Por favor, relevem a repetição, mas volto ao Borges. Ele escreveu que o pai dele era um homem inteligente; logo, gentil. Borges escreveu sobre um homem, mas tomo a liberdade de estender o critério para o coletivo. A confirmação da gentileza como sintoma de inteligência, eu sempre a tive no nordeste, onde já estive oito vezes. Caso se leve em conta o critério borgiano, os nordestinos são geniais. Não só por isso, preciso voltar à região.
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terça-feira, 28 de outubro de 2014
APONTAMENTO 222
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014
ENQUANTO ISSO, EM PATOS DE MINAS...
A atleticana Dilma venceu o cruzeirense Aécio em Patos de Minas nos dois turnos das eleições. No primeiro turno, ela obtivera 34.225; ele, 31.834. Na votação de ontem, o patense votou assim, segundo o divulgado pelo Patos Hoje: Dilma obteve 40.254 votos; Aécio, 39.149.
Apesar da vitória de Dilma aqui em Patos de Minas no primeiro turno, pensei que ela não ganharia na cidade no segundo. Pimentel já obtivera a maioria dos votos dos patenses na eleição para governador. O que não há como saber é se isso é circunstancial ou se é sinal de mudança no modo local de votar, uma vez que o PT geralmente não vencia por aqui.
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domingo, 26 de outubro de 2014
DILMA REELEITA
Globo, Veja, Jovem Pan, Uol, jornal Estado de Minas, jornal Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Tim... Ainda não conseguiram. Dilma (cujo nome uso como metonímia) ganhou a eleição contra todos eles. Isso é ótimo, não somente pela vitória da presidente em si, mas também por ser mais uma prova (a exemplo do que ocorreu em 2010) de que, embora sejam muito poderosos, esses meios de comunicação não tiveram, nem em 2010 nem em 2014, o poder avassalador que já tiveram (esse poderio pode ser recuperado).
Como já previsto antes de a campanha política começar, foram eleições que transformaram redes sociais em guerra virtual. O clima de intolerância e de ranço, que até então era velado ou era menos expressivo, deu as caras na internet e nas ruas, provando que milhões não querem debater, mas reproduzir e continuar exercendo preconceitos seculares.
Detratores do PT, seja por má-fé, seja por ignorância, têm os argumentos: quando não é a corrupção, que existe nos dois partidos, vêm com aquela história de implantação de ditadura, de comunismo, de Cuba. Enquanto seguem com essa monocórdica balela, o governo petista é eleito democraticamente pela quarta vez.
Se comparado com o de 2010, o clima de recrudescimento aumentou neste 2014. Imprensa e meios de comunicação interesseiros e rancorosos estão mais vorazes do que nunca. Proclamada a vitória da petista, já começaram os ataques. Há várias empresas de “informação” semelhantes às que mencionei acima. Fiquemos atentos a elas todas e continuemos buscando outras possibilidades de informação.
A internet trouxe mais opções quando se tem o interesse em saber o que tem ocorrido. Qualquer pessoa pode informar ou opinar (o que é ótimo). Isso deixa a veiculação de conteúdos muito pulverizada. Parece-me que justamente essa pulverização é que faz com que Globos, Vejas e que tais ainda sejam influentes: não há como o cidadão, considerado individualmente, ser mais poderoso do que as tentáculos das empresas que citei.
Mas o Brasil não é feito só de Globos, Vejas e congêneres. Existem Fórum, Carta Capital, Pragmatismo Político, Dilma Bolada, Jeferson Monteiro, Luis Nassif, Viomundo, Cynara Menezes, Pablo Villaça... São cidadãos e empresas que simbolizam um Brasil que é bonito, corajoso, lúcido, talentoso, inteligente e bem-humorado.
Não se incomodam em ver negros na universidade, não se incomodam quando o jardineiro compra um bom carro, não se incomodam quando a empregada doméstica usa um sapato que tem o mesmo preço do sapato usado pela patroa. Não estão a serviço dos próprios umbigos. São a favor do Brasil.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
O RICO
Eleitores têm dito que não votam no Aécio por ele ter vindo de família rica, por ele supostamente ter dito que, quando jovem, nunca arrumou a própria cama, que tinha duas empregadas domésticas. Dizem não votar nele por ele ser um dândi que gosta das noites cariocas...
