quarta-feira, 7 de outubro de 2015
À NOITE
Devo estas fotos à equipe do Gálatas Golden Hotel. Muito obrigado ao Fernando, que é o gerente e é quem concedeu a autorização para que eu fosse ao local realizar as imagens, e ao Leandro, funcionário que gentil e solicitamente me acompanhou. Também devo os registros ao Alexandre Rosa, que me emprestou o tripé para que eu fizesse o trabalho.
Ontem, no começo da noite, passando em frente ao hotel, veio-me a ideia de subir no topo da edificação e voltar a lente para a avenida JK. Chegando ao Gálatas, posicionei a câmera. Quando vi a imagem pelo visor, constatei que o ângulo permitiria composições melhores do que as que eu havia imaginado.
terça-feira, 6 de outubro de 2015
A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (85)
A expressão “menos é mais” é eficaz também na fotografia. Do ponto de vista da composição fotográfica, um registro com menos elementos tende a ser mais eficiente do que um com muitos elementos, pois eles podem vir a poluir visualmente a foto. Quando uma fotografia tem muitos elementos, dependo da composição que é feita, o olhar pode se “perder” na imagem; já um registro com menos elementos faz com que os olhos “grudem” no que é o assunto principal da foto. Mas isso não é regra absoluta; pode-se, a título de exemplo, querer uma imagem que mostre precisamente a poluição visual de uma cidade.
Voltando à expressão “menos é mais”: além de a “máxima” ser eficaz no que diz respeito à composição de imagens fotográficas, ela também pode ser aplicada quando se lida com equipamentos fotográficos. É que ao sair para fotografar, a tendência é levar toda a “tralha” à disposição, pois nunca se sabe o que haverá para ser registrado durante uma saída fotográfica. Assim, não raro, levamos três lentes: uma grande angular (para fotos de paisagens, de amplidões), uma macro (para fotos de insetos e de outros assuntos pequenos) e uma tele (para fotos de aves e de pássaros). (Há outros tipos de lentes.)
Não há nada de errado, é claro, em se levar todos os brinquedos para um passeio fotográfico. Só que, de vez em quando, como exercício, como prática, como treino da criatividade, é bom sair com apenas uma lente, não importa qual. Fotografo há um bom tempo, mas até hoje faço isso. A ideia é se virar com o que temos... em mãos, é fazer o melhor do que tivermos decidido levar para a saída fotográfica. Como consequência, podemos não ter a oportunidade para fazermos determinado tipo de foto; se estou, por exemplo, com uma grande angular, não terei a chance de fotografar, com satisfatória proximidade, um bem-te-vi perseguindo, no céu, um tucano. Contudo, a questão não é ficar nos lamentando por causa das imagens que poderiam ter sido trazidas à tona com as outras lentes, mas, sim, criar a partir da lente que tivermos decidido levar.
A foto desta postagem foi tirada nesse astral. O registro foi realizado com uma lente 18-135 acoplada numa Canon EOS 70D. É uma lente cuja extensão focal atende bem em situações do dia a dia. A fim de praticar o preceito sobre o qual discorro neste texto, é muito frequente eu sair levando somente a 18-135. Todavia, a vida pode trazer o imponderável, o improvável, o imprevisível. Eu não sairia de casa com uma 18-135 pensando em fotografar uma ave durante o voo — pelo menos não com a intenção de fazer com que a ave ocupasse boa parte do quadro fotográfico. Mesmo assim, como o urubu ainda estava não muito longe do chão, como ele ainda estava ganhando os céus, foi possível uma certa proximidade, mesmo com uma lente não indicada para tais ocasiões. A foto foi tirada hoje, enquanto eu ia para o trabalho.
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DE MENTIRINHA E DE VERDADE
Se algum dia eu te der
todo o prazer que quero te dar,
ou te mato de prazer
ou morro de prazer.
Vamos fazer amor de verdade
e morrer de mentirinha?
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segunda-feira, 5 de outubro de 2015
PONDO-SE
Trabalho no IFTM — Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro —, campus Patos de Minas. Os estudantes sabem que gosto de fotografar. Não raro, chamam minha atenção para o pôr do sol. Só que nem sempre levo a câmera para lá. Hoje, levei. Quando uma estudante me mostrou a foto que ela havia tirado com o celular dela, corri para a janela e tirei a foto desta postagem, que é dedicada aos estudantes do IFTM.
