para mim, o grande acontecimento (ruim) daquele mês. Houvesse redes sociais naquela época, talvez eu tivesse feito uma postagem marcando os amigos e a dona Vitória. Como não era o caso, o jeito foi aguardar com ânsia o recomeço das aulas.
Quando recomeçaram, não fui logo desvendando para os colegas a informação, embora doido para contá-la para todo mundo. Cumprimentos de praxe, todo mundo perguntando para todo mundo como haviam sido as férias. Quando já estávamos todos em sala de aula, mal tendo a dona Vitória nos cumprimentado, levantei o dedo, pedindo autorização para dizer algo. Assim que ela ma concedeu, o coração disparou. Criei coragem. Eu disse: “Dona Vitória, o poeta Vinicius de Moraes morreu no dia nove deste mês”.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Gotas e pétalas
Recebi no celular uma mensagem com palavras atribuídas ao Neruda: “Poderão cortar todas as flores, mas não poderão deter a primavera”. Embora o tom seja nerudiano, não sei dizer se a citação é mesmo dele. Uma rápida pesquisa na internet mostra que a autoria é também atribuída a Lino J. Somavilla. Caso alguém saiba quem é mesmo o autor, gentileza me dizer.
À parte isso, a essência das palavras é a mesma de pichação que li na parede de uma loja que ficava na rua Dona Luíza, aqui em Patos de Minas. Penso ter sido na década de 80; talvez, na de 90. Picharam: “Eles destruíram nossas vidas, mas não as nossas ondas. Assinado: Os Surfistas”.
Com frequência, em companhia de amigos, cito a pichação. Ela é afronta, acinte inteligente e poderoso, não por ter sido pichada. Ela é lema e leme, é convite à poesia, à esperança, à utopia. Há um senso rebelde que não me abandona, que não é só meu. Com gotas e pétalas, faremos ondas e primaveras.
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terça-feira, 11 de julho de 2017
Plataforma L
Manuel Bandeira e
Machado de Assis
estiveram num
mesmo bonde.
Fernando Sabino e
Manuel Bandeira
estiveram num
mesmo ônibus.
Leio e viajo.
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Já leu?
Amor de Palavra, meu livro mais recente, está à venda na Livraria Nobel, no Pátio Central Shopping. Há também exemplares do Dislexias, meu livro anterior.
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Liviano
Meu primeiro livro se chama Leve Poesia. Se um dia ele fosse vertido para o espanhol, a versão literal do título seria Liviana Poesía. “Liviano”, em português, é aquilo relativo a Lívio. No dicionário da Real Academia Española, curti duas definições para “liviano”: “De poco peso” e “de poca importancia”.
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domingo, 2 de julho de 2017
Atlético vence o Cruzeiro no Independência
Sempre digo que uma partida de futebol é uma bela metáfora do que é a vida, por mais sem graça que seja a partida. Mesmo em casos assim, qualquer jogo de futebol é um microcosmo do que é a vida, das circunstâncias dela. Reflexo da vida, futebol é movimento, imprevisibilidade, feiura, beleza, emoção.
Há pouco, no Independência, em Belo Horizonte, Atlético e Cruzeiro realizaram um bom jogo de futebol, principalmente no primeiro tempo. A primeira metade da primeira metade da partida foi dominada pelo Cruzeiro; pouco a pouco, o Atlético caiu nos eixos, a ponto de terminar o primeiro tempo já em vantagem, mesmo tendo começado perdendo.
O destaque do jogo foi Casares, não só pelo belo gol marcado em cobrança de falta. Já Fred fez o que desde tempos sabe fazer muito bem: gols (fez dois hoje). O de cabeça, após receber cruzamento de Casares.
Foi um típico atlético versus Cruzeiro. Houve momentos truncados, discussões, provocações. Mesmo o segundo tempo não tendo sido tão bom quanto o primeiro, o jogo, no todo, foi muito bom. A despeito dos três gols que levou, dos quais não teve culpa, Fábio, mais uma vez, teve bela atuação.
Com a vitória, o Atlético não somente ultrapassou o Cruzeiro na tabela, mas galgou vários degraus em relação à posição em que estava antes do início da rodada. Da parte do Cruzeiro, o técnico Mano Menezes precisa dar um jeito na zaga, que continua levando muitos gols. Foi assim no jogo do meio da semana contra o Palmeiras, foi assim hoje; tem sido assim.
É curioso: mesmo não tendo obtido sucesso, o Cruzeiro tem sido coprotagonista de belas partidas. Recentemente, foi assim contra o Grêmio (pelo campeonato brasileiro) e contra o Palmeiras (pela Copa do Brasil); hoje, foi assim contra o Atlético. É claro que o torcedor cruzeirense trocaria os empates contra aqueles e a derrota contra este por vitórias, ainda que em partidas ruins. Mas esse é outro dado não somente do futebol, mas da vida: um belo todo nem sempre implica vitória. Por outro lado, se o time não ganha em partidas assim, ganha quem gosta de futebol.