Não voto em Aécio. Não pelas razões acima. Eu não deixaria de votar na Dilma se ela tivesse vindo de família rica. Não é o fato de Aécio ter vindo de família rica o que o torna impalatável para mim. Relevem a obviedade: há ricos legais e há pobres insuportáveis; há ricos insuportáveis e há pobres legais.
Ainda que Aécio não tenha construído aeroporto(s) para a família, ainda que Aécio não se envolva com cocaína, ainda que Aécio seja um trabalhador que tenha aumentado com honestidade, garra, pujança, sagacidade, coragem, impetuosidade, ousadia e inteligência o patrimônio dele e da família, não voto nele.
A herança financeira que Aécio recebeu não é da nossa... conta. Já a herança política dele é. A herança político-ideológica dele é da nossa conta pela simples razão de que a política está ligada à comunidade, não ao dinheiro acumulado pela família de um candidato (a não ser que esse ganho financeiro tenha sido conseguido mediante dano a dinheiro público).
Aécio Cunha, pai de Aécio Neves, era da Arena, partido que apoiava a ditadura militar. Neves, ao se referir ao golpe militar de 64, chama-o de “revolução” (Dilma o chama de... golpe). Militares que apoiam a ditadura militar estão com Aécio e criticaram Dilma. Essas questões, sim, dizem respeito a todos, pois são questões do País, são questões não particulares.
Não consigo votar num candidato que tenha uma proposta neoliberal. O meu “não” a Aécio não é por ele ser rico. Se no lugar dele houvesse um candidato pobre (ou que tivesse sido pobre) que defendesse os princípios do neoliberalismo, ele não teria meu voto; não por questões financeiras, mas “simplesmente” por ser neoliberal.
Em postagens anteriores, já dei justificativas para meu voto. Elas são o oposto do que a política neoliberal fez com o Brasil da década de 90; não preciso repeti-las, pois, nesse caso, um lado da moeda permite que se deduza o outro. Este texto é uma justificativa para o não voto em Aécio, sem deixar de ser, ao mesmo tempo, mais uma para o voto em Dilma.
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O RETRATO DA IMPRENSA
O dono de um jornal grande tem o direito de dar à sua empresa a orientação política que ele bem desejar. Também tem o direito de se manifestar como cidadão em qualquer ato político. O portador do cartaz que ilustra esta postagem é Fernão Lara Mesquita, dono do jornal O Estado de São Paulo. Quem tirou a foto foi o famoso Tutinha, dono da Jovem Pan. Ele publicou a imagem em seu Instagram.
Minha crítica não é contra a participação de Fernão e de Tutinha em ato político. Critico, sim, o modo como tornaram pública a participação que tiveram. Não é preciso dizer o quanto o cartaz é tosco e desrespeitoso. Insisto: não necessariamente na ideia que porta. Pode-se, é claro, discordar da política feita na Venezuela (ou no Brasil). A questão é que os dizeres do cartaz revelam destempero e ódio.
Estas eleições se caracterizaram pela saída do armário de quase todos os meios de comunicação grandes. Abandonaram sutilezas, deixaram escancarado o quanto são despreparados e ressentidos. Ainda bem que não dependemos deles para saber o que está acontecendo. Estão interessados em divulgar os interesses das empresas que detêm, valendo-se, não raro, de um tom vergonhoso.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
POR QUE DIGITO "13" (MAIS ALGUNS MOTIVOS)
Antes de alegar corrupção contra algum partido, qualquer simpatizante de qualquer um dos partidos que disputam a eleição presidencial deveria ter a noção de que houve corrupção de ambas as partes. A diferença é o tratamento que se dá a ela: os grandes meios de comunicação abafam ou minimizam a corrupção no PSDB, e a amplificam quando é no PT.
O que deveria haver é punição em ambos os lados. De qualquer modo, para os incautos que queiram saber de alguns delitos do PSDB, confiram este “link”. Os do PT estão em qualquer edição da Veja; os do PSDB, não.
Em postagem anterior, publicada também no Facebook, elenquei algumas razões pelas quais voto em Dilma. Nesta postagem, cito mais alguns motivos que justificam meu voto.
Antes de listar esses motivos, devo, de antemão, dizer que sou contra o neoliberalismo defendido pelo PSDB. Lembro-me de que, certa vez, em Belo Horizonte, num encontro de professores, o nome do Michel Camdessus apareceu num texto. Quanto alguém perguntou quem era Camdessus, respondi que ela era o diretor do Fundo Monetário Internacional.
