domingo, 18 de outubro de 2009

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (59)

A princípio, pode-se ter a impressão de que o pássaro está ferido. Não era o caso. Parece que estava descansando. Ou se secando – a foto foi tirada lá na Lagoa Grande, em frente à rodoviária, aqui em Patos de Minas.

Quando vi que o pássaro havia pousado sobre a madeira, fui caminhando como quem não quer nada, num cuidadoso passo a passo, para que a madeira não fizesse menção de ceder a meus passos nem de ranger, o que poderia afugentar o pássaro.

Mas ele colaborou. Permitiu uma aproximação razoável, bem como permitiu que eu tirasse umas cinco ou seis fotos. A imagem foi registrada no dia nove de abril deste ano, às 13h52.

APONTAMENTO 72

Somos todos nós como aquela barata, que, alheia a todo o perigo, tranquilamente atravessa a movimentada avenida do centro da cidade, enquanto os carros, igualmente alheios, quase a esmagam.

LETRA DE MÚSICA (18)

Num mundo tão conspurcado,
você tem a pureza dos que acabaram de chegar,
mesmo não tendo acabado de chegar.
Você ainda não perdeu a inocência
nem descobriu o valor que tem.
Você é juventude.
Não vieram ainda as mazelas,
mal se insinuam as agruras
em seu leve caminho.

Que você seja forte quando perder a inocência;
comedida, quando descobrir seu valor;
paciente, quando não descobrirem seu valor.

Se você não for nem forte nem comedida nem paciente,
que não perca essa sua delicadeza de mulher,
isso que você tem e que embala a vontade da gente de ser bom.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

BLOGUE DE "O CADERNO SECRETO DE LORI"

Recentemente, escrevi resenha sobre a peça teatral “O caderno secreto de Lori”. E ontem (14/10), este blogue teve o acesso de Lenise Moraes, que trabalha na produção do espetáculo, apresentado em Patos de Minas no domingo, dia 11 de outubro.

Quando entrou em contato, Lenise mencionou o blogue da peça. Então pedi a ela que confirmasse o endereço, para que eu o divulgasse.

Caso você queira conferir a página, gentileza clicar aqui. No blogue, há linques para saites que têm em comum o combate e a vigilância contra a pedofilia.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

CAIU NA REDE - SEGUNDA EDIÇÃO

Pessoas, já publicada mais uma edição do programa Caiu na Rede. Para escutar, gentileza clicar no “play” ao lado.

Meu obrigado a todos os que se manifestaram sobre a primeira edição, enviando e-mails ou deixando mensagens neste blogue.

Espero que gostem deste segundo programa, embora eu estivesse um pouco gripado quando o gravei.

Em breve, você poderá baixar os programas e salvá-los, por exemplo, em seu MP3, podendo escutar o Caiu na Rede onde você quiser.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"O CADERNO SECRETO DE LORI"

Ontem, no Teatro Municipal Leão de Formosa, às 21h, ocorreu o espetáculo teatral “O caderno secreto de Lori”. O evento fez parte do III Festival Nacional de Teatro Universitário. Abaixo, resenha que escrevi sobre a peça e também algumas fotos que fiz da apresentação.
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Arrebatamento. Foi o que senti quando a atriz Jéssica Azevedo terminou o espetáculo “O caderno secreto de Lori”. A peça teatral é uma adaptação do romance “O caderno rosa de Lori Lamby”, de Hilda Hilst.

Não conheço o livro de Hilst, de modo que não há como eu julgar a peça teatral sob o ponto de vista da adaptação. Do que sei, é que há muito um espetáculo teatral não me deixava tão impressionado.

A sinopse da peça, que está na programação do evento, já diz muito: “O espetáculo teatral ‘O caderno secreto de Lori’ aborda temas referentes à sexualidade humana, à relação do prazer e do desejo, ao abuso e exploração sexual infantil, à pedofilia, à erotização infantil e da mulher, ao consumismo, à banalização do sexo” (...).

Não é pouco para uma peça teatral. Contudo, a excelente atriz Jéssica Azevedo e o diretor Marcelo Rocco souberam conduzir com segurança temas tão melindrosos.

Assim que nós, o público, entramos no teatro, havia pequenas bonecas jogadas em todo o piso do recinto; algumas, despedaçadas. Já no palco, Jéssica, vestida como uma garota, segurava o que parecia ser um cabo de vassoura e ficava batendo com ele no chão, enquanto uma sinistra trilha sonora era executada. Logo de cara, sentia-se um clima bizarro, quase de terror.