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Infame
— Você foi curto e grosso comigo.
— Eu não quis ser curto e grosso: só curto.
— Pois eu não curto.
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Áudio de entrevista que concedi no Rio de Janeiro
No dia vinte e dois de maio estive no Rio de Janeiro participando do programa Conversa com o Autor, veiculado pela Rádio MEC AM. A atração é apresentada por Katy Navarro. Também participou do bate-papo o autor Juarez Nogueira. A conversa pode ser conferida aqui.
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domingo, 25 de junho de 2017
Fotopoema 406
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quinta-feira, 22 de junho de 2017
Apontamento 365
Acredito na inspiração. Não como eflúvios oriundos de fora, mas como manifestações vindas de dentro. Não há mágica nessas manifestações. Do modo como as concebo, são quase orgânicas, corporais. Em mim, elas somente vão existir depois de ter havido a leitura.
Há muito de subconsciente e de inconsciente nessa história. O que leio fica fermentando no cérebro. Enquanto estou distraído ou enquanto pareço não pensar em nada, a fermentação envia resultados. É quando vem um verso, uma palavra, uma ideia. Como não confio em minha memória, anoto o que a fermentação trouxer, seja o que for. Nem sempre a ideia é aproveitada.
Quando não há leitura, não há fermentação. É como se o cérebro ficasse sem o alimento ou sem o combustível de que precisa para se tornar inspirado ou para se tornar capaz de criar algo. Como leio com frequência, o cérebro sente falta quando não tenho oportunidade de ler. Nessa falta, ele nada cria: apenas pede que eu leia. Meu medo não é o de ficar sem ideias, mas de ficar sem leitura. Nunca fiquei sem ideias quando houve leitura. Meus fragmentos se entendem, há lucidez, inteireza.
As coisas podem me inspirar. Um luar, uma mulher, uma paisagem, um bicho podem acender em mim uma ideia. Todavia, sem leitura, não sei o que fazer quando a inspiração vem.
A leitura não me traz somente inspiração (o que já seria muito). Ela ainda faz com que eu me torne mais lúcido, com que minha autoestima não seja tão baixa, com que eu pense melhor. Seria o correlato no cérebro do que ocorre no corpo quando há atividade física. Ademais, o cérebro é corpo, é matéria. A leitura incrementa o que em mim é massa (cinzenta), torna-me mais robusto e mais civilizado. Após leituras, aceito, sem comodismo, minhas imperfeições. Quanto mais leio, mais me conheço.
A leitura não me torna um gênio, não faz nascer em mim o que em mim não tenho. O efeito dela é me colocar mais em acordo comigo mesmo, gerando momentos de tranquilidade, ocasiões em que me aceito e gosto de mim apesar de mim. Ainda que durante turbulência, a inspiração em si é sempre um momento de paz.
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Locais de venda de meus livros
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terça-feira, 20 de junho de 2017
Ingenuidades
Caetano Veloso, em “Podres Poderes”, que é de 1984, escreveu: “Será que nunca faremos senão confirmar / A incompetência da América católica / Que sempre precisará de ridículos tiranos?”. A história da América Latina sempre foi marcada pela figura do (ridículo) tirano. Não raro, essa figura está ligada a outra, a do salvador da pátria. Quando há crise, o solo se torna propício ou para o tirano ou para o salvador da pátria. A mesma pessoa pode encarnar os dois.
Há alguns dias, tendo eu acabado de almoçar num restaurante local, no momento em que estava pagando a conta, um outro freguês, conhecido meu, que também estava na fila para o pagamento, iniciou conversa comigo. O assunto era o momento político do Brasil. Depois de meu conhecido ter culpado tanto o PSDB quanto o PT pelo conturbado cenário institucional por que passa o país, ele disse que somente Jair Bolsonaro para dar jeito na barafunda. Segundo meu interlocutor, Bolsonaro faria o Brasil assumir um caminho honesto e ético.
Por ora, minha intenção não é discutir a boçalidade de Bolsonaro. O episódio em que ele elogiou Carlos Alberto Brilhante Ustra ou o em que ele disse que o erro da ditadura foi “torturar e não matar” (embora ela tenha matado muito) são reveladores do que Bolsonaro pensa. O que é preocupante é saber que ainda há pessoas que acreditam em salvadores de pátrias. Acreditam que basta a vontade de algum político ou de algum ditador para se acabar com a corrupção no Brasil.
