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sábado, 17 de novembro de 2012

GRITO OCO

Os colunistas dos meios de comunicação andam parcos de ideias e bons de gritaria. Não são bobos. Sabem que quanto mais escreverem bravatas ou falarem tolices, terão seus textos reproduzidos; serem achincalhados é o troféu a que aspiram. O público reage fortemente à ausência de ideias.

Cada profissional quer ser mais retumbante do que o outro. O que vale é causar impacto, ser comentado nas redes sociais, gerar polêmicas bobas. Quanto mais “odiado”, melhor. Textos elegantes e mentes refinadas não repercutem. Contratantes e contratados se divertem.

Não sei se o que vários colunistas querem é ser originais ou se querem chamar a atenção. Se tentam ser originais, fracassam, pois gritar está na moda (sempre esteve); se tentam chamar a atenção, conseguem,  pois substituir pensamentos por berros está na moda (sempre esteve). Não se pode negar: são bem-sucedidos.

Não há espaço para a sutileza. Camuflam a falta de ideias sólidas com o grito mal-educado. Existe algazarra, uma espécie de disputa para se aferir quem consegue falar mais alto dizendo as maiores bobagens. Não se busca a expressão clara de uma ideia, mas o grito selvagem que tenta camuflar a ausência delas. Não somente quando há o áudio. Palavras no papel ou na internet também gritam.

Entendo que chefes querem retorno. Querem audiência, querem leitores. Nesse afã, empregados e empregadores parecem satisfeitos se qualquer coluna feita com estudada veemência causa repercussão. Sabem que excelência não traz audiência nem leitores.

Quem não quer a gritaria e ainda acredita em coisas como a sutileza torna-se refém do vozerio de articulistas cheios de empáfia. Em vez da ideia, o grito; em vez do debate, a iconoclastia gratuita. Se não berrarem, não conseguem ser notados.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

"FAROESTE CABOCLO"

Ontem (10/5/2008), recebi a visita do amigo Rusimário Bernardes, que tem o dom da conversa. É sempre engraçado e expressa suas opiniões com calma e comedimento. Tem ainda a modéstia. Deixando de lado a arte da retórica, Rusimário também lida com internet – foi ele quem fez o site liviosoares.com.

Entre tantas coisas, acabamos falando sobre o caso da menina Isabella. Num certo momento, Rusimário disse que a história o fazia se lembrar de Renato Russo. A princípio, não compreendi o motivo. Percebendo minha cara de quem nada entendera, ele mencionou aquele trecho da letra em que os meios de comunicação fazem o maior “carnaval” com a história de João de Santo Cristo. Diz o trecho:

E o Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter da televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora e o local e a razão

No sábado então, às duas horas, todo o povo
Sem demora foi lá só para assistir
Um homem que atirava pelas costas e acertou o Santo Cristo
Começou a sorrir.
Sentindo o sangue na garganta,
João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e
A gente da TV que filmava tudo ali

A mim, que acompanhei de perto a trajetória do Legião Urbana, a comparação não havia ocorrido. Por essas e por outras é que é sempre bom conversar com pessoas inteligentes.