É nítida em minha memória a época em que o nome do presidente do FMI estava todos os dias no noticiário econômico nacional. Isso não foi há muito tempo; historicamente, foi ontem. O PSDB e seu neoliberalismo faziam com que o Brasil se tornasse refém de órgãos econômicos internacionais. Foi no governo do PT que o Brasil se livrou da dívida externa.
Há dois modelos econômicos em disputa. Eu me decidi por um. Lembro-me do País no período militar, fui testemunha da redemocratização, acompanhei o engodo Collor (não votei nele), passei pela ascensão do neoliberalismo e vivenciei os anos do PT no governo federal.
Nesta postagem, vou me valer de um texto de Najla Passos. Foi publicado no sítio da revista Fórum. Na postagem, Passos assinala nove diferenças entre os modelos econômicos do PT e do PSDB. Em breve, pretendo mencionar outro texto: este, de Cynara Menezes. Por agora, os comparativos de Najla Passos:
1 – Inflação
O governo do PSDB sabe o pânico que o brasileiro tem da inflação, que durante décadas corroeu salários e reduziu o poder de compra do trabalhador e cujo recorde, em 1993, chegou a 2.477% ao ano. É por isso que usa a mídia que lhe serve para atemorizar o povo dizendo que a inflação está fora de controle. Isso não é verdade. Durante o governo FHC, o PSDB conseguiu reduzir a inflação a 1,6% em 1998, às custas de juros altos e muito arrocho para o trabalhador. Mesmo assim não conseguiu mantê-la neste patamar. Quando eledeixou a presidência, a inflação batia a casa dos 12%, quase o dobro dos 6,5% que temos hoje com Dilma, que a manteve sempre dentro das metas, mesmo aumentando os salários e garantindo mais direitos aos trabalhadores. A principal diferença entre os dois modelos, portanto, é quem paga a conta pelo controle da inflação. E no modelo do PSDB, certamente é o trabalhador.
2 – Desemprego
No governo FHC, a orientação da política econômica foi a da estabilização da moeda. No governo Lula, o crescimento econômico simultâneo à distribuição de renda. No governo Dilma, é a manutenção do emprego combinada com baixa taxa de juros. Não por acaso, em 4 anos, Dilma criou mais postos de trabalho do que FHC em 8: uma média de 1,79 milhões ao ano, nos governos petistas, contra a média de 627 mil ao ano, na era tucana. O Brasil de Dilma tem as menores taxas de desemprego da sua história: 5,4% em 2013, contra 12,2% em 2002. Isso deixa os donos do capital furiosos. É que os empresários não gostam que o governo mantenha o desemprego baixo porque isso gera poder de barganha para o trabalhador. Os economistas do PSDB, a eles atrelados, dizem até que “uma certa taxa de desemprego faz bem à economia”. Já o PT defende que é possível crescer aumentando os salários para distribuir renda, o que é confirmado pela experiência dos últimos 12 anos.
3 – Salário
As diferenças entre as políticas públicas tucanas e petistas para o salário mínimo ficam claras com os números. Em 2002, o mínimo era de R$ 200, o equivalente a 1,42 cesta básica. Hoje, é de R$724, o que permite comprar 2,24 cestas básicas. Uma mudança e tanto no poder de compra do trabalhador, que, combinada com programas sociais, ajudou mais de 50 milhões de brasileiros a saírem da pobreza. O salário mínimo, hoje, também tem maior participação no PIB: atinge 34,4%.
4 – Juros
No auge da crise de 1998, a maior enfrentada pelo governo do PSDB, a Taxa Selic chegou a 45%. Ou seja, o grande investidor que tinha R$ 1 milhão em aplicações ganhava R$ 450 mil só deixando o dinheiro no banco. O presidente do Banco Central, à época, era o mesmo Armínio Fraga, responsável pela elaboração do programa econômico de Aécio e cotado por ele para reassumir o órgão. Já nos governos do PT, os juros sempre registraram patamares inferiores. A presidenta Dilma mudou as regras da poupança e usou os bancos públicos para pressionar os privados a baixarem os juros. Mas quando reduziu a Taxa Selic para 2%, enfrentou uma poderosa campanha midiática para que eles voltassem a subir: a campanha do tomate, focada no preço sazonal de um único produto. Com a posterior mudança do cenário internacional pós-crise, acabou tendo que ceder e elevar as taxas, que hoje estão em na casa dos 11% ao ano, ainda bem distantes dos 45% do governo FHC.
