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sábado, 11 de julho de 2020

Ler e olhar

Teófilo Arvelos, estudante e autor dos livros Parnaso e Lágrima, enviou-me texto de prova da Unicamp. O texto é de uma autora que eu não conhecia — Elena Ferrante. Esse nome é um pseudônimo. Segundo o que li, além de escritora, ela seria tradutora.

Ainda não conheço os livros escritos por ela. Preciso ir atrás deles. Depois de ler o texto que o Teófilo me enviou, acessei o site (o necessário e brilhante The Guardian) de que o escrito havia sido retirado. Na prova da universidade, o texto não estava na íntegra. Eu já havia gostado da versão editada; quando a li sem cortes, eu soube que seria necessário me dedicar a mais coisas de Elena Ferrante. Li todos os títulos que ela publicou na coluna que ela tinha no Guardian.

No site, fosse eu escrever sobre os textos dela em termos de gênero, eu diria serem crônicas, no sentido mais brasileiro que se possa dar ao termo, a boa e velha crônica ao modo dos grandes cronistas brasileiros do século XX. Ou, quem sabe, os textos de Elena Ferrante possam ser considerados apontamentos. Mas a questão dos gêneros textuais não me preocupa.

O material dela no jornal The Guardian é extremamente pessoal, mas transformado em algo universal a partir da linguagem, a qual é tema de um texto que alega exatamente o pensamento de que a universalidade está na linguagem, não nas circunstâncias ou nos estereótipos. A escritora não está preocupada em soar profunda, mas em burilar a linguagem, ato este que é a essência do fazer literário.

Metalinguagem, amor, sexo, amizade e questões femininas estão nos textos de Elena Ferrante. Ela escreve de modo comedido, elegante. Há um charme cerebral, altivo. Os textos da autora são a ponta do iceberg do cotidiano. Lemos o trivial; todavia, um trivial que nos deixa entrever suas complexidades a partir do depurado estilo da escritora.

Isso, por si, é motivo para que se confira os textos dela no Guardian. Só que o espaço merece ser frequentado devido a outra razão também, pois os textos de Elena Ferrante são ilustrados por uma artista chamada Andrea Ucini. Os desenhos dela são obras de arte em si; eles podem prescindir dos textos da escritora, embora, é claro, tenham com eles ligações íntimas. Elena Ferrante e Andrea Ucini nos ofertam felicidade em palavras e em imagens. 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Partida entre Atlético/MG e Flamengo é comentada no jornal The Guardian

Não é segredo que sou torcedor do Cruzeiro. À parte isso, tenho interesse pela história do futebol, além de não me deixar levar por babaquices de parte de torcedores, que desvirtuam não só o ato de torcer, mas também a convivência com quem é apaixonado pelo time rival. Desse modo, caso decida comentar esta postagem, gentileza se valer de tom civilizado e sem entusiasmos desarrazoados.
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A edição de hoje do jornal inglês The Guardian responde a um leitor que pergunta sobre a partida entre Flamengo e Atlético/MG, em 1981; o jogo era válido pela Libertadores. Por aqui, a história é bem conhecida: José Roberto Wright, o árbitro, foi, pouco a pouco, demolindo o time do Atlético.

Esse jogo, de fato, é uma vergonha. Se, por um lado, o Atlético tinha um baita time, o do Flamengo também era. O Flamengo não precisaria da ajuda do árbitro para superar a equipe mineira, que, por sua vez, era um dos poucos times que podia jogar de igual para igual contra aquele time do Flamengo. As duas equipes tinham brilhos similares.

Tudo é muito turvo, muito suspeito. É quase impossível não supor ter havido interesse de alguém em que o Flamengo saísse vitorioso, não importa como. A moral ou o moral não dão a vitória para ninguém, mas o vencedor moral dessa partida é o Atlético. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

SUSAN BOYLE

Quando li pela primeira vez o nome de Susan Boyle na tela do computador, não me interessei, por achar que se tratava de mais uma dessas inúmeras bobagens divulgadas diariamente nos grandes portais de internete.

Contudo, há mais ou menos um mês, enquanto eu procurava algum texto para uma aula de inglês, eu me deparei com um trecho no sítio do jornal The Guardian que me chamou a atenção: “A Susan Boyle é feia? Ou nós é que somos?”.

Atraído pela frase, li o texto (escrito por Tanya Gold), de que gostei. Mas somente ontem é que conferi o vídeo que tornou Susan Boyle conhecida. Mesmo já ciente da história, por ter lido o artigo veiculado em The Guardian, foi emocionante ter assistido à apresentação dela no “Britain’s Got Talent”, programa exibido por uma TV na Grã-Bretanha.

Britain’s Got Talent” é uma daquelas atrações sádicas em que jurados pagos para serem empafiados detonam quem não se apresenta bem. Quando Boyle entrou no coliseu, houve risos, escárnio e reprovação no ambiente.

Ela foi espontânea, foi sincera, aberta. Foi sem armadura, portando um quê de inocência, de ingenuidade. Pareceu não ter ressentimento algum contra a plateia, que a recebera com ar zombeteiro. Boyle fez o que sempre quis fazer – cantar. Ela passou por complicações durante o nascimento. As sequelas a teriam deixado com um leve dano cerebral. A despeito disso, sempre quis ser cantora profissional. 

Mesmo sem querer, Boyle desestruturou a pasmaceira. No espetáculo tolamente midiático por que somos assolados, ela deu uma porrada no maldoso, deletério e perigoso circo criado por imprensa e meios de comunicação.

A turba fez pilhéria quando Boyle chegou ao palco. Mas turbas se esbaldam em rir do que não tem graça. E ainda que tivesse, é bom que nos lembremos de Melville, que, em seu monumental “Moby Dick”, escreveu: “O homem que tenha alguma coisa de abundantemente risível a seu propósito, estai certos, há nele mais do que supondes” (tradução de Pericles Eugênio da Silva Ramos).

Susan Boyle é linda. Feios somos nós.