O Danny Elfman, quando ainda era vocalista do Oingo Boingo e quando ainda não compunha para orquestra, disse, certa vez, em entrevista, que o sonho de todo roqueiro é compor para orquestra. Ele levou a sério o que disse e, hoje, compõe para orquestra, tendo já realizado memoráveis peças eruditas para trilhas sonoras de filmes.
A Orquestra de Ouro Preto, em seu canal no YouTube, veiculou neste sábado, primeiro de maio, canções do grupo norueguês A-Ha. Suponho que os integrantes da banda pop não vão ficar sabendo da execução feita pela orquestra.
À parte isso, é difícil imaginar uma consagração maior para um compositor de pop/rock do que ter a criação dele tocada por uma orquestra. Esse tipo de iniciativa rompe a divisão entre o que é erudito e o que é popular, algo que sempre me fascinou, não importa a arte em que isso ocorra.
O grande texto sobre esse assunto foi escrito por Michael Kamen, que foi o regente da orquestra na gravação do álbum S&M, que tem o Metallica se apresentando com orquestra. O texto de Kamen, que pode ser conferido no encarte do CD, é emocionante e reflete o amor à música. Kamen relata, dentre outras coisas, a tensão inicial dos músicos da orquestra e a, que foi surgindo aos poucos à medida que a apresentação prosseguia, curtição a que se entregaram.
O maestro chega a mencionar que durante a execução de uma peça clássica, caso uma corda de um violino arrebentasse durante o concerto, isso seria motivo de preocupação para o músico. Mas num show com o Metallica, a corda arrebentada estava, digamos, em sintonia com o espírito roqueiro.
Em ocasiões assim, há um saudável descompromisso, os músicos da orquestra parecem ficar mais à vontade do que numa apresentação de repertório erudito. Durante a apresentação da Orquestra de Outro Preto, mesmo sentada, uma violinista, não resistindo ao contágio, dança, num belíssimo momento. Que o show prossiga.
É preciso fazer. É preciso produzir. É preciso criar. O que, talvez, não tem significado nem sentido agora, terá depois, para alguém, em algum lugar. Não sugiro com isso que quando o Bruce Hornsby compôs “The way it is” ele estivesse supondo que compusera algo sem valor, sem sentido, sem significado. O que escrevo, é só para dizer que, nesta madrugada, “The way it is” faz sentido (como sempre). Eu sei que o Bruce Hornsby existe, sei que “The way it is” existe. Eu agradeço a ele e à canção. Graças aos dois, existo melhor nesta madrugada.
“Blue skies”, com a banda Noah and the Whale, e “Anabela”, com Renato Braz, são duas das canções mais tristes que já escutei. “Beautiful Sunday”, com Daniel Boone, uma das mais felizes.
Na noite que passou, sonhei que a banda Information Society, sucesso aqui no Brasil na década de 90, havia regravado "Armadilha", do Finis Africae; a canção foi sucesso em meados da década de 80. No sonho, curti demais a regravação do Information Society, tendo me surpreendido a excelente pronúncia do vocalista.
A rigor, o trabalho, em vinil, era todo de canções brasileiras. Não me lembro de todas elas, mas, além de "Armadilha", havia "Amor, meu grande amor", da Ângela Rorô, também sucesso com o Barão Vermelho. Tanto "Armadilha" quanto "Amor, meu grande amor" tinham a pegada eletrônica do Information Society.
Certa vez, o Pedro Bial, cobrindo um evento de rock pela Globo, disse, sobre “Sweet child o’ mine”, do Guns n’ Roses. “A canção de ninar dos roqueiros”. Não conheço os “bastidores” da letra, mas a definição do Bial é exata, mesmo a canção podendo não ser exatamente sobre uma criança (ou para uma criança), a despeito da ternura que expressa.
Lembro-me, por exemplo, de “Go gentle”, do Robbie Williams. É uma das canções mais ternas que conheço. Sempre tive comigo que na letra um eu lírico masculino se dirigia com delicadeza à mulher com quem mantém (ou quer manter) relação de amor. Um homem que quer cuidar da mulher que ama, que a aconselha a ter cuidado com as armadilhas do mundo.