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APONTAMENTO 282
Antes de pedir excelência, a vida pede coragem.
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QUASE AQUI
Há momentos
em que quase
desisto de ti.
Quase.
Eu desistiria,
mas o poema
não é quase,
o tesão
não é quase.
São quase 15h.
Vens?
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ESCOLHAS
Há quem prefira
consumir a mentira em papel cuchê ou em páginas amarelas
a ler a verdade em embrulho de pão.
Há quem prefira
a mentira perfumada e vestida como dândi
à verdade puída.
Há quem prefira
acelerar a mentira a duzentos por hora
a pedalar a verdade.
A verdade pode estar em papel cuchê.
A verdade pode trajar gala.
A verdade pode ser rápida.
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HAICAI 40
À vida, dar um fim.
Depois, mudou de ideia.
Disse a ela um sim.
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ATUALIZAÇÃO SOBRE MEU LIVRO
Eu já havia comentado por aqui sobre o lançamento de mais um livro meu, dessa vez, pela Chiado Editora, que é de Portugal. O livro será lançado lá e aqui; estará disponível também no formato “e-book”. Na semana passada, terminaram os trabalhos de revisão. O livro, cujo título é Dislexias, será enviado para a gráfica. A editora pede dois meses para a impressão. O plano é lançar a obra ainda neste ano.
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ESTATUTO DA FAMÍLIA
Sua excelência,
cônscio de si,
votou a favor do
Estatuto da Família.
Depois, para celebrar,
saiu com o amante.
_____
Parece-me faltar, no Estatuto da Família (PL 6583/13), capítulo dedicado à hipocrisia.
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domingo, 4 de outubro de 2015
IMPRENSANDO
Veja como isto é revelador de uma época: a imprensa se denuncia pelo que não cunha.
"O SAL DA TERRA"
“O Sal da Terra” (2014) é um belo documentário sobre a vida e a obra de Sebastião Salgado. É dirigido por Wim Wenders e por Juliano Ribeiro Salgado, o qual é filho de Sebastião Salgado. O roteiro, além de Wenders e de Ribeiro Salgado, conta com David Rosier. Mesclando a vida e a obra do fotógrafo, Wenders e Ribeiro Salgado realizam um filme que é denso e lírico.
Sebastião Salgado viajou o mundo todo, registrando a dura existência de diferentes povos do planeta. O que emerge dessas fotografias e do testemunho do fotógrafo, que comenta algumas das imagens que fez, é uma humanidade cruel, impiedosa. Os trabalhos fazem com que sintamos vergonha do que temos feito contra nós mesmos.
A despeito desses contundentes registros, “O Sal da Terra” é um tributo a um talento, a uma vida. Depois de assistido, o tom com que ficamos é poético, esperançoso, apesar das desgraças que são exibidas por intermédio das fotos de Salgado. São décadas dedicadas a um ofício. “O Sal da Terra” é o... retrato de um fotógrafo profundamente envolvido com suas origens e com a humanidade.
Sebastião Salgado é o cosmopolita perfeito, o homem do mundo que, por intermédio de seu talento, convida à reflexão; ao mesmo tempo, esse cidadão do mundo não deixa de interferir, de modo radicalmente positivo, como bem exibido no documentário, na terra em que nasceu. Sebastião Salgado é, antes de tudo, um homem preocupado com o destino humano aqui neste planeta.
Ele já foi acusado de estetizar a tragédia ou de com ela lucrar. Não encaro desse modo. Sempre que dizem isso acerca do trabalho dele, penso que seria o mesmo de acusar o dentista de lucrar às custas de nossas cáries. Seria o mesmo que acusar Émile Zola ou Victor Hugo por terem escrito obras-primas que retratam as mazelas que podem afligir os homens.
Em narrativa cronológica, “O Sal da Terra” traz à tona o homem por trás das lentes, sem deixar de evidenciar o que as lentes de Sebastião Salgado têm produzido ao longo das décadas. O fim do documentário tem uma poderosa e comovente mensagem ecológica, não só por mostrar um pouco do “Genesis”, trabalho em que Salgado retrata a natureza, mas também por exibir o que o fotógrafo fez na fazenda que pertencera a seu pai.
O perfil que Wenders e Ribeiro Salgado realizaram é tão gigante quanto a vida e a obra do fotógrafo. O título do documentário, além de clara referência ao nome do artista, resgata Mateus: “Vós sois o sal da terra”. Aproveito a metáfora para dizer que Sebastião Salgado é um de seus talentosos e humanistas grãos.
