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terça-feira, 4 de outubro de 2022

Bolsonaro, os maçons, os evangélicos, os católicos

Circulou hoje um vídeo  em que Bolsonaro, em tese, esteve num templo da maçonaria antes de se tornar presidente. Perguntei para alguns evangélicos a opinião deles sobre a maçonaria. Disseram não simpatizar com os maçons. Dois deles chegaram a dizer que a maçonaria é uma “seita satânica”.

Também não sei como a igreja católica encara atualmente a maçonaria. De todo modo, em 1983, um documento aprovado pelo então papa João Paulo Segundo diz: “Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão”.
 
Como não sou maçom, nada sei deles a não ser o que se acha em qualquer verbete na internet. Li no Guerra e Paz, do Tolstói, uma detalhada descrição do que seria um ritual maçônico. Em pesquisa que realizei quando da leitura do livro, há uns seis anos, nada achei sobre Tolstói ter sido maçom. Perguntei a um dos integrantes da maçonaria se a descrição de Tolstói corresponde ao que ocorre nas cerimônias maçônicas. O maçom disse que conferiria e que me daria um retorno. Nunca deu, o que entendo.

É que, não estando eu enganado (e se eu estiver, que alguém fique à vontade para me corrigir, pois, como dito, não sou maçom), recomenda-se não divulgar o que ocorre nas cerimônias maçônicas. Não sei se Tolstói era maçom, se obteve detalhes do ritual a partir de algum maçom que teria dado com a língua nos dentes, se na época os rituais maçônicos podiam ser divulgados, se ele, Tolstói, caso fosse maçom, teria, mesmo quebrando o combinado, revelado como se dá determinada cerimônia ou se, por fim, o que é descrito no livro, quanto aos detalhes do ritual, é ficção.

Parte importante da maçonaria apoiou a campanha de Bolsonaro em 2018.  Sabe-se também que Hamilton Mourão, o vice-presidente, é maçom. E Bolsonaro apontou para o STF Kassio Nunes Marques, que já se declarou mestre da maçonaria. Por fim, o registro de que, embora não sendo bem vista por parte dos evangélicos nem pela cúpula de João Paulo Segundo (não sei o que os atuais chefes da instituição pensam da maçonaria), ela, a maçonaria, não se define como religião, apresentando-se como instituição que afirma haver um suposto “Grande Arquiteto do Universo”. 
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(As informações contidas neste texto estão neste link.) 

sábado, 6 de março de 2021

“Remédios”

De um lado, um governante que já deixara claro a que veio: “Minha especialidade é matar”. De outro, aqueles que, em vez de assumirem responsabilidades, delegam para um deus a resolução de problemas. Eles não são resolvidos. Vem a morte. Aí é um tal de “que deus o receba” ou um tal de “essa pandemia é vingança de deus” ou um tal de “que deus nos ajude”. Para que a consciência siga em paz, cloroquina, ivermectina e afins. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Igreja católica diz não a proposta de Temer

Recentemente, o papa disse não para Temer. Francisco recusou convite do presidente para que viesse ao Brasil. Em texto divulgado pelo Vaticano, o chefe da igreja católica alega que não virá porque os mais pobres pagam o preço por “soluções fáceis e superficiais para crises”.

O episódio não é simples recusa diplomática para um convite, já que o argentino alega que não virá ao país por causa dos rumos que a equipe de Temer deu à economia, em que os mais pobres serão os prejudicados. Não bastasse, vale lembrar que o Vaticano disse não a um convite feito pelo presidente de uma das maiores nações católicas do planeta.

No plano local, a igreja também se posicionou quanto às ideias da equipe de Temer, em especial contra a Reforma da Previdência. Claudio Nori Sturm, bispo da diocese de Patos de Minas, emitiu documento em que menciona a diminuição dos direitos que o governo de Temer quer implementar. Na nota, o chefe local da igreja católica sugere que as paróquias fechem as portas na sexta-feira, como protesto contra a decepante reforma da previdência. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

sábado, 30 de maio de 2015

BAND É PUNIDA APÓS COMENTÁRIO DE DATENA

Recentemente, a Band foi obrigada pelo Ministério Público a veicular chamada em que se evidencia a laicidade do Estado brasileiro. À parte, por ora, o questionamento se tal laicidade se faz na prática, o Ministério Público tomou a decisão por causa de comentário feito por Datena, que atacou os ateus. Segundo ele, os que não temem Deus ou que nele não acreditam perpetuam as desgraças do mundo. Tivesse Datena um pouquinho de senso histórico, antes de falar a bobagem que falou, consideraria as atrocidades que são feitas em nome de Deus. 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

ENTREVISTA COM O PADRE FÁBIO DE MELO

Não é preciso ser gênio para saber que as crenças podem levar as pessoas a atos bem distantes do que poderia se supor como bem-aventurança, paz ou algo parecido. Em nome de alguma coisa que dizem ser divina, barbáries foram e são realizadas, tanto no ocidente quanto no oriente.

O elogio que farei nesta postagem não tem a intenção de fazer proselitismo. O objetivo é apenas ressaltar que a religião causa em alguns o que deveria causar em todos os que se dizem religiosos: a ponderação, o amor pelo conhecimento, a sensatez. Foi a impressão que tive quando, ontem, assisti a uma entrevista concedida pelo padre Fábio de Melo a Marília Gabriela.

Eu sabia que ele é padre e sabia que ele havia gravado uma participação no CD “Na medida do impossível”, da Fernanda Takai, cantando “Amar como Jesus amou”. Essas eram as únicas coisas que eu sabia dele. Ontem, assistindo ao Marília Gabriela Entrevista, conferi um sujeito que estava, é claro, defendendo os interesses católicos, mas fazendo isso com ponderação e com bom senso.