Numa das versões ao vivo da canção, Robbie Williams disse que “Go gentle” é sobre a filha dele. O saber disso não anula a ternura da letra da canção. Só que eu não pensava nela como sendo sobre o amor paternal, mas, sim, sobre o amor (também carnal) sentido por um homem em relação a uma mulher.
Anteontem, tive a honra de ter mais um poema que escrevi musicado por um amigo. Dessa vez, pelo Hérico Noronha. Assim que leu o Poema Malcriado, que postei mais cedo no Facebook, o Hérico comentou que o texto havia ficado a cara do Arnaldo Antunes. Diante disso, em tom de brincadeira, sugeri a ele que musicasse o poema. O resultado está nesta postagem.
A rigor, o texto foi escrito em treze de dezembro de 2011, data em que o postei aqui. Tentando achar outra postagem também aqui, acabei me deparando com o poema. Foi então que me decidi por publicá-lo no Facebook.
Ao Hérico, muito obrigado por ter musicado as palavras e muito obrigado pelas conversas divertidas que tivemos via WhatsApp, enquanto decidíamos que rumos tomar quanto à letra e ao astral da melodia criada pelo Hérico.
City streets, sucesso com a Carole King, de que o Eric Clapton participa tocando guitarra, é uma canção triste e lírica. Há o sentimento de solidão, intensificado pelo movimento das... ruas da cidade. Um eu lírico solitário diante da agitação urbana, em meio a vidas que, pelo menos na aparência, estão acompanhadas. Uma pérola da música pop.
Desculpem-me por voltar ao Bob Dylan. A rigor, eu deveria ter escrito tudo numa só postagem. Todavia, deixei me levar pelo entusiasmo assim que li o anúncio de que ele é o Nobel de 2016. A indicação dele já vem de alguns anos (um dos intelectuais da Fundação Nobel já havia se declarado a favor de se conceder o prêmio ao compositor americano).
Pareço me esquecer de que existe algo chamado Youtube. Lendo matéria sobre o Bob Dylan publicada hoje no site da New Yorker, há um “link” para uma entrevista concedida por Dylan numa ocasião em que ele esteve em Roma. No bate-papo, de pouco mais de uma hora, o compositor, que se mostra um tanto amuado no início da entrevista, vai, ao poucos, parecendo ficar mais à vontade, chegando até a brincar com os jornalistas. Se quiser escutar, eis o “link”.
A primeira coisa que me chamou a atenção assim que comecei a conferir a entrevista é o quanto a voz de Bob Dylan é grave quando ele não está cantando, mas falando. Como cantor, seu timbre fanhoso e médio é conhecido. Quando ele conversa, o tom fanhoso está presente, mas ao se valer do chamado “vocal fry” ao conversar, Dylan confere um tom grave à voz, um tom que não vem à tona quando ele canta.
Para encerrar esta postagem, e para evitar que eu escreva outra somente sobre a história de que me lembrei agora, faço referência a algo bastante divulgado; acho até que o John Lennon chegou a falar sobre isso em alguma entrevista. A história dá conta de que quando os Beatles fumaram maconha pela primeira vez, estavam na companhia de Bob Dylan, que é quem teria apresentado a eles a Cannabis sativa.
Bob Dylan foi anunciado o Nobel de literatura de 2016. Lembro-me da primeira vez em que li a letra de “Blowin’ in the wind” — eu tinha uns doze anos; a escola de inglês em que eu estudava havia distribuído um livreto com as letras de algumas canções populares dos Estados Unidos. Uma delas era o clássico do Bob Dylan.
Sempre digo que letras de músicas podem ser literatura, mesmo não tendo obrigação de. Numa atitude nada simpática, compartilho, abaixo, texto escrito por... mim... Eu o publiquei em meu blogue no dia 10 de setembro de 2008. _____
Gosto demais quando as barreiras que separam o erudito do popular são derrubadas. Sempre me senti atraído pela tentativa de se fazer uma amálgama dos dois. Em mim, isso é tão forte, que chego a pensar que se algum dia eu tivesse de arriscar uma definição para o que é a arte, eu partiria desse princípio de fusão entre o que é considerado popular e o que é considerado erudito.