MEETING DE NEGÓCIOS
Eram 14h. Tião Lira Matos Conde de Sá Silva e Mendes e Smith e Brown e Oliveira começa a reunião:
— Vivemos uma época de transição. É preciso startar um novo modelo. Não dá mais pra continuarmos com essa preguiça. Vamos erguer as bundas das cadeiras! A hora é agora. Now! A vida não é uma realidade que é printada e arquivada num celular a partir de um app qualquer. Não! No! O que a vida quer da gente é iniciativa. É preciso dare! É preciso be there!
“Sei que muitos podem não ter entendido o trocadilho. O que quero é mostrar que os tempos são outros. A linguagem needs ser outra. Por isso me valho de foreign palavras. Estou in tune com o que há de mais moderno. Dizia eu que os tempos são outros. As atitudes precisam ser outras. Nós precisamos ser outros. Não podemos settle down. A vida pede action, não podemos give upar quando as dificuldades estão por perto. Precisamos de renovação, precisamos gritar se somos bons, precisamos gritar se não somos bons. Precisamos escrever em negrito, precisamos be bold!
“Relevem mais esse trocadilho. Sou fã de puns. É preciso aguçar a inteligência, é preciso criar something new. É preciso startar (relevem a repetição do verbo) a todo momento. Chega de conservadorismo. No more traditions! Arregacem as mangas, sejam seus próprios líderes. Se estão em dúvida, mirem-se em mim. Mas não quero seguidores. Quero just ser o exemplo para vocês. Se estão em dúvida, follow me. Não encarem isso como pretensão. Estou apenas sendo realista.
“Eu era pobre. Eu agora troco de carro todo ano, tenho cargo de destaque onde trabalho. Sou um winner, mesmo quando há winter. Na academia, dizem: “Publish or perish”. Adaptei o sábio dito acadêmico. Em nosso meio, “be seen or perish”. Grite, esperneie, imponha-se. Não importa ter razão, não importa ser legal. Importa, sim, ser visto, ser alvo de comentários, não importa se bons ou ruins. That’s the way it is.
“O mundo é dos espertos. Quem não concordar com isso que vá embora. Quem não for esperto que vá plantar alface no seu quintal. O que temos aqui é a vida como ela é, sem maquiagem, sem truques, sem mimimi. Fiquem espertos, people. Não se chega a lugar nenhum sendo um bunda-mole. A gente tá aqui é pra mandar ver. Fuck all the rest. Relevem o palavrão. Sou espontâneo, sou autêntico, sou um victorious.
“Aqui não é lugar de silêncio nem de humanidades inúteis. Sejamos práticos, convincentes, rápidos, dinâmicos, produtivos. Shout, man. O mundo precisa escutar você. Não é mergulhando em fruitless reflexões que você galgará os degraus que levarão ao êxito. A escadaria para o céu é difícil. Ce n’est pas facile! Quem quer moleza que fique em casa lendo seus livrinhos. Este é um lugar para guerreiros. This is war. Sou o líder de vocês. Adianto que sou exigente. Mas garanto que valerá a pena.
“Posso listen to you, pra não dizerem que sou um dictator. Não, não sou um dictator. Sou apenas um cara do interior que agora sabe o que fazer, que agora sabe o caminho, que agora está pronto para teachar. Vocês estão aqui para learnar, para growar, para obeyar. Para tal, basta que se mirem no que fui capaz de buildar. Thanks a lot. Sem mais o que dizer, resta este último lembrete: vamos todos, agora, startar a workar. The meeting is over”.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2015
APOSTA
Façamos, pois,
uma aposta:
se eu ganhar,
você faz amor comigo;
se você ganhar,
faço amor com você.
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EFEITO
Os melhores dias
são aqueles em que
me sinto arguto.
Para que haja argúcia,
é preciso haver leitura.
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NO DETALHE
Encaro-me
com olhar
microscópico.
Olhado de perto,
todo mundo é
todo mundo.
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ATÔMICO
Sou a unicidade.
Sou a dualidade.
Sou a trindade.
Sou a estrela.
Sou o chão.
Sou o vento.
Sou eu,
sou todos,
sou tudo.
Morrerei.
Meus átomos
continuarão
sendo.
