quarta-feira, 14 de abril de 2010

CONTO 39

Clarissa não sabe se chora pelas migalhas de felicidade que teve ou pela felicidade a qual pensou que teria. O choro é no presente, mas há todo um passado estilhaçado, todo um futuro desvanecido. Enquanto o choro vai sendo conjugado, suas grandes tragédias e as grandes tragédias do mundo todo, bem como todas as canções e todas as madrugadas, vão sendo destiladas. Ela chora por si e por todos. É quando percebe que lá longe, no horizonte, desponta uma luz que atende pelo nome de manhã. Clarissa quer viver de novo.

2 comentários:

Gabriela Maria disse...

(hj acordei pessimista)

é... às vezes parece à Clarissa em mim q o grande problema é querer viver d novo, apesar de.

mas como vc disse em um dos seus poemas, né, Lívio, "um dia, hei de prosseguir porque."

Lívio Soares de Medeiros disse...

Que esse "apesar de" seja temporário, Gabriela - apesar de tudo...