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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

"ULYSSES": UMA CAPA


Passei mais da metade da vida prometendo a mim mesmo que um dia leria “Ulysses”, do Joyce. Não sei se ainda cumprirei a promessa. Pesquisei muito sobre a obra, reuni esquemas de leituras, dediquei-me a críticas sobre o livro... Só que o dito-cujo, nunca li. Num paralelo, seria como ler muito sobre uma cidade, saber muito sobre ela, mas nunca tê-la visitado.

À parte isso, a capa da edição da Penguin-Companhia para “Ulysses” é genial (como não tenho a edição deles, não há como eu conferir de quem é o trabalho): numa olhadela, as linhas brancas sugerem um labirinto. Pode-se pensar também em formas urbanas ou geométricas.

Após a olhadela, o olhar decifra o nome “Ulysses”, formado pelas linhas brancas. Se tais linhas ou formas, por si, já seriam uma rica representação visual do labirinto que, segundo o que já li, são os personagens do livro (e todos nós), as mesmas linhas brancas podem compor traçados de um caminho pelas ruas de Dublin.

A capa, assim me parece, conseguiu uma sugestiva e poderosa representação visual do que é sugerido, de acordo com o que já li, nas páginas do livro. Não bastasse isso, a aparente aleatoriedade das linhas brancas revela, após breve exame, um rigor que está presente no livro de Joyce (numa das edições que tenho, há o famoso guia de leitura com as partes que compõem a obra).

Não estou à procura de mais um motivo para encarar as páginas do “Ulysses”. Estivesse, a capa não deixaria de ser sedução. Preciso ler o livro. Se os personagens de Joyce são labirintos, se as ruas que Bloom percorre são labirínticas, nada impede que as que percorremos não sejam. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

APONTAMENTO 171

“O que há num nome?”. O que há na Dublin de Joyce? O que há no sertão de Guimarães Rosa? O que há na Ipiranga e na São João? O que há em Yoknapatawpha? O que há em Macondo? O que há em Coromandel? O que há em você? O que há em mim?... Nada demais em nada disso. É a arte que torna encantado qualquer lugar e encantada qualquer pessoa. Sem ela, não há encanto. Nem em você nem em mim nem em nenhum lugar.

domingo, 13 de novembro de 2011

MARILYN E MOLLY


Sim, é ela: Marilyn Monroe, clicada por Eve Arnold. Monroe está lendo “Ulisses”, do James Joyce. Se repararmos, perceberemos que ela está na parte final do livro; a julgar pelo volume de páginas que ela tinha pela frente, Monroe parece estar lendo o solilóquio de Molly Bloom. Caso sim, imagem por demais sugestiva... Marilyn e Molly – dois ícones. Teria a atriz se deliciado com o solilóquio de Molly?...

(Estive lendo sobre a foto na internete. Cogita-se que a imagem seria forjada, no sentido de que Marilyn não estaria de fato lendo o livro, mas teria simplesmente aberto uma página qualquer da obra. Houve também quem tenha dito que ela estaria lendo algum texto ou posfácio ou índice impresso depois do término do livro. Por fim, útil lembrar que a foto foi publicada na edição de 7 de novembro de 2011 da revista Época. A foto ilustra uma matéria sobre “Fragmentos”, livro que reúne poemas, anotações íntimas e cartas de Marilyn Monroe.)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

EM BUSCA DE PROUST

Terminei de ler recentemente “Senhor Proust – lembranças recolhidas por Georges Belmont”, de Céleste Albaret, publicado pela Novo Século. Céleste Albaret foi governanta na casa do escritor durante os oito últimos anos de vida de Proust. O livro é a transcrição de entrevistas da senhora Albaret a Georges Belmont, que assina a introdução. Segundo Belmont, foram setenta horas de entrevistas.

É natural que a longa e diária convivência da senhora Albaret com Proust gerasse proximidade e amizade. O testemunho dela traz à tona as miudezas de que Proust era feito (miudezas de que, afinal, todos nós somos feitos).

Há também relatos do dândi Proust na aristocracia parisiense da época. Freqüentador e agudo observador desse mundo, Proust tinha acesso à vanguarda do que então estava sendo produzido. O trecho abaixo dá uma idéia (a tradução do livro é de Cordelia Magalhães):

“Por exemplo, lembro-me de que, uma noite, o príncipe Antoine Bibesco, que se tinha a par de tudo, passou para levá-lo a um desses jantares, com a idéia de fazê-lo se encontrar com o pintor Picasso, sobre o qual se começava a falar (...). Às duas horas da manhã, eles foram, todos os três, ver as telas de Picasso no seu ateliê. Sr. Proust me fez o relato quando voltou:

“– É um pintor espanhol que começou a fazer o que se chama de cubismo.

“Ele me descreveu um pouco sobre o que as pinturas pareciam. E comentei que isso deveria fazer os museus de bobos. Ele riu e disse:

“– Devo reconhecer que não compreendi grande coisa.

“Visivelmente, ele não ligou. Jamais voltou a falar sobre essa pintura. Dizem também que jantou com o escritor James Joyce, junto com outras pessoas; isso não o impressionou – ele nem pronunciou esse nome”.

A senhora Albaret também comenta o mal-estar criado depois que o escritor André Gide recusou originais de Proust. Céleste Albaret deixa clara a antipatia que ela tinha por Gide, ao dizer que ele tinha um ar de “falso monge”. Gide retratar-se-ia por ter recusado os originais de Proust.

A recusa é compreensível. Proust, é bem sabido, não foi o único escritor que se tornaria famoso depois de ter sido rechaçado em tentativas anteriores. O problema é que, segundo a senhora Albaret, Proust assegurava que Gide nem chegou a ler os originais. Primeiro, por considerar que o autor de “No caminho de Swann” não passaria de um “dândi socialite”; segundo, por uma razão prosaica: o pacote em que estava o livro não teria sequer sido aberto porque um funcionário de Proust, Nicolas, tinha, segundo a senhora Albaret, “uma verdadeira arte dos nós, com um estilo muito particular e muito inimitável. E isso, para o Sr. Proust, sempre foi a prova irrefutável de que o pacote do seu manuscrito jamais foi aberto, nem por André Gide nem por ninguém na Nouvelle Revue Française”. Proust disse ter visto o pacote antes e depois, e afirmou que ele voltara intacto, com o mesmo nó de Nicolas. Para Proust, seria impossível alguém refazer o nó de seu funcionário, ainda mais no mesmo lugar. A senhora Albaret conclui: “Sr. Proust se divertia muito com toda a história”.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

EM COMUM

“Há muitas coisas que atribuímos ao demônio sem sabermos que são coisas de Deus que não sabemos entender” (García Márquez).

“Todos os que são incapazes de compreender um deus vêem-no como um demônio e, assim, se protegem de sua aproximação” (Joseph Campbell).

Salvo engano, a frase de García Márquez está em “O amor nos tempos do cólera” (vertido para o cinema não há muito tempo), mas não estou certo disso. Procurei meu exemplar aqui em casa e não o achei. Deve estar emprestado. Se estiver com você que me lê, gentileza conferir se a frase está nele mesmo; basta conferir os trechos que estão marcados por mim.

O trecho de Joseph Campbell foi extraído de “O herói de mil faces”. A bonita idéia do livro é a de que a humanidade tem construído ao longo do tempo um só mito – o monomito, termo que Campbell pegou emprestado de Joyce.