Canções e literatura sempre me atraíram. O John Lennon disse que quando começou a escrever letras, tentava imitar o Bob Dylan. Nessa tentativa, Lennon se esforçava por escrever letras complicadas cujo sentido permanecesse latente. Com o passar do tempo, mudou a abordagem e passou a escrever textos mais simples, mais diretos, com menos metáforas – “Imagine” é um exemplo dessa fase menos rebuscada. Contudo, Lennon reiterava que tentava escrever letras que pudessem ser também lidas, letras que funcionassem como um poema.
A música pop tem letras que são poemas. O que é pop não tem de necessariamente produzir textos que possam ser considerados peças literárias, mas isso não impede que a literariedade esteja presente no que é pop.
Penso em “The Unforgiven”, do Metallica. Com muita freqüência, eu me lembro de um dos trechos da letra. Diz o seguinte (tradução liviana):
What I’ve felt What I’ve known Never shined through what I’ve shown
(O que senti O que conheci Nunca brilhou por intermédio do que mostrei)
O trecho não precisa ser cantado para “funcionar”.
Neste momento, escuto algumas canções. Uma delas, “Misread”, do Kings of Convenience. Um trecho da letra foi o que me levou a escrever o texto que você está lendo agora. Diz o trecho (novamente, tradução liviana):
How come no one told me All throughout history The loneliest people Were the ones who always spoke the truth The ones who made a difference By withstanding the indifference
(Por que ninguém me disse Que por toda a história Os mais solitários Foram os que sempre falaram a verdade Os que fizeram a diferença Resistindo à indiferença)
A MPB é pródiga em letras-poemas. De Pixinguinha a Lulu Santos, há fartura. E assim, “a porta do mundo é aberta/Minha alma desperta/Buscando a canção”.
Não que eu não admire o Prince como cantor. Não que eu não admire o Prince como compositor (“Nothing compares 2U”, sucesso na voz da Sinéad O’Connor, e “Manic Monday”, sucesso com as garotas do Bangles, são composições dele). Não que eu não admire o Prince quando ele estava no palco. Admiro tudo isso nele. Mas o que não me cansa de espantar é o grande guitarrista que ele foi.
Neste vídeo, estão no palco Tom Petty, Jeff Lynne, Steve Winwood, Dhani Harrison (filho do George Harrison) e o Prince; tocam “While my guitar gently weeps”. Num momento do memorável solo que o Prince faz, Dhani Harrison chega a achar graça do guitarrista, que é apoiado, para que não caísse do palco, pelo que parece ser um segurança (não sei se isso havia sido combinado). Reparem que, no final, Prince joga a guitarra para o alto. Não a vejo caindo de volta. Para onde ela vai?
As mais profundas reflexões filosóficas podem estar presentes também na cultura popular. A agudeza de reflexão ou de questionamento filosófico não é privilégio da cultura erudita. Por isso mesmo, a erudição, pelo arcabouço teórico que tem, deveria beber com mais sede a cultura popular.
Há uma canção pop chamada “Time to pretend” (Hora de fingir), da banda MGMT. Lembro-me da primeira vez em que a escutei, quando ela já estava pela metade. Liguei o rádio bem no trecho em que se canta “I'll miss my sister, miss my father, miss my dog and my home”. O verso captou minha atenção.
Depois, quando conferi a letra da canção, dei-me conta de que ela narra os devaneios de um eu lírico que se imagina vivenciando o mundo da fama; em especial, o universo do “showbiz”, com seus excessos, suas drogas, seu ritmo veloz, sua carga alta de adrenalina e suas mortes prematuras. “Time to pretend” tem uma temática fascinante demais: é sobre os iludidos, os quixotescos.
Boa parte da canção se refere a um futuro em que, supostamente, haverá tudo o que o dinheiro e a fama podem conseguir. Uma vida sem as chatices e as burocracias impedidoras que nós, os não famosos e os não artistas, temos de levar. É uma canção sobre um iludido, não sobre um sonhador, mesmo eu ciente de que é quase invisível a linha que separa o sonhador do iludido.