Quando Jéssica começa a falar, executa sem afetação o papel de uma garota de oito anos e que vende seu corpo, incentivada pelos pais. Há na fala dela algo de doce, de infantil, de ingênuo. Contudo, nesse tom ingênuo, ela narra as seduções de que é vítima por parte dos adultos.

Isso gera um paradoxo, é estranho. Causa desconforto ver uma garota de oito anos falar, num tom inocente, sobre as relações sexuais que tem. Se o tom da voz é gracioso, infantil, gostoso de escutar, as experiências relatadas, por sua vez, destroem qualquer graça ou pitada de brincadeira do espetáculo – embora parte da plateia tenha dado risadas com os palavrões e descrições de cenas de sexo por parte de Lori.

O espetáculo é denso e triste. Há uma ironia amarga quando a gente olha para o palco e vê uma criança relatar experiências que tem com adultos inescrupulosos. Percebe-se, por trás do tom cândido de Lori, uma criança que está, ainda que sem saber com exatidão, dilacerada – e pedindo socorro.

Há um momento em que Lori dança em cena. Mas é uma dança canhestra, mecânica, sem alma, sem viço, sem graciosidade, sem ritmo. Ela dança, é verdade, mas são movimentos toscos, pesados, sofridos. Logo após ela volta ao tom infantil, casual, inocente – mas sempre narrando os ardis de quem deveria estar cuidando dela.

O que se vê no palco é uma criança destruída pelo comportamento sexual dos adultos, pela publicidade perniciosa, pela erotização do corpo infantil. Lori é vítima. É por isso que não faz sentido achar graça do que ela conta, a despeito da naturalidade e da espontaneidade infantil que ela tem. Por trás de sua ternura de criança, há um corpo violentado e uma alma estraçalhada.

Na cena final, uma pessoa adulta vestida como um bicho de pelúcia entra em cena. Ele e Lori simulam sexo. A cena é perfeita no sentido de ilustrar o grotesco e o cruel do que a garota vinha narrando até então. Há algo de assustador na cena. Fosse uma pessoa que não estivesse fantasiada, talvez o momento não causasse tanto impacto. É um desfecho contundente e triste para um espetáculo denso e imprescindível.

A arte pode nos arrebatar. E pode ser um soco no estômago.









domingo, 11 de outubro de 2009

III FESTIVAL DE TEATRO UNIVERSITÁRIO

Está sendo realizado em Patos de Minas o III Festival Nacional de Teatro Universitário. O evento, que é uma promoção do Núcleo de Arte e Cultura do Unipam, vai até amanhã.

Ontem, no Teatro Municipal Leão de Formosa, às 22h, a Cia Teatral Confraria do Tambor, formada por alunos da UFU (Universidade Federal de Uberlândia), apresentou “As criadas”, de Jean Genet, sob a direção de José Luiz Filho.

Abaixo, a programação do evento e algumas fotos que fiz da peça do espetáculo “As criadas”.

Hoje

“A cantora careca” (comédia)
18h, no SEST/SENAT

“O caderno secreto de Lori” (drama)
21h, no Teatro Municipal Leão de Formosa

Amanhã

“A viagem de Clara em busca do eu perdido” (infantil)
9h, no SEST/SENAT

“Amores risíveis” (Drama)
10h30, no Teatro Municipal Leão de Formosa

“Aprendiz de feiticeiro” (infantil)
14h, no SEST/SENAT

“A árvore de Mamulengos” (comédia)
15h, no Teatro Municipal Leão de Formosa

“Wilde censurado” (drama)
19h, no Teatro Municipal Leão de Formosa









quinta-feira, 8 de outubro de 2009

CAIU NA REDE

Olá, pessoas.

A partir de agora, você também pode me escutar por intermédio deste blogue. Simplesmente aperte o “play” acima para conferir o Caiu na Rede. Cada edição do programa terá aproximadamente meia hora. A intenção é postar um programa por semana.

Mais uma vez, agradeço demais a Rusimário Bernardes, que foi extremamente atencioso e profissional. Graças a ele, o Caiu na Rede está no ar.

Espero que gostem.

FOTOPOEMA 131

APONTAMENTO 71

Preciso não de uma circunstância externa, mas de um grande evento interno.

sábado, 26 de setembro de 2009

APONTAMENTO 69

Talvez o dinheiro não compre a liberdade, mas ajuda a pular fora da condenação.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

BLACK DOG REALIZA SHOW

Ontem, no teatro municipal Leão de Formosa, aqui em Patos de Minas, ocorreu show com a banda Black Dog (Moisés – guitarra; Wendell – baixo; e Cleanto – bateria). Comemoraram os dez anos do grupo.

