segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

MAMORÉ x URT

Ontem, tive a oportunidade, pela primeira vez, de fotografar uma partida de futebol à beira do gramado. Eu não tinha nem ideia da dimensão exata do gol, acostumado a assistir aos jogos nas arquibancadas. E foi muito bom acompanhar os bastidores da partida mais de perto. Levei minha câmera. Além dela, uma que me foi emprestada pelo Jhereh, a quem devo agradecer muito. Ele também deixou comigo uma lente 500mm e uma olho de peixe. Valeu demais, Jhereh. Por fim, agradeço demais também ao fotógrafo José Olímpio, pela assessoria dentro do estádio. A partida foi realizada em Patos de Minas/MG.




























PASSEIO NO CERRADO














APONTAMENTO 174

Quando a gente cria, a gente vem à tona; quando a gente vem à tona, a gente se renova; quando a gente se renova, voltamos felizes para o fundo — de onde jubilosos sairemos quando novamente criarmos. Criar é ter paz e assenhorar-se de si.

FOTOPOEMA 307

FOTOPOEMA 306

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

FOTOPOEMA 305

APONTAMENTO 173

Quando a gente começa a reparar nas coisas, o encanto delas vai se nos revelando. Nem toda beleza é óbvia. Há belezas que precisam ser desveladas, “desembrulhadas”. Há belezas que, para se mostrarem em todo o seu fulgor, precisam ser estudadas. Há belezas com as quais temos de conviver para que possamos beber de seu manancial. Quanto mais a gente estuda, quanto mais a gente repara, quanto mais a gente lê, quanto mais a gente aprende, quanto mais a gente olha, mais a gente vai percebendo que este mundo tem, também, beleza. Quando a gente presta atenção, a beleza nos vai mostrando sua face, vai nos convidando a ir mais longe na beleza — que é ir mais longe em nós mesmos. Quando a gente presta atenção, o belo nos vai convidando a subir a escadaria. Degrau por degrau, a gente vai ficando mais bonito. Quando a gente dá atenção à beleza, ela resplandece. Resplandecendo, ela nos embeleza.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

COISAS DO AMOR

Qualquer coisa 
que se pareça com amor 
faz com que eu me lembre de ti.
Mas é curioso: desde que te amo, 
tudo se parece com amor. 

LEMINSKI

Paulo lê Minski.
Eu leio Paulo.
Mais um uísque. 

CANÇÃO

A voz...
Para não...
Continua falando...
Quentura e calor,
ternura e desejo.
Musa para os ouvidos,
envolve-me com teu som. 

PATOS DE MINAS/MG

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

CÉU

Acredite no 
que digo com 
os pés no chão:
sou todo seu:
sou todo céu.

TÁTIL

O livro que tenho 
em mãos esteve nas tuas.
Nunca seria, pois, um livro qualquer.
Meus olhos percorrem as palavras 
que os teus percorreram.
A leitura, de repente, 
torna-se, também, tátil.
E daí se torna carícia.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

FOTOPOEMA 304

A MAIOR PROVA DE AMOR

Calendário deste ano, lançado por uma editora de material didático, diz que o Taj Mahal é a “maior prova de amor que já houve”, explicando que um imperador o mandou construir em memória de sua esposa favorita.

Ainda segundo o calendário, a fonte da informação é a Wikipédia. De fato, basta que se digite “Taj Mahal” no Google para se achar o texto que está no calendário da editora; é o primeiro “link” que aparece.

Fiquei com essa história de “maior prova de amor” na ideia. É que fiquei sem entender se o autor do texto quis dizer “maior” no sentido de tamanho, de medidas, ou se quis dizer “maior” no sentido de intensidade, de profundidade de sentimento.

Se a intenção era dizer “maior” no sentido literal, referindo-se às dimensões do mausoléu, isso mostra o poderio de quem mandou construir a edificação. Se a intenção era dizer “maior” no sentido de se referir ao que o imperador sentia, parece-me “estranho” afirmar isso. Não há como mensurar a intensidade de um sentimento, seja ele qual for, seja quem for que o esteja sentindo.

Um cara que ame a esposa e que tenha uma renda de, digamos, trinta mil reais por mês, terá, penso, dificuldade em dar a ela um carro que custe uns quatro milhões de reais. A materialização do amor é alcançada de acordo com a possibilidade de quem ama. Se esse mesmo sujeito dá para a esposa um vestido de vinte mil reais, isso não quer dizer que ele a ame menos, por não ter dado a ela o carro de quatro milhões de reais.