5 – Dívida pública
O perfil da dívida brasileira mudou muito do governo do PSDB para o do PT. Na era tucana, a divida era externa, cobrada em dólar. E FHC fazia qualquer coisa para perseguir o superávit primário destinado a pagar seus altos juros: ajustes fiscais, demissões, reduções de direitos. Além de que mantinha o país subjugando às exigências do FMI. Os governos do PT saldaram os débitos do país com o FMI. Agora, a dívida é interna. Pode ser rolada e controlada com a emissão de mais títulos e até mais moeda. Além disso, vem diminuindo significativamente seu peso no orçamento.
6 – Política industrial
A desindustrialização atingiu quase todo o mundo no pós-crise econômica mundial de 2008. Os Estados Unidos, só agora, conseguiram retomar o nível de industrialização de 2006. A Itália apresenta um índice 20 pontos menor. O Brasil, no entanto, cresceu 11%, um dos maiores patamares conforme a OCDE, ao contrário do que martela a mídia comprometida com a oposição. Nestas eleições, são dois modelos em disputa. O PT propõe a manutenção do ativismo da política industrial e recuperação das suas potências, com papel forte do Estado e coordenação das políticas (desenvolvimentismo). Já o PSDB propõe a perda do ativismo e da potência, com o Estado sendo substituído pelas forças do mercado. Na contramão do mundo, volta a pregar a total abertura às importações sem preparar a indústria nacional para a competição. Um modelo que já não deu certo nos anos 1990.
7 – Consumo e desenvolvimento
No modelo do PSDB – centrado no estado mínimo, privatizações e controle privado da economia – a taxa de investimentos chegou a atingir 15,1%. Mas nos governos do PT, com o Estado mais forte, ela subiu e hoje já registra 19,5%. É claro que o modelo de crescimento petista também é baseado na ampliação do mercado interno. Mas ao contrário do que dizem os críticos, pelo menos desde 2007, com a criação do PAC, o investimento passou a ter maior participação no crescimento do que o consumo. Portanto, é falacioso esse papo da oposição de que o crescimento brasileiro se sustenta apenas na ampliação do mercado interno, um modelo que já estaria esgotado.
8 – Política externa
Durante o governo do PSDB, o foco da política externa brasileira era o relacionamento diplomático e econômico com os países desenvolvidos, onde o Brasil era sempre a parte mais fraca e sem grandes poderes de barganha. Já os governos petistas fortaleceram as relações Sul-Sul, com o Mercosul, Brics e Unasul, que o deixaram menos suscetível às exigências dos grandes. A proposta do PSDB, no entanto, é retomar o foco anterior. Para a cúpula econômica tucana, o Mercosul dá prejuízo e o Brasil nem deveria manter relações com países que classificam como “bolivarianos”. Já o PT defende a ampliação do modelo, com a criação e fortalecimento do Banco dos Brics e cada vez mais independência dos desenvolvidos e mais solidariedade entre os iguais.
9 – Missão do BNDES
No governo do PSDB, a principal missão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e social (BNDES) era sanear as empresas públicas destinadas à privatização e financiar os investidores que iriam adquiri-las, no chamado Programa Nacional de Desestatização. Portanto, era usado para ajudar a reduzir o estado e o patrimônio do povo brasileiro. Em 2002, seu lucro foi de R$ 550 milhões. No governo petista, a missão do BNDES é incentivar o crescimento, investindo nas empresas brasileiras de todas as áreas. No governo Dilma, 93 das 100 maiores empresas brasileiras receberam recursos do BNDES. Das 500 maiores, 480 foram contempladas. Em 2013, seu lucro foi de R$ 8,15 bilhões.
(Fonte: http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/10/9-diferencas-entre-os-modelos-economicos-psdb-e-pt/.)