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P.S. 1: Em 2008, escrevi um texto intitulado Nós, os Iludidos. Eu o menciono por ele estar ligado à temática desta postagem. Caso queira conferir esse texto de 2008, o endereço é este.
P.S. 2: Em 2014, comparei “Time to pretend” a “Babylon”, do Zeca Baleiro. Para conferir, eis o endereço.
Minha convivência com a canção “Mary’s prayer” (que traduzo abaixo) se iniciou no fim da década de 80. A faixa é de 1987; integra o álbum “Meet Danny Wilson”, da banda... Danny Wilson. O trabalhou chegou a ser trilha sonora de uma novela da Globo, o que fez com que fizesse algum sucesso por aqui, embora tal sucesso não tenha sido estrondoso. Há algum tempo, escrevi que não entendo a temática de algumas canções do Zé Ramalho, o que, claro, não me impede de gostar delas. O mesmo vale para “Mary’s prayer” — por mais que eu leia e releia a letra, não consigo me definir sobre a temática dela. Já vasculhei na internet: há várias “teorias”. Lembro-me de que uma delas alega que a letra é sobre um assassinato. Gary Clark, o autor, já declarou, laconicamente, que “Mary’s prayer” é apenas uma canção de amor. A despeito do título e das referências à religião, ele negou o teor religioso ou místico da faixa. Tenho fascínio por “Mary’s prayer”, que é lírica e reflexiva. Trechos como “se você quiser que a fruta caia, você tem de dar uma sacudida na árvore / Mas se você sacudir a árvore forte demais, o galho vai quebrar” têm fina ironia e possibilita profícua reflexão. Devo dizer que há várias versões da letra da internet. Pela natureza do inglês, é fácil haver confusões quanto a que palavras estão sendo cantadas ou faladas. Tenho comigo que o próprio Jason Donovan, que regravou “Mary’s prayer”, modificou a letra, e, creio, por tê-la escutado incorretamente. Donovan canta “did I have to make mistakes when I was Mary’s prayer”; o correto é “did I have to make this mess when I was “Mary’s prayer”. Além do mais, há uma versão ao vivo no Youtube, com a banda Danny Wilson, em que a pronúncia de “this mess”, em vez de “mistakes”, é muito clara. (Eu também pensava que o correto era “mistakes”; cantei a letra errado por muito tempo.) Sei que se canta “this mess” pelo seguinte: depois de ter me deparado com uma série de versões do que é cantado por Gary Clark (não somente nesse trecho), entrei em contato com a banda, a partir do canal deles no Youtube, pedindo que me fosse enviada a letra. Um ano depois, quando eu já não esperava mais retorno, recebo a letra, enviada pelo próprio Gary Clark! Minha tradução se baseia no que ele enviou. ______
Danny Wilson — Mary’s prayer
Everything is wonderful, being here is heavenly
Every single day she sends, everything is free
I used to be so careless, as if I couldn’t care less
Did I have to make this mess when I was Mary's prayer
Suddenly the heavens roar, suddenly the rain came down
Suddenly was washed away, the Mary that I knew
So when you find somebody you keep
Think of me and celebrate
I made such a big mistake when I was Mary’s prayer
So if I say “save me, save me”
Be the light in my eyes
And if I say ten Hail Marys
Leave a light on in Heaven for me
Blessed is the one who shares your power and your beauty, Mary
Blessed is the millionaire who shares your wedding day
So when you find somebody you’ll keep
Think of me and celebrate
I made such a big mistake when I was Mary’s prayer
So if I say “save me, save me”
Be the light in my eyes
And if I say ten Hail Marys
Leave a light on in Heaven
Save me, save me
Be the light in my eyes
And if I say ten Hail Marys
Leave a light on in Heaven for me
If you want the fruit to fall, you have to give the tree a shake
And if you shake the tree too hard, the bough is gonna break
And if I can’t reach the top of the tree, Mary
You can hold me up there
What I wouldn’t give to be when I was Mary's prayer
So if I say “save me, save me”
Be the light in my eyes
And if I say ten Hail Marys
Leave a light on in Heaven
Save me, save me
Be the light in my eyes
And if I say ten Hail Marys
Leave a light on in Heaven
Save me, save me, be the light in my eyes
What I wouldn’t give to be when I was Mary’s Prayer
What I wouldn’t give to be when I was Mary’s Prayer
What I wouldn’t give to be when I was Mary’s Prayer
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Danny Wilson — A prece de Maria
Tudo é maravilhoso, estar aqui é celestial
A cada dia ela se expressa, tudo é livre
Eu era tão descuidado, como se eu não pudesse cuidar menos
Eu tinha de fazer essa bagunça quando eu era a prece de Maria?