Não preciso dizer da maravilha que é o Taj Mahal como obra arquitetônica. Se o texto se referia ao plano físico ao dizer que a construção é a “maior prova de amor”, este texto meu é inútil, o que não é novidade. Mas se quiseram medir a intensidade do amor ao afirmar o Taj Mahal como “maior prova de amor”, penso ser melindroso
“calcular” isso.

Há algo que me contaram certa vez. Não me lembro dos detalhes; por isso, inventarei circunstâncias, mas preservarei a essência: diz a história que um garoto de uns onze anos foi a uma relojoaria. As roupas dele eram puídas. Tímido, aproximou-se de um dos funcionários.

Disse o garoto que queria comprar um relógio para a mãe, pois era o aniversário dela. Para tal, tinha consigo trinta reais, conseguidos com seu trabalho como engraxate. O funcionário lhe explicou que o dinheiro não daria para comprar nada. O dono da relojoaria, que estava por perto, decidiu conversar com o menino.

Entenderam-se: o comprador escolheu um relógio que, supôs, agradaria à mãe. Entregou os trinta reais para o dono da empresa e foi feliz para casa. Pouco tempo depois, estava de volta, dessa vez, acompanhado pela mãe, que pediu para falar com o proprietário da relojoaria.

Mal ele se aproximou, a mãe, que supunha que o garoto furtara o relógio, foi logo pedindo desculpas, afirmando que já havia ralhado com o menino, que chorava. Depois de escutar a mãe, o dono disse: “Minha senhora, fique com o presente. Eu conversei com seu filho. O valor do relógio não importa. O que importa, é que ele deu para a senhora tudo o que ele tinha”.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

CONTO 60

A porta estava quase se fechando, mas Alan conseguiu entrar no elevador. Além dele, um homem e uma mulher. Mal o elevador começa a subir, o casal se junta e começa a se beijar. Alan, a princípio, fica sem jeito, mas não consegue deixar de olhar. O homem aperta a mulher contra a parede; o beijo prossegue. Segurando com firmeza os cabelos dela, ele começa a passar a língua pelo pescoço; ela olha para Alan, que tem a impressão de estar sendo convidado. “Voyeur” involuntário, ele não sabe o que fazer, embora não consiga não olhar para o rosto dela. Então, o tranco: o elevador para. Aberta a porta, Alan sai quase correndo. Nunca comentou com ninguém, mas ficara com água na boca.

"FOGO DO CÉU"

O rastro de fogo que é produzido quando um objeto entra na atmosfera terrestre atiça a imaginação de nós, terráqueos. E, dependo do caso, o temor. Eu, por exemplo, ainda moleque, fiquei morrendo de medo do Skylab, uma estação espacial americana que passou pela atmosfera e se desintegrou, embora estilhaços tenham atingido trechos do oeste da Austrália. Isso foi em 1979. Eu, menino bobo de oito anos, pensei que o mundo fosse acabar.

A queda de um meteoro aqui, por si, já deixaria a imaginação ligadona. Contudo, como se não bastasse, um deles rasga o céu da Rússia bem no dia em que passa perto (em termos espaciais) da Terra um outro corpo, conhecido como 2012 DA14. 

Segundo cientistas, o 2012 DA14 tem quarenta e cinco metros de comprimento. Caísse na Terra, causaria muito dano. Mas, ainda segundo cientistas, o mais perto que ele chega daqui é a distância de uns 27.000 quilômetros. Pode-se dizer (sempre em termos espaciais) que o asteroide passou rente à Terra. Ele tirou um fino (por aqui se diz “tirar uma fina”) do planeta em que vivemos.

O que caiu na Rússia não tem relação com o 2012 DA14. Contudo, reacendem velhas superstições, medos e “teorias”, mesmo sabendo-se que a Terra é atingida por corpos vindos do espaço há tempos. O episódio de hoje, na Rússia, trouxe à mente o de Tunguska, na Sibéria, em 1908. O asteroide entrou na atmosfera e explodiu. Árvores foram derrubadas numa área de 1.000 quilômetros quadrados.

Certa vez, a CNN exibiu “Fire from the sky” [Fogo do céu]. É justamente sobre a possibilidade forte de a Terra ser atingida por um asteroide. De acordo com o documentário, pequenos deles chegam perto do planeta diariamente. Contudo, por serem pequenos, muitas vezes são dizimados na atmosfera. Mas segundo a produção da CNN, se um deles, do tamanho de um campo de futebol, atingir a Terra, o efeito será devastador... 