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FOTOPOEMA 376
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CONTO 81
Maria Antônia estava muito chateada por causa dos chefes.
Sem que ninguém soubesse, quando em casa, depois do trabalho, ela chorava. Como
dependia do emprego, como ela não conseguia achar outro, passou a se valer da
inteligência. Ela já sabia que os chefes que tem são malandros e sacanas, mas
não são perspicazes. Passou a ser irônica, sarcástica, zombeteira. Tudo na
maior elegância, no maior respeito, na maior sutileza. Desavisados até
supuseram que, por vezes, ela passara a bajular. Maria Antônia não chora mais
por causa de seus chefes.
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terça-feira, 29 de setembro de 2015
INSTRUMENTO
Torna-se melodia
o que teus dedos tocam.
Pensando em tuas mãos,
saio de meu canto,
concebo arrepios.
São todos musicais,
como se tocados por ti.
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(DES)APONTAMENTO 38
Marte tem água. Os segregacionistas mudar-se-ão para lá? Ou para lá enviarão pretos e pobres?
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segunda-feira, 28 de setembro de 2015
(DES)APONTAMENTO 37
Já definiram quando começaremos a destruir a água de Marte?...
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Marte
URGÊNCIA
Não é de hoje
que meu corpo
precisa do teu.
É hoje que
meu corpo
precisa
do teu.
É agora
que meu
corpo
precisa
do teu.
Agora.
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FASES DA LUA
A primeira das fotos desta postagem foi tirada às 17h57 do domingo, dia vinte e sete de setembro. A última, à 01h27 da madrugada de segunda-feira, dia vinte e oito. Tentei diferentes abordagens, mostrando a Lua em diferentes composições. A título de curiosidade, insiro na postagem duas imagens criadas por intermédio do Google Sky Map, aplicativo que mapeia o céu.
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terça-feira, 22 de setembro de 2015
VOLKSMAC
Nos EUA, a Volkswagen é acusada de falsificar informações sobre emissões de poluentes; no Brasil, auditores registram duzentos e sessenta e três adolescentes em atividades irregulares da rede McDonald’s no Rio Grande do Sul.
Num mundo ideal, haveria nosso boicote: iríamos a pé ou de bicicleta para o trabalho, compraríamos verduras do vizinho ou as plantaríamos em nossos próprios quintais. Mas agora é tarde. Em maior ou menor grau, todos somos vítimas, reféns e... fomentadores das corporações. É a síndrome de Estocolmo capitalista.
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CONTO 80
Abrantes tem desejos de nobreza, de aristocracia. Está certo de que nasceu no lugar errado. Fica embevecido pelo que vem de fora, tem indiferença pelo que é de seu país. Supõe-se rico. Quando no exterior, fabrica gestos e poses de urbanidades. Voltando para casa, maltrata a empregada.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2015
CORAL
Rastejante,
colorida.
Mesmo capaz
de silêncio,
tem muitas vozes,
tem todas as vozes:
cobra-coral.
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(DES)APONTAMENTO 36
O Multishow mencionou nessa madrugada a conhecida história de que o Rod Stewart, antes de tentar a carreira como cantor, era coveiro. Digamos, pois, que ele tenha... surgido dos mortos...
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domingo, 20 de setembro de 2015
LANÇAMENTO DE LIVRO
Em breve, lançarei mais um livro. Dessa vez, pela Chiado Editora, que tem sede em Portugal. O livro será lançado no Brasil e em Portugal; poderá ser adquirido também no formato “e-book”. O título é Dislexias. A produção está na fase final: a capa já foi definida e as revisões derradeiras já estão ocorrendo. Brevemente, mais detalhes.
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quinta-feira, 17 de setembro de 2015
DA NATUREZA DOS MILAGRES
Quando pequeno, minha mãe recomendava que eu fosse à missa. Eu ia. Mais pela recomendação do que pelo desejo de ir. Ainda na pré-adolescência, eu abandonaria o hábito. Eu ia à igreja dos Capuchinhos, por morar perto dela. Na época, havia a chamada missa das crianças, que ocorria aos domingos, às 9h.
A igreja ficava cheia. Quando era chegada a hora de as pessoas receberem as hóstias, o padre ficava perto do altar; havia dois ou três ajudantes que iam para outros pontos, a fim de também distribuírem hóstias.