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
O BRASIL QUE ODEIA
A Folha de S.Paulo noticiou ontem que Aécio teria debochado de Dilma após o mal-estar que ela sentiu depois do debate promovido pelo SBT. Em conversa com Marina Silva, o tucano teria dito: “Deu o desespero. Viu que ela passou mal?”. Isso não surpreende. O mundo está cheio de pessoas que debocham, por exemplo, de tombos ou que torcem para que a doença de alguém se agrave. Lembro-me de que quando o Lula foi diagnosticado com câncer, houve quem publicasse em blogues desejar a morte dele.
Se comparado com o do médico Milton Pires, do Rio Grande do Sul, o comentário de Aécio soa como inocente trecho de contos de fadas: Pires, sabedor de que Dilma tivera um mal-estar depois do debate, postou no Facebook: “Tá se sentindo mal? A pressão baixou? Chama um médico cubano, sua grande filha da puta!”. Como era de se esperar, a postagem obteve muitas curtidas. Segundo o Pragmatismo Político, Pires é funcionário da prefeitura de Porto Alegre. O comentário postado pelo médico mostra o nível que tem havido no “debate”.
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014
MARINA É A DERROTADA
Independentemente de quem ganhe as eleições presidenciais, Marina Silva é a grande derrotada. Não somente por não ter avançado para o segundo turno. Luciana Genro também não avançou, mas deixa uma imagem positiva — pelo menos para aqueles que defendem pautas progressistas.
Não estou aqui decretando o fim da carreira política de Marina. Além do mais, boa parte dos eleitores não querem se informar ou se informam pelos mesmos poderosos meios, que, no futuro, podem abarcar novamente a candidatura dela.
Da subserviência a Malafaia à mendicância pelo apoio de Mark Ruffalo, Marina deixa estas eleições passando a imagem de alguém que é menor do que o cargo que estava disputando. O dano que suponho ter ficado na carreira política dela não seria menor, presumo, se ela estivesse apoiando Dilma.
Qualquer político, e isto é inevitável, está atrelado a uma série de interesses. Ao lidar com eles, a candidata do PSB acabaria numa teia de contradições que negava as causas outrora defendidas por ela. Ao querer servir a vários senhores, deixou a imagem ruim de quem não é senhora de si. Mas trata-se de política: a derrota pode ser momentânea.
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quarta-feira, 15 de outubro de 2014
APONTAMENTO 221
Em Minas Gerais, desejar aos professores um feliz dia e dizer que vota no Aécio é contradição em termos.
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terça-feira, 16 de setembro de 2014
ALGUMAS RAZÕES PELAS QUAIS VOTO EM DILMA
(Os dados abaixo foram extraídos de um texto escrito por Pablo Villaça.)
• PIB (em bilhões de reais)
2002 — 1.477
2013 — 4.837
Fonte: Ipea
• Falências requeridas
2002 — 19.891
2013 — 1.758
Fonte: Ipea
• Inflação
2002 — 12,53%
2013 — 5,91%
Fonte: Ipea
• Desemprego (percentual) no mês dezembro
2002 — 10,5
2013 — 4,3
Fonte: Ipea
• Salário mínimo (em reais)
2002 — 364,84
2014 — 724,00
Fonte: Ipea
• Taxa de pobreza (percentual)
2002 — 34%
2012 — 15%
Fonte: Ipea
• IDH
2000 — 0,669
2005 — 0,699
2012 — 0,730
Fonte: jornal O Estado de São Paulo
• Gastos públicos com saúde (em reais)
2002 — 28 bilhões
2013 — 106 bilhões
Fonte: orçamento federal
• Gastos públicos com educação (em reais)
2002 — 17 bilhões
2013 — 94 bilhões
Fonte: orçamento federal
• Entre 1994 e 2002, houve 48 operações da Polícia Federal; entre 2003 e 2012, houve 1.273 operações.
(A seguir, mais alguns motivos pelos quais voto em Dilma; as razões abaixo não foram extraídas do texto de Pablo Villaça.)
• “O brasileiro vai melhor do que antes, há mais empregos, seu salário melhorou, as políticas sociais melhoraram. O motor da economia é, e sempre foi, o mercado interno. A novidade não está no andar de cima, com seu consumo de elite. A novidade está no ingresso de dezenas de milhões de brasileiros no mundo do consumo, alimentando um mercado de produtos de massa (...), gerando emprego”.
Fonte: Silvio Caccia Bava, em editorial do Le Monde Diplomatique de julho de 2014.
