quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

DUAS LEMBRANÇAS

Meu pai fazia certas brincadeiras em tom muito sério. A seriedade me convencia de que a brincadeira era verdade pétrea. Numa dessas pilhérias, ele disse algo assim: “Estamos em fevereiro; as mulheres conversam menos neste mês”. O impacto dessa “informação” foi imenso; fiquei intrigado. Na minha cabeça, era como se o mês de fevereiro tivesse alguma propriedade “mágica” que fizesse com que as mulheres conversassem menos.

Uma outra brincadeira foi assim: estávamos eu, ele e mais alguém de que não me lembro nas imediações da cidade, num carro. Do nada, meu pai apontou para um poste solitário num pasto e comentou algo mais ou menos assim: “Olha ali, Lívio: aquele poste ali é para marcar que aquele lugar é o meio do mundo”.

Pirei. Fiquei me perguntando: “Como assim?! O meio do mundo é em Patos de Minas e ninguém sabe disso?!”. Não bastasse meu assombro, fiquei indignado com a falta de informação no lugar. Ora, se lá era o meio do mundo, deveria haver na área placas explicando algo tão importante! Em minha concepção, o meio do mundo não poderia ficar sem indicação alguma, solitário num ermo do Cerrado. 

2 comentários:

Bruna Caixeta disse...

Lívio,
achei um barato os dois relatos!

Aliás, digo de passagem um fato observado por mim: todas as historietas que você vez ou outra aqui, ou em sala de aula (na época em que foi meu professor), lembra terem sido contadas por seu pai, me agradam e me divertem. Fico com a impressão (literária) de que seu pai foi uma pessoa bastante agradável, simpática e sagaz.

E belo gesto o seu de tornar os relatos dele histórias, perpetuá-los na forma escrita.

Um abraço.

Lívio Soares de Medeiros disse...

Ele era divertido, Bruna; de vez em quando me lembro de alguma história.

Obrigado pelo comentário.

Abraço.