O repertório foi certeiro, pois fugiu de obviedades. Buscando, digamos, o lado B de artistas consagrados, a Black Dog surpreendeu sem deixar de agradar.

O show teve as participações de Daliany Soares (que cantou Janis Joplin), Wilmar Carvalho (que cantou Navarro e tocou violão e gaita) e Jr. Martins (que cantou The Animals e tocou guitarra). Além deles, o tecladista Léo Martins participou de boa parte do show ao lado da Black Dog. (Que o quarteto volte a se apresentar.)

Moisés, Wendell e Cleanto são da primeira formação da banda O Gabba, que gravou em 2000 o CD “Alerta”. Do disco, executaram “E.F.I.”, com arranjo diferente do que está no CD – na versão da Black Dog, a música ficou mais pesada.

Também surpreendente foi a inclusão de “Qualquer ruído”, de Dalla e Wander Porto, artistas locais. A canção é conhecida por aqui, de modo que parte da plateia cantou junto. Se a introdução sinalizava para uma versão mais leve, na segunda parte a Black Dog imprimiu sua assinatura roqueira no arranjo.

Na penúltima música, com banda e todos os convidados no palco, fizeram “With a little help from my friends”, numa versão à la Joe Cocker. Para encerrar, tocaram “A hora e a vez do cabelo nascer”, dos Mutantes, já gravada pela Black Dog.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

COSMOPOLITA



Sou a morada
de todas as pessoas
do planeta e
habito cada
canto da Terra.

Minha casa é
onde sou aceito.
As imensidões de
toda parte são
minha sala de estar.

Este mundo em que moro,
é o mundo que me habita.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

FESTIVAL MARRECO TEM SEGUNDA EDIÇÃO

Ontem, no Parque do Mocambo, foi realizada a segunda edição do Festival Marreco de cultura independente. Novamente, tive o privilégio de apresentar e evento. A organização foi da Peleja Criação Cultural.

As bandas
Ana-Hu (Patos de Minas), Erbert Richard (Patos de Minas), Viagem a Falo (Patos de Minas), Dissidente (Uberlândia), Os Rélpis (Araraquara), Zé Trindade (Belo Horizonte) e Vandaluz (Patos de Minas) se apresentaram. Fechando a noite, show com Chucrobillyman (Curitiba), conhecido como a banda de um homem só – com os pés, ele faz a bateria; com as mãos, toca violão; além disso, canta.

No ano passado, o festival foi realizado ao lado da rodoviária. A decisão de realizar o festival no Mocambo acabou sendo acertada. Conversei com alguns que conferiram o evento; todos disseram ser o parque um local mais apropriado para a festa. Além das bandas, houve apresentações com esqueitistas, atores, pirófagos e capoeiristas.

Já comentei por aqui que o grande barato desse tipo de festival é o fato de os artistas apresentarem trabalhos autorais. E é um refrigério saber que há bandas por todo o Brasil realizando um trabalho profissional e independente, sem se importar com os rumos que o tal mercado fonográfico tem tomado desde que se tornou moeda corrente baixar música pela internet.

Além do mais, justamente por serem bandas independentes, não estão atreladas às exigências de nenhuma grande gravadora, o que acaba propiciando a elas liberdade irrestrita para compor, tocar, arranjar e fazerem shows como bem entenderem. Obviamente, não se queixariam se obtivessem contrato com uma grande gravadora, mas enquanto produzem de modo independente, acabam brindando o público com trabalhos genuínos e espontâneos.

Abaixo, algumas fotos que tirei durante o festival.















quarta-feira, 16 de setembro de 2009

LINGUAGEM

Posso dizer que
te amo em
várias línguas,
mas prefiro dizer
com a minha.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

APONTAMENTO 68

Aquilo que nenhum escritor jamais seria capaz de conceber, a vida mesma trata de inventar todos os dias.

domingo, 13 de setembro de 2009

MÁRIO NHARDES LANÇA LIVRO

Com prazer, recebi hoje o livro “Agapantos”, de Mário Nhardes, pseudônimo de Rusimário Bernardes. O livro foi publicado por intermédio da All Print Editora.