CONTO 59

Às vezes, Clever não tem a impressão, mas a certeza de que Susana está com saudade dele. É uma certeza tamanha que ele consegue retê-la entre seus dedos saudosos. Mas a seguir supõe que isso é resultado da saudade exata e palpável que ele sente de Susana. Nessas tantas ocasiões, mesmo depois de digitadas as palavras, ele deixa de enviar a mensagem.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

EXÍLIO

Não adianta calar,
não adianta fingir,
não adianta fugir
para terras remotas:
ela me seduz,
ela me deduz.
Esteja eu em
Tegucigalpa
ou em Pasárgada,
ela sabe todos
os meus degredos.

FOTOPOEMA 303

FOTOPOEMA 302

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

PRODUÇÕES LIVIANAS EM MATERIAL DA UFLA

Há pouco, peguei material produzido pelos professores Marco Antônio Villarta Neder, Helena Maria Ferreira e Mauricéia Silva de Paula Vieira, da Universidade Federal de Lavras — UFLA. O guia de estudos, publicado em 2012, tem duas produções minhas: um fotopoema e um poema.

O fotopoema foi inserido no material da UFLA numa seção dedicada ao estudo do conceito de intertextualidade. Já o poema “Felicidade” está numa seção voltada para os chamados fatores de textualização. Obrigado à professora Helena por ter sugerido que minhas produções fossem inseridas no material produzido pela universidade.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

FOTOPOEMA 301

MELÃO-DE-SÃO-CAETANO

Também conhecida como são-caetano.

RUNNING WATERS






O Melville escreveu, no comecinho do “Moby Dick”, que “a meditação e a água estão ligadas para sempre”. Num plano de ascendência menor, sempre digo que a água é um belo assunto para a fotografia.

Ontem, tive o privilégio de, mais uma vez, ir até a fazenda do pai do amigo Aldo, com o objetivo exclusivo de fotografar as águas de um córrego que passa dentro da propriedade. Além de mim e do Aldo, foram conosco o Rossi e a Angela, além da Mariana, a adorável filhinha dos dois.

Como de costume, a dona Elza e o senhor Aldir, pais do Aldo, receberam-me com a usual gentileza . Não bastasse a fineza sem afetação dos dois, há sempre um delicioso café e deliciosos biscoitos caseiros à disposição. Após a sessão fotográfica, houve ainda uma apetitosa janta.

FOTOPOEMA 300

sábado, 9 de fevereiro de 2013

LETRA DE MÚSICA (35)

A gente fez nosso canto.
Temos agora nosso teto.
Quando você disse que
a gente podia, eu duvidei.

Vista de fora, parece até
menor do que ela já é.
Não vai contar mesmo
qual o prato da estreia?

Que tal os livros ali?
Onde deixo a guitarra?
Onde você vai deixar
suas telas de pintura?

A casa vai ficar cheia: 
você quer dois filhos.
E se a gente bolasse
um agora mesmo?...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

FOTOPOEMA 297


Há muitos anos, no Cine Riviera, cinema local que pegou fogo, assisti a um espetáculo teatral baseado em poemas do Drummond. Foi brilhante. Um pesar eu não me lembrar mais do nome do espetáculo nem do nome da companhia teatral.

Um dos poemas encenados foi o que contém os versos “no meio do caminho tinha pedra / tinha uma pedra no meio do caminho”. Um dos personagens, durante a representação do texto, saía correndo de uma das extremidades do palco e parava súbito no meio.

Assim fez algumas vezes, de modo que a plateia deduzia que ele estava parando a corrida diante de uma pedra criada pela mente. Uma pedra que, a rigor, não estava lá. Precisamente por não estar lá e por ser imaginado pelo personagem, o obstáculo torna-se mais eloquente e opressor.

Enquanto a gente escutava o poema sendo declamado, o personagem voltava, saía correndo outra vez e parava diante da “pedra”, que já estava na cabeça de todos nós. Numa sacada poderosa por parte da trupe, já estávamos todos loucos para tirar a “pedra” do caminho e para saber no que daria aquilo. 

Natural que logo pensássemos: “Será que ele vai superar o ‘obstáculo’?”. Com maestria, o pessoal “colocara” sobre o palco uma pedra-obstáculo, colocada também dentro da cabeça de quem assistia à peça; no fim do poema o ator dá um belo e catártico salto sobre a “pedra”.

Hoje pela manhã, eu me lembrei dessa memorável apresentação teatral. Deixando rolar a reminiscência e o devaneio, que têm um “método” próprio que a gente não sabe decifrar, acabei desembocando, ainda pela manhã, no texto que está junto à foto.

Eu o devo, pois, ao Drummond, ao espetáculo no Riviera e a tantas outras coisas de que nem faço ideia. Meu texto nada tem a ver com a apresentação teatral; além disso, subverte o texto original do poeta.