Quando perguntado, por exemplo, sobre a laicidade do Estado, ele disse ser a favor dela. Argumentou: ainda que o Estado venha, por exemplo, a legalizar o aborto, o papel dele como padre e o papel da instituição que ele representa é o de ser contra a prática. Num outro trecho da entrevista, fez questão de dizer que muito do que a igreja dele prega é voltado para os fiéis católicos, não para os que professam outra crença. Também não descartou a possibilidade de o catolicismo vir a tentar maior representatividade na Câmara dos Deputados.

Carismático, talentoso, relativamente jovem (quarenta e quatro anos). É cantor, escritor, compositor; está presente nas redes sociais. Em seu trabalho como cantor, interage com artistas que são conhecidos não por alguma ligação com o catolicismo — casos, por exemplo, de Elba Ramalho e de Zeca Pagodinho. A igreja católica não dá ponto sem nó. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

APONTAMENTO 234

Os homens não criam deuses que tenham senso de humor. 

segunda-feira, 31 de março de 2014

INFIEL



Ayaan Hirsi Ali nasceu na Somália, em 1969. De família muçulmana, seu destino já estava traçado: obedecer ao que prescreve o Corão, obedecer aos homens, casar-se com quem escolhessem para ela. Ainda menina, devido às tradições de que foi vítima, passou por clitorectomia.

Ela é autora do estupendo Infiel, publicado pela Companhia das Letras. Autobiográfica, a obra relata a vida de Ayaan Hirsi Ali desde a infância, num mundo arcaico e cheio de costumes anacrônicos, assolado por conflitos bélicos, até a fuga para a Europa, a carreira política na Holanda (foi deputada por lá) e o atual exílio nos Estados Unidos.

Infiel muda de tom quando Ayaan Hirsi Ali começa a falar de sua carreira política na Holanda. Se antes de contar sua incursão em trâmites políticos sua dolorida biografia era narrada sem questionamentos mais profundos, a partir do momento em que nos conta sua jornada política, a escritora não se furta a analisar temas controversos, como o islamismo que herdara; hoje, após anos de reflexão, Hirsi Ali se declara ateia. 

Ela também conta o episódio em que um amigo dela foi assassinado depois de dirigir um curta-metragem cujo roteiro é de Ayaan Hirsi Ali. Submissão, o nome do curta, tem direção de Theo van Gogh, que seria assassinado por causa da feitura do vídeo. Hirsi Ali passou a receber ameaças de morte. O vídeo está no Youtube: bastar digitar o nome dela e a palavra “submission”.

A autora deixa claro: (...) “Nós, no Ocidente, fazemos mal em prolongar desnecessariamente a dor dessa transição [a transição para o mundo moderno], alçando culturas repletas de farisaísmo e ódio à mulher à estatura de respeitáveis estilos de vida alternativos”. Hirsi Ali desaprova a complacência ocidental para com um sistema “incompatível com os direitos humanos e os valores liberais”, nas palavras dela.

Infiel fez com que eu olhasse de um modo menos desconfiado para o Ocidente. Não que eu tenha passado a aprovar as crueldades desse Ocidente, seja no Oriente, seja na África, seja no próprio Ocidente. Entretanto, o livro fez com que eu reconhecesse de modo mais nítido conquistas “simples”, como a liberdade de me exprimir.

Ayaan Hirsi Ali escreveu um livro essencial. Também via Youtube é possível ter acessos a debates de que ela participou. Infiel é o retrato de uma mulher notável. Ela teve malária, pneumonia; teve a genitália mutilada, teve uma faca na garganta num assalto, teve o crânio fraturado por um professor de Alcorão. Reflete a autora: “Quantas moças nascidas no Hospital Digfeer, em Mogadíscio, em novembro de 1969, ainda estão vivas? E quantas têm voz, realmente?”. Ainda bem que Hirsi Ali lutou para achar a dela.

terça-feira, 26 de março de 2013

PAPA FRANCISCO

A postura aparentemente simpática e humilde do papa tem sido elogiada até por não católicos, apesar de ter sido divulgado que o padre teve proximidade com a ditadura argentina. Mas ainda é cedo para se julgar o trabalho dele.

À parte isso, os que o têm elogiado destacam o que parece ser um despojamento do pontífice: ele foi filmado aproximando-se de fiéis na Praça São Pedro; divulgou-se que, por enquanto, quer permanecer em residência simples; jardineiros e faxineiros do Vaticano assistiram a missa celebrada por ele.

Não li ninguém dizendo que a abordagem de Francisco pudesse ser, digamos, populista (se alguém disse isso, não tomei conhecimento). Partindo-se do pensamento de que ele não está fazendo um teatrinho ao se aproximar do povo ou ao passar a impressão de ter um estilo menos pomposo do que seus antecessores, ele estaria “simplesmente” fazendo o que se espera de um papa...

Dito de outra maneira, sempre levando-se em conta que as atitudes dele não são movidas por uma espécie de politicamente correto católico, Francisco estaria, quem sabe, tentando exercer um apostolado mais próximo daquilo que o catolicismo prega em palavras: uma vida simples, despojada.

Pode-se argumentar que esse despojamento papal seria uma das estratégias da igreja católica na tentativa de se estancar a debandada de fiéis que tem ocorrido. Se for esse o caso, ainda assim tal estratégia não deixa de ser acertada. Obviamente, não é o bastante: em julho, estrategicamente, o papa estará no Rio de Janeiro, na Jornada Mundial da Juventude.