Eu sempre me tornava ansioso, por supor que não haveria hóstia o bastante para aquele tanto de gente; afinal, os cálices não eram grandes. Imagina se faltasse hóstia para os desejosos? Nunca faltou. Na minha cabeça, ocorria, durante a celebração, o milagre da multiplicação das hóstias.
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terça-feira, 15 de setembro de 2015
SOBRE LER
Um livro pode ser ponte.
Um livro pode ser muro.
O leitor pode ler ponte quando há muro.
O leitor pode ler muro quando há ponte.
Seja por desaviso.
Seja por má-fé.
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SIMPÓSIO SOBRE CYRO DOS ANJOS É REALIZADO
No fim de semana, participei, no Unipam (Centro Universitário de Patos de Minas), do Primeiro Simpósio de escritores de Minas: Cyro dos Anjos. Publico nesta postagem algumas fotos e a programação do evento. Publico também um texto meu sobre o escritor a que o simpósio era dedicado.
Programação
11/09
19h, abertura
19h15, apresentação musical: canções folclóricas de Minas, com o Grupo Tupam (Núcleo de Arte e Cultura/Unipam)
19h30, mesa-redonda de abertura:
Professor doutor Élcio Lucas (Unimontes): “O homem que espia o homem: o Belmiro por trás da letra”
Professor doutor Luís André Nepomuceno (Unipam): “A menina do sobrado: o amor e o belo como distintivos sociais”
Mediador: Professor Lívio Soares de Medeiros
12/09
14h, mesa-redonda 1
Professor mestre Carlos Roberto da Silva (Unipam): “O herói fracassado em O amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos: notas de leitura”
Professora mestra Bruna Pereira Caixeta (doutoranda em Teoria e História Literária pela Unicamp): “A menina do sobrado e o romance não autobiográfico de Cyro dos Anjos”
Professor doutor Frederico de Sousa Silva (UFU): “Apontamentos clássicos em Cyro dos Anjos”
Mediador: Luís André Nepomuceno
15h45, mesa-redonda 2
Professor Moacir Manoel Felisbino (Unipam): “Ofício de escritor — da arquitetura textual à indagação acerca do sentido da vida em Abdias”
Professor Lívio Soares de Medeiros (IFTM): “Poemas coronários, de Cyro dos Anjos: impressões de leitura
Mediador: Carlos Roberto da Silva
Belmiro Borba e Belmiro Montesclarino — Lívio Soares de Medeiros
Cyro dos Anjos publicou “Poemas coronários” em 1964. O livro havia sido escrito no ano anterior, de vinte e dois de agosto a dezenove de setembro, enquanto o autor estava internado. Os doze breves poemas que compõem o volume foram escritos na iminência da morte.
O autor logo anuncia um eu lírico para os poemas — Belmiro Montesclarino. De imediato, a “piscadela” nos remete ao narrador de “O amanuense Belmiro”, romance de Cyro dos Anjos. Ora, se por um lado há que se tomar certo cuidado ao associar a biografia do autor à sua obra, por outro, o próprio Cyro dos Anjos, ao nomear o eu lírico de “Poemas coronários” como sendo Belmiro Montesclarino, propõe um jogo lúdico-literário-biográfico. Afinal, Cyro dos Anjos é de Montes Claros; além do mais, ele, de fato, relembremos, esteve internado devido a problemas coronários.
Seria útil e didático comentar brevemente cada um dos “Poemas coronários”. A paráfrase deles que faço a seguir os empobrecerá, mas será útil para que se tenha uma visão global do que é, em minha leitura, o corpo do texto. Os poemas não têm títulos. Na ordem em que aparecem, enumero-os e comento-os a seguir:
Poema 1: celebra-se o nascimento do dia;
Poema 2: na iminência da morte, cria-se um deus;
Poema 3: não se quer nem o deus de Aristóteles nem o deus de Espinosa: quer-se um deus com zangas e birras, mas que seja bom;
Poema 4: confessa-se a fragilidade que se tem, bem como a dependência que se tem dos outros;
Poema 5: a morte é visita; pede-se que ela vá embora, pois há um filho para se criar;
Poema 6: não saber quem se é nem se o que se é vale para algo;
Poema 7: atmosfera de tristeza e de fragilidade. O tom é quixotesco;
Poema 8: expressa-se a alegria de estar vivo ao acordar (o que acaba remetendo o leitor ao primeiro poema do livro);
Poema 9: “O corpo vence a morte”;
Poema 10: a vida vale a pena, desde que vivida uns pelos outros;
Poema 11: a família do autor é apresentada;
Poema 12: a morte tem belo aspecto; desculpas são pedidas “aos poetas de ofício”.