• “O aumento de renda nos estratos mais pobres melhora radicalmente o progresso social em geral. Em outras palavras, o dinheiro que vai para a base da sociedade é muito mais produtivo em relação aos resultados para a sociedade, o que bate plenamente com as pesquisas do Ipea sobre a produtividade dos recursos”.
Fonte: Ladislau Dowbor, em texto no Le Monde Diplomatique de julho de 2014.
• Pela redução em 50% do número de pessoas que sofrem fome.
Fonte: UOL — 16/09/2014
• Pela continuidade do Mais Médicos.
• Pela continuidade das cotas em universidades.
• Pela continuidade do Bolsa Família.
• Pela continuidade do Ciência sem Fronteiras.
• Pelo fato de o Brasil, há doze anos, não mais pedir socorro ao FMI.
• Pelo não abandono do pré-sal.
• Pelo Marco Civil da Internet.
• Por acreditar que, com Dilma, não haverá fundamentalismo religioso no poder.
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domingo, 31 de agosto de 2014
A ORDEM
O “pastor” Malafaia manda. A “ovelhinha” Marina obedece. “Tende piedade de nós”.
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sexta-feira, 29 de agosto de 2014
AS APARÊNCIAS CEDEM
Marina Silva havia declarado que não aceitaria grana de “companhias da indústria bélica, do tabaco, de bebidas alcoólicas e de agrotóxicos nessas eleições”, de acordo com o Pragmatismo Político. Já Márcio França, coordenador financeiro da campanha de Marina, foi prático: “Não tem problema algum se a doação for legal. Pode vir dinheiro da indústria de armas, de bebidas, do que for”. A Ambev, por exemplo, ajuda a financiar tanto a campanha de Dilma quanto a de Aécio. Não será surpresa se, depois da declaração de França, a empresa ajudar a financiar também a de Marina.
Os que se dizem cansados da “velha política” e certa parcela da juventude têm visto em Marina uma espécie de terceira via, que, em tese, pavimentaria uma nova política. Contudo, a declaração do coordenador financeiro da candidata deixa claro que, para governar, Marina tem de, assim como qualquer outro candidato, ceder a muita coisa às quais disse que não cederia. Ela parece ser diferente da “velha política”. Só parece.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
HIPOCRISIA VENCE — DE NOVO — AS ELEIÇÕES
O Vladimir Safatle, da Folha de S.Paulo, publicou ontem um texto em que mencionou o conservadorismo das campanhas de Aécio, Dilma e Marina no que diz respeito a costumes. Safatle se referia a assuntos como aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em sua coluna, o autor ainda faz referência a Gregorio Duvivier, que, em texto publicado anteontem, disse que nestas eleições há “pastor demais e maconha de menos”, referindo-se à falta de debate em torno de tópicos considerados polêmicos por conservadores. Duvivier, em seu artigo, sugere que “ateus, maconheiros, vagabundas, pederastas, sapatões e travestis” se unam, alegando que o lado de lá, o lado dos conservadores, está “bem juntinho”.
Tanto o texto de Safatle quanto o de Duvivier quase que inevitavelmente nos levam a refletir sobre a hipocrisia. O dicionário Aulete, em sua versão digital, tem a seguinte definição para “hipócrita”: “Que simula ter uma qualidade ou sentimento que não tem, ou finge ser verdadeira alguma coisa (sabendo que não o é)”. Safatle ilustra bem a questão: “Se a filha adolescente do deputado conservador engravidar sem querer ele será o primeiro a aparecer por lá [clínica de aborto]. O que é proibido no Brasil é reconhecer tal prática”.
Nem toda conservadora já abortou, nem todo conservador se enriquece às custas do dinheiro de ingênuos fiéis. Mas nem Aécio nem Dilma nem Marina conseguiriam se eleger sem o voto dos conservadores, o que mostra a obsolescência de nossa sociedade; não conseguiriam governar sem o voto de milhões de supostos paladinos dos bons costumes, o que mostra o tamanho da hipocrisia de nossa sociedade.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
AÉCIO, O "NOBRE"
Em declaração para a revista Piauí deste junho, Aécio Neves disse: (...) “Se eu vencer as eleições vai ser muito bom para o Brasil. (...) Mas se eu não ganhar as eleições (...), vai ser muito bom para mim do ponto de vista pessoal”. Quero que o país fique bem; do mesmo modo, que Aécio fique bem: não votarei nele.
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