De repente um estrondo no céu, de repente a chuva caiu
De repente foi levada embora a Maria que eu conheci
Então quando você achar alguém com quem ficar
Pense em mim e celebre
Eu cometi um erro tão grande quando eu era a prece de Maria
Se eu disser “me salve, me salve”
Seja a luz em meus olhos
E se eu disser dez ave-marias
Deixe uma luz acesa no Paraíso para mim
Abençoado é aquele que partilha de seu poder e de sua beleza, Maria
Abençoado é o milionário que partilha do dia de seu casamento
Então quando você achar alguém com quem vai ficar
Pense em mim e celebre
Eu cometi um erro tão grande quando eu era a prece de Maria
Então se eu disser “me salve, me salve”
Seja a luz em meus olhos
E se eu disser dez ave-marias
Deixe uma luz acesa no Paraíso
Me salve, me salve
Seja a luz em meus olhos
E se eu disser dez ave-marias
Deixe uma luz acesa no Paraíso para mim
Se você quiser que a fruta caia, você tem de dar uma sacudida na árvore
E se você sacudir a árvore forte demais, o galho vai quebrar
E se eu não conseguir alcançar o topo da árvore, Maria
Você pode me segurar lá em cima
O que eu não daria para ser quando eu era a prece de Maria
Então se eu disser “me salve, me salve”
Seja a luz em meus olhos
E se eu disser dez ave-marias
Deixe uma luz acesa no Paraíso
Me salve, me salve
Seja a luz em meus olhos
E se eu disser dez ave-marias
Deixe uma luz acesa no Paraíso
Me salve, me salve, seja a luz em meus olhos
O que eu não daria para ser quando eu era a prece de Maria
O que eu não daria para ser quando eu era a prece de Maria
O que eu não daria para ser quando eu era a prece de Maria
De repente, a gente se dá conta de algo que esteve óbvio, presente e retumbante a vida inteira, mas que, por algum estranho motivo, não estava na superfície: como eu gosto de Rita Lee!
O dia amanheceu muito bonito. Eu até me lembrei daquela canção, “Beautiful Sunday”, cantada pelo Daniel Boone (há uma versão em português interpretada pelo Ângelo Máximo).
Sim, hoje não é domingo, mas a natureza não sabe que é segunda-feira. A natureza pode gerar um céu de azul bonito numa terça ou numa quinta. Cantemos com o Daniel Boone. Se for o caso, substituamos “Sunday” por “Monday”.
O trecho que o Jay-Z fala em “Lost”, do Coldplay, vai muito além de ser uma bela reflexão sobre o lado trágico que o sucesso ou a fama pode trazer. Por conter essa reflexão, o trecho já é riquíssimo. Não bastasse, os argumentos e os questionamentos que desenvolve acabam resvalando para a filosofia, a sociologia e o comportamento pérfido da mídia. Brilhante.
Mais uma para a lista das letras que foram escutadas incorretamente. Há pouco, eu estava curtindo “Loser”, do Beck (gosto demais dessa canção). No melodioso refrão, eu cantava: “So open the door / I’m a loser, baby / So why don’t you kill me?”. (Então abra a porta / Sou um perdedor, querida / Então por que você não me mata?)
Pois bem: como havia trechos da parte falada que eu não entendia em totalidade, fui ao Google conferir a letra. Foi quando ocorreu a revelação: o refrão tem uma estrofe em espanhol. Assim, a versão correta é: “Soy un perdedor / I'm a loser, baby, so why don't you kill me?”. (Sou um perdedor / Sou um perdedor, querida, então por que você não me mata?)