Emerge da leitura dos doze textos o retrato de um eu lírico fragilizado, humanizado. Essa fragilidade se expressa em textos que não têm conhecidos (embora eficazes) truques literários. A literariedade, que poderia ter ficado mais evidente do que o que se confere na leitura, está em segundo plano (os textos, por exemplo, são classificados como poesia muito mais em função do aspecto visual do que pela cadência que têm); o que há são os medos, inseguranças e alegrias de quem está num hospital, temendo perder a vida. É como se o que importasse não fosse fazer literatura, mas, sim, registrar o que poderiam ser as últimas palavras a serem escritas por um paciente em um hospital.
O caráter frágil a que me referi acima é também estilístico. Os “Poemas coronários” se valem da retórica da falsa modéstia. Antes mesmo do primeiro poema, numa espécie de introdução, o eu lírico usa as expressões “lira ingênua”, “escritor menor” e “imperito nas artes poéticas”; no último poema, recordemos, esse mesmo eu lírico pede desculpas “aos poetas de ofício”. Cyro do Anjos, prosador que era, estava, nos “Poemas coronários”, pisando terreno que não percorria em sua trajetória de escritor. Essa falsa modéstia acaba por estar em sintonia com o tom espontâneo dos poemas.
De “O amanuense Belmiro”, valho-me de uma frase, a fim de realçar algumas diferenças entre o narrador do romance e o eu lírico dos “Poemas coronários”. Num dado momento, Belmiro anuncia: “Creio que já não quero o mito mas a pessoa”. A pessoa em questão é Carmélia, de quem Belmiro fala ao longo da obra.
Os “Poemas coronários” abrem mão de um mito, por assim dizer; abrem mão do mito literário. Em “O amanuense Belmiro”, há a construção de um personagem/narrador. Dito de outro modo: forja-se um personagem/narrador. Seria um tanto difícil para o leitor que não teve contato pessoal com Cyro dos Anjos apontar o que dele, Cyro dos Anjos, há em Belmiro. Em contrapartida, talvez um tanto irresponsavelmente, afirmo: o eu lírico dos “Poemas coronários” é Cyro dos Anjos. Se não o é plenamente, pelo menos o é em maior escala do que Belmiro Borba. Este passa o livro todo construindo um mito, seja por não ter Carmélia, seja por edificar uma persona literária. Quando não tem mais a capacidade de erigir mitos, desiste de escrever.
Nesse sentido, é curioso o quanto o narrador Belmiro é diferente do narrador Casmurro. Menciono isso por já ter havido comparações entre Cyro dos Anjos e Machado de Assis. À parte a concordância ou a não concordância quanto a tais comparações, Casmurro e Belmiro diferem nisto: aquele, terminada sua narrativa, já adquiriu o gosto pela escrita; tanto é assim que anuncia, nas linhas finais de “Dom Casmurro”, que iniciará a escrita de outro livro; já Belmiro, mesmo tendo escrito o segmento “esta literatura íntima é a minha salvação”, acaba por anunciar que não há mais o que escrever, pois a vida se tornara vazia. Um dá sentido à vida por intermédio da escrita; o outro abandona a escrita por ter perdido o sentido da vida.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
FULANO, BELTRANO E SICRANO
“Por que hão de os homens separar-se pelas ideias? De bom grado, eu sacrificaria minha ideia mais nobre para não perder um amigo. Neste mundo, sou apenas um procurador de amigos”.
Cyro dos Anjos
1
Fulano torce para o time A.
Beltrano torce para o time A.
Deram-se bem por causa disso.
Fulano votou no candidato A.
Beltrano voltou no candidato B.
Fulano brigou com Beltrano por causa disso.
2
Fulano votou no candidato A.
Beltrano votou no candidato A.
Deram-se bem por causa disso.
Fulano torce para o time A.
Beltrano torce para o time B.
Beltrano brigou com Fulano por causa disso.
3
Sicrano, enquanto isso,
mudou-se para Miami.
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APONTAMENTO 281
É preciso duvidar de quase tudo, mas é preciso acreditar em algo.
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domingo, 13 de setembro de 2015
DO TODO À PARTE
Conhecer
todo o prazer
de que teu corpo
é capaz.