Essa ingenuidade é alarmante. Repito: não somente por se tratar de alguém crer num sujeito tão tosco quanto Bolsonaro, mas por se acreditar que alguém, seja quem for, tem poder para eliminar, em um ou dois mandatos, a entranhada corrupção brasileira. Não raro, essa perigosa ingenuidade leva pessoas a defenderem a ditadura militar como solução contra corruptos. Há quem, mesmo ciente de que houve corrupção durante os governos militares, defenda ditadura, mas há quem de fato acredite que o Brasil não teve corrupção durante a vigência do golpe militar de 1964.
Num cenário sombrio, por mais ditador que fosse um tirano, não são os cruéis caprichos dele que teriam o poder de dizimar a corrupção. Não somente por estar ela tão onipresente nas instituições, nas esferas federais, estaduais e municipais, mas por haver, além da corrupção institucional, a corrupção do dia a dia. “Enquanto os homens exercem seus podres poderes / Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos”.
Três a três
Cruzeiro e Grêmio realizaram ontem, no Mineirão, coisa rara no futebol brasileiro: uma bela partida. A média de um gol a cada quinze minutos coroou o espetáculo .
domingo, 18 de junho de 2017
A história por trás da foto (105)
Nesta foto, uso técnica de fotografia e de edição que eu ainda não havia usado. No momento em que tirei a foto, as condições de luz estavam complicadas. Quando eu conseguia uma luz que me agradava quanto ao céu, eu perdia luz na árvore e no resto da fotografia que não era céu; quando eu conseguia uma luz que me agradava na árvore e no resto da imagem que não era céu, a luz neste não me agradava.
O jeito era então colocar a câmera sobre tripé, tirar várias fotos com exposições diferentes e depois unir essas várias imagens em programa de edição. Todavia, eu não havia levado tripé. Decidi então colocar a câmera no chão. Sob a lente, coloquei um pequeno graveto, a fim de compor a imagem. Comecei então a fotografar com diferentes ajustes, de modo a criar registros com pouca luz, com luz mediana e com muita luz.
O programa que usei para unir as fotos com as diferentes exposições foi o HDR Efex Pro 2. Esse programa pega as várias imagens com as diferentes exposições e as une num só arquivo, aproveitando o que há de detalhes visíveis em cada uma delas, por assim dizer. O tripé ou qualquer superfície firme para a câmera são necessários para que não haja discrepância no momento em que as imagens são unidas numa só. Esse arquivo produzido pelo HDR Efex Pro 2 é depois convertido para o formato TIFF (não sei se há como converter fotos a partir desse programa para o formato JPEG). Os arquivos originais eram no formato RAW.
O problema é que eu não estava conseguindo converter o arquivo TIFF para um arquivo JPEG, a fim de baixar a resolução dele e postá-lo na internet. A extensão TIFF gera um arquivo muito pesado (a imagem desta postagem, em formato TIFF, ficou com 397 MB). Tentei conversão via Photoshop, mas não consegui. Após quebrar a cabeça, consegui por intermédio do Lightroom.
É a primeira vez que crio um registro a partir da técnica conhecida como HDR (as letras são as iniciais de High Dynamic Range). É algo que eu vinha pensando em fazer há um tempão, mas ficava adiando, devido à minha ancestral preguiça. Como não achei o resultado ruim, é minha intenção produzir outras imagens a partir dessa técnica em breve.
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sábado, 17 de junho de 2017
A Época de Joesley Batista
Se a Globo quiser, Temer deve ficar até o fim de 2018. A questão é que a emissora parece, desde a delação de Joesley Batista, não querer. A mais recente cartada do “jornalismo” da família Marinho contra Temer é a entrevista que Batista concedeu à Época, que pertence ao império da Globo. A manchete da capa reproduz declaração do delator: “Temer é o chefe da quadrilha mais poderosa do Brasil”.
O fato de a Globo ter apoiado Temer e de agora, aparentemente, estar contra ele não é de surpreender. O que fico me perguntando é se, de fato, já estava arquitetado, seja por quem for, com apoio da Globo (ou pela própria Globo), que Temer seria uma “transição”, seja para o que for. Tendo sido ou tendo não sido arquitetado que Temer seria um mal necessário para essa “transição”, o que a Globo apoiará no ano que vem, quando, em tese, haverá eleição para presidente? Não importa quem ela apoie, a Globo não é digna de confiança. Sempre é preciso desconfiar das intenções dela.
Ainda que a emissora de fato queira a queda do presidente que ela apoiava até bem recentemente, manobras permitidas por lei vão renovando o fôlego do governo, que, se cair, assim me parece, não cairá nos próximos meses. Nesse quadro, tenho dois “vaticínios”: Temer fica até o fim de 2018 e Aécio Neves não será preso.
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