“Agapantos” é composto por poemas. Curtos, revelam um poeta que se volta para as ditas coisas simples, para o cotidiano, sem a preocupação de se dedicar a um texto cerebral ou voltado para malabarismos com a linguagem.

Sensível, Nhardes trata com lirismo até as temáticas sociais, como a destruição da natureza e o descaso para com as crianças, só para ficar em dois exemplos.

“Agapantos” contempla a amizade, a mulher, o amor e a natureza em versos curtos. Aqui e ali, revela também senso de humor. Nos poemas breves, mostra a capacidade de muito sugerir com poucas palavras: “Você e seu vestido,/Eu e minha imaginação”.

Não bastasse a leitura agradável e leve que o texto de Nhardes proporciona, a edição tem um sóbrio e elegante projeto gráfico, com capa de Manoel Almeida. Em breve, haverá uma página na internet dedicada ao livro. Mas caso você queira conhecer mais sobre o autor, acesse nhardes.com.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

VANDALUZ NA MTV

Pessoas, neste sábado, 12 de setembro, a partir de 11h, a MTV vai exibir, no programa Lab BR, o clipe da canção “Lucidez”, da banda Vandaluz. O Lab BR se dedica a veicular videoclipes independentes de todo o Brasil.

Parabéns ao Vandaluz, não somente pela feitura do trabalho, mas também pelo espaço conseguido na MTV. Abaixo, o clipe.

SEM LUGAR

“Posso compor contigo reticências?”, perguntou o banido trema para o ponto-final...

VOO FIRME

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

APONTAMENTO 67

São absolutamente pós-modernos, homens de seu tempo: os males de que padecem são de uma contemporaneidade acachapante.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

APONTAMENTO 66

É trivial dizerem que a autoestima do brasileiro é elevada quando um dos chamados ídolos se destaca internacionalmente, não importa o campo de atuação do ídolo.

Contudo, essa autoestima é ilusória. Passado o entusiasmo, cada um passa a olhar em torno e volta a ver as dificuldades e os fiascos do cotidiano.

Eleva-se a autoestima de um povo não com vitórias esparsas de um ou de outro de tempos em tempos, mas com vitórias individuais da maioria sem fama.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

SEGUNDA EDIÇÃO DO FESTIVAL MARRECO

No dia 20 de setembro, no Parque Municipal do Mocambo, ocorre a segunda edição do Festival Marreco de Cultura Independente. O evento é uma promoção da Peleja Criação Cultural.

Mais informações no blogue da Peleja. Abaixo, vídeo de divulgação do festival.

MADRUGADA

sábado, 5 de setembro de 2009

APONTAMENTO 65

Mistério é onde não estamos. E onde estamos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

RAINHA

Dos pés à cabeça,
você me veste,
você me reveste,
você me converte,
você me subverte.

Solerte, você
me faz consorte.
Destarte, faço
você com arte.

domingo, 23 de agosto de 2009

GRUPO GALPÃO EM PATOS DE MINAS

Ontem, às 20h, o grupo mineiro Galpão apresentou na praça do Fórum, aqui em Patos de Minas, o espetáculo teatral “Till – a saga de um herói torto”. A direção é de Júlio Maciel.

O Galpão, desde sua origem, tem feito um teatro de rua, popular. Sempre com essa proposta, já percorreram países da Europa e das Américas. Na Inglaterra, chegaram a apresentar “Romeu e Julieta” no Teatro Globo, em Londres – encenando em português.

A despeito da consagração internacional, o Galpão não perde de vista a proposta original de levar às praças um teatro que tem muito de circense, que resgata a ideia da ágora, de reunir a população para que possamos curtir uma apresentação teatral.

Os integrantes do Galpão são ecléticos. O tipo de teatro que fazem exige que os atores cantem, toquem instrumentos musicais e dominem habilidades circenses (malabarismos, pernas de pau, agilidade corporal etc). Além dessa versatilidade, o Galpão esbanja profissionalismo e talento, o que se traduz em excelência dos espetáculos.

Alguns pingos de chuva começaram a cair, o que poderia ter comprometido o desenrolar do espetáculo. No fim das contas, não choveu (enquanto digito, chove). A plateia se divertiu. Till, personagem que dá nome à peça, é criação da cultura popular alemã da Idade Média. É o típico anti-herói. Acaba nos remetendo a nosso Macunaíma.

O Galpão continua em turnê com a peça. No dia 29, estarão em Divinópolis. Recentemente, estiveram em Uberaba. Abaixo, algumas fotos que fiz do evento.