Conhecer
todo prazer
de que teu corpo
é capaz.
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ENSAIA
Saia de cara limpa,
saia da preguiça,
saia de cena,
saia do conforto.
Saia para o trabalho,
saia para casa,
saia para a escola,
saia para a noite.
Saia de pé.
Saia para o amor.
Se longa,
se velha,
se justa,
se nova,
se curta,
se larga...
Caso
se lembre
de mim,
saia.
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"EVERYBODY HURTS", DO R.E.M.
O pop/rock tem diversas canções tristes. Uma com um clima bem melancólico é “Everybody hurts”, do R.E.M. Por si, a voz do Michael Stipe já é merencória (o que, claro, não é problema algum). Não bastasse, em “Everybody hurts” o arranjo é lamentoso, o que acaba gerando um paradoxo instigante, pois a letra tem um tom que conclama à não desistência. A faixa tem uma voz triste, amparada por um triste arranjo, numa letra a qual diz que não se deve desistir. Uma bela canção.
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Michael Stipe,
Pop/Rock,
REM
BUSCAS
Se não me entrego à poesia,
ela me busca.
Se ela não se entrega a mim,
eu a busco.
Eu dependo dela.
Ela não depende de mim.
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APONTAMENTO 280
Os sexos têm pontos em comum de que nem suspeitamos e diferenças de que nem fazemos ideia.
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CRUZEIRO E ATLÉTICO EMPATAM NO MINEIRÃO
Depois de um primeiro tempo chocho, Cruzeiro e Atlético fizeram um memorável segundo tempo há pouco, no Mineirão. Com Mena tendo sido expulso aos seis minutos da segunda etapa, a pressão do Atlético passou a ser grande, embora tenha sido o Cruzeiro, com Alisson e com Willian, a ter as grandes chances. Mesmo assim, a impressão que se tinha era a de que, devido à forte pressão que fazia, seria questão de tempo para que o Atlético marcasse. O que ocorreu, aos quarenta e três, por intermédio de Carlos.
Se o goleiro Victor falhara no gol do Cruzeiro, redimiu-se, defendendo o pênalti cobrado por Willian, que esteve ofuscado enquanto Luxemburgo comandou a Raposa recentemente. No duelo particular entre Cruzeiro e Atlético, dentro do campeonato brasileiro, a Raposa teve vantagem sobre o Galo, pois o Cruzeiro venceu no primeiro turno. Já os corintianos ficaram satisfeitos com o empate no Mineirão: o Corinthians está a cinco pontos do Atlético.
domingo, 6 de setembro de 2015
"OPERILDA NA ORQUESTRA AMAZÔNICA"
Na noite de sábado, dentro da programação do Balaio, aqui em Patos de Minas, conferi o espetáculo “Operilda na orquestra amazônica”. Operilda é interpretada pela atriz Andréa Bassitt. Em cena, ela se apresenta ao lado dos músicos Elaine Giacomelli (piano), Clara Bastos (contrabaixo), Paula Souza Lima (violino), Joca Araújo (clarinete e flauta), Joyce Peixoto (trombone) e Cássia Maria (percussão). A direção musical é do maestro Miguel Briamonte. A geral, de Regina Galdino.
Trata-se de uma criação que é teatral e que é, ao mesmo tempo, musical. Agrada a crianças — com piadas criativas — e agrada a adultos — com humor criativo. Não bastasse, “Operilda na orquestra amazônica” conta a história de grandes compositores da música brasileira, ao mesmo tempo em que evidencia o espetáculo que é a natureza daqui.
No contexto em que vivemos, a produção se torna necessária para o Brasil, não para que ele olhe para si com benevolência ou com condescendência, mas para que ele olhe para si e enxergue um País talentoso, musical, criativo e de natureza exuberante. “Operilda na orquestra amazônica” inspira, mostra-nos que o povo brasileiro pode ser tão grande e exuberante quanto o chão que pisa.
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Consegui a foto via Facebook (https://www.facebook.com/Operilda). Não havia autoria do registro.
APONTAMENTO 279
Não sei o que é mais danoso: se uma inteligência malévola ou se uma burrice malévola. Se igualmente danosas, diferem-se, contudo, nos métodos. Todavia, podem ser, ambas, eficazes.
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quarta-feira, 2 de setembro de 2015
NO CONSULTÓRIO (2)
— Do que você se sente incapaz?
— De ser.
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